Aviso: Inuyasha e Cia. ainda não me pertencem, ainda por que um dia pelo menos o Kouga!
The fury in the snow.
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Parte três: Kagome, a única.
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Casais.
Quarto não era exatamente a forma como Kouga escolheria chamar o cômodo da casa no qual Ayame havia escolhido se esconder.
Certo. Havia uma cama e um guarda-roupa ali, mas mesmo assim aquele lugar estava mais para um arsenal de armas do que para um quarto de garota em si, na verdade a única coisa que identificava o cômodo como sendo de uma garota eram as paredes pintadas de rosa-bebê, ou pelo menos as partes que se podiam ver já que elas estavam todas quase totalmente ocupadas por armas das mais diferentes épocas, algumas das quais Kouga reconheceu dos livros de história como tendo sido muito usadas por exterminadores de youkais nos tempos antigos.
Um arrepio percorreu lhe a espinha, por que cargas D'água Ayame ia se sentir segura ali?! Quase tudo que estava em exposição ali podia ser usado perfeitamente para matar youkais!
Mas a garotinha lá em baixo havia dito que a loba estava escondida embaixo da cama daquele quarto, e de fato lá estava ela, ele podia vez claramente sua cauda branca saindo por debaixo da cama.
—Eu já ouvi falar em gato escondido com rabo de fora, mas isso já é ridículo. — comentou sentando-se com as pernas dobrados e os antebraços sobre os joelhos no chão ao pé da cama, logo ao lado da cauda branca da loba — Você devia aprender a se esconder melhor.
Em resposta ela recolheu sua cauda para baixo da cama também.
Ele suspirou.
—Ayame. — chamou, mas ela não respondeu. — Ayame você não pode ficar ai embaixo para sempre, nós lobos somos orgulhosos, e é vergonhoso se esconder dessa forma.
Quando ela continuou em silêncio ele achou que ela novamente não ia responder-lhe, mas então ouviu movimento embaixo da cama e um par de patas brancas sobressaiu-se dali juntamente com um focinho igualmente branco.
—Eu sei que somos orgulhosos. — murmurou — E é justamente por isso que ainda não consegui sair daqui.
Kouga franziu o cenho.
—Essa eu não entendi.
Ayame fechou os olhos colocando as patas sobre o focinho e ganiu como se tivesse acabado de levar um chute.
—Quando eu vi... Aquela pessoa, parada em frente à porta minha primeira reação foi gritar e fugir. Que tipo de lobo foge com o rabo entre as patas desse jeito? Na hora eu nem sequer pensei, foi... Foi...
—Instinto? — sugeriu tentando ajuda-la.
Ayame olhou cheia de tristeza para ele.
—Mas numa situação dessas o instinto natural de um lobo não deveria ser atacar ao invés de fugir? — suspirou — Acabei ficando tão envergonhada por causa de meu comportamento deplorável que não consegui sair daqui.
Kouga pousou a mão no topo de sua cabeça, no espaço entre as orelhas.
—É normal entrar em pânico às vezes. — disse — Mas você realmente deveria descer, porque aquele seu amigo diferente lá embaixo parece estar preocupado com você.
—Amigo diferente? — ela deu uma risadinha ao olhá-lo — É assim que você chama?
Ele deu de ombros.
—Parecia preocupado, mas também apreensivo em vir até aqui ver se você estava bem. — olhou-a de forma desconfiada quando ela emitiu uma tosse de falsete — O que você fez Ayame?
Ela desviou os olhos.
—Hum... — fez — Pode ser que eu tenha tentado mordê-lo uma vez...
—Mordê-lo?! — Kouga afastou a mão tão rápido que parecia até que ele achava que agora ela tentaria morder ele — Ayame!
—Foi um reflexo! — defendeu-se — Ele tinha pisado na minha cauda! Sabe o quanto isso dói?!
Kouga fez uma careta.
—Você é mesmo imprevisível. — afirmou.
Ayame deixou escapar uma risadinha.
—Mas até que foi engraçado.
—Por quê? — perguntou franzindo o cenho.
