Disclaimer: A maioria dos personagens e situações dessa história são de propriedade de J.K.Rowlings e WB. Esta fic não tem fins lucrativos de qualquer tipo.

Cap. 44 - Inferno

Depois de passar alguns dias morando no hotel, Draco juntou algumas de suas roupas e itens pessoais que encontrou intactos em seu apartamento e decidiu se mudar para a casa de Harry, Grimmauld Place. A Sra. Black o recebeu com um berro de boas vindas que quase quebrou todas as janelas do primeiro andar. Depois ela tentou fingir que estava muito chateada que a casa estava habitada novamente, quando de fato ela estava se sentindo muito bem por ter alguém com quem gritar e queixar-se sobre coisas.

Draco a ignorou pela maior parte do tempo, mas ele estava sob tanto stress que se viu sobre o retrato dela uma noite, completamente bêbedo, revelando o encontro lunático com seus pais, rindo sobre todas as coisas, e então chorando por seu coração se sentir sozinho e por sentir muito a falta de Harry. A Sra. Black, que tinha roubado uma garrafa de vinho de outro retrato, ria e chorava com ele. Ela dividiu alguns de seus segredos familiares. E embora ela tentasse negar que estava chorando porque sentia falta de Harry, ela não conseguiu ser muito convincente.

Estranhamente, a presença da Sra. Black o acalmava. Suas constantes conversas chatas e bobas o ajudavam a tirar sua mente de seus problemas atuais no trabalho, e de certo modo, também os problemas dele com os pais. Pelo menos Hermione tinha feito Jonah parar todos seus ataques contra Draco, alegando que seus argumentos eram fracos e completamente sem fundamentos. O único que poderia provar alguma coisa contra Draco era Smear, e o homem tinha simplesmente desaparecido de Londres. Draco apostava que tinha fugido para algum lugar desconhecido com Bellatrix. Era o que deviam fazer, especialmente agora que Lucius estava atrás deles. Não que Bellatrix temesse Lucius, mas seu pai não era um oponente que pegaria leve. Uma vez enfurecido, Lucius era assustador, e até aquele momento sua fúria estava toda concentrada em Bellatrix e no ex de Draco.

Quanto a Lucius, havia mandado apenas uma carta a Draco sobre episódios bobos relacionados à Mansão. Draco não achou aquilo estranho. Seu pai, ele finalmente havia aprendido no último encontro deles, era mesmo esquisito. Sua loucura era uma coisa que preocupava Draco. As ações de Lucius eram imprevisíveis. Mas ele estava determinado a não deixar que a loucura de seus pais interferisse em sua vida pra sempre. Ele precisava se libertar de tudo aquilo uma vez por todas.

Pelo menos ele tinha parado de receber cartas ameaçando seu pecaminoso relacionamento com Harry, o que lhe dava algum descanso. O Profeta Diário tinha mudado também de alvo: a corrupção atrás das paredes do Ministério. Mesmo que o público no geral e o jornal fossem abertamente contra a mitigação da sentença de Lucius pelo Wizengamot, o tribunal dos bruxos pareceu não prestar atenção às críticas em volta deles.

Draco sabia bem o quanto era difícil acusar o Wizengamot de corrupção, mas esperava que a justiça fosse feita um dia, e que Lucius voltasse para prisão, que era o lugar dele. Ele também tinha esperanças que Bellatrix fosse pega e presa. Ele e Hermione estavam trabalhando duro para executar isso, quase tão duro quanto Lucius.

Outra semana passou sem nenhuma noticia de Harry, Bellatrix ou seu pai. Draco orou toda noite para Harry voltar rapidamente e a salvo. Ele não estava mais preocupado sobre o enfraquecimento do amor dos dois. A última – e única – ligação de Harry tinha deixado seu coração mais sossegado. Mas ele não conseguia evitar que a ansiedade batesse de vez em quando. Seu coração doía com a falta de Harry.

Para passar o tempo e enganar seu coração solitário, Draco saiu com Bill algumas vezes, apenas para um café, e não tinha sentido nada pelo seu ex além de amizade. Ele e Bill continuavam muito próximos, ainda mais agora que eles finalmente se acertaram com suas verdadeiras almas gêmeas. Mas isso era tudo.

