Notas da Autora

Oyakata visita Nidoriko e sua mãe no vilarejo Amasen.
Enquanto isso, Noharahishimo junto com seus soldados, caçava um youkai que atacava vilarejos e ao terminar a caçada, encontra alguém inesperado.

Capítulo 51 - Caçada

Em um jardim imenso, nos fundos do castelo, a esfera de luz se desfaz, revelando Oyakata. Ele caminha se embranhando na mata densa e fechada até uma campina do alto de uma elevação, onde reside uma frondosa cerejeira. Flores adornavam uma tumba imponente. Podia ser percebido, que apesar de ter passado séculos, estava bem tratado.

Ao prestar mais atenção ao cheiro, sente o odor de Honoo, indicando que cuidava da tumba onde Aiko repousava.

Oyakata fitava as letras gravadas no jade branco, pensativo, recordando momentos vividos com ela. Removera com as mãos algumas partículas de terra e grama, no canto da lápide. Ficará por algumas horas, imerso em recodações. Então, retira-se dali, mas não sem antes voltar o rosto e falar:

– Volto depois...minha Aiko...

Então se transforma em uma esfera de luz e parte dali.

– Kaasan...olhe! São orquídeas! - Nidoriko aponta as flores em suas mãos para a amãe.

– Sugoi! Nidoriko - e ela sorri.

Mãe e filha encontravam-se em uma campina, próxima do vilarejo, passeando e colhendo flores.

A mãe desta trabalhava todos os dias praticamente, nas plantações de arroz e a filha costumava acompanha-la ou ficava na cabana delas, mas agora, era época de plantar e ela somente colhia, então, tinha alguns momentos a mais para passear com sua filha e desfrutarem da compania uma da outra.

Após alguns minutos, Hana havia sentado em uma pedra e sua filha ainda colhia flores, mas supervisionada por ela. Porém, em um momento de distração, a mãe não percebera uma cobra enrolada em um galho baixo e a filha dela, cantarolando se aproximando, sem ver a serpente que preparava-se para dar um bote.

– Não! Nidoriko! -

Hana vira tarde e desesperada, correu até a filha enquanto que a pequena vira a serpente com o grito da mãe, e no exato instante, que ela avançou para picar a menina, uma mão forte detinha a serpente, que se debatia. Nidoriko abre os olhos e fita seu salvador:

– Oyakatasama! - abre em um belo sorriso.

– Você está bem, Nidoriko?

Ela acena positivamentne com a cabeça, enquanto a mãe chega até ela, e chorando a abraça, então ergue os olhos úmidos e fala:

– Domoarigatougozaiamssu, Inunotaishousama...

– Doitashimashite...fico aliviado em vêr sua filha bem

Então elas vêem ele se afastar com a cobra e o barulho de ossos se quebrando, atrás de uma árvore. Ele retorna e sorri ás duas.

– Pronto...

– O senhor veio me ver! - a menina fala radiante de felicidade.

– Claro, eu prometi, não foi? - e afaga a cabeça desta.

Então, eles passam a conversar vários assuntos e Nidoriko ficava ao lado dele, enquanto ouvia suas histórias. Nisso ouvem barulhos de cascos, Hana olha de onde vêem e notam um rapaz cavalgando. Oyakata o olha, está um tanto longe deles, mas dá para ver bem, tanto que a mãe reconhece.

– È Yamakawa ( rio da montanha ), senhor desse vilarejo...

– Então, ele que controla essas terras que pertencem a Tenkumoya...e por sua vez, é meus dominios...- era mais uma afirmação do que pergunta.

– As terras do oeste são extensas né?

– Sim...

– Essas terras são chamadas de Amesen ( mil chuvas)...por causa das chuvas abundantes e um lugar onde o arroz se desenvolve muito bem...

– esse vilarejo possuí uma privilegiada , que só faz ele ser, um dos mais ricos que possuo em meus dominios...

– Oyakatasama...o que acontece com a princesa da lua? - a menina interompe bruscamente e está com uma feição emburrada.

– Nidoriko - a mãe a repreende, mas Oyakata fala, em defesa da menina:

– Tudo bem, Hana...crianças são assim mesmo, impacientes e além de que parei na melhor parte - e ri levemente enquanto afaga a cabeça da menina.

