Olá meus queridos estou aqui como o prometido com o primeiro capítulo do livro 2.Antes de mai nada tenho que dar um aviso, enquanto estava escrevendo esse capítulo que se passa algumas semanas depois de onde termina o cap 45, notei que a noção de tempo dada por Jake no cap 38, antes dele entrar em coma, ficava muito confusa,nem eu mesma lembrava de quanto tempo tinha se passado isso modifiquei o cap 38 para que melhor se adequasse a passagem de tempo. O trecho que mudei dizia que a mudança dos Cullens só aconteceria depois de Janeiro, logo em fevereiro, mas logo no proximo paragrafo Jake dizia que logo depois do ano novo os Cullens tinham voltado, o que entrava em contradição com o paragrafo anterior, sem falar que não tínhamos referencia de que qual era a data em que estava se passando a ação, quantos dias tinha se passado desde a partida dos Cullens? Poderia se entender como poucos ou até semanas, não estava muito claro. Então mudei para "...Os Cullens partiram dois dias após o ano novo para arrumarem as ultimas coisas para a mudança, algo haver com decoração, mas não perguntei . Preferi ficar para matar mais um pouco as saudades do velho, mas eles estariam de volta em no máximo duas semanas para passarem os últimos dias com Charlie antes da mudança derradeira.
Eles haviam ido a 3 dias e eu já estava correndo a bastante tempo..." O que faz mais sentido. Espero que isso não confunda ninguém. Alguns devem se perguntar porque se dar a tanto trabalho, e talvez alguns conseguiriam se situar perfeitamente, sem esse esclarecimento, mas eu achei que se eu como escritora fiquei confusa, muitos também ficariam, até porque no capítulo de hoje, irei dar uma data que talvez não fizesse sentido dependendo da forma como o a passagem original fosse interpretada.

Bem, a nova, ou novo leitor perguntou: "O livro dois, vai ser tudo o que aconteceu, mas na perspectiva dela, ou, vai ser uma nova etapa, do que aconteceu depois da despedida?" Bom, eu já me acostumei ao fato de que ninguém lê meus avisos, então repetirei como sempre. O livro dois, é uma continuação quase que direta do primeiro. Como explicai mais acima começa algumas semanas depois dos Cullens terem partido. Será basicamente sobre o ponto de vista de Nessie, mas terão alguns caps no ponto de vista de outros.

E para aqueles que baixaram as musicas da sountrack, a musica de hoje seria a "human" do the killers.

Obrigada a Carla, Mainara PWM e Oyuky pelas reviews!

LEIAM, COMENTEM E RECOMENDEM!

46 Um lugar para chamar de lar

Encarava o teto extremamente branco do meu quarto entediada. Tínhamos voltado para nossa casa em Chicago já a três semanas e 6 dias, sim eu estava contando. E não isso não melhorava nem um pouco. Jake estava em sua universidade, mas só nos falávamos por telefone e videoconferência. Ele estava cheio de trabalhos atrasados e provas que teria de fazer e mesmo as ligações eram escassas a meu gosto. Mas a ultima coisa que faria era atrapalha-lo, por isso só ligava a noite, ou então deixava que ele ligasse, esperando ansiosamente o dia inteiro para que o telefone tocasse.

Eu queria pedir a minha mãe para lhe fazermos uma visita surpresa. Afinal eu não mudara quase nada desde a última vez que estivéramos lá, mas já sabia qual seria seu discurso.

"O Jake está muito ocupado agora, e você o conhece, se aparecermos por lá assim de supetão, ele é claro ficará muito feliz, mas irá se enrolar todo para nos dar atenção."

Dei um longo suspiro.

Essas três semanas eram, pelo menos na cabeça de minha mãe e de Alice, dias de diversão e reformas. Tudo para Alice se tornava motivo para algum tipo de reforma, na casa, no guarda roupa, ou até mesmo o que fosse possível se mudar na aparência imutável de um vampiro. Já no meu caso, como estava sempre mudando, eu me tornava sua cobaia favorita.

Se deixasse por sua conta eu teria um novo corte de cabelo todo mês, o que foi logo vetado por minha mãe, que simplesmente não permitiria que Alice acabasse com meus "cachinhos adoráveis que eu herdara de Charlie". Devo confessar que nunca fiquei tão feliz com a mania de minha mãe de me infantilizar, quanto essa em que salvara meu cabelo de ser despedaçado pela ágil tesoura de Alice. Mas a mudança de guarda roupa a cada estação era uma lei para toda a família, e da qual, como membro desta também não consegui fugir. Não que eu não gostasse de roupas novas, eu adorava a maioria delas. Mas gostaria também de ficar com algumas antigas que eu realmente gostava. Mas Alice nunca me permitia repetir um look, então assim que decidia por usar uma roupa tinha de me preparar para dizer adeus a ela. Porque logo que esta fosse para o cesto de roupa suja, era dali para a lavadora e para a caixa de doação.