Na terceira semana morando na casa de Harry, Draco foi surpreendido pela visita repentina de Severus. Como sempre, o ex-mestre de poções chegou com seu usual mau-humor.

- Eu ficarei aqui com você até Sirius e o pirralho voltarem, o que pode ser um longo tempo... Então é melhor você se acostumar a me ter por perto, - Severus informou Draco, trazendo sua bagagem levitando atrás dele, subindo as escadas e "se fazendo confortável" em um dos muitos aposentos para as visitas.

Draco apenas o seguiu com um franzir de sobrancelhas.

- Por quê? Ele ligou novamente? E se ele o fez, quando foi? Harry não ligou desde...

- Desde que você foi atacado pelo seu ex, eu suponho. - Severus completou para ele. Draco ficou pálido. - Acalme-se, Draco. Potter não sabe o que realmente aconteceu. Nem Sirius sabe. Sirius me ligou um pouco depois que Harry ligou pra você, e me informou que Harry teve um sonho estranho sobre o apartamento de meu afilhado sendo atacado. Mas tudo parecia bem aparentemente, já que você falou com Harry nada tinha acontecido. Apenas uma luta de bar. Depois brigando comigo mesmo, eu voltei para Londres uma semana atrás para investigar a verdade. E eu descubro que não apenas seu ex tentou matar você, mas que você também prestou uma visita ao seu querido pai lunático.

Draco o fitou de boca aberta.

- Como você sabe sobre tudo isso?

Severus sorriu afetadamente.

- Eu tenho minhas fontes.

- Mas ninguém sabe sobre meu pai exceto Hermione. E eu duvido que ela tenha dito algo a você.

- Não foi a Granger. - disse Severus.

- Quem disse a você sobre minha visita à Mansão? - insistiu Draco.

Severus cruzou os braços e suspirou.

- Seu próprio pai.

- Meu pai? - Draco se espantou. - Quando você falou com ele?

- Eu ouvi dizer ele estava cumprindo prisão domiciliar, então fui dizer um oi.

- Por quê? - Draco perguntou, chocado. - Por que você foi lá?

- Por que você acha, idiota? Porque eu estava preocupado com você! - Severus exclamou irritado. – Precisava descobrir se ele havia atacado você. E surpreendentemente, ele não era o culpado. Ele disse que sua titia Bellatrix te atacou por vingança, por causa da foto do St. Mungus. Nem ele previu isso. Por que você não pediu minha ajuda, Draco? Por que você decidiu passar por isso sozinho?

Draco revirou os olhos e tentou esconder o fato de que estava tocado pela preocupação de Severus.

- Já me expliquei pra Hermione, então não vou perder meu tempo de novo. Esse problema é meu. Minha confusão. Meus pais são meus fardos. Eu preciso aprender como cuidar de mim mesmo. Não sou mais uma criança.

- Mesmo assim, você devia ter confiado em mim para...

- Não! - Draco o interrompeu. - Você sabe disso melhor do que qualquer pessoa! Você sabe como me sinto! Embora você queira confiar nas pessoas, deixá-los minimizar seus sofrimentos, sabe que isso não é justo nem para com eles nem para com você mesmo! Além disso, você não quer parecer um covarde. Você quer provar a si mesmo que pode cuidar de sua própria vida. Não foi isso que você me ensinou uma vez? Que eu devia ser capaz de cuidar de mim mesmo? Estou tentando fazer isso. Além disso, não tive coragem de dizer nada a Harry. Eu admito que isso era sobre meu orgulho primeiramente. Bem, isso é sobre meu orgulho. Mas... Ele disse que está fazendo progresso. Se eu disser algo sobre Johnson, ele voltará por minha causa. Eu sei que ele voltará. Eu não quero arruinar suas chances de se curar, então menti.

Draco suspirou pesadamente, depois se sentou numa cadeira perto da cama em que Severus estava sentado.

