43 O sabor, o cheiro, seu toque
Às vezes, quando ele sonha, seus sonhos lhe parecem mais reais que a realidade. De modo que não é nada surpreendente que, durante uma fuga, nasça-lhe asas permitindo-lhe voar. Não há nada alarmante, quando de repente o chão desaparece sob seus pés e ele cai em um abismo sem fundo. Não há nada de anormal quando sente dedos frios apertando sua cintura enquanto vê uma cabeça escura se movendo entre as suas coxas. Não, algo como isso só acontece em um sonho muito ... agradável.
Harry muitas vezes era assombrado por sonhos desse tipo. Especialmente o último. Então sua consciência não ficou nem um pouco surpresa quando sentiu dedos frios vagarem ao longo de seu corpo e uma boca quente pressionar atrás dele. Não considerou isso algo anormal, isso sempre acontecia nesse tipo de sonho. Não, não era tão irreal até que parecia...
... Real.
Espere, sonhos se tornam realidade? E principalmente tais sonhos.
Não, algo estava diferente, sentia cada vez mais. O roçar dos dedos ao longo do seu braço e pescoço e os beijos quentes vagando ao longo da sua espinha, mais e mais ...
Lentamente ele abriu os olhos, quase certo que, quando fizesse isso, tudo iria desaparecer imediatamente, mas nada aconteceu. Ainda era subjugado por uma sensação convincente de que, agora tudo era ainda mais claro. Sentiu mãos vagando pelo seu corpo em movimentos delicados, deslizando seus dedos ao longo das suas costas fazendo movimentos em cruz, passando por sua cueca e roçando suas nádegas. Harry piscou, tentando se lembrar de onde ele estava e o que estava acontecendo. Mas antes que pudesse fazê-lo, a mão de alguém levantou a sua perna, forçando-o a dobrá-la e começou a acariciar a parte interna de suas coxas, devagar, deslizando suavemente ao longo do corpo quente. Um arrepio frio correu ao longo de todo o corpo de Harry, fez surgir as memórias em sua mente.
Estava no quarto de Snape. Em sua cama. E esta mão, o corpo deitado por trás dele, esses lábios quentes degustando a pele de suas costas eram de ...
Ele suspirou profundamente, quando ele sentiu o roçar dos dedos escorregando ao longo de seu pênis que respondeu ao toque com um tremor quase doloroso. Harry cerrou os olhos e abriu a boca, porque de repente todo o ar de seus pulmões fugiu, como que por magia. Podia ouvir a respiração pesada de Severus atrás dele. Sentia o homem mover a mão maravilhosa para as suas nádegas e baixar sua cueca. Lentamente, ele começou a virar a cabeça e murmurar baixinho por causa da sensação de prazer. O material esfregava contra a sua pele revelando centímetro por centímetro das nádegas arredondadas e indo ao longo de suas coxas. Sentiu a boca se afastar de seu pescoço, assim Harry pôde virar a cabeça completamente. Ele levantou os olhos, exatamente ao mesmo tempo em que sentiu um dedo longo e molhado escorregar para dentro dele.
Seu corpo dobrou-se, mas ele não tirava os olhos dos olhos negros presos aos dele, mesmo que tudo que ele via fosse turvo e nebuloso. Ele levantou a mão e tocou o rosto do homem curvado sobre ele, pelo qual caiam longos fios escuros, envolvendo-o em sua sombra. A visão provocou nele uma explosão de alegria quente e não conseguiu parar o sorriso sonolento que deslizou em seus lábios.
- Bom dia ... Severus - ele disse baixinho, sentindo como o dedo do homem movia-se suavemente na sua entrada. Em resposta, Snape simplesmente inclinou-se e apertou os lábios na sua testa, sussurrando:
- Não diga nada...
Ele inclinou-se por um momento e olhou para Harry, como se estivesse tentando memorizar sua imagem com cabelo desgrenhado do sono, o rosto amassado, os olhos sonolentos, a pele brilhante, quente e o persistente sorriso sonolento em seus lábios. Harry correspondia a esse olhar, consumindo cada parte da face do homem olhando para ele com atenção, não se incomodava com o fato de que não podia ver claramente.