O dia em que descobri aquela caixa foi como Natal fora de época. Resgatei um par de botas de chuva que me foram dadas por Charlie e por isso tinham valor sentimental para mim, alguns pijamas que já estavam amaciados pelo uso e por isso mais confortáveis, um casaco de inverno peludo que me lembrava Jacob e que minha mãe comprara errado e por isso ficara enorme em mim. Porem, apesar de ter isso como argumento ele fora para a caixa só porque eu sem querer tinha descosturado um pequenino pedaço da manga. Nada demais, só uns dois ou três centímetros, mas Alice não deixara Esme concertar para mim. Lembro que fizera o maior show porque queria o casaco, mas ela não voltou atrás e chegou a bater boca comigo. Depois daquilo achei que ela tivesse terminado de rasgar o casaco ou tivesse atirado fogo nele. Mas apenas o colocara junto com o resto das roupas para dar. E qual não fora minha surpresa ao ver que ela ainda por cima estava com a manga concertada! Então Esme não podia concerta-lo para mim, mas o podia para a doação? Aquilo me deixou com muita raiva, mas estava muito satisfeita por ter o casaco e as galochas de volta para me deixar abater por aquela traição. Resgatei ainda um cachecol, um chapéu e uma blusa que gostava muito.

Levei meus pequenos tesouros até meu quarto no maior sigilo que pude e procurei por um lugar em que pudesse esconde-los de Alice e o surto psicótico que com certeza teria por causa disso. Tentava colocar no fundo da ultima gaveta da cômoda uma das galochas que teimava em não entrar quando um grito atrás de mim me assustou.

_ DE ONDE TIROU ESSAS COISAS? Rosnou Alice que tenho certeza se ainda tivesse sangue nas veias estaria roxa de raiva.

Pus-me em postura protetora na frente das coisas e a encarei com um olhar tão mortal como o seu.

_ Eu é que deveria estar acusando alguém aqui. _ falei com meu dedo em riste em sua direção_ Como pode? Sabia o quanto eu gostava dessas coisas, e você ia me obrigar a me livrar delas, só porque acha que nãos servem mais!

_ A maioria dessas coisas não cabem mais em você! Defendeu-se ela com a voz raivosa.

_ Mas estas, _disse agora apontando para minhas coisas_ tinham valor sentimental para mim, você não tem o direito de me obrigar a abrir mão delas.

_ Você esta sendo egoísta Renesmee, elas não te servem mais, você tem um guarda roupa cheinho de roupas novas que te servem perfeitamente. Deveria doa-las para quem realmente precisa ao invés de ficar choramingando por elas! Falou em tom critico.

_ Já chega disso! Disse meu pai surgindo da porta e intervindo em nossa discussão que com certeza, a essa hora já era de conhecimento de toda a casa.

_ Edward, por favor, convença sua filha de que essa atitude dela e ridiculamente infantil. Ela tem milhares de roupas em estado muito melhor do que essas que estão gastas e fora de moda, e ainda por cima não lhe servem! Falou ressaltando a ultima parte.

Meu pai então me encarou esperando qual seria minha justificativa para todo aquele escândalo.

_ São minhas coisas não? Então acho que tenho o direito de decidir se quero dá-las ou não? _ perguntei e ele ergueu a sobrancelha_ E eu não estou sendo egoísta, porque não me importo em dar minhas coisas velhas e que não me sirvam mais, mas estas eu ainda quero, elas tem boas lembranças para mim... Falei e deixei que as lembranças de quando Charlie me deu minha galocha em meu aniversario de 2 anos, sua voz ainda ecoava perfeitamente em minha cabeça.

Ele parecia um pouco constrangido o que me ainda mais curiosa. Por mais simples que fossem seus presentes eu sempre os adorava.

"Para quando formos pescar." Ele disse timidamente me entregando um embrulho muito bonito, que obviamente não fora feito por ele. Dentro da bela caixa tinha um par de galochas vermelhas adoráveis.

Sorri para ele super empolgada com a possibilidade. Infelizmente nesse meio tempo nós não havíamos conseguido pescar e eu acabara crescendo e perdendo-as, mas nunca tive a intenção de me livrar delas só porque não cabiam mais. Eu guardava todos os presentes que Charlie me dava com muito carinho. Todos se encontravam dentro da caixa que Jake me dera em meu primeiro aniversario, junto com todos os meus tesouros.

_ Nessie nós somos imortais não podemos guardar cada coisa de que gostamos, senão nunca teríamos espaço para nada.

