Capítulo LI
~O nascimento de Chitatsu~
"Tem momentos que desacreditamos das pessoas, perdemos a fé e a esperança em tudo e todos a nossa volta; são em momentos como esse que, enquanto mantemos a esperança acesa no coração, percebemos que nós nunca andamos sozinhos…"
"Você nunca vai chorar sozinha em um banheiro sujo…" – Cazuza
22 de maio de 2009, Osaka, Japão.
Cama branca, lençóis brancos, cabelos suados e a penicante roupa verde do hospital que vestira há cerca de três dias, quando começou as contrações para o trabalho de parto. Estava se aproximando da etapa final do trabalho de parto e optara pelo natural. Segundo o que ouvira dos médicos, daquele dia não passava. As contrações estavam mais frequentes e regulares e Sakura sentia muita dor, muita dor mesmo. Para amenizar um pouco aquele sofrimento, era sedada com frequência para não sentir tanto desconforto. Apesar do medicamento não ser entorpecente, Sakura dormia naturalmente com a sedação; ela sempre foi muito sonolenta, lembrava Fujitaka aos médicos, para não se preocuparem. A cardcaptor voltava a despertar algumas horas depois, com as dores das contrações, vendo ao seu lado constantemente naquela cama, seu marido e de Sonomi.
– Sonomi-chan, Syaoran-kun, vocês não avisaram a Tomoyo-chan que o menino nasce hoje?
Com os olhos semicerrados e a testa pingando de suor, Sonomi olhava para Sakura com um imenso aperto no coração e ficava com o coração mais apertado ainda por ter de dar a desculpa de sempre, tanto ela como Syaoran:
– Sakura… Ela já está vindo… aguenta só mais um pouquinho…
Ouvir mais uma desculpa foi razão o suficiente para que ela empregasse as forças que lhe restou para se sentar na cama com a raiva que ela sentiu:
– Ela já tá vindo! Ela já tá vindo! Faz três dias, três dias que ela já tá vindo e…
Sakura pôs a mão na barriga e Syaoran correu atrás da equipe de obstetrícia. Os médicos mediram a dilatação dela e voltaram a sedá-la:
– Já está em quatro centímetros. Não vai demorar nada pra que ele nasça. – O obstetra sorriu, olhando para a bolsa com o enxoval do bebê, bordada toscamente por Kero com o nome em fio vermelho dele. E o guardião estava lá, empalhado como um boneco encima da bolsa. – Chitatsu está a caminho…
– O nome dele é Sholong! – Syaoran falou furioso para ele o nome do filho e o médico pediu calma para ele.
– Mantenha a esposa do senhor tranquila e não traga estresse desnecessário para ela.
Os médicos saíram e Sakura voltou a dormir. Da próxima vez que acordasse, seria para o nascimento de Chitatsu. Sonomi e Syaoran acharam por bem sair também e respirar um pouco, ao lado de Fujitaka, Chiharu, Naoko, Rika, Touya e Yukito. Aquele trabalho de parto todo era enlouquecedor.
– Obrigado, Sonomi-san, por me acompanhar no nascimento do meu filho; sabe, é meu primeiro, e não quero parar por aí…
– A Sakura é a minha filha também, Syaoran, é a filha que a Nadeshiko não teve tempo de cuidar. Aceito de bom grado os filhos da Sakura como meus netos… Ela mesma que pediu pra eu vir, acompanhar os pré-natais dela… Remarco a minha agenda com prazer…
– E eu faço questão que continue a ser a vó dele.
Syaoran sorriu e Sonomi deu um meio sorriso e o jogador percebeu:
– A Tomoyo não vai vir, não é? Mais uma vez…
– Eu não sei por que a Sakura ficou alimentando essa esperança, esperando por ela… vou falar que ela apareceu enquanto ela estava dormindo e peço a sua ajuda pra isso. – Sonomi voltou-se para Syaoran, pegando em suas mãos. – Fale pra ela que ela apareceu enquanto ela dormia, que não deu pra ela ver porque ela dormia profundamente, tá bom? Você me promete?