—Ele se urinou nas calças. — contou tentando conter as risadas. — E eu prometi que nunca contaria isso para ninguém.
Kouga riu até se acabar, e quando finalmente conseguiu parar, com uma das mãos sobre a barriga por causa das risadas, percebeu Ayame sentada ereta a sua frente ainda como uma loba.
—Por que você esta aqui? — perguntou tão séria que nem parecia a mesma Ayame de poucos minutos atrás.
Ele piscou confuso, depois de tantos anos já devia estar acostumado com as mudanças bruscas de humor de sua amiga ruiva, mas era exatamente como tinha dito antes: ela era imprevisível.
—Kagome me trouxe. — respondeu — Ela disse que tinha um pressentimento de que eu deveria vir até aqui, eu achei que era só uma desculpa porque ela queria carona, ainda mais porque perdeu os sapatos, mas então... Você estava aqui. Escondida e envergonhada em baixo da cama. Acho que nunca mais vou duvidar da intuição de uma miko, mesmo uma avoada como Kagome.
Ayame inclinou a cabeça de lado e baixou uma orelha.
—Como ela perdeu os sapatos?
—Ayame você não escutou nada do que eu disse?! — irritou-se.
—Claro que ouvi! — Ayame riu. — Mas não foi isso que eu quis dizer.
Kouga observou-a.
—Então o que foi?
Ayame olhou para o chão e baixou as orelhas.
—Por que você esta aqui? — voltou a perguntar — Por que você sempre esta aqui? Por que sempre vem quando eu preciso? Caramba, você até me pediu em casamento quando descobriu que eu estava grávida, e Hajime nem era seu filho. Sabe o quanto é chato ficar devendo tanto a uma só pessoa?
Kouga olhou para o teto, a única parte do quarto que não tinha armas em exibição — por enquanto.
—Porque eu...
—Sim? — Ayame ergueu novamente os olhos.
Kouga suspirou com ar derrotado.
—Porque somos amigos Ayame, e você não sabe fazer nada sem mim.
—Kouga... — ela chamou — Seja sincero.
Ela meio que rastejou para o espaço entre suas pernas e sentou-se ali.
—Sincero? — suspirou.
—Por favor, Kouga. — pediu pousando o longo focinho em seu ombro.
Kouga a abraçou.
—Droga, não esta mais do que na cara? — perguntou entre dentes — É porque eu te amo, e não estou dizendo que te amo como amigo nem como irmão, estou dizendo que te amo mesmo.
A loba branca em seus braços suspirou, e suas patas começaram a alongar-se enquanto o focinho achatava-se e as orelhas retrocediam, os pelos brancos em sua cabeça alongaram-se e ganharam coloração avermelhada, até que por fim a loba deu lugar a uma mulher que abraçou Kouga com alivio.
—Eu sabia. — disse.
Kouga engoliu em seco.
—Sabia?
—Kouga. — ela sorriu afastando-se levemente, para poder olhá-lo nos olhos — Você me pediu em casamento e se ofereceu para criar o meu filho como se fosse seu, mesmo ele sendo filho do seu arque inimigo! Se isso não é amor, eu não sei mais o que é!
Kouga corou.
—Já há tanto tempo assim?
Ayame encolheu os ombros.
—Pois é.
Kouga suspirou.
—Então bem que você podia ter aceitado meu pedido, não é?
Ayame ergueu as mãos.
—Alto lá companheiro, você me ama e eu também te amo, mas não vamos apressar as coisas!
Kouga piscou.
—O que você acabou de dizer? — perguntou pasmo.
—Para não apressarmos as coisas. — repetiu.
—Não! — Kouga sacudiu a cabeça — Antes disso!
Ayame o olhou inocentemente.
—O que eu disse?
—Você disse que me ama droga!
—Eu disse? — ela sorriu.
—Disse! — ele a pegou pelos ombros quase a ponto de sacudi-la — Diga de novo, eu preciso ouvir A...!
Ela colocou dois dedos sobre seus lábios para calá-lo.