Humph! Diga isso para o seu closet maior que o meu quarto, e para os mais de 100 depósitos que eu sei que você tem. Pensei de mal humor. E o canto direito da boca de meu pai levantou dando principio para um pequeno e discreto sorriso torto.

Ok, então Alice queria jogar sujo, bem, eu também poderia fazer isso.

_ Bom, então eu podia deixar minha mãe encarregada do meu guarda roupa a partir de agora... Ameacei e vi seus olhos se arregalarem.

_ Você não faria isso comigo... Sussurrou com a voz falha pelo choque.

Tudo bem, aquilo fora maldade, mas eu sou só uma criança em uma casa cheia de vampiros super poderoso, eu preciso de uma arma contra eles, mesmo que sejam apenas sorrisos ou lagrimas.

E afinal, quem disse que a vida é justa?

Voltei a encarar meu pai que apenas assentiu para mim.

_ Alice, vamos deixara as coisas nos seguintes termos. _ disse de forma apaziguadora_ Nessie deixa que continue cuidando de seu guarda roupa e da decoração de seu quarto, mas... _ frisou bem a palavra_ a palavra final sempre será dela, inclusive quanto às coisas para dar. Ambas concordam?

É era valido para mim. Assenti.

Eu e meu pai encaramos Alice que parecia estar sofrendo de uma dura crise ali. Ela respirou fundo algumas vezes, mesmo sem precisar, assumiu então uma postura rígida e disse.

_ Já que não tenho outra opção, sim. Disse com a voz em desanimo e deixando os ombros caírem.

_ Bom, você poderia deixar minha mãe fazer seu trabalho, já que ele lhe parece tão árduo. Debochei.

_ Humph! Como se eu fosse permitir tal blasfêmia. Resmungou antes de sair do meu quarto com passadas leves e cheias de atitude.

Eu e meu pai seguramos o riso para aquela total falta de noção dela, ele então me ajudou a achar uma boa caixa onde caberia as galochas e a arrumar o resto das coisas.

Não demorou nem mesmo 24 horas para tudo estar absolutamente bem novamente entre nós duas, e logo ela estava me empurrando revistas de decoração goela a baixo. Desde nosso retorno ela estava mais do que disposta a fazer alterações em meu quarto e no estúdio de balé, que apesar de maior do que o que tínhamos em Eugene ela ainda achava insatisfatório.

O estúdio tomava todo o espaço do quinto andar da casa que era enorme, diga-se de passagem. Eu duvidava que houvesse estúdios de balé tão grandes ou tão bem equipados quanto aquele. Mas para ela ainda não bastava os mais de 300 m². Eu não tinha mesmo muita coisa realmente relevante para ocupar minha cabeça então aceitei de bom grado tudo aquilo, até porque devido a meu mais novo e muito beneficiador acordo eu tinha poder de veto a cada decisão de Alice que eu não concordasse. E eu não perderia essa chance de inferniza-la.

Todos naquela casa estavam sempre em suas mãos, pelo simples motivo de que ela estava sempre prevendo seus futuros e decisões e arrumava sempre as coisas até que elas estivessem a seu gosto, bem a única a quem ela não podia prever era... Eu, assim comigo era sempre um chute no escuro, e eu faria a sofrer, só um pouquinho.

Entretanto, eu devia ter imaginado que não seria tão fácil assim simplesmente me vingar um pouquinho de Alice por minhas roupas. Eu devia ter previsto que ela faria de minha vida um inferno. E assim o fez. Ela me perguntava cada mínimo detalhe, desde as cores das paredes até quantos fios eu preferia na roupa de cama! Eu cheguei muito perto de explodir e jogar tudo para o ar, mas foi aí que notei que era justamente essa a sua intenção!

Alice era de fato uma criaturazinha maligna e perversa! Ela estava me enlouquecendo só para que eu perdesse a cabeça e acabasse largando tudo em suas mãos. Mas ela não me venceria assim tão fácil. O quanto mais ela engrandecia as coisas, mais eu simplificava. Chegamos ao ponto em que ela queria transformar meu quarto em um circo! Seus planos incluíam tantos babados, rococós, rendas, sedas e brocados que eu já estava me afogando em baixo de tantas roupas que estavam praticamente explodindo do meu novo guarda roupa que foi responsável pela derrubada de uma parede e a tomada de um cômodo inteiro apenas para ele. Isso foi mais um motivo para discussão, mas Alice alegou que como eu já era praticamente uma mocinha precisava de um guarda roupa a altura e que comportasse todas as necessidades que uma pré-adolescente pudesse vir a precisar. Isso é claro queria dizer, um closet que tivessem roupas para qualquer ocasião e clima, todas da ultima temporada de Paris, vindas de grifes exclusivas.