Hana só olha e passa a admirar o inuyoukai, ele com certeza era muito carinhoso e gentil.

Longe dali, Noharahishimo encontrava-se á oeste da propriedade, procurando um youkai invasor que já atacara três vilarejos. Os soldados também procurava. Encontra-se no alto de uma árvore imensa, observando os campos ao longe, enquanto tentava captar um som diferente.

Desce para o chão, onde começa a prestar atenção aos cheiros, como uma caçadora furtiva atrás de sua presa. Sua audição capta um som diferente do normal na floresta e seu olfato, cheiro de sangue humano misturado ao de um youkai, com certeza, era o que atacara os vilarejos, então segue seu olfato enquanto procura prestar atenção aos diversos sons a sua volta, enquanto procura sua presa.

Mais a frente, em uma clareira, o encontra.

Era uma espécie de youkai louva-a -deus, que devorava o corpo de um homem, no caso o tronco, pois a cabeça já fora digerida. . De repente, ele ergue a cabeça e mexe as antenas compridas na face e suas pinças largam a comida e passam a fica impacientes, movendo-se freneticamente.

Noharahishimo procurou ficar a favor do vento, para não denunciar sua presença, fitava-o esperando o momento certo para abte-lo, esperando ele se aproximar, claro que ela poderia abate-lo facilmente, afinal, apesar de enorme, era um ser inferior à ela, ainda mais uma daiyoukai,, mas fazia tempo que não se "divertia" e queria brincar com sua presa. Quando filhote, adorava caçar e armar emboscada ou vigiar a presa, com o genitor aprendera todos os segredos de um grande caçador.

Então, após alguns minutos,o inseto youkai se aproxima de onde ela estava escondia. Salta sobre ele com a forma meio henge e decepa uma das pernas do mononoke que tomba ao chão, mas se refaz irado. Então avança sobre ela, que com suas garras enquanto sorri, arranca uma das pinças enquanto rasca o tórax do mesmo com as garras, este grita de dor:

– Desgraçada!

Noharahishimo exibia um sorriso no rosto. Irado, o inseto avança sobre ela novamente, que amputa um dos braços, enquanto o empurra contra uma árvore. Vendo a derrota iminente, o inseto põe-se a fugir, mas isso só a instiga ainda mais. A kitsunedaiyoukai sentia-se feliz, enquanto perseguia sua presa e propositavelmente dava uma certa distância, queria ver o quanto o inseto aguentava a corrida pela vida.

Porém, após alguns quilômetros o inseto cai, afante e com um salto gracioso, a raposa daiyoukai fica de frente a ele e fala, em tom desapontado:

– Queria me divertir mais...- e sorri.

– Sua...- quando o inseto tenta se levanta, ela decepa a cabeça dele com um golpe de suas garras afiadas.

– Aff...é fracote demais...

Então assume a forma henge, uma imensa raposa negra de sete caudas e devora o youkai abatido, afinal eles comiam os inimigos derrotados.

Após devora-lo, encontra um dos soldados. Quando desfaz a forma henge, avisa para ficarem de prontidão, caso tenha mais um desses assasinos na área, pois ela já matara um que cheirava sangue humano.

Suja, decide antes de ir a mansão, retirar o excesso de sangue de sua presa, pois se entusiasmara demais. Em um lago próximo dali, só tira a armadura, nunca tirava a roupa em local aberto.

Embaixo de uma queda d´água naquele riacho, retira o sangue do inimigo. Após certifica-se de ter retirado o sangue rubro, decide retornar à mansão. Veste suas roupas e armadura imponente.

Porém, capta um cheiro familiar e o som de cascos. Vira para a direita, preparando-se para se defender, quando surge do meio das árvores, o " humano impertinente", segundo ela.

Ele estava munido de suas duas katanas na cintura, junto com outros quatro homens, bem armados.

Após olha-lo por um tempo se refaz e então passa a fita-lo com ira, enquanto ele mantém o olhar surpreso por encontra-la ali. Ele desaperreia e preparava-se para cumprimenta-la, ameaçando esboçar um sorriso gentil. Ela então fala em um tom perigoso:

– O que está fazendo aqui, humano ...- e estala as garras, detestava ser espionada.

