Taí o momento que todo mundo queria! :)

Feliz Páscoa!


Capítulo 51 - Tiny Moment

"Existem coisas que mesmo sendo tão pequenas, podem nos trazer sem percebermos, realizações muito maiores."

(autor desconhecido)

PoV Edward

É aquele pequeno momento.

O momento em que tudo ao seu redor parece girar, o ar falta em seus pulmões e sua cabeça dói assustadoramente. É a preocupação com as duas pessoas que você mais ama, que estão completamente entregues nas mãos de terceiros, e nada, nada do que você fale ou faça vale de alguma coisa. Sua presença ali não serve, porque por mais que você consiga mover montanhas, você não vai fazer tudo ficar bem. Não depende apenas de você.

E é desesperador.

Se eu pudesse voltar no tempo, muita coisa teria sido diferente. Eu protegeria Bella de todos esses estresses ridículos que ocasionaram a situação em que chegamos. Eu teria feito de tudo para que ela não se machucasse por dentro e ficasse tranquila, tendo uma gravidez tranquila e um parto também tranquilo. O arrependimento me batia cada vez que eu ouvia seus gritos de dor dentro do carro do meu pai, e prestes a me entregar, eu também queria chorar.

Eu sei que tinha que ser forte, mas não estava conseguindo. Meu coração parecia esmurrar meu peito, pedindo para sair de qualquer jeito, e estava impossível ter uma respiração decente. Consegui fazer Bella acordar de seu desmaio enquanto a segurava em meus braços, e não demorou para que eu sentisse o molhado de suas lágrimas em minha camiseta. Mantive meus olhos fechados para que minha menina não visse o quão fraco eu estava sendo quando ela mais precisava de mim como um alicerce.

- Edward... eu... eu acho que estou sangrando... - ela disse com seus lábios pressionados em meu peito. Meu queixo, rígido e dolorido de tanto ranger meus dentes, estava apoiado em sua cabeça enquanto eu pedia, - vergonhosamente pelo fato de nunca ter ligado pra isso, - a Deus para que protegesse minha família.

O carro estava escuro e não dava para ver. A calça que Bella estava usando era preta, então também não ajudava em nada. Quando fui verificar senti o banco molhado, e entrei em pânico. Mas na luz da rua deu para ver que não era sangue. Era água. E tinha um cheiro terrível, que parecia com... sei lá, cloro.

- A bolsa estourou... - falei baixo. - Pai, a bolsa estourou! - aumentei minha voz para Carlisle, que estava dirigindo. Bella agarrou a gola de minha camiseta com as duas mãos e voltou a chorar com mais intensidade. - Shhh, calma meu anjo... - falei sentindo minha voz falhar. - Calma, que já já tudo vai passar e estaremos com nosso filho nos braços... vai passar... - segurei sua forma frágil e assustada com toda a força do mundo, e dei um beijo demorado em sua cabeça.

- Já estamos chegando! - meu pai disse aumentando a velocidade.

- Eu estou com medo, Edward... - sua voz passava desistência e aquilo me deixava ainda pior. - Ai... - ela gemia, mordendo seus lábios provavelmente com vergonha de gritar dentro do carro. - Eu não estou aguentando mais... está doendo... - seu corpo ia amolecendo, e eu também achava que ia perder o juízo a qualquer momento. Minhas pernas tremiam e eu sentia meus pés gelados mesmo com meias e tênis. Estava completamente perdido e sem saber o que fazer para que toda essa agonia da minha menina dos sorrisos passasse.

Meu pai mal parou em frente ao hospital e já falou para que eu levasse Bella para a recepção enquanto ele procurava um lugar para estacionar. Peguei-a novamente em meu colo e entrei pela emergência, mas graças aos Deuses, Dra. Julie já estava lá nos esperando, com dois enfermeiros e uma cadeira de rodas.

- A bolsa estourou! - falei com a voz grogue de tão nervoso que estava.

- É, eu já esperava que isso fosse acontecer... - Dra. Julie falou, ajudando a colocar Bella na cadeira. - Com todos esses estresses, não ia durar muito. Bella é muito frágil para aguentar tanto problema...

As palavras me faziam sentir ainda mais culpado. Aonde que eu estava com a minha cabeça de tê-la deixado tão sem proteção, tão sem barreiras para todos esses males que invadiram sua vida? Era uma angústia que provavelmente só ia passar quando tudo isso estivesse bem, e eu estivesse com Bella e Anthony ao meu lado, completamente fora de qualquer perigo.