—Você fala demais, sabia disso Kouga? — perguntou — Como vai me ouvir dizer o que você quer que eu te diga se não cala a boca? — respirou fundo — Lá vou eu... Está prestando atenção?
—Uhun. — murmurou ainda com os dedos de Ayame sobre seus lábios.
Ayame sorriu e disse bem lentamente para que, caso ele não entendesse, pudesse ler seus lábios:
—Eu. Te. Amo. Kouga.
E, para o caso de que talvez ele tivesse achado que ela estava brincando, emoldurou seu rosto com as mãos e o puxou para si sobrepondo os lábios dele com os seus, num primeiro momento Kouga não soube o que fazer, mas não demorou a abraçar Ayame e correspondê-la.
Ayame afastou-se dele sentando-se sobre os joelhos entre suas pernas e quando o olhou de repente ficou muito vermelha, levantou-se limpando os joelhos das calças jeans e disse:
—Certo, agora vá embora.
Kouga piscou.
—Como é?!
Ayame afastou-se para o canto do quarto e deu-lhe as costas.
—Você me ouviu. — disse — Vá embora.
—Como assim?! — Kouga levantou-se — Você diz que me ama me beija e depois me manda embora?!
—É!
—Mas por quê?!
—Porque estou constrangida droga! — ela bateu o pé no chão.
Constrangida? Kouga nunca pensou que Ayame soubesse o que era isso.
—Ayame espera! — chamou quando ela voltou a ser uma loba e correu novamente para baixo da cama.
Kouga caiu de quatro e olhou para baixo da cama.
—Ao menos me diga por que veio se esconder justo nesse quarto, qualquer youkai normal manteria distância daqui!
Ayame cobriu focinho com as duas patas dianteiras e fechou os olhos.
—Eu só entrei no primeiro quarto cuja porta estava aberta que vi! Tá legal? — respondeu — Agora você vai embora?
Como não ouviu resposta achou que já tivesse se ido, mas quando olhou para trás ganiu de susto ao encontrar um lobo castanho de olhos azuis que se arrastava para junto dela debaixo da cama.
—Aqui tem espaço pra dois sobrando. — ele disse deitando ao seu lado.
Ayame o observou por alguns segundos, depois suspirou e deitou a cabeça em seu pescoço.
*.*.*.*
Tohoku, com seus invernos prolongados e verões curtos, era a região mais fria do Japão, tinha a fama de ser um local remoto e hostil e justamente por isso possuir algumas das mais belas paisagens naturais do país, era lá também que se agrupavam a maior parte das famílias de youkais das neves do país.
Famílias tais como a família Mizuno, uma das mais antigas e extensas linhagens de Mulheres das Neves já conhecidas e que há treze gerações habitava aquela região.
Fora lá que Yuki no Hana nascera há sessenta anos, na bicentenária mansão oriental da família Mizuno, conhecido como "Palácio das Mil Nevascas".
Fazia agora quarenta anos que Yuki no Hana não pisava no Palácio das Mil Nevascas, mas sempre que fechava os olhos ainda podia vê-lo com seus jardins eternamente coberto de neve e cristais de gelo pendendo como pingentes de cristais aonde quer que se fosse, um verdadeiro castelo medieval japonês que visto de longe parecia todo feito de gelo, no qual moravam aproximadamente mil mulheres, pois apenas a entrada de mulheres era permitida.
Havia sido lá que ela fora criada até seu décimo nono aniversário quando conhecera e se encantara pelo belo Dai Inu Youkai que conhecera em uma festa da alta sociedade na qual acompanhava sua mãe, ele chamava-se Vladimir-Sama e havia vindo do exterior para tratar de negócios, sendo quatro anos mais velho que ela era um dos empresários mais jovens e ricos de seu país.
É claro que sua mãe, matriarca da família Mizuno, a honorável Kazu-hime, não havia gostado nada de ver sua primogênita enamorada de um homem, obviamente ela esperava que Yuki no Hana seguisse com a tradição da família.
—Mamãe, eu o amo! — ainda hoje conseguia ouvir-se dizer.
