Nenhum personagem da Saga me pertence.


- Preparem as doses de insulina a partir de agora! Boa leitura e obrigada por todas as reviews *-*

Entre um Homem e uma Mulher

(Parte II)


Como posso me magoar se estou te abraçando?

.

Os sonhos vêm e os sonhos vão, e o resto é imperfeito.

(Renato Russo)


{K_POV}

Dezembro, 24. Véspera de Natal.

Tarde demais? Não. Ou sim? Será?

Peguei a aliança de namoro que tinha deixado debaixo do travesseiro e a coloquei no dedo outra vez. O anel era meu, não tinha por que não usá-lo.

- Durma, pelo amor de Deus. - resmungou Cassie quando virou pela enésima vez e me pegou encarando o teto. - Vai amanhecer e nós vamos ficar com olheiras enormes.

- Não consigo. - respondi pela enésima vez, já entediada. - O que ele está fazendo agora?

- Se não estiver dormindo como qualquer pessoa normal, está agachado em frente à privada lamentando ter agido como um inconsequente.

Quando Robert se soltou da prisão que eu armara com meus braços, eu achei que tudo estava acabado. Ainda mais acabado. Mas Nathan me olhou e sorriu como se tudo estivesse na mais perfeita ordem ou caminhando para isso. Era estranho dizer isso, mas ele acendeu minha esperança com esse simples gesto.

Quando o sol nasceu, por trás das grossas nuvens carregadas de chuva, eu desisti de tentar pregar o olho e fui sentar na varanda da frente. Naquele ano não estava nevando, o que só podia ser um milagre. Era véspera de Natal, mas eu não me sentia no clima de comemoração ou com espírito para ajudar minha mãe com a ceia, como fazia todos os anos desde que tenho memória.

Passei a manhã toda esperando que Robert viesse, mas esperei à toa. Ele não apareceu.

- Eu vou naquele mini-mercado para comprar o creme de leite e o creme de sopa de cebola que sua mãe esqueceu, quer ir comigo? - Cassie apareceu na varanda.

- Quero. - suspirei desolada. - Me faz um favor?

- Depende.

- Como assim "depende"? - ergui a sobrancelha.

- Vai que você pede para voltar embora para o Colorado. - ela deu de ombros. - Gostei da sua mãe e quero ficar mais um pouco.

Aquela garota não era normal. Como se eu quisesse sair de Forks outra vez.

Pedi que ela fosse em direção à estrada um-dez e, quando o asfalto acabou, eu desci do carro. Cassie não achou uma boa ideia que eu quisesse me embrenhar no mato sozinha, mas eu garanti que seguiria a trilha e que se não voltasse até o fim do dia, ela podia mandar meu irmão me buscar. Isso pareceu tranquilizá-la e esperei o carro sumir na estrada, ignorei a trilha e caminhei entre as árvores altas. No começo achei que seria difícil encontrar aquele caminho depois de tanto tempo, mas não foi; eu me lembrava de todos os detalhes.

A temperatura não era das melhores para uma caminhada, mas eu continuei em frente ignorando as baforadas de fumaça que saía da boca ao respirar.

Quando cheguei onde queria, pisquei atordoada. Oh, claro, estávamos em pleno Inverno. Óbvio que as flores já teriam morrido, dando a impressão de que todo o resto morrera junto. A grama estava queimada pelas geadas constantes, mas o lugar ainda tinha seu encanto - tanto pelas lembranças quanto pela própria clareira.

Pensei em me sentar no chão, mas não queria congelar minhas partes baixas, então tentei me fazer confortável em cima de um toco de árvore no canto extremo da clareira. Fechei os olhos e voltei a me lembrar das flores coloridas, da grama verdinha, do brilho amarelado do sol, da sensação de paz... Não sei por quanto tempo fiquei relembrando do único dia em que eu estivera aqui, no comecinho do Outono, mas ao abrir os olhos eu o vi.

*E lá estava você com o coração aberto; portas abertas

Robert estava parado do outro lado da clareira olhando o céu quase escuro. Ele deu uns passos para dentro da clareira e aparentemente não me notou aqui no cantinho e, diferente de mim, ele caiu sentado no chão e colocou a cabeça entre os joelhos, tirando o gorro azul escuro antes. Só agora eu notara que seu cabelo estava maior e muito mais parecido com o de Edward Cullen, só que negros. Aquilo lhe dava aparência de um professor maluco, mas eu gostava.

