Alguns dias depois...
Sara caminhava pelos corredores do laboratório rumo à sala de Grissom pra lhe entregar seus relatórios. Ao chegar à porta da sala que por sinal estava encostada Sara ouviu Catherine perguntar ao supervisor algo que de inicio ela, Sara não entendeu.
_Você vem trabalhar amanha? Pergunto isso porque normalmente nesse dia não vem. – justificou a loira.
_Eu sei. Só que esse ano eu venho. Não vou ficar em casa bebendo e chorando como costumava fazer nos anos anteriores. Eu mudei Catherine!
_Isso é bem evidente!
_Vou ao cemitério pela parte da manha, levarei flores pra ela e ficarei lá um pouco. Quando for a noite venho trabalhar.
Por essa resposta dele Sara já fazia idéia de quem eles falavam, era da esposa falecida de Grissom. E Sara não estava errada amanha faria três anos da morte de Susan por isso a conversa deles.
Sara virou-se pra sair dali e voltar depois já que aquela conversa não lhe dizia respeito só que antes da dar o primeiro passo escutou Catherine lançar uma pergunta a Grissom que lhe fez estancar e ficar ali pra ouvir a resposta. Sabia que talvez pudesse não gostar do que ouviria, mas quis ouvi-la mesmo assim.
_Já conseguiu esquecê-la Gil?
Houve um instante de silencio que fez Sara imaginar que ele talvez estivesse pensando na resposta que daria. Após uns segundos ele, e como ela previa sua resposta não lhe agradou em nada.
_Pessoas como a Susan não se esquece Catherine.
_Isso é. – ela concordou com ele. _Susan era uma pessoa boa de mais pra ser esquecida. Era como se fosse um anjo.
A loira deu um meio sorriso ao amigo. Havia criado um laço muito forte de amizade com esposa falecida de Grissom. As duas eram grandes amigas, tanto que quando Susan morreu Catherine assim como Grissom sofreu muito com a morte dela, mas ao contrario do amigo ela conseguiu superar essa perda mais rápido e seguir em frente.
_É verdade. Ela era um anjo e de anjos não nos esquecemos.
Ao ouvir Grissom falar desse jeito tão carinhoso e saudosista de Susan, Sara sentiu uma pontada de ciúmes. Inevitavelmente algumas caraminholas começaram a surgir em sua cabeça em virtude disso que sentiu e das palavras que Grissom disse.
_Você ainda a ama não é?
Sara ouviu de novo Catherine perguntar. Porem dessa vez ela resolveu sair dali porque aquela resposta não queria ouvir. Tinha medo de se magoar mais do que já estava. Havia sido demais saber que ele não se esquecia da outra e ouvir que talvez ele ainda a amava fosse pior. Assim sendo Sara se foi antes de Grissom falar, só que ao fazer isso ela perdeu a resposta que ele deu e que era totalmente contraria ao que ela achava que ele daria.
_ Não Catherine!
Catherine abriu a boca em surpresa pela resposta dele.
_Meu amor por Susan não é mais desse jeito. Aquele amor enorme que pensei que ficaria em mim para o resto da minha vida, se transformou em apenas um carinho e nada mais.
_Como?
Ela não conseguia entender ate pouco tempo atrás ele morria de amores pela esposa falecida agora não, o que o mudou?
_Agora o que sinto por ela é completamente diferente do que sentia antes. Agora tenho um carinho e afeto enorme pela lembrança dela. Ela foi uma pessoa maravilhosa comigo Cath e que teve uma importância muito grande em minha vida daí o fato de não conseguir esquecê-la. Susan me proporcionou momentos incríveis, só que o amor que eu sentia por ela mudou, não me sinto mais preso a ela como me sentia antes. Não choro mais quando me lembro dela, a minha casa não é mais triste e vazia como era antes, eu não sinto mais aquele vazio dentro de mim... Eu consegui superar a perda da Susan!
...
Dirigindo pra casa Sara não conseguia esquecer o que ouviu Grissom dizer de Susan. Sentiu uma dor incomoda dentro de si a cada instante que as palavras dele vinham em sua mente. Pegou-se imaginando qual teria sido a resposta dele a pergunta que Catherine lhe fez e que ela não ficou pra ouvir. Será que ele tinha dito que sim?
Por uns instantes Sara achou que não, porque ele nem sequer falava mais na ex só que a forma como ele falou dela pra Catherine deixou Sara em duvida. Logo um festival de perguntas invadiu sua cabeça. Será que Grissom estava com ela, Sara porque gostava dela ou só por carência? Será que ele só gostava dela ou sentia algo mais forte que isso? Ele chegará um dia a amá-la pelo menos metade do que amou Susan? Essa mulher seria uma sombra no relacionamento deles? Será que quando ele está com ela pensava na outra? Será que ele a compara com a outra?