Só não sabia quando isso ia acontecer. Porque a partir de agora, tempo era uma incógnita.

Acompanhei os enfermeiros que corriam pelo corredor, em direção a um elevador gigante. Dra. Julie, também em passos apressados, conversava alguma coisa com Bella, que mal respondia e já estava muito pálida. Uma terceira enfermeira apareceu no elevador e começou a procurar a veia no braço branquinho de Bella assim que começamos a subir os andares dentro daquele cubículo de metal, que me deixava ainda mais nervoso e ainda mais sem ar.

- Vai ficar tudo bem, querida... - Dra. Julie falou. - Só lembre de respirar. Lembra que eu te ensinei?

Bella assentiu e começou a fazer a respiração, puxando bastante ar pelo nariz e soltando algumas vezes rapidamente pela boca. Ela olhou para trás, me procurando, e mais que rapidamente peguei em sua mão, entrelaçando nossos dedos.

- Eu estou aqui... - falei baixo. - E não vou sair do seu lado.

Ela levantou nossas mãos e deitou sua cabeça em minha mão, fechando os olhos. O que eu mais torcia era para que ela não percebesse como eu estava tremendo... ou como minhas mãos estavam extremamente geladas. No fundo acho que ela percebeu.

Mas não se importou.


- Empurre! - Dra. Julie falava alto, o som meio abafado pelo protetor bucal. - Vamos Isabella, força!

- Não dá! - ela gritava e chorava. E aquele som estava me deixando tonto, fraco e tão nervoso que não sei como estava conseguindo ficar em pé. - Eu não con-siiiigo! - as lágrimas estavam espalhadas por todo seu rosto, e o cabelo grudado na testa.

- Claro que você consegue meu anjo... - nossas mãos ainda não haviam se separado. Os nós de seus pequenos dedos estavam brancos e entrelaçados nos meus. Eu não parava de beijar e esfregar minha outra palma em sua mão, procurando passar conforto, carinho, segurança e principalmente força. - Só se esforce o máximo que você puder, que Anthony já já estará aqui.

- Não pare de empurrar, Isabella. Não desista! - Dra. Julie falou em voz de comando. - Você não pode parar de empurrar! Respire fundo e empurre!

- Não consigoooo! - ela repetia. - Não dá, não dá! - seus lábios já estavam secos, em completo contraste com o resto de sua pele toda suada. Eu já não estava aguentando minhas pernas trêmulas e resolvi me segurar na parte de trás de sua cama, me aproximando mais ainda de seu rosto. - Edward por favor, não me deixe! Eu tô com medo! - ela falou olhando para mim desesperada.

- Eu nunca vou te deixar... - dei um beijo em sua testa suada. - Eu estou aqui e vamos ficar juntos até o fim. Tenha força meu sorriso. Eu te amo, eu te amo... - dei mais beijos em sua testa.

- Isabella! - Dra. Julie falou ainda mais alto. Em outra situação eu estaria discutindo com ela por agir tão friamente com minha menina, mas sentia que naquela hora era necessário. Bella precisava de foco e não podia desistir, senão faria mal a Anthony. - Respira e empurre! - ela repetiu.

Bella espremeu os olhos e a boca, fazendo força até seu rosto ficar de um vermelho intenso. Assim que puxou o ar novamente, seu corpo estava todo tremendo e eu estava com tanto medo, que queria chorar. Eu não via a hora de tudo passar, de Bella não sentir mais dor, e de Anthony chegar ao mundo.

- Estou vendo a cabeça! - Dra. Julie falou. - Vamos, não desista!

Bella soltou um grito alto, gutural, que me fez ficar arrepiado. Minha cabeça era só dor, e todo meu maxilar também acompanhava, dolorido. Já estava até com medo de perder os dentes, porque não conseguia parar de ranger.

O ar estava saindo e entrando bem dificilmente de meus pulmões e eu não parava de engolir em seco, mas procurei respirar fundo e ficar ali, porque ela precisava de mim. Eu nunca imaginei que isso seria tão difícil. Ver Bella sofrendo, ver toda tensão nossa e dos médicos para que nada de mal acontecesse a Anthony, era algo que tinha que ter muita força para enfrentar.

- Temos a cabeça! - Dra. Julie falou. - Jeff, entre em contato com a enfermaria neonatal e avisem que temos um prematuro. Trinta semanas. - ela disse para um enfermeiro que saiu correndo do quarto.

