Nenhum personagem da Saga me pertence.
- Ah, eu tinha esquecido de avisar aqui: Eu comecei uma adaptação do livro "Temporada de Caça: Aberta", de Sarah Mlynowski. É como a Ktia S diz: esse devia ser o livro de cabeceira de qualquer mulher solteira! haha' Bom, quem quiser, dá uma conferida lá, é muito bom apesar de não ter todo aquele romance ;)
GabiBarbosa: Robert "Cachorrão"? hahahaha'
Entre um Homem e uma Mulher
(Parte I)
Mas tudo bem, eu estava bem e essa porcaria tinha prazo de validade: hoje à noite, às 19h.
.
Você não pode ser indiferente ao amor, a única dor é não sentir nada.
(Bono Vox)
{K_POV}
Dezembro, 22.
A estrada estava escura e úmida, ladeada por enormes árvores com os troncos cheios de musgo. Verde, verde e mais verde. Era isso o que se via. Há quanto tempo eu não dava uma boa olhada nisso tudo? Quatro meses? Uau.
- Wow, quando você disse que isso aqui era um planeta alienígena eu não acreditei. - a garota ao meu lado murmurou enquanto mirava pela janela do carro. Desejei que ela parasse de apreciar a vista e se concentrasse no asfalto que se estendia à nossa frente, eu ainda não tinha esquecido do meu acidente. - Acho que aprendi a nunca mais duvidar de você. Juro.
- Obrigada, Cassie, agora olha para frente!
Ela bufou.
- Eu não mereço nenhuma confiança também?
- Não.
Cassie resmungou e aumentou o som, claramente me mandando calar a boca. Sim, eu sabia que não estava sendo uma das melhores companhias nesses últimos meses, mas eu estava apostando tudo na ideia de Cassie. Se não desse certo, meus nervos ficariam em frangalhos e eu temia isso.
"BEM-VINDO À SEATTLE. População: 608.660"*
- Chegamos à primeira parte. Sabe o que fazer amanhã, não é? - Cassie voltou a falar comigo enquanto estacionava o carro alugado na vaga do pequeno hotel em que passaríamos a noite.
- Sim, acho que sim.
- Ele vai te avaliar. Você tem que fazê-lo perceber que você vale a pena, Kate. Não gagueje e não desvie o olhar. - essas eram as suas instruções desde o primeiro dia. Eu já as tinha decorado, mas temia não me lembrar delas no momento que mais precisasse.
Quando entramos no quarto, liguei a TV e deixei no canal de notícias para me inteirar das novidades. Eles estavam falando sobre alguns protestos na cidade de Olympia, capital de Washington, para em seguida avisarem sobre um morador de rua que fora queimado vivo. Estremeci com a crueldade dos homens que atearam fogo em outro ser humano. O noticiário continuou como se nada tivesse acontecido.
Cassie pegou alguns livros e sentou-se na cama.
- Vai estudar? - perguntei.
- Sim.
- Estamos em recesso Natalino. - ergui uma sobrancelha.
- Eu sei, mas isso não significa que eu posso vadiar durante esses dias. - ela riu. - Não vai me matar. Hey, uma ajudinha é bem vinda: como um jornalista poderia se referir à esmola?
Voltei minha atenção para a televisão e agora era uma jovem jornalista que estava dando informações sobre uma bomba que explodira e matara uma dúzia de civis, além de dois soldados americanos. Ela estava andando entre destroços e corpos empilhados. Estremeci novamente.
- Imposto informal da injustiça social? - tentei sem desgrudar os olhos daquela cena.
- Isso. Obrigada.
Continuamos assim por mais alguns minutos até que eu quebrei o silêncio novamente.
- Se tudo der certo, eu vou mudar de curso. Não quero ser portadora de notícias ruins. - falei. - Parece que isso é tudo o que o noticiário tem a nos oferecer.
Em um minuto, Cassie estava ao meu lado de olhos arregalados.
- Mas você leva jeito! Tem notas altas!
- Já disse que não quero ser o abutre que carrega más notícias.
- Você não prestou atenção ao que o professor Julius nos disse na primeira semana de aulas? Não existe notícia boa ou ruim. Existe a notícia. - ela disse. - Cabe às pessoas classificá-las como tal.
