No capítulo anterior: Arnold chegou a casa de Anne e os dois falaram, mas Kai ouviu tudo e começou a fazer perguntas. Arnold amarrou-o. Pouco depois, Lucy apareceu, ouviu a conversa que Anne, Arnold e Kai estavam a ter e também foi amarrada.
Zeo e Hilary contaram aos outros que namoravam e todos ficam contentes. Depois, Zeo telefonou ao seu pai para lhe contar que namorava com Hilary e, juntos, Hilary e Zeo contaram aos pais de Hilary que namoravam.
Lucy contou a Kai quem ele era e Anne acabou por contar como salvou Kai. Ela foi para a Rússia com Stuart, entraram na mansão em chamas e encontraram Kai. Tiraram-no de lá e levaram-no para Berlim. Depois de vários flashs, Kai recuperou a sua memória.
Capítulo 53: Perseguição
"Sim… estou… lembrei-me." disse Kai. "Lembrei-me de tudo."
" De tudo?" perguntou Lucy.
"Sim. De tudo. Do Ray, dos meus amigos, da minha vida. Tudo!"
"Oh não!" gritou Anne, alarmada, olhando para Arnold. "Arnold, o que é que vamos fazer agora?"
"Não te preocupes, Anne. Ele está amarrado e não pode fazer nada. É a mesma coisa se estiver com amnésia ou não." disse Arnold.
"Claro que não é a mesma coisa!" exclamou Anne. "Agora não o vou conseguir conquistar, não percebes isso?"
"Paciência." disse Arnold, encolhendo os ombros. "Agora, para sairmos impunes, temos de eliminar estes dois. É simples."
"Eliminar? Queres dizer…" começou Anne.
"Exacto."
"Não! Eu não quero morrer!" gritou Lucy, em pânico. "Solta-nos Anne."
"Já não podemos voltar atrás ou somos os dois presos." disse Arnold. "Queres ir parar à prisão, Anne?"
"Claro que não. Mas… não os podemos matar aqui." disse Anne.
"Não há problema. Vamos levá-los para uma casa que eu tenho. É fora da cidade. Depois de os matar, pensamos numa maneira de nos livrarmos dos corpos." disse Arnold, sorrindo maliciosamente.
"Vocês são os dois loucos!" gritou Kai.
"Cala-te rapaz!"
"Vamos levá-los daqui de carro." sugeriu Anne.
"Sim, vamos. O meu carro está parado à frente da casa. E levo as minhas armas. Se não se comportarem os dois, mato-os pelo caminho."
"Humf." fez Kai, que estava de volta ao seu comportamento habitual.
"Kai, o que vamos fazer?" sussurrou Lucy, para que Anne e Arnold não ouvissem.
"Não sei, mas vou pensar em algo." respondeu Kai, sussurrando também. "Não estou disposto a morrer agora, depois disto tudo."
"É melhor amordaçá-los." disse Arnold.
"Não, não vale a pena." disse Anne. "Eles não se escapam só a falar."
"Está bem. Como queiras."
Nesse momento, o táxi que trazia os quatro amigos parava em frente à mansão de Anne. Ray, Aki e Nina saltaram logo do táxi.
"Bem, espere aqui por nós, está bem?" perguntou Wyatt, que ainda não tinha saído do táxi.
"Está bem, mas tem de pagar primeiro por esta corrida." disse o taxista.
"Mas nós voltamos." disse Wyatt.
"Não me interessa. Pague agora!" exclamou o taxista, numa voz grosseira.
Wyatt lançou-lhe um olhar aborrecido, mas tirou a carteira do bolso. Os outros já estavam a caminhar em direcção à casa.
"Está bem." disse Wyatt, pagando ao taxista. "Agora, espere por nós."
Mas mal Wyatt saiu do táxi e fechou a porta, o táxi arrancou.
"Ei! Eu disse para ele esperar!" exclamou Wyatt, irritado. "Bolas!"
Dentro da mansão, Anne, Arnold, Kai e Lucy tinham ouvido o barulho do táxi a afastar-se dali. Anne e Arnold entreolharam-se.
"Ouviste isto? Parecia um carro." disse Anne, alarmada.
"Espreita pela janela, para ver se é alguém que vem para cá." disse Arnold. "Não precisamos de mais ninguém a intrometer-se, senão são mais pessoas que temos de matar."
Anne olhou pela janela e ficou pálida.
"Oh não, são eles! O Ray e os outros amigos do Kai estão aqui!" gritou Anne, bastante nervosa. "O que vamos fazer? Oh bolas, o que vamos fazer?"