Sim, era verdade. Pela primeira vez, ele acordou e estava deitado ao lado de Severus. Pela primeira vez depois de acordar, ele podia sentir sua proximidade, ele podia ver seu rosto curvado sobre ele, ele podia desfrutar do fato de que ele permaneceu ao seu lado, de que não o deixou no meio da noite, como era o hábito. Pela primeira vez, Severus quis ficar com ele após o despertar e essa consciência fez o sangue de Harry começar a circular ainda mais rápido do que antes.
Moveu a mão do rosto para baixo, em direção aos seus lábios finos, que se separaram sob a influência do toque, e seus dedos se beneficiaram com o convite e mergulhou no interior quente da boca de Severus. A vista era tão incrível que ele prendeu a respiração quando ele viu os lábios de Snape apertar em torno de seu dedo indicador, deslizando a língua incrivelmente quente e cambaleando-a ao longo do dedo de modo lento, pegajoso, formando círculos em torno dos músculos macios. Ele tinha a impressão de que a boca de Snape gerava uma espécie de feixe de ondas de energia, que viajam-lhe do dedão do pé ao longo de todo o corpo indo direto para um ponto muito sensível em seu abdômen. A força dessas ondas foi intensificada quando Harry sentiu seu dedo vibrar com murmúrios de Severus, fazendo sua mente virar espuma ouvindo aquilo.
No entanto, todas essas sensações empalideceram um pouco, quando um segundo dedo deslizou para dentro dele. Harry deixou um gemido alto escapar dos lábios dele, foi incapaz de parar de gemer, gemidos que se intensificaram quando Severus começou a mover os dois dedos para dentro dele, a princípio lentamente, mas a cada momento, em que seus músculos iam se alargando, foi se movendo mais rápido e mais fortemente. Harry deslizou sua mão pelo cabelo preto, sentindo as mechas macias, parando seu toque no pescoço de Snape, que, nesse momento, debruçou-se sobre ele e atacou seu peito com a boca. Os olhos de Harry fugiram para o crânio, quando sentiu os dentes do homem mordendo o bico de seu mamilo, em seguida, pressionando a língua molhada em sua pele com desejo quase voraz, como se Severus tivesse se abstido longamente de prová-lo, como se tivesse esperado por esse momento durante toda a noite e agora, finalmente, era capaz de afundar seus lábios e os dentes em seu corpo e devorá-lo. Todo.
Harry se contorcia e gemia, ele não era capaz de se livrar dessa boca gananciosa, de qualquer maneira, não queria isso, mas era tudo muito... tão ... não podia mais ... simplesmente não conseguia! Os lábios de Severus estavam por toda parte sobre ele, absorvendo cada pedacinho de sua pele no peito, mordendo-o no braço e no pescoço, percorria o seu pescoço, deixando para trás uma longa e molhada pista, e cada toque da respiração quente e acelerada em sua pele úmida, fez com que ele sentisse uma emoção tão forte espalhar-se em suas veias, que teve a impressão de que mais alguns toques o fariam explodir.
Ele ouviu e sentiu a respiração pesada de Severus, embora sua própria respiração abafasse quase tudo, e quase estremeceu de alívio quando os dedos se retiraram, e Snape recuou um pouco, como se atingido por algo, embora não afastasse nem por um momento a boca de sobre seu corpo. Parecia que Harry estava tendo a última oportunidade para tomar uma respiração, antes de Severus ... antes que ele ...
Oh sim! Exatamente assim!
Quase gritou quando sentiu algo quente e liso escorregando para dentro dele, e os dedos de Severus apertando na sua cintura, afundando na sua carne macia como garras. Sim, adorou, queria, queria que Severus mergulhasse ainda mais, ainda mais, ele queria sentir tudo isso em seu interior, tanto quanto possível, tanto quanto Severus quisesse entrar. Nele. Queria seu gosto, seu cheiro, seu toque. Em toda parte. Em todos os lugares onde fosse capaz de alcançar.
Quando o testículo quente do homem tocou suas nádegas, sentiu o pênis pulsando preenchê-lo completamente, e quando o interior do corpo de Harry já estava adaptado ao seu tamanho, Severus começou a se mover devagar, puxando e penetrando profundamente.
