Comentário aos reviews,
Anaas, obrigada pelos votos de Feliz Ano Novo! :) Bem, eu acho que agora está mais do que na hora do Jensen amadurecer e correr atrás da sua felicidade, não é mesmo? É torcer para dar tudo certo!
DWS, Kkkkk. Acho que você está me fazendo rever meus conceitos de "final feliz"… Eu prometi um final feliz para os meus leitores, mas não especifiquei final feliz para quem, né? Pode ser que não seja nada bom para os pobres Saul e Macky… Tadinhos deles :) E nesse capítulo, mais um pesadelo para você: finalmente o dia da apresentação de horrível a amadora peça de teatro!
sara2013, sim os pais do Jensen não deram muita força ao relacionamento dos dois, isso é verdade – mas o que realmente aconteceu para eles não se verem quando o Jen ficou doente, fica em aberto. Os próprios pais do Jared podem não ter permitido que o filho fosse até o hospital ver o namorado.
Ahhh pois é… Agora que o Jensen começa a acreditar no que o Jared lhe falou… Vai ter que correr atrás do tempo perdido!
Guest, fiquei super feliz com o seu comentário, nem precisa dizer, né? Obrigada mesmo por passar por aqui e deixar tantos elogios, assim como também algumas críticas. Eu concordo que o Jensen pareceu mesmo infantil demais em alguns momentos – talvez ele fosse mesmo infantil pra idade… Quanto aos diminutivos, vou prestar mais atenção e tentar evitá-los! Vi que o seu comentário foi para o capítulo 31. Espero que goste do desenrolar dessa história e que chegue até aqui pra ler a minha resposta!
Muito obrigada pelos comentários!
Capítulo 51
Faltava menos de uma hora até o início da peça, e menos de duas até o seu final. O colégio ficava distante, e Saul havia confiscado o celular de Jensen. Nem ligar ou enviar mensagem para Jared, ou para um de seus amigos, ele podia… O louro se apavorou. Não daria mais tempo de se desculpar com Padalecki antes dele partir… Mas e se desse? Jensen precisava tentar! Tinha que sair correndo dali... A janela do seu quarto era alta demais, mas era a única saída que tinha, pois não podia ser visto.
Primeiro o colchão da cama foi lançado pela janela. Em seguida, o menino se atirou. Correu o mais depressa que pôde até o ponto de ônibus mais próximo. E ele nem fazia ideia de como chegar até o Saint Peter usando transporte público…
Jensen teria perguntado a alguém, mas o local estava deserto. O louro então esperou, aflito, consultando o relógio a todo instante. Será que aquele ponto havia sido desativado? Já ia correr até o ponto seguinte quando viu Saul despontar no horizonte.
- Jensen, seu desgraçado! Fugindo pra ver o professorzinho? Volta aqui, seu pervertido! – bradou o homem, que se aproximava em velocidade.
O garoto sentiu seu estômago embrulhar. Agora ele estava perdido! Ou será que não? De repente um ônibus surgiu do nada, como uma bênção. O garoto fez sinal, torcendo para não estar se afastando ainda mais de seu destino. Se Saul o pegasse, aí sim ele não teria a menor chance de chegar ao colégio a tempo.
- Olha, esse ônibus é particular, viu? Esse ponto já não é utilizado pelas rotas usuais há muito tempo... - explicou o motorista.
- Por favor, me dá uma carona... Para qualquer lugar... – Implorou o garoto.
O rapaz que dirigia o veículo assentiu. Assustado, Jensen reparou que os outros passageiros pareciam estranhos. Rolava uma conversa animada, mas que o menino não pôde entender. Conversavam em espanhol. Pelo jeito eram mexicanos... Por algum motivo o louro achou que tinha acabado de entrar numa roubada. Vivenciava uma sensação de déjá vu nada agradável…
Agora já estava tudo pronto. Cenários no lugar, atores vestidos e o público começava a ocupar suas cadeiras na plateia.
- Os meus pais acabaram de chegar! – comemorou Danneel, que tudo espiava por detrás da cortina.