Seu projeto previa a transformação de meu quarto em um catalogo da Vogue inspirado no barroco francês! Eu podia até ver Kristen Dunst sentada no divã paramentada de Maria Antonieta. Cortinas brocadas, uma cama em que poderiam dormir pelo menos uns 3 lobos confortavelmente, candelabro de cristal, paredes marcadas com entalhes com curvas, anjos, leões e o monte de outras coisas bizarras pintadas de dourado, frisos, florões e tantas outras extravagâncias que me deixavam até tonta, faziam parte dos planos que vetei veementemente.

Isso é claro a deixou furiosa, mas não tinha como eu permitir que meu quarto fosse transportado para o século XVII, só pelos caprichos de uma vampira hiperativa-psicótica-narcisista. Demorou quase 3 dias e muita discussão para chegarmos em um consenso entre a frivolidade do rococó e a sobriedade do clean, esta ultima a qual eu sempre preferi. Ao final conseguimos produzir um cômodo moderno, aconchegante e muito elegante modéstia a parte. Alice teve de dar a mão a palmatoria de que menos é sempre mais, e em suas palavras "o vintage está em voga agora", e assim fizemos uma bela releitura que mantinha a fragilidade e pureza do barroco francês na escolha das cores e moveis antigos ao mesmo tempo em que dispunha também de equilíbrio e sobriedade. Ambas estávamos satisfeitas.

Quando as reformas em fim terminaram, as quais foram realizadas em tempo recorde se comparado com o tempo que se levaria normalmente para faze-las. Mas estamos falando de uma casa cheia de vampiros que nunca dormem. Sendo assim em menos de duas semanas estava tudo terminado eu voltara para o marasmo de tedio e depressão por não ter nada para fazer além de seguir minha rotina de estudos.

Meus pais e o resto da família se encarregaram para que meu tempo fosse completamente tomado por atividades educacionais. Eles deviam achar que se eu não tivesse tempo nem para respirar direito não pensaria em Jake. E de fato isso até que ajudava um pouco. É difícil ficar depressiva quando nem se pode pensar em outra coisa além de matemática, física, química, biologia, história, geografia, astronomia, literatura, filosofia e sociologia. Além das aulas de culinária e artesanato com Esme as quais funcionavam como uma ótima terapia ocupacional. E ainda as de línguas com papai, eu já falava fluentemente inglês, espanhol, latim, francês, italiano e português, agora estávamos entrando nas línguas germânicas, sendo assim eu estava tendo minhas primeiras noções de alemão. E é claro, as não menos importantes aulas de genética avançada com Carlisle, ele ainda nutria uma grande curiosidade sobre minha "espécie" em particular.

Todos os dias, por uma hora, nós nos reuníamos em seu laboratório no subsolo e estudávamos meu DNA. Ainda não tínhamos feito nenhuma descoberta avassaladora, mas isso não parecia abala-lo nem um pouco, comigo acontecia o extremo oposto. Em um dia qualquer eu estava particularmente frustrada porque não conseguia ter nenhuma reação interessante de uma célula que estava testando na placa de petra, ele me disse que seria uma extraordinária sorte se fizéssemos alguma descoberta significadora consistente em tão pouco tempo, e que no mínimo precisaríamos de uns 6 meses de trabalhos para colhermos o menos dos frutos. Aquilo me fez murchar como uma bola de gás em fim de festa e só não abandonei o trabalho porque além de não ter nada melhor para fazer, eram pesquisas sobre minha espécie que ele estava fazendo, logo eu era a mais interessada nas descobertas que ele viesse obter. Por isso apesar do tedio da maior parte do tempo me mantive fiel ao nosso proposito, além de que era muito interessante e motivador saber que nossas descobertas poderiam trazer algum beneficio não só para mim, mas para toda a humanidade.

As aulas de balé com Alice já não eram mais um grande desafio, então ela decidiu por acrescentar novos estilos de dança, a começar pelo balé moderno, que apesar de ser um balé, era muito diferente do clássico que havia treinado até agora. Aceitei inclusão de bom grado, e devo confessar, até com certa empolgação. Sempre adorei um bom desafio, e eu amava verdadeiramente dançar. Era uma das poucas coisas que realmente me distraia e conseguia sugar tanto minha energia quanto minha concentração. Quando as obras no estúdio começaram fiquei com uma seria crise de ansiedade para que enfim pudesse voltar para meu chão com piso flutuante em madeira, minhas paredes espelhadas, e para minha barra de exercícios.