Sua mãe sentava-se sobre os joelhos a sua frente, frigida como uma estatua de gelo, assim como era próprio da matriarca de uma família de Mulheres das Neves.
—Yuki no Hana ouça o que esta dizendo. — disse-lhe — Você sabe o que significa nessa família amar um homem. Não sabe?
Seu marido jamais poderia pisar no Palácio das Mil Nevascas, tão pouco os filhos que viesse a ter como ele, e ela teria de ir com ele, para onde quer que ele a levasse, mas suas filhas... Estas teriam de ser, no mais tardar aos dez anos de idade, mandadas todas para o Palácio das Mil Nevascas e lá serem criadas até os vinte e um anos, afinal eram Mulheres da casa Mizuno.
Isso era o que significava amar um homem naquela família.
Yuki no Hana abaixou a cabeça.
—Sim. — sussurrou.
—E irá cumprir?
Um bolo se formou em sua garganta, mas ela forçou-se a responder:
—Sim. — sussurrou mais uma vez — Eu juro... Pela minha honra como Mulher das Neves.
O lábio inferior de Kazu-hime tremulou por um segundo, mas ela levantou-se e deu-lhe as costas como se não pudesse encarar mais sua primogênita.
—Você só deveria ter permissão para partir em seu vigésimo primeiro aniversário, mas não creio que aquele homem a esperará por tanto tempo, então lhe dou permissão para ir já à próxima lua, quando completar vinte anos, só lhe será permitido retornar se acaso abandonar marido e filhos.
Abandonar o lar e a família foi uma das coisas mais difíceis da vida de Yuki no Hana, mas foi necessário.
Na Rússia, o país de origem de Vladimir-Sama, ele tentou de tudo um pouco para confortar sua nova esposa em sua perda, inclusive comprou uma grandiosa mansão e para cuidar dela contratou uma centena de youkais das neves, talvez esperando assim fazê-la sentir-se em casa.
Mas ela sabia que a dor de ter de se separar de uma filha não se compararia a dor que sentiu ao separar-se do lar, e justamente por isso, Yuki no Hana chegou a cogitar a ideia de nunca gerar meninas, mas Vladimir-Sama foi contra essa ideia.
—Você jurou pela sua honra para sua mãe que teria pelo menos uma menina. — ele lhe dissera de forma severa, mas suave — Sabia das consequências, não pode quebrar com sua palavra agora.
Nisso os russos se assemelhavam muito aos japoneses: ambos presavam muito a honra.
Ainda assim passaram muitos anos até que Yuki no Hana decidisse que em fim já era hora de ter uma menina, nessa época seu primogênito Jokull já tinha então cinco anos de idade.
—Essa é ela? — ele perguntara no dia em que conhecera sua irmã, quando ela e a mãe voltaram do hospital.
—Sim Jokull. —Yuki no Hana lhe respondera, ajoelhando-se para que ele pudesse vê-la melhor — Essa é sua irmãzinha, Eleonor Vladimirevina Serov.
—Minha irmã? — ele repetira inclinando-se sobre o bebê, para cheirá-la, tal qual faria um filhote curioso — Então por que ela não cheira como um Inu Youkai?
—Porque ela não é um Inu Youkai, ela é uma Mulher das Neves como sua mãe. — Vladimir-Sama respondera em seu lugar — Mas ainda é nossa filha, e sua irmã.
Aquilo encheu Yuki no Hana de felicidade, pois aos olhos de Vladimir aquele bebê também era dele.
—Minha irmã?
—Sim. — Yuki no Hana confirmara.
—Minha? — E quando Jokull tentara tocar na nova irmã, ela apanhara seu dedo fazendo-o sorrir e dizer: — Oi eu sou Jokull, e você é minha!
Foram tempos felizes aqueles, mas não duraram muito, pois tão logo a pequena Eleonor completou seu décimo ano de vida, Kazu-hime, a mãe de Yuki no Hana, veio à Rússia para buscar a neta.