Ri com ironia. A notícia de bombas explodindo no Oriente era apenas uma notícia?
- Não importa, não era isso que eu queria para mim.
- E o que é que você quer?
- Ainda não sei, mas tenho certeza de que não é isso... Nem que eu tenha que pular de galho em galho, de curso em curso... Eu vou descobrir qual é a minha vocação.
- Vamos por partes. - ela fez um bico engraçado.
Meu coração estava acelerado e eu me perguntava se ele não iria pifar caso continuasse nesse ritmo alucinante. Aposto que se alguém olhasse minha garganta com atenção, poderia ver o órgão palpitando loucamente ali. O suor frio abria uma trilha bem em cima da linha da minha coluna e toda vez que uma gota descia até a minha cintura, todo o meu corpo retesava e se arrepiava.
Isso não estava me fazendo bem nenhum.
- A senhorita está bem? Parece pálida. - o homem baixinho e de bigode de vassoura me olhou com atenção. - Aceita um copo de água?
Assenti e continuei em silêncio, sem confiar na minha voz. O homem de baixa estatura me dava muito mais medo do que o careca de dois metros de altura que estava sentado sem se mexer um único centímetro. Digo isso porque ele sequer se moveu desde que eu entrei naquela sala larga, acarpetada e mobiliada com móveis de madeira cara e lustrosa.
- Então... - ele pigarreou quando eu terminei a água. - Vamos direto ao ponto, Okay? Aceitei me encontrar com a senhorita em pleno recesso Natalino porque minha sobrinha é incrivelmente persuasiva. Ela me disse que a senhorita é uma aluna ímpar e que eu não me arrependeria de tê-la conosco. Acredito em Cassie, uma vez que nunca a vi elogiar ninguém; ela é extremamente crítica. Isso é um grande ponto a seu favor.
Minha cabeça girava com tanta informação. Ele era o tio de Cassie? Por que ela não se incomodou em me dizer pelo menos isso?
- Ao mesmo tempo que é um ponto a seu favor, ele não significa absolutamente nada se eu não aprová-la. - ele esmagou minha esperança como se fosse um inseto. - Então me diga porque você merece estudar na minha Universidade.
Eu não sei de onde veio, mas eu fui incapaz de reprimir a onda de sinceridade que se apossou de mim. Contei a ele absolutamente tudo. Depois, claro, fiquei pálida quando a realidade me atingiu: eu tinha gaguejado e explicado apenas meus motivos pessoais. Eu tinha acabado com qualquer suposta chance de estudar ali.
- Você... - ele começou, mas eu o impedi de falar.
- Bem, eu vou estar perto dos meus parentes e amigos. Sei que o senhor pensa que eu vou me distrair dos meus estudos por causa disso, mas pode ter a certeza absoluta de que isso nunca irá acontecer. - por favor, não gagueje agora, depende só de você. - Eu vou ser uma das suas melhores alunas, conte com isso. Minhas notas serão sempre impecáveis e disso eu não tenho dúvida nenhuma.
Ele me olhou com interesse.
- Mas eu tenho mais uma coisa a pedir. Eu quero mudar de curso.
- O quê? Por quê?
- Eu achava que era o meu dever relatar toda a injustiça cometida contra as pessoas boas. - respondi. - Depois da morte do meu pai, eu queria arcar com isso como uma forma de me redimir, mas esses quatro meses só me fizeram ver que eu estava encarando tudo com uma perspectiva limitada.
Eu me lembrava perfeitamente de quando descobri que era perigoso demais ser uma policial para prender os "vilões" - os desenhos faziam parecer ser tão fácil! -, então decidi ser uma daquelas detetives de laboratório que trabalham apenas com as evidências e nunca se envolvem diretamente com os caras maus, mas também entendi que aquilo não era para mim. Até que me ocorreu ser jornalista e expor ao mundo todo o lixo que tem por aí, só que eu não estaria mudando nada de verdade, apenas mostrando para as pessoas normais o que poderia acontecer com elas em qualquer instante de suas vidas. Eu precisava de algo melhor que isso. Algo mais efetivo.
- E o que a senhorita deseja cursar?