Mas eu posso ver quando as luzes começam a desvanecer

Seus ombros sacudiram e percebi que ele devia estar... chorando? Droga, a culpa era minha, é claro.

O dia acabou e seu sorriso desapareceu

Levantei do meu lugar e enquanto tentava andar silenciosamente até ele, pisei em um galho e Robert levantou a cabeça para ver de onde vinha o barulho. Seus olhos se arregalaram e pude notar que estavam vermelhos - culpa da ressaca ou do choro? -, mas sem lágrimas.

Deixe-me te levantar

- Ah, você já estava aqui... - sua voz era baixa.

Assenti, engolindo em seco.

- Não vou te atrapalhar. - ele disse já se levantando e eu quase entrei em choque.

- Está tudo bem, eu vou embora. - não acredito que eu disse isso; eu queria ficar aqui... com ele. - Afinal de contas, o lugar é seu.

Comecei a caminhar para fora da clareira e, ao passar por ele, sentia como se braços invisíveis me puxassem em sua direção. Resisti ao impulso de tocá-lo, mas Robert aparentemente não conseguiu fazer o mesmo, pois sua mão enluvada voou em direção ao meu ombro.

- O que foi? – perguntei com aquele último fiozinho de esperança prestes a se romper.

- Acho... Acho que podemos dividir o lugar. – o canto da boca ameaçou subir num sorriso, mas ele se controlou.

Deixe-me ser teu amor

Parei e soltei um longo suspiro quando ele quebrou o contato entre nós. Dessa vez me sentei no chão perto dele e encarei as pedrinhas ao meu redor. Para não olhar para ele, comecei a brincar com elas, jogando-as do outro lado da clareira. O silêncio esmagador perdurou por longos minutos, mas nenhum dos dois teve coragem de quebrá-lo, até que se tornou insuportável para mim – estava na hora de aceitar que ele não ia voltar a falar comigo e ir embora daquele lugar de uma vez por todas.

- Aonde você vai? – ele se assustou quando eu levantei.

- Está tarde, preciso voltar para casa.

- Fica mais um pouco?

- Não posso. – chega, eu não ia ficar mais nem um minuto ali.

Será que eu o ouvi soltar um rosnado baixinho?

- Senta, Kate.

Ele nunca deixou de ser mandão. Eu odiava isso. A parte petulante em mim queria mostrar-lhe a língua, mas me limitei a continuar em pé. Se ele quisesse falar alguma coisa, que falasse agora.

- Sent...

- Não. – cortei.

Era assim que eu pretendia reconquistá-lo? Ótimo, eu sou ridícula. Qual era a novidade nisso?

- A gente precisa conversar uma hora ou outra. – ele controlou a ira na voz.

- O que mais você espera que eu diga? – perguntei ainda petulante. – Eu já disse que cometi uma grande estupidez ao tentar seguir aquele sonho, que no final das contas não passou de uma simples ilusão. Já disse que nunca quis ter te deixado e que nunca passou pela minha cabeça seguir em frente ou corresponder aos flertes nojentos do Kevin... Sim, eu sei que você deu um soco no garoto. – rolei os olhos quando Robert me encarou, fingindo surpresa. – Se tem uma coisa que a Padawan não consegue, é manter algo assim em segredo. E Kevin espalhou pelo campus inteiro que meu "namorado riquinho" tinha o pegado desprevenido e dito que eu era dele porque ele podia me comprar diamantes.

Tudo o que eu quero é mantê-lo protegido do frio

Aquela última parte saiu com uma dose de mágoa e irritação. Eu sabia que Robert jamais teria falado algo como aquilo, mas os boatos se espalharam rapidamente e as pessoas deixaram de dizer sobre o suposto cinto de castidade, se concentrando somente em me chamar de golpista.

- Eu nunca disse isso!

- E o que é que você disse? - eu estava curiosa, mas acredito ter parecido cética para ele.

- Eu disse... – ele engoliu em seco. – Disse que se ele te tocasse mais uma vez, eu ia... Merda, eu disse que você era minha.

As borboletas imaginárias alçaram voo no meu estômago.

Dar-lhe tudo o que seu coração mais precisa

- Que bom que você sabe. – sussurrei baixinho, mas não tinha certeza se ele ouvira. – Então, está tudo esclarecido? Posso ir embora?

De repente, tudo o que eu mais queria era estar longe dali. Se ele dissesse que jamais iria confiar em mim novamente, eu ia quebrar. E não teria mais conserto.

- Você acha que está tudo esclarecido? – ele rebateu com raiva e levantou, parando bem na minha frente. Seus olhos faiscavam.

