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FEITICEIROS
Por Kath Klein
Colaboração: Yoruki Hiiragizawa
Revisão: Rô Marques e Yoruki Hiiragizawa
Capítulo 43
Pode até parecer loucura
Syaoran chegou à empresa, registrou sua entrada e seguiu em direção à mesa que tinham separado para ele trabalhar no ambiente aberto.
'Boa tarde.' Ele cumprimentou Kurogane quando passou pela mesa dele.
Kurogane tirou os olhos do computador e fitou o chinês com a testa franzida. Ele cumprimentou, alegremente, os outros colegas que estavam por perto e sentou em frente ao computador ainda sorrindo para o nada. Estreitou os olhos no rapaz. Tinha alguma coisa errada. Alguma coisa muito errada.
'Hei, Li-san. Você sabe que aqui temos uma política de controle de álcool e drogas, né?'
O chinês rodou na cadeira e encarou o rapaz ainda sorrindo. 'Sem problema. Eu não bebo. Faz mal para saúde.' Ele respondeu. 'E também não uso outras coisas, não.' Arregalou os olhos de leve, pensando que ele devia estar se referindo a saída súbita dele da Torre de Tókio. 'Ah! Gostaria de me desculpar por sábado.'
Kurogane concordou com a cabeça, ainda o olhando desconfiado. 'Sem problema. Seu primo explicou que você não é muito chegado naquele tipo de programação.'
'É verdade. Mesmo assim, devo me desculpar com Tomo… quer dizer, com sua noiva, não?' Ele riu. 'Ela é sua noiva agora.' Pensou em voz alta.
Era um pouco estranho pensar nisso, pois, quando voltara para aquele inferno, Kurogane e Tomoyo tinham recém começado o namoro e agora estavam prestes a se casar. O amigo havia enfrentado uma árdua jornada até conquistar a difícil morena, principalmente, quando ela se encontrava balançada com a presença de Hiiraguizawa.
Franziu a testa de leve ao lembrar-se do inglês. Ele devia estar em Londres. Será que também tinha sido afetado como os outros? Seria interessante entrar em contato com a reencarnação do Mago Clow.
'Sim… ela é minha noiva.' Kurogane falou devagar ainda sem tirar os olhos do chinês.
'Eu acabei de me casar!' Syaoran falou, de repente, alargando o sorriso. 'Tenho que ver como vou acertar as coisas com o RH. Acho que não preciso esperar o parecer do consulado.'
'V-Você se casou?' Kurogane perguntou em tom de urgência. 'Agora?' Ele não sabia se ficava mais surpreso pela súbita língua solta do rapaz ou pelo conteúdo da conversa.
Tudo bem que estava quase escrito na testa do chinês que ele andou se divertindo, e muito, no final de semana, para chegar na segunda-feira com aquele sorriso na cara sem conseguir fechá-lo, mas se casar?
'Sim, pela manhã. Por isso estou chegando agora. Preciso falar com meu primo. Sabe onde ele está?'
Kurogane ainda ficou um tempo olhando para o rapaz a sua frente. 'Acho que está numa reunião com Daidouji-sama.'
'Ótimo.' Falou, batendo as mãos de leve na mesa e olhando para o computador.
O primo, dali a pouco, procuraria por ele para conversarem, então era melhor pensar em coisas práticas agora. Queria também sair no horário.
'Li-san.' Kurogane o chamou e o chinês novamente girou a cadeira. 'Está realmente tudo bem com você?'
'Melhor, impossível.' Respondeu sorrindo e depois voltou-se para o computador onde começaria a ver a papelada para pedir permanência no Japão. Se trabalharia ali ou não, bem... isso era outra história.
'E se casou com quem?' Kurogane não conseguiu segurar a língua de curiosidade. Queria saber quem fora a garota que tinha feito o rapaz sério e fechado perder a cabeça daquela maneira para aparecer casado do nada.
Li voltou a fitá-lo e ergueu uma sobrancelha, perguntando-se se falaria ou não. Ele, provavelmente, pensaria que era louco, mas, mais cedo ou mais tarde, Kurogane descobriria. Sakura e Tomoyo eram primas, afinal de contas. Bem, ele não tinha nada a esconder de ninguém e, por mais louco que pudesse parecer, pelo governo japonês, estava realmente casado com Sakura agora. Dentro da sua pasta estava o documento assinado pelos dois e carimbado pela prefeitura.
Respirou fundo e inclinou a cadeira para trás, fitando o rapaz que o olhava mal conseguindo conter a curiosidade. Realmente Kurogane não tinha mudado em nada, mesmo desmemoriado.
'Com Sakura Kinomoto.' Respondeu por fim e, como previra, viu o queixo do amigo cair no chão, sem conseguir disfarçar a surpresa. 'Na verdade, ela adotou o meu sobrenome, então, é Sakura Li agora.'
'A prima de Tomoyo?' Ele perguntou só para ter certeza que estavam falando da mesma pessoa. 'Que você encontrou no sábado, na Torre?'
'Ela mesma.' Ele confirmou.
'Certo.' Kurogane falou, ainda olhando para o rapaz que sorria satisfeito. Franziu a testa e voltou a olhar para o computador ainda em estado catatônico.
Conhecia Sakura há três anos e Tomoyo falava nela quase o tempo todo. Ela nunca sequer apareceu com um namorado. Achava até estranho uma moça tão bonita simplesmente estar sempre sozinha. Alguns amigos já tinham até comentado sobre a jovem e pedido para Kurogane apresentá-la a eles. O que tinha acontecido realmente com aqueles dois?
Voltou-se para Li, de repente. 'Huh… então, você a conheceu no sábado, lá na Torre de Tókio. Saiu correndo, ela saiu correndo logo em seguida e agora, dois dias depois, você me conta que se casou com ela?' Perguntou, olhando desconfiado para o chinês.
'Ela é a mulher da minha vida.' Syaoran falou em tom teatral.
'Claro…' Kurogane sussurrou, olhando desconfiado para o chinês. 'Você é bem rápido em suas decisões.'
'Não é bom perder tempo com essas coisas.' Ele rebateu.
'Certo… Acho que devo lhe dar os parabéns, não?'
'Ah! Sim. Muito obrigado.' Agradeceu. 'Logo será você quem se casará, não?'
'É… Só que eu sou um pouco menos impulsivo.' Falou devagar.
'Impulsivo… talvez.' Ele falou, balançando a cadeira de leve, antes de se voltar para o próprio computador.
Kurogane voltou novamente a tentar prestar atenção no que estava fazendo, mas, volta e meia, olhava de esguelha para o chinês que mal conseguia fechar o sorriso.
Hyo Ling apareceu logo em seguida e franziu a testa, observando o primo. Foi até ele e bateu de leve no ombro do rapaz, falando em mandarim para eles conversarem em um lugar privado.
Syaoran já viu que, pela cara do primo, teria problemas.
Assim que os dois entraram numa das salas de reunião, Hyo Ling fechou a porta, encarando o primo com cara de poucos amigos. 'O que está acontecendo com você?'
'Vou ficar no Japão.' Syaoran declarou sério, indo direto ao ponto. Teria que ser firme agora, pois já sabia como todos da família reagiriam.
'Ficar no Japão? Como assim? Você vai ficar alguns meses até entender a dinâmica da empresa.'
'Não. Vou ficar permanentemente no Japão.' Ele repetiu. 'Vou morar aqui em Tomoeda. Não volto para Hong Kong.'
'O quê?!' Hyo Ling quase gritou. Não sabia se começava a rir da piada sem graça do primo ou se dava um soco nele por aquela atitude de moleque.
Syaoran respirou fundo e cruzou os braços sobre o peito. 'Eu vou morar no Japão.' Repetiu. 'Agora, se continuarei trabalhando aqui ou fazendo parte do Clã, eu já não sei.'
