Boa noite queridos!

Como esse capítulo foi dificil de sair rs,

Desculpem a demora, mas eu não sabia bem como colocar o final do capitulo, sei que não é o foco da fanfic, mas era importante esse momento para algumas situações futuras.

Aviso: Contém palmadas disciplinares nesse capítulo!

Boa leitura a todos.*


POV Snape

Assim que Jennifer deixa o quarto eu volto minha atenção aos dois meninos, soltando Draco de meu aperto. – Sentem-se no sofá, os dois, agora. – Tentei não ser ameaçador, falhando no processo. Minha cabeça ainda fervia com todos os últimos acontecimentos. Como em nome de Merlin aquilo foi acontecer?

Jennifer tinha sido muito ingênua ou muito estupida para usar aquela desculpa de Amortentia, mas ao menos foi alguma reação. Eu não havia conseguido reagir até que Draco fosse desrespeitoso com Jennifer.

Ela só estava tentando minimizar os dando e arrastar toda a culpa para ela por mim, como fizera desde que a conheci e essa constatação fazia meu peito se aquecer, era errado aquele envolvimento, era errado prendê-la a mim, mas não pude resistir, Jennifer causava em mim sentimentos tão bons e a muito mortos dentro de mim. Eu quase podia arriscar dizer que eu era... Feliz. Nem mesmo Lilian havia me causado aqueles sentimentos tão calorosos. O que Jennifer fizera comigo?

Agora eu estava diante dos dois adolescentes que tomei para meus cuidados, ambos agitados e raivosos, afinal o que eu esperava? Que um dia eles descobriram que eu estava me deitando com a amiga deles, da mesma idade que eles e ambos achariam aquilo normal? Só mesmo Jennifer e seus amigos cabeça de vento poderiam ver normalidade naquilo. Merlin como eu pude ceder a instintos tão primários?

Eu nem mesmo sabia como conduzir a situação a partir de agora, meu desejo era apagar as memórias de ambos os garotos e fingir que nada daquilo aconteceu, mas isso nem de longe seria correto, quem dirá justo com Jennifer. Havia sido nossa condicional para que voltássemos a nos envolver, não a tratar como uma qualquer, principalmente porque... Bom Merlin, ela não era. Mas o que era nosso relacionamento? O que Jennifer significava para mim? O que eu significava para ela?

Antes que eu me desse conta, estava virando uma dose dupla de whisky de fogo garganta abaixo, tentando inutilmente evitar aquela conversa. De costas para os meninos.

-A quanto tempo vocês estão fodendo? – A voz desgostosa de Draco trouxe-me de volta aos dois garotos agora sentados no meu sofá. Minhas mãos apertaram meu copo com mais força, tentando conter minha fúria.

Draco estava testando-me, eu sabia que ele se sentia traído, mas isso não era desculpa para que ele falasse da maneira que estava fazendo. Eu estava tentando ser compreensivo e racional, mas minha paciência estava no limite. – Se eu ouvir mais um único palavrão ou uma frase desrespeitosa saindo da sua boca, Draco. – Minha voz era baixa e calma como a morte. – Eu não vou apenas lhe dar uma surra como também vou lavar sua boca com sabão, então eu sugiro que você tome muito cuidado com o que falar daqui para frente.

Ouvir Harry ofegar e Draco não responder foi o suficiente para saber que minha mensagem foi recebida e compreendida pelos dois. Bom.

O silencio perdurou por mais alguns instantes, eu sabia que teria que quebra-lo, Harry estava quieto desde que aquela situação se iniciou e Draco era inteligente o suficiente para se manter calado antes que piorasse ainda mais sua situação.

Reprimi o suspiro e assumi uma postura firme, os meninos precisava entender que independente de suas opiniões pessoais em relação ao meu envolvimento com Jennifer ou qualquer outra mulher, eles não deveriam intervir ou serem difíceis com relação a isso.

-Como vocês viram, a senhorita Kimmel e eu... – Comecei após pigarrear, minha voz firme. – Estamos envolvidos emocionalmente e...

Draco bufou em desdém. Arqueei minha sobrancelha desafiando-o a expressar seus pensamentos esdrúxulos, eu não precisava usar legismente para saber o teor deles.

