Boot Camp
Por: Snowdragonct
Tradução: Aryam
N/T: É um pássaro? Um avião? Um mobile suit? Não! É outro capítulo de Boot Camp apenas três dias depois!
Diana Lua, ow, de nada, eu que agradeço o comentário! Também não sou particularmente fã de 5x6, o Zechs nem é bom elemento na série, mas aqui nessa fic ele é bem gente boa hehe Os dois estão fofos juntos. Kkkkk que bom que gostou das partes sacanas da fic, tento achar um equilíbrio para a linguagem não ficar pesada demais, mas também para não "suavizar" o original. "A parte que o Wu fala que queria um filho como o Duo é de derreter." Eu acho essa cena uma das mais fofas da fic inteira! Coloca um comentário na original sim, vai que a Snow se anima em continuar The Academy!
Litha-chan do céu, me matando de rir como sempre! Eu nem conhecia esse meme do "acho que me perdi", fui ver o vídeo XD gente, que mico... Pois é, o Chang tá totalmente cego com esse papo de equidade na relação, não parou pra pensar bem no papel dele na cama huahauhauahua Agora faz sentido o Trowa manter aquela franja num formato tão bizarro ( )_* E o Treize continua maquinando, esse homem precisa de um hobby urgentemente. #HeeroVoltaLogo S2
CAMPO DE TREINAMENTO
Capítulo 51: Descobertas
Capitão Chang estava furioso com razão. De pé, mãos nos quadris, encarando raivoso a secretária assustada, os olhos dele prometiam morte e destruição a todos que cruzassem o seu caminho. "Como assim não fizeram exames toxicológicos?! Que tipo de autópsia completa não inclui exames toxicológicos?!"
A secretária examinou o relatório em sua mesa. "Ele estava em coma, capitão. Pacientes em longo coma, geralmente morrem de falha dos órgãos ou deterioração de alguma função vital. Testes sanguíneos só determinariam qual órgão ou qual sistema falhou, e a autópsia fez o mesmo."
"Ninguém te disse que esse caso era para ser investigado como assassinato?" Wufei reclamou.
Ela voltou para a papelada. "Não havia indícios de assassinato, senhor. Lowe morreu de complicações do incidente original que o colocou em coma."
"O incidente original foi agressão," Chang explicou. "Isso significa que a morte resultante exige uma investigação por assassinato. Quero o exame toxicológico feito hoje!"
"S-sim, senhor." A secretária puxou um formulário e começou a preenchê-lo. "Huh, vou enviar os documentos para o Doutor J e..."
"Eu mesmo levo," o capitão interrompeu.
"Ele está ocupado com uma autópsia, senhor," ela falou insegura perante os intensos olhos negros. "Mas pode deixar que ele receberá esses..."
Wufei habilmente puxou os formulários das mãos dela. "Onde está a sala de autópsia?"
"Não pode entrar lá!"
O chinês plantou as palmas das mãos na mesa, inclinando-se sobre a funcionária. "Vou entrar onde quer que eu tenha de entrar para me certificar que os testes apropriados sejam feitos! Este é um caso de homicídio e o futuro de um jovem está na linha! Se eu precisar pessoalmente vigiar o Doutor J, é o que vou fazer!"
"À direita no corredor, terceira porta à esquerda," ela choramingou encostando-se na cadeira enquanto ele recolhia o resto dos documentos.
Wufei fez uma pequena reverência. "Obrigado, senhorita. Você foi de grande ajuda." Ele girou sobre os calcanhares, saindo da sala com um andar brusco, e descendo o corredor para encontrar o médico chefe e exigir que o maldito trabalho fosse feito certo.
Enquanto Wufei controlava danos em L1, os rapazes do time Wing acordavam pelo segundo dia sem o líder.
"Duo... vamos, acorda!" Quatre chamou, balançando o ombro do amigo.
O rapaz de trança resmungou sonolento, empurrando a mão que o balançava. "Mais cinc minut... só ma cinc..."
"Não! Já estamos atrasados," Quatre o informou.