- Christian e Pablo também! Olha lá eles! Vieram assistir a gente! – comemorou Genevieve entusiasmada. Depois festejou mais ainda quando viu o treinador Brian Scott entrar ao lado de um jovem moreno, que ela logo reconheceu como sendo Patrick Vantouch.
- Será que eles estão namorando? – Perguntou Danneel, curiosa.
Genevieve estava tão enlouquecida que nem respondeu à amiga. Há muito tempo não trocava mensagens com Patrick. A última notícia que recebera dele dizia que Skye finalmente havia acordado do coma. Mesmo não querendo exibir seu figurino antes da hora, a morena não se conteve e correu até a plateia para perguntar mais notícias a ele.
- Espera Gen, volta aqui! – berrou Danneel – mas Genevieve não quis nem saber.
- Patrick! Finalmente estou te conhecendo pessoalmente! – exclamou a garota. – Me conta do Skye! Você não responde mais minhas mensagens… - queixou-se ela. Eu e Danneel estamos loucas pra saber dele!
- Ele está se recuperando aos poucos. – respondeu o rapaz, simpático. – Mas não sabemos se vai ficar com alguma sequela... Por enquanto ainda está com muitas dificuldades motoras … O lado bom é que os pais do Skye não saem mais de perto dele. Com o susto que levaram, finalmente perceberam o quanto o filho é importante pra eles. Agora passam dia e noite ao seu lado, e a irmãzinha também. São uma família de novo!
- E deixaram aquele preconceito idiota de lado? – Genevieve estava surpresa.
- Sim! Parecem outras pessoas, e inclusive me tratam muito bem quando vou visitar. As vezes é preciso uma tragédia para que as pessoas mudem suas atitudes, infelizmente…
Genevieve concordou. Já ia se despedir e voltar para trás do palco quando uma pergunta de Brian lhe pegou de surpresa.
- Vocês se conhecem? – o treinador parecia confuso. Foi só então que a menina se mancou do furo. Se Brian descobrisse como ela e Patrick se conheceram, ela estava ferrada.
- É… Bem… Sim… Mas tenho que ir… - gaguejou a morena, correndo depressa dali.
- Está indo pra onde, garoto? – perguntou o motorista.
- Para o colégio Saint Peter… - disse Jensen trêmulo, ao mesmo tempo que tirava 30 dólares do bolso para oferecer ao homem. Era o único dinheiro que carregava consigo… Talvez não fosse o suficiente… O menino engoliu em seco.
- Nossa, tem muita gente na plateia! – choramingou Oliver. Ele estava ficando aflito. Sim, era verdade que tinha decorado todas as falas de Alec, o personagem de Jensen, e acreditava que poderia fazer um bom trabalho substituindo o amigo… Ele temia era pelo seu substituto, um garoto chamado Dennis, que faria papel de cocheiro agora.
- Acho que vou vomitar! Estou nervoso! – reclamava Dennis, enquanto roía as próprias unhas como se fossem uma grande iguaria. Oliver tentava acalmá-lo a todo custo, mas parecia uma tarefa impossível.
- Esses CDs estão uma bagunça! – suspirou Castiel, também já ficando nervoso. Quem mexera nas suas coisas? Provavelmente alguma daquelas meninas malucas… O moreno de olhos azuis começou a colocar tudo em ordem, mas era uma corrida contra o tempo. A trilha sonora, escolhida com tanto cuidado, precisava estar impecável.
Padalecki andava de um lado para outro tentando controlar a agitação dos alunos.
- Danneel! – chamou o professor – Se prepara que nós vamos entrar daqui a cinco minutos! – alertou o homem. A primeira cena era do Sr. Forester (Jared) e sua filha Tish (Danneel) na mansão em que moravam. Em seguida eles pegariam a carruagem, conduzida pelo cocheiro (Dennis) e passariam em frente à casa de Alec (Oliver) e Ruby (Genevieve).
A plateia, entusiasmada, começou a aplaudir quando as cortinas se abriram revelando Jared e Danneel. As falas fluíam com naturalidade, e tudo ia bem. Quando o cocheiro chegou, entretanto, professor e aluna se surpreenderam. Onde estava Dennis? O que Oliver fazia em seu antigo papel?