-Draco, por favor... – Harry pediu baixo, sua cabeça curvada, os olhos encarando o chão. Ele não queria falar, mas não queria ver Draco em maiores problemas ao que parecia. Isso me intrigou, embora os meninos estivessem praticamente todas as noites em meus aposentos interagindo um com o outro era sempre a base de alfinetadas, não imaginei que Harry tentaria tirar Draco de algum problema, principalmente correndo o risco de se comprometer também. Típico grifano tolo. – Reprimi um sorriso.

-Não vá me dizer que você está favorável com isso Potter? – Draco extravasou sua raiva no outro garoto. – Ou pior, você sabia disso? – Ele apontou para mim descrente.

Harry suspirou negando com a cabeça. – Não, eu não sabia Malfoy, mas o relacionamento dos dois não é da nossa conta.

Não pude evitar a expressão de surpresa que surgiu no meu rosto com a afirmação de Harry, isso era definitivamente algo que eu não esperava.

-Não é da nossa conta? – Draco repetiu descrente. – Não é da nossa conta? Nosso somos quase como filhos dele! Ela tem a p... – Draco foi inteligente o suficiente para conter a boca antes que o palavrão se completasse. Ele suspirou. – Ela tem a nossa idade, Potter. Você não pode estar realmente confortável com isso.

Harry também suspirou. – Nós não temos que estar confortáveis com isso Draco, é a vida particular deles.

Eu sabia que deveria estar intervindo naquela conversa, mas eu apenas me calei, curioso para ver o desenrolar da interação de ambos.

-Ela tem a nossa idade, Potter! – Repetiu Draco ainda descrente.

-Eu sei Draco, mas ainda assim, não temos o direito de intervir. É a vida particular deles.

-Você não pode estar falando sério, Potter! – Draco passou as mãos pelo cabelo, nervoso.

-Jennifer sempre mostrou preocupação com o Professor Snape, - Insistiu Harry. – Tenho certeza que não faria nada para machucá-lo.

Draco rosnou, frustrado com o direcionamento que Harry estava levando a conversa deles. – Ela está aqui a apenas alguns meses, Snape nunca tinha se envolvido com uma aluna! Nunca! E agora... – Ele balançou a cabeça em negação.

Percebi que aquele era o momento apropriado para intervir. Era hora de esclarecer aos meninos meu envolvimento com Kimmel, por mais desconfortável que aquela conversa fosse.

-Ousam os dois. – Pedi calmamente, chamando a atenção para mim. Ambos me encararam com intensidade. – Draco está certo ao falar que nunca permiti tal envolvimento com outro aluno em todos os meus anos de professor. – Draco abriu a boca para argumentar, mas fiz sinal para que parasse. – Embora eu admita que nunca deveria ter cedido a esse envolvimento enquanto a senhorita Kimmel ainda é minha aluna, aconteceu. Estamos em um... – Engasguei para falar aquilo. Nunca tinha me passado pela cabeça concretizar aquele envolvimento tão oficialmente, quem dirá dizer isso em voz alta aos meninos. – Relacionamento.

-Mas... – Draco tentou intervir, mas novamente fiz sinal para que se calasse.

-Eu entendo como se sente em relação a nossa diferença de idade, Draco, bem como todos os outros fatores negativos para este envolvimento, mas no momento é assim que está acontecendo. – Declarei incisivo, sem dar margem para questionamento, aquela não era uma situação que eles precisassem concordar, apenas aceitar minha palavra final. Não éramos uma democracia.

-Eu espero, - continuei quando não recebi outras interrupções. – Que vocês sejam corteses e educados com a senhorita Kimmel, perto ou longe de mim. E que continuem a protege-la enquanto estiverem na escola. Estou sendo suficientemente claro? – Olhei diretamente para Draco, eu não podia ter a menor sombra de duvidas de que o menino acataria minhas ordens, a ideia de ter Draco machucando ou destratando Jennifer por minha causa era... Insuportável.

Recebi em resposta um coro de "sim senhor" submissos o suficiente para me convencerem. – Bom. – Assenti me recostando novamente na poltrona, relaxando, minimamente, pela primeira vez naquela noite.

Ficamos em silencio por alguns instantes, cada um perdido em seus próprios pensamentos, até que Draco tomou a palavra, cabeça baixa, a voz desprovida de arrogância ou desdenhem, apenas um menino ferido com seus sentimentos:

-Era por isso que você me pediu para cuidar de Jennifer? – Sua voz amargurada e baixa.