A boca voltou a fazer o caminho anterior ao longo do pescoço do garoto, e parou somente no momento em que Harry levantou os olhos quentes, ele viu o rosto de Severus inclinado sobre ele, localizado a apenas alguns centímetros. Os olhos negros mergulharam nos olhos verdes, buscando avidamente absorver qualquer traço, mesmo a menor explosão de prazer que aparecesse pelo rosto de Harry. Ele pareceu quase brilhar de triunfo, quando o pênis atingiu o lugar mais sensível em seu interior, e Harry abriu a boca quase morrendo de prazer, incapaz de dar de si algo além do som longo, vibrante "ooooooooh". E os olhos de Severus devoravam cada ruga que aparecia em sua face, cada espasmo de prazer, fazendo com que cada movimento seu, fizesse os olhos de Harry ficarem cada vez maiores e mais brilhantes, não desgrudando de suas íris.
Já saciado por esta visão, Severus se inclinou ainda mais perto e mergulhou sua boca atacando o rosto de Harry intoxicado de agonia e seus lábios pareciam ser ainda mais quentes do que antes, se possível. E ainda mais famintos. Como se algo o tivesse interrompido de sua saborosa refeição, e agora voltava ao seu alimento com interesse aumentado. Harry permitiu-lhe provar o gosto de cada parte de sua pele inflamada. Não estando no uso dos óculos, Severus tinha acesso a todos os lugares e beijou sua testa e pálpebras. E até mesmo o nariz. Uma e outra vez, sem parar, como se não tivesse o suficiente e quisesse mais, ainda mais sabor de Harry. Ele virou a cabeça um pouco e começou a beijar a bochecha, a orelha e o espaço circundante. Como se estivesse tentando desfrutar de tudo e lembrar-se completamente o sabor.
Merlin, quantas vezes Harry imaginou em sonhos com Severus tomando-o desta forma. Benigna. Paciente. Calculada apenas para a doação de prazer. Quantas vezes já desejou que o homem beijasse seu rosto inteiro e olhasse para ele, estivesse nele, não apenas através de seu pênis, mas também pelo olhar, pela respiração ... e pensamentos. Ele sentiu que ele começava a tremer, que algo dentro dele quebrava e com isso algo estranho começava a acontecer. A sensação foi se aproximando, com cada impulso, foi chegando mais perto, enchendo seus lombos e o peito, sua respiração ficou presa na garganta e sangrou-a, seus olhos queimaram.
Outro tiro e outro beijo quente em seu rosto. A respiração quente do homem roçava porções de sua face molhada, por onde descasou os lábios finos que não cansavam de prová-lo. Fios delicados de cabelo caiam para frente fazendo cócegas em seu rosto e liberando um cheiro tão familiar.
Severus estava sobre ele e nele. Afundado, submerso, perdido em Harry.
É demais, ele não aguentava mais, ele não podia mais ... agora ...
De sua garganta, saiu um grito, muito rouco:
- Severussssss...
Ele não era mais capaz de controlar seu corpo, que dobrado, foi inundado por um calor que nunca experimentou. Todos os seus músculos ficaram tensos e seu pênis quase dolorosamente latejante, atirou fluxos de espermatozoides que se instalaram no tecido preto da cama. Ele tinha a impressão de que virara cinzas, e que a sensação era tão boa que nada poderia ser mais agradável.
Quando o orgasmo finalmente o liberou de suas garras fortes, e ele, exausto, tremendo incontrolavelmente, caiu mole na cama, ele sentiu a mão de Severus em volta do seu pênis, coletando seu sêmen ainda quente. Apertou ligeiramente. Harry tentou abrir seus olhos, mas não foi capaz, teve a impressão de que não tinha forças para mover nem sequer um dedo pequeno do pé. As ondas de orgasmo desapareceram, mas algo dentro dele ainda estava tremendo, ainda se derramando, renascendo, teve a sensação de uma corda apertando seu pescoço fazendo-o ter cada vez mais dificuldade para respirar.
Era tudo tão ... tão ...
Ele estremeceu ligeiramente quando sentiu os longos dedos de Snape em suas costas espalhando o sêmen quente em sua pele, mas depois de um tempo, a língua quente sucedeu os dedos, que se movia lentamente sobre a pele, coletando cuidadosamente cada gota.
O tremor tomou o impulso, Harry tremia como se o mundo inteiro estivesse tremendo. Severus murmurou lambendo o sêmen em suas costas e acelerou ainda mais, empurrando novamente os dedos na sua carne macia e cerrando os dentes no seu ombro nu. Se moveu cada vez mais rápido, cada vez mais firme, mais violentamente, até que finalmente ... congelou e deu um longo e abafado gemido, e seu pênis latejante encheu o interior de Harry com ardor e doçura. O cheiro, o sabor e o calor de Severus. Sua essência.
