Apesar do incidente com Charlie, o qual passou despercebido pela maioria dos convidados, mas principalmente e fundamentalmente, por Renesmee, a festa da minha menina foi um sucesso, e Nessie não cansou de agradecer e contar sobre a grande festa o que causou grande gratificação e realização pessoal não só a mim, mas a todos os Cullens também, em especial, a Edward o qual se mostrava em plenitude, parecia que finalmente estava compreendendo que ele era pai.

Eu estava satisfeita e tranqüila quanto mais eu constatava que Edward realmente amava Renesmee, e era um pai totalmente presente e se esforçava para ser tudo que Nessie precisava. Minha pequena princesa estava em boas mãos.

Eu estava cada vez mais feliz e minha barriga crescia a cada dia. Era um pouco tedioso passar o dia inteiro sem fazer nada, mas me confortava o fato de Edward estar sempre ao meu lado; ele me auxiliava em tudo que eu fazia, em tudo que eu as manhãs seguíamos a mesma doce rotina. Agora fazia exatos quinze dias desde a festa, e eu me encontrava em um pequeno conto de fadas.

A inconsciência foi abandonando-me ao mesmo tempo em que as gostosas carícias de Edward em meu rosto e meus cabelos iam se tornando mais reais. Ainda sonolenta agarrei-me mais ao peitoral de Edward sorrindo, não consigo evitar sorrir, eu me sentia feliz naqueles braços. Edward soltou uma risada leve e beijou o topo de minha cabeça.

-Bom dia, minha Bella... – sussurrou ele suavemente. – Hora de levantar...

Soltei uma leve risada e aconcheguei minha cabeça na curvatura de seu pescoço. – Só mais cinco minutinhos... – resmunguei meio incoerente, meio sonolenta. Edward riu mais ainda.

- Renesmee tem aula. – ele tentou me persuadir ainda afagando meus cabelos. – Você quer que eu a leve sozinho? – mesmo sendo gentil, eu sabia bem que Edward estava louco para que eu aceitasse e ficasse o dia todo deitada na cama. Franzi o cenho.

– Você está louco para que eu aceite, não é? – perguntei ainda de olhou fechados, Edward riu.

- Pode apostar que sim. – confirmou sem hesitação, totalmente cara de pau. Bufei irritada, toda a manhã era a mesma coisa.

Abri meus olhos e encontrei aquelas duas esferas douradas que tanto aprendi a amar, foi impossível ficar séria, sorri e beijei rapidamente seus lábios.

- Boa tentativa. – foi tudo que disse e rapidamente pulei da cama, meu equilíbrio, ameaçou me trair, mas as mãos firmes de Edward me seguraram.

- Será que você pode, uma única vez, não ser perigosa para si mesma? – a voz ligeiramente irritada de Edward soou próxima aos meus ouvidos.

Eu sabia o quanto perturbava Edward o fato de eu ser tão frágil, tão perigosa para mim e para nossos filhos, mas o que eu poderia fazer? Era uma questão de tempo, só até os gêmeos nascerem e então eu seria imortal. Mas agora eu nada podia fazer, e meu único recurso era aliviar a tensão.

Ri levemente e caminhei em direção ao meu closet. – Se eu não fosse perigosa para mim mesma, eu jamais teria braços fortes me segurando. – olhei maliciosamente pra ele e sorri de canto. Edward abriu um sorriso safado e veio em minha direção, abraçando-me por trás e beijando meu pescoço.

- Você não precisa estar em perigo para que eu a segure... – sussurrou ele usando todo seu charme, permitindo que seu hálito quente queimasse minha pele e seu perfume embriagasse-me.

- Edward... – ofeguei gemendo. Rapidamente me virei de frente para ele e joguei meus braços em torno de seu pescoço. Sem nem pensar direito capturei seus lábios com os meus, Edward correspondeu à altura, tomando todo o ar dos meus pulmões. Prensei, meu corpo no dele, o máximo que minha barriga permitiu, mas da mesma maneira que o fogo surgiu, Edward interrompeu aquele momento apaixonado.

- Vai com calma, mamãe... – sussurrou ele em meus lábios ao mesmo passo em que tocava minha barriga. Claro que aquilo me desagradou, a sensação de perda foi certeira, e numa tentativa inútil tentei capturar novamente seus lábios, mas Edward me impediu. – Não; não. – divertindo-se com a minha frustração, ele mordeu levemente meu lábio inferior. – Renesmee, precisamos acordar Renesmee.

Suspirei frustrada e me afastei, voltando a fitar as prateleiras, atrás de uma roupa adequada. – Você gosta de brincar comigo. – acusei-o ainda zangada, escolhi um vestido longo azul, escolhi luvas ¾ da mesma cor do vestido e peguei uma lingerie nova azul bebê. – Mas seus dias de divertimento estão contados! – sorri maliciosamente enquanto me encaminhava para o banheiro. – Assim que os gêmeos nascerem, eu serei transformada e então você não poderá fugir de mim! – Brinquei divertida, mas o silêncio de Edward em resposta me fez parar e encará-lo – Qual o problema?

Edward ficou um tempo ainda em silêncio, fitando o chão; isso fez uma estranha apreensão crescer dentro do meu peito, algo estava visivelmente errado. – Edward? – chamei-o novamente.

Com um suspiro pesado ele me encarou, seus olhos cheios de temor o que fez um arrepio apreensivo percorrer meu corpo. – Bella... – começou ele, inseguro. – Há... Há algo que eu gostaria de conversar com você. –ficamos nos encarando alguns segundos, ele esperava por uma reação minha e eu temia reagir, pelo seu tom, boa coisa não poderia ser e eu já estava farta de desgraças na minha vida.

Com um suspiro ele esticou a mão. – Venha, vamos conversar. – hesitante, tomei sua mão. Edward me guiou até minha cama, nos sentamos calados e ficamos nos encarando. – Bella, há algo que eu gostaria de conversar com você. – nos olhos de Edward eu conseguia ver todo o medo e a insegurança, ele temia o que quer que fosse me perguntar... Não posso dizer que não receava. Mesmo estando bem agora, Edward já me dera muitos motivos para temer uma conversa como aquela.

Em meu intimo, tentei compreender o porquê de sentir uma súbita dor em meu peito, procurei encontrar a fonte daquele sentimento de abandono tão estranhamente familiar e antigo.

Com pesar, percebi a fonte daquele sentimento. A última vez que Edward fora tão hesitante e pedira para conversar foi quando na noite em que me deixou... Meus olhos se encheram de lágrimas ao me lembrar daquela noite que desencadeou toda minha história até ali. Meu peito se contraiu e eu senti aquele sentimento de perda me envolvendo, eu não queria fazer associações, mas era inevitável, ouvir Edward falar daquela maneira e não lembrar-me de quando ele partira.

Não me permiti ceder, não me permiti chorar, aprisionei dentro de mim toda a dor e aguardei pelo pronunciamento de Edward, mesmo no fundo eu achando pouco provável que ele fosse me deixar novamente, os fantasmas de meu passado pairavam sobre minha cabeça deixando-me fazer nascer, firme e assustadora, a dúvida dentro de mim.

Até porque, fosse como fosse, eu já passei por esse tipo de situação e se soube - mesmo que da maneira mais errada possível - enfrentá-la e sobreviver a ela, eu poderia fazer isso de novo... Não por mim, mas por meus filhos.

- Bella, - a voz de Edward trouxe-me de volta a realidade. – Eu gostaria de conversar com você sobre a sua transformação. – nem prestei atenção em qual era o assunto que ele queria tratar, apenas me apeguei ao fato de que ele não partiria.

A sensação de alivio foi grande e eu me senti tola por acreditar que Edward poderia me deixar novamente, ele jamais faria isso... Me amava, amava nossos filhos. Eu não deveria ser tão insegura...

Instintivamente, a vergonha por ter duvidado do amor de Edward me invadiu, e com ela, a antiga necessidade de me punir por isso... Sem nem mesmo perceber eu me vi coçando levemente as cicatrizes de meu pulso esquerdo; só me dei conta do que fazia quando senti as mãos de Edward detendo-me.

Novamente sai da minha grade de conflitos e olhei para as nossas mãos e depois para o rosto dele, sua testa estava franzida, não precisava que verbalizasse para saber que ele havia compreendido minha vontade.