Eu entendia porque ele se sentia tão ferido, Draco estava comigo a mais tempo, sem considerar que vi o menino crescer, era seu padrinho e passamos por atrocidades na mãos do Lorde das Trevas; eu era a única pessoa que o entendia e não o julgava, eu era seu porto seguro e agora... Ele se sentia traído. Entretanto eu não podia permitir que esse laço que tínhamos me tornasse permissivo quanto à Draco, agora que ele e Harry sabiam do meu envolvimento com Jennifer deviam a ela mais respeito e proteção do que antes.

-Eu entendo que você deva se sentir traído, Draco, posso lhe assegurar que nunca foi essa a intensão embora minha vida privada nunca foi um tópico discutido com você, eu entendo o sentimento. Contudo acredito que a senhorita Kimmel cativou vocês com a maneira única de ser, sei que são amigos dela e realmente apreciaria se a amizade, o cuidado e a parceria de vocês se mantivesse por escolha, mas caso não seja possível, eu espero, de ambos, respeito com ela. – Ele me encarou com um olhar machucado. – Mas respondendo a sua pergunta, não, eu não pedi a você que cuidasse da senhorita Kimmel por conta de meu relacionamento com ela. Eu lhe fiz esse pedido meses antes de ter algum envolvimento com ela.

Agora ambos os meninos me olhavam com curiosidade. – Acredito que vocês não saibam nada sobre o passado da senhorita Kimmel e não é meu papel nem mesmo meu direito contar a vocês a respeito, mas posso assegurar-lhes que, assim como vocês, a senhorita Kimmel teve uma infância sombria e assim como algumas situações acabaram nos aproximando, sua história me causou a comoção necessária para pedir seu envolvimento Draco.

-Mas ela é filha de Dumbledore! – Contrapôs Draco como se a ideia da filha do velho ter tido uma infância fodida fosse absurda.

-E você é um Malfoy, - Assegurei mostrando-lhe como sua origem não assegurava vida alguma. – Nós dois sabemos como isso não apenas não facilitou a sua vida como trouxe as piores experiencias para ela.

Draco torceu o rosto em desgosto compreendendo minhas palavras. Harry continuou calado durante todo meu discurso, mas seu rosto mostrava a preocupação e a dor de saber que Jennifer tivera um passado obscuro.

Reprimi a vontade de suspirar, os dois meninos vinham de uma infância cheia de sofrimento e provações, eu sabia que assim como Jennifer, tudo que eles queriam era esquecer aquilo.

Um flash de memoria passou pela minha cabeça trazendo-me a toma a aparência real do corpo de Jennifer, sem o uso de magia para escondê-lo, todas as incontáveis cicatrizes de cortes e queimaduras por todo o corpo.

Apenas aquela rápida lembrança era o suficiente para fazer-me nausear, o que os meninos pensariam se vissem seu corpo?

-Precisaremos trata-la formalmente, senhor? – Harry arrancou-me de meus devaneios. Encarei-o.

-O que quer dizer Harry? – Franzi as sobrancelhas.

-Devemos chama-la por senhora ou senhorita?

Neguei com a cabeça. – A senhorita Kimmel e eu estamos em um relacionamento, mas isso não significa que ela ainda não seja da idade de vocês e colega de sala de vocês. – Expliquei paciente. – Eu, obviamente, espero que os dois tenham o devido respeito com ela assim como espero vê-los respeitosos com todos os demais; isso não significa que vocês devam trata-la com formalidade, duvido muito que ela gostaria disso.

Ambos pareceram mais relaxados e por mais algum tempo, todos ficamos novamente em silêncio. – É estranho pensar que vocês dois estão... – Draco falou meio divertido meio enjoado. Harry reprimiu uma risada enquanto eu apenas cerrei meus lábios.

Eu compreendia o sentimento dos meninos, mas não tínhamos esse tipo de liberdade, eu ainda tinha a autoridade, o que só me lembrava que eu ainda tinha que lidar com Draco.

-Eu espero meninos, que estejamos claros sobre este assunto e a postura que espero de ambos para com a senhorita Kimmel. – Inclinei-me para me aproximar dos meninos. – Também acredito que não preciso lhes dizer a importância do sigilo quanto a este assunto, além do fato de que nossas vidas particulares não desrespeitarem a ninguém, minha carreira bem como a reputação da senhorita Kimmel estão comprometidas.

