Capítulo 51
Copa Mundial de Quadribol
Julho 1994
Manhã na Mansão Snape
– Por que Nick e James podem ir e eu não posso? – reclamava Elizabeth na mesa do café da manhã. – Por favor, pai, eu quero ir! Pense nisso como meu presente de aniversário!
– Elizabeth, o seu aniversário é só em setembro. – disse Snape, bebendo um gole de café. – Seus irmãos vão para a Copa de Quadribol e você não.
Aquela conversa acontecia quase todas as manhãs. Elizabeth queria ir na Copa, mas o pai não queria deixar; mas todo dia ela tentava. Era extremamente chato mas aquele não era o maior problema de Snape ultimamente. Agosto estava se aproximando e Florence estava próximo de terminar o primeiro trimestre da gravidez e estava já sentindo as alterações hormonais. Ela estava completamente instável.
– Onde está a mamãe? – perguntou Christopher.
Snape suspirou e olhou para os gêmeos.
– Oh, droga. – disse James. – É um daqueles dias...
– Sim. – confirmou Snape. – Eu já devia estar acostumado a eles, mas não estou.
– Vocês brigaram? – perguntou Nicholas.
– Não exatamente. Mas uma cadeira veio voando em minha direção. Eu quase não escapei.
– Por que a mamãe jogou uma cadeira em ti? – perguntou James.
– Eu não faço ideia. – disse Snape, montando um sanduíche para Christopher.
– A mãe sempre foi assim em todas as vezes que ela estava grávida? – perguntou Elizabeth.
– Não. Pomfrey disse que quando é uma menina que Florence está esperando é normal que ela se sinta mais irritada e com mais episódios de nausea. Portanto podemos ter quase certeza de que vocês terão uma nova irmã.
– Nem mesmo quando ela estava esperando nós dois? – perguntou James.
Snape largou a xícara de café e olhou para a janela, pensativo.
– Eu não saberia responder isso. – murmurou ele. – Mas quando ela estava esperando Liz ela estava completamente insuportável.
– Mamãe disse que uma vez ela chegou ate machucar... – riu Elizabeth.
– Vocês tem que entender que a mãe de vocês é meio-Veela, então a magia dela fica mais instável quando ela está grávida, e se for uma menina que ela está esperando é ainda pior.
Eles ouvirm passos na escada e pararam de conversar. Florence entrou na cozinha, sorrindo.
– Bom dia, família linda!
Snape encarou a esposa, uma sobrancelha arqueada.
– O que há de errado, Sev? – pergutnou Florence.
– O que há de errado? – repetiu ele. – Cinco minutos atrás você tentou me matar!
– Oh, por favor! – Florence começou a comer. – Foi apenas uma cadeira. E você estava me incomodando!
– Exatamente como eu estava te incomodando?
– Esquece, ok? – pediu Florence.
– Ta bom. Mas eu ainda me lembro das dores que senti por atravessar aquela janela. – ele apontou para a grande janela de vidro que mostrava o pátio dos fundos da casa.
– Pare! – Florence tentou não rir. – Quantas vezes vou ter que dizer que me arrependo de ter te jogado pela janela?
– Peraí! – exclamou Nicholas.
– Você atirou o papai pela janela dos fundos?- perguntou James.
– Sim. Mas não foi a minha intenção! – disse Florence. – Vocês dois não lembram dela estar quebrada uma vez? – ela perguntou aos gêmeos.
– Sim. Mas você disse que tinha sido o vento. – disse Nicholas.
– Bem, vocês tinham quatro anos de idade, como vocês queriam que eu contasse que eu atirei o pai de vocês pela janela?
– Eu teria atirado o Nick pela janela na primeira oportunidade! – disse James, rindo.
– Mãe... – começou Elizabeth.
– Não, Liz. – Florence interrompeu. – Sei que seu pai já disse não. Você não vai para a Copa de Quadribol.