Bella deu outro grito e senti seu apertão em minha mão sumir. Ela já estava fraca, tão fraca que não conseguia nem mais chorar. Só saíam as lágrimas de seus olhos. Ela se jogou novamente no travesseiro, o corpo pesado e a respiração descompassada. Aproveitei para aproximar meus lábios de sua testa.

- Já está acabando meu sorriso... - murmurei. - Já está acabando...

- Só mais um pouco, Isabella! Vamos lá! - Dra. Julie continuou. - Seu menino já está vindo!

O enfermeiro Jeff voltou com mais duas enfermeiras que vestiam uniformes cheios de bichinhos. Deviam ser do Neonatal. Bella assentiu e me afastei para que ela fizesse mais força. Sua outra mão agarrou a grade da cama enquanto a outra me apertava. Eu já ia pedir que ela parasse e descansasse porque estava ficando roxa, quando eu ouvi.

Eu ouvi... um pequeno, minúsculo engasgar infantil... e logo depois o choro do meu filho.

- Ahh, nasceu! Um meninão! - Dra. Julie falou. Eu estava tonto. Eu não sabia nem para onde ia. Não sabia se ia olhar Anthony ou se seguraria Bella em meus braços, agradecendo-a pelo presente perfeito que ela tinha acabado de me dar. As lágrimas saíam de meus olhos sem nenhum esforço, misturando-se com meu sorriso. - Quer cortar o cordão, papai? - ela perguntou.

Bella me olhou dando um sorriso e assentindo com a cabeça para que eu fosse. Soltei nossas mãos e fui até onde nosso bebê estava. Nosso pequeno Anthony. A realização da minha vida. Nada que eu fizesse no mundo compensaria o que Bella tinha acabado de me dar. Era uma sensação incrível. Era como se nada no mundo pudesse me abater ou me enfraquecer de alguma forma. Era como se aquele ser pequeno, com os olhinhos ainda fechados e o rosto vermelho, fosse a razão da minha existência. Minha força. A minha razão de viver.

- Temos que ir rápido, ele precisa de cuidados.. - Dra. Julie falou, chamando minha atenção.

Peguei a tesoura da mão de uma enfermeira e cortei. Era mole, e difícil, como se você estivesse cortando um pedaço de isopor bem espesso, mas por fim consegui.

- Ele está ficando roxo, levem-o logo! - ela disse. As enfermeiras pegaram Anthony das mãos de Dra. Julie e o enrolaram em uma manta, levando-o para fora do quarto.

- Eu quero vê-lo! - Bella falou ainda com lágrimas nos olhos.

- Querida, ele está muito debilitado. Ele precisa de cuidados. Mais tarde você poderá vê-lo. - Dra. Julie respondeu.

- Debilitado? O que ele tem? - ela falou em uma voz angustiada, me deixando também preocupado. Me aproximei dela e peguei sua mão novamente, entrelaçando nossos dedos mais uma vez. - Porque ele estava roxo?

- Uma insuficiência respiratória. - ela tirou as luvas, jogando-as em uma bandeja que estava na ponta da cama e se aproximou com uma toalha nas mãos. - Ele vai precisar ir para a UTI, onde ele terá tudo o que precisa ok, querida? Não se preocupe.

- Porque eu não pude vê-lo? - Bella continuou. - Porque não pude ver meu girassolzinho?

- Mais tarde, quando você estiver mais calma, e ele também, você vai vê-lo...

- Dra. Julie, pressão dezesseis por dez. - uma enfermeira falou.

- Isabella, se acalme... - Dra. Julie falou para Bella, tirando a máscara de frente da boca. - Está tudo bem. Anthony vai ficar bem. Você tem que cuidar de você agora... não pode deixar sua pressão subir.

- Mas eu quero vê-lo! - ela insistiu. - Edward, eu quero ver meu filho! - ela me olhou, seus olhos me implorando, mas eu estava tão sem ação quanto ela. Eu não conseguia nem me mover.

- Meu amor... - engoli em seco. - A gente vai vê-lo depois, deixe que tomem conta dele para que ele fique saudável.. eu prometo que vai ficar tudo bem...

- A pressão está aumentando, doutora.. - a enfermeira falou.

- Dê quinze miligramas de anti-hipertensivo e sedação rápida . - ela disse segurando a mão de Bella. - Vou ter que te dar um sedativo para que você durma um pouco e essa pressão abaixe. Não pode ficar assim. Mas tudo vai ficar bem, ok? E quando você acordar você vai poder ver o seu filho.