Duo rolou, grunhindo, esfregando a mão pelo rosto. "Merda. Não dormi nada."
"Por que não falou?" o loiro perguntou, pegando um uniforme do baú de Duo e jogando-o para ele.
"Você e Trowa estavam num sono tão profundo." O rapaz de trança deu de ombros, lembrando acordar de um terrível pesadelo no qual Heero estava sendo espancado e estuprado, ao invés dele. Sentara-se na cama, planejando pedir asilo para seus companheiros, até vê-los abraçados na cama de Quatre. Não tivera coragem de acordá-los.
"Trowa e eu podemos dormir juntos quando quisermos," Quatre falou frustrado. "Mas você está sozinho agora e, se precisar de apoio, tem que nos dizer."
"Mas..."
"Sem mas!" Quatre agarrou o braço de Duo para ajudá-lo quando este pulou para o chão, bocejando. "De agora em diante, se tiver problema para dormir, acorde um de nós." Seus olhos azuis-esverdeado brilhavam com determinação. "Dane-se. Essa noite você vai dormir na minha cama."
Duo relanceou o amigo. "Quat, não vou chutar o Trowa da sua cama só porque tive uns sonhos ruins."
Trowa apareceu, um sorriso irônico mal curvando o canto da boca. "Podemos tentar fazer caber os três."
O rapaz de trança riu. "Você é muito pervertido, Barton," brincou. "Não curto muito trios."
"Eu também não... principalmente com o brinquedinho do Yuy," comentou zombeteiro.
"Ei! Não sou brinquedinho de ninguém," Duo declarou raivoso, recuperando vivacidade.
"Oh, é verdade. É amooooor," o acrobata provocou.
"Barton, você é um escroto," Duo murmurou, pegando o uniforme e entrando no banheiro.
Quatre observou suspeito o namorado. "O que você está aprontando?"
"Deduzi que o Maxwell fica mais esperto quando está bravo," Trowa revelou, dando de ombros.
"Então está cutucando ele só para ter uma reação?"
"É melhor do que ver ele se remoendo," respondeu satisfeito.
O loiro apreciou o namorado de olhos verdes. "Você me impressiona, Trowa."
"Por quê?"
"Não esperava que você desse tanta consideração em ajudar o Duo."
"Eu devo a ele," dessa vez, o tom de Trowa foi mais sombrio, carregando uma sugestão de desprezo próprio presente desde a travessia do rio.
Quatre suspirou. "Ele falou que vocês estão quites. Duo Maxwell não mente."
O acrobata apresentou um fraco sorriso. "Mesmo se eu não dever nada a ele pelo que fiz, devo a ele como colega de time... e como amigo."
Os olhos azuis-esverdeado se tornaram cálidos e, então, Quatre se jogou nos braços do namorado. "Você, Trowa, Barton, é maravilhoso."
"Oh, puta merda!" uma voz fingindo nojo soou do banheiro. "Não conseguem ficar sem se pegarem por cinco minutos?"
O casal se separou sentindo-se culpado, para depois rirem juntos.
Duo ficou entre os dois, jogando os braços ao redor dos ombros deles. "Agradeço tudo que estão fazendo por mim," comentou, provando estar ciente do apoio que estavam oferecendo. "Com vocês no meu time, acho que posso conseguir superar isso."
"Vai com certeza," Quatre prometeu.
"Então vamos tocar o barco pra calistenia antes que o Merquise fique puto com a gente. Quero arrancar uns favores dele."
Correram para o pátio de exercícios, chegando bem a tempo, e conseguindo demonstrar a confiança e a bravata usual. Afinal de contas, o time Wing tinha uma imagem a zelar.
Treize assistiu o exercício matinal da beira do campo, olhos fulvos fixados em Duo. O moleque infernal ainda assombrava seus sonhos... desde aquele beijo. E agora, misturado ao ódio pelo garoto fervilhava desejo. Garoto de programa de L2 ou não, o garoto tinha um corpo de parar o trânsito. Infelizmente, também tinha uma mente maligna e um intenso ódio recíproco pelo diretor. Assim, Kushrenada sabia não haver uma barganha segura para ele. Só sobrara uma alternativa: destruí-lo.