– Por que está fazendo isso? – sua voz era muito, muito séria, sua expressão estava composta, mas dentro de seus olhos eu pude ver a raiva queimando ardentemente.

Novamente me senti terrivelmente mesquinha com aquele ato, com aquela vontade, não consegui encará-lo. Desviei meus olhos para o chão e recolhi minhas mãos, envolvendo-as num abraço.

- Bella? – Edward tornou a me chamar, quando não fiz sinal de me mover ele segurou meu queixo forçando-me a olhá-lo. – Por que. Você. Estava. Fazendo. Isso? – sua raiva era clara, mesmo que sua voz não estivesse alterada. Nada respondi. – Bella... Eu posso não conhecê-la mais como antigamente, mas algumas coisas eu consigo perceber. – sua mão apertou meu queixo ligeiramente.

"Você queria... Queria se... Se cortar. – as palavras saíram difíceis, não era fácil para ele falar sobre aquilo. – Por que, Bella? Por quê? – mesmo com a raiva se mostrando presente em seus olhos, a angústia e o desespero estavam visíveis em sua voz."

Ele não me deixaria em paz, eu sabia que não. Mas não podia falar-lhe a verdade. – Não era nada, Edward. Eu não ia fazer nada. – soltei meu rosto e me levantei andando para o outro lado do quarto, eu não queria encará-lo; se doía para ele falar nisso, para mim doía muitas vezes mais, pois era a prova viva do quão fraca eu era.

- Mas isso é claro! Ou você acha mesmo que eu a deixaria fazer alguma coisa? – ele se tornou impaciente, não precisei me virar para saber que ele também havia se levantado e rumava em minha direção, não demorou muito e o senti virando-me para encará-lo. – O que quero saber é o porquê. – sua voz era firme e determinada.

A irritação também tomou conta de mim, eu precisava me explicar e não iria. – Não era nada Edward! E por favor, não insista porque eu não vou te dizer nada! Isso é assunto meu! – respirei fundo e mantive meu olhar firme, eu não cederia, ele não precisava saber, ele não iria saber.

O desapontamento passou por seus olhos. – Você... Não confia... Em mim. – sua voz não passou de um sussurro doloroso que fez com que a culpa me dominasse, mas nesse caso, não havia nada que eu pudesse fazer.

- Sinto muito. – foi tudo que disse antes de rumar para o banheiro.

- Pensei que você confiasse em mim e que dividiria suas dores comigo... – a voz dele, machucada, parou-me quando eu já estava na porta do banheiro.

Eu parei, mas não o olhei. – Eu confio em você. Mas existem feridas que só o tempo pode apagar e não há motivo para que eu as exponha. – virei e encontrei seu olhar. – Eu o amo Edward. Vamos nos casar. Temos uma filha linda e mais dois estão a caminho. Há muita coisa que quero dividir com você, mas não há motivo para perdemos tempo dividindo feridas e mágoas. – fui até ele e segurei suas mãos, ficando próxima a ele.

- Tudo que for de ruim eu não quero levar para nossa vida de casados. Quero deixar no passado, quero que o tempo apague. Quero que possamos dividir apenas as alegrias da vida, quero que só vivamos as coisas boas. Não quero mais sofrer... – Edward me envolveu em um abraço e beijou minha cabeça.

- Eu também a amo, e só quero que sejamos felizes... – sua voz transparecia apenas sinceridade. – Mas tenho medo que você não divida comigo sua dor, que ache que não pode se apoiar em mim quando os momentos difíceis chegarem... Tenho medo que você não se sinta segura para me pedir ajudar, apoio...

Encarei-o. Suas palavras foram gravadas como fogo em meu peito. – Eu vou me apoiar em você, vou procurar o teu consolo, a tua proteção, eu prometo... Mas agora... São apenas males do passado, não há porque nos deixarmos abalar. –me aproximei e beijei-o com carinho, sem pressão, deixando meu amor passar para ele através daquele gesto. Edward correspondeu com a mesma calma e doçura. – Eu te amo... – sussurrei.

- Eu também. – ele sussurrou, colando nossas testas, um sorriso torto maravilhoso surgiu em seu rosto forçando-me a sorrir também.

- Sobre o que você queria falar, mesmo? – perguntei após algum tempo, lembrando-me que havia algo para conversarmos. Edward riu, tirou uma mecha de cabelo dos meus olhos, negou com a cabeça.

- Deixe... Conversamos mais tarde. Renesmee vai se atrasar. Vá tomar seu banho. – ele beijou a ponta do meu nariz, eu apenas assenti. Achei melhor não levantar mais intriga para aquele inicio de manhã e rumei para o banheiro.

Durante o banho me coloquei a refletir sobre o rumo que minha vida estava tomando, fazia anos que eu não me imaginava mais casada, fazia anos que eu já não mais via Edward ao meu lado, muito menos próximo a Renesmee. Eu nunca imaginei ter outro filho... Mas agora, tudo tinha mudado.

Edward, mais uma vez tinha chegado e se apossado de minha vida, manipulando-a da maneira que quisesse, não que eu estivesse reclamando, eu estava feliz com minha vida, com meu noivo, com meus filhos, eu apenas tardava a me acostumar com a idéia que, mesmo depois de experiências muito ruins e desastrosas, eu ainda permitia, mesmo que inconscientemente, que o homem que me destruiu conduzisse minha vida.

A prova viva disso era como ele conseguiu, em poucos meses, mudar todos os meus vícios; tirou-me do álcool e das drogas, afastou-me da promiscuidade e, principalmente, estava erradicando minha sessão de autoflagelo. Eu lhe era grata por tudo isso, se Edward não tivesse intercedido, não sei onde teria chegado, e então, o que seria de Renesmee? Qual exemplo eu estaria dando para ela? De uma maneira muito sutil e singular, Edward me salvou de mim mesma.

Contudo, as marcas desses anos conturbados nunca se apagariam, mesmo que meu coração talvez um dia se cure de tantas feridas que meu próprio salvador me causou, eu jamais conseguiria restaurá-lo ao que um dia ele foi, de um jeito ou de outro, ele sempre estará remendado, cicatrizado, desfigurado; aquelas cicatrizes jamais sumirão.

Em meu corpo não se fazia diferente, em meu pulso sempre estará às marcas de toda a dor a mim infligida, as cicatrizes sempre estarão ali para me lembrar de como a vida pode ser cruel. Mesmo não tendo me viciado, eu jamais poderei reparar os danos que as drogas e o álcool causaram ao meu corpo, pior, graças a esses erros tão sombrios, isso talvez possa afetar meus pequeninos que ainda crescem dentro de mim.

Carlisle e Edward tentavam me tranqüilizar, alegavam que com as injeções semanais que estava tomando isso faria com que nada afetasse os bebês, mas como posso me conformar, como pode qualquer mãe se aquietar sabendo que você esta causando riscos aos maiores tesouros da sua vida? Eu jamais me perdoaria...

Com um suspiro cansado desliguei o chuveiro e comecei a me trocar, não adiantava relembrar as coisas ruins, afinal, elas sempre estariam lá, então talvez ficasse mais leve se eu apenas não desse tanta relevância as tragédias da vida e me focasse nas coisas boas.

Muitos costumam dizer "O tempo cura todas as feridas", eu não acredito nisso, não acho que seja verdade, sei que o tempo jamais poderá curar determinados machucados, mas eu sei que ele pode te ensinar a conviver com as cicatrizes, é nisso que me apego, na certeza de que um dia, eu estarei - não reconstruída - mas sim curada.

Já pronta e renovada, composta o suficiente para erguer a cabeça, abrir um sorriso no rosto e seguir em frente. Saí do banheiro e me deparei com Edward, já trocado e o quarto arrumado - como era de costume Edward sempre arrumava meu quarto enquanto eu tomava banho -, ele me sorriu carinhosamente, tomou minhas mãos enluvadas e as beijou.

- Está linda. – foi tudo que ele disse, em resposta eu lhe sorri e selei rapidamente seus lábios. – Vamos? – assenti prontamente. De mãos dadas seguimos para a cozinha, preparar o café.

Tudo se seguiu muito calmamente, sem nenhum novo conflito ou nenhum sinal de dor por nenhum dos lados, mesmo que não houvesse palavras, juramos com um simples olhar que aprenderíamos a seguir em frente e a nos amar saudavelmente, mas principalmente, faríamos isso juntos.

