Demorou, mas chegou um novo capítulo. Ele não está grande, mas eu cortei de propósito porque senão ele ficaria grande demais.
Espero que gostem.
Boa leitura!
No dia seguinte logo pela manhã, o Senhor do Oeste aguardava a chegada de um dos mais veneráveis membros do exército de Oyakata Taisho desde a época em que este assumiu o controle sobre aquelas terras.
Yaguinuma-sama era um dos generais de Inutaisho nos tempos de glória de seu reinado. Ele não estava mais na ativa, mas ainda detinha a consideração e a confiança do então senhor daquelas terras assim como tinha de seu pai. Sesshoumaru mandara chamá-lo após o incidente com Kagura, precisava de alguém realmente competente e confiável para guardar sua casa e sua família quando ele próprio não pudesse fazê-lo.
O youkai estava na sala de negócios e sentado em sua cadeira analisava alguns pergaminhos. O sol daquela manhã entrava pela imensa janela iluminando o cômodo com seus raios dourados e faziam cintilar os olhos de mesma cor do youkai.
No andar superior do palácio a Senhora do Oeste ainda dormia, o sono demorou a alcançá-la na noite anterior, após a agitação causada pela visita indesejável de Kagura. Mesmo sob as carícias de seu youkai foi difícil para ela relaxar e esquecer o ocorrido.
Heikou ao contrário acordara cedo e logo após o desjejum saiu do castelo para aproveitar sua liberdade, já que seu castigo havia sido suspenso pelo pai. O menino foi até a floresta nos arredores do castelo e depois rumou para a queda celeste, uma cachoeira belíssima que ficava a apenas alguns quilômetros ao sul. Lá ele tinha certeza, encontraria os meninos com os quais costumava brincar quando tinha algum tempo livre de suas atividades. Num dia lindo de sol como aquele, certamente eles estariam por lá.
De volta ao castelo, uma comitiva chegava pela entrada principal e era recepcionada pelos guardas que estavam de sentinela. Uma imponente carruagem parou frente ao portão enquanto um dos youkais que a acompanhavam falava com a sentinela. Logo um sinal foi dado e os portões se abriram permitindo a passagem deles.
Um youkai de aparência mais velha desceu do transporta em frente a porta de entrada do castelo e foi recepcionado por uma criada que fez uma reverência mais do que respeitosa. Seu traje, confeccionado em tecido nobre demonstrava que se tratava de alguém importante. O youkai caminhou lentamente subindo os degraus até alcançar a porta e foi acompanhado por dois de seus criados.
A serva do castelo o conduziu ao interior da imponente construção e logo o servo pessoal de Sesshoumaru apareceu.
- Ohayou Yaguinuma-sama. O Sssenhor Ssssesssshoumaru o está aguardando. – O youkai sapo disse com sua já conhecida e irritante voz.
- Leve-me até ele. – A voz grave do ex-general se fez ouvir.
Jaken caminhou pelo corredor indicando ao nobre soldado para que o seguisse até a sala de negócios onde seu senhor o aguardava. Ele bateu à porta levemente e logo recebeu autorização para entrar. O youkai sapo abriu a porta e reverenciou seu senhor.
- Yaguinuma-sama está aqui para vê-lo meu senhor.
Sesshoumaru de pé admirando o exterior do castelo através da janela e se virou ao ouvir a voz do criado vendo logo a seguir o ex-general que conhecia desde a infância entrar no aposento.
- Ohayou Sesshoumaru-sama. – O mais velho demonstrou o devido respeito ao senhor daquelas terras.
- Vejo que mesmo após a aposentadoria, você continua eficiente como antes e atendeu ao meu chamado prontamente.
- Causou-me curiosidade essa convocação repentina, eu devo dizer. Afastei-me do castelo há tantos anos que pensei estar esquecido.
- Nomes como o seu, dificilmente são esquecidos. – Sesshoumaru disse indicando a cadeira diretamente oposta a sua no outro lado da grande mesa. Ele dispensou Jaken e os outros que acompanhavam Yaguinuma com apenas um gesto.
O youkai mais velho se sentou no local indicado e Sesshoumaru voltou ao seu assento.
- Estou tendo problemas de segurança em minha casa. Aparentemente durante a minha ausência, indivíduos completamente incapazes foram empoçados à guarda do castelo.
O velho general ouvia a tudo atentamente enquanto os olhos experientes observavam o jovem a sua frente.
- Houve um incidente ontem. Uma falha inadmissível por parte dos guardas permitiu que uma estranha penetrasse as defesas do castelo e se aproximasse de minha mulher o suficiente para matá-la se quisesse.
