Capítulo cinquenta: Happy ending

Por Kami-chan

Os dias se passavam e tudo parecia voltar ao normal lentamente. Alheio às responsabilidades dos outros membros do grupo, Hidan e Kakuso se mantinham fazendo algo que além de novo, estava se tornando cada vez mais prazeroso para cada um dos dois imortais mal humorados; conversar.

– Não é como se as coisas fossem voltar a ser como antes. – Reclamou o platinado.

Hidan estava sentado ao contrario em uma cadeira, com seu peito colado no acento e os braços se cruzando em torno do mesmo, Kakuso estava atrás de si passando uma pomada nas queimaduras que ainda não tinham cicatrizado nas costas do parceiro. Elas quase nem existiam mais, Hidan se mostrou ser alguém de recuperação mais rápida do que o considerado normal.

– Pare de reclamar Hidan. – Implicou o mais velho enquanto terminava de esfregar o creme pela pele do outro com delicadeza.

– Mas é verdade, porra.

– Nós não somos mais a mesma equipe, perdemos ninjas, ganhamos ninjas. Se a equipe muda, é claro que a organização muda.

– Tsc acho que vou sentir falta do tempo em que a Konan era a única mulher daqui. Até ela mudou, não abria a boca pra nada antes e agora manda e desmanda no barraco.

– Ela sempre mandou e desmandou no barraco, a diferença era que antes apenas Pain a ouvia e repassava a ordem. – Riu-se limpando o excesso de produto em sua mão e sentando no chão próximo ao parceiro, de frente para o mesmo.

– A diferença é agora tem mais duas mandonas pra dar força e eco. – Disse no mesmo tom de humor, aproveitando da brecha dada pelo mais velho, eram raras as vezes em que conversavam, a não ser sobre planos de missões.

– Ino será uma boa líder, o clã dela tem habilidades fortes de estratégia e investigação.

– Nee Kakuso – Chamou cutucando o corpo do outro com o pé. – Acha que vai dar merda ter uma criança aqui?

– Sei lá. – Deu de ombros. – Eu é que não quero saber de criancinhas ranhentas pro meu lado. – Disse fazendo o outro rir alto.

– Hey – Disse Kisame para se anunciar assim que alcançou a porta do local.

– Kisame-san! – Cumprimentou o platinado. – Você acha que ter uma criança na equipe vai dar merda? – Repetiu a pergunta.

– Acho que temos que nos renovar de qualquer forma. – Respondeu o peixe.

– Ee... o Kisame passa muito tempo com Itachi, vai até virar o tiú Kisame da fedelha quando começar a falar. – Debochou Hidan.

– Eu não me importo com a ideia de uma criança, sendo que a mesma será uma mistura dos poderes de Nagato e Konan.

– Haha – Riu Kakuso. – Nee Hidan, aquela garota pode ficar ponderosa a ponto de exigir que você brinque de cavalinho com ela.

– Baka! – O plainado fechou a cara, não gostava da ideia de bebes chorando na organização. – Graças à Jashin-sama que essa coisa vai dormir em outro prédio, bem longe de mim.

– Daí eu concordo com o Hidan. – Disse Kisame. – Na verdade eu tinha vindo até aqui para falar de prédio, achei que pudéssemos organizar as coisas o quanto antes.

– Haa eu concordo, o nosso vai ser o único prédio de ninjas com honra nesta organização, os outros vão brincar de casinha, mas nós vamos montar um ambiente muito macho no nosso prédio. – Disse o platinado.

– Não se esqueça de que é o prédio do laboratório de pesquisas e experiências e que eu vou ser responsável pelo o que acontece no mesmo. – Interferiu Kakuso cortando a empolgação do parceiro.

– Sei..sei velhote xarope – Resmungou, quase balbuciando o xingamento para que Kakuso não o ouvisse.

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Finalmente após uma longa contagem de dias, a equipe estava organizada. E mesmo sem nenhum sinal de Deidara de que iria acordar, Ino se viu fixa a ideia de que a Akatsuki não poderia parar. Mesmo que mais lentamente do que o desejado, eles tinham que mover seus pauzinhos para manter-se uma organização temida e infalível ante os olhos do resto do mundo.

A cena na sala era típica de uma reunião de uma equipe organizada, estavam todos, com exceção de Deidara sentados em torno da longa mesa. Ino estava à ponta, sentada sobre uma de suas penas flexionadas em cima da cadeira, seguindo pelo lado direito da mesa estavam Pain ao lado de Konan, seguida de Hidan ao lado de Kakuso. Pelo lado direito estavam Itachi ao lado de Sakura, sendo seguida por Kisame.

– Vai ser um tempo difícil, recomeçar nunca é fácil. – Disse a loira. – Mas eu sei que todos aqui somos capazes. Infelizmente, vamos trabalhar mais rápido separados.

– E como vamos proceder? – Perguntou Sakura.

– Nossos objetivos neste recomeço são óbvios e quase mundanos, mas não seremos capazes de prosseguir antes de atingir todos eles. São quatro missões de igual importância primeiro, Itachi e Kisame. – Disse e os citados se concentraram completamente na líder de sua equipe. – Nós perdemos muito prestígio quando nossa sede foi invadida, quando nossa equipe dissipada, quando perdemos alguns membros e quase perdemos outros. Isso precisa ser revertido, a reputação desta equipe deve ser reestabelecida e vocês dois irão cuidar disso.

– Nós podemos começar pelas pequenas vilas que tem algum interesse em nos atingir. – Disse o moreno.

– É – Concordou Kisame – Quando nossas tomadas começarem a fazer barulho, as vilas maiores irão receber o aviso por tabela.

– Certo. Quero que vão a cada uma destas vilas e deixem bem claro que o poderio da Akatsuki não se abalou com esta pseudo guerra, pelo contrario, todos devem saber o quanto estamos mais fortes do que antes. – Ordenou Ino.

– Segundo, Hidan e Kakuso. Nós precisamos de dinheiro, muito dinheiro para recomeçar tudo. Não me importa os meios que usarão. Se deixarem terror por onde passarem melhor ainda para que as nações voltem todas a temer o nosso nome.