Bella assentiu triste, já sentindo os efeitos diretos do remédio na veia. Ela encostou a cabeça levemente no travesseiro, enquanto as enfermeiras tiravam as pernas dela dos suportes e ajeitavam-a na cama, cobrindo-a com um lençol.

- Tudo vai ficar bem, não vai? - ela disse com os olhos sonolentos para mim.

- Claro que vai meu amor... - dei um beijo em sua mão. - Eu te amo... obrigado por me dar um menino lindo.

- Ele é lindo, é? - ela deu um sorriso fraco. - Me fale como ele é...

- Ele é igual a você.

- Duvido.. deve ser igual a você. Até no cabelo louco... - ela falou grogue, mexendo sua cabeça e aninhando-a no travesseiro. - Hmmm...

- Durma meu anjo. - dei um beijo em sua testa. - Durma que eu estou aqui.

Dra. Julie estava conversando com dois enfermeiros na porta de nosso quarto. Eu não queria me afastar de Bella, mas precisava saber o que ia acontecer agora com Anthony, com ela.. com tudo. Eu ainda estava completamente perdido. Nem sabia se meu pai tinha conseguido estacionar, ou se minha mãe já sabia que estávamos aqui.

- Foi mais difícil que eu esperava. - ela falou assim que me viu, junto com um suspiro cansado. - E essa pressão alta agora no final? Sinais de pré-eclâmpsia não são bons. Ela é muito nova para passar por isso tudo, muito frágil.

- Mas ela vai ficar bem? - perguntei preocupado.

- Vai sim. Só precisa parar de se estressar e ficar quieta. Alguns dias no hospital também não vão fazer mal.

- E Anthony?

- Ele está muito novinho, muito fraco. Os pulmões ainda não estão desenvolvidos, por isso a insuficiência respiratória... vai ter que ficar na incubadora por alguns dias... tomar alguns remédios... vou verificá-lo agora na UTI... quer me acompanhar?

- Claro, claro... mas... Bella vai ficar sozinha?

Dra. Julie sorriu.

- Ela está bem. Não se preocupe. - ela segurou meu ombro. - Temos que nos preocupar agora com o bebê.


Assim que voltei da UTI Neonatal, dei de cara com meu pai e minha mãe no corredor. Eu estava um caco, minha cabeça ainda doía, e a preocupação de não saber se Bella e Anthony ficariam bem ainda estava presente em mim, me tirando qualquer foco. Mas eu tinha visto meu filho. Tinha visto seu primeiro banho, ele sendo pesado, sendo medido e colocando sua primeira roupinha, uma que Alice tinha dado logo no começo da gravidez de Bella, que tinha um leãozinho na frente.

- Meu amor! - Esme me abraçou. - Ele já nasceu? Está tudo bem?

- Já nasceu. Acho que sim. Ainda não sei. Ele está muito fraquinho, tá em aparelhos de respiração.. acabei de sair de lá da UTI. - senti o abraço de minha mãe apertando ainda mais ao meu redor e veio a vontade de chorar, mas segurei.

- E Bella? - ela falou enquanto soltava nosso abraço e passava sua mão carinhosamente por meu cabelo, mesmo que eu fosse infinitamente maior que ela. Ela ficava na ponta dos pés. - Como ela está?

- Teve pressão alta, mas só depois que ele nasceu... teve que tomar um calmante e está dormindo... - respirei fundo.

- Vamos sentar, filho.. - Carlisle pegou em meu braço e me puxou para a sala de espera, me fazendo sentar. - Respira um pouco.

- Eu tenho que voltar pra Bella. - passei as mãos nos cabelos, lembrando de como Anthony tinha puxado o cabelo igual ao meu. Acabei soltando um riso baixo.

- O que foi? - mamãe perguntou.

- Anthony nasceu com o cabelo igual ao meu. - meu sorriso aumentou. - Ele é cabeludo.. e a cor é a mesma.

- Ai meu Deus.. - ela uniu as duas mãos perto do coração, sorrindo. - Qual tamanho? e peso?

- Quarenta e quatro centímetros... um quilo e oitocentos gramas. Vai ter que ficar aqui até alcançar dois quilos e meio, Dra. Julie acabou de me falar...

- E os olhos? Conseguiu ver? - meu pai perguntou.

- Ele abriu bem rapidamente... são azuis... - falei dando outro sorriso, apoiando meus cotovelos nas pernas, me sentindo fisicamente e mentalmente cansado.