Aquela peça seria um grande desastre! Pelo jeito Dennis tinha mesmo desistido, e Oliver entrara em seu lugar. Padalecki estremeceu... Que grande confusão! Provavelmente os garotos escalaram algum outro amigo no último segundo para fazer papel de Alec. Mas logo Alec, um personagem tão importante?! O professor estaria irritado com a irresponsabilidade de seus alunos se não estivesse agora tão temeroso com o fracasso que estava por vir.
Era difícil esconder o descontentamento que sentia quando Jared finalmente se aproximou por trás do novo ator, vestido de camponês. Quem haveria de ser? Talvez o Roger maluco, ou o Rudolf inconveniente… Ou o… Jensen!? O professor sentiu uma escola de samba dentro de seu coração quando finalmente reconheceu o garoto. Ele podia esperar qualquer pessoa, menos ele… Naquele momento Padalecki esqueceu-se completamente de que era o Sr. Forester, e que Jensen, era Alec. Aquele que estava diante de seus olhos, era o amor da sua vida. Mas por quê? Por quê Jensen resolvera ir até lá? Padalecki, que não esperava encontrar com seu amado antes de partir para Nova York, ficou baratinado.
- Boa tarde, Sr. Forester! Boa tarde, Tich! – cumprimentou Jensen, como mandava o script.
Aquele era o sorriso mais lindo do mundo… Jared teve vontade de chorar. Talvez o menino estivesse ali apenas para lembrá-lo de que ele jamais haveria de tê-lo de novo em seus braços.
- B… Boa tarde… - respondeu o Sr. Forester, quase perdendo a compostura.
Jensen também estava emocionado ao ver seu amor. Acima de tudo, ele estava muito feliz por ter conseguido chegar a tempo. Se arrependia por ter sido tão preconceituoso… Que mexicanos legais aqueles do ônibus! Além de não aceitarem seus 30 dólares, ainda desviaram-se de seu caminho para deixar o garoto bem perto da escola. Parece que estavam felizes, comemorando a legalização no país que tão bem os acolhera. Que bom para eles, e para Jensen também! O menino subira a rua correndo, conseguindo chegar no momento certo.
O louro respirou fundo. Agora, tudo o que ele queria era desempenhar bem seu papel e fazer com que o professor de teatro se orgulhasse dele. Jensen se concentrou e lembrou-se de cada fala que precisava ser dita. Jared, por sua vez, apesar do turbilhão de confusas emoções que lhe invadiam, também conseguiu se recompor.
Os minutos iam passando, e tudo ia bem com a apresentação. A plateia se divertia a valer, sem perceber a enorme tensão que existia entre os dois protagonistas. Sr. Forester e Alec estavam prestes a começar sua primeira batalha…
A música era forte, vibrante e ritmada. – própria para uma luta. Jensen e Jared se aproximaram, trêmulos. Nenhum dos dois tinha coragem de olhar o oponente nos olhos … Estavam agora tão próximos que era possível ouvir a respiração ofegante um do outro. O professor suava frio, e seu cheiro era embriagante. Quando o mais velho tocou Jensen com as mãos, por um momento, o menino sentiu seu coração parar de bater, e o ar faltar em seus pulmões. Ahhh como ele queria poder esquecer aqueles movimentos decorados e apertar o corpo de Padalecki contra o seu. A vontade era tanta que os olhos de Jensen marejaram.
Era impossível não se lembrar de quando treinaram pela primeira vez... Ou quando, escondendo-se num cantinho do tablado, puderam finalmente matar a vontade que sentiam, beijando-se sob a vigília de Oliver e Castiel. Jared então ergueu Jensen do chão, fazendo o que haviam ensaiado. Estava trêmulo e ofegante. Parecia tão mais fácil quando era Oliver quem encarnava Alec... É que Padalecki não tinha vontade de soltar aquela deliciosa versão do camponês, de jeito nenhum... Queria poder levá-lo, em seu colo, para bem longe dali.