Primeira posição... Segunda posição... Terceira posição... Quarta posição... Quinta posição... Pliés, piruetas, arabesques, deboulés, jetés... Cada pequeno movimento feito com o máximo de graça, equilíbrio e destreza que podia reunir. Esses pequenos momentos em meu recluso estúdio era a única verdadeira felicidade da qual podia me dar ao luxo no momento. E a nova liberdade que os movimentos do moderno me possibilitavam era de fato um alento, eu quase podia me sentir livre... Não que eu não amasse estar com minha família. Se não fosse por eles, em especial minha mãe e meu pai, não conseguiria suportar. Porem, sem ele a meu lado, era sempre como se algo estivesse faltando. Era como quando temos a estranha sensação de que esquecemos a cafeteira ou o ferro ligado. Uma desagradável sensação de inquietação e expectativa preenchiam meu coração.

Eu era, incompleta... Quando ele não estava a meu lado.

Vazia...

Minha vista já estava tão cansada de olhar para toda aquela brancura que já não a via como tão perfeita. Como quando olhamos para algo por tanto tempo que ela perde a sua uniformidade. Podia perceber até os pequeninos poros da superfície clara. Em meu marasmo de desinteresse deixei que meus pensamentos vagassem para as mesmas e recorrentes questões que habitavam meus pensamentos quase 24 horas por dia.

Nascer... Crescer... Gerar descendência... Morrer...

Minha vida seria assim?

Eu nascera e estava sempre crescendo e crescendo...

Quanto às outras partes já não tinha tanta certeza. Nada é certeza em minha vida. Nada é certo ou constante, nada dura tempo o suficiente para que eu me acostume ou que me canse dela. Isso deveria ser bom eu acho... As pessoas estão sempre reclamando de como a vida é banal e sem graça. Mas sinceramente, já estou cansada é de crescer. Eu sei, parece ridículo alguém que viveu tão pouco já estar cansado de algo que naturalmente deve demorar. Meus pais, minha família e até Jake, que embora não fale sei que como eles, não concordam comigo. Por eles eu teria uma longa e feliz infância. E não é que eles não tentassem fazê-lo, mas eu não era como a maioria das crianças. Eu nunca saberia verdadeiramente como é ser normal, porque eu nunca fui nem nunca seria normal.

Todos que eu conheço foram humanos em algum momento de suas vidas, mesmo que não se lembrassem disso, como era o caso de Alice. Acho que dentre todos ela era quem melhor poderia me compreender, mas Alice é... Bom, ela é simplesmente Alice. Está a maior parte do tempo em seu próprio mundo, no qual os corredores são cobertos de vestidos de Alexander McQueen e bolsas da Louis Vuitton, ou monitorando o futuro de todos, ou melhor, todos exceto eu é claro. Esta aí uma coisa que não mudara nem um pouco era o fato de que Alice ainda não podia me ver com clareza. E embora isso não me incomodasse nada na maior parte do tempo, às vezes... Isso me assustava.

Há tanta coisa que eu não sei, tantas perguntas sem respostas, questionamentos e incertezas, que minha cabeça se torna um campo minado de duvidas e temores e tudo em que consigo pensar é no que vai acontecer agora? Será que vou conseguir lidar com isso? Sou apta o suficiente?

Nenhum livro que eu tenha lido ou que um dia leria poderia me ensinar a viver minha vida, até porque não existiam livros sobre o que eu era, no máximo mitos bizarros na internet baseadas em lendas ainda mais esdruxulas. Não, aí é que morava a grande resposta para todas as minhas perguntas.

A resposta seria vive-la. Um dia de cada vez, do que poderia ser a eternidade.

Não sei ao certo como encarar isso. Muitos ficariam completamente extasiados com a ideia de serem jovens para sempre, eu pessoalmente ainda não conseguia ter um sentimento sobre isso. Os humanos desejam a imortalidade porque dentro de pouco menos de um século irão envelhecer e morrer, e ninguém quer morrer. Até mesmo entre os imortais, se manter vivo, se é que posso classificar assim a existência dos vampiros, é uma prioridade. Mas para a mim, que nunca teria de me preocupar com questões estéticas como rugas, estrias, estar acima do peso, ou doenças como câncer, pressão alta, e diabetes. Desejar a imortalidade por mero capricho de vaidade parecia algo extremamente fútil.

Há alguns que desejariam não apenas por nunca ter de morrer, mas pelo poder que isso lhe conferiria. Submeter a sua vontade tudo e todos que desejasse. Fazer aquilo que quisesse quando bem lhe apetecesse. As leis humanas de nada valeriam, eles estariam acima delas. Afinal porque um deus se sujeitaria a meros mortais? Eu poderia citar uma pequena lista de nomes de pessoas que acreditavam nesse conceito e que já andavam pela terra muito antes dos direitos civis se quer ser sonhados. E com esses eu não podia me distanciar mais.