– Ninguém me entende nessa casa! – Elizabeth gritou e saiu da cozinha batendo os pés.
– Você comentou que eu posso estar esperando uma menina? – perguntou Florence ao marido.
– Sim.
– Hmm... então os ataques de ciúmes já começaram.
Agosto 1994
Copa Mundial de Quadribol
James e Nicholas compraram uma barraca e foram para a Copa de Quadribol sozinhos.
Snape foi com Lucius e Narcisa convidou Florence, portanto, o casal ficou junto no camarote do Ministro.
Harry, Rony e Hermione atravessavam o acampamento levando vasilhas para encherem de água. Caminhavam entre as muitas fileiras de barracas, espiando tudo com interesse. Aqui e ali bruxos e bruxas adultos saíam das barracas e começavam a preparar o café da manhã. Alguns, lançando olhares furtivos para os lados, conjuravam fogueiras com as varinhas, outros acendiam fósforos com ar de dúvida, como se tivessem certeza de que aquilo não ia funcionar. Três bruxos africanos conversavam sentados, trajando longas vestes brancas,
enquanto assavam uma carne que parecia coelho sobre uma fogueira púrpura berrante, um grupo de bruxas americanas de meia–idade fofocava alegremente sob a bandeira estrelada que elas haviam estendido entre as barracas, na qual se lia Instituto das Bruxas de Salem. Harry captava fragmentos de conversas em línguas estranhas que saíam das barracas pelas quais passavam e, embora não conseguisse entender uma única palavra, o tom das vozes era de excitação.
– Hum... São os meus olhos ou tudo ficou verde? – perguntou Rony.
Não eram os olhos de Rony. Os garotos tinham entrado em uma área em que as barracas estavam cobertas por uma camada de trevos, dando a impressão de que morros de formas estranhas haviam brotado da terra. Viam-se rostos sorridentes nas barracas com as abas da entrada erguida. Então, os garotos ouviram alguém gritar seus nomes:
– Harry! Rony! Hermione!
Era Simas Finnigan, um colega da Grifinória.
Os gêmeos Snape estavam caminhando pelo acampaento Irlandês quando ouviram alguém chamando os nomes do famoso Trio Grifinório.
– Ei, Nick, Harry está lá. – disse James.
– Então, finalmente, poderemos conhecer nosso quase-irmão! Vamos lá falar com ele!
– Você acha que é uma boa ideia? Ele pode sair correndo e gritando.
– Por que?
James arqueou a sobrancelha, imitando o pai deles, e Nicholas entendeu.
– Droga, você está certo.
O trio voltava para a barraca, abastecidos de água, Hermione estava olhando em desaprovação para os gêmeos Weasley que estavam fazendo apostas com outros dois rapazes que...
– São iguais ao Prof. Snape! – exclamou ela.
– O quê? Onde? – perguntou Harry.
– Ali! – Hermione apontou. – Conversando com seus irmãos, Rony!
– Dois Snapes? – disse Rony, apavorado. – Me matem agora!
– De onde você acha que eles são? – perguntou Harry.
– Devem ser de Durmstrang. – disse Hermione. – Nós teríamos percebido se duas cópias do Prof. Snape estivessem caminhando por Hogwarts.
– Voce acha que eles são parentes dele? – perguntou Rony.
– Meio impossível não serem. – disse Hermione. – Eles se parecem demais com ele, apenas... "mais bonitos." Completou ela, em pensamento. Ela encarou o mais alto dos gêmeos de cabelos negros e sentiu algo se mover no estômago.
Eles chegaram na barraca e Rony rapidamente entrou, tentando fugir dos gêmeos Snape.
– Se Neville estivesse aqui, ele estaria gritando. – murmurou Harry para Hermione.
Ela riu.
– Vocês demoraram uma eternidade. – comentou Jorge.
– Os baldes estavam pesados. – disse Harry.