O chinês olhou sério para ela:
– Eu não vou deixar que nada faça mal pra Sakura, até mesmo a recordação da Tomoyo…
Sonomi deu um sorriso melancólico de sempre e os dois continuaram até o hall do hospital.
Mal chegaram e viram o pessoal em alvoroço e não era apenas eles. Alguns enfermeiros e médicos saíram temporariamente de seus postos e cercaram uma mulher de cabelos cinzentos, quase azuis que conversava num telefone que insistia em tocar a cada dez passos que ela dava:
– Ciao? Xiu? Stai utilizzo di cavi in fabbrica? Inviami nella mia e-mail le note, per favore? Mandami un fax alla parrocchia, va bene? Aspetterò.
Tomoyo desligou o telefone e Touya ficou boquiaberto, assoviando de admiração:
– Quem ia imaginar que eu veria a Tomoyo falando estrangeiro algum dia…
– Não é estrangeiro, Touya, é Italiano… – Respondeu Yukito.
– Eu não me admiro tanto; um ano na Itália é o bastante… dá pra aprender bastante coisa quando a gente tá no lugar onde se fala a língua! – Sublinhou Fujitaka.
Tomoyo deu um abração em todos os Kinomoto, em especial, um longo abraço apertado em Fujitaka, abraçou Yukito, as amigas e o telefone tornou a tocar antes de cumprimentar Naoko:
– Hallo, Hans, Wie geht's? Alles gut mit meine Kleidung? Wann Wir verkauft gestarten in Munchen? Freitag? Ja, ja. Spater, Ich werde telefoniert sie. Tchuss!
Tomoyo desligou o telefone e as meninas olhavam admiradas para ela:
– Nossa, Tomoyo! Um ano na Europa já deu pra falar alemão! – Maravilhou-se Naoko.
– Que é isso! Só falo o básico pra falar; nem consigo ler muitos livros, nem jornais, só dos de bebê. Aprendi nos livros de viagem que eu comprei pra passar o tempo enquanto eu procurava trabalho.
Um dos enfermeiros interrompeu a conversa:
– Você é Tomoyo? Minha sobrinha é uma fã da senhora e acabei de comprar seu CD; se importaria de dar um autógrafo?
– Claro. – Tomoyo pegou o álbum e começou a rabiscar. – Fique tanto tempo fora que não sabia que tinha bombado em tão pouco tempo.
– Acredite, Tomoyo, você é um sucesso e aquela turnê sua na Europa na Disney Paris só aumentou a repercussão, não se lembra? Que show foi aquele, menina! – Disse Rika.
– Sim, foi em Paris no fim do ano passado; umas dez mil pessoas apareceram e nem esperava tanto sucesso assim pra uma coisa que eu faço como hobby. Mas é a Disney… a gente tem que saber que lá os holofotes são fortes… – Disse Tomoyo, entregando o CD pra enfermeira.
– Agora, Tomoyo, tá na hora de você atender uma fã especial que está te esperando faz três dias e que vive amolando a Sonomi-san, perguntando de você… – Disse Chiharu, puxando Tomoyo do meio daquela confusão.
Tomoyo imediatamente se deparou com a sua mãe e Syaoran.
Sonomi nem sequer teve tempo de se admirar pela presença da filha naquele lugar. Saiu de supetão do lado de Syaoran e agarrou a filha pela orelha. Muitos diriam que Sonomi estava se coçando pra dar uns bons tabefes em Tomoyo. E ela não deixou a vontade passar:
– Tomoyo… como você faz uma coisa dessas com a gente? Sabia que a Sakura já está prestes a ter o bebê?
– Calma, Sonomi, deixa ela se explicar! – Pediu Fujitaka, tentando conter a empresária.