-O diretor sabe, senhor? – Harry indagou. Pensei em dar-lhe uma resposta acida, mas até o momento ele tinha sido o mais tranquilo e respeitoso para toda a situação, apenas neguei com a cabeça, era uma pergunta válida e algo que eu precisava revisar. Ele precisava saber, indubitavelmente.

-A senhorita Kimmel não se sentiu confortável o suficiente para notifica-lo sobre nosso envolvimento até o momento e confesso que eu também, embora tenho certeza que estarei regularizando esta situação dentro dos próximos dias. – Garanti sentido o desconforto com essa consciência.

Ambos assentiram em concordância, quando vi aparentemente tudo estava devidamente controlado, sabia que só restava resolver o chilique com o Draco. – Existe mais alguma coisa que vocês gostariam de perguntar? - Ambos negaram com a cabeça. – Sei que esta situação é nova e desconfortável para vocês, mas caso surja algo que lhes incomoda ou que tenham dúvida não hesitem em trazerem para mim.

Ambos assentiram em concordância. – Agora, se você nos der licença, Harry, eu preciso resolver outras questões com Draco. – Falei autoritários, ambos os meninos arregalaram os olhos. – Como sempre, você é bem-vindo para ficar, se quiser, mas vou pedir que permaneça no quarto de vocês até que eu vá busca-lo.

-Senhor por f... – Draco começou, mas o interrompi.

-Nós estaremos conversando sobre seu comportamento Draco, isso não é negociável, então eu sugiro que você poupe sua saliva e meus ouvidos. – A dureza em minha voz, bem como a firmeza foram suficientes para que o menino se cala-se.

Harry se levantou ansioso. – Eu vou voltar para a minha torre, senhor.

-Você não vai ficar, Potter? – Draco indagou ansioso, surpreendendo Harry e eu. Todos sabíamos que Draco estava prestes a receber uma surra pelo seu comportamento deplorável com Jennifer e ainda sim ele queria que Harry ficasse nos aposentos?

Harry ergueu as sobrancelhas. – Você quer que eu fique?

Draco pareceu constrangido, desviou o olhar e deu de ombros. – Claro que não, só fiquei surpreso, achei que fossemos passar a noite aqui depois de todas essas... – Ele gesticulou com a mão. – Depois de toda essa reviravolta.

Ergui as sobrancelhas, surpreso. – Isso me lembra, o que vocês dois estavam fazendo em meus aposentos quando chegamos? – Eu estava mais curioso do que bravo, ambos tinham acesso aos meus aposentos, eu nunca fui específico sobre não virem quando eu não estivesse presente, mas nenhum deles nunca fez isso, nem mesmo Draco que esta comigo a mais tempo, ambos sempre garantiam que eu estava aqui antes de virem e sempre batiam na porta e pediam entrada, mesmo tendo a senha de acesso.

Ambos os meninos ficaram imediatamente tensos e encararam o chão. Reprimi a vontade de tombar a cabeça em diversão a todo o receio que os garotos sentiam. – Então? – Insisti quando nenhum dos dois se manifestou.

Harry começou a mexer em suas mãos, nervoso. – Nós... Nós queríamos lhe fazer uma surpresa.

Não consegui esconder meu espanto com aquela declaração. – Uma surpresa?

Harry deu de ombros e Draco continuou também sem me encarar. – Potter e eu achamos que você gostaria de ver que estamos nos "dando bem" mesmo com a final do campeonato de quadribol sendo entre Grifinória e Sonserina no sábado.

Ergui a sobrancelha novamente cruzando meus braços, cada vez mais surpreso com todas as declarações. Aquilo simplesmente não fazia sentido.

-O senhor quer que nos déssemos bem, - Harry explicou com os ombros encolhidos. – Sabíamos que a final poderia criar um mal-estar então pensamos que se o senhor nos visse aqui convivendo bem sem a sua presença, veria que estávamos bem e... – Ele se interrompeu.

-E...?

Harry se encolheu ainda mais, naquele momento era apenas inacreditável que aquele menino acanhado era o grande herói do mundo bruxo, como poderia ser possível?

Draco suspirou. – E o senhor não mudaria de ideia quanto a nos permitir frequentar sua casa no verão.