- Eu também não gosto de brincar de donzela em perigo. Eu posso cuidar de mim mesmo. E se eu ficar dependendo de Harry para tudo... Onde isso me levará? Eu não quero depender dele. Isso não é sadio. Eu apenas quero amá-lo. Eu quero que a gente fique junto em pé de igualdade.

- Você ainda se sente inferior a ele. - Severus disse acertando o alvo.

Draco o olhou ferozmente.

- Talvez. E daí? Estou tentando mudar isso. Estou tentando...

- Isso é tão bobo, Draco, mas eu entendo, - disse Severus suavemente, pegando Draco de surpresa. - Você tem que entender, no entanto, que se você não tirar isso da cabeça poderá afetar seu relacionamento com Harry de um modo negativo. Você estará competindo com ele. E se você não pode compreender que terá de tentar mudar seu ridículo comportamento juvenil, o amor de sua vida irá viver um inferno. O amor não é baseado numa competição, Draco. Ele é baseado na confiança e em compartilhar seus medos com quem se ama. É não ter medo de deixar que a pessoa próxima a você te ajude quando você estiver precisando.

- Você fala como se fosse a personificação do verdadeiro amor. - Draco indicou com escárnio. - Quem ouvir você pode pensar que acredita mesmo no que está dizendo, Severus! Você sabe do que está falando? Sua relação com Black é inteirinha sobre desconfiança.

- Exatamente! Entende o que quero dizer? Você quer repetir meus erros? Você quer levar com Harry a mesma vida que eu levo com Sirius? Você é tão jovem. Ainda há tempo para você abrir seus olhos e aprender com seus erros! - Severus exclamou impacientemente. Ele estava se comportando de maneira muito fora do comum, por isso estava começando a se sentir inquieto. - Além disso, Sirius e eu temos mais razões para nos odiarmos do que você e Harry.

- Ok! Eu entendi! Mas isso não muda o fato de que eu estava certo ao não falar nada para Harry sobre o que aconteceu!

- Essa é a sua vida, Draco. Faça o que quiser com ela. Mas apenas lembre de uma coisa. Se o seu orgulho ou medo sempre superar seu amor, você o perderá. Aprenda a deixá-lo cuidar de você. Você não precisa brincar de donzela em perigo. - disse Severus fazendo uma careta. - Mas está tudo bem em deixar que ele te abrace de vez em quando para manter seus medos afastados. Ele terá seus momentos também. Você não gostaria de estar presente quando ele precisar de você?

Draco engoliu em seco e olhou para longe. Lembrava-se do quanto fora bom abraçar Harry depois de seu colapso nervoso na mansão de Severus, e ele entendeu o que Severus quis dizer.

- Sim, eu gostaria. - Draco respondeu com voz fraca. - Eu quero estar presente quando ele precisar de mim. E não gostaria que ele pensasse que isso o faz inferior a mim. Eu quero que ele confie em mim completamente.

- Vê o que digo? Se você quer essas coisas, você tem que se abrir com ele também.

Draco deu um meio sorriso para ele.

- Você é cheio de surpresas, não é? Por que não aplica essas coisas que me diz na sua própria vida amorosa?

Severus fez uma careta.

- Porque, como eu já disse, estou muito velho para mudar meus hábitos. E Sirius também. Temos nossas idiossincrasias formadas por anos de desconfiança e ódio... Nós dois somos mal-humorados e cínicos. Tudo que podemos fazer é tentar nosso melhor para não deixarmos um ao outro malucos... Somos um caso perdido. Não podemos viver sem o outro, e não podemos viver um com o outro. Isso é malditamente estressante... Estou realmente contente que ele foi com o pirralho, assim me deu um pouco de espaço para respirar.

- Só está dizendo isso para enganar seu coração. Eu faço a mesma coisa todo o tempo. Na verdade, você sente muita falta dele, não sente? – Draco perguntou.

- Sinto é? – Severus bufou. – Por que eu sentiria falta daquele cão tarado e idiota?

Draco riu.

- Você sente muita falta dele.

Severus encolheu os ombros.

- Sinto falta do sexo.

- Eu aposto que você sente falta das brigas também. - Draco caçoou.