Ele sentiu que o coração, em vez de travar, acelerava, e algo em seu peito inchava, crescia e pressionava os pulmões, fazendo-o não ser capaz de recuperar o fôlego. E quando o corpo relaxado atrás dele caiu, soltando um profundo suspiro e seu braço e ereção úmida e aquecida saiu dele, deixando-o ... vazio ...
... Harry soltou, de repente, soluços violentos. Ele não tinha ideia do que estava acontecendo com ele, ele não conseguia se controlar. Ele apertou a mão aos lábios e escondeu o rosto no travesseiro, tentando abafar os soluços desesperados, mas não conseguiu segurar as lágrimas que corriam pelo seu rosto e embebiam a seda preta.
Não, não podia mostrar-se assim ... O que ele estava fazendo? Ele deve parar. "Pare imediatamente!" O que Severus vai pensar sobre isso? E se ...
- Potter ... – ouviu a voz profunda de Severus um pouco acima, isso fez Harry quase entrar em pânico, incapaz de parar de soluçar, e muito menos de responder. Não tinha inteiro controle do que estava acontecendo com ele.
Não, Snape não podia vê-lo assim! Ele deve se acalmar! "Pare de agir como um ..."
Mas ele não foi capaz de terminar esse pensamento, porque sua mente foi sufocada com surpresa quando sentiu um toque suave em seu ombro, as mãos firmes de Snape tentaram afastá-lo do travesseiro obrigando-o a voltar-se na direção do homem. Por um momento ele se opôs, não querendo que o homem visse-o nessa condição, mas depois de um tempo desistiu, porque ele não tinha forças para lutar, já não tinha forças para resistir. Ele se rendeu aos braços fortes, que o fez se virar, Severus enfiou a mão sob suas costas, moveu-a pelo seu pescoço e parou em seu cabelo, levantou a sua cabeça e apertou-a contra seu pescoço. Longos dedos suavemente acariciaram seus cabelos, movendo-se entre os fios molhados de suor. Todo o seu corpo tremia de choro mal reprimido, que parecia rasgá-lo em pedaços por dentro.
- Shhh - sussurrou Severus, brando tentando acalmá-lo. Como se falasse com uma criança assustada. - Shhh ...
E Harry, aninhado nos braços quentes de Severus, sentiu seu surpreendente perfume envolvê-lo como num casulo, lentamente, se acalmou. Os soluços fortes e descontrolados se transformaram em soluços esparsos, que por algum tempo ainda abalaram seu corpo, mas cada vez menos, até que desapareceu completamente. E houve silêncio. Preenchido apenas por duas respirações. E pensamentos.
Harry suspirou profundamente, tentando analisar tudo o que se passou para entender o que aconteceu com ele. Ele se sentia tão envergonhado por esta súbita explosão que ele não podia imaginar como ele poderia agora olhar para o rosto de Snape. Seu coração ainda estava trabalhando a um ritmo acelerado, e vibrando em seu corpo, e o tremor desaparecendo lentamente, quando o homem libertou-o das garras e permitiu que sua cabeça caísse sobre o travesseiro.
Harry não tinha escolha. Lentamente, ele levantou os olhos, esperando ver no rosto do homem debruçado sobre ele quase tudo, desde o sorriso sarcástico, e viés de nojo, mas certamente não esperava que ele iria ver ... preocupação. A face de Severus estava escondida pelas sombras dos cabelos de ébano que caia-lhe, mas ele podia ver seus olhos bem abertos e uma profunda ruga entre as sobrancelhas.
Oh, ele era tão estúpido. O que ele poderia dizer? Como explicar?
- Eu ... - Ele começou hesitante, quase sozinho, sem saber o que exatamente ele queria dizer. – Isso que aconteceu. Eu não sei ... Eu não queria. Eu só ...
- Eu sei - sussurrou Severus.
Essa palavra calma fez Harry ficar em silêncio, e sua gratidão formou uma explosão em seu coração, tão profunda que quase estremeceu de alívio. Severus o havia compreendido. Ele não estava ali para ameaçá-lo. Não. Ele ... olhava para ele de tal forma, e Harry tinha a impressão de que ele nunca viu tal visão. Parecia-lhe que se entrelaçavam e envolviam-se. Ele sentiu-se ser tocado na alma, fundo, muito fundo. Ele realmente não precisava de qualquer palavra para sentir o poder que emanava dele. A força e algo mais ...