– Isso é fácil! – Desdenhou Hidan. – Pelo menos um pouco de diversão nee Kakuso.

– De fato será fácil, mas demorado. É um trabalho que requer muita perícia.

– Não tem problema, Kakuso você encontrará um meio de me repassar o dinheiro, mesmo que eu mesma tenha que ir atrás dele uma vez a cada quinze, no máximo vinte dias.

– Hidan e eu temos os nossos meios. – Disse o mais velho com calma.

– Certo. Pain e Konan, vocês devem partir para Amegakure tão logo o prédio do líder da Chuva esteja pronto. Devido ao desfalque na nossa equipe, a responsabilidade pelo andamento da construção da nossa futura sede irá ficar sob responsabilidade de vocês. Sei que ira sobrecarregar, pois vocês tem assuntos da vila para retomar e por em dia, mas...

– Não tem problema, eu consigo resolver as porcarias burocráticas da vila e cuidar das obras ao mesmo tempo. Amegakure tem bons ninjas que estarão a minha disposição quando solicitados, eles ajudarão na construção do local.

– Tem certeza que todos ainda estarão leais a você, mesmo com a Akatsuki envolvida? – Perguntou Kisame.

– Sim. Primeiro porque eu reergui aquela vila da miséria, segundo porque eles sabem que somos da Akatsuki, e terceiro porque não terão escolha, é uma ordem do líder da vila e que será levada a todos através de Konan. Ela tem uma reputação naquela vila que eu quero muito reviver. – Disse fazendo a azulada sorrir.

– Sakura, você vai ter que ficar aqui. Eu sei que você está cansada disso, mas o prédio hospital só ficará pronto quando você puder sair daqui e...

– Eu entendo Ino. – A rosada a cortou, realmente estava cansada, queria uma missão fora e de preferência junto com Itachi, mas compreendia a situação. – Meu lugar será sempre na sede, e eu sei o quanto isso é importante para o desenvolvimento da equipe.

– É mas não pense que é só isso não, quando formos para Amegakure, como você é a Akatsuki que deve permanecer na sede sempre será sua responsabilidade a segurança da sede e o acesso pela cidade. Deidara acabou ficando o único ninja responsável por investigação, é muito pouco. Todos aqui sabem que a maior habilidade do meu clã é a investigação, então será inevitável que eu tenha que de me deslocar para algumas missões e na minha ausência, todos devem obedecer às suas ordens Sakura. – Determinou fazendo todos na mesa arregalar os olhos pelo informativo dado.

– E..eu achei que está responsabilidade ficaria com Pain, já que ele... – Começou a rosada sem entender muito o motivo pelo qual estava sendo escolhida para a segunda no comando daquilo tudo.

– Nagato estará muito ocupado liderando a vila, e mesmo quando ele abriu mão da liderança a escolha ficou entre nós duas, sinal que você é a segunda escolha obvia. Além do mais a pessoa que vai ser meu braço direito aqui dentro tem que ser alguém capaz de apontar e esfregar todos os meus erros na minha cara, e se isso não for o suficiente, ainda vai ter que me dar um soco na cara.

– Isso eu posso fazer com certeza. – Respondeu a rosada com humor.

– Certo. Todos podem se organizar nos próximos dias quanto antes começarmos, antes essa bagunça toda termina.

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Mais cinco dias foram somados à aplicação que ninguém fazia questão de contar. Konan e Pain foram os primeiros a partir, rumo a Amegakure junto com sua pequena filha. Dois dias depois, Hidan e Kakuso deixaram exposto à Ino quais eram os seus planos para realizar a tarefa dada pela loira e também partindo, e neste momento, faltava apenas uma dupla sair para sua missão. E isso aconteceria, logo que Itachi se despedisse da rosada que estava deixando para trás sem saber por quanto tempo.

– Então você acha que vai demorar muito? – Questionou a rosada vendo o moreno que a observada através do reflexo do espelho, onde se olhava para prender as mechas rosas em um alto e firme coque.

– Eu entendo o que Ino que fazer, e creio que não demore muito não. – Respondeu.

– Não vamos mais viver naquele clima de férias como quando cheguei aqui, não é?

– O clima de férias só existiu porque vocês duas chegaram. – Respondeu se afastando para sentar no futon atrás de ambos. – Agora vocês não são mais novatas, acabou a moleza. – Sorriu.

– Será que Ino vai me tirar o posto de segunda se a cada missão que ela mandar você eu renegar? – Disse no mesmo tom leve, seguindo o mesmo caminho que o moreno, sentando-se no chão de frente para o mesmo.

– Acho que isso não daria muito certo. Mas a distância também pode ser algo bom, da saudade. – Comentou deslizando o indicador pela pele clara do rosto delicado, descendo até se enroscar na fina corrente que ela tinha em seu pescoço. – Eu já te contei a importância que esta corrente tem para mim?

– Já. – Ela concordou. – E por todo o importante significado que tem para você, ele nunca vai sair do meu pescoço.

– Já comentei que não era a única joia de família que minha mãe usava quando morreu?

– Não. – Respondeu observando o moreno estender as mãos em sua direção a ajudando a ficar ajoelhada entre suas pernas enquanto tomava seus lábios em um beijo delicado.

E ao fim deste, quando Sakura retornou a sua posição anterior, pode observar a joia pesada que descansava em torno de um dos dedos da mão que ainda era segura pelo moreno. Era uma peça linda, o aro grosso em ouro branco incrustado de pequenos rubis por toda a sua circunferência, exceto no centro, onde havia um belo e delicado diamante um pouco maior que as peças em vermelho. Ele era absolutamente magnífico, uma peça única e estava em repouso em seu anelar, com sua mão sendo sustentada pela do moreno, cujo dedão acariciava a joia como se admirasse o conjunto do dedo fino com a peça exclusiva.

– Isto é deslumbrante. – Disse a rosada com certa dificuldade em encontrar a palavra certa para descrever aquele anel. – Ele tem história também?