- Psicologia. Quero trabalhar com crianças. - agora sim eu estava convicta do que dizia. - Não adianta tentar corrigir os adultos, as chances de eles mudarem são realmente mínimas. Mas eu finalmete entendi que, se eu quero ajudar mudar a sociedade, eu tenho que partir de uma criança. Construir um caráter sólido, é disso que estou falando. Dessa maneira, meu trabalho refletirá na sociedade e alguma coisa boa irá sair e eu... Bom, eu vou estar finalmente orgulhosa de mim mesma. Só estou aqui em busca de consertar um erro bem grave; eu sacrifiquei algo importante para mim quando tentei seguir esse sonho.
O homem congelado pareceu ganhar vida e sorriu para o Sr. Pennington.
- Ela parece estar certa disso. Eu gostei dela.
O Sr. Pennington alisou o bigode e andou pela sala.
- Se a senhorita passar na prova, será uma honra ter uma mente como a sua na minha Universidade.
**Irmãzinha, não se preocupe com nada hoje
Sinta o calor do sol
Eu saí flutuando nas nuvens. Comecei a relatar para Cassie como tinha sido meu encontro com seu tio e a fulminei com os olhos, esperando que ela se explicasse sobre o parentesco. Ela rapidamente mudou de assunto e gritou bem alto que a primeira parte do plano estava concluída. Dizia ela que eu já tinha passado na prova, a parte mais fácil de tudo.
Irmãzinha,
Sei que não está tudo bem
Mas você é como mel em minha língua
Era agora que o verdadeiro problema começava. A segunda parte.
Reconquistar Robert.
{R_POV}
Dezembro, 23.
Quando Nathan apareceu na porta de casa, eu já tinha entornado um total de três doses de vodka, um pouco do Brandy mais caro e duas taças e meia de vinho. Meu pai tinha uma prateleira com as melhores bebidas, muito embora eu tenha encontrado um whisky batizado lá no meio.
Entrei no carro e ele reclamou do meu hálito. Fechei a mão em concha e respirei o álcool no hálito. Credo, Nathan tinha razão.
- Dane-se. - resmunguei. O Jack¹ estava bem apetitoso.
¹ Jack Daniel's, whisky.
Por incrível que pareça, Forks tinha aberto uma espécie de casa noturna bem "comportada". Na verdade era uma imitação de uma boate de sucesso em Port Angeles, mas ali em Forks eles não vendiam bebidas e nem iam até altas horas, infelizmente. A fila era tão grande - note o sarcasmo -, que demoramos longos cinco minutos para nos encontrarmos dentro daquela imitação barata.
Para os Forkianos filhos de pais mais rigorosos, aquilo ali era o mais próximo de Paraíso Pervertido que eles podiam ter, então agiam como se estivessem em um clube noturno digno daquelas danças sincronizadas e toda a cafonice imaginável. Sentei no bar e olhei para ver se tinha uma garçonete bonita, pelo menos. O barman que veio me atender não era o meu tipo, então logo o dispensei. Procurei por Nathan e meus olhos bateram em um longo cabelo castanho claro e um corpo bem esculpido.
Não, por favor, não me diga que é ela.
Kate virou para mim e me deu um sorriso sedutor. Sua maquiagem era pesada, mas não deixava de mexer comigo. Como eu podia esquecer dos efeitos ridículos que ela causava em mim? Apesar de ter o equilibrio um pouco afetado pelas doses de bebida, caminhei com facilidade até ela; meus olhos arregalados como pratos.
Sem conseguir raciocinar, eu a puxei para mim. Sim, eu sei que devia rejeitá-la, fingir que ela não existia ou dizer que eu estava magoado por ter sido esquecido por uma porrada de meses, mas... eu não conseguia. Tudo se resumia à ela nos meus braços de novo. Kate passou os braços em torno do meu pescoço e juntou nossos corpos de cima à baixo.
- Hey. - sua voz estava estranha, mas não liguei.
- Me beija. - foi tudo o que eu pude dizer antes de eu mesmo agarrá-la.