Certeza.
Ele sorriu.
Não precisa de nada mais.
Severus Snape raspava sua barba muitas vezes. Quase todos os dias. Ele gostava de fazê-lo devagar, com cuidado, calculando cada movimento do seu pulso. Aquilo era uma espécie de ritual, que ninguém e nada podia impedir. E nunca deixava de fazer.
Hoje também tentou realizar esse ritual. O único problema era que seus olhos insistentemente, sem querer, desviavam para o lado onde havia a sombra translúcida de Potter tomando banho na cabine. O banheiro era grande e espaçoso, e de seu lugar na pia, via refletida no espelho, de pé na cabine, a imagem do e seu corpo nu. Chegavam aos seus ouvidos o som de água corrente e os salpicos irregulares.
Após alguns momentos, ele olhou para seu próprio reflexo no espelho. Mais frio e repugnante do que nunca. A testa franzida e a boca torta dava-lhe o ar de um animal selvagem, que a qualquer momento pode morder a perna de alguém. Agora, porém, parte de seu queixo e face direita, foram cobertos com creme. Ele franziu a testa, ainda mais, e voltou para o ritual, posicionando a lâmina no rosto e lentamente moveu com um sentido de empurrar para baixo.
Então o som de água corrente diminuiu e a porta da cabine se abriu. Nesse momento Severus fixou o olhar no seu reflexo no espelho e começou a deslizar a lâmina sobre a pele, como se não tivesse interessado em nada mais além disso. No final, ele soltou um silvo calmo, como se finalmente se rendesse, e seu olhar descansou na silhueta de Potter parado na frente da cabine. O menino pegou uma toalha verde com emblema da Sonserina para enxugar o cabelo, seu corpo nu brilhava com a umidade da água, as gotas continuavam fluindo por sua pele macia, clara, suave e ainda tão fresca como se nunca ninguém a tivesse tocado ainda. O pênis flácido e os dois testículos redondos oscilavam ligeiramente entre as coxas, quando com movimentos vigorosos, limpou o cabelo. Quando terminou, pendurou a toalha sobre os ombros e jogou o cabelo para trás. Os fios molhados pareciam ser muito mais escuros que o normal. Pregavam na fronte pálida, criando um contraste surpreendente. Mas tudo, absolutamente tudo parecia desbotado e sem graça em comparação com os grandes olhos verdes brilhando. Agora, sem óculos, cercado de cabelos pretos e pele pálida, bateu tanto fulgor, como se alguém tivesse privado toda a luz do ambiente e só restasse aquele brilho. Tudo isso em combinação com o sorriso gentil, sonhador que não desaparecia de seu rosto nem por um momento, o fez levantar a lâmina novamente sem tirar os olhos do menino, parecia ser tão ... suculento e vivo.
E então aconteceu. Severus Snape errou o movimento.
- Droga! - xingou baixinho, olhando com raiva a barba com uma mancha vermelha.
- Severus? – a voz de Potter estava preocupada. Ele chegou mais perto, pisando suavemente com os pés descalços. - O que aconteceu?
Severus lavou a lâmina sangrenta e olhou para a gota de sangue escorrendo pelo queixo.
- Nada - ele murmurou baixinho, embora ele se parecesse mais com alguém que estivesse a pouco de assassinar alguém. Ou melhor a si.
Potter estava ao lado das suas narinas e fluiu para o homem um intenso aroma de baunilha e chocolate. Ele devia estremecer com desgosto ante um sentimento tão doce como uma mistura narcótica, mas, inadvertidamente, virou a cabeça, fechou os olhos e inalou o cheiro profundamente nos pulmões. Perfume. Sempre o cheiro, o mesmo repugnantemente cheiro doce flutuando em torno do menino como uma cobertura adicional. Mais forte ainda do que a sua aura mágica. Ele sentia o cheiro sempre que Potter estava por perto, explodia em seu rosto quando ele se inclinava sobre o seu caldeirão durante a aula, às vezes, ele podia até dizer que sentia seu rastro aromático no corredor por onde Potter já havia passado, seu cheiro permanecia no ar, como uma faixa de perfume, delicado e dissipando-se, mas ainda assim perceptível.