- Iguais aos do seu avô.. - Carlisle falou emocionado.

- É... iguais aos do vovô mesmo... - assenti, suspirando. - Eu... eu só espero que fique tudo bem, pai.

- Vai ficar. - Carlisle pegou em minha mão, e minha mãe veio do outro lado, também colocando a mão em cima da nossa. - Tudo vai dar certo, meu filho. Vocês não passaram por tanta coisa por nada.

- É, eu sei. Eu só quero que isso tudo acabe logo. Quero voltar para casa com eles.


Logo voltei para o quarto onde Bella dormia calmamente, de forma aconchegante. Não quis atrapalhá-la então nem me importei de ligar a televisão, ou chamar alguém para vê-la. Ela precisava descansar, e eu queria velar seu sono. Não queria mais deixá-la sozinha. Ela já tinha passado por tanto, que o mínimo que eu poderia fazer era me certificar de que ela estava tendo um descanso merecido e pacífico.

Sentado na cadeira, ainda sentindo uma forte dor de cabeça, acabei cochilando. Quando abri meus olhos, no que pareceu ser coisa de dez minutos, Bella estava olhando para mim, ainda com o semblante completamente sonolento. Abri um sorriso, e ela também sorriu para mim. Me levantei rapidamente e fui até seu lado na cama.

- Como você está? - perguntei baixo.

- Como está meu girassolzinho? - ela sussurrou, ignorando minha pergunta. - Ele está bem?

- Ele está bem sim... estão cuidando dele. Eu passei um tempinho lá com ele, e tudo vai ficar bem... ele é lindo, meu anjo. Lindo, lindo. - peguei sua mão e coloquei perto do meu rosto.

- O pézinho dele é fofo? - ela falou com a voz mole. Não me segurei e ri.

- É sim, meu anjo. Tem todos os dedinhos, ele é perfeito. Estou falando, não se preocupe. - dei um beijo na pele branquinha de seus dedos.

- Eu quero vê-lo... - ela murmurou. - Estou braba com isso...

Percebi que ela ainda estava sob o efeito dos remédios, porque estava falando as coisas sem filtro, e de forma engraçada. Então apenas sorri e tentei confortá-la, mesmo ainda morrendo de medo por dentro. Confesso que eu ainda tinha um certo receio sobre a saúde de Anthony, mas não ia falar para ela.

- Você vai vê-lo, meu sorriso... Só tem que dormir mais um pouquinho, eu prometo que da próxima vez que você acordar você vai vê-lo...

- Edward... - ela indagou no mesmo tom de voz.

- Hmm? - olhei para seus olhos, as pálpebras dançavam lentamente, como se ela ainda estivesse com muito sono. E eu tinha certeza que estava.

- Eles me costuraram... lá embaixo.

Soltei um suspiro junto com um riso baixo.

- Acho que é normal, amor... você acabou de ter um bebê.

Ela franziu o cenho. - É?

- É. - ri baixinho. - Vai descansar, vai... - me inclinei, dando um beijo em sua cabeça.

- Você vai ficar aqui?

- Vou.

- Promete?

- Prometo.

- Eu te amo, Edward.. - ela falou fechando os olhos novamente.

- Eu também te amo, meu sorriso... muito mais do que você possa imaginar... - encostei nossos lábios lentamente e murmurei. - Durma bem.


Acho que minha testa poderia até grudar naquele vidro. Eu não parava de olhar para dentro do berçário, onde Anthony dormia dentro da incubadora, com um enorme tubo em seu rostinho. Aquilo me deixava angustiado e com uma sensação de falta de ar terrível. O pior era que eu também ainda me sentia dividido, indo e vindo o tempo inteiro, checando Anthony e checando Bella. Estava sendo assim o tempo inteiro, o dia inteiro. Eu nem sabia que horas eram, muito menos quanto tempo tinha se passado desde o nascimento do meu filho. Tinha momentos que eu queria pelo menos poder me dividir em dois, e dar atenção às duas pessoas que faziam meu mundo.

Senti uma mão em minhas costas e assim que me virei, encontrei Alice, com um sorriso preocupado nos lábios. Ela ficou na ponta dos pés e me abraçou apertado, mas tão apertado que cheguei a tirá-la do chão e fazê-la balançar os pés no ar.

- Cadê ele? - ela falou animada.

- Ali. - apontei através do vidro do berçário, diretamente para a incubadora.

- O que ele tem? - ela franziu o cenho, aproximando seu rosto do vidro para vê-lo melhor.