Assim que aprontamos o café fomos acordar Renesmee, tentamos distraí-la e não falar muito sobre isso, mas ela sabia, tanto quanto nós que hoje era dia dela tomar vacina, e para a nossa completa infelicidade, Nessie herdara meu medo de agulhas, todas as vezes em que tomava injeção era um sacrifício, ela era mais forte que eu, por conta disso eu sempre saia repleta de hematomas e arranhões.

Por conta disso, quem aplicaria a injeção seria Carlisle e Edward a seguraria. Não podíamos nos demorar, afinal, Renesmee ainda iria para a escolinha. Enquanto estávamos em casa ela se mostrava tranqüila e indiferente, mas bastou a colocar no carro que o escândalo começou. Nessie se debatia e chorava, dizendo que não queria, que iria doer e coisas do tipo.

Edward estava inquieto, para ele era difícil ver Renesmee fazendo manha, ele sempre achava que era realmente sofrimento pelo retrovisor ele ficava observando-a e às vezes, murmurava palavras de tranqüilidade para ela. Já eu estava próxima a explodir de irritação, eu odiava quando Renesmee fazia manha, não havia sido aquela a educação que eu a dera. Quando chegamos ao hospital, antes mesmo de descermos, eu virei para a pequena e com uma voz baixa e ameaçadora avisei:

- Vamos entrar em um hospital agora, é o ambiente de trabalho do seu avô! Se você fizer escândalo vai envergonhar a mim, ao seu pai e ao seu avô e então eu vou te dar um bom motivo para chorar, na frente de todo mundo e você vai passar vergonha também. - no mesmo instante o choro falso e escandaloso da pequena cessou e apenas soluços contidos se fizeram presente. – Portanto é bom se comportar!

Edward me encarou raivoso, ele era contra ao meu método de disciplina com Renesmee, e não suportava a idéia de me ver batendo em nossa pequena, mas tinha horas que o melhor era assim.

De uma maneira silenciosa e discreta ele alertou-me que eu não bateria em Renesmee, não importasse o que acontecesse, não era muito a favor disso, mas o importante era a pequena acreditar que eu faria isso tornaria tudo mais fácil.

Edward pegou Nessie no colo, ela se agarrou ao seu pescoço e escondeu seu rosto, seus soluços assustados ainda eram levemente audíveis, isso fazia o coração de Edward se partir e o meu se apertar.

Adentramos no hospital e seguimos direto para a sala de Carlisle, ele estava sentado frente a sua escrivaninha, lendo um livro, no canto próximo a maca, já estava preparado tudo que seria necessário.

- Olá pai. – saudou Edward, prontamente Carlisle fechou a porta e veio até nós.

- Bom dia, crianças. – Carlisle deu um leve tapa no ombro de Edward e beijou o topo da cabeça de Renesmee, que no mesmo momento começou a chorar novamente. Carlisle olhou assustado para nós. – O que houve?

Edward começou a embalá-la murmurando palavras de conforto. Suspirei pesadamente.

– Renesmee tem medo de agulhas. – esclareci enquanto me aproximava para pegá-la. Edward me olhou feio e eu desafiei seu olhar, ambos sabíamos que agora não adiantava nada ele discutir, Renesmee só se acalmaria comigo. Com relutância, ele me entregou minha pequena.

Carlisle riu levemente.

– Ora! Isso sim é interessante, não?

Edward suspirou.

– Renesmee tem mais de Bella do que aparenta.

- Podemos terminar com isso logo? – pedi balançando minha menina que soluçava angustiada. – Por favor?

Edward e Carlisle assentiram e meu futuro sogro começou a se preparar e preparar a seringa. Edward se aproximou para pegar Nessie, já que ele a seguraria.

- Mamãe, por favor... – pediu minha menina se agarrando firmemente a minha roupa. – Por favor, mamãe, não deixe o vovô me picar! Não deixa!

- Oh, meu bebê. – sussurrei acariciando seus cabelos. – Você sabe que é para o seu bem.

Seus olinhos se encheram de lágrimas e ela procurou o rosto do pai. – Papai, por favor...

O rosto de Edward se retorceu de dor, era difícil para ele ver nossa menina sofrendo e pedindo-lhe algo que ele não podia atender. Sem dizer nada ele desviou o olhar. Desesperada, Renesmee recorreu a Carlisle.

- Vovô, por favor, por favor, não me dá injeção não. Por favor. – Sua voz era chorosa e levemente desesperada.

Carlisle acariciou-lhe o rosto secando as pequenas lágrimas que caiam. – Vai ser rapidinho, querida. Você só vai sentir uma picadinha. – beijou-lhe a ponta do nariz.

Renesmee começou a chorar mais ainda, Edward, ainda angustiado, voltou a nos fitar.

Apoiei a cabeça de Renesmee em meu ombro e por cima de encarei Edward, apenas movimentando os lábios disse-lhe: "Assuma uma postura forte, se quer ser um bom pai tem que aprender que às vezes a vontade de nossos filhos não é o melhor."

Os olhos de meu amado assumiram um brilho diferente, a expressão angustiada se foi e ele assumiu uma postura firme e composta. O ar envolta dele pareceu se transformar também e ele pegou nossa menina nos braços.

- Não, não, não! Injeção não! – Nessie começou a gritar, mas Edward a segurou firmemente, sentou-se na cadeira ao mesmo tempo em que a deitava de bruços em seu colo.

- Já vai acabar logo, filha. – prometeu ele, sua voz segura de si.

- Não, não, não, não! – ela gritava em pânico, se debatendo, contudo Edward a segurou, imobilizando-a. Ainda com habilidade e facilidade, arriou-lhe todas as vestes inferiores, deixando o bumbum branquinho de nossa boneca a mostra. – Por favor, não, por favor, não! – chorava Renesmee.

- Para de fazer escândalo, Renesmee! – exigi séria. – Já vai acabar.

Carlisle hesitou por um breve segundo e então aplicou a injeção. Renesmee gritou a toda força de seus pulmões, mas Edward não vacilou e continuou imobilizando a pequena escandalosa, rapidamente Carlisle retirou a agulha e fez um pequeno curativo.

- Pronto... – tranqüilizou ele. – Já acabou. Viu? Foi rapidinho. Já passou.

Edward ergueu Renesmee e apoiou sua pequena cabeça na curvatura de seu pescoço, murmurou palavras de conforto, tentando acalmá-la. Aproximei e arrumei as vestes da pequena, ela soluçava alto, o rosto manchado de lágrimas, isso partia meu coração, assim como o de Edward e Carlisle, mas sabíamos que aquilo era necessário.

- Já acabou, pequena... – acariciei seus cachos. Ela ergue a cabeça, fitando-me, sem soltar as vestes, já molhadas de lágrimas, de Edward.

- Tá doendo... – choramingou ela, o pai beijou-lhe o topo da cabeça afagando suas costas.

- Shh... Já passou... Está tudo bem agora... – murmurava ele freneticamente. Ninguém falou mais muita coisa, toda aquela tortura com a pequena era um mal necessário.

Quando Nessie já estava mais composta, arrumei-a novamente e seguimos para a escola de Renesmee, foi um pouco embaraçoso sair do hospital, pois todos tinham ouvido os gritos da menina o que acarretou em uma série de olhares sobre nós.

Assim que deixamos Renesmee na escolinha, seguimos para a casa dos Cullens, era nossa rotina, dormíamos na minha casa e passávamos o dia na casa dele, não que fosse algo necessário, mas meus futuros sogros e meus futuros cunhados gostam de estar perto de mim, principalmente agora, grávida, e também adoram ter Renesmee por perto.

- Que bom, que vocês chegaram! – Esme nos recebeu com um abraço maternal. Em resposta apenas sorrimos. Com exceção de Carlisle que deveria estar trabalhando, todos estavam ali na sala, fazendo alguma coisa que não conseguir compreender o que era, mas nem mesmo ergueram a cabeça quando entramos. – Está com fome, Bella? Posso preparar algo para comer.

- Obrigada Esme, mas estou bem. – gentilmente declinei o convite.

- Bella... – rosnou Edward, encontrei seu olhar e vi a irritação ali presente.