Na face crua apareceu um prazer amargo, embora não pudesse decidir o que sentia. Ou melhor, o que ele preferia sentir. Quando ele levantou os olhos, encontrou o olhar surpreso de Potter, olhando para ele com aqueles condenados olhos verdes.
Ele endireitou-se, afastou-se de perto do cabelo molhado do garoto e limpou a garganta, novamente olhando seu reflexo no espelho. Desta vez, parecia alguém que realmente precisa de algo mais forte. E rapidamente.
Bem, foi um pouco estranho ... Severus olhou para Harry, pois ele tinha acabado de sair do chuveiro. Quero dizer, não que ele nunca tenha olhado, mas não tão ... Sem óculos, ele não poderia ler este olhar, mas sentiu que quase tocava-o, ele sentiu cócegas provocadas por línguas de fogo que ardiam nele. Foi agradável, e um pouco embaraçoso.
Mas não foi isso que mexeu um pouco com o seu equilíbrio, foi o que ele viu. Severus estava... raspando a barba. A cena era tão surreal que estava ciente do fato de que provavelmente estava arregalando os olhos agora para ver melhor, mas ele não conseguia ver muito. Ele sabia que era bobagem, que Snape é um homem, afinal, e reserva um tempo para executar certas atividades das pessoas comuns, mas sua imaginação não era capaz de digerir. Bem, afinal de contas, e assim lhe parecia, que aquela imagem era... inimaginavelmente sexy.
- Droga! - De repente, o homem xingou, afastando a lâmina da face.
- Severus? - Ele perguntou ansiosamente, se aproximando. Não via muito bem, não sabia ao certo o que aconteceu. - O que aconteceu?
- Nada - murmurou Snape, em resposta, mas parecia um pouco nervoso. Talvez ele estivesse com raiva por Harry não deixá-lo fazer a barba em paz? Talvez ele devesse simplesmente sair e deixá-lo ali sozinho? Talvez ele não gostava de realizar toalete da manhã na presença de alguém? Mas, afinal, ele chegou primeiro. Harry entrou primeiro e foi para o banheiro e se surpreendeu quando, já estando no chuveiro, ele ouviu a fresta da porta se abrir e viu a silhueta de Severus se aproximando da pia. Então, aparentemente a sua presença não o impediu.
Ele parou ao lado do homem e olhou para seu rosto. Ele percebeu uma gota vermelha sobre o queixo de Snape e imediatamente entendeu a razão de seu mau humor. Mas antes que ele pudesse realizar qualquer gesto, de repente Severus fechou os olhos e se inclinou em direção a ele, estendendo especialmente as narinas no ar, como se, como se... cheirasse. Harry olhou para seu rosto curvado sobre ele, viu o prazer, a calma quase natural na face enquanto o nariz grande inalava parecendo que queria mergulhar em seu cabelo, e sentiu algo apertando-o no estômago. Mas depois de um tempo as pálpebras de Severus se ergueram e ele rapidamente se afastou, olhando para seu reflexo no espelho. Harry também notou que o homem limpou a garganta suavemente, mas ele não estava inteiramente certo. No entanto, a situação parecia ser... anormal.
Ele respirou fundo e olhou para seu próprio reflexo. A imagem diante de seus olhos era borrada e pouco visível, fora os grandes olhos verdes, misturava-se entre o preto, dos cabelos presos à testa e o verde da toalha pendurada nos ombros. Não disfarçando o fato de que ele estava nu. Não mais. Severus viu seu corpo tantas vezes que a nudez em sua presença lhe parecia muito natural agora. Ele chegou à borda, onde ele deixou sua escova de dentes antes, mas infelizmente por causa de sua deficiência visual, ele conseguiu acertar apenas na segunda vez desde a primeira tentativa na qual falhou perdendo o rumo indo afundar a mão no pincel de barba. Sentindo o olhar irritado do homem sobre ele murmurou um pedido de desculpas, pegou a pasta de ervas de Severus e sem constrangimento começou a escovar os dentes. Severus observou-o por um momento com surpresa, antes de retornar ao barbear.
O fato de Harry estar escovando os dentes ao lado dele, era algo ... fora do comum. O homem que podia fazer seus joelhos dobrar sobre ele só com um olhar, estava ao lado dele agora e apenas se barbeava de modo... normal. Como se estarem ali juntos, no banheiro de Snape, fazendo todas estas coisas juntos, fosse algo ... óbvio.