Enxotar Yuy algemado fora um bom começo. Pelo menos Maxwell tivera a sensação de perda, não tão diferente da que Treize sentira quando seu irmão morrera. E a tentativa desesperada do garoto em seduzi-lo fora simultaneamente gratificante, tentadora e insultante. Entretanto, o diretor não sobrevivera tantos anos no sistema sendo um tolo. Ele era um estrategista brilhante, no mínimo, gerenciando sua distribuição de drogas bem debaixo do nariz do Conselho Penitenciário. Além do mais, não estava preocupado em ser descoberto. Quem acreditaria num detento juvenil tentando dedurá-lo?
Treize fez uma careta vendo Duo sair com o braço jogado ao redor do ombro de um companheiro. "Muito íntimo, é?" murmurou. Não que o surpreenderia se Maxwell encontrasse entretenimento nos braços de outro depois de Yuy ter saído de cena. Afinal de contas, lixo era lixo sempre.
"Algo interessante em meus recrutas?" major Merquise perguntou, aproximando-se silencioso atrás do diretor enraivecido.
Kushrenada ficou tenso, mantendo as mãos atrás das costas, aparentando casualidade. "Não vejo recrutas, major. Só um monte de delinquentes."
"Discordo. Eles praticamente terminaram o treinamento básico. Só precisam de mais prática no simulador e estão sendo testados em matérias teóricas essa semana para termos uma noção de seus pontos fortes, assim poderemos colocá-los nas turmas corretas na Academia, no outono."
"Ainda dá tempo de eles fazerem merda," Treize constatou. "E mantenho a opinião de que a Iniciativa Peacecraft é o cérebro de um monte de crianças ignorantes, idealistas e ingênuas."
"Isso é o conselho diretor que decidirá." O major semicerrou os olhos frios. "Além disso, eles decidirão se no futuro é uma boa ideia misturar guardas de presídio com militares para supervisionar esses garotos. Se eu fosse você, começaria a procurar emprego assim que puder." Com um sorriso satisfeito, o major caminhou em direção ao refeitório.
"E se eu fosse você," Treize cantarolou baixinho, "começaria a vigiar a retaguarda assim que puder." Seu rosto se contorceu em uma expressão ameaçadora, e direcionou-se para a sede dos guardas para conversar com a sua "panelinha" sobre o irritante major. Claramente, Chang inteirara o oficial superior de suas atitudes; mas com Chang fora, uma janela de oportunidade se abria. Com um pouco de planejamento e execução precisa, Kushrenada não tinha dúvida de que eliminaria tanto o major encrenqueiro quanto seu nêmese, Duo Maxwell. Melhor ainda, conseguiria fazer parecer ser culpa do próprio treinamento militar, deste modo, desacreditando a Iniciativa Peacecraft.
O planejamento de Treize Kushrenada estava longe de terminar.
Ignorante a ameaça próxima, embora não totalmente inesperada, Duo e seus companheiros se assentavam para o café da manhã.
"Aw, cara, de novo mingau?" Quatre grunhiu observando a massa nojenta.
"Te mostrei como deixar mais apresentável," Duo o recordou.
"Mas dá tanto trabalho!"
Duo trocou as tigelas, entregando a Quatre o mingau preparado. "Aqui está, seu bebezão," brincou.
Quatre sorriu com doçura. "Obrigado. Você é um amigão."
Ajeitaram-se para comer, embora os olhos do recruta de trança continuassem se desviando para a porta.
"Sabe que não tem como eles terem resolvido tudo ainda, né?" Trowa perguntou discreto.
"Não estou esperando Heero passar por aquela porta," Duo explicou. "Mas Merquise deve chegar logo, e quero convencê-lo a nos deixar hackear o sistema do K."
"Como pretende fazer isso?" perguntou o rapaz de olhos verdes.
"Charme e lábia." Duo deu de ombros. "E se não funcionar... vou implorar."