Verdadeiro amor nunca pode ser alugado
Mas somente o verdadeiro amor pode manter a beleza inocente
Espera aí! Aquilo estava estranho ou eu tinha bebido demais. Tá legal, eu sabia que tinha exagerado na bebida, mas o beijo não era o mesmo que eu me lembrava; eu não sentia aquele formigamento nem a corrente elétrica, até a forma de ela me tocar estava estranha. Afastei aqueles lábios esquisitos de mim e esfreguei os olhos.
Deus, não era ela.
Eu nunca tinha visto aquela garota, mas não era Kate. Nem olhos verdes a garota tinha.
- O que houve? - sua voz estranha perguntou.
Uau. Exagerei na bebida.
- Desculpe, foi um... - um engano? Eu deveria dizer à ela que apenas a confundi com a minha namorada? Quero dizer: ex-namorada. - Eu... eu preciso ir.
Eu nunca poderia arriscar de perder um amor para encontrar romance
Nunca poderia arriscar porque nunca poderia entender
A misteriosa distância entre um homem e uma mulher
Voltei correndo para o bar e olhei em volta atônito, esperando encontrar com Nathan. Onde aquele grande idiota tinha se metido? Puxei uma garrafinha de licor do bolso e virei garganta abaixo, rezando para que nenhum segurança me visse.
{N_POV}
Aquele babaca ia me dar trabalho essa noite.
Eu odiava ter que admitir, mas detestava Kate por tê-lo deixado daquela maneira e detestava a reação de Robert. Não era saudável.
- Feche a boca, não suporto esse cheiro de álcool em você. - era verdade, eu nunca tinha visto Robert usando a bebida como via de escape. Carl e eu estávamos preocupados desde o dia em que Kate fora embora.
- Dane-se.
Quando eles começaram a sair juntos, Kate foi como uma erva milagrosa. Ele tinha parado de beber, nunca mais tinha tocado nos cigarros do Stephen e nem palavrões mais se ouvia. E agora eu tinha medo do que ele se tornaria. Cadê a porra da erva quando mais precisamos?
Quando entramos no Midnight, Robert sentou no bar. Achei que seria seguro deixá-lo ali por alguns minutos para fazer uma ligação. Me tranquei no banheiro e Carl atendeu no quinto toque.
- O que foi? Aconteceu alguma coisa com ele?
- Ele está bêbado. - suspirei. Nós três não éramos amigos há muito tempo, mas desde que começamos a andar juntos, era como se fôssemos irmãos.
- Eu sabia que ia dar merda sair com ele desse jeito. Devia tê-lo amarrado no pé da mesa.
- Devia ter você aqui para isso. Onde você está?
- Meggie está sozinha em casa. Não posso deixar ela.
- Traga-a até aqui. - assim que sugeri, me arrependi. Carl era o primo coruja mais chato do planeta.
- Em uma boate? Ela só tem dezesseis anos... Aliás, nem se tivesse trinta eu ia deixar!
- Então não reclama que eu não estou controlando ele direito. - resmunguei. - Deixa eu usar o banheiro e voltar logo para aquele doido antes que ele faça alguma idiotice.
Quando saí do banheiro, percebi que ele me procurava entre a multidão.
- Vamos embora, Brodie. - ele estava quase implorando. - Por favor.
Uma garota se aproximou de nós e olhou para ele como se quisesse devorá-lo, no mau sentido da coisa.
- Desculpe. - Robert pediu olhando para ela.
- Acha que eu tenho cara de presa fácil? - ela retorquiu. - Suma da minha frente, idiota.
E foi o que fizemos. Praticamente saímos correndo da garota e da amiga dela. Já fora do Midnight, ainda nem era oito horas da noite!, paramos para respirar e ele me contou que estava tão alto, que vira Kate naquela garota e a beijara somente por isso. O problema era que a perseguidora lunática tinha nos seguido e escutou toda a explicação do bobo apaixonado que era meu amigo.
Claro que ela não gostou nem um pouco e disse algo sobre provar a ele que ela era melhor que qualquer outra garota. "Provar como?", vocês me perguntam. Eu digo: ela o agarrou no meio da calçada e o empurrou contra a parede do clube. A surpresa de Robert foi tanta, que ele sequer protestou.
Pobre homem.