- Eu tomei café da manhã agora a pouco! – me defendi, por Deus, eu ia virar uma bolinha naquele ritmo.

Nem mesmo pude responder, pois nisso, os Cullens "jovens" nos olharam. – Você precisa se alimentar, Bella! – Rose repreendeu-me com uma irritação semelhante à de Edward. – Meus sobrinhos dependem disso.

- Mas... – tentei argumentar que eu já havia comido, mas Alice interrompeu-me com um suspiro cansado.

- Você ainda está abaixo do peso, Bella! – O.M.F.G., ok, agora eu estava oficialmente encrencada, poucos dias depois do aniversário de Renesmee eu tinha dito a todos que havia me pesado e já estava no peso recomendado pelo médico, eu apenas queria um pouco de sossego, todos estavam me atormentando para que eu engordasse e atingisse os 68 kg, mas eu não estava ganhando peso e todo aquele estresse já estava incomodando.

O silêncio foi denso, eu podia sentir a raiva de Edward tomando cada célula de seu corpo, também sabia que ele estava se controlando para não gritar comigo, observei cada um dos Cullens, todos pareciam chocados, sem muita reação, mas a pontada de irritação era perceptível, isso fez com que eu me encolhesse levemente, é; eu estava numa enrascada.

Jasper foi o primeiro a reagir, levantou-se bruscamente e seguiu para a cozinha. – Vou preparar algo para ela comer... – foi curto e ligeiramente grosso. Senti uma pontada de culpa, Esme foi a segunda a reagir, encarou-me aturdida.

- Bella, você...? – ela estava confusa, mas não teve chance de falar mais nada, senti a mão firme e fria de Edward segurando meu braço com uma força considerável, mas sem me machucar; sem dizer uma palavra ele me arrastou até o andar de cima, para o escritório de Carlisle, ainda sem nem mesmo me olhar ele abriu os armários e tirou dali uma balança, colocou-a na minha frente e com uma voz fria e cheia de irritação ou até mesmo raiva ordenou:

- Suba!

Estremeci novamente, eu não precisava subir para saber meu peso, em meu banheiro havia uma balança e na manhã anterior e eu ainda estava com 57 kg, onze quilos a menos que o recomendado pelo médico.

Edward, com toda a certeza, me daria um sermão, ou melhor, uma bronca daquelas, no mínimo, quando soubesse. Num esforço inútil eu tentei argumentar. – Edward... – choraminguei, mas ele nem mesmo me deixou falar.

- Suba Bella! – sua voz se elevou levemente, ele estava ficando impaciente; encolhi-me, eu não tinha a menor opção a não ser subir na balança. Pior do que marcar os 57 kg de alguns dias atrás foi constatar que eu havia perdido mais um quilo. Edward pareceu perder a cor que não possuía quando viu a balança marcando 56 kg. – Cinqüenta e seis... – sussurrou ele, ainda em choque.

Temerosa, desci da balança e por instinto, dei um passo para trás. – Não é tão ruim assim... – sussurrei numa tentativa de amenizar a situação. – Eu estou bem...

Edward encarou-me, o choque transformando-se em ira, seus olhos arderam como brasa, seus punhos se cerraram. – Não é tão ruim? – repetiu. – Não é tão ruim? – Sua voz começou a se elevar uma oitava. – Você está com doze quilos a menos! DOZE!

- Edward... – tentei dizer alguma coisa, mas ele fez sinal para que me calasse, ainda temerosa, resolvi obedecer. Ainda sem muita gentileza, mas nunca me machucando, Edward me guiou até o sofá e obrigou-me a sentar, ao mesmo tempo em que pegava o celular e ligava para alguém.

Não precisei perguntar para quem era a ligação, bastou ele começou a falar numa velocidade rápida demais para eu compreender quem era o receptor da ligação, Carlisle. Aquele pequeno diálogo não durou mais que um minuto e quando ele desligou mal me olhou, apenas começou a revirar armários e gavetas atrás de alguma coisa.

A tensão e a expectativa do que aconteceria a seguir me enjoava, mas procurei me controlar, Edward já estava irritado o suficiente, dizer qualquer coisa agora só iria piorar a situação.

Não demorou muito ele se aproximou de mim puxando uma mesinha que possuía alguns instrumentos em cima, minha testa se franziu pelo curto segundo em que não compreendi o que era aquilo, bastou Edward começar a colocar uma luva plástica e meus olhos avistarem uma seringa em cima de uma bandeja para meu corpo inteiro se resfriar.

Como que por instinto, me encolhi e afastei-me levemente, mesmo com o tempo passando eu ainda odiava agulhas. Engolindo em seco e com muito cuidado, tentei conversar. – Edward...? – nenhuma outra palavra saiu, ele continuou sem me olhar, concentrado em preparar a seringa.

- Conversei com Carlisle e ele está aumentando seus medicamentos. – disse-me ele com aquele tom inexpressivo. – A partir de hoje as injeções que eram quinzenais, passarão a ser diárias, e tomará soro três vezes por semana; até que seu peso se acerte. – estremeci novamente, três injeções por dia? Eu estava perdida.

- Mas... Mas... São três injeções! – tentei conter o pânico. Edward finalmente me fitou, seu rosto era inexpressivo, mas no fundo do seu olhar eu podia encontrar a mágoa e o desapontamento ali presente, isso fez com que eu me sentisse culpada.

- Talvez se tivesse sido honesta conosco agora não precisaria passar por isso. - uma breve pausa. – Considere isso como seu castigo por ter mentido. – eu estava cada vez mais apreensiva.

Engoli em seco. – E... E vocês não podem transformar essas injeções em uma só? – minha voz era rouca.

Edward arqueou uma sobrancelha, nem sequer respondeu, pegou o algodão molhado de álcool e a seringa. – Levante a manga do vestido. – ordenou autoritário.

Novamente agi por impulsividade e segurei meu braço, afastando-me levemente. – Não...? – minha insegurança era tanta que o que deveria ter sido uma afirmação soou mais com pergunta.

Novamente a sobrancelha de Edward se elevou, seu rosto começava a dar sinais de irritação. – Se você não colaborar Bella, - sua voz era assustadoramente calma e letal. – Vou tratá-la como Renesmee! Vou te segurar à força, colocá-la deitada no meu colo e aplicar as injeções na sua bunda. – abri a boca para reclamar, mas ele foi mais rápido. – E se preciso chamarei um dos meus irmãos para me ajudar e será muito mais embaraçoso. – ok, eu havia criado um monstro. A maneira que ensinei a ele para usar com Nessie estava agora sendo usada comigo! Ele até parecia meu pai ao invés de meu noivo e futuro marido.

Aquela era uma situação sem muitas opções, me deitar no colo de Edward como uma criancinha já era humilhante, imagina se tivesse mais alguém vendo aquilo, sem ter muito que fazer arregacei a manga e olhei para o outro lado, querendo desviar o máximo a atenção, claro que isso não foi possível, não consegui conter um arfar ao sentir a agulha entrando em minha pele.

Meu rosto deve ter se retorcido de dor porque Edward quebrou o silêncio. – Isso não deveria estar sendo necessário Bella. – o desapontamento era presente em sua voz. – Por que você não consegue se permitir estar bem? – ele parou o que fazia e encontrou meu olhar. – Você precisa deixar o passado, meu amor; se machucar só causará mais dor, não só a você, mas a todos que estão a sua volta. – com gentileza ele tocou meu ventre. – E a todos que dependem de você.

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu vi necessidade de quebrar aquele contato visual, eu sabia que ele estava certo, mas algumas marcas nunca seriam sanadas totalmente. Mesmo que muito sutilmente, eu sempre estaria presa aos fantasmas de meu passado.

O silêncio novamente reinou entre nós e Edward continuou as aplicações, mas mal senti, ainda estava absorvendo as palavras dele, como não me deixar levar? Como esquecer a sede de culpar-me por todos os erros? Como me permitir ser feliz, quando tanto se destruiu, tanto sofrimento se criou por minha causa?

Talvez nem a eternidade eliminasse todo esse peso, toda essa culpa. Era um carma, um doloroso carma.