"Claro," respondeu irônico. "Eu devia saber."
Quando o major entrou, seu olhar pousou de imediato no time Wing e ele foi até sua mesa, sentando-se na cadeira vazia ao lado de Quatre. "Vou direito ao assunto," falou sem rodeios. "Recebi uma ligação de Chang esta manhã. Houve um imprevisto."
Duo empalideceu, mas engoliu em seco e manteve o queixo erguido. "Heero está bem?" foi só o que perguntou.
"Está bem." O militar analisou o rapaz. "Não fizeram os exames toxicológicos como parte da autópsia e Chang precisou puxar umas orelhas no escritório do médico. Está sendo feito agora mesmo." Sorriu cansado. "Chang é bem persuasivo."
O recruta de L2 sorriu, animando-se um pouco. "Eu amo aquele cara," falou com afeto.
Os frios olhos azuis claro se semicerraram. "Tire o cavalo da chuva, Maxwell. Ele é seu guardião. E seu comandante."
"E seu pretendido," Duo completou com um sorriso malicioso. "Não se preocupe, senhor. Amo ele como família." Olhou timidamente para o lado. "Mas até que ele tem uma aparência asiática exótica..."
"Maxwell..."
O jovem riu, mandando uma piscadela para os amigos antes de se voltar para o major. Inclinou-se para perto dele, abaixando o tom de voz. "Já que tenho sua atenção, senhor, posso pedir um pequeno favor?"
Recebeu uma expressão desconfiada. "Você não tem pedido um monte desses ultimamente? Chang não te puniu pela sua visita noturna na cela do Yuy. Consegui pra vocês a chance de se despedirem. O que mais está querendo?" O major manteve a voz baixa, ciente de curiosos.
Duo não sabia se ficava espantado ou não com o conhecimento do oficial de sua visita à cela de Heero. Mas o fato de que não estava sendo jogado numa solitária o fez achar que não haveria repercussão. "Heh. Você não perde uma, né, senhor?"
"Tento não perder."
"O favor que preciso é simples," Duo contou com franqueza. "Dê a nós três umas duas horas na biblioteca... não monitorados."
Merquise ergueu uma sobrancelha. "O que pretende?"
"Tem um sistema que gostaríamos de acessar para descobrir umas coisinhas," respondeu vago. "E quanto menos souber, melhor, senhor, se é que me entende."
"Quer que eu faça vista grossa enquanto você hackeia o computador de alguém?"
Duo deu de ombros. "Por aí."
"De quem?"
"Kushrenada."
"O que, exatamente, está procurando?"
"Uma conexão com L1... um nome ou número ligando-o com o assassinato de Lowe."
"Você nem sabe se ele tem algo a ver com a morte do Lowe. É possível que Heero seja responsável."
Duo balançou a cabeça. "Você não acredita nisso tanto quanto eu, senhor. Foi muito conveniente, a hora foi perfeita demais. Eu sei que foi armação do Kushrenada. Isso significa que tem de ter sido assassinato. Tem de haver evidência, não?"
Zechs assentiu relutante com a cabeça. "Ainda assim, podemos nunca descobrir. Se o exame toxicológico voltar negativo..."
"...a polícia pode não considerar outro suspeito além de Heero," Duo completou. "Eu sei. Por isso precisamos que nos ajude a investigar nós mesmos," argumentou, quase sussurrando.
"E se não encontrarem nada?"
"Então saberemos que a vida do Heero está nas mãos de Chang, e que provar autodefesa é a única opção," o rapaz de L2 falou pesaroso. "Mas não acho que seja verdade. E se a autópsia mostrar que Lowe morreu de outra coisa... algo além de trauma ou complicação... então Heero será totalmente inocente de assassinato. Na mesma moeda, se encontrarmos alguma coisa que ligue Kushrenada com Lowe em qualquer forma, mesmo com o exame toxicológico negativo, os policiais podem considerar outras opções."
"Seria inadmissível como evidência," o militar ressaltou.