– Claro. Meu avô o deu para minha avó, que passou para o meu pai, que deu para a minha mãe, que pediu que eu levasse comigo na noite em que se deixou ser morta por mim. E agora eu estou dando ele a você. Se você o quiser é claro, não é como que se algum dia fossemos poder ter algum tipo de cerimônia ou coisa do tipo, mas o símbolo da aliança permanece o mesmo, não é?

– Sim o significado permanece o mesmo, e eu estou muito feliz mesmo em carregar o símbolo disso tudo comigo.

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Então finalmente após quase dois meses desde que tinham voltado, quase cinco meses após a diferença com Konoha ter sido acertada, Sakura e Ino, juntas, resolveram arriscar tudo o que tinham em uma última tentativa de fazer Deidara acordar. A loira tinha entrado na sala reservada para abrigar o leito de Deidara quando viu Sakura se sentar sobre o colchão fino da cama, respirando de forma realmente cansada.

– Os genjutsus não estão dando certo, não é? – Perguntou tentando em vão não perecer tão desanimada.

– Estão. O problema é que ele parece não ter consciência de que está em genjutsu meu. Quer dizer ele não está em consciência, então acho que o eu implico à ele no jutsu não o afeta, ou se afeta ele parece não perceber.

– Eu realmente acreditei que isso fosse dar certo. – Ino disse se aproximando mais.

– No começo eu achei que fosse mesmo, achei que era apenas questão de tempo para ele recobrar a consciência por entender o jutsu. Nee Ino, aquela vez que você aplicou seu jutsu em mim eu senti você.

– Eu já pensei nisso. – A loira a cortou. – Ele não estando consciente, eu posso ficar inconsciente também. Além do mais, você não teria me percebido se não fosse a sua dupla personalidade gritona, apenas algo especial faz a pessoa perceber que está dentro do meu jutsu. – Explicou.

– Ainda assim acho que podemos tentar, porque se eu conseguir interromper o seu fluxo de chakra o jutsu se quebra e você volta, não é?

– Acho que sim. – Riu. – Mas você ganhou um lindo sharingan e não um byakugan. – Completou.

– Eu sei, mas alguns pontos são padrões para todos os ninjas. Não vou ter a vantagem de um Hyuuga, mas não é como se eu não fosse acertar nenhum se te socasse com força na barriga, por exemplo.

– Isso pode dar certo, eu quero tentar Sakura. – Disse Ino determinada, para logo em seguida soltar o ar em um riso amarelo. – Deidara odeia este jutsu. – Falou em um tom nostálgico.

– Ee?

– Logo quando chegamos na sede, você lembra? Você passava os dias trancada com Itachi para aprender sobre a anatomia diferencia dos Uchihas e assim ser capaz de curar a cegueira dele, e eu ficava treinando com Deidara. Logo na nossa primeira luta ele me encheu a paciência, querendo me irritar dizendo que eu era uma fracote. É claro que eu surtei, por mais que eu estivesse visivelmente interessada nele eu não pude admitir que ele falasse daquele modo comigo então usei este jutsu com ele e fiz Deidara dar em cima de Kisame. – neste momento parou de falar para rir da lembrança. – Eu saí do corpo dele no exato momento em que o Kisame ia acertar um soco nele, os dois ficaram putos.

– Eu lembro disso. O Hidan ficou pegando no pé dele por vários dias. – Sakura também riu.

– Ia ser bom pra limpar a minha barra se ele acordasse só pelo medo que tem deste jutsu.

– Se não der certo, nós vamos encontrar um meio que dê.

– Eu sei. Se eu não acordar em meia hora, me bate com força. – Disse Ino se posicionando em frente a cama do namorado, tentando ignorar os olhos desfocados que Sakura forçava a ficarem abertos para que o contato visual, necessário para aquele jutsu fosse possível.

Mas naquela mente, tudo estava em branco. Em algum lugar, podia ouvir pensamentos baixos, quase sussurros. Talvez algum sonhou, ou alguma lembrança. Estava quase os ouvindo quando a voz de Sakura lhe invadiu claramente os ouvidos.

– Tsc esperar meia hora vai ser torturante sem saber se deu certo ou não... – Ouviu a reclamação da rosada.

E neste momento teve certeza, aquela tela em branco era a mente de Deidara, ela não estava perdida na inconsciência como acreditou que iria ficar, era apenas a mente dele que estava em pura neblina. Tentou mover-se então quem sabe uma mão, algo que chamasse a atenção da rosada e então falou em nome daquele corpo:

– Você estava certa, o coma permite que a pessoa escute tudo o que há em volta. – Disse, sabendo que a rosada entenderia o recado de que o plano inicialmente deu certo.

E voltando a se concentrar na ausência de todas as cores, se sentiu culpada por ter fraquejado, por ter desistido dele em algum momento no passado. Chamou por seu nome em pensamento e em um lapso de segundo as vozes que cochichavam tão baixo se tornaram audíveis, assustando a loira.

Era a voz dele, a voz de seu loiro e mais alguém cuja voz lhe era desconhecida, discutiam algo sobre artes, e Ino soube que aquilo se tratava de uma lembrança sobre o finado amigo e parceiro de Deidara assim que o ouviu chamar aquela voz desconhecida de "danna". Mas tão logo quanto o volume baixou novamente, tornando a ficar incompreensível.

Em uma nova tentativa para teste se aquilo funcionava mesmo ou fora apenas coincidência, chamou pelo loiro mais uma vez em pensamento, concentrando-se no mesmo com força chegando a fechar os olhos até franzir o cenho e finalmente pode ouvir a voz que reconhecia como sendo a de Sakura. E reabriu seus olhos a neblina não existia mais, estava em uma floresta aberta logo atrás de Itachi, o Uchiha conversava algo com a rosada a qual percebeu que a mente que habitava não dava a mínima atenção por se focar em alguém que estava na mesma posição, porém atrás de Sakura.