– Estes são James e Nicholas, esbarramos com eles enquanto fazíamos umas... uns negócios. – disse Fred, sabendo que o pai não queria saber de apostas.
– Mas por que a fogueira ainda não está acesa? – perguntou Harry.
– Papai está se divertindo com os fósforos – disse Jorge, apontando para onde o pai estava.
O Sr. Weasley não estava tendo o menor sucesso em acender a fogueira, mas não era por falta de tentativas. Fósforos partidos enchiam o chão ao seu redor, mas ele parecia estar se divertindo como nunca.
– Opa! – exclamou Arthur Weasley, ao conseguir acender um fósforo, mas largou–o
na mesma hora no chão, surpreso.
– Chegue aqui, Sr. Weasley. – disse Hermione bondosamente, tirando a caixa das mãos dele e começando a mostrar como fazer fogo direito.
James olhou para Hermione, fazendo–a corar violentamente. A garota entrou na barraca, sem dizer uma palavra mais.
– Olá, e vocês quem são? – perguntou Sr. Weasley para os gêmeos Snape, olhando-os curioso. – Vocês se parecem muito com...
– Um tal Prof. Snape de Hogwarts. – completou James. – Já ouvimos bastante isso desde que chegamos aqui.
– Estão aqui sozinhos? – perguntou o Sr. Weasley.
– Sim. Nossa barraca não está longe daqui. – disse Nicholas.
– Então, garotos, Irlanda ou Bulgária? – perguntou o Sr. Weasley.
– Irlanda. – responderam os gêmeos Snape, juntos.
– Onde vocês estudam? – perguntou o Sr. Weasley.
– Durmstrang. – respondeu James.
– Ah. E vocês vão participar daquilo que vai acontecer nas escolas e que eu ainda não posso falar? – perguntou o Sr. Weasley.
– Não. – respondeu Nicholas, entendendo que ele falava do Torneio Tribruxo.
– Nossos pais não permitiram. – disse James.
– Bem, eles devem ter a razão deles... – comentou o Sr. Weasley.
– Sim, eles têm. – confirmou James.
– Então, vocês podem ficar aqui e almoçar conosco? – convidou o Sr. Weasley.
Os gêmeos se olharam e confirmaram:
– Sim, podemos. – disse James.
Durante todo o tempo em que James estava perto, Hermione se escondeu na barraca. E cada vez que os olhos deles se encontravam, ela corava e saía de perto.
O jogo
As escadas de acesso ao estádio estavam forradas com carpetes púrpura berrante. Florence e Snape entraram no camarote do Ministro com o casal Malfoy. Cornelio Fudge cumprimentou Narcisa e Florence, encarando Florence e segurando a mão dela por mais tempo do que o necessário. Os quatro sentaram na primeira fileira.
O grupo do Sr. Weasley entrou no camarote minutos depois.
– Aquela ali não é a Srta. Delacour? – perguntou Harry.
– Sim, é ela. – disse Hermione.
– Ela é amiga do Snape e também conhece os Malfoy? Ela não pode ser boa pessoa. – disse Rony.
Lucius Malfoy viu quando o Sr. Weasley entrou no camarote e levantou para ir torturar o homem:
– Arthur, por Merlin, o que você teve que vender para conseguir lugares no camarote do Ministro? Certamente a sua casa não vale tudo isso.
Mas antes que uma briga pudesse começar, o jogo começou.
Logo que a partida começou, Snape lançou um Abaffiato ao redor dele e de Florence.
– Ei! Eu quero ouvir o jogo! – reclamou Florence.
– Você tinha que vir de saia? – reclamou Snape.
– Você queria que eu viesse sem ela? – provocou Florence.
– Fudge não para de olhar para suas pernas. – disse Snape entredentes. – Até mesmo Lucius estava comendo você com os olhos.
– Por que você se preocupa tanto com quem olha para minhas pernas, quando você sabe que será você quem estará entre elas mais tarde. – murmurou Florence.