Me senti momentaneamente aturdido com a confissão dos meninos, por que esses dois estavam com esse súbito receio? Já havíamos conversado diversas vezes sobre isso. Não fazia sentido.

-Achei que já tivéssemos esclarecido que ambos serão bem-vindos em minha casa se assim quiserem.

Nenhum dos meninos falou por mais um tempo, perdido em seus próprios pensamentos, visivelmente desconfortáveis em falar mais.

-O que realmente está acontecendo, meninos? – Indaguei cruzando os braços.

Harry suspirou e me encarou com olhos pesarosos, igual como Lilian costumava fazer quando estava em conflito com seus sentimentos.

-Estaremos deixando Hogwarts em pouco tempo, senhor. Sei que pode parecer bobo e infantil, mas o senhor é o mais próximo que Draco e eu temos de uma família no momento, sei que temos nossas diferenças, mas não gostaríamos de perder esse relacionamento com o senhor quando deixarmos Hogwarts.

-Pensamos que se o senhor estivesse satisfeito conosco não cortaria o contato após o termino de Hogwarts. – Draco completou.

-Meninos, - Falei em meio a um suspiro deixando a postura defensiva e autoritária de lado. – Vocês precisam entender que quando me comprometi a tomar conta de vocês não falei apenas pelo tempo de Hogwarts ou um período pré-determinado, é pelo tempo necessário ou pelo tempo que vocês assim quiserem. – Encarei os dois. – Vocês são homens já, venceram uma guerra e sobreviveram a atrocidades que são impossíveis de se descrever, eu não compreendo porque vocês querem manter esse relacionamento e se manterem em meus cuidados, mas isso é por tempo indeterminado. A decisão de continuar ou não seguindo minhas diretrizes é de vocês, mas minhas portas estarão sempre abertas. Para os dois.

Ambos sorriram nitidamente aliviados. Era impressionante e triste de ver como os dois eram carentes de qualquer figura paterna que estivesse disposta a lhes prover direção e proteção. Nenhum deles merecia isso.

-Eu vou ficar. – Harry declarou em meio a um sorriso caloroso a Draco e a mim. Assenti sabendo agora como era importante para os dois se manterem unidos, apesar de suas diferenças. – Vou estar no nosso quarto, Draco. – Sem esperar por uma resposta, Harry se dirigiu para lá.

-Obrigado Harry. – Draco respondeu baixo vendo o grifano sair, com a certeza de que o mesmo não havia escutado.

Quanto Draco e eu estávamos finalmente sozinhos, deixei um momento para ver como Draco reagiria, ele suspirou alto e se levantou, suas mãos já nos botões de suas calças.

-Onde o senhor me quer? – Perguntou ele em resignação.

-Draco espere um momento por favor. – Pedi, fazendo-o parar. – Vamos conversar sobre isso primeiro. – Draco sentou-se novamente.

-Senhor, eu realmente sinto muito por meu comportamento.

-Eu quero que você entenda a gravidade da situação Draco. – Declarei ignorando seu lamento. – Você perdeu completamente o controle e era novamente um menino mimado filho de Lucio Malfoy, - Draco se encolheu. – Você não pode simplesmente destratar e ser cruel com as pessoas porque está magoado ou com raiva, Draco, já conversamos diversas vezes sobre isso. Você não é como seu pai.

Draco olhou para as próprias mãos, envergonhado. – Eu sei, senhor, eu realmente sinto muito por meu comportamento, eu apenas... Perdi a cabeça.

Assenti em concordância. – Eu entendo, Draco, mas eu espero de você e Harry sejam pessoas melhores que seus pais foram, ambos já provaram ter um enorme coração e senso de justiça. Apesar dos caminhos que foram obrigados a trilhar acabaram escolhendo o lado certo, quando a guerra chegou ao seu auge. – Tomei o queixo de Draco e o forcei a me olhar. – Eu sei que ainda tem muitas pessoas que te julgam e te discriminam Draco, mas você precisa ignorar toda a sua frustração e ofensas que fizerem a você e escolher ser uma pessoa descente Draco.

-Eu sei, senhor, eu entendo.

-Eu espero que você realmente espero que você entenda Draco, porque eu não vou tolerar esse tipo de postura dirigida a ninguém, à senhorita Kimmel em especial. – Declarei com firmeza. – Se você não puder aceitar nosso envolvimento ao menos respeite-o.