Com a chuva de tapas que levava, além de ter a orelha esquerda presa pela mãe, Tomoyo não tinha chance para se explicar. Foi só quando Sonomi terminou o que ela mesma chamava de "disciplina", Tomoyo teve tempo para respirar:
– Se lembra da Eugênia? Ela tá com câncer, mamãe. Câncer. Eu estive esse tempo todo ocupado com ela. Só tive chance de vir pra cá quando ela se recuperou. Eu já pensava em voltar pro Japão no começo do mês, mas ela adoeceu e eu tive que ficar lá essas três semanas…
Agora sim Sonomi ficou boquiaberta, sem saber o que falar e nem como continuar. Todos os que viam a cena sentiram a gravidade da coisa, apesar de nem saberem quem é Eugênia. Um arrependimento bateu forte no peito da empresária e ela não mais teve vontade de olhar para a filha. Tomoyo se aproximou de Syaoran e perguntou:
– Onde ela tá, Shoran-kun?
– Vem, me acompanha…
Syaoran pegou nas mãos da estilista e levou-a até Sakura.
Entrou no quarto e Syaoran teve vontade de deixar as duas a sós, mas Tomoyo insistiu para ele ficar. Kero também teve vontade de falar alguma coisa, mas Tomoyo imediatamente fez um sinal de silêncio para ele, pois a cardcaptor dormia.
Sakura estava completamente suada, a testa embebida na gordura do suor, os cabelos sujos e malcheirosos, fora a roupa que denunciava que precisava de um banho urgente. O trabalho de parto fora duro para ela e Tomoyo, mesmo tentando ficar indiferente à Sakura, não resistiu. Olhando-a com o olhar mais piedoso do mundo, que perguntava implicitamente 'Sakura-chan, aguenta mais um pouco, vai dar tudo certo', uma imensa pontada de dor bateu no peito dela vendo sua amada Sakura daquele jeito, naquelas condições. Chegou perto dela, entrelaçou as mãos dela com as suas e ficou assim durante um tempo, sentindo a lenta pulsação dela que corria naquelas veias. Depois, passou a outra mão pela franja dela, acariciando lentamente a face suada, a barriga onde estava o pequeno Chitatsu à espera de ele vir ao mundo. Não importa as condições deploráveis que Sakura estava, sempre seria a sua eterna estrela que brilha fulgurante na abóbada da sua alma, não existe uma Sakura fedida e suada, aquilo era coisa temporária, na sua frente estava a Sakura-chan que sempre amou.
Chegou perto das têmporas dela e lhe beijou lentamente. Foi o bastante para que aqueles pequenos olhos verdes visse a fraca luz que entrava pela janela e era refletida por aqueles olhos azuis da cor do mar profundo, aqueles olhos de ressaca que Tomoyo tinha e Sakura tinha tanto medo de se afogar neles, afogar na imensa profundidade dos sentimentos da amiga que amava tanto.
E a mente de Tomoyo foi para o passado, quando comiam um bolo delicioso que ela tinha feito, numa tarde distante, em Tomoeda:
– Tomoyo-chan, quando eu tiver filhos algum dia, eu quero que eles nasçam com a mesmo tom escuro dos seus olhos…
– Dos meus olhos? Mas por que? Não vejo nada de especial neles…
– Sim. Porque eu sei que você esconde alguma coisa de muito especial dentro de você que te faz fazer essa comida deliciosa e as roupas criativas que você faz pra mim. Eu quero que ele seja tão especial pra mim quanto você é.
Foi o bastante para Tomoyo corar sua face branquíssima pela primeira vez, naquela tarde. Pegou uma parte gorda do chantili do bolo e passou com tudo no rosto de Sakura:
– Sabe de nada, Sakura!
Se Sakura sorriu naquela hora? Sorriso é pouco para descrever as emoções da cardcaptor. Uma explosão de alegria palpitava no seu peito com força e se expandia para o resto do corpo dela, até chegar em Chitatsu. Ele também queria fazer parte daquela euforia silenciosa criada pelo encontro daquelas duas almas que se procuraram ao longo de um ano e estavam ali, reunidas novamente.