Severus tentou esconder o sorriso, mas não conseguiu.

- Talvez, Draco. Talvez.

- Você conseguiu entrar em contato com ele depois daquele dia? - Draco perguntou um pouco ansioso.

- Não. E eu não esperava que ele entrasse também. Não sou do tipo sentimental. Eu posso suportar alguns meses sem Sirius. Eu já disse, eu preciso de algum espaço.

Draco sabia que ele estava mentindo, mas não insistiu.

- E como você está agüentando sem Potter? - Severus perguntou.

Draco suspirou melancólico. Ele não gostava de mentir. Não havia propósito. Suas emoções estavam escritas em toda sua face de qualquer forma.

- Estou bem, eu acho. Eu sinto falta dele. Muito.

- Você não vai chorar, vai? - Severus perguntou com um franzir de sobrancelhas.

- Não! - Draco negou, injuriado. - Mas eu me permiti beber para esquecer tudo algumas vezes.

Severus pareceu interessado nisso.

- Verdade? Importa-se se eu me juntar a você essa noite?

Draco sorriu travessamente.

- Nem um pouco. Contanto que você traga seu próprio uísque...

- Tudo bem. Só não venha chorar aos meus pés para experimentar um pedaço do céu quando eu abrir a melhor garrafa de uísque do mundo. - Severus respondeu com um sorriso afetado.

Draco acordou com uma terrível ressaca. Ele e Severus haviam exagerado um pouco na bebida na noite anterior. Pelo menos fora engraçado. Não era todo dia que podia desfrutar da companhia de Severus Snape bêbado. Mas antes que ele caísse no sono, perguntou-se se não estava se comportando como Harry, com aquele hábito horrível de ficar chapado quase todas as noites só para dormir.

Ele saiu da cama com uma careta. O mundo ao redor parecia não querer ficar parado. Ele bamboleou até o banheiro com a varinha nas mãos caso precisasse de um feitiço anti-ressaca. Sentindo a cabeça mais leve depois que o raio de luz amarela a tocou, ele encheu a banheira com água morna e entrou. Bateu ligeiramente na água com a ponta de sua varinha fazendo bolhas, e suspirou feliz quando sentiu a água massagear seus músculos.

Quando se viu mais apresentável, desceu as escadas e encontrou Severus na cozinha com o Profeta Diário aberto na frente dele. Severus mal prestou atenção em Draco quando este se serviu de café fresco. Draco sentou-se na sua frente e bebeu seu café silenciosamente. Finalmente, Severus pôs o jornal bruxo de lado e fitou Draco.

- Dormiu bem? - Severus perguntou.

- Eu acho que sim. - disse Draco encolhendo os ombros.

- Ressaca?

- Já me livrei dela. – Draco o informou, tomando um gole de seu café.

Severus assentiu ligeiramente. Draco não gostava do modo como seu padrinho o observava tão atentamente.

- Você conseguiu se livrar da dor de cabeça, mas não do mau humor. - Severus assinalou. Draco apenas encolheu de ombros novamente.

E daí se ele estava de mau humor? Sua vida estava caindo aos pedaços. Não havia jeito de ele se sentir melhor.

- Eu tenho notado também muitas garrafas vazias ao redor. - Severus observou.

Ah, então era esse a direção que a conversa seguiria. Draco suspirou, porque tinha certeza de que Severus viria com um sermão. Ele não estava errado.

- Primeiro veio para essa casa cuidar de Potter e seu problema com a bebida. - disse Severus. - Agora ele foi embora, e você fica em seu lugar. Está esperando ele te salvar, Draco?

Draco sorriu ironicamente.

- Talvez eu esteja. Não é você quem me diz para parar de agira tão na defensiva e deixar as pessoas cuidarem de mim?

- Não significa que você deve se transformar numa patética figura humana.

- Eu não sou patético. - disse Draco secamente. - E me poupe do sermão. Eu tenho idade suficiente e sou responsável por meus próprios atos. Se eu quiser me embebedar até cair, eu o farei.

- Tornando-se assim um alcoólatra.

Draco suspirou irritado.