Snape retirou o feitiço e fez de conta que assistia o jogo, sentindo a calça se tornar desconfortável.
O jogo terminou com a Irlanda sendo a vencedora, mas Krum pegara o Pomo.
Quando todos estavam deixando o estádio, Florence viu os filhos no meio da multidão e os chamou:
– Jamie, Nick! – e os gêmeos correram até ela. – Vocês dois tem duas horas para curtir as festas e aparatarem para casa, ok?
– Ok, mãe. – disse Nicholas.
– Ei, linda a sua saia. Papai deve ter ficado doido... – comentou James.
– Ele não ficou muito feliz, não. – disse Florence. – Os dois, em casa, dentro de duas horas.
– Sim, mãe. – confirmaram juntos.
Florence encontrou Snape e Narcisa nas portas do estádio.
– Onde está Lucius? – perguntou Snape.
– Eu não sei. – Narcisa parecia com medo. – Eu acho que ele...
– Fez aquela bobagem que ele disse que ia fazer? – completou Snape.
– Sim. – confirmou Narcisa, num murmúrio nervoso.
E Snape olhou para Florence. Eles já sabiam o que fazer, já tinham um plano pronto caso Lucius realmente chamasse Comensais da Morte para a Copa de Quadribol. Ela mandou um patrono para os filhos ("Aparatem para casa! Comensais.") e foi ajudar a esvaziar as cabanas, fazendo todos aparatar em segurança.
– Harry, apanhe o casaco e saia, depressa! – gritou Sr. Weasley.
Harry obedeceu e saiu correndo da barraca, com Rony e os gêmeos Weasley. À luz das poucas fogueiras que ainda ardiam, viu gente correndo para a floresta, fugindo de alguma coisa que avançava pelo acampamento em direção a eles, alguma coisa que emitia estranhos lampejos e ruídos que lembravam tiros. Caçoadas em voz alta, risadas e berros de bêbedos se aproximavam; uma forte explosão de luz verde que iluminou a cena. Um grupo compacto de bruxos, que se moviam ao mesmo tempo e apontavam as varinhas para o alto, vinha marchando pelo acampamento. Harry apertou os olhos para enxergá-los... Não pareciam ter rostos... Então ele percebeu que tinham as cabeças encapuzadas e os rostos mascarados. No alto, pairando sobre eles no ar, quatro figuras se debatiam, forçadas a assumir formas grotescas. Era como se os bruxos mascarados no chão fossem titereiros e as pessoas no alto, marionetes movidas por cordões invisíveis que subiam das varinhas erguidas. Duas das figuras eram muito pequenas.
Mais bruxos foram se reunindo ao grupo que marchava, riam e apontavam para os corpos no ar. Barracas se fechavam e desabavam à medida que a multidão engrossava. Uma ou duas vezes Harry viu um bruxo explodir uma barraca com a varinha para desimpedir o caminho. Outras tantas pegaram fogo. A gritaria foi se avolumando.
– Que coisa doentia. – murmurou Rony. – Que coisa realmente doentia...
Hermione e Gina vieram correndo ao encontro dos garotos, vestindo casacos por cima das camisolas, seguidas de perto pelo Sr. Weasley. No mesmo momento, Gui, Carlinhos e Percy saíram da barraca inteiramente vestidos, com as mangas enroladas e as varinhas em punho.
– Vamos ajudar o pessoal do Ministério – gritou o Sr. Weasley para ser ouvido com aquele barulho, enrolando as próprias mangas. – Vocês... vão para a floresta e fiquem juntos. Irei apanhá-los quando resolvermos este problema aqui!
Eles começaram a correr em direção à floresta escura. Harry se sentiu empurrado para cá e para lá por pessoas cujos rostos ele não conseguia distinguir. Eles ouviram Rony dar um berro de dor.