Contudo existem ainda pessoas, e essas são mais raras, que desejam a imortalidade para nunca terem de deixar aqueles que amam como foi o caso de minha mãe. Ela abriu mão de uma vida humana que poderia ter sido cheia de possibilidades para ficar com meu pai. Eu podia me identificar com sua escolha, eu mesma sei que a faria se estivesse em uma situação semelhante. Abriria mão de qualquer coisa para estar com as pessoas que eu amo. E por isso eu podia ver a imortalidade como algo realmente bom.

E isso me conduzia a um fato nem um pouco desejado e a mais uma pergunta sem resposta. O primeiro era de que algumas pessoas que eu amava muito eram humanas, e não estavam nem um pouco dispostas a mudarem essa sua condição, e, portanto em alguns anos, muito poucos em minha opinião, eles me deixariam. E esse era o caso de Charlie, Sue, Billy, das imprintings, dos garotos de La Push e até mesmo de Renée, que apesar de eu não conhecer ainda, eu já amava demais. O segundo, que nada mais é do que um questionamento embasado no primeiro.

Meu Jake assim como os outros também morreria?

Eu perguntara isso a ele uma vez a já alguns anos. Fora logo depois de minha primeira caçada. Naquele dia eu conhecera o significado da palavra morte. Eu não conseguia entender porque o cervo não se mexia mais, e porque seu coração parar de bater. Meu pai então, com toda a delicadeza que pode reunir me explicou aquilo fazia parte da vida, e que todos os seres vivos morriam. Lembro-me de que me senti culpada por abreviar a vida do pobre animal, mas ele me garantiu que não havia nada de errado em mata-lo uma vez que era para meu sustento, e que a outra possibilidade não era uma opção. Também me lembro de perguntar-lhe em seguida se eu também morreria, e naquele momento eu vi seus olhos dourados perderem o foco e minha mãe apertar sua mão. Nessa época eles não sabiam ainda que eu também seria imortal. Pelo contrario, eles achavam que com meu crescimento acelerado eu morreria em poucos anos e por isso estavam sempre pesquisando e viviam em um medo constante. Fora uma grata surpresa para todos quando o outro hibrido, Nahuel, nos garantiu que eu também seria imortal. Eu não ligara muito na época, ainda não entendia direito o conceito de eternidade.

Ter a garantia de meu pai de que eles viveriam para sempre foi um grande alivio para mim, mas quando perguntei sobre Jake, mas uma vez ele ficou sem resposta. E eu não parava de insistir em ter uma resposta ele apenas disse: Ele vai viver o quanto ele quiser. Isso me fez inquirir Jake naquela mesma tarde sobre isso e ele me garantiu que viveria tanto tempo quanto eu. Isso me bastou no momento, mas é claro que naquela época eu não compreendia tão bem os significados embutidos em suas palavras.

Eu não fazia ideia alguma sobre imprinting, eu já amava muito o Jake, mas não tinham a mínima ideia da complexidade desse sentimento, e nem o quando nossas vidas estavam entrelaçadas.

Mas agora nesse momento era impossível não pensar em todas essas coisas. O que faziam de minha cabeça uma verdadeira zona. Como uma grande biblioteca em desordem, e por mais que eu estivesse empenhada em organiza-la, eu só conseguia fazer mais bagunça.

Obviamente isso era absolutamente compreensível analisando desde o ato de minha concepção, a espécie – ou melhor, as espécies – as quais eu faço parte, a família e amigos que tenho, e não menos importante a fase da vida a qual começava a enfrentar... Adolescência... Ou pelo menos era o que minhas características físicas começavam a apontar. Seria mais correto dizer que eu estava na "pré-adolescência", ou pré-chatice como brincava Emmett. E tinha que concordar com ele na parte de não estar nem um pouco empolgada em ter meus hormônios sofrendo por uma seria crise de desequilíbrio químico pelos próximos meses, ou anos!

Mas diferente de nós haviam alguns que estavam muito empolgados com isso como Alice e Rosalie, seu entusiasmo com cada nova fase de meu desenvolvimento e o quanto isso poderia oferecer-lhes de possibilidades de criarem sobre mim era equiparada a velocidade de meu próprio crescimento. Carlisle podia não querer demonstrar, mas cada mudança mais radical eu podia notar um brilho de sua havida curiosidade de cientista em seus olhos.

Jasper não esboçava qualquer opinião ou interesse sobre isso, mas acho que provavelmente ele também não devia estar muito satisfeito em saber que em breve estaria tendo de dar conta do humor instável de uma adolescente com os nervos a flor da pele. Esme parecia apenas feliz em poder acompanhar cada pequenina descoberta pela qual eu passava sem esboçar algum maior entusiasmo por uma coisa ou outra, além de poder estar a meu lado nisso. E ainda haviam meus pais... Era nítido em seus olhos a preocupação comigo. Não mais pelo fato de me perderem, tinha mais haver com o medo pelo desconhecido que ainda era meu futuro.