Yuki no Hana havia tentado explicar centenas de vezes a sua filhinha porque ela teria de ir com a avó quando a mesma viesse buscá-la, mas ela recusava-se de forma terminante a entender.
—É por que eu não tenho o sangue do papai! — ela havia gritado — É por isso que me querem longe, porque não sou filha dele, sou apenas sua!
Yuki no Hana se arrependia amargamente disso, mas naquele momento batera em sua filha, porque não queria que ela voltasse a dizer aquilo.
Tão pouco Jokull fizera algo para facilitar as coisas, assim que soubera que sua irmãzinha estava partindo ele jurara que não deixaria que a levassem, e de fato havia se imposto entre ela e a avó quando a mesma veio para leva-la, afirmando que só por cima de seu cadáver levariam a irmã dele.
Mesmo assim ele não pôde fazer nada quando o próprio pai o tirara do caminho e entregara Eleonor para Kazu-hime.
Honra acima de tudo.
Com o passar do tempo Jokull acabara por compreender porque o pai tivera de fazer aquilo, mas Eleonor provavelmente não, tanto é que aos vinte e um anos, quando recebeu permissão para abandonar o Palácio das Mil Nevascas, ela recusou-se a voltar para Rússia, ao invés disso preferiu permanecer no Japão.
A dor de Yuki no Hana havia sido tão grande por saber que sua filha não voltaria para casa que se transformara num profundo desejo de ter novamente uma garotinha em seus braços, e assim Kristine, a menina das neves, e seu irmão gêmeo Andriy, o Inu youkai, nasceram.
Kristine estava agora para completar dez anos, o que significava que em breve Kazu-hime viria mais uma vez à Rússia, para ela a separação de Andriy seria ainda mais dolorosa do que fora para Eleonor e Jokull.
Vladimir tinha o número de telefone da atual residência em que Eleonor vivia em Tóquio, mas tanto ele quanto Yuki no Hana temiam ligar para ela e saber quão magoada ela podia estar com eles.
Mesmo assim Yuki no Hana não acreditava que dizer a Eleonor que agora ela estava noiva seria a melhor maneira de se reaproximar da filha.
*.*.*.*
Já fazia quase meia hora que Kouga subira quando Bankotsu, o irmão mais novo, havia conseguido convencer Jackotsu, o irmão mais velho, a irem embora dali, mesmo com ele relutando por não querer ir embora dali sem Ayame.
—Kouga esta aqui não esta? — Bankotsu dissera — Ele tem carro, então ele a leva pra casa.
Mas isso só fez Jackotsu relutar ainda mais em ir embora.
—Então talvez ele nos de uma carona, né?
—Bankotsu leve seu irmão embora daqui agora. — Sango os olhou seriamente. — E se preza pela sua vida nunca, em hipótese alguma, aceite carona de Kouga se Ayame estiver com ele.
Bankotsu bateu continência para ela.
—Sim senhora! — e voltou a puxar Jackotsu — Vem mano, eu tenho dever de casa para fazer!
O único de quem Sango não conseguiu se livrar foi Miroku.
—Por que você ainda esta aqui afinal? — reclamou parando de braços cruzados a sua frente, entre ele e o sofá — Vai pra casa seu desocupado!
Ele olhou-a inocentemente.
—Mas eu não me sentiria bem se fosse embora e a deixasse aqui sozinha e indefesa com um par de lobos famintos lá em cima.
Sango cerrou os olhos.
—Quem você esta chamando de indefesa? — perguntou de maneira controlada.
Miroku sorriu amarelo.
—Hum... V...
—Se terminar essa frase eu corto sua língua fora com a faca kunai que tenho escondida em baixo do short. — ameaçou fazendo-o calar-se instantaneamente.
Miroku ergueu as mãos admitindo sua derrota.
—E também não posso ir embora até Kagome voltar. — afirmou — Eu quero saber o que foi feito do Inuyasha.
Foi quando Kagome chegou, gemendo baixinho e mancando.
—Oi. — disse apoiando-se no batente da porta — Já cheguei.
—Kagome! — Sango correu até ela. — O que foi? Esta ferida?