- O que mais falta? – perguntei com a voz mínima. Nunca tinha visto ele com aquele humor tão explosivo.

- Falta eu te dar uns tapas, como você realmente merece. – apesar das palavras duras, ele sorriu. Dei um passo para trás. – Você não tem a mínima ideia de como eu fiquei melancólico quando você entrou naquela droga de avião. Agora eu estou puto. Muito puto com você.

- Eu...

- Você voltou para quê? Para trazer todo o maldito turbilhão de sentimentos em mim? – ele estava com raiva de novo. Meu Deus, ele sofria de transtorno bipolar? Como podia aparentar estar feliz num momento e furioso no outro? – E depois ainda pergunta se pode ir embora? NÃO! É claro que você não pode ir embora!

Fiquei em silêncio. Quer dizer, o que mais eu podia dizer depois desse berro? Aposto que os animais que estavam ali perto o ouviram.

- O que mais você quer que eu faça? – me senti na obrigação de quebrar aquele silêncio. Derrubei minha cabeça nas mãos e massageei minhas têmporas; maldita dor de cabeça. – Que eu me ajoelhe e implore para voltar com você? Maldição, eu faço isso!

Posso te abraçar enquanto você cai no sono?

Desde quando eu me humilhava daquele jeito? Eu estava desesperada, eu sei.

- Não. – naquele instante, sua voz estava doce novamente. Argh. – Eu só quero que você me responda uma única coisa: Você vai me deixar fazer parte da sua vida?

O quê? Não deveria ser eu a perguntar aquilo? Droga, eu não estava entendendo mais nada e ele obviamente percebeu a confusão nos meus olhos.

- Você vai ser transparente comigo? O que eu quero dizer é que se você realmente quer tentar, é melhor que tente da forma certa. – ele se atropelou nas palavras. – Você me transformou num maldito cachorrinho dócil. Mas eu não vou me jogar de cabeça sem ter a certeza de que vamos fazer isso como adultos, que conversam e tentam arrumar uma solução juntos. Não quero que você vire daqui alguns meses ou alguns anos e diga que tem a porcaria de um sonho e que vai me largar, sem me dar uma chance de pensar ou sem me dar a possibilidade de ir com você. Se vamos tentar fazer dar certo, é bom que você tenha em mente que vamos fazer juntos. Não se trata apenas de você. Pare de ser egoísta e tente não tomar decisões sobre mim sozinha. – ele deu um sorriso amargo e sem humor nenhum. – Você alguma vez parou para pensar que ficar com você poderia ser o meu sonho e que, naquele momento, você o arruinou?

Ele estava certo, eu só olhara para o meu próprio umbigo. As lágrimas idiotas já estavam rolando pelo meu rosto quando ele se aproximou de mim.

- Me perdoa? - implorei baixinho, sentindo os braços dele me envolvendo. - Por favor, me diz que eu não voltei tarde demais.

- Sua bobinha. - ele riu e fez carinho nos meus cabelos, como eu me lembrava perfeitamente. - Nem se você demorasse vinte anos, jamais seria tarde demais.

Quando o mundo estiver se fechando e você não puder mais respirar
Posso te amar?

Essa confissão só trouxe ainda mais lágrimas.

- Mas... A garota de ontem...

- Me lembre de nunca mais beber na minha vida. - ele falou com desgosto. - Eu podia jurar que tinha visto você nela.

Nós continuamos naquele abraço gostoso e eu até esqueci que estava quase totalmente escuro e que, provavelmente, Jonathan estava me procurando na trilha. Eu já podia imaginar Cassie arrancando os cabelos junto com minha mãe, mas ao mesmo tempo eu não queria soltar daquele abraço.

- Promete que não vai mais embora? - Robert murmurou contra a minha testa; sua voz era infantil e insegura, nenhum resquício do barril de pólvora de mais cedo.

Contei-lhe sobre a prova que eu faria em Seattle, achando que ele ia sorrir e dizer que estava feliz, mas tudo o que ele fez foi suspirar de alívio e me dar o beijo mais intenso que eu já experimentara. Extravasamos a raiva, a saudade, a mágoa e por fim, o perdão.

- Onde você vai passar essa véspera de Natal? - perguntei e depois me senti muito tola. Claro que ele passaria com os pais em casa.

- Até ontem eu pretendia estar inconsciente na noite de hoje. - ele pareceu envergonhado. - É que eu me lembrava de você ter dito que era uma das suas comemorações preferidas e que você sempre usava uma roupa toda verde para "reforçar" a esperança, a perseverança, mesmo tendo ficado um Natal sem essa tradição pessoal.