"Bem feito. Agora estão feitos!" gritou Kai. "O Ray e os outros vão salvar-me e vocês vão apodrecer os dois na cadeia, que é onde deviam estar agora!"
"Ah, é pena Kai, mas não vão salvar-te." disse Arnold, pegando num pistola. "Eu vou tratar deles."
Ao ver a pistola, Kai arregalou os olhos. Não por medo de ser ele próprio alvejado, mas pelos seus amigos, especialmente Ray, poderem ser feridos ou mortos.
"Não se atreva a fazer-lhes mal!" gritou Kai. "Vai arrepender-se muito se o fizer, percebeu?"
Arnold sorriu maliciosamente e não ligou nenhuma a Kai. Fez sinal a Anne e os dois puxaram Kai e Lucy, que estavam apenas amarrados pelos braços, até à cintura e não nas pernas.
"Vais ter o prazer de ver os teus amiguinhos morrerem, Kai." disse Arnold, com um sorriso malicioso.
Na rua, Aki, Ray, Nina e Wyatt estavam à porta da mansão.
"O que fazemos agora?" perguntou Aki.
"Acho que tocar à campainha e esperar que eles abram a porta calmamente não é uma opção." disse Nina. "Dizemos o quê? Olá, viemos buscar o Kai, que por acaso está a preso contra a sua vontade ou algo assim?"
"Vamos entrar e vamos buscar o Kai." disse Ray, determinado. "Vamos arrombar a porta!"
Nina afastou-se e Ray, Wyatt e Aki foram contra a porta da mansão, mas ela mal se mexeu. Era feita de uma madeira bastante sólida e resistente.
"É uma porta bastante forte." disse Aki.
Nessa altura, a porta da mansão abriu-se e Arnold saiu, empunhando a pistola. Instantaneamente, Wyatt recuou, puxando Aki consigo.
"Olá a todos. Morram!" gritou Arnold.
Arnold disparou. Ray saltou para o lado, evitando a bala por pouco. Arnold preparou-se para atirar novamente, mas Kai, que juntamente com Lucy e Anne estavam atrás de Arnold, prontos para saírem da casa, atirou-se para a frente, caindo em cima de Arnold.
"Foge, Ray!" gritou Kai.
"Kai!" gritou Ray.
"Foge!"
Nina agarrou no braço de Ray e conseguiu tirá-lo dali. Os quatro amigos correram para a mansão do lado, ficando fora do alcance de Arnold. Arnold levantou-se e, furioso, deu um murro a Kai com toda a força.
"Estúpido. Podia tê-los matado a todos." disse Arnold, empunhando a pistola. "Tu é que devias levar com um balázio agora mesmo."
"Não tenho medo de si." disse Kai, com um olhar furioso. "Você é uma peça de escumalha que não vale nada."
Arnold apontou a pistola à cabeça de Kai, mas Anne colocou-se à frente dele.
"Pára, Arnold." disse ela. "Os meus vizinhos ainda ouvem e depois é complicado. Vamos levar o Kai e Lucy daqui. Tratamos dos outros depois."
"Está bem." disse Arnold, acabando por suspirar. "Mas vou ter o maior prazer em ver-te morrer, Kai. Vamos, os dois para o carro, já!"
Lucy e Kai caminharam até ao carro, seguidos por Arnold e Anne. Lucy e Kai olharam à sua volta, pensando se conseguiriam fugir, mas mesmo tendo as pernas soltas, provavelmente Arnold conseguiria baleá-los sem eles terem ido muito longe.
Arnold destrancou o carro e Kai e Lucy foram forçados por Anne a entrar para os bancos de trás. Ray, Wyatt, Nina e Aki saíram de perto da outra mansão e viram-nos a entrarem no carro.
"Oh não, eles vão levar o Kai daqui." disse Ray. "Temos de fazer alguma coisa!"
"Se ao menos o estúpido do taxista tivesse esperado." disse Wyatt. "Mas ele deve ter ficado assustado com as ameaças da Nina."
"Ah, mas se o Kai for levado e lhe acontecer alguma coisa, processo mesmo o taxista!" disse Nina, irritada. "Vai aprender a não nos abandonar aqui à nossa sorte."
De seguida, o carro de Arnold começou a mover-se e saiu do recinto da mansão, entrando na estrada.
"Temos de fazer alguma coisa." disse Aki. "Mas… não temos nenhum carro, nem nenhum de nós sabe conduzir."
Ray correu até à estrada e os outros seguiram-no.
"Vem ali um carro!" exclamou Ray.
Um carro vermelho vinha nesse momento naquela estrada e tinha de passar perto da mansão.
"Já sei! Vou pôr-me no meio da estrada." disse Ray. "O carro vai parar e depois tu pedes ao condutor para nos levar, Wyatt."