E então, ele pediu pra sair, gerando em Sakura uma dor agudíssima na barriga. A mão que Tomoyo entrelaçou na de Sakura sentiu uma força brutal, como se ela fosse ser esmagada. Tomoyo suportou aquela dor com toda a carga de sentimentos do mundo que sentia pela cardcaptor.
Syaoran saiu desesperado do quarto, gritando:
– Obstetra, Obstetra urgente!
Médicos e enfermeiros entraram naquela sala com tudo, retiraram a maca de Sakura de lá e Syaoran os acompanhou. A família e os amigos de Sakura apenas puderam acompanhar aquilo tudo com os olhos. O médico pediu apenas que o pai da criança acompanhasse o parto, mas, ouvindo o que o médico falava no meio do redemoinho de dor que ela sentia, com os dentes trincando de raiva e dor, Sakura protestou contra aquilo que ela mesma qualificava como "desumanidade".
– Ela vai, ela vai entrar também! Se ela não entrar, eu tenho essa criança aqui do lado dela agora mesmo!
Os médicos ficaram de cabelo em pé com aquele grito e Syaoran se ofereceu para ficar do lado de fora, mas Tomoyo e o médico insistiram e então entrou os dois. Sakura só soltou a mão de Tomoyo quando eles já estavam na sala de parto e a enfermeira insistiu que ela precisaria ser vestida com o jaleco azul e a mão de Sakura não deixava.
Soltou a mão dela só pra voltar a segurar de novo.
O lento acariciar de Tomoyo naquela testa, as palavras carinhosas ditas na orelha dela que ela tanto sentiu saudade, o sorriso bondoso, sério do marido somado à atitude abnegada dele naquele parto era o que Sakura precisava para suportar aquela dor imensa que sentiu e fazer o esforço que fosse para Chitatsu nascer em paz. Tão em paz que nem sequer chorou ao nascer:
– É um menino! É um menino!
O médico entregou o menino par Syaoran, mas ele insistiu para Tomoyo ficar um tempo com ele:
'Eu vou ficar a vida inteira com o meu filho, a Tomoyo, eu não sei quanto tempo ela vai segurar o menino nos braços', pensou, ao tomar aquela decisão.
E, com o flash da máquina e o toque de Tomoyo, o menino chorou pela primeira vez.
Tomoyo segurou o menino e Syaoran sacou a máquina fotográfica para compartilhar com a família, amigos e fãs uma memória que ficaria para sempre naquele coração; a foto dele, de Tomoyo e de Sakura beijando a face ensanguentada do menino antes de ela desmaiar de vez por conta de todo aquele cansaço.
S&T:FJ
Durante os três dias que se seguram depois do desmaio de Sakura na mesa de parto, Tomoyo só arredou o pé do lado dela quando soube que tudo ficaria bem com ela, conforme dizia o médico. Era visitada pelas amigas que sempre lhe faziam perguntas sobre a Europa, o que ela fazia por lá e quando voltaria. Tomoyo explicava sempre que estava em processo de construção dos seus Ateliês, da sua carreira na Europa e não sabia quando voltaria porque aquilo não tinha prazo para acabar.
– Puxa, Tomoyo, pelo menos você podia manter contato com a gente… Você sabe que comigo você não tem segredos, não é mesmo? – Disse Rika, dando uma piscadela para ela.
Rika foi a única pessoa fora de sua família que Tomoyo manteve contato durante aqueles seis anos de afastamento de Sakura. As outras foram Fujitaka, a mãe e Touya, que já sabia de tudo desde as lágrimas no aeroporto.
Dormindo na poltrona do quarto, sentiu Kero lhe tocar o rosto com as mãozinhas peludas, amarelinhas que ele insistia que eram douradas e ninguém percebia isso porque ele estava na sua identidade falsa:
– Tomoyo, vai comer alguma coisa lá fora, eu fico aqui cuidando da Sakura, você sabe que eu cuido dela…
– Eu sei, Kero-chan, mas o problema é os médicos e as nossas amigas te verem… Nem minha mãe sabe ainda quem é você, Kero!