E da perspectiva de Deidara, Ino pode ver a forma como o loiro a observava com atenção. Vendo a si mesma com o olhar direcionado ao chão pela estranha vergonha em manter o contato visual com aquele loiro estranhamente parecido consigo mesma. Percebeu a extensão da concentração do mesmo ao percorrer cada centímetro de sua pessoa com o olhar e lembrança se mudar no exato momento em que se viu erguer o olhar para Deidara e o sorriso que o mesmo lhe respondeu.

Sentiu vontade de chorar, parecia que aquele dia em que se conheceram existira há muito tempo. Logo em seguida Ino se viu entretida em uma rede de lembranças em pequenos flashes, em todos eles, o foco do olhar guardado na memória do loiro era seu sorriso, fosse este presente nos lábios finos ou nos olhos delineados. Jamais será possível descrever o quanto foi emocionante sentir tudo o que aquela pessoa sentia por si.

Mas estava ali, cercada de imagens dela mesma em momentos preciosos com o homem que amava, mas não era capaz de encontrar a ponta daquela linha de pensamentos. Não conseguia desligar aquele filme de memórias, não conseguia fazer com que ele lhe percebesse ali e sem isso, Ino não tinha a menor ideia de como fazê-lo voltar, e com isso claro em sua mente, se viu obrigada a voltar para o seu próprio corpo.

– Eu posso ver claramente todos os seu pensamentos, suas lembranças, mas não consigo o encontrar. – Disse a loira após ter desfeito o jutsu e o período de imobilidade de seu corpo passar.

– Você está bem? – Perguntou a rosada a ajudando a levantar.

– Sim. Merda Sakura, isso também não vai ajudá-lo. – Reclamou.

– Tem ainda mais uma coisa que podemos tentar. Ino eu estava pensando em você assumir o controle dele mais uma vez, porém eu vou forçar o genjutsu com você dentro. Então você e eu esperamos que ele permaneça preso. Entendeu?

– Hai. – Disse se afastando da rosada para mais uma vez ver a fisionomia de Deidara através do arco formado por seus dedos.

– Ino, é importante que você saiba que mesmo que de certo, pode levar dias até ele acordar ok.

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Un.. um peixe impaciente, um boneco mal humorado e um boa pinta que se acha. Isso é a Akatsuki? Estas são as pessoas que acham que podem me subjugar? O loiro riu alto por puro desdém, não ira a lugar algum com aqueles imbecis.

Mas fora ele quem subjugou aquelas pessoas estranhas, não foi capaz nem mesmo de dar inicio a uma luta. Culpa daquele cara maldito, o que há naqueles olhos? Como alguém podia possuir um poder tão mortalmente belo?

– Temos um acordo então! – Disse o boneco feio de madeira dando qualquer discussão por encerrada.

Mais tarde descobriria que aquele boneco seria seu parceiro de equipe, e que de feio não possuía nada. Seu nome era Sasori e também fora subjugado cedo demais, após seguir os três que foram lhe buscar para aquela dita organização, passou a admirá-los, e por muito tempo os três nomes ganharam de si o sufixo de mestre. Mesmo o seu preferido sendo o seu Sasori no danna.

– Existe alguma habilidade para escapar de seus olhos? – Perguntou para Itachi enquanto caminhavam.

– Basta você acordar. – Disse o moreno.

A resposta fez o loiro abrir os olhos. Não era daquela resposta que se lembrava, mas no segundo seguinte Deidara estava acordado. Deitado em sua cama em seu quarto, mas ainda com sono. Aquele sonho fora tão real.

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Sasori saiu de dentro de sua marionete uma vez que já haviam chegado em uma pousada qualquer. O tempo dava sinais de chuva e teriam que dar um tempo em algum lugar, pois o Suna não podia se molhar desnecessariamente. Isso enfraquecia madeira nobre.

– Algum dano un? – Perguntou apenas por perguntar, apenas alguns poucos pingos tinham caído quando conseguiram alcançar o local.

– Não! Só estou o secando por garantia.

– Tomara que passe logo ou vamos nos atrasar muito. Podemos até perder a missão.

– Não iremos perder a missão, se a chuva não passar eu a deixo selada. Meu corpo é menor e mais fácil de proteger da chuva.

– Tsc... eu é que não quero ficar catando os seus pedaços por aí un.

– Isso não vai acontecer loiro tonto. – Emburrou o homem que era muito mais velho do que a expressão talhada na madeira usada pra formar seu rosto mostrava.

– Certo. Vou aproveitar a nossa pausa para fazer mais algumas bombas, por garantia, un.

– Não vai não! – O ruivo disse firme. – Agora você tem que é acordar...

E mais uma vez aquela fala fez o loiro arregalar os olhos e se assustar, acordando mais uma vez em sua cama sem entender a mistura de suas lembranças com sonhos estranhos. Mais uma vez se ajeitou na cama aconchegante e se deixou levar pela escuridão, sentia tanto sono.

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Aquele era o esconderijo da sede que menos gostava, na verdade, detestava. Ficava em uma vila quase deserta, subterrâneo como todos os outros esconderijos, e ainda por cima, as duplas eram separadas uma das outras ficando cada uma em sua própria gruta. Por dias afio a única pessoa que via e com quem conversava era Sasori e ninguém mais, por isso sempre que podia ficava na superfície, sentado na sanga que havia próxima a entrada do local.

Era só mais um dia como outro qualquer dos que a organização ficou naquele lugar quando ouviu o barulho de passou saindo da organização. Sabia que se tratava de Konan apenas pela leveza dos passos, o que o assombrou foi o fato da mulher aparecer sozinha por ali.

– Vai sair sozinha? – Questionou, observando o espesso buque de flores do campo que ela trazia consigo.

– Olá Deidara. – Cumprimentou com a voz baixa e o rosto sem expressão alguma. – Vou somente até onde a sanga entra no curso do rio. – Explicou.

– É estranho ver você sozinha sem a presença do ruivo. Para que as flores? – Questionou observando a flores de campo em seus braços.

– No dia de hoje há muitos anos atrás alguém que era muito importante para mim e para Nagato deixou de viver. Yahiko deu sua vida para que fosse libertada, eu nunca deixei de homenageá-lo neste dia.