Assim que terminou tudo Edward beijou o topo de minha cabeça e me ajudou a levantar, enlaçou minha cintura e me conduziu para fora; a raiva havia se dissipado, mas a mágoa ainda se fazia presente. – Vou cuidar de você! – prometeu ele. – Não permitirei mais que sofra ou que se machuque, mesmo que isso seja uma escolha sua.

Não respondi, mesmo acreditando não merecer, eu torcia para que ele cumprisse sua promessa.

Com a gentileza de sempre ele me guiou para a sala, onde um grande banquete me aguardava, enquanto estivemos no andar superior todos prepararam todo tipo de comida na sala, em frente à televisão, automaticamente parei.

- Vocês só podem estar brincando... – eles não podiam estar realmente esperando que eu fosse comer tudo aquilo.

Suas expressões continuaram sérias e Edward me conduziu até o sofá. – Você vai comer direitinho? –perguntou ele ainda como se eu tivesse a idade de Renesmee, mas o aviso não verbalizado era presente em sua voz. Isso me fez engolir em seco e apenas assentir com a cabeça, a carranca se foi, e aquele sorriso torto tão cativante tomou seu lugar. – Melhor. – disse ele beijando o topo da minha cabeça, ao que parecia eu havia voltado a ser uma criança de cinco anos.

E assim mais alguns dias se passaram, como se tornou costumeiro, eu fazia apenas atividades leves, e comigo mais do que aguentava, ah, as malditas injeções e sessões de soro não devem ser esquecidas também; contudo, também acabei por resolver me interar dos preparativos do casamento, diferente da última vez, agora eu queria participar de cada decisão sobre o casamento e como consequência, Edward também participava. No início Alice não gostou muito da idéia, mas por fim compreendeu que aquilo significava um desejo de casar, e acabou por ficar feliz.

Passávamos o dia decidindo tudo, e todos que quisessem eram livres para opinar; as flores, o Buffet, a decoração, a louça... A única coisa que não chegamos a ver foi o vestido, foi de comum acordo que veríamos isso na semana seguinte, quando Emmett e Jasper arrastariam Edward para uma caçada prolonga, o único jeito de mantê-lo longe de mim.

Naquela manhã de sexta-feira não era diferente, estávamos todos na sala, discutindo coisas e mais coisas, envelopando os convites que haviam chegado na tarde anterior, era algo tão simples, nos mesmos havíamos escolhido as palavras, queríamos que fosse especial, como aquela dia seria para nós. Além do convencional havia uma frase escrita que marcou muito a mim:

"A felicidade tardou a bater em nossa porta, mas ela chegou para ficar. E é por isso que escolhemos dois mil e dez para o nosso ano, maio para o nosso mês, vinte e dois para o nosso dia, onde vocês nos verão pela última vez solteiros e pela primeira vez casados; felizes para sempre."

Era assim que nos sentíamos, demoramos a ser felizes, mas agora seria por toda a eternidade.

Estava divertido, fazer aquela simples tarefa, todos estavam em um clima agradável, até Carlisle estava em casa, era seu dia de folga, todos estavam atentos nessa mesma tarefa, envelopando os convites.

- Não acredito que estão convidando Mike Newton. – debochou Emmett, Edward bufou ao meu lado.

- Nem eu... – murmurou ele rabugento, eu ri abertamente.

- Você está com ciúmes de Mike Newton? – era simplesmente ridículo!

- Ele tem sentimentos por você, Bella! – exclamou Edward exasperado enquanto envelopava outro convite.

- Pelo amor de Deus, Edward! Eu já estou parecendo um bujão de gás agora, no casamento vou estar pior ainda! Toda deformada! E você está preocupado que Mike Newton tente alguma coisa? – a idéia era simplesmente ridícula! Emmett como sempre caiu na gargalhada, mas Rose logo o calou tacando-lhe uma almofada. – Eu é que deveria estar preocupada já que estamos convidando Tanya!

- Isso não é verdade! – disse ele suavemente. – Você está linda! – ele beijou minha bochecha e eu me limitei a revirar os olhos.

- Estou um balãozinho ambulante, Edward. Colocar-me ao lado de uma mulher deslumbrante como Tanya no dia do meu casamento, é covardia! Até porque, ela já teve sentimentos por você! – Edward riu levemente.

- Não seja absurda! – então o foco mudou novamente, e foi nesse clima agradável que passamos o restante da manhã, próximo ao horário do almoço, fui cozinhar, mesmo com todos os protestos, mas eu me sentia bem cozinhando. Por conta disso, quem foi buscar Renesmee na escola foi Emmett e Rosalie.

A conversa ainda girava em torno de alguns preparativos para o casamento, mas eu pouco prestei atenção, estava mais atenta aquele cheiro maravilhoso de comida que me deixava cada vez mais faminta.

- Olha quem chegou! – A voz brincalhona de Emmett anunciou sua presença, no mesmo instante me virei e vi minha menina nos ombros de Emmett, Rosalie estava logo atrás trazendo a bolsa de Renesmee. Meus olhos bateram em Renesmee e eu vi ali algo diferente, em seus olhos aquele brilho singular, o brilho que eu tanto odiava ver.

Edward se levantou e tomou nossa menina nos braços, beijo-lhe a face. – Como foi a escolinha, meu amor?

Renesmee lhe sorriu, um sorriso gracioso, muito similar aos verdadeiros, mas ainda sim não real. – Foi bem legal. – Ao que parecia ninguém mais havia percebido aquele novo brilho.

- Esme, pode terminar a comida pra mim, por favor? – pedi enquanto retirava o avental. Esme prontamente assumiu o fogão. Aproximei-me de Edward e Renesmee e estendi os braços. Renesmee prontamente se jogou em meu colo, Edward não gostou muito daquilo, mas não era tempo de frescuras.

- Você está bem? – perguntei suavemente em seu ouvido, Renesmee só me abraçou e assentiu com a cabeça, seu rosto escondido em meu pescoço. Vi o rosto de cada um dos Cullens questionarem aquilo, eles começavam a perceber que algo estava errado, mas me limitei a negar, caminhando para fora da cozinha.

Edward fez menção de me seguir, mas eu fiz sinal para que parasse, era melhor que eu cuidasse daquilo sozinha, ele não fez objeção, afinal, ele estaria escutando mesmo. Segui para o quarto de Edward, sem soltar minha menina, tirei meus sapatos e me deitei na cama, colocando Nessie ao meu lado.

Ela nada disse, ficamos apenas deitadinhas, quietas, eu a acariciar seus cabelos, e Nessie apenas brincando com o medalhão em seu pescoço.

- Você quer falar sobre isso? – perguntei suavemente, Nessie negou com cabeça. – Você sabe que pode conversar qualquer coisa comigo... – insisti ainda com delicadeza.

- Eu estou bem... – sussurrou ela sem me olhar. Abri um sorriso fraco, ela ainda não percebia que eu a conhecia melhor do que ela mesma?

- Você não precisa mentir para mim. – em nenhum momento deixei de afagar seus cabelos. – Eu sei que alguma coisa aconteceu... – fiz uma breve pausa. – Sei que chorou...

Nessie parou e virou-se para mim. – Não chorei! – foi determinada, demorei alguns segundos para perceber que ela não queria parecer fraca. Sorri suavemente e me levantei, estendi a mão para que ela me acompanhasse. Nessie assim o fez. Parei-a em frente ao espelho e me ajoelhei, ficando na altura dela.

- Vou lhe contar um segredo... – sussurrei retirando sua franja dos olhos. – As pessoas que tem os olhos claros, tem um brilho especial... São pessoas queridas pelos anjos, muito queridas... E os anjos não gostam de vê-las tristes... Por isso, eles colocaram um brilho especial em seus olhos, para que aquelas pessoas que os amem de verdade, percebam seu sofrimento e assim possam fazer algo para que essa dor acabe.

Renesmee tocou o próprio olho, confusa, tentando achar o tal brilho, mas era nítido que ela jamais acharia, resolvi ajudá-la.

- Quando você chora meu amor, seus olhos ficam mais claros, mais serenos... Como se as lágrimas tivessem lavado sua alma, deixado-a mais transparente. – sussurrei próxima ao seu ouvido.

Nessie abriu levemente mais os olhos, surpresa, ainda fixa em seu reflexo, tentando talvez, assimilar minhas palavras; dei-lhe este tempo.