Eu tive que rir. Aquela era a mais pura verdade. O ano em que eu me recusei a usar verde foi quando um coleguinha de escola pelo qual eu tinha uma leve paixonite disse-me que eu ficaria parecendo a mulher do Grinch.

- E se nossas famílias se juntassem? - sugeri. Na certa ele ia recusar para não ter que ficar perto de John, mas para minha surpresa, ele sorriu.

- Posso convencer meus pais. Só que eu nem comprei um presente para você...

- Esqueça. Você me perdoou, está de bom tamanho para esse e todos os outros anos. Eu é que não te...

- Esqueça. - ele imitou meu tom enquanto eu tirava as luvas para sacudir a sujeira das pedras, revelando a aliança. - Você está usando o meu anel e isso está de bom tamanho para esse e todos os outros anos. - ele enfatizou a última palavra e eu corei.

Voltar foi mais complicado. Parecia que a escuridão da floresta era palpável e tivemos que iluminar o caminho com nossos celulares. Que ridículo. Mas nenhum dos dois esperava voltar tão tarde e melhor qualquer tipo de luz do que tropeçar em algum buraco traiçoeiro e cair de cara no chão; isso seria ainda mais constrangedor.

- Cadê seu carro? – perguntei, procurando.

- Eu o deixei entre umas árvores. Vai que roubem o meu bebê? – ele perguntou com os olhos arregalados, como se aquilo fosse a coisa mais assustadora que poderia acontecer.

Rolei os olhos e abri a porta antes que ele mesmo o fizesse e sentei no banco, sentindo como se pertencesse àquele lugar. Era como se eu nunca tivesse me afastado daquilo tudo em nenhum momento. Ele me deixou em casa, prometendo que logo estaria de volta e, naquela noite, parecia que finalmente estava tudo certo.


{R_POV}

- Esqueça. - sorri como o tolo que eu sempre fora desde que topara com aquela garota no parque. - Você está usando o meu anel e isso está de bom tamanho para esse e todos os outros anos. - ela entendeu o significado daquelas palavras.

Eu jamais a deixaria novamente com tanta facilidade.

- Temos algum plano para este Natal? - perguntei, sei que era um pouco tarde para me inteirar dos planos, mas eu realmente não pretendia participar.

- Finalmente alguma amostra de interesse. - papai ironizou. - Sua mãe já terminou de praparar nossas sobremesas.

Seus olhos escuros brilharam sonhadoramente. Nos anos que eles não estavam viajando, minha mãe praparava a "ceia" que consistia em oitenta por cento de doces, pois meu pai e eu éramos simplesmente apaixonados por açúcar e mousses de chocolate.

- E se levássemos tudo isso para a casa da Sra. Wellington? - sugeri como quem não quer nada.

- A mulher vai estranhar os patrões dela em plena véspera de Natal com um monte de doces debaixo das axilas. - ele negou.

- Por favor. - pedi como um garotinho. - Ela sabe que nós vamos.

Não era bem a verdade, mas eles não precisavam desse detalhe tão sem importância no momento.

- Nós vamos aonde? - minha mãe entrou com seu avental de cozinheira, que era mais um enfeite do que um item propriamente usado.

- À casa de Lílian Wellington. - atropelei o que quer que fosse que meu pai ia dizer.

- Para mim parece ótimo. Vou embalar todos os doces e... – minha mãe parou no meio da frase. – Droga, eu não comprei presente nenhum para ela.

Quando minha mãe saiu da sala, papai me olhou seriamente.

- O que é que você está planejando? – ele perguntou com a voz baixa.

- O quê?

- Acha que eu não sei o que você fez ontem? – a repreensão estava clara agora. – Deus sabe como eu fiquei preocupado quando Nathan me disse que você ia dormir na casa dele porque estava cansado demais para vir para casa. Eu sei que você não estava num estado digno de ser visto pela sua mãe.

Abaixei a cabeça e ruborizei.

- Sermão em pleno Natal, pai? – implorei que ele mudasse de assunto.

- Tecnicamente, é apenas a véspera. Mas tudo bem, depois de amanhã nós conversamos sobre seu castigo.

Decidi deixar as preocupações de lado. Ainda tinha dois dias de liberdade antes de ter que cumprir o que quer que fosse e não esquentaria minha cabeça com coisas desnecessárias quando eu tinha muitos motivos para comemorar.