{K_POV}
Logo depois da entrevista com o Sr. Pennington, nós duas caímos na estrada que nos levava à Forks. Durante as três horas de viagem, eu fiquei em absoluto silêncio, apenas ouvindo a música baixinha. Era a quinta vez que eu repetia How to Dismantle an Atomic Bomb e Cassie já devia estar injuriada com a oitava vez que eu colocava A man and a woman para tocar. Era uma das músicas preferidas da banda favorita de Robert, eu tinha que dizer mais?
- É uma música bonita, mas dá para parar de repetí-la?
- Só mais uma vez, por favor. - fiz minha melhor carinha e ela cedeu.
Logo, a potente e clara voz do Bono enchia nossos ouvidos e eu voltava a escorar a testa contra a janela gelada.
Você pode correr do amor e se for realmente amor, ele o encontrará
Vai agarrá-lo pelo calcanhar
Mas você não pode ser indiferente ao amor
A única dor é não sentir nada
Fechei os olhos e suspirei pela milésima vez. Me sentia como o Burro, do Shrek, querendo perguntar a cada segundo se já tínhamos chegado. Aquela estrada nunca me parecera tão longa como agora.
- Uau. Como você conseguiu morar nesse lugar por tanto tempo? - Cassie riu. - Acho que eu teria enlouquecido.
Ela nascera em Denver, a maior cidade do Colorado. Lá era o oposto de Forks: relativamente quente o ano todo, grande e com toda a agitação de cidade grande que o meu buraco verde e úmido não tinha. Por outro lado, eu tinha nascido em Washington DC. e não conseguia me imaginar morando lá novamente - eu malditamente aprendera a gostar de Forks.
Paramos em frente à modesta casa da minha mãe. Tecnicamente, eu ainda morava ali, mas não conseguia classificá-la como minha. Eu tinha passado longos meses fora e me sentia como uma mera visitante ou uma intrusa. Toquei a campainha, mas não ouvi os latidos fortes do meu labrador, nem os impropérios de John ou minha mãe gritando que já estaria abrindo a porta. Onde estava todo mundo?
- Kate?
Virei e encontrei com o senhor Faust, o homem que tinha colocado o cachorro para correr atrás de Robert quando o garoto entupiu sua casa com papel higiênico.
- Oi. Sabe onde está todo mundo?
- Você não deveria chegar apenas amanhã à tarde? - ele ignorou minha pergunta.
- Sim, mas eu decidi fazer uma surpresa. - sorri sem graça. Por que diabos eu tinha deixado minha cópia da chave para trás?
Ele se aproximou um pouco mais e alisou a barba.
- Jonathan não mora mais aí. - conforme ele ia me explicando que meu irmãozinho estava morando sozinho com sua própria família, eu senti os olhos lacrimejarem; eu nem estava perto para presenciar essa mudança. - Sua mãe decidiu ficar até mais tarde no trabalho para que ela e o Sr. Black conseguissem tirar o dia inteiro de folga amanhã, véspera de Natal.
- Onde está Barry? Ela o deixou com você? - era bem comum mamãe deixá-lo com o Sr. Faust ou a Sra. Jenks.
- Não, o menino Black veio buscá-lo essa manhã, como tem feito desde que você foi estudar fora. O cachorro se sentia muito solitário, então o pirralho vinha pegá-lo para andar com ele no parque ou apenas passar o dia na mansão dos Cullen.
Outra notícia que me atingiu como uma bomba. Ele nunca tinha estado longe.
- Obrigada, sr. Faust.
Voltei para o carro e expliquei para Cassie o motivo das lágrimas. Para aliviar o clima um pouco, ela pediu que eu a guiasse pela cidade. Mesmo estando frio demais para o meu gosto, insisti em bancar a guia apenas se fôssemos caminhar - não era como se Forks fosse grande o bastante para impossibilitar a caminhada.
- Vocês não vão a um hipermercado ou coisa assim? - ela perguntou chocada.
- Tem a Thriftway. - dei de ombros enquanto apontava para o estabelecimento de tamanho médio. - Esse é nosso hipermercado, serve?
- Deus, não. - ela riu e depois olhou um cartaz. - Olha, tem uma espécie de boate aqui perto.