Segundos depois, Jensen caia no colchão. Ele nem acreditava que tinham conseguido fazer tudo com tamanha perfeição…
- Nem acredito que está tudo saindo tão bem! – comemorou Castiel. Oliver também estava muito satisfeito. Jensen, mesmo tendo estado afastado por tanto tempo, não esquecera nenhuma fala! Os meninos ainda não tinham entendido a súbita mudança de opinião do amigo… Tudo o que sabiam é que, em momento muito oportuno – com Dennis tendo chiliques nervosos – Jensen aparecera correndo, esbaforido, dizendo que estava de volta. Nem tiveram tempo de conversar. A peça já havia sido iniciada, e Jared e Danneel, já estavam no palco. Então Oliver e Jensen mudaram de roupa, às pressas, voltando cada um para o seu papel original.
Naquele momento, Castiel e Oliver já haviam terminado suas participações como atores, e agora ambos conversavam baixinho, tomando conta da aparelhagem de som. Era hora da cena final – momento crucial!
Alec (Jensen) chega à mansão do Sr. Forester (Jared), onde ele mantém presa a irmã de Alec (Ruby, interpretada por Genevieve), e a sua própria filha (Tish, interpretada por Danneel), para que esta não vá ao encontro de seu amor.
Alec entra pela janela, surpreendendo o Sr. Forester e as duas moças. O camponês tem uma espada nas mãos, e espera que o nobre senhor empunhe a sua também. Os dois duelam pela sala, enquanto as mulheres soltam gritinhos desesperados. Até que Alec finalmente desarma o seu oponente e aponta a espada para o seu coração.
Jensen estava ofegante. Ele olha para Jared, pega sua espada de madeira e aponta para ele.
- Diga adeus, Sr. Forester! - exclamou o jovem, olhando, finalmente, nos olhos do professor. Mas, ao invés do olhar doce que Jensen costumava lançar à ele, Padalecki deparou-se com um olhar de ódio, que o fez estremecer. O professor jamais vira os olhos de seu amado brilharem de maneira tão fria, cruel e decidida. Naquele momento, Jared teve a certeza que Jensen estava ali para dizer-lhe o quanto o desprezava. O quanto o odiava... Padalecki engoliu em seco, com o coração palpitando de agonia.
- Por favor, não faça isso! - pediu o homem, suplicante. Se o Sr. Forester suplicava por sua vida, Jared, por sua vez, suplicava a Jensen que não partisse seu coração em mil pedaços.
A emoção na voz do professor atingiu o aluno, que, intuindo o desespero genuíno de seu amado, sentiu-se também abalar.
- E por que eu haveria de lhe poupar a vida?! – perguntou então o menino, com a voz trêmula, mas seguindo o script.
- Eu… Eu… - Jared quase se esqueceu da fala, mas conseguiu se lembrar – Eu me arrependo de tudo que fiz a ti... Me envergonho de ter agido como agi… - E, estranhamento, Padalecki proferiu aquelas palavras com se, novamente, fossem dele para Jensen. Sim, ele se arrependia de ter escondido a verdade de seu amado. Se envergonhava muitíssimo por ter sido covarde e causado tando sofrimento ao menino.
Jared olhava diretamente para Jensen. Naquele momento, a plateia havia sumido. Desaparecido como num passe de mágica… O louro tinha os olhos úmidos, assim como o moreno. Ambos estavam emocionados pelo reencontro e pelas palavras que soavam como um real pedido de desculpas.
- Por favor, me perdoa! – Continuou Padalecki - Eu amo... Eu amo… - gaguejou ele.
Castiel e Oliver se entreolharam assustados. Danneel e Genevieve, idem. Será que o professor Padalecki esquecera a sua fala? Logo no finalzinho da peça!? "Eu amo sua irmã" – soprou Genevieve, baixinho. Mas Jared não podia ouvi-la.
- Eu amo você… - completou o homem, deixando Jensen e a plateia embasbacados.
Naquele instante, Saul, acompanhado de quarto colegas policiais, adentravam o teatro. Estavam a procura de Jensen e do professor pedófilo, que pretendiam levar dali direto para a cadeia.