Kagome sorriu.
—Não foi nada de grave, eu só cortei o pé a caminho de casa, andar descalça na rua só pode dar nisso.
—Idiota! Por que estava andando descalça? — Sango reclamou obrigando-a a apoiar-se em seu ombro e ir para o sofá dando pulinhos, sem ligar para o rastro de respingos de sangue que deixavam.
—É que eu não tenho ideia de onde deixei meus sapatos. — Kagome respondeu sem graça, jogando-se no sofá. — Pode me pegar um pouco de...?
—Vou buscar o Kit de primeiros socorros! — Sango a interrompeu já se adiantando em direção às escadas.
—Sangozinha! — Miroku a chamou levantando-se do sofá — Tem certeza que é uma boa ideia ir lá em cima agora?
Sango parou no meio da subida e o olhou de cenho franzido.
—Por quê?
Miroku deu um sorriso pervertido.
—Sei lá, é que Kouga e Ayame estão sozinhos lá há tanto tempo...
—Você é nojento! — ela girou os olhos e foi embora escadas acima.
—Então Kouga e Ayame ainda estão aqui? — Kagome perguntou analisando o corte não muito profundo que sangrava no peito do pé direito.
—Estão. — Miroku respondeu sentando-se ao seu lado, e franzindo o cenho para o corte no pé de Kagome. — Eu sempre ouvi dizer que as mikos tinham poder de cura.
Kagome concordou.
—E dai?
Ele apontou o machucado.
—E não podem curar a si mesmas?
—Podemos.
O monge franziu o cenho.
—Mas então eu não entendo. — disse — Por que você ainda não se curou?
Kagome suspirou erguendo os olhos para Miroku.
—Porque eu queria primeiro lavá-lo. — respondeu — Eu estava justamente tentando pedir um pouco de água para Sango, mas ela subiu correndo e nem me deu oportunidade de falar.
—Ah, deixa que eu pego pra você! — Miroku se ofereceu correndo para a cozinha.
Mas vendo pelo ponto de vista de Sango era até plausível que ela tivesse esquecido completamente do que Kagome era capaz, afinal mesmo que ela tivesse nascido com aqueles poderes ela não curava nada desde que tinha uns quatro anos de idade, - claro, sua reação foi um pouco exagerada, mas mesmo assim compreensível.
—Eu ouvi uma mentira quando cheguei aqui. — Kagome comentou olhando distraidamente para seu corte.
—Como assim? — Miroku perguntou retornando com um copo grande de água.
—Mikos são capazes de sentir as energias ao seu redor. — disse aceitando o copo e jogando a água sobre seu pé, esfregando superficialmente a sujeira dali — Nós geralmente podemos dizer quando uma pessoa esta ou não, mentindo.
—Geralmente?
—Às vezes podemos ficar um pouco confusas. — explicou franzindo o cenho com o desconforto que a água causava em seu ferimento — Mas é difícil, uma pessoa teria que chegar ao ponto de acreditar em sua própria mentira para deixar uma miko confusa. O que, obviamente, não foi o caso aqui.
Miroku sentou-se ao seu lado vendo Kagome passar delicadamente o polegar esquerdo pela extensão do corte fazendo-o desaparecer como se o apagasse com uma borracha.
O poder de cura de uma miko, ele nunca achou que veria isso pessoalmente algum dia.
—Você não esta aqui porque quer saber sobre Inuyasha, embora se preocupe com ele. — Kagome levantou-se — Eu não ouvi coisas muito boas sobre o seu passado, sabia Miroku?
Miroku passou a mão pelos cabelos e tentou não parecer muito desconfortável.
—Claro, morando na casa de Sesshoumaru o que mais se podia esperar?
Kagome encolheu os ombros.
—Verdade, mas me refiro a antes disso. — ela o encarou — No entanto, eu sinto bons sentimentos em você agora, essa é uma das vantagens em ser uma miko. A verdade é que você não que ir embora porque está apaixonado por Sango, não é? Por isso quer ficar aqui perto dela.
O monge recostou-se ao sofá com um suspiro derrotado.