Boate? Em Forks? Era brincadeira?
- Vamos lá? - seus olhos brilharam e a boca se abriu num largo sorriso, mostrando todo o seu aparelho colorido.
- Você nem sabe dançar. - rolei os olhos. - Nerds Padawans só sabem estudar e discutir o profundo significado da vida e a dimensão do Universo.
- Tem noção do quanto você é chata? - ela perguntou com outro sorriso e me abraçou apertado. - Se você não for comigo, eu vou começar um monólogo sobre a Liberdade de Expressão ou a Liberdade de Imprensa, um tema que vou abordar no meu próximo trabalho da professora Kane. E então? O que você prefere?
- A forca. - resmunguei baixinho.
Ver mamãe novamente foi estranho. Era como se estivéssemos separadas por longos anos. A totalidade da saudade não tinha me atingido até então, acho que porque eu estava com a mente focada apenas na saudade que Robert causava em mim, que não tinha me dado tempo de sentir aquele vazio que minha mãe me causara. Nós choramos, rimos, nos abraçamos e pulamos ao mesmo tempo. Era tão reconfortante ouvir seus gritinhos eufóricos e perceber aquela alegria quase tangível; parecia que ela ia pular a qualquer instante e alcançar o teto com as pontas dos dedos.
De algum modo - e com muita persistência -, consegui convencer Cassie de que eu estava me sentindo exausta da viagem e não estava muito bem. Ela decidiu ir sozinha até o tal Midnight, mas pediu que eu a deixasse na porta, uma vez que estava muito frio para andar no vento noturno. Concordei com isso, mesmo reclamando.
Ao parar em frente ao estabelecimento bem comportado, desci para abrir a porta de Cassie. Por algum motivo, a porcaria da porta só abria pelo lado de fora. Avisei que iria buscá-la às nove.
- Ficou doida? - ela protestou. - Faltam apenas dez minutos para as oito horas. Se vier me buscar em apenas uma hora eu não vou aproveitar nada!
- Mas você vai ficar sozinha aí dentro por quanto tempo?
- Eu tenho uma grande capacidade para iniciar uma conversa com espécimes do sexo oposto. - ela acionou seu 'modo nerd' ao falar. - Não vou ficar sozinha por muito tempo, minha cara.
Que seja. Eu não estava mais ouvindo nada do que ela dizia porque meu foco estava preso em uma cena surreal e tão dolorosa como milhares de agulhas ferroando meu corpo inteiro. Por favor, alguém me diga que aquilo é fruto da minha mente que me auto impunha torturas nos momentos menos propícios.
- Kate...? - Cassie agitou os braços na frente dos meus olhos. - Kate!
Esse grito chamou a atenção do rapaz alto que também observava a cena. Só quando ele virou de olhos arregalados que eu reconheci Nathan.
O casalzinho que estava armando a maior cena em frente a clube se soltou. As bocas vermelhas e inchadas pelos beijos. Robert tirou as mãos que estavam dentro dos bolsos do casaco - por que elas não estavam em torno da vadia que ele estava beijando?
- Kate, aquele é...? - a pergunta da minha amiga morreu na garganta quando os olhos verdes de Robert encontraram os meus.
Ele virou para Nathan como se nem tivesse me visto.
- Vamos embora, eu já estou vendo tudo duplicado. - sua voz parecia um pouco mais arrastada. Meu choque era tanto que eu sequer conseguia me mover ou sequer chorar para expulsar a dor no peito. - Estou te falando, cara, estou vendo ela de novo bem ali.
Ele apontou na minha direção e Nathan corria os olhos entre o amigo e eu, sem saber o que dizer.
- Acho... Acho que é porque ela está bem ali.
- Não. - ele teimou como uma criança pirracenta. - É só mais uma louca. Não quero chegar perto dela.
Eu não estava entendendo porcaria nenhuma, mas ouvir ele se referir a mim como "só mais uma", fez com que a raiva e o ciúme queimassem e se alastrassem pelo meu corpo, me impulsionado em frente. Bati com os punhos fechados no meio do peito dele, que cambaleou para trás, mas não impediu os murros que eu desferia. Eu chorava e o esmurrava, excomungando até a vigésima geração daquele bastardo.