Sua cabeça parecia uma panela e as perguntas eram pipocas que estouravam dentro dela sem dar tréguas. Confundindo-a. Machucando-a. Fazendo-a duvidar do que ele talvez sentisse por ela.
Sara estacionou em frente a sua casa e desceu. Entrou e subiu direto para seu quarto, nem parou na cozinha pra falar com Any que estranhou vê-la subir rápido. A baba foi atrás dela. Chegou ao quarto e encontrou Sara jogada na cama com as mãos cobrindo o rosto.
_Sara aconteceu alguma coisa?
_Não! – respondeu sem descobrir o rosto. _Liv já acordou?
_Não. Ainda está dormindo, sabe que quando é férias ela acorda tarde.
O quarto ficou em silencio por segundos ate que o toque do celular de Sara quebrou o silencio.
Sob o olhar atento de Any, Sara sentou-se na cama e pegou a bolsa e tirou seu celular, olhou no visor e viu que era Grissom. Uma vontade de não querer falar com ele fez com que ela não quisesse atender, só que se rejeitasse ele insistiria ate que ela falasse com ele, então olhou pra Any e lhe estendeu o aparelho.
_Atende pra mim?
Any pegou o celular e viu o nome do supervisor.
_Mas é o Grissom?
_Atende, por favor, e diz que eu cheguei com dor de cabeça, tomei um remédio e agora estou dormindo.
A loira mesmo sem entender porque daquilo atendeu a ligação.
_Alo, Grissom!
_Any?
_Sim!
_Eu queria falar com a Sara.
_Sabe o que é Grissom. Ela chegou reclamando de dor de cabeça e tomou um remédio agora está dormindo. Algum problema?
_Não. É que fiquei preocupado, ela foi embora do laboratório sem falar comigo e antes que eu dispensasse, só achei estranho isso.
_Deve ter sido por causada dor de cabeça.
_É deve ter sido. – falou mais pra si mesmo do que pra Any. _Mais tarde eu ligo pra ela pra saber se melhorou, está bem?
_Está!
_Então tchau Any.
_Tchau Grissom!
Any encerrou a ligação e olhou pra Sara.
_O que ele queria?
_Saber de você. Disse que ficou preocupado por você ter vindo embora antes do horário e sem ter falado com ele.
Depois de sair da frente da porta da sala de Grissom, Sara não quis mais ficar no laboratório e resolveu ir pra casa sem avisá-lo, mas antes de ir pediu a Greg que entregasse seus relatórios e avisasse ao supervisor que ela teve que ir um pouco mais cedo.
_Ele disse que vai ligar mais tarde.
_Hum...
Any viu a expressão de pouco caso que Sara fez ao murmurar isso. Algo lhe dizia que tinha acontecido alguma coisa, agora o negocio é fazer Sara falar o que era.
_Sara o que houve, porque não quis falar com ele?Vocês brigaram?
_Não!
_Então o que foi? – Any insistiu e sentou-se em frente a Sara.
Depois de alguns minutos em silencio Sara contou o que tinha ouvido da conversa entre Grissom e Catherine, em seguida contou sobre as duvidas que se formaram dentro de sua cabeça após ter ouvido o que ouviu.
Any escutou atentamente a tudo que Sara disse, assim que ela acabou de contar as coisas à baba resolveu expor o que achava daquilo.
_Sinceramente Sara, eu acho que está vendo coisas onde não tem.
_Não estou Any. – ela suspirou e baixou a cabeça. _Você tinha que ouvir o jeito todo carinhoso e... Amoroso com que ele falava dela... Ele ainda a ama Any, por isso não a esquece.
A baba não achava que aquilo que Sara tinha acabado de falar fizesse algum sentido. Via o quanto Grissom realmente gostava, ou melhor, amava Sara. Suas atitudes, seu carinho, atenção, cuidado e principalmente seus olhos demonstravam o quão verdadeiros eram seus sentimentos por ela.
_Sara, ele gosta de você mais que isso. Pra mim? O Grissom já superou o que sentia pela ex dele e agora ele te ama. – Sara a olhou no mesmo instante. _O fato de ele falar assim dela não quer dizer nada pelo menos pra mim não. Ele ter carinho por ela não significa que ele ainda a ame... Ele te ama, está escrito bem na testa dele com letras garrafas basta você enxergar. E se ele ainda não te disse isso não é porque ele não te ame é porque ainda não chegou o momento pra ele.
_Momento? – questionou a perita. _Não chegou e nunca vai chegar Any, porque ele não me ama apenas gosta de mim ou sente uma atração sei lá. Amar? Ele só ama a Susan e acho que vai ser assim pelo resto da vida dele.