Hyo Ling estreitou os olhos no rapaz. 'Você está falando que vai abandonar o clã?'
'Se for preciso, vou. Não tenho problema nenhum com isso.'
'Você está ficando maluco?! Perdeu completamente o juízo? Que droga aquela vadia deu para você…'
'Hei, hei!' Syaoran interrompeu o primo, dando um passo em sua direção com um olhar de fúria que fez Hyo Ling se calar. 'Cuidado com o que você vai falar ou eu esqueço que você é meu primo.'
'Quem era a mulher que estava com você no sábado e que virou sua cabeça desta maneira?'
'Eu me casei com ela hoje.' Ele falou sério. 'Então cuidado com o que você vai falar da minha mulher.'
'Casou?!' Hyo Ling agora gritava. 'Como assim você se casou?!'
'Estou falando sério, Hyo Ling. Não volto mais para Hong Kong. Vou ficar aqui em Tomoeda. Já entrei com toda a papelada para acertar as coisas. Estou contando para você apenas para que fique ciente e decida se eu continuo trabalhando aqui ou se eu começo a procurar outro emprego.'
Hyo Ling olhou para o primo sem saber direito o que falar. Caminhou pela sala, balançando a cabeça de leve e, por alguns segundos, pensou que estivesse num pesadelo. Olhou novamente para Syaoran que aguardava sua resposta. Colocou a mão no rosto, pensando na confusão que isso causaria no clã. Yelan arrancaria o seu fígado.
'Você está falando sério, Xiao Lang? Não é brincadeira sua?' Não teve como não perguntar mais uma vez, na esperança do primo abrir um sorriso e dizer que tudo não passava de uma brincadeira. Fechou os olhos, trincando os dentes quando viu o primo confirmar que era sério. 'Sua mãe… Ela vai me matar.' Falou por fim.
'Minha mãe vai ter que aceitar. E, também, se ela não aceitar…' Ele deu de ombros. 'Não posso fazer muita coisa.'
'Eu vou ver como as coisas vão ficar.' Hyo Ling falou, sentindo-se um pouco desorientado. 'Acho… Acho que seria melhor você falar com ela sobre isso.'
Syaoran meneou a cabeça. 'Pode ser. Vou ligar para ela e avisar. Estou pretendendo ir à China no final do mês para buscar uma coisa. Já vou aproveitar e apresentar Sakura a ela.'
'Sakura?' Ele repetiu, finalmente sabendo o nome da esposa do primo.
Syaoran sorriu. 'Sim. Sakura.'
Hyo Ling franziu a testa, lembrando de um detalhe. Sakura não era o nome da... 'Peraí, onde você a conheceu…? No sábado, você… o que realmente aconteceu? Kurogane mencionou que você e a prima da noiva dele se conheceram e…'
'Ela mesma. Eu me casei com ela.' Ele confirmou.
Hyo Ling ficou um tempo olhando para o primo desconfiado. 'Você conheceu uma moça no sábado, que é sobrinha da dona da empresa com que nós estamos fazendo uma fusão, levou-a para o seu quarto para… Eu não quero nem saber o que vocês dois fizeram e se casou com ela na segunda de manhã antes de vir para o trabalho... Foi isso mesmo que você fez?'
'Na verdade, a Sra. Daidouji era prima da mãe de Sakura… Ela não é realmente sobrinha da…' Interrompeu-se, vendo Hyo Ling encará-lo como quem pergunta se aquilo tem realmente importância. Syaoran respirou fundo. 'Acho que, de forma objetiva… Foi isso mesmo o que aconteceu.' Pelo menos naquela existência deles.
Hyo Ling abriu a boca umas duas ou três vezes, pensando no que falaria para o primo que continuava a fitá-lo em silêncio.
'Eu preciso de uma aspirina.' Hyo Ling falou, por fim, com a mão na cabeça.
Syaoran rodou os olhos. 'Olha... não vou pedir para você entender porque sei que é complicado. Mas eu precisava lhe contar para que ficasse ciente da situação agora. Eu não volto para o Clã. Não tem a menor possibilidade de eu assumir o cargo de patriarca da família, pois será inaceitável para aqueles velhos que o patriarca esteja casado com uma estrangeira. E, vamos ser honestos, eu também nunca quis esta posição. Eu vou esclarecer as coisas com a minha mãe quando ligar para ela, mas tenho consciência que a batata quente vai ficar nas suas mãos. Então… o que você decidir sobre eu continuar trabalhando aqui ou não, estará bom para mim.' Ele falou, encerrando a conversa. Olhou para o primo que o encarava ainda sem saber o que fazer. Caminhou até a porta e segurou a maçaneta, reteve-se e voltou a olhar para o primo. 'Boa sorte com os velhos. Eu… estou caindo fora.' Falou e saiu pela porta, fechando-a em seguida.
Sakura olhava para a prima que dirigia o carro e falava das questões do casamento. Estava acompanhando Tomoyo para resolverem alguns últimos detalhes do casamento. Hoje não teria nenhuma atividade na escola, pois estavam nas férias escolares e, apesar de estar encarregada de acompanhar os treinos das animadoras de torcida, apenas precisava comparecer à escola duas vezes por semana. Em breve também teria que ajudar os professores titulares das turmas durante o Festival do Cravo deste ano, mas por enquanto tinha um descanso.
Sorriu, lembrando-se agora do que havia acontecido com ela e Syaoran logo depois de um festival daqueles. Franziu a testa, pensando em Khala'a. O que teria acontecido com ela? Será que havia permanecido no mundo das trevas? Achava injusto se sentir tão feliz agora, ao reencontrar Syaoran, se Khala'a tivesse permanecido naquele inferno.
Tinha também que pegar as cartas. Estava com saudades delas. Syaoran havia dito que encontrara Tao na China há dois meses, então, provavelmente, teria que viajar até lá para buscá-las.
Suspirou, pensando que o namorado… Quer dizer, o marido com certeza a acompanharia dessa vez e que ele trocaria farpas com o xamã como se fossem irmãos se implicando. Sorriu, pensando que agora ele era o seu marido. Marido!
'Sakura-chan, está tudo bem?' Tomoyo chamou sua atenção. Haviam parado em um sinal fechado.
A ruiva balançou a cabeça de leve e voltou-se para a prima. 'Sim.'
Tomoyo franziu a testa de leve. 'Estou falando há meia hora e você não disse nada.'
'Estou escutando você…' Ela suspirou, não gostava de mentir. 'Na verdade, estava pensando em algumas coisas que eu preciso resolver.'
'Coisas boas pelo jeito, pois nunca a vi sorrindo tanto.'
'Sorrindo?'
'Sim… você parece que está iluminada. Nunca a vi sorrindo desta maneira.' Tomoyo fez a observação e Sakura sorriu novamente.
Sakura observou o rosto da prima que, logo, foi obrigada a voltar a atenção ao trânsito. Pensou no que ela tinha dito. Realmente era fácil sorrir agora. Estava tão feliz que parecia que seu peito explodiria de felicidade. Mesmo durante estes dois anos de sua vida em que não existia magia e que ela viveu como uma jovem normal, com memórias de ter levado uma infância e adolescência normais, nunca havia sentido tanta felicidade quanto estando com Syaoran.
Sorriu novamente, mal conseguindo se controlar ao pensar que, apesar de tudo, com magia, com caos, com malucos, demônios, anjos, xamãs, daquela loucura toda que viveu, estar ao lado dele era, simplesmente, sua maior felicidade.
'Ah, droga!' Tomoyo praguejou. 'Tenho que pegar as alianças.' A morena observou, batendo de leve na testa. 'Quase que eu esqueço disso. Okaasan mandou fazer com uma designer amiga dela.' A morena falou e soltou um suspiro cansada.