– Que aconteceu? – perguntou Hermione ansiosa, parando tão abruptamente que Harry quase deu um encontrão nela. – Rony, onde é que você está? Ah, mas que burrice... Lumus!
Ela iluminou a varinha e apontou o fino feixe de luz para o caminho. Rony estava esparramado no chão.
– Tropecei numa raiz de árvore – disse ele aborrecido, pondo–se de pé.
– Ora, com pés desse tamanho, é difícil não tropeçar – disse uma voz arrastada às costas deles.
Harry, Rony, os gêmeos, Gina e Hermione se viraram rapidamente. Draco Malfoy estava parado sozinho perto deles, encostado a uma árvore, numa atitude de total descontração. De braços cruzados, parecia ter estado a contemplar a cena no acampamento por uma abertura entre as árvores.
– Vá se ferrar, Malfoy! – gritou Rony.
– Olha a boca suja, Weasley – disse Draco, seus olhos claros reluzindo. – Não é melhor você se apressar? Não quer que descubram sua amiga, não é?
Ele indicou Hermione com a cabeça e, neste instante, ouviu–se no acampamento uma explosão como a de uma bomba, e um relâmpago verde iluminou momentaneamente as árvores à volta deles.
– Que é que você quer dizer com isso? – perguntou Hermione em tom de desafio.
– Granger, eles estão caçando trouxas – disse Malfoy, como se fosse óbvio.
– Hermione é bruxa – rosnou Harry.
– Faça como quiser Potter – disse Malfoy sorrindo maliciosamente.
– Draco! Aqui está você! – rosnou Snape, aparecendo do meio das árvores, sem a capa costumeira, a varinha em punho, ele puxou Draco pela manga da camisa para saírem dali. Foi quando percebeu os seis adolescentes parados ali. – O que vocês estão esperando? Levem a Granger para longe daqui!
– Ou se você acha que eles não são capazes de identificar um sangue-ruim à distância, fique onde está. – disse Draco, debochado, levando mais um puxão do padrinho.
– Cala a boca, Draco! – gritou Snape, furioso.
Ouviu-se um estampido do outro lado das árvores mais alto do que qualquer dos anteriores. Várias pessoas que estavam próximas gritaram.
– Venham comigo! – disse Snape, entrando mais na floresta.
E eles o seguiram.
Um grupo de adolescentes de pijamas discutia em altos brados um pouco adiante no caminho. Quando os viram, uma garota de cabelos espessos e crespos se virou e disse depressa:
– Ou est Madame Maxime? Nous l'avons perdue...
– Ela está lutando. – disse Snape numa língua que parecia ser Francês. E todos olharam para ele, estranhando. – Vocês devem aparatar daqui!
E a menina assentiu apavorada e correu até as colegas, repetindo as ordens em francês.
– Beauxbatons – murmurou Hermione, olhando para Snape.
– Como disse? – falou Harry.
– Devem estudar na Beauxbatons. – esclareceu Hermione. – Você sabe... Academia de Magia Beauxbatons... Li sobre ela em Uma Avaliação da Educação em Magia na Europa.
– Sim, elas eram de Beauxbatons. – confirmou Snape.
E eles continuaram caminhando mais para dentro da floresta.
Rony puxou a varinha do bolso, acendendo–a como fizera Hermione e esquadrinhando o caminho. Harry enfiou as mãos nos bolsos da jaqueta à procura da própria varinha, mas não estava lá. A única coisa que encontrou foi o seu onióculo.
– Ah, não, eu não acredito... Perdi a minha varinha! – exclamou ele.
Draco caiu na gargalhada:
– Tinha que ser você, mesmo, Potterbobo! Perder a varinha em uma situação de perigo! – ele ria.
– Está brincando! – exclamou Rony, ignorando Draco.
– Talvez tenha ficado na barraca – disse Hermione.
– Talvez tenha caído do seu bolso quando você estava correndo? – disse Gina.
Um novo estrondo ecoou na orla da floresta.