Kero ouviu tantas vezes aquilo da boca de Syaoran e Sakura que ouvir aquilo da boca de Tomoyo foi a jogada de xeque-mate que acabou com as esperanças de liberdade que poderia ter naquele quarto.
Syaoran entrou no quarto e falou a mesma coisa que Kero tinha dito para ela. Tomoyo acatou e saiu para respirar um pouco.
No refeitório, quando comia a comida sem tempero do hospital, o telefone tocou. Os olhos dela se dilataram e o coração pulsava com mais força. Não era qualquer telefonema de negócios. Era Cláudio.
– Tomoyo… como vão as coisas por aí?
– Vão bem, reverendo, o menino já nasceu…
– Ótimo, porque, infelizmente, eu não tenho boas notícias pra dar…
– O que foi? O que foi?
– A Eugênia… o estado de saúde dela piorou… ela tá suando muito, delirando muito e tá pedindo a sua presença… se não for incômodo…
Tudo bem, reverendo, eu já estou indo.
Engoliu o resto daquela comida sem sal antes de ter uma conversa com Syaoran e com a mãe.
S&T:FJ
Chamou-os para os jardins daquele lugar para dar a notícia:
– Você está indo, Tomoyo? – Sonomi fez um cara triste. Era a primeira vez que falava com ela depois de ter dado uns tapas nela.
– Eu queria poder ter ficado mais um pouco, até a Sakura-chan melhorar, até ela voltar a falar comigo, daí eu ia explicar a situação toda.
Syaoran ficou imensamente triste com a partida de Tomoyo.
'Que droga! Justo quando eu mais preciso da Tomoyo ela tem que partir', pensou, afinal Tomoyo era a pessoa certa para que Sakura entendesse a carreira corrida dele como jogador, mutovo das discussões frequentes daquele jovem casal.
Tomoyo notou o distanciamento de Syaoran:
– O que foi, Syaoran-kun?
– Eu queria que você ficasse com a gente, com a Sakura… Ela queria tanto isso.
– Eu também queria, Syaoran-kun, eu não queria ter de dar desculpas pra ela ou usar vocês pra falar das minhas razões; eu teria que dizer isso pessoalmente para ela pra ela acreditar, pra ela se acalmar; se não ela pensaria que era mentira de vocês dois… mais uma vez…
Syaoran sorriu melancolicamente:
– Você conhece a Sakura, não é Tomoyo? É desse jeito mesmo que ela ia ficar… desse jeito mesmo… mas eu vou tentar, sabe? Eu vou tentar explicar pra ela… da Eugênia, e…
Sonomi entrou de supetão na fala de Syaoran:
– E eu vou complementar! Eu vou explicar pra ela a situação da Eugênia também…
Tomoyo deu um leve sorriso para os dois.
– Eu só vou dar uma passada no quarto pra ver ela, aproveitando que ela tá dormindo… vou me dar esse privilégio de sentir o calor do corpinho dela pela última vez…
Quando Tomoyo chegou no quarto, naquela tarde, repetiu tudo o que tinha feito antes: beijou o rosto dela, acariciou a testa dela e cantou uma cantiga e ela nem sequer acordava de tão profundo que estava sendo aquele sono. Era a mesma Sakura, naquele mesmo quarto, só que o barrigão já não existia mais e o cheiro dela tinha piorado. Nada daquilo importava para ela, nada daquilo.