– Posso ir com você até a sanga, orar por seu falecido amigo?

– Se não se incomodar com a chuva. – Disse com um pequeno sorriso.

– Chuva? O dia está lindo... – Disse, mas logo após sua última palavra o céu azul se tronou cinza e gotas grossas de chuva começaram a cair.

– Nagato tem seu próprio meio de expressar a dor que a perda de Yahiko causou em nós dois. – Justificou, vendo Deidara olhar para o céu chuvoso, mas sem regredir, passando a andar ao seu lado n chuva.

– Nada como ser um deus. – Disse fazendo referencia a chuva. – Eu nunca perdi alguém assim tão importante, mas imagino que a dor deva ser algo impossível de se esquecer.

E Konan riu um riso amarelo e ao mesmo tempo com alguma ironia. A lembrança que tinha daquele dia não era assim, e mais uma vez se sentiu estranho com esse fato, suas lembranças estavam ficando malucas. Quando viu a azulada já estava na encosta do rio, seu braço esquerdo estava esticado deixando que as flores fossem carregadas pelo vento, junto com seus dedos, sua mão e o braço que iam junto com as mesmas em pequenos picotes de papel.

– Então não deixe que as pessoas que te amam sofram desta forma. – Disse deixando-se levar pelo vento, que aos poucos levava todo seu corpo de papel deixando para trás apenas uma pequena parte de sua fisionomia.

– O que? Do que está falando?

– Que você tem que acordar!

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E no segundo seguinte o loiro via a escuridão de seu quarto, estava tendo sonhos estranhos de lembranças malucas. Seus sonhos não queriam que ele dormisse, mas estava com tanto sono. A cama quente, o quarto escuro, antes mesmo que pudesse pensar já estava dormindo novamente.

A risada de Hidan ecoava pelo local enquanto o platinado limpava a mesa, recolhendo para si todas as notas de dinheiro. Kisame ria junto com o imortal apensar de ter perdido tanto dinheiro quanto os outros e Deidara após um longo suspiro se levantou.

– Pra mim já chega un. Vou pular fora antes que vocês transformem isso em strip poker.

– Yeah eu também vou, apesar de ter certeza de que o strip poker rola só entre o Hidan e o Kakuso. – Riu Kisame.

– Fuck! – Ralhou o platinado apontando o dedo médio para os dois mortais da mesa.

– Oe Hidan, cala a porra da boca. Esse jogo já deu o que tinha que dar pra mim também, não vou mais brincar com nem um tustão.

– Vocês perdedores não sabem jogar e ficam de mimimi, eu sou o deus do poker.

– É. Já passou da minha hora de sair daqui mesmo um, não consigo ficar ouvindo as asneiras que o Hidan fala. – Respondeu Deidara.

– Ahh cala a boca puta loira remendada.

– Hey Hidan, não se esqueça que o teu cafetão é mais remendado que o Deidara. – Kisame zoou.

– O meu o que? – O platinado disse em tom real de desentendimento.

– Nada idiota, recolhe logo essa bagunça toda daqui. – Respondeu Kakuso empurrando o loiro para fora da sala sem deixar um olhar enfezado para Kisame devido ao comentário.

– Depois o burro sou eu un.. – Comentou Deidara sorrindo para o peixe.

– Tsc..deixa esses dois pra lá, só eles que se entendem mesmo. – Respondeu Kisame.

– Você tem alguma coisa para fazer? Não estou com vontade de procurar pelo Tobi.

– Do que está falando? Ino é sua dupla, Madara já está morto. Vê se acorda Deidara! – Riu o azulado saindo de forma rápida de seu campo de visão.

Ino? O loiro ficou pensando e levou muito tempo até a imagem de uma jovem mulher loira de olhos azuis profundos aparecesse em sua visão, tanto tempo que ele já estava acordado mais uma vez em seu quarto escuro.

Sem ligar para a escuridão fechou os olhos novamente. Ainda tinha muito sono, mas até que este lhe pegasse podia pensar mais um pouco nos detalhes perfeccionistas de um rosto muito parecido com o seu, mas com uma suavidade angelical completamente diferente. Ino.

De repente se lembrou do dia em que a conheceu, estava irritado por ter que sair em missão com o Uchiha, mas a visão daquela mulher foi, com certeza, a mais bela de sua vida. "Yamanaka Ino desu" ouviu a voz fina ecoar em sua mente enquanto a linda mulher descia o tronco em uma cordial reverencia. Virou sua nova companheira de equipe, ela tinha dons únicos e tenebrosos.

Aquela coisa de invadir mentes, odiava aquele jutsu, mas ao mesmo tempo parecia lhe ser de grande alívio, mas não se lembrava do porquê. Veneno. Ino tinha se mostrado uma kunoichi vingativa e de temperamento explosivo, transformando-se em uma víbora peçonhenta. Um lindo poder conquistado unicamente pela auto vontade dela mesma, transformando seu chakra em uma mistura letal de energia e o veneno desenvolvido por ela mesma.

O que Ino reconhecia como arte nada tinha haver com o seu ponto de visão, mas o novo chackra da menina vingativa conseguia ser ainda mais mortalmente belo do que o perigo escondido atrás das rubras íris de Itachi. Aquela menina era especial.

O olhar profundo, as feições suaves, os movimentos precisos e ágeis, a mente fugaz. Reparou demais na nova companheira, mas ainda assim não lembrava muito dela. Sabia que a atração sentida ao primeiro olhar iria evoluir, podia sentir. Mas por que não tinha lembranças de Ino? Por que podia sentir Ino, mas não lembrar dela?

– Ino. – Chamou ao perceber que mesmo que o sono fosse grande, não dormia.

– Ele falou! – Um eco agudo surgiu em sua mente, como se estivesse distante de si, conhecia aquela voz. – Ele disse meu nome Sakura, está dando certo! – A mesma voz continuou falando com demasiada empolgação.

– Droga Ino, você me desconcentrou. – Reclamou outra voz, e neste momento pode sentir como que um peso que havia em sua cabeça sumisse, em consequência sentiu mais sono. – Não consigo mais hoje, estou cansada.