Ela parecia irredutível nisso. Parecia que nada podia mudar ou tirar esse pensamento dela só Any não queria deixar com que ela ficasse se martirizando por algo que não fazia sentido.
_Sara presta atenção ele
O que quer que fosse que Any diria Sara não deixou que ela prosseguisse.
_Any chega! Vamos parar por aqui. Eu quero descansar, por favor.
_Tudo bem! – Any se levantou da cama. _Fique ai então se machucando e pensando em coisas que não fazem sentido algum. Eu vou terminar o café e depois acordar a Liv.
Any saiu do quarto, assim que ela fez isso Sara se jogou na cama. Pôs-se a pensar em tudo que Any disse. Será que ela tinha razão? Duvidou.
Sara não conseguia raciocinar direito. Relembrou tudo o que ouviu ate agora e ficou pensando em cada coisa, um tempo depois acabou pegando no sono.
~~O~~
_Você tem alguma coisa?
Grissom perguntou a Sara enquanto dirigia pra cena de crime deles. Ela estava tão calada e seria que aquilo lhe incomodou um pouco.
_Não. – mentiu.
Tinha sim algo e se devia ao fato de ainda pensar naquela conversa que infelizmente ouviu. Seu peito estava apertado e sua cabeça confusa. Não conseguia evitar se sentir dessa forma. Aquilo lhe afetou de uma forma que não imaginou que afetaria.
_Mas parece que tem. – ele insistiu.
_Só que eu já disse que não. Por que acha isso?
Ela perguntou sem olhá-lo. Encarar a noite luminosa pela janela do carro era mais fácil do que encarar seu namorado. Não conseguia encará-lo, pois a cada vez que fazia isso àquela frase dele vinha em sua cabeça e pra não se lembrar disso Sara evitava olhar para Grissom.
_Porque está estranha. – a mão direita dele largou por alguns segundos o volante do carro e segurou a mão de Sara.
Sara vendo que ele não a deixaria em paz se não fosse mais convincente então o olhou, forçou um sorriso e lhe disse:
_É impressão sua.
_Humm... – ele a olhou rápido e resolveu não insistir mais. Talvez fosse apenas impressão sua como ela mesma disse.
Durante a investigação toda do caso Grissom percebeu o semblante dela quase o tempo todo serio. Ela não sorriu uma única vez, ele não a ouviu soltar nenhuma de suas perolas engraçadas ou seus comentários pra provocá-lo e ela não o olhava da forma que costumava olhar. Estava tão quieta e concentrada como ele nunca tinha visto, parecia ate uma maquina trabalhando e falando sobre o caso. Com isso de novo seu comportamento o incomodou.
No fim do turno como era de costume Grissom chamou Sara pra ir para a casa dele pra ficarem um pouco juntos, mas ela rejeitou o convite e alegou que estava muito cansada e que preferia ir pra sua casa descansar lá o deixando mais desconfiado do seu comportamento.
_Tem alguma coisa acontecendo com ela. – ele falou a si mesmo vendo Sara ir embora
~~O~~
No turno seguinte foi a mesma coisa e no seguinte também. E isso foi fazendo com que Grissom achasse cada vez mais estranho o jeito de Sara. Ela estava distante com ele e toda vez que ele a chama pra ir a casa dele ela inventava uma desculpa pra não ir. Essa situação seguiu por mais três dias ate que ele não agüentou mais aquilo e no fim do turno a chamou na sala dele antes de dispensar todos.
_Mandou me chamar? – ela perguntou da porta.
_Sim, entre. – fez um sinal com a mão pra ela.
_O que foi?
_Assim que dispensar todos quero que vá pra minha casa pra conversamos – ela já ia falar, mas ele não deixou. _E não quero desculpas, senão for lá eu vou à sua casa e conversaremos lá. Tenho certeza que não vai querer que façamos isso na frente da Liv não é?
_Não.
_Ótimo!
Minutos depois ele dispensava sua equipe e saia pra sua casa. Chegou lá e dez minutos depois Sara chegou.
_Entra! – disse ao abrir a porta.
Ela se dirigiu ao sofá e sentou-se ali e Grissom sentou-se bem a frente dela.
_O que está havendo com você Sara? – foi direto. _Há cinco dias que está fugindo de mim, me evitando, não olhando e nem falando direito comigo. Alem disso, esses dias todos você não veio aqui em casa. Posso saber o porquê desse comportamento comigo? – despejou tudo de uma vez.
Como ela nada disse, ele então continuou.
_Saiba que você só vai sair daqui quando me disser qual é o problema. – ela continuou calada. _Vamos, estou esperando Sara. O que está acontecendo?