- Eu amo você, querida, você é a coisa mais preciosa que tenho... – sussurrei envolvendo-a em um abraço. – E você sempre vai poder contar comigo, me contar qualquer coisa... Eu sempre estarei aqui para ouvi-la e acolhe-la...

Sorri gentilmente, ficamos alguns segundos assim, nos fitando através do espelho, eu sabia que precisava dar-lhe tempo, no momento certo ela viria a mim. E assim Nessie fez, virou-se de frente para mim e se jogou em meus braços, escondendo seu rosto em meu ombro. Acolhi-a gentilmente, afagando seus cabelos, levantei-me e nos deitei novamente na cama.

- O que aconteceu pequena? – sussurrei brandamente.

Renesmee demorou um pouco para responder. - Foi uma garota... – seu soluço partiu meu coração. – Ela disse... Ela disse... Disse que a mamãe dela falou que o papai é um homem mau e logo iria embora de novo... – senti suas lágrimas molhando minha roupa.

Meu coração se contraiu ao ouvi-la, eu sabia que havia ainda muitos moradores em Forks que estavam desgostosos com o meu novo envolvimento com Edward e com a relação dele com nossa filha. Mas nunca havia imaginado que chegaria a esse ponto.

Apertei-a contra mim. – E você acredita que seu pai seja um homem mau? – perguntei suavemente.

Nessie negou com a cabeça. – Não, claro que não... – sua voz saiu sufocada.

- Então por que as lágrimas meu amor? – indaguei ainda com a voz mansa.

- Porque eu estou com raiva de mim mesma... – disse-me ela como se isso explicasse tudo.

- E qual o motivo dessa raiva? – eu precisava ser paciente, quando se sentisse segura ela explicaria devidamente.

- Porque eu dei ouvidos a ela... – seu choro se intensificou assim como meu abraço. – Porque eu tenho medo que papai vá embora.

- Seu pai não irá a lugar nenhum sem você, meu amor. – sussurrei beijando-lhe o topo da cabeça.

- Eu quero acreditar que sim, mas e se ele for? E se aquela garota tiver razão? – ela se agarrou mais ainda as minhas vestes. – Eu sei que tudo isso não irá acontecer, mas sinto raiva de mim mesma por ser fraca e ter dado ouvidos aquela garota...

- Shh... – afaguei-lhe o rosto. – Você não é fraca, querida.

- Sou sim! Eu duvidei do papai, eu fui uma má filha! – seu desespero era presente o que fez meu coração se partir.

- Você não foi uma má filha! Tem algo que você precisa aprender meu amor... – afastei-a um pouco para conseguir encontrar seus olhos manchados de lágrimas. – Ser forte não significa estar firme o tempo todo, os opostos estão sempre juntos, querida, para se manter o equilíbrio. – abri um sorriso leve. – Não existe luz sem as trevas, não existe verão sem o inverno, não existe o dia sem a noite...

Renesmee franziu o cenho, sem conseguir compreender o que tentava lhe dizer.

- E assim a fraqueza sempre está muito próxima a força. – Retirei uma mecha de cabelo de seus olhos. – É normal enfraquecer, querida, basta saber se erguer novamente. Assim como você fez, percebendo a realidade.

Um sorriso fraco surgiu em seus lábios e eu correspondi tal ato, delicadamente, sequei suas lágrimas.

- Você acredita mesmo nisso? – indagou ela um pouco insegura.

- Acredito. – sorri confiante, e ela assim o fez também, voltou para meus braços.

- Obrigada mamãe...

Beijei-lhe o topo de sua cabeça. – Agradeça aos anjos por terem lhe dado aquele brilho especial. – pisquei, Nessie riu levemente e se aconchegou em meu colo.

- Os anjos parecem sempre estar por perto, não é mesmo? – com toda a inocência de uma criança de dois anos ela indagou. Sorri abertamente.

- Eles estão mais perto do que imagina, pequena. Sempre a lhe proteger...

Continuamos abraçadinhas, deitadas no leito de Edward, desfrutando daquele momento tão singular, tão nosso... Retomando uma época onde minha única razão de viver era ela, e ela só podia contar comigo. Nossa melhor diversão era sempre na companhia uma da outra. Não era completo se faltasse uma.

As lembranças de tantas vezes que fizemos exatamente isso, contudo, em minha cama, bateram juntamente com a saudade de ter minha filha ali, em meus braços, isso fez com que eu a abraçasse mais. Renesmee era tudo para mim. Tínhamos um laço muito mais forte nos unindo.

Leves batidas na porta nos trouxeram de volta para a realidade. Ambas olhamos na direção da porta, sem nos levantarmos ou desvencilharmos nosso abraço. A face de Edward surgiu no batente.

- Posso entrar? –Edward fez uma carinha de cachorro sem dono que me fez rir, logo o som de sinos invadiu meus ouvidos, Renesmee também estava rindo. Sorrateiramente, Edward veio até nós e se deitou ao lado de Renesmee, beijando o topo de sua cabeça. – Vocês não voltaram nunca mais! – reclamou ele com uma voz falsamente magoada. – Achei que tivessem me abandonado!

Eu conhecia Edward muito bem, eu sabia que apesar de se sentir responsável pela dor de Renesmee ele não queria que ela percebesse, muito pelo contrário, ele queria fazê-la mudar de foco. Estava dando certo, Renesmee riu.

- Nós jamais faríamos isso, papai! – ela o abraçou recendo um sorriso bobo em troca.

- Acho bom mesmo! – brincou ele fazendo nós três rirmos. – Agora porque não descemos? O almoço já está pronto e talvez seja hora de dar seu último presente de aniversário. –Delicadamente, Edward tocou-lhe a ponta do nariz.

Nessie não foi a única a franzir o cenho, eu também fiquei confusa, que papo era aquele de mais presente? Minha casa já estava amarrotada com a quantidade de presente que eles deram a Nessie.

- Mais presentes? – repetiu ela, inicialmente confusa, em seguida animada.

- Sim senhora! – sorriu Edward abertamente, ignorando minha expressão irritada. No mesmo instante Nessie se levantou e começou a pular na cama, comemorando e gritando "presente".

A principio tentei fazer Renesmee parar, mas logo constatei que seria uma tarefa quase impossível; apoiei minha cabeça em meu cotovelo e fitei Edward, gentilmente, ele me sorriu mas não retribui, eu era totalmente contra a todo esse mimo que ele devotava a nossa menina.

- Edward! – exclamei exasperada. – O aniversário dela foi há quinze dias!

Ele se limitou a negar com a cabeça, ainda sorrindo. – Esse presente você irá gostar, eu prometo. Estávamos programando isso para um dia propício, mas depois... – uma breve pausa foi o suficiente para eu saber do que ele falava. – Achamos melhor adiantarmos.

- Edward... – tentei argumentar, ou até mesmo tentar entender do que se tratava, mas ele me calou com um dedo.

- Não se preocupe... – foi tudo que ele me disse; se levantou esticando os braços, Renesmee prontamente foi em seu colo, com a mão livre ele me ajudou a levantar.

Mesmo a contra gosto, segui Edward até a cozinha, novamente os Cullens se encontravam todos reunidos, um sorriso gracioso pairava no rosto de alguns enquanto outros ainda possuíam um sorriso triste, ainda deixando minha conversa com Renesmee abalá-los, contudo, não era nada o qual Renesmee pudesse notar.

Rosalie veio e tomou Renesmee no colo, colocando-a na cadeirinha enquanto Edward me ajuda a sentar, o almoço já estava na minha frente, contudo observei Rose colocar o babador em minha menina e começar a dar a papinha para começar a comer.

O silêncio se fazia presente ali, e a expectativa era quase palpável, mas me contive, não questionei nada, mesmo ansiosa, eu queria que o tal presente esperasse até Renesmee ter comido, afinal, conhecendo os Cullens e conhecendo Renesmee eu sabia que uma vez que ganhasse o presente ela não teria cabeça para outra coisa, porém, Edward ameaçou abortar meus planos, na metade da refeição.

- Bom, acho que já podemos dar seu ultimo presente... – o cortei assim que vi os olhinhos de Nessie brilharem.

- Não senhor! – alertei. – Vocês só vão dar o tal presente dela depois que Renesmee comer tudinho! – Edward encarou-me compreensivo, silenciosamente me pedindo desculpas por não ter pensado naquilo, me limitei a sorrir em resposta. Contudo, Renesmee não gostou de tal idéia.