"Mas daria causa provável para um mandado de busca, não daria?"
"E você teria que admitir hackear, o que o enviaria para a cadeira," esclareceu rápido.
"Valeria a pena, por Heero."
"Por mais nobres que sejam suas intenções, Maxwell, não posso permitir que faça algo claramente ilegal." Ergueu uma mão quando Duo fez menção de começar a protestar. "Você sabe que Chang jamais me perdoaria se eu permitisse que você fosse para a cadeia. Além do mais, ele está cheio de ideias. Ele está revisando os vídeos de segurança do hospital. Arrumou um especialista para melhorar as imagens e checar cada pessoa entrando e saindo nas últimas semanas. Vão fazer os funcionários identificarem cada rosto, e se tiver um único que não bata, terão um suspeito provável."
"Mas podemos conseguir encontrar alguma coisa que ligue Kushrenada com o suspeito que eles encontrarem," Duo debateu. Fez sua melhor expressão suplicante, e o maior sorriso sedutor. "Por favor, senhor. Precisamos sentir que estamos fazendo alguma coisa para ajudar. E é tudo que conseguimos bolar."
O major sorriu para si mesmo, observando a determinação obstinada e devoção faiscando nos olhos índigo. Sabia o quão difícil era ficar impotente enquanto um amigo estava com problemas.
Suspirou profundamente. "Bom, se você fizer sem eu saber, e der em alguma coisa, pode guiar Chang na direção certa... em segredo, claro," sugeriu dando de ombros.
Duo sorriu de orelha a orelha. "Acho que amo você também, senhor."
Major Merquise balançou a cabeça. "Por mais atraente que seja, você ainda é menor de idade, Maxwell... como já falei, meu interesse está... em outro lugar." Abriu um sorriso seco. "Acho que o time Wing precisará de horas extras de estudo na biblioteca esta tarde," falou com a voz mais alta. "Não estou satisfeito com os resultados das provas de ontem. Acho que vocês todos podem se sair melhor. Estejam lá às dezenove horas."
"Sim, senhor!" o novo líder replicou com uma continência.
O resto do dia passou num piscar de olhos e, exatamente às dezenove horas, os três recrutas entraram na biblioteca e encontraram o major Merquise à mesa. "Boa noite, cavalheiros," falou educado, erguendo o olhar do livro. "Tentem não falar alto aqui. Estou completamente absorto com o desenrolar desse livro de mistério. Então, por favor, não deixem os seus estudos interferirem na minha leitura, tá?"
"Nem em um milhão de anos," Duo sorriu, puxando Quatre até o computador. Sentou-se atrás do teclado e conferiu a conexão com a internet. "Beleza, Quat. Vamos começar aos poucos. Arrumou uns cds pra guardamos o que conseguirmos achar?"
"Você sabe que sim."
"O gênio tático em serviço," Duo cantarolou contente, esquecendo-se por um segundo que Heero estava a estrelas de distância enquanto explorava o enlace de dados do sistema de comunicação da prisão.
Trowa inclinou-se do outro lado de Quatre, olhos fixos na tela. "Ali!" falou, apontando para o nome de um arquivo. "Tente procurar em funções menos importantes. Encontre uma porta dos fundos."
"Pode deixar." Duo relanceou o amigo enquanto seus dedos passeavam pelo teclado.
Uma hora depois, murmurava xingamentos. Conseguira passar pelas defesas do sistema carcerário, e até acessara informações pessoais de funcionários, listas dos internos e inventário da manutenção. Contudo, ainda não localizara nenhum registro de ligação do vídeo-fone de Kushrenada para contatos externos.
"Tem muitas viagens intercoloniais," Quatre comentou, averiguando a lista de voos. "Joga esses dados no cd."
"Para...?" Duo perguntou, ao mesmo tempo em que cumpria o pedido.
"Não tenho certeza. Mas veja se tem uma lista de detentos dessas naves e talvez os nome dos guardas e pilotos."
"Quer um cafezinho junto?" Duo riu, parando para flexionar os dedos.
"Que tal eu assumir um pouco?"