Talvez ela estivesse exagerando ou fazendo uma tempestade em um copo de água com toda aquela situação, mas a verdade é que não podia evitar agir como vinha agindo. De um jeito totalmente inesperado aquele pequeno trecho da conversa lhe incomodou mais que isso lhe magoou de uma forma que ela não esperava que fosse magoar. Era algo desconfortável que a fez repensar se realmente valia à pena estender mais esse relacionamento já que na concepção dela Grissom ainda amava Susan.
Ela se levantou do sofá e caminhou ate o lado oposto da sala onde ficava a janela, tudo isso sobre o olhar atento dele. Depois com uma voz quase inaudível ela começou.
_Eu ouvi sem querer um pouco da sua conversa com Catherine dias atrás.
_Conversa? Que conversa Sara?
_Sobre a Susan.
_Hum... E daí? – perguntou sem entender.
_E daí que o jeito como falou e o que falou me fizeram ver que... Você ainda está ligado demais a essa mulher Grissom. Mais do que isso me fez ver que você ainda a ama e que sempre vai amá-la não importa com quem esteja se relacionando.
_Mas o que você está falando? – ele murmurou só pra si.
Ela não ouviu o que ele disse por que estava distante dele. Sendo assim Sara continuou a falar.
_Eu não duvido que você goste de mim Grissom, mas amar? Você só vai amar a Susan... Deve ter sido isso que respondeu a Catherine quando ela te perguntou não foi? – ela se virou pra olhá-lo e pode ver sua expressão totalmente incrédula.
Ele não conseguia dizer nada parecia ate que tinha desaprendido a falar. Queria fazê-la entender que não era mais aquela sua realidade agora ele a amava, Sara que era quem estava com ele, mas estranhamente de sua boca não saia nenhum som, nada.
_Não precisa responder por que eu sei que foi isso... Sabe... Esses dias todos eu fiquei pensando e acho que o mais certo é acabar por aqui...
_Não! – ele disse alto e tão rápido a interrompendo.
_Vai ser bom Grissom pra nós dois.
_Talvez pra você seja bom, mas pra mim não. – ele se levantou do sofá e devagar começou a caminhar ate Sara enquanto falava. _Me diz como vai ser bom pra mim, ficar longe da mulher que eu amo?
Ele terminou de falar parado bem a frente dela.
_A mulher que você ama está morta Grissom. –ela disse ainda sem entender que o que ele havia dito tinha sido pra ela.
_Não! – ele segurou seu rosto entre suas mãos. _A mulher que eu amo, está bem na minha frente dizendo que quer terminar comigo porque acha que eu ainda amo outra.
Sara arregalou os olhos ao ouvi-lo dizer isso.
_O que você disse Grissom?
_Que... A mulher que eu amo é você Sara! Susan ficou pra trás, é passado. Agora eu amo você.
_Mas você que não a esquecia.
_Porque ela foi alguém muito especial e que tinha me dado momentos bonitos, mas isso não quer dizer que eu ame. Meu amor por ela se transformou em um simples carinho. Foi isso que eu disse a Catherine Sara. Eu superei a perda da Susan e me desprendi dela. Na minha vida e aqui dentro... – ele apontou para seu coração. _Só tem você Sara e mais ninguém.
Os olhos dela já estavam cheios de lagrimas que logo começaram a descer por seu rosto.
_Você está dizendo que
_Eu te amo sua maluca! – ele disse e sorriu.
_Me ama? – ela parecia não acreditar no que ouvia.
_Com todo meu coração, nunca pensei que fosse amar alguém assim como eu te amo Sara... E você, me ama?
Ela passou uma das mãos no rosto enxugando as lagrimas que caiam.
_O que acha?
_Que sim?
Ela fez que sim com a cabeça.
_Quero ouvir sua resposta Sara.
_Sim, Eu te amo Gil! – deu um sorriso pra ele.
Seu olhar se fixou no dela e seu dedo polegar deslizou pelos lábios dela. Depois ele a beijou delicadamente. Instantes depois estavam no quarto dele se desfazendo de suas roupas pra que pudessem se amar. Apenas com suas peças intimas eles se deitaram na cama e ele a olhou bem em seus olhos castanhos pra depois lhe dizer com a voz quase em um sussurro:
_Não duvide do meu amor Sara porque ele é verdadeiro!
_Eu não duvido, não mais!
E como num filme em câmera lenta eles se amaram como se fosse à primeira vez. Como se o mundo lá fora não existisse, como se só existisse eles dois.
Após o ato de amor com eles já quase adormecidos ele a chamou.
_Sara?
_Hum... – ela murmurou de olhos fechados e com a cabeça em seu peito.
_Você é minha vida!
Ela sorriu de olhos fechados.
_Você também Gil! – disse em resposta.