- Ahh mãe! – choramingou ela. Mas Carlisle interveio.

- Sua mãe tem razão, Nessie! Você precisa comer! –seu tom era paternal e paciente. – O presente não irá a lugar algum, assim que terminar, nós lhe daremos, ok?

Resignada Renesmee assentiu e voltou a comer assim como eu. Emmett logo começou um assunto o qual não me atentei, ainda estava perdida na conversa com Renesmee, me machucava tanto ver minha menina sofrer e ali em Forks, enquanto eu estivesse com Edward as coisas sempre seriam assim...

Senti o braço de Edward envolver-me num abraço, fitei-o e encontrei aquele sorriso torto tão encantador aquilo me fez sorrir também, rapidamente ele tomou meus lábios.

- Acho que preciso lhe agradecer... – disse-me ele em um tom baixo, para que os demais não se atentassem a nossa conversa.

- E por que você precisa me agradecer? – perguntei intrigada, não me lembrava de ter feito algo para ele.

- Primeiro por fazer parte da minha vida... – sussurrou ele ao pé de meu ouvido. – Depois por estar sempre me colocando como uma boa pessoa perante Renesmee... – sua mão começou a acariciar minha barriga. – Também por estar sempre me ensinando como ser um bom pai... – sorri levemente com aquela declaração e entrelacei nossas mãos. – E por último, pela dica dos olhos mais claros... – ri levemente. – Eu não havia percebido.

- Quando se vive para um filho, você aprende a ver coisas que ninguém mais vê. – expliquei sussurrando, apoiei minha testa na dele. – Você conhece Renesmee há pouco tempo, é normal não saber todas as suas reações ou todos os sinais que seu corpo dá. Ao longo do tempo você irá aprender... – toquei-lhe a face. – E eu estarei sempre aqui para lhe ajudar. – prometi.

Edward abriu aquele sorriso torto maravilhoso, tomou minha mão e beijou-a. – Eu amo você, minha Bella.

Aquelas simples palavras fizeram borboletas se agitarem em meu estômago, eu era feliz ali. Sorri alegremente. – Eu também o amo, meu Edward. – jurei.

Sorrimos cúmplices, nós éramos um, e sempre seriamos... Contudo nosso momento foi cortado com o grito estridente de Renesmee.

- ACABEI! – Num ato todo inocente, jogou as mãozinhas para o alto, fazendo todos nós rirmos. Edward se afastou de mim.

- Muito bom! – ele elogiou. – Agora já podemos lhe dar seu presente.

Esqueci de vez meu almoço e me coloquei a olhar, curiosa e até mesmo temerosa, qual seria o mais novo presente de Renesmee. Observando cada um dos Cullens, era fácil dizer que todos, sem exceção, estavam radiantes com o tal presente, eu apenas não sabia se isso era algo bom ou ruim, os Cullens às vezes tinham umas idéias loucas.

Esme pegou um embrulho grande e entregou-o a Edward que o estendeu a Renesmee. Com um sorriso magnífico e radiante, Renesmee tomou o embrulho nas mãos, seus olinhos brilhavam de emoção, eu sabia que pra ela significava mais que um presente, significava o amor e carinho que a família do pai lhe devotava, o amor que ela todos os dias lutava para merecer.

Nessie esta pronta para abrir o embrulho quando parou, abri um sorriso discreto já imaginando o que viria, ela levantou os olhos do presente e fitou primeiramente Edward em seguida os demais.

- Obrigada, papai! Vovô, vovó! Titios, titias! Obrigada pelo presente. – sorri abertamente, Renesmee era meu maior orgulho.

O sorriso de cada um, mas principalmente de Edward, se alargou, ele beijou-lhe a testa carinhosamente. – Não há de que pequena.

Nessie sorriu e voltou a abrir o presente, rapidamente se livrou da fita e do papel, pausou por um breve instante, observando a caixa, mas tão logo a abriu revelando seu conteúdo.

Para minha completa surpresa, dentro da caixa havia um uniforme de beisebol, idêntico aos dos Cullens de anos atrás, juntamente com uma luva, uma bola e um taco de beisebol.

Renesmee fitou tudo compenetradamente, sem esboçar nenhuma reação, eu já havia lhe contado histórias e mais histórias sobre como os Cullens adoravam jogar beisebol. Olhei para Edward e ele apenas sorriu, percebi então que eles queriam aderir Nessie em todos os costumes da família.

Ainda concentrada, ela pegou a camiseta e acariciou o emblema, com força apertou a camiseta contra o peito ainda de cabeça baixa, levou alguns segundos para que eu compreendesse a intensidade e a importância daquele momento para ela, no mesmo instante me levantei e a peguei no colo, ela veio de bom grado, ainda agarrada na pequena camiseta.

Rapidamente a pequena enterrou o rosto na curvatura de meu pescoço, pude sentir pequenas lágrimas a molhar-me. Edward, assim como todos os demais me olharam horrorizados, mas me limitei a negar com a cabeça, sorrindo, eles estavam compreendendo errado. Afaguei os cabelos de minha pequena, tão logo ela tocou meu rosto, mostrando-me seus pensamentos.

Como previ, ela me mostrou que aquele presente lhe foi a prova de que coleguinha estava errada, que agora, ela tinha total certeza que o pai, os tios e os avós a amavam, pois estavam compartilhando com ela um de seus costumes mais íntimos. Ao ver tudo aquilo meu sorriso se expandiu mais ainda e vi Edward sorrir também aliviado.

- Você gostou do presente? – perguntei ainda afagando-lhe os cabelos. Renesmee apenas assentiu com a cabeça. Todos os demais relaxaram. – Você não vai agradecer a eles? Estão todos achando que você não gostou... – com uma voz suave persuadi-a a levantar o rosto, ela me fitou intensamente e eu apenas sorri, passando-lhe confiança e tranquilidade; meus dedos, com muito cuidado, limparam as inocentes lágrimas que persistiam em cair dos pequenos olhos daquele anjinho que era minha razão de existir, finalizando com um beijo.

Renesmee se virou para o pai e esticou os braços, prontamente ele a pegou, Nessie se agarrou com força ao pescoço dele. – Obrigada pelo presente, Papai.

Edward sorriu abertamente e beijou-lhe a testa. – Você quer jogar beisebol conosco amanhã? – uma pequena ruga surgiu na testa de Nessie, entregando sua confusão. Edward esperou paciente por sua resposta.

- Beisebol... Com vocês? – repetiu ela confusa. Edward apenas confirmou com a cabeça. - Mas... Mas... Mas eu não sei jogar. – a gargalha estrondosa de Emmett chamou para si a atenção.

- Pode deixar que o tio Emmett aqui. – ele bateu no próprio peito, todo cheio de si. – Vai te ensinar, Rugrat! – Rugrat? Que apelido era aquele? – Você aprenderá com o melhor! – ele sorriu abertamente fazendo minha pequena rir.

- Vocês vão mesmo me ensinar? – ela voltou a fitar o pai, seu olho com um brilho especial e entusiasmado.

- Uhum! – confirmou Edward. – Se você quiser é claro!

Nessie sorriu abertamente e abraçou Edward com força. – Claro que quero!

Edward riu levemente. – Ótimo! Então amanhã iremos todos jogar... – Eu podia ver o quão realizado Edward estava por estar estreitando cada vez mais seus laços com Nessie. Renesmee também sorriu, a princípio, mas logo seu sorriso cessou e uma nova ruga se formou em sua testa.

- Mas e mamãe? – perguntou ela me olhando com pena, ela sabia muito bem que como humana eu não poderia jogar com vampiros, muito menos com o esse barrigão, abri um sorriso radiante e me adiantei.

- A mamãe irá fazer compras com a tia Ang amanhã. – inventei uma desculpa qualquer, mais tarde eu ligaria para Ângela para ver se ela gostaria de fazer algo.

Edward me olhou desacreditado. – Você acha mesmo que vou deixar você sumir da minha vista, sem estar sendo vigiada por um de nós? – ele falava como se aquilo fosse absurdo. – Ainda mais com esse barrigão? – Edward estava cada vez mais desacreditado. – É claro que não! Você irá conosco! – exclamou ele como se aquilo fosse obvio.