Tentou soltar a mão dela, mas foi surpreendida. Sakura havia agarrado os dedos dela com tudo. Estava de costas para ela e não teve coragem de ver o rosto dela. Sabia bem o que aquele gesto significava, sabia bem o que ela queria e Tomoyo sentia que vacilava. Bastava poucos gestos, poucas palavras dela para Tomoyo largar tudo de mão, sua carreira na Europa, a tríade, Eugênia e ficar daquele momento em diante do lado dela:
– Fica aqui. Não me deixa não. Eu gosto muito de você pra te deixar partir assim… eu gosto muito de você, muito mesmo… muito… muito…
Sakura repetia aquela frase como um mantra e sentia que estava tendo sucesso no seu intento. Tomoyo vacilara. Estava completamente paralisada. Começou a tremer quando percebeu que a voz de Sakura estava alterada pelo choro, pelas lágrimas que ela prendia com força dentro dela.
Era uma luta de vida ou morte que Sakura ganhava. Mas Sakura estava cansada demais pra sustentar uma luta daquele tipo. Quando a sua voz enfraqueceu e ela, por fim, desmaiou, Tomoyo soltou-se dela com tudo e correu para a porta, sem olhar para trás.
Foi só tocar a maçaneta da porta e a cardcaptor perceber que o calor das mãos de Tomoyo haviam se extinguido para que uma sonambúlica Sakura, inconscientemente, voltasse a murmurar o mantra que faria Tomoyo cometer a loucura que estava prestes a cometer a qualquer instante:
– Fica aqui comigo! Eu preciso de você do meu lado… eu gosto muito de você… eu… te…
Não quis ficar nem mais um minuto lá e saiu correndo pelos corredores do hospital antes que ela terminasse de falar.
Quando entrou no avião, sentiu que tinha cometido uma das maiores crueldades que poderia ter feito com Sakura em toda a vida dela. Nem sequer imaginou que aquela fuga determinaria a vida que ela levaria pelos próximos seis anos. O tempo para arrependimentos era ali e agora.
Aquelas palavras, aquela frase incompleta ecoou na mente de Tomoyo até ela pôr os pés na Itália novamente.
Olhou para a janela do avião e olhou as brancas nuvens do céu europeu:
'Esse é o fardo que eu vou levar pelo meu erro, Sakura-chan'…
Continua…
Por trás do báculo: No capítulo 21, eu coloquei, primeiramente, que Chitatsu nasceu no dia 21 de julho; mea-culpa, ele nasceu no dia 21 de maio de 2009 (no Brasil, é claro e 22 de maio no Japão) e é de gêmeos, mais precisamente, nasceu às 4 horas da manhã e 2 minutos em Osaka, Japão! Gostei desse mapa astral, o ascendente dele é em Touro, tem urano no ascendente e ele tem Saturno em Virgem na casa 5, fazendo conjunção com o sol natal da Tomoyo (e que conjunção! Saturno simboliza o papel exato que eu quero para a Tomoyo nesse texto!). A lua dele é em Áries, fazendo conjunção com o sol natal da Sakura na casa 12 (uma beça combinação para mãe e filho!)! Quanto a compatibilidade com o Syaoran, o Sol de Syaoran faz uma quadratura com a lua dele em Aries… de resto não tem aspectos importantes com outros planetas a não ser um sextil do sol dele com o Saturno na casa 5… Não faz mal! Hehehe! Queria que ele fosse de gêmeos porque geminianos são espertos e inteligentes e para que ele tenha tanto afinidade com o signo da Sakura (Áries) quando da Tomoyo (Virgem) e, de alguma forma, com Syaoran (consegui meu objetivo!) e o resto das combinações veio naturalmente! Gostei desse mapa porque ele tem metade dos planetas no hemisfério superior, entre as casas 8 e 12, as casas da magia e do sobrenatural no mapa e Saturno parece que funciona como uma espécie de "contrapeso" do mapa! Isso é muito auspicioso!
De resto, muita emoção nesse encontro dessas duas! O texto fala por si mesmo e não preciso dizer mais nada… acho que soube construir a carreira da Tomoyo e como isso afeta a vida dela ao redor… acho que ficou bom, e vocês?
Próximo capítulo vai ser o último com a Eugênia. Tomoyo vai ter um baque e tanto!