- Como você ousa...? - rosnei, acertando-lhe mais um murro, quase o imprensando na mesma parede em que ele esteve aos beijos com a menina. - Você aparece no meu campus e me faz acreditar que eu era importante para você e...
- Ei, pare de me bater! - ele agarrou meus pulsos e me fulminou com o olhar escurecido pela raiva. - Como eu ouso? Como você ousa vir tirar satisfações depois de tantos meses? Você me largou nesse maldito lugar esquecido por Deus! Você tomou uma decisão por nós dois! Você não me deu uma chance de pensar em uma saída para os problemas... Você não quis cogitar outra possibilidade! Você foi embora e não olhou para trás, você não se deu o trabalho de dizer que estava deixando o trouxa aqui para sofrer de amor por uma pessoa em que ele tinha aprendido a depositar toda a porra da confiança que lhe restara!
Atada pelos pulsos, tudo o que eu fazia era chorar enquanto cada palavra parecia ser chicoteada contra o meu rosto. Sua fúria era fundamentada; ele tinha toda a razão de dizer tudo aquilo, mas a amargura na voz era como um soco na boca do meu estômago. Agora ele tremia e apertava meus pulsos com tanto ódio que eu comecei a ficar assustada. Sua voz se tornou um sussurro, mas não deixou de ser menos frígida ou assustadora.
- Faça um favor a nós dois e nunca mais me dirija a palavra, pode ser? - seu rosto se abaixou na altura do meu e eu vi que doía nele dizer isso. - Eu tentei, Wellington, eu juro que tentei te esperar, mas eu não posso continuar fingindo que nada aconteceu. Eu sei que era o seu sonho, mas você podia ter tido um pouco mais de consideração e ter me avisado... Nós poderíamos ter arrumado uma solução. Eu confiei à você toda a vida da minha família, todos os meus segredos. Eu sempre fui transparente com você... Pela primeira vez eu deixei que alguém me conhecesse sem a droga da armadura e esse alguém me decepcionou. Sinto muito, não posso mais com isso.
Dizendo isso, ele me soltou, mas não se moveu. Continuamos ali, com o peito dele muito próximo do meu rosto. Apesar do claro cheiro do álcool, eu ainda conseguia sentir o cheiro da colônia típica que exalava dele.
Pelos céus, como eu pude me afastar dele?
{R_POV}
Por que, meu Deus? Por que ela teve que aparecer justo no meu maior momento de fraqueza?
Eu não tinha correspondido o beijo da maluca que não era a Kate, nem sequer senti o gosto daquilo. Tudo o que eu conseguia pensar era em como meus pais ficariam se descobrissem que eu tinha bebido além da conta e se eu ficaria sem meu carro como castigo. Será que minha mãe me trancaria numa biblioteca novamente?
- Vamos embora, eu já estou vendo tudo duplicado. Estou te falando, cara, estou vendo ela de novo bem ali. - de fato, eu via uma Cassie e uma Kate com olhos arregalados e expressões de choque. O que a Padawan estava fazendo nos meus delírios?
- Acho... Acho que é porque ela está bem ali. - Nathan, meu amigo, não me diga que você também excedeu sua cota de álcool. Alguém tem que dirigir. Irresponsável.
- Não. É só mais uma louca. Não quero chegar perto dela.
Nisso eu estava certo, ela era louca. Fui empurrado para trás quando ela se jogou com toda a força contra mim e senti seus socos no tórax. Mas aquele cheiro, aquela voz e aquele discurso raivoso não me enganaram mais.
Espera aí. Agora era minha culpa? Nem pense nisso, baby.
Carl sempre me dizia que eu era um dos poucos que ele "gostava" de ver bêbado. Ele dizia que eu era cem por cento sincero, mesmo que para isso eu acabasse sendo um ogro. E agora eu concordo com ele, pois eu disse coisas que jurei guardar para mim mesmo caso um dia ela voltasse para mim - afinal de contas, passado é passado, não é? Mas no calor da discussão, eu vomitei toda a injúria, mágoa, infelicidade e rancor que ficara em mim. Sabia que estava apertando seus pulsos com mais firmeza que o necessário, mas a parte doentia em mim buscava esse mísero contato para contradizer meu pedido de nunca mais vê-la.