O rapaz de trança rendeu o posto, admirando Quatre hackear os arquivos com facilidade. "Então não estava contando vantagem no primeiro dia. Você tem talento, Winner."
"Duvidou de mim?"
"Nunca."
Outra hora se passou com Quatre desenterrando arquivos, registros de voos e tudo o que pudesse imaginar. Ainda assim, não conseguiram encontrar um caminho para o sistema de Kushrenada.
"Firewall," Quatre suspirou, fulminando a tela com o olhar. "Esse homem conseguiu isolar completamente o acesso." Levantou o rosto, cansado. "Não vamos conseguir pegar o que estamos procurando a não ser que a gente use o terminal no escritório do K."
"Caralho," Duo murmurou. "Porra!" Jogou-se contra o encosto da cadeira. "O K. quase nunca sai do escritório. E quando sai, geralmente fica por perto, pelo menos no campo de visão."
"Precisamos de uma hora no sistema dele," Quatre declarou, balançando a cabeça. "Acha que conseguimos invadir o escritório à noite?"
"Talvez," Duo considerou. "Mas acho que o quarto do diretor é anexo. A chance de ele sair e nos interromper é alta."
Trowa estava de pé atrás da cadeira do loiro, massageando seus ombros quando este se recostou para descansar. "Então como vamos entrar no escritório?" perguntou.
O recruta de L2 bufou. "Já gastei todas as minhas fichas com ele."
"E bota todas nisso," Trowa zombou.
"E você?" Duo perguntou. "Ele voltaria a ser seu fornecedor se você pedisse?"
Trowa balançou a cabeça em negativa. "Depois do que falei pra ele quando o desgraçado fez aquilo na travessia do rio, ele sabe que eu o odeio. E mesmo depois, quando ele me fez pegar as drogas, deve ter percebido que elas sumiram já faz tempo, e que estou limpo. Ele pode não saber como passei pela abstinência, mas deve saber que superei."
"Ele nunca acreditaria se você pedisse drogas de novo," Quatre concordou. "E desde a tentativa de Duo de, ahm, conquistá-lo..."
"É um belo jeito de descrever," Trowa comentou irônico, lançando um olhar malicioso para o novo líder.
"Olha, foi só..."
"Já passou," Quatre os cortou. "Mas significa que K. está esperando que façamos de tudo para ajudar Heero." Balançou a cabeça. "Precisamos criar uma isca tão sedutora que ele esquecerá de questionar quem está oferecendo."
Tanto Quatre quanto Trowa encararam Duo, que piscou alheio. "Que foi?"
"O que K. quer mais do que tudo nesse mundo?" o loiro perguntou.
"Me destruir e pisar em mim?" Duo adivinhou.
"Exato."
Trowa franziu o cenho. "O que pensa em fazer, Quatre?"
"Damos a Kushrenada o que ele mais quer... Duo. Ou fingimos dar."
"Acho que não gosto do caminho dessa conversa," o rapaz de trança comentou com o cenho franzido.
"Não, vai funcionar!" o loiro insistiu. "Se conseguirmos tirar Kushrenada do escritório e manter ele fora por pelo menos uma hora, podemos pegar o que queremos."
"Chega logo na parte em que você me entrega pra ele," Duo grunhiu.
"E se o Kushrenada achasse que poderia te pegar em flagrante fazendo algo totalmente ilegal?" Quatre elaborou. "Tipo escapando, por exemplo."
"Quer contar pra ele que Maxwell está planejando uma fuga?" Trowa questionou, erguendo uma sobrancelha.
"Ele não correria para pará-lo?" Quatre adicionou.
"Acho que sim," o moreno alto admitiu. "Mas como o convenceríamos que a tentativa de fuga é genuína?"
"Vai depender da atuação," Quatre o assegurou. "Talvez se outra pessoa contar para o K. ele levará a sério."
"Acho que precisamos de um plano um pouco mais específico," Duo ressaltou.
"Conseguiram o que queriam, rapazes?" o major chamou de onde estava, do outro lado.