Estranhamente, esta voz também falava em eco dentro de sua cabeça, mas parecia muito mais perto de si. Mas logo pode sentir mais, a outra voz voltou e desta vez mais próxima.

– Foi ótimo Sakura, finalmente após dias destas tentativas conjuntas ele mostrou que isso está dando certo. – E em seguida um peso morno pousou em seu ombro, sem que ele pudesse definir o que sentia. – Eu sei que você vai acordar, Deidara. – Ouviu ser dito muito próximo de si.

Acordar? Não entendeu, ele estava acordado. Suas lembranças malucas lhe mandavam acordar, a voz ecoada do além de Ino lhe pedia para acordar, mas sem aquele calor em sua cabeça sentia ainda mais sono. Queria dormir, precisava dormir e bastou apenas este pensamento para que o calor da cama quente se sobrepusesse e ele se deixar levar. Dormiu antes de a voz e o rosto de Ino saírem de sua cabeça.

E no momento seguinte viu a lembrança que tanto se questionava por não ter. Ele estava atrás de Itachi, ela atrás de Sakura e o tempo passava em flashes, logo ela passou por si para que pudessem seguir em frente e o loiro pode sentir o cheiro floral que a acompanhava. Uma pequena luta em uma floresta, desde o reconhecimento de suas habilidades até um beijo roubado na sebe escondida. Uma nova disputa envolvendo quem dos dois podia surpreender mais o outro em beijos ousados.

A confiança dividida enquanto conversavam sentados na beirada de um penhasco, não haviam palavras simplesmente jogadas fora, seus medos, suas más lembranças. Havia um filme muito longo de conversas com Ino, descontraídas, preciosas, todas palavras sinceras ditas para que fossem ouvidas por seus corações. Estava certo quanto ao seu sentimento, o que sentia ao pensar em Ino mesmo sem ser capaz de ter lembranças dela, aquela mulher era especial para si. Ela tinha se tornado a sua mulher, a amava.

A sede tinha sido atacada enquanto Nagato dormia por influencia de Sakura, a lembrança era engraçada, pois Ino tinha lhe dito que Konan descobrira estar grávida. Entretanto o fato fez com que fossem pegos de surpresa e seu esconderijo fora completamente destruído, ou quase todo, seu galpão de "arte" se manterá em pé. E era lá que estavam.

Na manha seguinte Ino ia seguir com Sakura e Madara em uma missão sem sentido, o loiro mesmo sem entender o motivo, tinha medo disto. Mas não fora capaz de pensar em muita coisa quando sua loira apareceu no local vestida com um belo lingerie. "É para você lembrar de mim" ela disse exibindo o belo corpo que ele amava, ambos sabiam que iriam passar muito tempo longe, pois o caminho que Pain pedira para o trio seguir era o mais longo que havia.

Após a noite amor, ficaram abraçados conversando, não conseguia lembrar da conversa, mas via seus lábios se mover em frases mudas. Suas mãos unidas enquanto conversavam assuntos sérios com expressões diferentes daquelas que gostava de ver no rosto da garota após uma noite de amor.

E entre as palavras mudas via claramente o corpo de Ino se esvair como se deixasse de ser físico. Odiou-se por não conseguir lembrar de mais nada dela, o que aconteceu depois? Por que não era capaz de lembrar? Temia o sentimento de que aquele fora seu último momento como ela verdadeiramente ao seu lado. E antes de o corpo esguio desaparecesse por completo ouvira novamente aquela voz de Ino que ecoou por sua cabeça "Eu sei que você vai acordar, Deidara".

E mais uma vez, acordou em seu quarto escuro. Sentia-se febril e pela primeira vez sentia o corpo doer, como um indicativo de que estava dormindo demais. A cama não era mais tão confortável, sentiu vontade de se levantar, mas não tinha forças, e esta falta de forças fez a escuridão do lugar também não ser mais confortável e aconchegante como era antes. Agonia, muita agonia. Queria sair dali, mas tudo o que conseguiu fazer foi fechar os olhos.

Tinha acordar? Do que? Por quê? Como? Tudo o que tinha era aquela cama quente naquele quarto, que de tão escuro já nem sabia mais se era seu mesmo. Afora isso apenas os sonhos de suas memórias. Até mesmo elas estavam distorcidas, lhe pedindo para acordar.

Vermelho. Havia vermelho se destacando no preto, girando girando como a roda da fortuna esperando para marcar a morte. Vermelho e preto girando como aqueles olhos da morte. Pensou em Itachi, mas a menção ao moreno o fez perceber um rosto feminino e cabelos cor de rosa. Sakura, aquele eco de Ino estava conversando com Sakura. Era Sakura quem estava ali? E como as suas outras memórias distorcidas tinha os olhos de Itachi, ou era Itachi ali, distorcido pela imagem da delicada flor?

– Onde está Ino? – Questionou o loiro.

– Esperando você acordar. – Ela respondeu.

– Eu não entendo. Eu estou acordado.

– Não, você não está.

– Estou sim, aqui no meu quarto. Você e Ino saíram com Madara para fazer o caminho mais longo até o esconderijo.

– Deidara você não se lembra? – A rosada perguntou espantada, não obtendo resposta melhor do que o olhar confuso do loiro, ele não sabia do que deveria lembrar. – Você vai ser forte o suficiente para sobreviver. – Disse, a palavra sobreviver fazendo o loiro arregalar os olhos em sua direção, mas no instante seguinte não foi mais capa de ver nada.

Estava tudo muito branco, muito claro. E na medida em que sua visão ia voltando viu o preto se unir ao branco em um mundo monocromático. As palavras de Sakura fizeram sentido, pois sabia que aquele era Tsukiomi e poucos sobreviviam a visita àquele mundo. E ali estavam, ele, Kisame e Itachi, todos olhando para um chão revirado.

Estava sem paciência, Kisame e Itachi tentavam encontrar respostas que não existiam. Perdias, Ino e Sakura estavam perdidas e haviam chegado em um beco sem saída. Não havia nenhuma pista de para onde deveriam ir para encontrá-las e o medo de perder Ino se apossou do loiro que ignorou uma ordem direta de Itachi em preservar o solo e explodiu tudo.