Sakura olhou para a amiga e notou como ela estava exausta, cansada, estressada com tudo aquilo. Tomoyo mal conseguia aproveitar o momento, só ficava pensando no menu, nos doces, bebidas, músicos, cerimônia, detalhes e mais detalhes que, no fundo, estavam deixando a prima à beira de um ataque de nervos.
Ponderou que realmente não teria paciência para aquilo. No final, assinou os documentos com Syaoran pela manhã, depois foi com ele até o consulado chinês, onde ele deu entrada na documentação para validar o casamento deles na China e almoçaram juntos num restaurante em que ele fez questão de levá-la.
Verdade que eles gostariam de passar o resto da tarde aproveitando as núpcias, mas ele tinha que trabalhar e falar com Hyo Ling e ela já tinha prometido para a prima que a acompanharia nestes últimos detalhes do casamento. À noite eles comemorariam, pensou sorrindo novamente.
Tomoyo estacionou o carro e respirou fundo. 'Eu não vou aguentar essa pressão toda.' Ela soltou.
'Tomoyo-chan, tente relaxar mais. Curta o momento. É o seu casamento; não é o casamento da sua mãe ou dos convidados.'
A morena olhou para a prima e concordou com a cabeça. 'É que eu queria que tudo fosse perfeito.'
Sakura sorriu. 'O que importa será a convivência com o seu marido. A festa, cerimônia, essas coisas… duram sei lá, três ou quatro horas. Você e Kurogane-kun viverão juntos para sempre. Ele precisa fazê-la muito feliz, senão vai se ver comigo.' Ela falou com o rosto sério.
Tomoyo concordou com ela, sorrindo suavemente. 'Sabe… Eu realmente não sei de onde você tira tanta sabedoria.'
Sakura sorriu, abrindo a porta do carro para descer. Tomoyo saiu logo em seguida, trancando-o e caminhando em direção a joalheira para buscar as alianças.
As duas entraram e a morena foi logo solicitando as alianças para a vendedora que a atendeu.
Sakura inclinou a cabeça, observando os anéis expostos no balcão principal e franziu a testa. Aquele detalhe de alianças também tinha passado despercebido por ela, e duvidava que Syaoran tivesse pensado nisto. O rapaz estava preocupado em resolver a parte legal o quanto antes. Aqueles detalhes simbólicos tinham sido esquecidos por ambos.
Pensou que gostaria de usar uma aliança. Olhou para a mão esquerda e pensou que seria bom carregar algo visível para simbolizar a sua união com o homem que amava. Enquanto ouvia Tomoyo conversando com uma das vendedoras, chamou outra, querendo ver os preços e os modelos das que estavam balcão.
Experimentou algumas, perguntando os preços. Sorria, respondendo algumas perguntas da vendedora sobre sua preferência e a de seu noivo quanto à liga, pedras, modelo.
'Seria algo simples.' A ruiva falou, pensativa. 'Talvez em ouro branco.'
'Os homens realmente preferem as de ouro branco por serem mais discretas.' A vendedora comentou.
'Sim. Syaoran não gostaria de nada muito chamativo.' Murmurou experimentando um dos modelos.
Tomoyo parou de falar com a vendedora e virou-se, observando a prima experimentar as alianças e conversar com a vendedora. Franziu a testa sem entender o que estava acontecendo.
'Sakura-chan.' Tomoyo a chamou, fazendo a ruiva voltar-se para ela. 'O que você está fazendo?'
Sakura mordeu de leve o lábio inferior olhando para a prima. Tentara abordar o assunto várias vezes durante aquela tarde, mas não sabia bem o que dizer. Não tinha como explicar a situação sem que parecesse loucura. Talvez fosse melhor simplesmente falar de uma vez. Respirou fundo.
'Eu me casei hoje cedo.' Ela falou, encolhendo levemente os ombros.
'Casou?' Tomoyo perguntou, estreitando os olhos nela. 'Como assim se casou?'
'Casando.' Sakura falou. 'Assinamos os papéis agora de manhã.' Ela sorriu. 'Sou uma mulher casada.'
Tomoyo levantou as mãos, balançando-as a frente do rosto. 'Casou? Você nunca teve um namorado na vida e agora, do nada, fala que se casou de manhã. Com quem?'
Sakura novamente mordeu de leve o lábio inferior. Bem, era melhor falar tudo de uma vez. 'Com Syaoran Li.'
'Li?!' Tomoyo gritou, chamando a atenção das atendentes da joalheria. Aproximou-se mais de Sakura e abaixou a voz. 'Como assim você casou com ele? Você o conheceu no sábado! Ele foi embora correndo e você foi embora logo depois…' Ela arregalou os olhos de leve. 'Vocês saíram juntos?'
Sakura desviou os olhos da prima e ficou com o rosto corado, fazendo Tomoyo quase gritar.
'Eu não acredito! Eu não acredito!' Tomoyo repetiu. 'Você enlouqueceu? Como é que você conhece um cara no sábado, desaparece, porque eu liguei a tarde inteira e você não me atendeu, e agora me fala que se casou com ele, na segunda-feira pela manhã?'
Sakura encolheu os ombros. 'Amor à primeira vista.'
Tomoyo a olhava abismada.
Uma das vendedoras se aproximou. 'Senhorita, gostaria de um copo de água? Está pálida.' Ofereceu para Tomoyo preocupada.
'Acho que ela gostaria, sim.' Sakura respondeu pela prima, sorrindo agradecida para a vendedora.
Tomoyo parou o carro em frente a casa da prima.
'Foi ótima a tarde.' Sakura falou, abrindo a porta. 'Tenho certeza que tudo ficará lindo até o casamento. Agora, tente relaxar um pouco e aproveitar o período, sim?' Completou, fazendo menção de sair.
'Eu vou com você.' A morena falou, abrindo a porta do carro e fazendo a ruiva arregalar os olhos.
'Como assim? Vai comigo aonde?' Sakura falou, saindo do carro enquanto a morena pegava o telefone.
Tomoyo ergueu a mão a sua frente pedindo para a prima esperar enquanto ela falava ao telefone. 'Yuo! Sou eu. Venha até a casa da minha prima... Sim... Eu estou com ela... O quê?! Ele contou? É muita cara de pau deste chinês. Vem para cá agora que eu vou tirar esta história a limpo... Vem logo e não reclama.' Falou, desligando o celular e olhou para a prima. 'Quero falar com este rapaz tão maluco quanto você. A quem vocês pensam que enganam com essa loucura toda?' Tomoyo falou decidida.
'T-Tomoyo-chan…' Sakura falou sem graça. 'Você está brincando comigo, né?'
'Claro que não! Quem parece que está brincando é você. Casamento é coisa séria! Não é brincadeira. Quero falar com ele. Não vou deixar você sozinha com um cara que mal conhece. Sei lá… e se estiver casando com você apenas para ter um visto japonês? Ele pode estar fugindo de alguma coisa lá na China. Vou pedir para as assistentes de kaasan levantar a ficha dele.' Ela falou já ligando para alguém pelo celular. Provavelmente uma das inúmeras secretárias ou assistentes da mãe.
Sakura respirou fundo e soltou o ar devagar, olhando para a prima que mostrava-se decidida. Ela andava tão nervosa que seria melhor, pelo menos, deixá-la conhecer Syaoran novamente e concluir o óbvio: que eles eram completamente apaixonados um pelo outro.
Caminhou devagar, abrindo o portão de ferro com a amiga no seu encalço enquanto dava ordens para levantar a ficha de Syaoran Li. Cruzou o jardim, subiu os degraus da varanda e abriu a porta da frente. Tinha planejado fazer alguma coisa especial para Syaoran hoje, na noite de núpcias deles, mas, pelo visto, a prima não arredaria o pé dali tão cedo.
Tomoyo entrou na casa, ainda falando ao telefone. Sakura ofereceu o sofá para ela se sentar antes de ir até a cozinha fazer um chá. De camomila, evidentemente.