Harry cuspiu a pasta de dente e riu. Quando sentiu o olhar surpreendido de Severus, ele começou a rir ainda mais alto.
- Pode me dizer o que você acha tão divertido, Potter? - Snape questionou no final, quando Harry não parou. O garoto apontou para os dois enquanto ele tentava mostrar o que ele não conseguia expressar em palavras.
- Você ... Eu ... Isto é ... nós dois. - Ele balançou a cabeça e inclinou as mãos sobre a pia, tentando se acalmar. Lavou a boca, respirou fundo. Ele sorriu para seu reflexo no espelho e percebeu que Severus, que aparentemente conseguiu terminar seu barbear, lavava o rosto. Agora, quando viu os dois reflexos no espelho, ele foi capaz de ver a grande diferença no crescimento. Ele sempre foi baixo, mas perto de Severus, ele parecia ser ainda menor e, portanto, também mais jovem. Mal chegava ao seu ombro. Sua pele era clara, mas levemente bronzeada. Não podia dizer que de pêssego, enquanto a pele de Snape parecia muito pálida e um pouco doentia, como se nunca houvesse sido exposta à luz solar por muito tempo ou que os vapores das poções a tivessem descorado. Mas ela era única. Ninguém mais tinha a pele como a dele, ninguém era como ele. E ninguém mais, além de Harry, poderia tocá-lo.
Severus estava vestindo as mesmas calças pretas e uma camisa desabotoada no peito, que estava usando na última vez que dormiram juntos. E apesar do fato de que tudo que Harry via, estava confuso e indistinto, ele viu uma faixa escura de cabelo que se estendia do umbigo para baixo, desaparecendo no material das calças largas. Engoliu em seco e forçou-se a afastar o olhar dessa porção masculina e íntima do corpo de Severus. Ele olhou para seu próprio peito, era perfeitamente liso e sentiu uma pontada de vergonha. Não se barbeava, pois ele não tinha cabelo facial nem pelos sobre o corpo, exceto um pequeno tufo de cabelo em torno do seu pênis, e isso o deixou sem jeito, era tão pueril, enquanto Severus era... Bem, ele era um homem. Um homem que estava ao lado e cheirava tão assustadoramente viril, liberando um cheiro picante enquanto lavava o creme de barbear no jato d'água, por causa desse cheiro Harry sentiu seus joelhos enfraquecerem.
Portanto, pensou um pouco, e entrelaçou os braços fortemente em volta dele, pressionando o rosto nas costas vestidas de preto. Ele fechou os olhos, ele gostou do material fresco do pijama e ficou na ponta dos dedos dos pés pequenos, e acariciou os cabelos negros e depois moveu as mãos para baixo ao longo do abdômen.
- Eu vou sentir sua falta - ele disse calmamente. Ele tinha que fazer isso, ele tinha que dizer, ele só tinha que fazer. A ideia de que este era o fim de seus momentos compartilhados e que só seriam capaz de se encontrar apenas de noite durante as detenções, que nunca mais poderia ficar ali a noite toda, afundar com ele na escuridão. - Neste Natal, o tempo todo, tudo o que fizemos ... foi tão... muito obrigado por cada momento.
- Potter ... - Snape parou por um momento como se considerando o que ele devia responder. - Por que não deixa de fazer drama... porque , afinal, continuaremos a nos ver. E se você for disciplinado, posso até pensar sobre a possibilidade de permiti-lo me fazer visitas mais frequentes.
- Me quer mais vezes? - Harry perguntou, sentindo um truque.
- Eu aconselho você a consultar um dicionário, se você não sabe o que isso significa, mas para seu governo: não deverá se comportar como um Grifinória irritante, que ...
- ... Geralmente eu sou? - Harry terminou, sorrindo nas costas do homem.
- Perfeito. Fico feliz que finalmente entendeu as suas ...
- ... vantagens? - Harry tentou novamente e prendeu a respiração.
- Aí está você, está muito espirituoso - Severus murmurou.
- Veja quantas coisas eu aprendo com você. – Percebeu algo. Será que ele imaginou que os ombros de Snape estremeceram por um breve momento? Ele suspirou, e aninhou-se mais ainda no material preto com cheiro de Severus. Ele parou as mãos sobre a barriga do homem e lançou a mão nos cabelos espinhosos, afagando-os com as pontas dos dedos. Faria qualquer coisa para parar este momento para que o próximo momento nunca viesse. Ele suspeitava, quando ele sentiu a mão fria cobrindo as suas próprias, que Severus era da mesma opinião.