Todos veriam aquela explosão, mas ele rezava apenas que Ino pudesse vê-la e lembrou-se de sorrir quando uma coruja se aproximou. Aquele jutsu que odiava tanto foi amado naquele momento em que pode seguir uma coruja até o local onde Ino estava ferida e Sakura desacordada. Havia felicidade por estarem todos juntos novamente, Ino era a nova líder da organização, mas tiveram que se separar novamente, pois a rosada não podia correr o risco de se envolver em uma luta no estado físico em que estava.

E a partir deste momento o filme de lembranças em preto e branco passou mais rápido ainda. Lembrava do sorriso de Ino e de sentir finalmente o conforto da mulher que amava em seus braços, uma loucura devotada de amor sob o anoitecer melancólico. Melancólico demais para um reencontro, sem perceber, estavam dizendo adeus sob um belo céu alaranjado.

Após isso, apenas sangue e o barulho metálico de kunais. Ele fazia o campo de batalha se movimentar enquanto que Ino dava o melhor de si no solo. Estavam indo bem, Hidan e Kisame logo seriam alcançados e com eles quatro a batalha estaria certamente ganha. Mas algo não saiu como planejado.

Alguém não era para estar lá, mais um Uchiha malito neste mundo. Não podia matar Itachi, mas não se deixaria ser vencido por mais nenhum Uchiha neste mundo, mesmo se ele não estivesse atentando contra a vida da mulher que amava.

Não sabia o que aquele idiota estava fazendo ali, mas Ino era a líder do grupo e daria tudo de si para protegê-la se isso fosse preciso. Morreria por sua amada se isso fosse o que ela precisasse no momento. Infelizmente, não via outro meio de derrotar Sasuke senão aquele.

Hidan e Kakuso entenderam, Hidan tirou Ino do lugar. Queria tanto poder olhar nos olhos dela uma última vez, e num movimento rápido viu a loira se desprender dos braços fortes do imortal e correr em sua direção, não havia mais tempo de voltar atrás, mas pelo menos pode ver o azul de seus olhos uma última vez.

Deidara sentiu-se acordar mais uma vez, estava tremendo, mas n ao queria abrir os olhos. A última coisa que trouxera consigo do mundo foi a expressão de medo na face daquela a quem tanto amava, agora quem tinha medo de abrir os olhos era ele. Não queria saber onde estava, não precisava pertencer a este mundo.

Então mais vozes voltaram a falar em sua mente, mas erma diferente de quando ouviu as vozes de Ino e Sakura. Estes ecos eram de outras lembranças, lembranças que nem sabia ter.

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– Eu fiz tudo o que podia Ino, ele está completamente curado. Mas está em coma, e não posso dizer por quanto tempo isso irá dura. – sentiu-se um intruso ouvindo a conversa de duas pessoas, era estranho.

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– Sakura disse que conversar com você ajudaria. Ela disse que você pode ouvir tudo ao seu redor, e que talvez ouvir uma voz conhecida possa te ajudar a acordar.

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– Nee Kakuso, você acha mesmo que ele pode ouvir tudo o que dizem perto dele? – Reconhecia aquela voz como sendo a de Hidan.

– Como vou saber? Mas se ele pudesse ouvir, mandaria ele acordar de uma vez, pois eu não entrei na Akatsuki pra virar baba de loiro idiota que resolve se explodir. – Ouviu também Hidan rir deste comentário.

– Tsc...essa puta loira tem que acordar de uma vez, eu não queimei quase todo o meu corpo pra proteger a vadia dele a toa.

– Não foi a toa, ela é a líder deste budega. E a propósito, você chamou sua líder de vadia.

– Tanto faz. Nee podemos aproveitar que só tem a gente aqui pra jogar strip poker?

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– Por que você não acorda? Os dias estão passando sabia, e eu preciso de você aqui. – A voz de sua loira se repetia entre a dos outros.

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– Você tem que acordar sabe, – Aquela voz suave era de Konan – Eu sempre vejo Ino aqui conversando com você. Você precisa acordar, precisa voltar por ela.

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– Tsc.. é muito raro eu ficar aqui sozinho com você, mas eu vejo a Sakura e Ino trabalharem duro pra encontrar um meio de você acordar. Acorde logo cara, a Ino tá ficando um porre sem você por perto. – este era Kisame.

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– Deidara, eu preciso que você acorde, estamos no meio de uma guerra. Eu preciso de você aqui, por favor... – mais uma vez lá estava Ino, sua voz estava diferente, quase como se o desesperado fosse seu tom natural.

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– Você está exausta Sakura. – Ou viu a voz de Itachi falar.

– Estou dando o meu melhor, se houver um meio de fazer ele acordar mais depressa, eu quero ter certeza de que vou encontrá-lo. Por favor conecte isso ali pra mim.

– Viu só Deidara, trata de acordar de uma vez Sakura está se matando praticamente e eu bancando baba seu. Baka.

– Eu diria que ele ficaria muito satisfeito em ver o Uchiha bancando o serviçal – Riu Sakura. – Mas é bom que acorde logo.

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– Por que você não acorda? Acorde, por favor... O que eu tenho que fazer para você acordar? – O tom de voz usado por Ino doía.

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E por muito tempo aquele tom sofrido era só o que ela usava, aquele tom seguido da expressão de medo que ela tinha na última vez que a viu. Apelos sofridos de Ino seguido por outro até que o silêncio foi cortado pela voz de rígida de Sakura, censurando Ino. E finalmente o silencio quase completo.

Um peso extra tomou conta de seu corpo, estava realmente dolorido e qualquer tentativa de movimento causava dor. Um bipe chato que não prestou atenção, mas já estava presente em suas memórias, estava estridentemente alto. Sua audição estava tão sensível e confusa quanto qualquer outro sentido. Seus pés estavam gelados, mas havia algo muito quente em sua mão, quis se agarrar àquele calor e com muito esforço fechou sua mão que estava quente e pode perceber que aquilo era uma mão que segurava a sua. Teve outro aperto como resposta, e talvez dedos em seus cabelos.