Ele assentiu com a cabeça, seu olhar fixo no chão, acanhado. Senti simpatia e compaixão por ele, eu tinha sido duro, mas eu não podia ceder e ser suave em uma situação como aquela, principalmente com Draco, ele havia chegado muito perto de ir para as trevas de vez, eu garantiria que ele seria um ser humano descente, mesmo que para isso eu precisasse aplicar-lhe uma sova memorável todas as noites.

-Eu vou me desculpar com Jennifer amanhã, senhor. – Draco informou por fim.

Assenti satisfeito. – Bom. – Acomodei-me melhor no sofá. – Então acredito que não tenhamos mais nada a discutir. – Puxei as mangas de minhas vestes. – Sobre o meu colo, por favor, Draco.

O menino reprimiu um gemido, mas não questionou, apenas arriou suas vestimentas e se deitou em meu colo; suas mãos agarraram com força uma almofada próxima e ali ele enterrou seu rosto. Tão logo o menino estava acomodado comecei a espanca-lo, eu não queria prolongar sua agonia.

Não demorou muito até Draco começar a se contorcer tentando desviar das palmadas; segurei com força sua cintura a fim de mantê-lo parado. – Senhor, por favor... – Draco gemeu choroso.

-Eu espero ser a ultima vez que tenho que lidar com esse tipo de situação, Draco. – Fui firme e continuei a espanca-lo até que seu traseiro estivesse bem vermelho e o menino com soluços comedidos. Parei momentaneamente a puxei minha varinha. – Accio Remo. – A palmatória veio rapidamente para minha mão.

-Não, senhor, por favor! – Draco suplicou chorando tentando sair do meu colo, mas o mantive firme.

-Estamos quase terminando, Draco. – Garanti em uma tentativa de confortar o menino.

-Por favor senhor, - Implorou Draco em lágrimas. – O remo não!

Ignorei suas súplicas e recomecei a sova com o remo. Draco gritou e se contorceu a cada pancada, mas completei as vinte remadas que havia planejado; quando parei Draco era uma bagunça entre soluços, choros e lamentos.

-Está tudo bem agora, Draco. – Garanti ao menino afagando suas costas, dando-lhe tempo para se recompor. – Está acabado.

-Eu realmente sinto muito, senhor.

-Eu sei que sim, você está perdoado agora, Draco. Está tudo bem.

Quando o menino se acalma o suficiente, ajudo-o a se levantar e a restaurar suas vestes, o qual não passa sem um gemido exagerado quando o tecido áspero toca a pele castigada de Draco.

-Eu não quero ser como meu pai. – Ele secou o rosto com a manga do agasalho.

Sorri fracamente entregando-lhe um lenço. – Você não será, eu não vou permitir que isso aconteça. – Garanti tranquilizando-o. – Mesmo que para isso eu precise espanca-lo todos os dias.

Draco fez uma careta. – Merlin me livre, esse remo dói como o inferno! – Reclamou como um garoto pequeno faria.

Reprimi a vontade de rir e até mesmo de repreendê-lo pelo palavreado. – É suposto doer, Draco, se não, não seria uma punição. – Falei divertido.

Draco fez uma nova careta. – Nunca mais quero ter outra surra com esse negócio. – Até o momento o menino estava se controlando, mas assim que ele relaxou suas mãos quase que automaticamente começaram a esfregar seu traseiro. Reprimi a vontade de rir e nada comentei.

-Basta se manter longe de problemas que o remo se manterá longe de você. – Assegurei me levantando. – Agora vá se preparar para a cama, por favor, tenho certeza que Harry está angustiado querendo saber se eu te matei.

Draco riu. – Tenho certeza que levei a surra muito melhor do que Potter teria. – Presunçoso, o menino nem mesmo percebeu que estava colocando uma nova rivalidade estupida entre ele e Harry.

Revirei os olhos e com uma mão em suas costas comecei a guia-lo para seu quarto. - Sim, com certeza. – Respondi irônico, mas feliz que no final daquela noite desastrosa estávamos rindo.


Espero que vocês tenham gostado, pessoal! Não deixem de me contar ok!

Sei que ainda tenho alguns comentários do ultimo capitulo pra responder, eu não esqueci, amanhã sem falta eu termino de responder!

Beijos e até o próximo capítulo!

Marry Black.*