A figura escura, alta, com uma máscara branca na mão foi para a estante e pegou um dos livros localizado em uma prateleira. O crepúsculo atolado pelo silêncio na sala foi cortado por um ruído da parede se afastando de lado. Severus foi para seu laboratório e, sem hesitação, dirigiu seus passos para a Penseira em pé num canto. Dentro dela giravam memórias banhadas de ouro. Grossas e pesadas, recheadas de lembranças.
O homem puxou a varinha e a colocou em sua têmpora. Depois de um tempo, pela madeira preta, um brilho dourado começou a correr para baixo, envolvendo em torno dele como se fosse tirada de um cofre em sua mente, ele tinha que extrair com cuidado para que a preciosidade não desintegrasse e nem dissolvesse. Severus virou sua varinha para baixo, inclinando-se contra a borda da tigela e com expressão impenetrável no rosto viu como as lembranças escorriam de sua varinha e penetravam no fundo do mar dessas outras lembranças. Por alguns momentos, imagens tremeram pela varinha: Severus lambendo avidamente os dedos lambuzados de esperma, ele abraçando uma pequena figura, atraindo-a para junto de si na cama, mesmo quando o pequeno corpo balançou soluçando. As imagens oscilaram e desapareceram sob a superfície cheia de outras, muito semelhantes, o que por vezes misturavam-se: Severus colocando um presente de Natal sobre a mesa para Potter, Severus cobrindo o corpo de Harry com beijos, ele abraçando o menino na porta do banheiro depois do pesadelo...
Ele afastou o olhar da tigela e se virou em direção à saída, e seus olhos estavam queimando com algo perigoso. Ele deixou o laboratório e pegou em uma das prateleiras, uma garrafa com uma etiqueta colada com o seguinte nome: Poção Polissuco. Ele o colocou em um dos bolsos de seu casaco, pegou sua máscara e com um passo decisivo, deixou seus aposentos. Seus passos longos ecoaram, por algum tempo, nos corredores imersos nas masmorras escuras.
CDN
Ana Scully Rickman, a citação que você escolheu para resumir o capítulo passado é muito bonita e tem mesmo a essência do texto. Luna é interessante mesmo, há momentos que definitivamente não dá para levar a sério o que ela diz, mas, às vezes, ela é quem vê muito além dos pobres mortais.
Quanto a sua pergunta sobre se Snape estava tendo conhecimento dos maus-tratos sofridos por Harry, só ali. Bom, na verdade, somente ali é que ele se permitiu observar isso. Ao longo de toda a existência de Harry Potter na escola bruxa, o menino não passou de "um garoto arrogante", "prepotente", "mimado", "cuja fama subiu para sua cabeça". Snape sempre achou que Harry era cercado dos cuidados e paparicação de todos, pois constantemente tinha contato com as frases "proteja Harry", "Ele é nossa esperança", "temos que mantê-lo seguro". Seguindo essa linha, e, tendo em vista que Snape detestava o garoto até o momento em que o menino tomou a poção e virou tudo de perna pro ar, não é de se espantar que ele não estivesse nem aí em saber mais sobre o menino, deduzia que ele era cercado de cuidados e pronto. É claro que ele tinha suspeita de que a vida de Harry não era esse paraíso junto dos trouxas. Mas saber que essa não era de fato a verdade deixou o Mestre um tanto chocado e revoltado, por que não dizer assim, não é mesmo? Snape não admite que causem danos "a sua propriedade".
Realmente, Severus toma o máximo cuidado para não deixar vazar as lembranças em que ele dá um pouco de afeto para o garoto. Seria um tanto complicado convencer Voldemort de que isso faz parte do método de subjugação...
Anonymous, eu também senti medo quando comecei a perceber a proximidade dos capítulos mais sombrios da fic, e não senti medo à toa... é sempre muito agradável ler momentos de ternura entre Snape e Harry, mesmo. O momento em que ele desabafa, me deu uma dor no coração, tem tanta coisa incutida naquele "eu não posso mudar..."
Quanto a capacidade de Harry em perdoar Severus, posso adiantar que ela vai ser testada outras vezes e de forma bem dura. Fico feliz que você esteja gostando, obrigada por comentar.