- Insuficiência respiratória devido a parto prematuro e má formação dos pulmões... - falei junto com um suspiro de cansaço.

- Como ele é cabeludo! - ela riu, sua respiração fazendo o vidro embaçar. - Edward, ele é todo você... - ela riu.

- Tem os olhos do vovô... bem azuis. - coloquei minha testa novamente no vidro, já me sentindo à vontade de tanto que estava fazendo aquilo, repetidamente.

- Maninho, você está exausto... você já comeu? - ela colocou as mãos na cintura e me olhou de cima a baixo. Era engraçado todo esse comando que Alice tinha. Ela conseguia mandar em todo mundo mesmo medindo meio metro de altura. - Você parece que não comeu. Está pálido!

- Não comi nada.. não sei nem que horas são...

- São onze da noite. - ela procurou meu olhar. - Edward, você tem que comer...

- Eu tenho que voltar para o quarto, antes que Bella acorde.

- Não. Você tem que comer.

- Alice...

- Você quer desmaiar, ter uma queda de pressão e ficar sem ver os dois, Edward Anthony Cullen? - ela me olhou brava.

- Não. - voltei a olhar para Anthony.

- Então pronto. Vamos logo, antes que a lanchonete do hospital feche. - ela pegou minha mão. - Venha Edward, ou você quer que eu te arraste?

Independente do que Alice fosse tentar, meus pés não iam se mover. Eu não sairia dali. Porque eu tinha acabado de ver quem vinha em nossa direção, no final do corredor. E essa pessoa era a última pessoa que eu queria ver na face da terra.

- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? - falei alto, dando um susto em Alice que logo olhou para trás e deu de cara com Reneé, andando esbaforida pelo corredor.

- Eu vim ver o meu neto, Edward, e você não pode me proibir.

- Ah, eu posso... - falei sentindo a raiva tomar conta de mim. - Eu posso e eu vou. Eu não quero você aqui. Você já fez estrago o suficiente, Reneé.

- Edward, Edward.. Hey! - Alice falou tentando fazer com que eu olhasse em seus olhos. - Maninho, estamos em um hospital e tem bebês do outro lado do vidro. Tenha calma. - ela se enfiou entre eu e Reneé, e eu esperava que ela soubesse que não ia adiantar de nada. Eu não ia descansar enquanto aquela mulher não sumisse da minha frente.

- Vai embora, Reneé. Agora. - falei entredentes. - Faz um favor pra Isabella, e some da nossa vida. Some da vida dela.

Ela me olhou chocada, como se eu estivesse falando alguma atrocidade. Mas eu não estava. Porque desde que aquela mulher tinha voltado para a vida de minha menina, tudo tinha se tornado um caos. Ela achava que seria fácil, abandoná-la aos seis anos de idade e procurá-la anos depois, como se nada tivesse acontecido? Como se Bella não tivesse passado dez anos aos cuidados de um homem que não lhe dava o mínimo de carinho? Sim, eu ainda não tinha perdoado Charlie, mesmo sabendo que ele estava morto. Eu só tinha dito a Bella que perdoava para que ela se acalmasse. Sei que tinha sido uma atitude ridícula minha, mas quem ia me julgar? Eu tinha passado por maus bocados nas mãos daquele homem, e nunca esqueceria de tudo que ele fez com Isabella.

- Eu não vou embora, Edward. Eu vou ver meu neto e minha filha. Ela precisa de mim.

Sacudi a cabeça, dando uma risada sarcástica de nervoso. Como ela tinha coragem de falar isso? Ela era louca?

- Ela não precisa de você agora. Não mesmo. Reneé, eu viro de cabeça pra baixo, eu transformo o meu mundo inteiro, mas eu vou dar tudo a Isabella, justamente para que ela nunca mais precise de você. Porque quando ela precisou, você tratou de cuidar da sua vida. Agora é a hora de ela cuidar da dela, e para isso, você precisa sumir. Me entendeu?

Ela me ignorou e começou a procurar por Anthony no meio dos bebês do berçário.

- Você não tem nenhum direito de olhar meu filho! - gritei, me aproximando dela, e Alice me segurou pelo braço.

- Me solta, Alice.

- Edward, é sério! Eu vou chamar o papai! Pare com isso! - Alice gritou, mas não precisou, porque Jasper estava vindo em nossa direção, já se tocando do que estava acontecendo e pronto para apaziguar as coisas.

- Reneé, o que você está fazendo aqui? - ele perguntou. Ele conhecia Reneé?

