Capítulo XLVII

~O fluxo de metal quente~

Olhando pela janela daquele tubo, a turma viu a oportunidade perfeita para eliminar, de uma vez por todas, a produção de peças daquela fábrica…

Da grade do túnel, mesmo com todos os alertas de invasores que eram emitidos constantemente, os trabalhadores da fábrica ainda estavam trabalhando a todo o vapor, com suas armas presas na cintura, por necessidade. Peças saíam dos fornos e eram moldadas na linha de produção por máquinas. O acabamento era feito manualmente. Depois, seguiam até uma esteira para a próxima etapa… seriam peças de jiqiren? Sakura não teve mais dívidas dentro de si e queria chegar até o final daquela história toda, daquela linha de produção macabra que usava pessoas com poderes especiais como combustível. Não importava agora quanto sangue derramaria, as foices que carregava em suas costas, amarradas aos seus braços por correntes, diziam a ela que mais sangue precisaria ser derramado até que aquela loucura acabasse.

Sakura olhou para Subaru, que estava com o rosto colado na grade, examinando a situação. Um jato de ar quente entrava por ele e um jato de ar mais frio saía por lá, dando um desconforto muito grande com o vento frio e quente soprando nas roupas molhadas a todo instante. Os corpos ensopados dos três não seriam secos tão rápido.

– Subaru-kun, pensou em alguma coisa?

– Nada ainda, Sakura.

– Pois eu pensei em um jeito de livrar todo mundo dessa enrascada… – Disse Kero.

– Então desembucha logo, Kero, que eu tou curiosa pra saber… – Disse Hikaru.

– Sakura, se lembra do vácuo que você criou pra absorver a água do túnel?

– Sim, Kero-chan, o que tem ele?

– Você vai usar ele de novo, Sakura, só que o processo inverso…

– Inverso é? Mas o Subaru-kun disse pra mim que esse poder podia me cansar, daí eu ia desmaiar de novo!

– Sim, eu disse isso, mas vamos ouvir o que Kero tem a dizer…

– Subaru-kun, tem horas que você é chato, viu? – Disse Hikaru.

– Bem, é o seguinte, Sakura. Magia não vem do nada, principalmente elementos mágicos. Você usa sua energia e matéria da natureza pra gerar os seus poderes. Você já usou tanto poder criando essas foices que você estava esgotada, sem poder usar mais poderes…

– E o que isso tem a ver com o vácuo que eu criei, Kero-chan?

– O vácuo faz o inverso. Ele suga matéria e leva para outra dimensão. É uma forma de usar magia sem se desgastar… mas você não pode fazer isso sempre, Sakura. Você não é compatível com o vácuo. Ele é feito da mesma forma que os buracos negros…

– Então por que você tá me pedindo pra usar ele de novo?

– Porque você vai usar a água que você criou pra criar um rio e controlar a água! Mira naquelas fornalhas, Sakura!

– Como eu faço isso?

– Da mesma forma que você criou o vácuo… você vai se concentrar na boca daquela fornalha e imaginar o vácuo. Daí é só imaginar a água jorrando por ele, alagando tudo… é uma forma de usar magia, sem se desgastar, mas exige que você tenha sugado alguma coisa pra dento da dimensão do vácuo antes…

– Hum… – Sakura ficou pensativa por um tempo e depois olhou para a grade. – Eu só preciso olhar para a fornalha….

– E imaginar o vácuo surgindo…

Sakura fez a mesma pose de antes, quando criou o vácuo pela primeira vez e entrou em transe. Ao longe, um forte jato de ar aparecia na boca da fornalha, por onde saía as peças, sugando tudo ao seu redor, inclusive o corpo de alguns trabalhadores que foram encaminhados para o inferno ardente daquele forno. Confusos, se perguntavam:

– Eles estão aqui! Mais aonde?

Sem saber como agir, nem onde atirar, os trabalhadores entraram em pânico e apressaram sua saída daquele lugar, correndo para a saída de emergência. De repente, um jato de água saía do forno e alagava todos daquele lugar, arrastando quem estivesse lá da mesma forma que os trabalhadores do primeiro forno forram arrastados na entrada da turma na fábrica. O lado bom de tudo isso, para a Turma, era ver que aquela água toda apagou o forno. A produção parou na hora. Uma nuvem de vapor cobriu aquele lugar. Kero disse algumas ordens para Sakura, com ela em estado de transe:

– Muito bem, Sakura! Agora faça a água mostrar tentáculos e agarrar os trabalhadores restantes! Acaba com eles, Sakura!

Como se estivesse sob hipinose, Sakura obedeceu o comando de Kero, a água tomou forma e atacou os funcionários restantes como um monstro marinho. Manchas de sangue espirrando se misturaram a água do chão daquela sala. O fluxo de metal quente parou.

– Kerberos, isso que você murmurou pra Sakura.. parece hipnose…

– Não parece, Subaru, é hipnose! Ela tá usando muito poder e o inconsciente dela está aberto para sugestões… Agora ela vai acordar… acorda Sakura! – Kero deu um berro na cara de Sakura que fez ela pular na hora. Antes de brigar com ele, Sakura viu o que, inconscientemente, tinha feito, com as mãos segurando a boca com o espanto.

– Tudo isso fui eu, Hikaru?

– Sim, Sakura, foi você! Agora vamos que os rapazes deixaram a gente pra trás!

Sakura e Hikaru correram até onde estavam Kero e Subaru, bem adiantados, deixando as duas para trás. Tudo isso, para Kero evitar uma bronca de Sakura.

Uma voz como um raio pela mente de Sakura, dizendo:

– Tuxing!

Sakura, confusa, sacudindo a cabeça, perguntou para Hikaru:

– Ouviu alguma coisa, Hikaru?

– Não Sakura, não ouvi não… vamos correr por que eles estão com a vantagem toda…

Sakura e Hikaru fizeram sim com a cabeça uma para a outra e correram, até avistar os dois:

– Kero-chan, você vai ver só quando eu te pegar… ah!

– Sakura! – Disse Hikaru, assutada. O berro da guerreira mágica fez Kero e Subaru voltarem. Chegando no lugar onde ela tinha gritado, eles viram Sakura pendurada na ferragem do duto, quase caindo em uma poça verde de ácido que estava abaixo deles.