- Outra coisa que anda me corroendo aqui. – papai disse de novo. – Kate não está lá hoje?

- Sim. O que tem?

- Vocês...

- Nós nos entendemos. – fui incapaz de sorrir como bobo, fazendo meu pai gargalhar ao meu lado. – Eu sou idiota, eu sei.

- Quando se trata das mulheres, todos nós somos, campeão.

Tudo o que eu mais queria naquele momento, era sair voando em direção à casa dos Wellington para ver Kate o mais cedo possível. Sim, eu podia tê-la perdoado com facilidade, mas de que adiantaria jogar tudo na cara dela e fazer charme quando, na verdade, tudo o que eu mais queria era perdoar e esquecer o que tinha acontecido? Eu estava farto de perder tempo com coisas que não mereciam. Eu a queria de novo e agora eu a tinha.

Carl, Nathan, Meggan e meu avô me ligaram desejando uma boa ceia. Cada um estava com sua família e Billy Black estava aproveitando as filhas e as netas, exceto Clarisse. Minha prima ainda estava recuperando os laços com a mãe aos poucos e decidiu que naquele ano ia passar o Natal com sua futura família, os Wellington.

- Estou pronta e as sobremesas também, antes que vocês perguntem. Vamos?

Lílian era apenas elogios e comentários positivos sobre eu voltar a ser seu genro. A mulher era animada demais para o meu gosto.

Milagres natalinos aconteciam. Vejam bem, acho que Jonathan fora tocado pelo espírito do Natal e aprendera a exercer a boa educação que a mãe lhe dera. Me tratou como um cunhado querido e sorriu o tempo todo. Uau. Ou talvez fosse o fato de que a mãe estava tão perto dele que podia lhe puxar pelas orelhas, não sei.

A barriga de Clarisse já era enorme. Quase sete meses de gestação e com o sexo do bebê ainda em segredo. "É para ser mais emocionante", ela disse, mas aposto que era para acabar com as discussões sobre nomes femininos ou masculinos. Muito embora eu tenha apostado com John que viria uma menina e ele havia rebatido a aposta crente de que seria pai de um menino. Logo eu ganharia os meus cem dólares e ele calaria a boca.

Meus pais sequer se preocuparam em levar seus celulares ou pagers, alegando que naquela noite viveriam apenas para a ceia. Sim, eu estava bem com tudo isso.

Mas nada foi melhor do que ter Kate brigando comigo novamente. Primeiro, discutimos que ela estava usando uma blusa vermelha. "É a cor da paixão", Kate tentou argumentar, mas eu a impedi. Que se dane a cor da paixão, eu gostava de vê-la metida nas roupas verdes e, quando ela voltou vestida como a mulher do Grinch, eu decidi que no Natal seguinte, eu faria par de jarras com ela. Era interessante. Também brigamos porque eu tinha esquecido Barry em casa e que ela estava com saudades.

Depois, brigamos porque eu tinha levado um colar prateado com o símbolo do infinito de presente, internamente desejando que aquele fosse um símbolo nosso, mesmo o "para sempre" sendo muito curto. Ela não queria aceitar, mas eu deixei bem claro que não iria aceita-lo de volta porque era insultante. Aquele colar era uma peça que eu tinha comprado na minha viagem ao Colorado, querendo dar quando a visse, mas achei melhor guardar para mim mesmo.

- Vem comigo. – ela me puxou para a varanda dos fundos que era toda fechada com vidros do teto ao chão, impedindo que o frio nos alcançasse e, ainda assim, conferir privacidade. As conversas animadas e risadas altas logo morreram e o silêncio era um calmante e tanto depois desses quatro meses vivendo no inferno.

Estava escuro, apenas as luzes de dentro da casa estavam ligadas e ficamos abraçados ali apenas trocando carinhos. Palavras eram inquestionavelmente desnecessárias. Puxei-a para uma dança meio descoordenada.

- Não tem música. – ela riu. - Como quer que eu dance sem uma música?

- Eu posso cantar.

- Não quero ficar surda. – retrucou com divertimento na voz.

Calei-a com um beijo abrasador e, enquanto Kate recuperava o fôlego e o raciocínio, cantei baixinho perto do seu ouvido a única música que me viera à cabeça.

Tudo o que me fez, vale a pena trocar
Só para ter um momento com você
Então eu vou deixar tudo o que eu conheço
Sabendo que você está aqui comigo.

Ela se apertou mais contra o meu corpo e eu voltei a acariciar seus cabelos.