—Eu sei a resposta e você também. — afirmou.
Kagome cruzou os braços, insatisfeita com a resposta, mas não pôde dizer mais nada porque neste momento Sango veio descendo as escadas dizendo:
—Boas noticias Kagome! Achei o Kit de primeiros socorros e parece que aqui há tudo que precisa para fazer o curativo, mas você vai sentir desconforto em pisar por alguns dias...
—Não precisa mais Sango, eu já melhorei. — afirmou com um sorriso.
Sango parou ao pé da escada e olhou-a confusa.
—Como assim já melhorou?
—Sou uma miko. — respondeu simplesmente. — Aproposito o que teremos para o jantar?
—Acho que nada. — Sango respondeu se aproximando — Aquele bando que estava aqui comeu toda a minha comida. Agora vou ter que ir ao mercado.
Miroku levantou-se com um salto animado.
—Então por que eu não levo vocês para comer fora?!
Sango franziu o cenho.
—Não, espera...
—Que ótima ideia! — Kagome concordou de imediato.
—Legal! — Miroku animou-se — Que tal comida Japonesa?
—Nós somos japoneses! — Sango protestou.
—Ótimo! — disse Kagome já indo para as escadas — Vou chamar Kouga e Ayame para virem junto!
—Mas eu não quero comer fora! — Sango voltou a protestar.
—Pode chama-los, mas vamos no meu carro e nenhum deles vai dirigir! — impôs Miroku.
—Nenhum de vocês esta me ouvindo! — Sango reclamou jogando-se no sofá.
*.*.*.*
Inu no Taisho estava no meio de uma longa e – infelizmente – obrigatória conversa com Arina sobre, o contrato de casamento de Sesshoumaru e todos os tramites envolvidos e o que isso implicaria para o futuro da família Taisho quando Inuyasha entrou em seu escritório.
—Espere um pouco filho. — ele ergueu um dedo pedindo um minuto — Arina eu já entendi tudo. — suspirou cansado — Mas não seria melhor deixar Sesshoumaru escolher a própria esposa? Por experiência própria eu posso dizer que casamentos arranjados não dão certo.
Arina exprimiu um suspiro cansado do outro lado da linha.
—Inu no Taisho, eu estou te ligando de um hotel na Rússia, tem ideia do quanto a Rússia é longe? E ligações interurbanas são muito caras, então não tenho tempo para o seu sentimentalismo. Puxa aquela mulher realmente estragou você. — ele quase podia vê-la girar os olhos bem na sua frente — E o menino já decidiu que é melhor que eu escolha uma esposa à sua altura, diferente de você ele tem cabeça.
—Ah sim, nosso filho é quase tão insensível quanto você Arina, que sorte a minha. — ele comentou, e só dizia quase por causa de Rin.
—Portanto você não tem nada que se intrometer. — Arina-hime prosseguiu como se ele não tivesse dito nada — E também não tenho tempo para o seu sarcasmo.
—Se eu não posso opinar em nada sobre a futura esposa do nosso filho, por que é que você fica me ligando todo dia para me falar disso?! — irritou-se.
—Porque é meu dever mantê-lo a par da situação. — ela respondeu com sua frieza de costume — E eu não disse que você não pode opinar em nada, só que não deve deixar seu sentimentalismo besta interferir em seu julgamento. — ela limpou a garganta — Então você tem algo a que se opor? Ou que queira mudar?
Inu no Taisho passou a mão pelo rosto e por um segundo quase desejou voltar a ser insano.
—Não Arina, faça o que achar melhor. — respondeu.
—Ótimo. — ela pareceu muito satisfeita — Mas estarei voltando para o Japão nos próximos dias, e precisarei ficar em Tóquio por algum tempo.
Ele queria bater com a cabeça na mesa.
—Eu entendi Arina, fique aqui o quanto precisar, porque minha casa estará de portas abertas.
—Eu sabia disso.
—E Arina?
—Sim?
—Por que você não trata disso com Sesshoumaru? — perguntou quase suplicando — Ele é quem vai se casar, portanto ele deve ser o maior interessado nisso!