Quando a soltei, ficamos ali parados. Sua cabeça a poucos centímetros de se encaixar no vão entre o meu queixo e o meu peito - o lugar onde ela costumava se encaixar quando nos abraçávamos. Peguei uma mecha de cabelo que estava apoiada em seu ombro e brinquei com ela, escorregando-a entre os meus dedos. Por que não consigo manter minhas mãos longe dela? Saco.
E você é a única, não há mais ninguém
Você faz com que eu queira me perder
Na distância misteriosa entre um homem e uma mulher
Aquela distância em que nos encontrávamos estava me matando, figurativamente falando. A respiração errática de Kate batia contra o meu corpo e me fazia arrepiar, apesar do enorme casaco que eu vestia. Por favor, vá embora. Você não tem que me ver nesse estado vergonhoso... Vá, mas volte.
E pensei "aquela é a pessoa certa para mim"
Mas ela já era minha... Você já era minha
- Olha para mim. - ela disse com uma firmeza fingida.
Ao abaixar meu olhar para o dela, eu soube que estava irremediavelmente perdido. Notei as grossas lágrimas escorrendo pelas bochechas e enfiei as mãos nos bolsos do casaco para não tocar nelas.
- Quando eu te dei as costas no aeroporto... Eu abri mão de uma das coisas mais importantes para mim. - sua voz embargada me acertou em cheio. - Foi a pior burrada que eu já cometi; pior até do que pedir o algodão doce para o meu pai... Eu, e-eu não posso abrir mão nova-novamente.
Irmãzinha,
Eu tenho dormido nas ruas novamente como um cão perdido
Tenho tentado me sentir completo novamente
Mas você se foi, assim como Deus
Sim, mas eu a deixaria insistir em nós? Eu conseguiria me deixar levar e pularia de cabeça nesse turbilhão confuso novamente? Ela cumpriria aquele raio de promessa?
A alma precisa da beleza para uma alma gêmea
Quando a alma quer... a alma espera
Só Deus sabia o quanto eu era masoquista. Eu me renderia a qualquer instante e, se ela continuasse ali, tão próxima de mim, eu não conseguiria me conter. Se ela estava ali novamente, eu precisava dar-lhe motivos para ficar; era egoísta o bastante para não me preocupar mais com seus sonhos. Se eu a tinha mais uma vez, não a deixaria escapar com tanta facilidade.
- Boa noite, Kate. - beijei sua testa e me obriguei a parar por aí.
Como um mantra, eu repeti para mim mesmo "preciso me afastar para pensar normalmente" e "preciso de uma boa noite de sono". Era a única forma de mover meu corpo para longe dela.
Para o amor e a fé, o sexo e o medo
E todas as coisas que nos mantêm aqui
Na misteriosa distância entre um homem e uma mulher
Não demorou muito e eu senti pequenos braços envolverem minha cintura num aperto forte. Kate esmagou seu corpo contra as minhas costas e soltou um soluço. Não, eu não podia ficar para vê-la chorar, uma vez que apenas umas lágrimas já faziam minhas resoluções de me manter afastado se dissolverem no ácido que revirava no meu estômago.
Como posso me magoar se estou te abraçando?
* De acordo com o Censo Norte Americano no ano de 2010. A região metropolitana de Seattle tem mais de 4 milhões de habitantes.
** A Man and a Woman - U2 (CD: How to Dismantle an Atomic Bomb)
Uau. Eu amo essa música do U2 e fiquei desde o começo da fic tentando encaixá-la \õ/
PARTE I - COMPLETA.
~ Primeiro: 400 reviews? Sério? Ai, que lindo (vou chorar, verdade lol). Obrigada pelo carinho de sempre, vocês são lindas.
~ Segundo: Cortei o capítulo em duas partes para não ficar nem muito grande e nem muito confuso, então a segunda parte vem depois de amanhã, atualizem a fic depois das 20h que o capítulo vai estar upado.
~ Terceiro (eu sei que falo bagarai, me perdoem): Acabou o dramalhão mexicano! Êêê! (:
Beijos e até quarta-feira! ;*