- Oi querido! - ela olhou para Jasper. - Eu estava no Spa do Country Club com a sua mãe quando ela comentou que você não ia buscá-la porque o sobrinho de Alice estava nascendo e você ia para o hospital. Na mesma hora vim para cá.

Jasper olhou para mim.

- Me perdoe pela indiscrição ridícula dos meus pais, Edward.

- Não tem problema. - respondi. - Eu só quero que ela saia daqui agora.

- Só saio depois de ver minha filha. - ela me olhou novamente.

- Essa é outra pessoa que você não vai ver. Primeiro que ela não é sua filha. Você fez o favor de abandoná-la. Quer que seja sua filha agora porque? Bateu saudade? Deixou de ser egoísta?

- Edward, você não tem o direito de colocar palavras em minha boca, garoto. - ela respondeu com veneno nas palavras. - Você não sabe de um terço do que eu passei, então eu não vou discutir com você. Minha filha teve um bebê e eu quero estar aqui por ela.

- Edward, deixa... - Alice falou mais uma vez puxando o meu braço. - Maninho, vamos comer...

- Você não vai chegar perto de Bella. - apontei o dedo no meio de seu rosto. - Você está me ouvindo? Eu não vou me responsabilizar por meus atos...

- O que? Vai me bater? - ela me olhou debochada.

- Edward! - meu pai falou se aproximando. - Pare com isso filho. Vamos.

- Eu estou falando sério! - falei enquanto meu pai me puxava pelo corredor. - Pai, eu não quero que ela chegue perto de Bella, muito menos de Anthony! - o desespero em minha voz podia ser sentido por todos os meus poros.

- Ela não vai, Edward.. - meu pai falou baixo enquanto me conduzia pelo corredor. - Ela não vai. Eu vou tomar conta disso agora. Mas você precisa se alimentar.


- Meu Deus... Ele é tão pequeno... - Bella falou assim que se aproximou da incubadora com seus passos leves e todo o cuidado do mundo. - Ele é menor do que eu imaginava... - sua palma pequena encostou no vidro quentinho, enquanto nosso bebê dormia calmamente, ainda com a ajuda para respirar. - Eu vou poder pegá-lo?

- Claro que sim... - a enfermeira disse. - Você tem que tentar amamentá-lo querida. - ela sorriu para Bella. - Sei que você deve estar exausta mas é importante para ele..

- Eu não estou exausta. - ela quase cortou a enfermeira. - Eu quero alimentá-lo e farei o que for possível.

- Pode ser que ele não consiga. - ela disse enquanto apertava uns botões para poder abrir a incubadora. - Por causa da dificuldade em respirar. Se ele não conseguir você vai ter que tirar o seu leite para que possamos dar a ele de outra forma.

- Que forma? - minha menina perguntou e eu fechei os olhos não querendo ver sua reação com a resposta.

- Pelo tubo. - a enfermeira disse com cuidado. - Sei que não é como você quer ver seu bebê querida, mas pense que isso é para o bem dele.

Os olhos de Bella estavam cheios de lágrimas, mas ela assentiu triste.

- Tudo bem. Ele vai melhorar. Eu sei que vai.

- Claro que vai. - passei minha mão em sua cintura e dei um beijo em sua cabeça. Bella estava pálida, com um semblante cansadíssimo, mas nem eu nem ninguém naquele hospital queria ser a pessoa a ter a coragem de negar a oportunidade dela ver Anthony àquela noite. Eu já estava mais calmo, mas somente porque sabia que Reneé não estava mais lá. Depois de toda aquela confusão, meu pai e Jasper conseguiram convencê-la a "tentar" voltar outro dia. Ela nem deveria tentar, porque eu não ia deixar ela se aproximar de minha mulher e de meu filho.

- Sente-se, querida. Vou colocá-lo em seu colo. - a moça de uniforme rosa com girafinhas disse já começando a se preparar para pegar nosso bebê. Ela tirou o tubo grande de frente de Anthony e apenas deixou-o com dois tubos fininhos que entravam por sua narina. Aquilo me deixava completamente agoniado. Minha vontade era de arrancar tudo aquilo do meu filho.

Bella se sentou e olhou cada movimento que a enfermeira fazia, como se estivesse vigiando Anthony de todas as formas possíveis. Não sei se era a natureza de ser mãe, mas ela já parecia ser extremamente protetora, apenas com seu olhar. Eu a entendia, porque eu estava sentindo o mesmo. Era inexplicável a intensidade do amor e do senso de proteção que eu sentia por aquela minúscula criatura.