Em poucos minutos, apareceu com uma bandeja com o bule de chá e alguns biscoitos que colocou na mesa de centro. Tomoyo tinha desligado o celular e a olhava com o rosto sério, enquanto balançava de leve o pé da perna que estava cruzada, mostrando que estava impaciente e nervosa. Mais que o normal.
'Quer chá?' Sakura ofereceu e a morena aceitou.
'É só chá mesmo, não é?' Ela retrucou. 'E é de camomila mesmo ou de cogumelos?'
Sakura abriu um sorriso forçado. 'Camomila.'
'Está bem.' Ela respondeu.
Sakura logo a serviu, estendendo a xícara para ela, servindo-se em seguida. Sentou-se na poltrona afundando o corpo e esperando por Syaoran.
Sentiu a presença dele se aproximando da casa e sorriu, mas, ao olhar para o rosto tenso da prima, soltou um suspiro cansado. Logo ouviu o som da chave na porta e o marido entrou junto com Kurogane, uma vez que o rapaz havia sido convocado até a casa deles pela noiva.
Entraram conversando de forma descontraída sobre lutas. Estavam realmente se dando bem. Novamente.
Syaoran abriu um sorriso ao ver Sakura, que sorriu de volta, mas ela logo fechou o rosto e apontou com um gesto para a prima que havia se levantado do sofá e encarava seriamente o chinês.
Syaoran suspirou, pensando que Tomoyo o pressionaria, como sempre fazia, desde crianças, mesmo ela não se lembrando agora. Deixou a pasta com a papelada do casamento na escrivaninha e cumprimentou a esposa com um beijo na testa.
'Olá, Kurogane-kun.' Sakura cumprimentou o rapaz que retribuiu o cumprimento.
Ele nem tentou beijar a noiva, pois já dava para ver pelo rosto da morena que ela estava a ponto de explodir e ele não gostaria que fosse com ele.
'Ótimo! Agora vocês podem explicar direito essa história de casamento e de estarem morando juntos! De repente!' A morena falou, cruzando os braços, encarando o casal a sua frente.
Maybe it's intuition
(Talvez seja intuição)
But some things you just don't question
(Mas algumas coisa não se questiona)
Syaoran respirou fundo. 'O que exatamente você quer saber, Daidouji?'
'Eu? Como é que você apareceu aqui na semana passada, conheceu minha prima no sábado e, simplesmente, casou-se com ela hoje de manhã?'
Li balançou o corpo de leve e olhou para Sakura que também não sabia exatamente como responder, considerando que, pelas conclusões que os dois tiraram, todos tiveram suas memórias sobre eles alteradas.
Like in your eyes
(Como em teus olhos)
I see my future in an instant
(Vejo meu futuro em um instante)
And there it goes
(E num estalar de dedos)
I think I've found my best friend
(Eu encontrei meu melhor amigo)
Ele continuou fitando o rosto sério de Tomoyo, desviou os olhos para Kurogane, que estava ao lado da noiva, também morrendo de curiosidade sobre o assunto. Voltou a fitar Tomoyo.
'Foi amor à primeira vista.' Deu de ombros, fazendo Sakura rir.
'Rá!' Tomoyo soltou irônica. 'Vocês querem mesmo que eu acredite nisso? Vocês acham que eu sou tonta. Como vocês se casaram se não sabem nada, absolutamente nada, um do outro?!' Ela ainda olhava para ele com os olhos estreitos.
'Você não acredita em amor à primeira vista? Como o que ele...' Falou apontando para Kurogane. 'Sentiu por você?'
Tomoyo e Kurogane arregalaram os olhos de leve, observando o chinês.
A morena ergueu uma sobrancelha. 'Como você sabe disso?' Ela depois se voltou para a prima. 'Ah, você contou para ele, claro!'
'Mas foi amor à primeira vista, não foi?' Li ainda falou, olhando para o rapaz que confirmou com a cabeça. 'Então! Foi isso! Aconteceu com a gente… Agora...' Falou de forma, até certo ponto teatral, fazendo Sakura quase não conseguir se controlar, tentando não rir.
'Casamento é algo sério! Vocês não deveriam agir de forma leviana desta maneira.' Tomoyo olhou de um para o outro. 'Eu estou levantando sua ficha, Li-san, vou descobrir tudo a seu respeito, está me ouvindo?'
Li endireitou o corpo. 'Sem problema. Minha vida não foi muito interessante... Eu acho.' Completou a frase, pensando que, realmente, até colocar os olhos em Sakura a vida dele não tivera nada de extraordinário.
I know that it might sound more than a little crazy
(Eu sei que pode parecer mais do que loucura)
But I believe
(Mas eu acredito)
Tomoyo pareceu se irritar ainda mais com a indiferença dele a sua ameaça. 'Por Deus! Sakura-chan! Você nunca viu esse rapaz na sua vida! Vocês não sabem nada um do outro. Por que não namoraram primeiro, noivaram e, depois, se o que sentem um pelo outro realmente for amor, claro que poderiam se casar! Deveriam, inclusive.' Ela olhou para a prima. 'Você nunca namorou ninguém antes. Nunca se interessou por ninguém… Eu realmente não consigo entender, acreditar e aceitar uma decisão tão precipitada e urgente como essa sem desconfiar que algo está errado.'
'Tomoyo-chan...' Sakura olhou para a morena seriamente. 'Por que haveria algo errado aqui? Desde quando é errado duas pessoas que se amam quererem ficar juntas?'
A situação já tinha passado do bizarro para o desesperador. Também estava deixando de ser engraçado. Como falar para a prima que conhecia o rapaz ao seu lado desde que tinha dez anos de idade?
'Vocês não sabem nada um do outro!' Tomoyo falou, balançando a cabeça de leve. Olhou para Li com o semblante duro. 'Você diz que foi amor à primeira vista, mas não sabe nada a respeito dela para falar que está apaixonado e resolver se casar.' Ela deu um passo a frente, com uma postura que chegava a ser intimidadora, apesar de seu diminuto tamanho. Voltou a olhar do chinês para a prima com o semblante duro. 'Vocês não sabem nem as coisas mais básicas um do outro como, por exemplo: qual é a cor preferida ou a comida? Ou o dia do aniversário?'
Sakura encolheu os ombros e suspirou antes de responder contando nos dedos. 'Verde. Dim sum e Chocolate. Dia 13 de Julho.' Meneou a cabeça, perguntando-se por quanto tempo teriam que responder às perguntas de Tomoyo até que ela se sentisse satisfeita.
Tomoyo voltou-se para o "marido" da prima com uma sobrancelha erguida em desafio.
Syaoran estreitou os olhos na morena a sua frente. Tomoyo sempre o pressionava daquela forma. Sabia que apenas aquilo não seria o suficiente. Respirou fundo.
'As cores preferidas dela são rosa e branco, as comidas preferidas são arroz com ovos e massas em geral. Em compensação, ela não suporta konyaku, assim como eu. Ah! E o que ela sabe fazer melhor é panqueca. É uma delícia! Mas você deve saber disso da época em que moravam juntas…'
Tomoyo arregalou os olhos de leve, observando o rapaz a sua frente.
Syaoran continuou sem dar a ela tempo de se recuperar. 'O aniversário dela é dia primeiro de abril, o tipo sanguíneo é A. Na escola e até terminar a faculdade fez parte do clube das Líderes de Torcida. Ela também fazia parte do Clube de Vôlei durante a faculdade. Sakura sempre foi uma excelente atleta. Ela sempre detestou matemática e teve muitos problemas com as aulas de Anatomia quando cursava Educação Física, que inclusive sempre foi uma das disciplinas preferidas dela na escola. Ela também adorava as aulas de Música, apesar de não ter muita facilidade. Quando mais nova, ela morria de medo de fantasmas. Nas horas vagas ela gosta de cuidar do jardim, apesar de sempre colocar mais água que o necessário nas plantas. Ela não tem um filme preferido, mas adora qualquer comédia romântica. Eu sei que ela chorou horrores quando viu "A Teoria de Tudo".' Ele falou num fôlego só, inclinando o corpo a frente, enquanto Tomoyo olhava assustada para ele. 'Mais alguma pergunta? Ah, sim… Ela, apesar de morrer de vergonha, sempre participava das peças de teatro da escola e dos festivais, e eu tenho certeza que você a obrigava a usar seus figurinos enquanto a filmava.'