Posso te abraçar quando você cair no sono
Quando o mundo estiver se fechando e você não puder respirar
Posso te amar
Posso ser o seu protetor

Suspirei ao beijar sua testa e dizer a maior verdade até então:

Pois o seu amor está me mudando

Não sei por quanto tempo ficamos ali naquela bolha, mas eventualmente nos chamaram para algumas brincadeiras em família. Desnecessário dizer que meu grupo - formado por Clarisse, meu pai e eu - ganhou do grupo formado por Kate, mamãe e Jonathan. Lílian, a juíza do jogo de mímica, comemorou mais que o próprio grupo vencedor. Jonathan estava frustrado exigindo revanche, mas eventualmente Kate lhe deu uma cotovelada nas costelas, mandando-o calar a boca de uma vez por todas. É, eu não poderia estar mais feliz com aquela noite.

Até minha mãe abrir a boca.

- Eu exijo um presente de Natal extra por ter ganhado na mímica. - brinquei, puxando uma mecha do seu cabelo escuro com carinho.

- Nem vem, garoto. - ela riu entre um gole de vinho e outro.

- Admita que eu mereço.

Mamãe ergueu os braços em um claro sinal de rendição, me fazendo inflar como um galo de briga e comemorar a vitória com uma dança ridícula, arrancando risos dela, que me acompanhou com passinhos tímidos.

- Você vai ter seu presente.

- Séééério? - eu sei, eu estava parecendo uma criança, mas era impossível evitar. - Me diz qual é!

- Bom...

- Já sei, passagens de avião para alguma praia ensolarada?

- Não exatamente. - de repente, ela ficou desconfortável e o sorriso desapareceu do seu rosto. - Digamos que temos um voo para Londres, onde seu passado o aguarda.

O que diabos aquilo significava?

- Mãe? Sabe que eu não faço a menor ideia do que você está dizendo, certo?

- Você não queria saber o que tinha acontecido entre seus avós e eu? Chega de jogar esse assunto para o escanteio. Está na hora de você saber a verdade sobre quem eu realmente fui.

Fiquei estático e de olhos arregalados.


* May I - Trading Yesterday (eu acho a música linda *u*)

Me perdoem, mas eu confundi a data da viagem do meu pai (e como ele leva o 3G, eu fiquei sem net) e só estou postando em plena madrugada (02h56!) por culpa dele. Não puxem minha orelha, okay?

Obrigada pelas reviews e o carinho de sempre *.*

Nanny: Obrigada, meu anjo. Sabe que nada disso seria possível sem ti, não é? Agora chega de vomitar clichês! kkkk'

GabiBarbosa: Eu estava num clima tão light, que foi impossível fazer do Robert o carrasco lol Mas ele quase deu uns tapas nela, serve? rs. Ódio é corrosivo, lembra do que o Edward comentou há muito tempo? kkkk

Lu Bass: Eu sempre leio as reviews com um sorriso gigante kkk. Enfim, estamos em reta final. Por mim, eu podia simplesmente seguir escrevendo sobre cada dia desses dois, mas não dá e precisa chegar ao fim de tudo. Acredite, já estou em prantos lol Mas eu tenho uma nova ideia para uma fic. Logo depois dessa e de "Temporada de Caça Aberta", eu vou colocá-la no site. Não pretendo parar =) Eu bem que estranhei não te ver on no msn '-' Vamos ver se vai chorar nesse hahah'

pink: Enfim eu vou matar sua curiosidade! \õ/ Próximo capítulo dona Nessie vai abrir a boca *solta fogos de artifício* Beijinhos e cuidado com o AVC, hein ;)

BbCullen: Obrigada e desculpe a demora ;p

Criis: Primeiro de tudo: Muitíssimo obrigada por todo o carinho e pela compreensão da falta de reviews que podem levar um autor à loucura! kkk Mas eu jamais cobraria algo assim de vocês, Okay? A Molly é fofura pura, mas não teremos muito dela, infelizmente.

Pennys: Edward bicudo é só meu! hahaha

CarlinhaMoura: Review 400 *-* Eu dei pulinhos quando vi o número UASHAUHs' Obrigada, minha frésia.

Ktia S: Chegou sim e eu respondi direitinho. Eu bem que percebi a demora de receber uma notificação da sua review... Estava estranhando já x.x

Milla-pattz: Oi, leitora nova! Obrigada pelos elogios, de verdade *-* Bom, ele disse SIM, ficou feliz? uahahuha' Beijos.


Agora a coisa fica...

SURPRESINHA! :D

Beijos e até semana que vem, provavelmente ;*