"Acham mesmo que isso vai resultar?" perguntou Aki. "Quer dizer, vamos pedir a uma pessoa inocente que vá em perseguição de um carro onde o Kai vai raptado, juntamente com uma rapariga maluca e um homem com uma pistola?"
"Não temos alternativa." respondeu Ray. "Não vou perder o Kai outra vez, por nada deste mundo."
"Vamos fazer como dizes, Ray. Espero que resulte." disse Wyatt, hesitante.
O carro aproximou-se. Ray saltou para o meio da estrada. O condutor do carro travou o carro, imobilizando-o. Wyatt correu para a porta da frente do carro, para falar com o condutor, mas ficou surpreendido com a pessoa que viu ao volante.
"Tala?" perguntou Wyatt, confuso.
"Wyatt. O que estás aqui a fazer?" perguntou Tala, surpreendido também. "Não devias estar no Japão?"
"Agora não é o melhor momento para falarmos. Mas… tu não tens carta de condução, pois não?" perguntou Wyatt. "Não importa. Precisamos que nos leves no carro."
"Mas eu…"
"É um caso de vida ou de morte!" exclamou Wyatt. "Não há tempo para explicações!"
"Está bem. Entrem."
Em menos de um minuto, Ray, Wyatt, Aki e Nina tinham entrado no carro e ele tinha arrancado. Ray ia sentado ao lado de Tala e mexia os dedos nervosamente.
"Mas o que é que se passa?" perguntou Tala.
"Já te explicamos. Acelera. Temos de encontrar um carro verde." disse Ray. "O Kai está lá dentro."
"O Kai? Mas o Kai morreu." disse Tala, confuso.
"Ele não morreu. De algum modo, ele está vivo." explicou Wyatt. "Vimo-lo com a Anne, uma maluca que era obcecada por ele. E fugiram num carro. O Kai estava amarrado, portanto foi contra a sua vontade."
"Espera lá. O Kai está vivo e fugiu?" perguntou Tala.
"Ele foi levado. Estava amarrado, como o Wyatt disse." explicou Ray. "E havia um homem com uma pistola que disparou contra mim, mas falhou."
"Isto já parece um policial."
"Tala, conduz mais depressa." pediu Wyatt. "Temos de conseguir apanhar o carro daquele homem. Ele partiu antes de nós. Não podemos perdê-lo de vista."
"Eu vou dar o meu melhor." disse Tala. "Se o Kai foi sequestrado, nós vamos apanhar os sequestradores."
O carro começou a andar a alta velocidade. Eles tinham sorte por aquela estrada não ter muitos desvios, por isso sabiam que o outro carro tinha ido pela estrada que estavam a percorrer.
"Lá vão eles!" gritou Wyatt, avistando o outro carro mais à frente.
"Óptimo. Não vão fugir." disse Tala, carregando no acelerador.
"Tala, tu tens carta para conduzir este carro?" perguntou Wyatt.
"Eu… aprendi a conduzir, mesmo sem ter a carta." respondeu Tala, atrapalhado. "Mas a verdade é que já a tenho. Mas agora isso não importa."
"Espero bem que não tenhamos nenhum acidente." disse Nina. "Era só o que faltava termos um acidente com o carro e além disso perdermos o carro onde está o Kai."
"Vai correr tudo bem." disse Aki, confiante. "O Kai vai ser salvo."
Anne olhou por um dos espelhos do carro de Arnold e ficou alarmada.
"Bolas, eles estão a perseguir-nos!" gritou ela.
"Conseguiram arranjar um carro?" perguntou Arnold, surpreendido. "Nada mal."
"Vocês vão dar-se mal." disse Kai. "Desistam enquanto é tempo."
"Exacto. Façam o que o Kai diz." pediu Lucy.
"Isso queriam vocês. Nem pensar." disse Arnold, sorrindo. "Se eles nos estão a seguir, então vão ver o que é bom para a tosse. Eu tenho uns truques para lhes mostrar."
O carro onde Tala e os outros iam estava mesmo atrás do carro onde ia Anne e Tala não estava disposto a deixar que o outro carro ganhasse terreno e se afastasse.
"O que vais fazer?" perguntou Anne.
"Já vais ver." disse Arnold, com um sorriso maléfico.
Arnold agarrou na pistola e puxou-a para fora do vidro. Depois olhou pelo vidro, para o carro que ia atrás.
"Ele pôs a arma fora do vidro!" exclamou Tala.
"Oh não! Vai disparar!" gritou Nina, no momento em que Arnold puxou o gatilho.