Tomoyo deu um passo para trás e olhou para a prima que sorria de leve, observando Syaoran. Depois olhou para o noivo que estava atrás dela com uma expressão de surpresa no rosto que traduzia o que ela sentia.
Kurogane encolheu os ombros, informando a ela que não poderia fazer nada e nem saberia o que fazer. 'Eles estão casados, Princesa. É oficial e não há o que possamos fazer. Sua prima é maior de idade. E, pelo que eu vi da sua cara, ele a conhece bem o suficiente para saber com quem está casado.'
Tomoyo forçou-se a relaxar os músculos do pescoço, tentando entender como aquele rapaz tinha, não apenas acertado as respostas, mas passado informações às quais ela nem havia perguntado ainda.
I knew I loved you before I met you
(Eu sabia que te amava antes de te conhecer)
I think I dreamed you into life
(Eu acho que te materializei de meus sonhos)
I knew I loved you before I met you
(Eu sabia que te amava antes de te conhecer)
I have been waiting all my life
(Eu te esperei por toda minha vida)
Syaoran respirou fundo e endireitou o corpo, olhando para Sakura. 'Eu amo Sakura.' Ele falou sinceramente, voltando a fitar a morena. 'E tenho certeza que ela me ama também. Não tem porque você se preocupar.' Sorriu levemente. 'Vai dar tudo certo.'
A morena arregalou os olhos novamente, fitando Syaoran. Não podia ser, ela tinha aquela sensação de que o conhecia e depois de tudo que ele falou… Mas como? O que exatamente estava acontecendo com a prima? Acontecendo com ela? Desviou o olhar para Sakura, que sorria de maneira tão maravilhosa, que parecia não caber em si de tanta felicidade. Fechou os olhos e respirou fundo.
'Vamos embora, Yuo.' Ela falou, rodando nos calcanhares e saindo porta afora.
Kurogane observou a noiva sair pisando duro e desaparecendo da vista dele. Olhou para Sakura e Li, levantou as sobrancelhas sabendo que agora sobraria para ele. Desejou boa noite e saiu atrás dela, entrando no carro.
Sakura foi até a porta e a fechou assim que Kurogane saiu. Olhou para Syaoran que soltou um suspiro aliviado.
'Vai ser difícil.' Ele falou simplesmente.
Sakura caminhou parando em frente ao rapaz. 'Já fomos para o inferno, Syaoran. Não existe mais nada impossível para nós.'
Ele concordou com a cabeça e sorriu de leve. 'Ainda falta o seu irmão.' Ele falou, soltando uma risada. 'Ele vai cumprir a ameaça de comer o meu fígado.'
Sakura soltou uma risada nervosa, imaginando que, realmente, com Touya as coisas seriam bem mais complicadas. Enlaçou o pescoço de Syaoran ficando na ponta dos pés e beijando os lábios dele de leve. 'A gente já enfrentou coisa muito pior que Onii-chan.'
Ele concordou novamente com a cabeça, enlaçando a cintura fina da ruiva. Suspirou profundamente.
'Sabe o que eu estava pensando agora?' Ele perguntou e abriu um sorriso de lado. 'Que hoje é nossa noite de núpcias oficial.'
Ela concordou.
'Então… acho que deveríamos aproveitar…' Ele sugeriu e ela semicerrou os olhos nele. 'Estou com saudades da ducha daqui de casa.' Falou de forma marota. 'A água daqui era bem forte.'
'Continua.' Ela respondeu. 'Você não tomou banho hoje pela manhã?'
'Sim…' Ele respondeu. 'Mas estava atrasado, não deu tempo de aproveitar.' Falou, olhando em direção ao segundo andar da casa. 'Não quer ir comigo?' Perguntou com um sorriso sensual nos lábios.
Sakura estava deitada com Syaoran abraçado a ela. Sorriu, sentindo-o beijar perto da sua orelha enquanto enroscava suas pernas nas dele. Se continuassem naquele ritmo ele não conseguiria acordar cedo no dia seguinte para ir trabalhar.
There's just no rhyme or reason
(Não há nenhuma explicação)
Only this sense of completion
(Apenas essa sensação de plenitude)
'Eu já falei que você é linda?' Ele sussurrou ao ouvido dela.
'Hoje ainda não.' Ela respondeu.
'Você é linda demais.' Ele falou, beijando de leve o pescoço dela.
Ela sorriu e fechou os olhos apreciando o carinho que ele lhe fazia. Sentia-se tão feliz com ele agora ao seu lado que começava a pensar em como conseguiu sobreviver a dois anos longe dele. Franziu a testa de leve e abriu os olhos.
'Sabe… estive pensando…' Ela começou a falar, fazendo o rapaz parar para ouvi-la. 'Estava pensando no que aconteceu com Khala'a.'
Ele soltou um suspiro e a abraçou mais forte. 'Realmente não faço ideia do que pode ter acontecido com ela depois que vocês duas perderam a conexão.'
'Estava pensando que talvez ela ainda esteja naquele lugar.'
'Possivelmente.' Ele concordou. 'Ela, bem ou mal, pertencia a ele.'
Sakura engoliu em seco. 'Ela não queria voltar. Quando tomou a decisão de ir comigo, fez isso porque sabia que nenhuma das outras cartas poderia me ajudar como ela.'
Ele concordou. 'Realmente, ela foi nossa melhor aliada naquele lugar.' Falou de forma sincera.
Sakura fechou os olhos. 'Não é justo eu me sentir tão feliz agora com você ao meu lado e ela estar vivendo lá ainda.'
Ele ficou em silêncio e beijou a cabeça da esposa. 'Nós não sabemos se ela ainda está lá. Além disso, ela era forte, Sakura. Com certeza, está bem. Acho que todos ficaram bem.' Falou, referindo-se a Arthas e Tadmoth. Quanto a Midoriko, ele não se importava com o que poderia ter acontecido com ela.
Ela sorriu. 'Espero realmente, que todos tenham ficado bem… de alguma forma.'
'Eu também.' Ele falou e a abraçou forte pela cintura. 'Estava pensando que, talvez, pudéssemos entrar em contato com Hiiraguizawa.'
'Com Eriol-san?'
'Saber se ele também foi afetado como todas as outras pessoas ou se, assim como nós, ele lembra o que aconteceu.'
'Eriol-san é meu primo distante por parte de pai.' Ela falou. 'Pelo menos nesta existência.' Sakura franziu a testa de leve novamente. 'Hum… agora dá para entender o receio que eu tinha dele.'
'Primo?' Syaoran se surpreendeu. 'Então vocês se encontraram antes?'
'Na verdade, minhas lembranças são de ter convivido com ele durante a quinta série.'
'Mas você tem contato com ele agora?'
'Mais ou menos. Trocamos alguns e-mails de vez em quando durante esses dois anos. Ele teve uma filha no ano passado, mas ainda não a conheci. Ele e Kaho-san estão morando em Londres.'
'Humph.' Syaoran murmurou. 'E ele não falou nada com você sobre magia?'
Ela balançou a cabeça negando. 'Não. Falamos coisas gerais. Nunca falamos sobre magia.'
'Então talvez ele também esteja com as memórias alteradas.'
'Não sei ao certo. Você sabe que Eriol-san é uma pessoa bem misteriosa, não?'
'Misteriosa…' Syaoran murmurou. 'Enfim… acho que talvez fosse uma boa tentar averiguar isso.'