Minha mãe se preocupava com o fato de como não ter uma infância normal podia me afetar, de como estar reclusa e sempre rodeada apenas de adultos poderia me fazer uma pessoa com sérios problemas de me relacionamento com outras pessoas, e até mesmo pela minha rara condição de hibrida. Eu tinha certeza de que ela não se esquecera do episodio no menino no parque, e de como acidentalmente eu o ferira. Nós nunca mais voltamos aquele lugar, ou falamos em algum momento sobre aquilo. Mas a verdade era que eu não tinha realmente grande interesse em fazer novos amigos e em conhecer novas pessoas o tempo todo. Não que eu não gostasse de pessoas, não eu as adorava, a época em que nossos amigos e aliados vieram testemunhar a meu favor no passado fora extremante divertida e eu aprendera muito com nossos hospedes. Porem com os humanos... Tinham várias coisas que me impelia a não querer me aproximar deles.

A primeira era o simples fato de sempre termos de mentir para eles sobre nós, e eu não gostava de mentiras, a segunda era que mesmo se eu conseguisse manter uma mentira e me aproximasse de alguém, em alguns anos eu teria de me afastar para o seu próprio bem, e em mais alguns essa pessoa estaria morta. E isso era o que determinava categoricamente minha ideia de não iniciar qualquer relação com um humano.

Já do outro lado estava meu pai, e ele não temia por minhas relações afetivas como minha mãe, ou pelo menos não as que eu poderia vir a manter com humanos, mas duas em especial que eu mantinha e que em sua opinião não era as das mais ortodoxas, e embora uma delas eu soubesse que ele era favorável até certo ponto, a segunda com certeza estava assolando o profundo de sua mente até agora.

A primeira era com Jake, obviamente meu pai sabia tudo a respeito do imprinting dele por mim, e sabia exatamente o que ele sentia por mim. Mas recentemente, em meu ultimo ataque, ele entrara acidentalmente muito profundo em minha cabeça, e vira com toda sua força o que eu sentia pelo Jake. E era certo que o que ele vira o assustara bastante. Ele sentira minha dor pela ausência de Jake, ele vira minha alma se desfazendo pela dor de Jake, e para nenhum pai, é agradável ver o sofrimento de um filho e saber que esta de mãos atadas. Mas quanto a essa parte, por mais doloroso que tenha sido e por mais traumático que pudesse vir a ser no futuro, era algo que ele vinha se preparando desde que eu nascera e ele soubera do imprinting. O que ele nunca imaginara era Tony.

Sim porque por mais que eu odiasse mentir ou esconder algo dele e de minha mãe eu tiver de "omitir" alguns fatos a respeito do meu amigo do outro mundo. Ele jamais aprovaria que eu mantivesse um relacionamento afetivo fosse qual fosse por alguém que está morto e fora da nossa dimensão. Eu vira o quanto ele ficava nervoso sempre depois de uma de minhas viagens com Tony para o outro lado, quando minha mente simplesmente desaparecia de seu radar. Toda manhã depois disso ele ficava me checando quase que de hora em hora, e de vez enquanto ele acabava pescando coisas comprometedoras e eu ficava enrascada. Era muito incomodo, estar sempre sobre a vigia serrada de Edward Cullen e isso só me fez buscar formas de bloqueá-lo, precisei de muito esforço e exercícios, assim como os que eu fazia em segredo no começo com as projeções para poder começar a conseguir algum resultado proveitoso.

Hoje o que eu podia fazer não era evitar que ele entrasse em minha mente, eu não era um escudo como minha mãe, mas eu podia afasta-lo, meio como se ele fosse obrigado a se afastar sempre que tentasse se aproximar. Se essa habilidade fosse considerada um escudo funcionaria mais como uma cerca elétrica, não impediria ele de chegar bem perto, mas ele não conseguiria transpô-la para chegar até o que tinha depois. Era satisfatório por enquanto, mas para que funcionasse realmente eu tinha de estar sempre com a "cerca" ligada, e isso requeria muito esforço mental, o que esgotava completamente minhas forças. E isso também significava que infelizmente meus sonhos não estavam cobertos, e se ele quisesse poderia ter acesso a eles.

Meu pai obviamente suspeitava disso já algum tempo, mas depois que teve acesso livre a minha mente com o surto e minha entrada na cabeça de Jake, o que até agora ninguém conseguira formular realmente uma teoria que pudesse explicar completamente tal feito, garantiram que eu passasse por um exaustivo interrogatório quando acordei, além de mais uma bateria de exames irritantes. E no final, por mais que eu tenha tentado evitar dar-lhes respostas estava muito cansada e acabei deixando meu pai ter acesso a informações demais.