A bala embateu no vidro dianteiro do carro, que ficou rachado. A bala trespassou o vidro e cravou-se no banco de Tala, mesmo ao lado do seu ombro. Nina gritou, assustada, enquanto Aki se encolheu no banco traseiro.
"Tala, estás bem?" perguntou Wyatt.
"Sim. Foi por pouco, mas ele errou." disse Tala. "Eles são muito perigosos."
Arnold preparou-se para disparar de novo, mas Tala guinou o carro e a bala não passou nem perto.
"Acerta-lhe!" gritou Anne, furiosa. "Faz pontaria, caramba! Abateu-os! Mata-os a todos antes que eles nos parem!"
"Calma! Achas que é fácil estar a conduzir e a disparar uma pistola?" perguntou Arnold, zangado.
"As balas não acertaram. Ainda bem." pensou Kai, aliviado.
Ao aproximarem-se da cidade, Arnold pôs a pistola novamente dentro do carro.
"Vamos tentar despistá-los." disse ele.
O trânsito da cidade era intenso. Arnold fez algumas manobras perigosas e Tala seguiu-o, fazendo o mesmo.
"Ai!" gritou Nina, sendo atirada para um lado e chocando com Aki. "Tala, vai mais devagar!"
"Não posso!" gritou Tala. "Ele está a tentar despistar-nos."
"Tala, por favor, não o percas de vista." pediu Ray.
"Não te preocupes." disse Tala. "Ele não me vai despistar."
Depois de mais algumas manobras complicadas, Tala e companhia continuaram a seguir o carro de Arnold, que saiu da cidade a alta velocidade. De repente, o carro de Arnold fez um desvio brusco e entrou num terreno, onde se via uma grande casa, mas não tão grande como a casa de Anne.
Tala e companhia não sabiam que Arnold ia fazer aquele desvio e continuaram em frente, perdendo algum tempo.
"Bolas, volta para trás, Tala!" gritou Ray.
"É para já." disse Tala, fazendo a manobra de inversão de marcha.
Quando Tala, Ray, Wyatt, Nina e Aki chegaram à frente da casa, o carro de Arnold estava parado ali, mas já nenhum dos seus quatro ocupantes estava lá dentro.
"Eles entraram na casa." disse Aki, saindo do carro.
"O que fazemos agora?" perguntou Nina.
"Alguém tem um telemóvel?" perguntou Ray. "Deixei o meu no hotel."
"Eu também." disse Wyatt.
"O meu não tem bateria." disse Nina, tirando o seu telemóvel do bolso. "Descarregou totalmente."
"Então Tala, faz o seguinte. Pega no carro e vai até à esquadra da polícia. Não sei se eles virão se lhe contares o que sabemos e o que aconteceu, mas faz o que puderes." pediu Ray.
"Mas e vocês?" perguntou Tala.
"Não te preocupes connosco." disse Wyatt.
"Vai lá, Tala." disse Ray. "Precisamos da policia aqui e tu és o único que sabe conduzir um carro."
"Está bem." disse Tala. "Mas tenham muito cuidado."
Tala entrou no carro e arrancou, de volta à cidade. Wyatt, Aki, Ray e Nina olharam para a casa à sua frente. Era grande, com as paredes pintadas de um amarelo desmaiado e todas as janelas se encontravam fechadas.
"Eles estão lá dentro." disse Nina, mexendo os pés, nervosa.
"Nós não sabemos o que nos espera se entrarmos na casa." disse Aki.
"O Kai está ali dentro." disse Ray. "E eu vou salvá-lo, portanto vou entrar."
"Sim. Vamos salvar o Kai." disse Wyatt.
"Pessoal, se vocês quiserem ficar aqui, eu compreendo." disse Ray. "Mas eu tenho de entrar e salvar o Kai."
Nina, Aki e Wyatt entreolharam-se e depois todos abanaram a cabeça.
"O Kai é o meu melhor amigo e eu farei tudo o que for possivel para o ajudar, portanto vou entrar contigo na casa, Ray." disse Wyatt.
"Eu estou com bastante receio, mas não posso ficar aqui parado enquanto sei que o Kai está dentro desta casa e podem estar a fazer-lhe mal." disse Aki. "Portanto, vou entrar também."
"Eu também vou com vocês, pessoal." disse Nina. "Quero ver o Kai a salvo e quero o autógrafo verdadeiro dele na minha colecção!"
Os outros lançaram um olhar estranho a Nina, que se limitou a encolher os ombros. De seguida, Ray empurrou a porta da frente da casa e ela abriu-se com facilidade.
"A porta está aberta." disse Ray.
"Claro que está. Seria de esperar. É uma armadilha." disse Wyatt.
Continua…