'Sua mãe também tem poderes, ela não percebeu nada em você?'
Syaoran trincou os dentes, lembrando-se que ficou de ligar para ela hoje, mas esqueceu completamente. Agora já era tarde da noite. Ligaria para ela amanhã pela manhã quando chegasse ao escritório.
'Não… Minha mãe inclusive sempre foi bem clara em comentar que nenhum dos filhos tinha herdado magia.'
'Ela não percebeu a sua presença?'
'Não… Assim como eu também não percebia a presença dela ou a de qualquer um antes.'
'É… Eu também. Só depois que… Hum…' Ela reteve-se e se sentiu envergonhada.
And in your eyes
(E em teus olhos)
I see the missing pieces
(Eu vejo as peças perdidas)
I'm searching for
(Que estive procurando)
I think I've found my way home
(Eu encontrei meu caminho para casa)
Syaoran beijou o pescoço dela, sussurrando em seu ouvido. 'Eu também só voltei a perceber depois que nos amamos.'
Sakura sorriu e respirou fundo. 'Agora fica fácil encontrar você.'
'Também fica fácil encontrá-la.'
Ela fechou os olhos. 'Temos que pegar as Cartas. Estou preocupada com elas. E com saudades.'
'Sim, faremos isso. Vamos para a China no final do mês. Já estou vendo isso. Quero lhe apresentar à minha família.'
'Você acha boa ideia?'
'Bem… Quero lhe apresentar a uma pessoa.' Ele falou, sorrindo. 'E a minha mãe. Provavelmente vou ter que cortar relações com o Clã, mas gostaria de falar com Yīnghuā.'
'Yīnghuā?' Ela perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Ele sorriu. 'Minha sobrinha. Filha da Fuutie.' Ele esclareceu. 'Gostaria que ela conhecesse você.'
'Então, você agora tem jeito com crianças?' Ela perguntou, sorrindo. Sakura lembrava bem que ele não tinha o menor tato com crianças antes. Nem com ele mesmo.
'Bem… Agora, em teoria, eu convivi mais com os meus sobrinhos. Mas Yīnghuā é minha preferida.' Ele falou sorrindo, lembrando-se da menina.
I know that it might sound more than a little crazy
(Eu sei que pode parecer mais do que loucura)
But I believe
(Mas eu acredito)
Suspirou pesadamente, pensando que, provavelmente, não poderia mais falar com ela como antes, depois que saísse do clã. Queria, pelo menos, explicar para ela o motivo do afastamento, sem magoá-la.
Ele lembrou de um detalhe agora. 'E Yue e aquela bola de pelo?'
'Eu tive que lacrar Kero-chan junto com as cartas no livro. E ordenei que Yue-san adormecesse no corpo de Yukito-san.'
'Hum… Então, quando deslacrar o livro, eles provavelmente vão despertar.' Ele concluiu. 'Não tem mesmo como deixar a bola de pelo dentro dele?'
'Syaoran… Você estava se dando tão bem com o Kero-chan…'
'Eu?' Ele se surpreendeu. 'Eu nunca me daria bem com ele.'
'E estava se dando bem com Onii-chan também.' Ela falou e suspirou. 'Uma pena… ele estava começando a gostar de você.'
'Não tem como seu irmão gostar de mim, Sakura.'
'Vocês andavam bem próximos antes de ter que voltar para aquele lugar.' Ela falou com a voz chateada. 'Estava tudo se resolvendo.'
'Hei, nós daremos um jeito.'
'Eu sei…' Ela sorriu. 'A gente vai dar um jeito.'
'O mais difícil já passou, Sakura.' Ele falou se aconchegando ao corpo dela. 'Eu a encontrei. E nada mais vai nos separar.'
Ela sorriu e fez um carinho no braço dele que envolvia sua cintura. 'Sim… nada mais vai separar a gente.'
I knew I loved you before I met you
(Eu sabia que te amava antes de te conhecer)
I think I dreamed you into life
(Eu acho que te materializei de meus sonhos)
I knew I loved you before I met you
(Eu sabia que te amava antes de te conhecer)
I have been waiting all my life
(Eu te esperei por toda minha vida)
Ficaram em silêncio um tempo. 'Hum…' Ela começou a falar. 'Hoje eu fui com Tomoyo-chan ajudá-la com alguns detalhes do casamento dela. Ela está tão estressada que eu fico feliz de termos decidido pular a cerimônia.'
'Sim, eu percebi que ela estava nervosa com algo mais que o nosso casamento.' Ele mencionou e sorriu de lado. 'Talvez esteja chateada porque foi tão fácil para nós… Supostamente.'
'Talvez.' Ela disse, pensativa. 'E, bem... Ela foi pegar as alianças hoje e...'
'Ah!' Ele exclamou, já entendendo o que ela queria falar. 'As alianças… Você…'
'Eu pensei que seria bom…'
'Sim… É necessário.' Ele falou. 'Eu realmente esqueci deste detalhe.'
'Syaoran, uma semana atrás nós não fazíamos ideia da existência um do outro.' Ela riu, beijando-o suavemente.
A thousand angels dance around you
(Mil anjos dançam a tua volta)
I am complete now that I've found you
(Estou completo agora que te encontrei)
'Vamos amanhã escolher um modelo.' Ele falou. 'Somos casados. Precisamos usar alianças.'
Ela sorriu. 'Você não se importa…'
'Não. Eu deveria realmente ter pensado nisto antes.' Ele disse. 'Até porque… Eu já sabia, sim, da sua existência.' Falou voltando a beijar o pescoço dela. 'Você me perturbava quase todas as noites.'
'Eu?' Ela perguntou, fazendo-se de desentendida.
'Sim… E me fazia acordar com o coração palpitando.'
'Mesmo?' Falou, sentindo-o voltar a acariciá-la.
'Mesmo…' Ele respondeu.
'Você também me perturbava muitas vezes.' Ela confessou.
'E espero perturbar muitas mais.' Ele respondeu, beijando-a, languidamente.
I knew I loved you before I met you
(Eu sabia que te amava antes de te conhecer)
I think I dreamed you into life
(Eu acho que te materializei de meus sonhos)
I knew I loved you before I met you
(Eu sabia que te amava antes de te conhecer)
I have been waiting all my life
(Eu te esperei por toda minha vida)
Sakura tocou a campainha da casa do irmão. Syaoran tinha falado que iria com ela conversar com Touya, mas ela pediu para que a deixasse fazer isso sozinha. Seria uma conversa entre irmãos. Seria difícil e teria que ser realmente apenas entre ela e Touya.
Suspirou pesadamente, pensando que o irmão não estaria de todo errado se a situação fosse apenas ela ter conhecido um rapaz no sábado, ele ir morar com ela no domingo e eles se casarem na segunda. O problema era que, simplesmente, não dava para ela e Syaoran tentarem se ajustar a esta nova existência e ignorar o que viveram antes.
Yukito abriu a porta e sorriu para ela. Sakura franziu a testa reparando agora na aura prateada envolvendo o rapaz. Piscou algumas vezes e sorriu, sabendo que Yue estava ali.
Estava até com saudade da cara mal-humorada do seu guardião lunar. Ele, provavelmente, ficou chateado com ela por tê-lo novamente adormecido no corpo de Yukito. Esperava apenas que tanto ele quanto Kerberus a entendessem e perdoassem pelo que fez antes de ir até Syaoran no mundo das Trevas.
'Olá, Sakura-chan! Que bom vê-la!' Yukito a cumprimentou abrindo a porta. 'É sempre uma surpresa boa receber sua visita.'
'Olá, Yukito-san.' Ela o cumprimentou sorrindo e suspirou. 'Preciso falar com 'nii-chan.'
O rapaz franziu a testa. 'Aconteceu alguma coisa?'