Sentei a seu lado, e a enfermeira colocou Anthony no colo de Bella, bem devagar. Seus olhos marejaram ainda mais, enquanto ela abria um sorriso e tomava nosso girassolzinho em seus braços. Ele estava com os olhinhos fechados e as mãozinhas em punhos, mas assim que Bella inclinou seu rosto, encostando seu nariz no dele, ele abriu os olhos azuis bem lentamente, ainda se acostumando com a luz. Algumas ruguinhas formavam no cantinho de seus olhos e fiquei completamente arrepiado ao ver como era exatamente parecido comigo, quando eu sorria.

- Oi meu anjinho... - ela falou em um sussurro. - Oi amor da mamãe... - sua voz quebrou, e foram visíveis as lágrimas que saíam de seu rosto. Passei meu dedo levemente embaixo de seus olhos, tentando livrá-la daquilo. - Feliz aniversário, meu girassolzinho... bem vindo ao mundo... - ela respirou fundo e então olhou para mim. - Que dia é hoje?

Sorri.

- Vinte e sete de janeiro. - passei a mão por seus cabelos. - Não falei que ele é lindo?

- Ele é perfeito... - ela deu um soluço e um risinho baixo. - Eu tô besta com o cabelo dele... - ela pinçou alguns fios do cabelo de Anthony entre seus dedos, e vimos a cor bronze, exatamente igual a minha. - Puxou todo o seu. E esses olhos...

- São iguais aos do meu avô.. - respondi. - Mas o nariz... é afiladinho igual ao seu...

Bella olhou para mim e sorriu. Pela primeira vez em muito tempo vi um sorriso genuíno saindo de seus lábios, e aquele pequeno gesto me fez enxergar que eu não devia me preocupar; tudo ia ficar bem. Isso era só mais um obstáculo que íamos ter que enfrentar, mas depois de termos passado por tanta coisa, cada dia estaríamos ainda mais fortes. Isso aqui não seria nada. Anthony ficaria bem, e iríamos para casa começar nossa vida como uma família de verdade.

- Obrigada, Edward.. - ela continuou sorrindo. - Esse é o melhor presente do mundo... - ela passou seu dedo indicador pela mãozinha branca de Anthony e ele automaticamente segurou-a. - Oh! - ela olhou rapidamente para ele e novamente para mim. - Olha isso!

- Segurando o dedo da mamãe.. - falei sorrindo, dando um beijo na têmpora de minha menina.

- E com força! - ela falou em seu melhor sotaque monroviano, abrindo meu coração de uma forma inexplicável. Aquele, sem sombra de dúvida, poderia ser considerado um dos melhores momentos de minha vida. O primeiro, foi quando vi Isabella pela primeira vez.

- Ele é forte. - brinquei, passando meu dedo indicador por sua barriguinha. Ele se mexeu levemente, como se estivesse sentindo cócegas.

- Claro que é. Ele é nosso.. - Bella sorriu e respondeu no mesmo tom de brincadeira.

Encostei meu queixo em seu ombro, enquanto ela ninava Anthony silenciosamente.

- Eu te amo. - sussurrei, pegando na mãozinha de Anthony e sentindo as lágrimas querendo descer de meus olhos.

- Eu também te amo. - ela encostou sua cabeça na minha, e acariciou minha mão e a de Anthony ao mesmo tempo. - Vocês dois são a minha vida, Edward... - ela falou baixo e respirou fundo. Anthony respirou fundo, e aquilo nos deu um alívio gigante, porque nos entreolhamos sorrindo.

- E então, mamãe? - a enfermeira estourou nossa bolha. - Vamos amamentar?


Entãããããão! Girassolzinho finalmente nasceu!

E aí, o que acharam? hahahahahaha

Ah, para quem quiser ver, vou colocar duas fotos dele no meu perfil!

Muito muito muito obrigada pela imensidão de reviews no último capítulo. Fiquei bobinha demais! Essa semana responderei novamente todas as reviews e tentarei mandar um spoiler. Para quem não tem conta no ff, coloque seu email com os pontos entre parênteses ou somente o nome e o provedor, que eu dou um jeito!

Muito obrigada por tudo e tenham uma ótima semana!

Ahhh, sexta que vem não terá post, porque é a estréia de Water for Elephants! Então provavelmente postarei domingo a noite, ok?

Beijinhos e até semana que vem! :)

Dani