Arina exprimiu um suspiro exagerado.
—Ele não liga! — afirmou — Disse-me para escolher o que eu achasse melhor, que estaria bem para ele, porque confia em meu julgamento.
Então havia sido assim que Sesshoumaru se livrara daquilo? Inu no Taisho suspirou, não custava nada tentar. Não é?
—Ótimo, pois eu também confio em seu julgamento Arina, então faça o que achar melhor. Adeus. — e finalmente desligou.
Inuyasha estudou cuidadosamente a expressão de seu pai.
—E pensar que esta tendo todo esse trabalho só para achar uma mulher que consiga suportar Sesshoumaru. — comentou.
Inu no Taisho fez careta.
—Não, todo esse trabalho é para achar uma mulher que seja uma legitima dama youkai de sangue puro que seja digna o bastante para agradar a mãe do Sesshoumaru.
Inuyasha cruzou os braços atrás da cabeça.
—Bem, pense pelo lado positivo: você não vai ter esse trabalho comigo.
Inu no Taisho apoiou o rosto sobre uma mão e tamborilou com os dedos no tampo da mesa, olhando pela janela.
—E não vou mesmo, você que escolha sua própria esposa. — disse.
Inuyasha olhou para o teto pensando em Kagome, ele finalmente havia conseguido dize-lhe o que sentia por ela, e ela era uma miko então com certeza sabia que ele estava dizendo a verdade, mas... Se mesmo assim Kagome não fosse capaz de perdoá-lo... Bem, ele não a culparia, não sabia nem se ele próprio era capaz de se perdoar, mas mesmo assim... O que faria se ela não o perdoasse?
Será que iria conseguir deixa-la em paz como havia prometido que faria?
*.*.*.*
Pronto desde 15/03/15, finalmente, eu e essa minha mania de anotar tudo!
Bom, me deixa contar uma coisa pra vocês, lembram que eu estava tentando postar no Nyah, mas ninguém me dava atenção? Pois é, acabei cansando de ser ignorada e deletando a fanfic de vez por lá, pois é, acontece, mas agora eu já tenho outra fanfic original em mente e queria postar por lá, inclusive já tenho quase oito capítulos prontos dela, só que eu acabei gostando muito dessa história (inclusive já fiz até alguns desenhos relacionado a ela, que pretendo postar ao longo dos capítulos) e não queria que ela tivesse o mesmo fim da outra, então, se não for incomodar, será que quando eu postá-la algumas de vocês poderia passar por lá e tipo assim... Só comentar para verem o que acharam?
Já por agora eu adianto que é uma comédia que fala sobre um par de gêmeos idênticos com "dificuldades para ver a si mesmos como pessoas próprias", mas que não vêem isso como problema, na verdade o verdadeiro problema começou quando eles começaram a se diferenciar.
E a história toda se passa com eles se revezando em contá-la para uma terapeuta.
E ai, alguém se interessou em ler?
Respostas as review's:
Yogoto: Ah deve ter sido porque ela falou o nome completo da Eleonor e o nome paterno dela mais o nome de família a distraíram do primeiro nome, sim, com certeza, e aqui você já pôde ver o porquê de essa magoa.
KKK Inuyasha não foi enterrado em lugar nenhum, ele só voltou para casa.
Veraozao: Então até a próxima.
joh chan: Não, porque a mãe dele ainda não contou o nome da futura noiva dele.
Sim, Vladimi-Sama realmente ama a filha, mas apesar disso colocou a honra acima dela.
Sim Kagome vai, e quanto aos sapatos ela os tirou para sentir a grama sob os pés... E os esqueceu lá, simples assim.
Sango vai reclamar e se opor, mas não poderá fazer nada para impedi-la.
Leticia: Uma Mulher das Neves para um homem de gelo, isso forma um bom casal, não é?
Pois é, mas mesmo assim ainda fico relutante em tentar ler fics que misture Inuyasha e Kagome com outros pares. Mas quem sabe um dia, afinal nada é impossível.