- De fato esta é uma falha imperdoável. Eu não tenho conhecimento de como anda a segurança no castelo hoje em dia, mas o capitão da guarda deveria garantir ao menos que o perímetro fosse preservado.
- Isso não aconteceu e é óbvio que os responsáveis foram punidos. Por essa razão eu o convoquei, preciso de alguém competente para a tarefa.
- O senhor pensou em mim para o serviço? – O youkai indagou calmamente com sua voz tranqüila e pausada.
Sesshoumaru apenas concordou com um aceno quase imperceptível de cabeça enquanto encarava o ex-general mantendo o semblante frio e indecifrável.
- Sinto-me honrado por ser lembrado meu senhor e por saber que meu nome permanece em alta conta entre a liderança do clã, mas deve compreender que estou velho, meu tempo para ação terminou.
- Não quero que faça o trabalho pessoalmente Yaguinuma, sei que não está em condições para tal. Eu quero que você indique alguém de sua confiança para a missão e se responsabilize por dar as devidas instruções. Você conhece o protocolo como poucos e saberá treinar o escolhido para exercer de forma eficaz a função.
- Entendo. – o mais velho concordou e sua expressão denunciava que ele pensava em algo. Logo depois voltou a falar. – Creio que conheça exatamente a pessoa certa para o que o senhor precisa.
- De quem fala?
- Meu neto. – o youkai disse simplesmente e um leve sorriso de satisfação aparecia em sua face. Sesshoumaru permaneceu impassível aguardando que ele concluísse. – Kento é um excelente soldado eu ensinei a ele, assim como ao pai dele, tudo o que eu sei.
- Lembro-me dele criança...
- Muito tempo se passou Sesshoumaru-sama, meu neto é um homem agora, formou sua própria família, mas creio que nesse momento tudo o que ele precise é de um novo desafio.
- E ele será capaz de fazê-lo?
- Não tenho dúvidas. O senhor ficará satisfeito. Posso mandar chamá-lo imediatamente se assim quiser e logo ele estará aqui.
- Que seja. Se você diz que ele é adequado eu considerarei.
Sesshoumaru e o velho Yaguinuma continuaram conversando por um longo tempo. Acertavam os detalhes da vinda de Kanto para o castelo. Ele viria com a família e se instalaria na casa destinada ao capitão da guarda e que quase não fora utilizada pelo antigo youkai que ocupara o posto já que ele era sozinho.
Algumas horas mais tarde a reunião entre o Senhor do castelo e o ex-general foi encerrada. Yaguinuma foi conduzido a um dos aposentos onde ficaria hospedado pelos próximos dias.
Sesshoumaru subiu a seus aposentos estranhando o fato de sua mulher não ter se levantado até o momento. Ele abriu a porta e viu que Rin permanecia deitada embora estivesse acordada.
- Rin? – Ele a chamou e a mulher se moveu na cama para fitá-lo.
- Bom dia. – Ela o cumprimentou sorrindo.
- O que você tem? Por que está deitada até uma hora dessas? – Sesshoumaru questionou se aproximando da cama.
- Estou me sentindo cansada, por isso preferi ficar um pouco mais deitada.
- Você teve um sono agitado essa noite... – ele comentou.
- É.
- É apenas cansaço o que está sentindo?
- Sim. Eu não dormi bem, por isso estou me sentindo assim, mas logo vai passar.
Sesshoumaru continuou observando a mulher atentamente enquanto a ouvia falar, ele pegou a mão dela com uma das suas e levou aos lábios beijando-a carinhosamente.
- Sesshy não se preocupe tanto, eu estou bem.
- Você me diria se não estivesse?
Rin sorriu diante da indagação dele, mas logo respondeu ao notar que a pergunta fora séria.
- Sim, eu diria.
- Quero que me diga se sentir qualquer coisa estranha, está me ouvindo? Não quero que esconda nada de mim Rin.
- Eu não farei isso. – ela prometeu.
- Temos um hóspede no castelo nesse momento. – Sesshoumaru informou à mulher.
- Hóspede?
- Sim. É um dos generais que serviam a Inutaisho. Eu o convoquei para providenciar um novo Capitão e para reestruturar a guarda do castelo.
- Como ele se chama?
- Yaguinuma. É um velho youkai, mas é muito eficiente e me dará um novo Capitão à altura. Logo o aspirante ao cargo chegará e se eu o aprovar, ele passará a viver nessas terras e a comandar a guarda.
- Ele precisa ser acomodado e bem atendido. – Rin disse fazendo menção de se levantar e cumprir o seu papel de anfitriã, mas foi impedida pelo youkai.
- Não se preocupe com isso. Ele já foi acomodado e está em um dos quartos agora.
- Miyumi providenciou isso?
- Sim.