"Não exatamente," Duo respondeu. Enquanto Quatre desligava o computador, foi até o oficial militar. "Tem um monte de informação, e precisamos processá-las. Mas o que realmente precisamos só pode ser acessado do escritório do Kushrenada."
Os frios olhos azuis se semicerraram. "Nem pense em tentar entrar lá à noite, Maxwell. Não me importo o quão bom você seja em infiltração."
"Prometi a Chang obedecer o senhor," Duo afirmou. "E é o que vou fazer. Além do mais, aposto que o panaca tem câmeras de segurança e sistema de alarme. Precisamos de mais informação antes de prosseguir contra ele."
"E precisamos de uma distração," Trowa acrescentou, juntando-se a eles na mesa.
"Ouso perguntar o plano?"
"Ainda não temos um," o recruta de L2 admitiu. "Pelo menos não um específico. Precisamos trabalhar nos detalhes."
"E vão me contar quando resolverem?"
Duo assentiu com a cabeça. "Aprecio a confiança que tem em nós."
"Vocês merecem," o oficial comentou, dando de ombros. Mirou os rapazes. "Por que não voltam para o alojamento? Já está quase no horário de apagar as luzes."
Enquanto Quatre e Trowa se dirigiam para a porta, Duo parou, uma expressão sombria no rosto. "Acha que tem uma chance de recuperarmos Heero antes da graduação?"
O major fez uma careta para a mesa. "Sinceramente, Maxwell, se o exame toxicológico voltar negativo, existe a possibilidade de a situação se estender."
"Temos que trazê-lo de volta," Duo afirmou triste. Não queria que o major presenciasse uma cena dramática, mas não se importava se seus sentimentos fossem óbvios. "Para falar a verdade, senhor, não ando dormindo muito sem ele na cama debaixo da minha." Abriu um sorriso fugaz. "Desde a solitária, ele meio que afastou os pesadelos."
"Se precisar de uma consulta com a doutora Po..."
"Não! E-estou bem... é só... eu ficaria melhor com o Heero de volta."
Os olhos azuis o sujeitaram com um olhar perspicaz. "Vi os resultados de suas provas dos últimos dois dias, Maxwell. E se eu não soubesse o quão inteligente você é, teria minhas dúvidas." Sua expressão se abrandou um pouco. "Mas considerando o estresse que você e seus companheiros estão passando, estão operando adequadamente."
"Não conte pro Heero. Ele nunca me perdoaria se soubesse que não estou indo tão bem quanto sou capaz."
Zechs sorriu. "Parece que você também não vai se perdoar. Excelência é viciante, não é?"
Uma sugestão de sorriso tocou os lábios de Duo. "Acho que sim... e acho bem da hora ser bom em algo que não seja ilegal, pra variar."
O militar riu de leve. "Você consideraria aparecer na frente do conselho de diretores da Fundação Peacecraft na reunião em que vão considerar o sucesso do programa aqui?"
Duo fez uma expressão de desagrado. "Não gosto muito de falar em público, senhor."
"Sabe que posso ordená-lo," o militar considerou. "Mas prefiro não." Apreciou o rapaz. "Eu consideraria um grande favor... não muito diferente do que acabei de fazer pelo seu time."
Duo sorriu afetado; entendia muito bem de barganha... habilidade aperfeiçoada com os vendedores de rua em L2. "Você joga duro, senhor."
O major deu de ombros. "Quando preciso." Considerou um momento. "É um homem de apostas, Maxwell?"
"Está brincando? Já leu minha ficha?"
"Bem, acredito que Chang terá sucesso. Aposto como ele consegue trazer Yuy de volta antes do fim do programa. Se eu ganhar, você faz o discurso de formatura."
"Um discurso?"
"Você diz para o conselho diretor o que esse campo de treinamento fez por você."
"E se você perder e Heero não voltar?" perguntou, a voz entrecortada.
"Eu faço o discurso." O major falou sombrio. "Também odeio falar em público.
Duo riu. "Trato fechado, senhor."
Continua...