'Sim.' Ela respondeu. 'O assunto é sério'. Falou, entrando na casa e deixando o rapaz preocupado. 'Como está o humor dele hoje?'
'O mesmo de sempre.' Yukito respondeu. 'Você sabe como ele é.'
'Sim.' Ela concordou, suspirando.
'Você quer um chá?' Ele ofereceu.
'Obrigada. Mas, desta vez, não vou querer, não.' Ela recusou de forma educada com um sorriso.
Touya apareceu na sala e sorriu de leve vendo a irmã. Foi até ela e beijou sua cabeça como costumava fazer desde que o pai deles se fora. 'Como você está, Kaijuu?'
Sakura mordeu de leve o lábio inferior. Não é que tivesse medo de Touya, tinha era um respeito enorme por ele. Amava demais aquele irmão e, depois que o pai faleceu, ele era sua única referência de família. Tomoyo era sua prima, tinha ótimas lembranças das duas juntas, era sua melhor amiga, mas Touya… Ele era aquela pessoa com quem ela sabia que poderia contar se tudo desse errado na sua vida. E sabia que ele sempre esteve cuidando dela, mesmo que pelas sombras.
Fechou os olhos, tentando buscar forças e coragem para começar a difícil conversa. Abriu-os e fitou o irmão que a olhava desconfiado. Ele a conhecia bem, sabia que ela estava nervosa.
'O que aconteceu?' Ele perguntou, franzindo a testa.
'Precisamos conversar.' Ela falou. Olhou para Yukito e sorriu de leve. 'Será que…'
'Eu vou fazer um bolo.' O rapaz falou se dirigindo até a cozinha para deixar os dois irmãos sozinhos. 'Farei um de chocolate.' Ainda informou, antes de desaparecer pela porta da cozinha.
Touya observou Yukito se afastando e depois olhou para a irmã. Estava começando a ficar preocupado.
'O que foi?' Perguntou com o tom apreensivo.
'Onii-chan, aconteceu uma coisa muito estranha na minha vida. Nas nossas vidas. Eu só peço que você preste atenção e acredite no que eu vou falar agora.' Ela começou, vendo-o franzir a testa.
Respirou fundo, pensando que precisava contar toda a verdade para ele. Sabia que ele talvez não acreditasse imediatamente, mas não conseguia pensar em outra maneira de contar aquilo para o irmão.
'As nossas vidas não transcorreram da forma como você se lembra… algo aconteceu que mudou os eventos… Eu não sei dizer o quê, mas...'
'Você está se sentindo bem, Sakura?' Touya se aproximou, tocando-a na fronte para ver se estava com febre. 'Porque, sinceramente, não está fazendo o menor sentido.'
'Eu sei, eu sei...' Respondeu, afastando-se da mão do irmão e caminhando pela sala. 'É que... É complicado explicar.'
Touya ficou olhando para ela, desconfiado. 'Tente, mesmo assim.'
Ela levantou o rosto e o fitou de forma profunda. 'Eu sou uma feiticeira.' Declarou, fazendo o irmão arregalar os olhos. 'Tenho magia.'
'Magia?' Ergueu uma sobrancelha, com um sorriso de lado.
'Sim, 'nii-chan. E você também tinha.' Ela continuou, seriamente, fazendo um gesto com a mão, pedindo que a deixasse terminar. 'Quando eu tinha dez anos, encontrei um livro no porão lá de casa e libertei um grupo de seres mágicos pela cidade. Tornou-se minha responsabilidade, capturá-los para que uma desgraça não viesse ao mundo.'
Touya cruzou os braços e abriu um sorriso debochado. 'Nada mais justo. Se quebrou, conserte, não é mesmo?'
'Não estou brincando.' Disse, semicerrando os olhos no irmão.
'Está bem, está bem. É sério.' Touya ergueu as mãos, encarando-a seriamente. 'Como nenhum desastre aconteceu, eu presumo que você conseguiu capturar esses seres… mágicos.'
'Sim, mas…' Ela desviou os olhos dele, brevemente. Era difícil estar contando aquilo agora para o irmão. Touya antes sempre soubera do que acontecia com ela, sem que precisasse contar. 'Não é só isso.'
'Não faça suspense, Kaijuu. O que mais aconteceu?' Perguntou, erguendo uma sobrancelha.
'Eu… eu não era a única pessoa tentando capturar as car… criaturas.' Explicou, fitando-o diretamente. 'Tinha um menino que também estava atrás delas.'
Touya franziu a testa. 'Um menino?'
'Sim, e este menino, ele…' Respirou profundamente, abrindo um pequeno sorriso. 'Ele acabou se tornando a pessoa mais importante da minha vida.'
'A pessoa mais importante?' Ele repetiu em tom baixo. Sorriu. 'Que brincadeira é esta?'
'Não é brincadeira, Onii-chan.' Ela balançou a cabeça. 'Eu conheci o amor da minha vida quando eu tinha dez anos. Nós dois nos apaixonamos. Algumas circunstâncias nos mantiveram afastados por um tempo, mas ele voltou quando estávamos com vinte anos e nós começamos a namorar.'
'Como é que eu não fiquei sabendo disso?' Touya semicerrou os olhos, fitando a irmã.
'Você ficou sabendo.' Sakura afirmou, sem desviar o olhar. 'Mas aconteceu algo que não sei como explicar sem que pareça loucura e…'
'Essa conversa toda está parecendo loucura…' Touya afastou-se da irmã, ainda com o olhar dúbio para ela.
'O fato é que… Eu o estava esperando.' Ela continuou, sem responder ao comentário do irmão. 'Nós ficamos separados por um longo tempo e agora nos reencontramos. E nos casamos.'
'Você fez o quê?!' Ele perguntou quase gritando, virando-se bruscamente para Sakura.
'Eu me casei com ele. Ontem pela manhã.'
'Como assim você se casou? Você nunca namorou ninguém!'
'Eu já expliquei isso. Nós namoramos durante a faculdade.' Ela respondeu rapidamente. 'Algo aconteceu que mudou nossas memórias sobre o passado…'
'Peraí…' Ele a interrompeu, levantando uma mão. 'Então, você está querendo dizer que namorou um gaki, de quem ninguém exceto você se lembra, aos 10 anos e, depois de novo, quando ele reapareceu aos 20 anos. E, agora, como mágica, ele voltou e vocês resolveram simplesmente se casar?'
'Não é assim tão simples. Mas, de forma objetiva, é isso. Você não se lembra dele, mas, 'nii-san, você tinha, inclusive, concordado que eu fosse morar com ele. Como eu falei, aconteceu alguma coisa que mudou tudo. Eu não sei exatamente o que é. Eu só sei que ele é a pessoa mais importante para mim. E eu não quero mais estar longe dele.'
Sakura havia ponderado que seria melhor falar a verdade para ele. Não queria mentir para o irmão. Já foi difícil demais fazer isso com Tomoyo. Além disso, tinha Yue. Provavelmente quando ela abrisse o lacre do livro, o guardião da lua voltaria e isso afetaria a vida do irmão.
Touya ficou em silêncio, observando a irmã que se mostrava claramente ansiosa. 'Então você está casada… oficialmente?'
'Sim, assinamos os papéis na segunda de manhã, como eu falei.'
'E onde ele está agora?'
'Eu quis que tivéssemos esta conversa sozinhos. Depois ele virá falar com você.'
'E onde ele mora?'
'Está morando comigo, claro.'
'Na sua casa? Que você comprou com o dinheiro que o Tou-san deixou para você?'
'Na nossa casa.' Ela consertou. 'Minha e dele.'
Touya caminhou pela sala devagar, ruminando as informações absurdas que a irmã lhe passava.
'Então este vagabundo simplesmente se encostou em você?'
'Ele trabalha. E tem um ótimo emprego.' Esclareceu.
'Onde?'