- Claro que não! Faz tempo que certas garrafas têm estado aqui! Elas não são minhas! São do tempo de Harry! - Ele bateu com sua mão fechada sobre a mesa no momento em que ele percebeu o que acabara de dizer. Ele não só estava se comportando como Harry, como soando como ele também. - Está certo. Você está certo. Eu sou patético. Mas vou mudar. Podemos seguir em frente?

- Se eu soubesse que você estava ficando profundamente depressivo, eu não teria deixado você beber ontem. - disse Severus com uma expressão séria.

- Quer parar? - Draco perguntou, sua face um pouco vermelha por causa da raiva. – Por Melin, eu não estou com depressão!

- Não está mesmo? - Severus fez uma careta.

- Não! Eu não estou com depressão! No entanto, estou muito irritado! - Draco se pos de pé abruptamente e levou seu copo vazio para a pia como uma desculpa para evitar o olhar penetrante de Severus. Ele pos suas mão em cima do balcão e molhou os lábios. Então ele explodiu. - Não estou certo em estar irado? Minha vida estava finalmente no caminho certo, e então toda essa bagunça acontece! Harry, mãe, cartas ameaçadoras, Smear, Bellatrix, pai... Minha carreira está por um fio! Eu deveria estar sorrindo? Diga-me como e eu o farei!

Ele se voltou para fitar Severus e encontrou seu padrinho profundamente pensativo.

- Não posso te dizer como. Eu mesmo nunca soube. - disse Severus amargamente. - Eu realmente não pretendia te dar um sermão. Eu apenas estou checando seus nervos.

- Meus nervos?

Severus o olhou, e Draco gostou menos ainda daquele olhar. Alguma coisa naquele olhar fez Draco sentir arrepios na espinha. Draco sentiu como tivesse sido atingido por um raio. Claro, Severus não se incomodaria em lhe dar um sermão. Ele o tinha feito apenas em raras ocasiões, e frequentemente para prevenir Draco de alguma coisa pior ainda.

- O que foi? - Draco perguntou receoso pelo que estava por vir. Os olhos de Draco caíram sobre o Profeta em cima da mesa. Severus o pegou e o dobrou para esconder o que quer estivesse escrito ali. - O que foi? - Draco insistiu.

- O que quer primeiro: a boa ou a má noticia?

Draco engoliu duramente. Sua boca tornara-se repentinamente muito seca.

- A boa. - ele respondeu.

- Bom, a boa notícia é que Bellatrix Lestrange e Johnson Smear foram encontras mortos na noite passada. - Severus o informou. - Avada Kedrava. O corpo de Smear mostrou sinais de tortura. Bellatrix parecia um anjo. Eu suponho que foi coisa do seu pai. Narcissa deve ter lhe pedido que poupasse a irmã de qualquer dor. Smear não teve tanta sorte. - Severus zombou. - Não há suspeitos. Minha opinião pessoal é que nunca haverá. O Ministério não se incomodará em investigar o assassinato de um ex Comensal da Morte.

- Por que não fui informado disso? Eu preciso ligar para Hermione agora mesmo. - ele disse para si mesmo, perdido em seus próprios pensamentos. Ele estava deixando a cozinha quando a voz de Severus o parou.

- A má noticia primeiro, Draco. E esteja preparado. - ele preveniu, sua voz rouca cortando Draco como uma faca.

Draco sentiu suas mãos tremerem. Ele apertou seus punhos e seus lábios. Então ele esperou pelo golpe. Severus jogou o Profeta aberto na mesa e esperou a reação de Draco ao ler o enunciado do artigo 'DRACO MALFOY: COMENSAL DA MORTE E GAROTO DE PROGRAMA. '

Draco sentiu suas entranhas se revirando. Ele se apoiou na mesa e forçou-se a ler o artigo inteiro. A cada palavra era como se uma espada o rasgasse. Era um conto sobre drogas e sexo. Uma elaborada mentira sobre a vida de Draco depois que a guerra tinha acabado, assinada por Charles Hagen, o mesmo homem que já tinha tentado destruir a reputação de Draco num artigo anterior. Pelo menos Smear não fora mencionado. Se ele fosse, Draco quase poderia prever tudo que Jonah concluiria sobre ele, acusando-o de assassinar Smear por causa de vingança pessoal. Pensando melhor, Jonah provavelmente o acusaria daquilo de qualquer jeito. Afinal de contas, fora Smear quem contara a ele sobre o passado de Draco como um garoto de programa.