- Eu logo vou me levantar. Não consigo ficar deitada por muito tempo, você sabe.
- Sei, sei muito bem. É por essa razão que seu filho não consegue ficar parado por muito tempo.
Rin sorriu.
- Parece que com nossa princesa ocorrerá o mesmo. – falou brincado. – E por falar nisso, o que Heikou está fazendo? Imagino que ele tenha levantado extremamente eufórico esta manhã.
- Ele está na queda celeste desde muito cedo. Provavelmente em companhia das crianças do vilarejo.
- O dia está tão bonito. Ele deve estar se divertindo.
A mulher se sentou na cama e abraçou o youkai aplicando logo depois um beijo no pescoço dele.
- Você trouxe o que foi buscar nesse "passeio" com Heikou?
- Trouxe.
- E onde está?
- Guardado.
- Guardado? Por acaso é algum tipo de segredo?
- Digamos que sim.
- E Heikou sabe o que é?
- Sabe. – ele respondeu e Rin sorriu imaginando que seria fácil obter a informação do filho.
Sesshoumaru pegou a mulher pela cintura e a fez sentar-se em seu colo. Ele a beijou lentamente e depois a acariciou.
- Não pense que conseguirá que ele lhe diga alguma coisa, porque ele não dirá.
- Ah... por que eu não posso saber do que se trata? – Ela questionou emburrada como fazia quando era criança.
- Você saberá no momento certo minha hime. – Ela continuou emburrada e o youkai deixou um sorriso leve aparecer em seus lábios finos. – Descanse mais um pouco. Eu tenho algumas providências a tomar, mas não sairei do castelo.
Rin saiu do colo dele e se colocou de pé ainda o fitando intrigada. O que será que Sesshoumaru estava escondendo e ainda tendo Heikou como cúmplice? Era no que a mulher pensada e foi tirada de seus pensamentos pelo beijo de despedida que o youkai deu em seus lábios saindo logo depois do aposento. A mulher voltou a se deitar na cama e fitou o teto decorado do aposento ainda pensando.
Algum tempo depois seguindo seu senso de dever para com sua senhora e que fora reforçado por Sesshoumaru, Miyumi subiu as escadas para ir ao quarto de Rin.
- Ohayou Rin-sama. – A serva a cumprimentou.
- Ohayou Miyumi. A senhora está se sentindo bem, precisa de alguma coisa?
- Estou bem Miyumi. Heikou já voltou da cachoeira?
- Não senhora. Acho pouco provável que ele venha para casa tão cedo, já que ficou impedido de sair e de encontrar as outras crianças por tanto tempo.
- É verdade. Ele provavelmente perderá a noção do tempo e nós teremos que ir buscá-lo para que venha para casa. – A mãe falou sorrindo pensando na felicidade que o garoto deveria estar sentindo por poder desfrutar de alguns momentos de lazer com outras crianças, o que raramente ocorria, já que ele vivia ocupado com atividades diversas.
De repente a face de Rin assumiu um ar de preocupação.
- Miyumi, Heikou não foi sozinho até lá, foi?
- Não senhora. Há soldados por perto.
A mulher respirou aliviada. Passou pela sua cabeça que Kagura pudesse ainda estar nas redondezas do castelo e pudesse tentar algo contra seu príncipe em retaliação ao que acontecera na tarde de ontem.
- O youkai que Sesshoumaru mencionou que está hospedado aqui, você o viu?
- Sim senhora.
- E o que lhe pareceu?
- Bom, ele é um youkai conhecido e respeitado por todos. Os mais antigos dizem que ele andava lado a lado com o próprio Inutaisho. Ele me pareceu ser nobre senhora e confiável. Ao menos foi gentil com os servos e os criados que vieram com ele disseram que ele é muito generoso.
- Se ele era tão próximo de Inutaisho teria que ser, já que meu falecido sogro é conhecido até os dias de hoje por sua generosidade e senso de justiça.
- Ele deve descansar até o horário do almoço, não é?
- Sim senhora. Foi uma viagem longa segundo os criados dele e Yaguinuma-sama pediu que o chamássemos assim que tudo estivesse pronto.
- Eu também descansarei mais um pouco. Mais tarde, venha me chamar e eu descerei para dar boas vindas ao visitante.
- Sim senhora. Com licença. – A jovem youkai pediu fazendo uma reverência.
Rin fechou os olhos procurando relaxar e voltou a dormir pouco tempo depois.
Alguém faz idéia do que o Senhor Sesshoumaru está aprontando e mancomunado com seu filhote?
Rin anda muito cansada ultimamente, por que será?
Tantas perguntas. Alguém se arrisca numa resposta?
Aguardo seus reviews e prometo postar outro capítulo antes de completar uma semana.
Beijos!