– Vamos, continuem andando. Eu terei que voltar lá. – disse Snape. – Draco, você fique com eles. – e Snape seguiu na direção da luta.
Os sete caminharam mais para dentro da floresta densa e pararam quando a confusão era pouco audível.
– Acho que podemos esperar aqui, sabe, dá para ouvir uma pessoa chegando a mais de um quilômetro. – comentou Harry, arfando.
Eles ficaram em silêncio e não ouviram nada.
– De repente terminou. – murmurou Hermione.
– Talvez. – alguns murmuraram.
Então passos rápidos foram ouvidos, chegando cada vez mais próximo deles até que parou.
– Olá! – chamou Jorge.
Ninguém respondeu.
– Quem está aí? – perguntou Draco, assustado.
– Então, eles ouviram:
– MORSMORDRE!
E algo grande e verde apareceu no céu.
– Não. – disse Draco, realmente apavorado.
– O que é aquilo? – perguntou Harry.
Era uma grande caveira verde, a boca abrindo-se e dela saindo uma cobra, em uma imitação doentia de uma língua.
Pessoas estavam gritando novamente.
– Temos que sair daqui! – disse Draco. – Corram!
E todos correram.
Florence olhou para a Marca no céu e percebeu que a brincadeira de Lucius havia tomado proporções inesperadas. Algum maluco dentre os amigos mascarados de Lucius realmente estava ali para matar. Ela correu até as árvores, mas alguém de trás de uma árvore segurou em seu braço. Ela atacou em defesa e a pessoa voou longe.
– Sou eu! – gritou Snape se levantando de trás de uma moita. – Ai! Doeu!
– Mas o quê deu em você! Me segurar assim! – exclamou Florence, tentando não rir. – O que está acontecendo aqui?! Não me diga que você sentiu a Marca queimar?!
– Não! Não senti nada! – Snape se levantou. – Mas o que é que você está fazendo no meio dessa luta? Você deveria estar cuidando para que as pessoas fossem embora em segurança e SÓ isso! Você está grávida! – ele sibilou.
– Me conte algo que eu ainda não saiba! – retrucou Florence. – Mas eu... eu vi a Marca no céu e pensei o pior! Eu precisava ir procurar Harry e Draco!
– Eu os encontrei, eles estão escondidos.
– Quem deve ter sido o maluco que conjurou aquilo? – perguntou Florence, indicando a Marca Negra no céu.
– Não sei. Mas isso não estava nos planos de Lucius. – Snape respirou fundo. – Vamos embora, os aurores que cuidem de tudo daqui pra frente.
E eles aparataram.
Casa Snape
Logo que entraram em casa, eles ouviram as vozes dos filhos na sala.
– Eu perdi toda a diversão! – reclamava Elizabeth.
– Do que você está falando, Elizabeth? – perguntou Snape ao fechar a porta da frente.
– Comensais na Copa de Quadribol! – disse a garota como se fosse óbvio. – Vocês estavam todos lá! E eu estava aqui, cuidando do Chris!
Ninguém disse nada. Snape olhou para a filha por um momento e disse em voz baixa:
– Vai para seu quarto e nunca mais que quero ouvir você dizendo tal estupidez.
– Por que vocês treinam a gente se não podemos lutar quando é necessário? – gritou Elizabeth.
– Vai para o seu quarto, Elizabeth. – repetiu Snape. – E eu não quero ver você fora do quarto até amanhã de manhã.
A garota tinha lágrimas nos olhos. O amado pai dela havia dito que não queria vê–la até o dia seguinte. Ela começou a chorar e tentou pedir desculpas.
– Nem uma palavra. – disse Snape.
Elizabeth olhou para a mãe, mas Florence sacodiu a cabeça e disse:
– Vai para o quarto, Elizabeth. Nós conversaremos amanhã.
Elizabeth baixou a cabeça e subiu as escadas, aos prantos.