Draco escondeu seu rosto em suas mãos e respirou fundo. Nenhum daqueles episódios detalhados no artigo era verdadeiro, mas o fato principal era. Draco tinha dormido com homens por dinheiro por algum tempo. Ele tinha se prostituído por medo de seu ex-namorado violento. E agora o dano estava feito. Não interessava quantas vezes ele tentasse negar aquelas acusações, sempre haveria pessoas que acreditariam naquela história e que o desprezariam por isso. Ele também perderia seu trabalho agora com toda a certeza. Até Hermione não seria capaz de ajudá-lo dessa vez.

Ele respirou profundamente para se acalmar. Podia apostar que Severus esperava que ele perdesse o controle, mas ele não o faria.

- Draco? - Severus o chamou suavemente.

Draco o desprezou. Não era do feitio de Severus lhe tratar duramente para que ele não despedaçasse? Draco não queria piedade. Ele detestava essa emoção.

E então, do nada, explodiu em gargalhadas. Ele riu tão forte que lágrimas rolaram por suas bochechas. Seu rosto ficou levemente rosado, e depois bem vermelho conforme ele ficava sem ar. Se Severus não tivesse lhe esbofeteado com força no rosto, ele poderia ter engasgado.

Quando o ataque acabou, seu corpo começou a sacudir incontrolavelmente. Ele se abraçou.

- Fique furioso, Draco! - ordenou Severus. - Grite se quiser! Quebre tudo ao seu redor! Mas não faça isso! Você é mais forte que isso!

Draco olhou para Severus, mas sua visão estava toda embaçada. Ele pestanejou e acenou. Severus estava certo. Ele era mais forte que aquilo. Precisava se controlar.

- Quem é esse Charles Hagen filho da mãe? - Draco gritou. - Por que me odeia tanto? Essa é a segunda vez que ele tenta me destruir! - Draco bateu com as mãos na mesa. Severus ouviu a janela sobre eles explodir. Ele suspirou. A magia de Draco estava totalmente fora de controle. Apenas para o caso de precisar, ele deixou sua varinha preparada.

- Merda! - Draco enterrou seus dedos no cabelo. – Não me importaria se a notícias fosse toda falsa! Mas é verdade! A historia é um pacote de mentiras, mas... - Draco gemeu como se estivesse com dor. – As pessoas lerão isso. Harry provavelmente lerá isso. - Ele se sentia enjoado. - Harry vai me odiar... Porque eu terei que falar a verdade para ele, não importa quando. E ele me odiará.

Severus segurou firme em seu ombro. Draco sentiu uma lágrima escapar de seu olho.

- Você tem outros problemas para cuidar nesse momento, então se controle depressa. - Severus disse, esperando soar firme. Sentia-se profundamente triste por seu afilhado, mas ele não poderia deixar Draco continuar naquele estado.

Draco olhou pra ele. Lá estava, o mesmo olhar de antes.

- Não... Por favor... Poupe- me. - Draco murmurou. - Eu não posso agüentar mais nada agora. Preciso digerir essa merda toda primeiro.

- Não há tempo, Draco. Sinto muito, mas você recebeu uma coruja-correio essa manhã. Alguém está vindo visitá-lo.

- Quem? - Draco perguntou.

- Seu pai.

- Oh Deus... - Ele escondeu seu rosto nas mãos de novo, perguntando-se quando aquele inferno todo terminaria.

Continua...

Notas: Ehh! Mais um capítulo traduzido. Agradeçam a minha nova ajudante, que deu uma dura danada nesse capítulo, a senhorita Hermione Seixas. Foi ela quem traduziu o grosso da coisa, e eu fui aparando as arestas! Trabalho em equipe. Muito obrigada, Hermione!! E muito obrigada a todos vocês pelos comentários!