A verdade é que eu já estivera do outro lado varias vezes com Tony, em um lugar estranho que ele chamou de limbo. Não era exatamente com o limbo que estava na bíblia que Carlisle me dera para ler, mas não me pareceu correto corrigi-lo na ocasião, e como eu não fazia ideia do lugar em que estava, não poderia de fato afirmar que ele estava errado. Era um lugar bonito e florido, muito parecido com as florestas de Forks. Ele me disse que aquele era meu limbo, e ele se pareceria com o que eu quisesse, mas não encontrei necessidade de mudar nada, estava perfeito daquele jeito, era um lugar para se chamar de lar. Ou pelo menos parecia com o meu verdadeiro lar em Forks.

Meus passeios naquele lugar com Tony eram sempre muito divertidos, nós podíamos fazer o que quiséssemos, lá o tempo nunca era como aqui, às vezes parecia que só tinham se passado alguns minutos quando na verdade tinha sido uma noite inteira, ou podia ser como meses quando na verdade foram apenas algumas horas. Desde a primeira vez que o vira sabia que ele era bom. Eu estava no meio de um terrível pesadelo com Jake em sua forma de lobo sendo despedaçado pela guarda Volturi como haviam feito com Irina no passado e eu já estava gritando desesperada tentando chegar até ele quando então pude ver aquele rapaz tão bonito que me lembrava tanto o meu pai. A principio pensei que ele também pudesse ser um Volturi e que fizesse parte daquele pesadelo. Mas então notei a cor de seus olhos, eles eram verdes e não vermelhos! Sem duvida não podia ser um vampiro, muito menos um Volturi.

Não sei quanto tempo fiquei lá apenas encarando-o, mas quando ele enfim notou que eu o vira deixou esboçar um pequeno sorriso torto e veio em minha direção me oferecendo sua mão. Estranhamente não pensei em recusar, apenas aceitei e deixei que ele me levasse através de águas bravias até aquele belíssimo lugar que parecia tanto com minha amada casa.

O mais esquisito era que não era como se ele realmente fosse um estranho, na verdade eu tinha certeza de que o conhecia de algum lugar, só não conseguia lembrar-se de onde. Como quando estamos com uma palavra na ponta da língua, mas simplesmente não conseguimos lembra-la. E eu sabia que isso não se devia apenas ao fato de ele ser tão assustadoramente parecido com meu pai.

_ Isso é real? Perguntei-lhe assim que consegui achar minha voz? Pois eu conseguia me lembrar perfeitamente de que não morava mais em Forks.

_ O que é real? Ele me perguntou e não pude evitar de fazer uma careta. Ele ia responder minha pergunta com outra?

_ Qual é seu nome? O meu é Renesmee, mas pode me chamar de Nessie, é como todos me chamam.

Talvez fosse mais fácil começar com uma simples apresentação. Pensei.

Ele deu mais um daqueles sorrisos tão parecidos com meu pai.

_ Prazer em conhece-la Nessie._ falou fazendo uma estranha reverencia, como aquela que os cavalheiros antigos faziam antes de começar a dançar com uma dama, e então deu mais um sorriso, mas dessa vez mostrando os dentes muito brancos._ Que nome gostaria que eu tivesse?

Humph! Ele não pararia com aquilo nunca?

_ Você não tem um nome? Perguntei desconfiada.

Ele deu de ombros.

_ "O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem..." Disse me fazendo rir nesse momento.

Alguém que podia citar Shakespeare daquela forma, merecia respeito, ele acabara de me tirar de um terrível pesadelo, embora eu ainda não tivesse certeza se que ele tinha acabado, porque com certeza não estava acordada. E ainda tinha o fato de que simplesmente não conseguia desgostar dele.

Dei-lhe um grande sorriso que foi retribuído.

_ Vou te chamar de Tony porque você se parece muito com o meu pai. Disse-lhe e seu sorriso aumentou ainda mais e pude atestar que ele aprovara seu novo nome.

Depois daí nossa amizade apenas cresceu, como uma árvore bem plantada.

E era isso que perturbava meu pai, porque ninguém sabia o que Tony era, ou pelo menos era o que ele achava, porque o Jake sabia perfeitamente o que ele era, e era por isso que ele não gostava do Tony. Bem, por isso e porque ele tinha um ciúmes ridículo dele. Como se eu pudesse amar mais o Tony do que ele! Humph! Simplesmente era impossível, Jake é meu melhor amigo, ele faz parte de mim!

Quando entrei em seu limbo não foi completamente acidental, e também não foi o Tony que me levara lá. Depois de algumas vezes eu já podia controlar mais ou menos como se fazia para entrar do outro lado, e eu soubera pela Leah que era onde o Jake estava preso. E aquilo começou a me dar ideias, e no começo era apenas isso que eram ideias. Ideias que eu não podia imaginar até onde me levariam...