'Ele está trabalhando com as empresas Daidouji agora, mas trabalha na empresa da família dele.' Ela respondeu, de forma concisa. 'Ele é engenheiro. Ele não está se encostando em mim. Não se preocupe quanto a isso.'
'Empresas Daidouji… Então ele trabalha para a mãe da Tomoyo-chan.'
'Isso.'
'E a família dele? O que eles acham dessa história?'
'Vamos para a China no final do mês para…'
'Hei! Ele é chinês?! Você casou com um dos chineses que vieram para a tal fusão com a empresa?' Perguntou, erguendo a voz novamente.
'Sim. Ele é chinês.'
'E você vai para a China com ele no final deste mês?'
'Isso. Vamos buscar uma coisa importante lá… O livro mágico.' Explicou, suspirando. 'E falar com a família dele.'
O rapaz caminhou até a irmã e pegou o braço dela, puxando as mangas do casaco para analisar-lhe os braços. 'Ele a está drogando, é isso?'
Sakura empurrou o irmão e olhou para ele de forma dura. 'Onii-chan! Para com isso! Eu não sou uma tapada!' Revoltou-se, levantando o tom de voz. 'Será que não dá para você acreditar em mim? Confiar em mim?'
'Não!' Ele estava quase gritando. 'Você é uma menina ingênua!'
'Não!' Sakura também ergueu a voz. 'Eu não sou mais uma menina! E não sou ingênua! Você não tem ideia das coisas pelas quais eu já passei!'
'Que coisas?!' Ele perguntou, inclinando o corpo na direção da irmã. 'O que você anda me escondendo? O que este chinês anda fazendo com você para me esconder as coisas?'
Yukito apareceu na porta da cozinha quando ouviu os gritos dos dois irmãos. Olhou de um para outro sem saber o que fazer.
Ela fechou os olhos, tentando manter a calma. 'Onii-chan, confie em mim.' Pediu novamente, quase suplicando.
'Como pode me pedir isso, Sakura? Você não parou para pensar que este chinês pode estar envolvido com… Com tráfico de mulheres? Órgãos! Sei lá! Você não lê jornal? Não sabe que…'
Ela o interrompeu, irritada. 'Se não consegue acreditar em mim, pode pedir para Tomoyo-chan, se quiser… Ela já mandou levantar toda a ficha dele.'
'Pois é isso mesmo que eu vou fazer!' Ele gritava.
Ela fechou os olhos, respirando fundo e tentando se acalmar para voltar a argumentar racionalmente. 'Eu sei, 'nii-chan. Sei que é difícil entender. Também é difícil falar sobre isso, sabendo o quanto soa como loucura, mas estou pedindo que me dê um voto de confiança e acredite em mim agora. Eu estou falando a verdade!'
'Não tem como você me pedir isso. Você é uma garota linda! Este chinês pode ter vindo aqui, casado com você para carregá-la para a China para fazer não sei o quê com você… Eles são pessoas traiçoeiras!'
'Você está sendo preconceituoso! Eu não estou sendo iludida. Eu não sou uma menina. Eu sei exatamente como o mundo é e eu sei exatamente o que eu estou fazendo.'
'Como você quer que eu confie em você quando vem me contar que se casou com um chinês que acabou de chegar ao Japão?' Touya perguntou. 'E ainda me fala que vai com ele para a China.' Ele balançou negativamente a cabeça. 'Eu vou é ligar para a polícia! Ele só pode ser traficante de mulheres!'
Sakura abriu a boca sem saber o que falar para Touya. O irmão estava realmente enlouquecido.
'O que está acontecendo aqui?' Yukito perguntou, finalmente se aproximando de Touya, vendo que o rapaz estava quase para avançar sobre a irmã.
'Ela enlouqueceu! Disse que se casou com um chinês e quer ir para China agora.'
'Onii-chan… Eu já falei que nossas vidas não foram exatamente como você pensa.' Ela falou entre os dentes, tentando manter ainda o tom baixo das palavras. 'Por favor, acredite em mim.'
'Não, Sakura!' Touya falou, olhando para ela sério. 'E eu a proíbo de viajar com este cara!'
Sakura olhou para ele incrédula e franziu a testa.
Yukito olhou para ela com o semblante duro. 'Seu irmão tem razão, Sakura-chan. Este rapaz parece estar mal-intencionado para querer levá-la para China com tanta pressa.'
'Cale-se, Yukito-san!' Ela ordenou, sabendo que o companheiro do irmão não teria escolha a não ser obedecer. 'Vocês dois não o conhecem!' Ela falou e apontou para o irmão. 'Você acha que eu sou uma idiota! Que não sei me proteger! Como eu falei: você não tem ideia do que eu… Do que Syaoran e eu já passamos para ficarmos juntos. Não tem como a gente continuar a conversa assim. Então… Chega!'
'Chega mesmo! Você vem morar comigo!' Touya falou do nada.
'Não! Chega dessa sua paranoia e desconfiança! Você não vai decidir como eu vivo a minha vida!' Ela falou, virando-se.
Estava pronta para sair quando o irmão a segurou pelo braço novamente. 'Você não vai sair daqui! Nós vamos agora mesmo para a delegacia e eu vou fazer uma queixa contra este rapaz.'
'Você está ficando maluco?!' Sakura puxou o braço com força, fazendo com que a soltasse. 'Qual parte você não entendeu?' Ela balançou a cabeça, semicerrando os olhos e endireitando a postura. 'Ele é meu marido. Você vai fazer queixa contra ele por quê, 'nii-chan? Por ele ter legitimamente se casado com a irmã que, em seus delírios, ainda tem 10 anos de idade?!' Ela fechou novamente os olhos e os abriu, fitando o irmão. 'Isso vai me doer muito, mas… Se for preciso fazer o mesmo que a kaasan fez quando se casou com tousan e deixar de falar com você…' Ela sentiu a voz falhada. 'Então… eu pagarei o preço. Quando você… quando colocar a cabeça no lugar o suficiente para ouvir… Realmente ouvir; ou…' Ela olhou de esguelha para Yukito. 'Ou quando se lembrar de tudo… Aí, você me procura. Eu estarei esperando. Sempre vou estar esperando por você.' Falou, sentindo os olhos arderem.
Engoliu em seco e virou-se, saindo da casa do irmão.
Touya olhava perplexo para a porta por onde Sakura tinha passado. Voltou-se para Yukito que também se mostrava completamente desconcertado.
'O-o que aconteceu com a minha Kaijuu?' Perguntou para Yuki que ainda estava em estado de choque.
Continua.
Música do Capítulo: I knew I loved you (Eu sabia que te amava), do Savage Garden
Notas da Autora:
Realmente parece loucura. Dá para entender o ponto de vista de cada um dos personagens e as reações quando souberam da decisão deles de simplesmente se casarem. Quem disse que problemas são apenas no campo da magia?
Obrigada a todos que estão acompanhando a história.
Notas da Colaboradora:
Como eu vinha dizendo, a situação é mesmo complicada e a questão com o Touya é complicada ao quadrado, pois, não importando o que a Sakura falasse, ele não entenderia mesmo. Acho que, no fundo, ela tinha esperança de que, quando começasse a contar a verdade, o Touya iria lembrar de toda a história… pena que não foi bem assim.
Ainda assim, é impressionante o fato de que eles estão firmes e fortes, realmente dispostos a passar por cima de tudo para ficarem juntos.
Notas da Revisora:
UAU… começou bem, foi tão divertido… É complicado mesmo tentar explicar ou deixar sem explicação toda essa loucura.
Mas acredito que aos poucos as coisas irão se encaixando no seu devido lugar… Será que todos se lembrarão? Irão nossos heróis nesse momento sofrer com pessoas tentando separá-los pq eles estão doidos? Ou tomando chá de cogumelo?
Estaremos aguardando cenas do próximo capítulo com ansiedade.
E eu revisei dois essa semana…. por livre e espontânea pressão.
bjs