– Estavamos caçando o mononoke que atacou os vilarejos, o meu também foi...encontra-la aqui foi uma coincidência- falava normalmente, enquanto andava em direção a ela.

Surgiu um pavor inexplicavél nela, conforme ele se aproximava e fragmentos da violência cometidos contra ela, veêm a tona em forma de flashs rápidos. Tranformando esse sentimento em raiva, em um instinto inconciente de defesa, onde a melhor defesa é o ataque, num piscar de olhos, salta sobre ele com violência, prensando-o na grama. Os homens que o acompanhavam, saem a galope, aparovados e o cavalo deste também.

Mesmo rendido sobre as garras dela, como um coelho sobre as patas da poderosa raposa, não a temia, só ficara surpreso com o ato rápido demais para os olhos humanos acompanharem. Ao perceber que o humano não a teme, tintutebeia momentanamente. Então fala:

– Porque não me teme?

– Por que Noharahishimosama jurou proteger os descendentes de Hoshisama. Sei que não me fará mal...

– Tem certeza? - então, pressiona as garras no corpo dele, arranhando a pele dele de leve.

– Tenho...- e a olha firmemente.

Eles ficam se olhando por um instante e as garras desta relaxam. Ela pragueja a si mesmo, pela promessa que fez há séculos atrás.

Ao ver o olhar para ela, sem temor e o contato com a pele deste, somado a um cheiro de sexo, fraco, impregnado nele, indicando que teve relações não há muito tempo, a fazem tremer levemente, apesar de infímo. Ele percebe e então passa a olhar intrigado ao ver um medo rápido passar pelos orbes fascinantes, um de cada cor. Então,ela o solta , se afastando, enquanto se mantêm na defensiva, mas um tanto apreensiva.

Agora ele a olha, preocupado, enquanto se levanta da grama. Ao perceber a preocupação deste, ela se refaz, embora que para o homem, uma tristeza e pavor ainda transparecia naqueles olhos. Ela fala então ríspidamente:

– Vá embora, antes que te mate!

– Está tudo bem com você, Noharahishimosama? - ele fica preocupado.

– Vá!

– Não. - fala com a voz máscula e firme, fazendo a kitsunedaiyoukai resitar

– O que?- ela o olhar, estarrecida.

– Não irei...

– Nani?- ela não acredita no que escutara.

– Não irei, só isso - e cruza os braços, em impertinência e sem temor.

– Humano...- ela começa a falar em um tom perigoso.

Ao perceber que ela não iria conta-lhe e ao ver que ela parecia melhor. Decide testar a reação dela, melhor, com a aproximação. Percebe que quando anda em direção ao lago, ela o olhar atentamente e sempre defensivamente.

– Estou com sede...vou beber um pouco, saí cedo da mansão á caça desse mononoke...

Ela decide não fala-lhe que já o matara e o deixaria correr o dia inteiro, atrás de um youkai já aniquilado.

Confiante, ele vira as costas para ela e bebe aguá em um filete d`água que saía da fenda de duas rochas.

Ela fica tensa e confusa, não sabe o que fazer com um humano que não a teme. Ela decide ir a mansão, tomar um banho, então, sorrindo marotamente, ao ver a distração dele bebendo água, assume a forma henge.

Yamakawa, vendo uma sombra enorme atrás de si , se vira e fica estupefato ao ver a forma henge, muito maior do que as ilustrações e com nove caudas em vez de três. Ele nota, que as enormes mandíbulas se contraem em um sorriso e ouve uma voz:

– Sou uma daiyoukai agora, não uma simples youkai como há séculos.

Então alça voô rumo aos ceús, para as nuvens, desapararecendo entre elas.

Aquela transformação não o fizera temer, apenas assustara por alguns segundos, pela surpesa, mas depois, ficou maravilhado ao ver a imponência daquele ser , sentia-se vislumbrado pelo que vira, mas o olhar e tremor dela, ainda o fazia ficar preocupado, pois era quase inacreditavél, que um daiyoukai tivesse medo de um humano, que ela demonstrou em alguns instantes.