Franzi a testa. – Edward, pelo amor de Deus! Eu ainda me lembro como se faz para chegar naquela clareira e eu definitivamente não vou até lá nesse estado! – contrapus firmemente.

- Não se preocupe, Bellita! – Exclamou Emmett, criando mais um novo apelido, de onde ele tirava essas coisas. – Já pensamos em tudo! – ele se aproximou e envolveu meu pescoço com um dos braços. – Você e a creche vão chegar em segurança. – ele colocou a mão na minha barriga, divertido.

- Ei! – reclamei levemente irritada fazendo-o rir abertamente.

- Não se preocupe querida. – Esme se manifestou maternalmente. – Não deixaremos que nada lhe aconteça.

- É Bella! – Rose sorriu, ainda era tão estranho ver Rose tão amável comigo. – Você e meus sobrinhos são parte fundamental da família! Não podemos deixá-los de fora! – ao que parecia, a única coisa que eu podia fazer era sorrir, feliz por novamente fazer parte daquele universo que a tanto eu havia deixado no passado.

Na manhã seguinte estávamos todos no campo de beisebol, para meu completo descrédito os Cullens tinha criado uma estrada para que eu pudesse chegar até lá sem acidentes, também haviam criado um "acampamento" baseado em uma tenda com um tapete, um colchão, almofadas, cobertores uma mesa com duas cadeiras e muita comida. Eles eram absurdos!

Renesmee não poderia estar mais empolgada com o jogo, estava vestida toda a caráter, assim como o demais Cullens, todos uniformizados para o tão esperado "jogo". Nenhum dele parecia se importar com o fato de não poderem realmente jogar, muito pelo contrário, todos pareciam radiantes com a idéia de ensinar Nessie seu melhor passatempo.

Renesmee estava na minha frente, eu estava a prender-lhe novamente o cabelo, passando-o pelo boné, Edward citara, "sem segundas intenções", que jogaria de boné, e que quando eu fui "jogar" com eles, anos atrás, eu havia colocado o boné. Nem foi preciso comentar duas vezes para que Renesmee pedisse que eu refizesse seu cabelo, pois ela colocaria o boné.

- Mamãe você vai me assistir? – perguntou ela agitada. Continuei concentrada em meu afazer, os demais estavam demarcando o campo e separando os times.

- Claro que sim. – prometi arrumando-lhe o boné na direção certa.

- O tempo todo? – insistiu ela. Sorri e toquei a ponta de seu nariz gentilmente.

- O tempo todo! – jurei divertida com toda a empolgação de Nessie, minha felicidade e plenitude eram vê-la daquela maneira.

- Promete? – Renesmee queria garantias de que eu veria seu primeiro jogo, eu ri abertamente e a enlacei em um abraço "Alá Emmett".

- Mas é claro que sim, sua bobinha! Ou você acha mesmo que vou perder isso? – Nessie riu e beijou minha bochecha.

- Obrigada, mamãe! – sorriu ela, eu retribuí com sinceridade.

Nesse momento Edward apareceu sorrindo alegremente. – Pronta filhota? – perguntou ele apoiando uma das mãos no ombro de Nessie, ela se agitou mais ainda.

- Estou sim, estou sim! Vamos, vamos! – Edward riu com a agitação e se abaixou até a minha altura, e beijou meus lábios.

- Procure ficar deitada, sim? E coma alguma coisa, por favor! – fiquei tão embriagada com a proximidade dele, seu cheiro, seu hálito que nem mesmo pensei antes de concordar; tão rápido se afastou e tomou a mão de Nessie.

- Deseje-me sorte, mamãe! – pediu Nessie já se afastando.

- Boa sorte! – gritei. – E cuidado, por favor! – pedi sentindo aquele aperto em meu peito, coração de mãe sempre pecaria pelo excesso, mas nunca pela falta.

- Pode deixar! – gritou ela em resposta, já longe. Os Cullens se aglomeraram em torno dela e de Edward, contudo Rosalie veio até mim.

- Acho que Edward pediu para você ficar deitada! – brincou ela sorrindo, apenas bufei em resposta, aquilo foi golpe baixo, contudo, agora nada adiantaria discutir. Levantei-me com a ajuda de Rose e me deitei na cama. – Aqui. – ela me estendeu um prato de salgadinhos. – Coma um pouco, sim? – Ao mesmo tempo colocou uma jarra de suco e um copo ao meu lado. – Meus sobrinhos precisam nascer fortes e saudáveis! – ela sorriu e beijou minha barriga. Sorri em resposta.

- Vou tirar umas fotos de recordação. – completou ela pegando uma máquina na bolsa. Fiquei imensamente agradecida, eu gostava de documentar cada passo de Nessie, cada nova etapa em sua vida e Rose sabia disso.

- Obrigada Rose. – agradeci genuinamente, ela apenas piscou em resposta, ajeitou as almofadas em minhas costas e me cobriu com um cobertor; logo em seguida se afastou.

O restante da manhã se seguiu da mesma maneira tranquila, Edward ensinou Nessie como segurar o taco e como bater, explicou-lhe o que fazer quando conseguia acertar a bola e até mesmo como lançá-la. Foi uma manhã muito agradável, Renesmee ria e se deliciava brincando, Emmett sempre estava presente para quebrar toda a concentração com alguma piadinha ou apenas resolvendo "raptar" Nessie e sair correndo com ela pelo campo, enquanto o pai e os tios tentavam pegá-los.

Me diverti e me realizei assistindo tudo aquilo, era tudo que eu desejava, era tudo que eu tanto havia orado a Deus; que minha filha possuísse uma família de verdade e fosse feliz com ela, em um lugar onde suas diferenças fossem respeitadas e compreendidas, onde as risadas se sobressaiam as lágrimas. Onde cada dia é o último de uma velha vida e o primeiro do resto de sua nova vida.

Sem nem mesmo conseguir retirar o sorriso dos lábios eu observei aquele momento tão simples que com certeza ficaria marcado nas lembranças de Renesmee pelo resto da eternidade...

Minhas mãos estavam sobre minha barriga, acariciando-a, desejando agora, que estes pequeninos que estavam para chegar pudessem desfrutar dessa mesma felicidade que a irmã mais velha desfrutava, razão a Deus para que estes novos anjos pudessem ter todo o amor e todo o carinho que merecessem e que nunca lhes faltasse nada; foi então que aconteceu.

Não pude conter o grito que saiu de meus lábios, no mesmo instante todos os Cullens estavam em torno de mim, em pânico.

- Bella, o que houve? – Edward estava desesperado, sua voz era tremula, seu olhar se desviava entre mim e outra pessoa que julguei ser Carlisle. Eu queria reagir, dizer qualquer coisa, mas... Não conseguia.

Minhas mãos pressionaram mais minha barriga e somente percebi que chorava quando minha visão ficou turva. Edward segurava meu rosto implorando para que lhe dissesse o que sentia, Carlisle também falava, analisando meus olhos e minha pulsação.

- Bella pelo amor de Deus fale comigo! – implorou Edward, então, eu consegui reagir, peguei uma de suas mãos e a coloquei onde a minha estava anteriormente e no mesmo instante que sua mão tocou minha pele eu senti novamente, aquele pequeno chute, aquele pequeno empurrãozinho.

Meus lábios abriram um sorriso radiante enquanto meus olhos derramavam mais e mais lágrimas, voltando a ter controle de minhas reações eu olhei para Edward, sua expressão era totalmente espantada. – Sentiu? – perguntei num sussurro; Edward então reagiu, seus lábios abrindo um sorriso iluminado, visivelmente emocionado ele assentiu e locomoveu sua mão a procura de mais chutes.

- Os bebês estão chutando... – declarou ele ainda abobado, no mesmo momento novas sete mãos tocaram minha barriga, e quanto mais geladas elas eram mais os bebês se agitavam, causando em todos, a mesma expressão abobalhada que eu e Edward possuíamos.

Edward encostou sua testa na minha e encontrou meu olhar. – Eu te amo... – sussurrou ele antes de capturar meus lábios. E foi naquele momento que, não só eu, mas todos nós nos demos conta de tudo que acontecia, todas as mudanças, todas as novas situações e principalmente, a consciência de que dois pequenos anjinhos, logo estariam conosco.