– Ele está acordando! – Ouviu a voz que tanto queria ouvir, e ela não estava mais carregada de dor.

– Deixe Ino, os sentidos dele vão estar todos bagunçados. Deixe que ele acorde com calma. Não se preocupe mais, ele já voltou, só precisa de tempo.

– Sim.. – Ouviu a resposta e agora tinha certeza, aquilo eram dedos em seu cabelo.

Algo quente pingou sobre a pele de seu rosto, e ele aperto mais uma vez a mão pequena entre a sua. Ainda não conseguia abrir seus olhos, pois estes doíam, mas queria que ela soubesse que estava ali e mesmo que dormisse, logo acordaria.

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Eram quatro torres no mais completo estilo oriental, os prédios eram cercados por altos muros e no pátio central, havia vários alvos e objetos de treinamento.

O prédio na frente à esquerda, tinha como característica principal a ampla e completa enfermaria no primeiro andar, Sakura era a responsável por aquele local, e tinha ali tudo o que poderia desejar tanto para simples cuidados pós batalhas, quanto uma pequena UTI completa, para que não ficassem mais na mão em caso de emergência. No segundo andar havia uma ampla sala comunal e uma cozinha bem equipada, mas a partir dali a subida pelas escadas era barrada por um complexo selo em cor vermelha e a imagem em holograma de um demônio mal encarado, que "barrava" a passagem de quem não fosse convidado a subir, vigiando o local sem perder um detalhe com seu ameaçador sharingan.

A escada acima era reta até o topo onde havia uma porta com o kanji "reflexão" usado para indicar a sala de reuniões, mas antes dela, a escada dava acesso a mais duas portas à direita. Na primeira delas havia o kanji do anel de Uchiha Itachi e ali dentro havia um mundo particular dedicado ao moreno, eram seus aposentos. E na parada seguinte, o kanji do anel de Sakura marcava o lugar que era seu naquele prédio. E o último ponto era então a sala de reuniões da Akatsuki, todos os prédios tinham uma, mas aquela era na cobertura e cercada por janelas de vidro que lhe davam uma vista panorâmica da vila.

Logo atrás, o outro prédio da esquerda tinha um amplo laboratório de pesquisas. Kakuso era o responsável por aquele local, mas não era o único Akatsuki que o usava. O local também era equipado com todo material desejado, também tinha como andar superior uma ampla sala comunal e cozinha. A partir da sala comunal uma escada circular levava a um corredor igualmente protegido por um triangulo de sangue no chão, ninguém que não fosse convidado passaria ali sem que o devoto de Jashin soubesse.

O corredor levava a uma sala de reuniões no fundo e a outra escada à direita. Subindo pela escada, a primeira parada levava a porta com o kanji do anel de Hidan, a segunda o de Kakuso e na terceira a de Kisame. Um andar para cada um, para que seus aposentos tivessem estrutura para oferecer a cada um tudo o que precisavam.

De frente para este, no lado direito do complexo ficava o prédio da liderança da Akatsuki. A proteção aqui estava logo no primeiro andar, o local não tinha portas e não barraria a entrada de ninguém, mas também não permitia que ninguém passasse dali, com exceção de seus membros. No segundo andar havia a sala comunal mais ampla de todas, acoplada com uma cozinha em estilo completamente oriental para aproveitar melhor o espaço, era ali que a Akatsuki se concentrava. A sala de reuniões ficava logo acima, somente após esta vinham os aposentos de Deidara. E escada acima os de Ino, acima deste ficava a sala da liderança, e externa a esta havia acesso a cobertura do prédio.

Na frente e mais imponente ficava o prédio do líder de Amegakure. Também possuía as portas abertas, e como segurança os fantoches de Nagato. A sala comunal era grande e ampla como a do outro prédio de liderança, mas a cozinha aqui ficava ainda um andar acima, dividindo andar com a sala onde os documentos da vila eram guardados, havia um pequeno almoxarifado ali também. Acima logo se tinha acesso a sala de reuniões, seguida pela sala do líder, e acima destes, resguardados, ficavam os aposentos de Pain e Konan e mais a cima os de Arashi. E como no prédio anterior, da sala do líder se tinha acesso até a cobertura do prédio.

Era neste local em que a Akatsuki vivia, não se escondia. A missões deram continuidade a reputação do time que continuava temido e respeitado por todas as nações. A vila não torceu nariz pela aliança entre Amegakure e a Akatsuki, eles tinham mesmo muita lealdade e admiração por seu líder, e respeito pelo anjo da morte que o acompanhava.

Além da pilhagem, a Akatsuki treinou os ninjas daquela vila que se transformaram tão respeitados quanto seus mestres. Suas missões também incluíam difíceis conquistas que serviam principalmente para inflar cada vez mais o ego de sua líder, Ino era vaidosa e não admitia falhas em sua equipe. Afora este pequeno detalhe, era uma boa líder e todos a respeitavam e viviam em harmonia.

Tanto ela quanto Sakura haviam conquistado aquilo que queriam quando deixaram sua vila natal para trás, no caso de Sakura, até mais. Elas nunca imaginariam que ao dar um passo para fora da vila causariam toda aquela história, mas se soubessem, se houvesse mesmo uma mísera pista que em meio a tanta confusão conquistariam tantas experiências e pessoas maravilhosas, que mudariam tanto o modo de pensar, agir ou simplesmente a forma como viam o mundo, teriam deixado Konoha da mesma forma, com a mesma determinação.

Enfrentariam novamente o desconhecido, aceitariam ajuda da mão que deveriam morder. Mentiriam para preservar aqueles que um dia pensaram preencher as linhas vilãs da história, e permitir-se-iam a conhecer também a narração do outro lado dos mesmos fatos. E se surpreenderiam novamente, amariam como nunca amaram ou foram amadas, sofreriam de uma forma nunca imaginada e dariam ainda mais valor as suas vidas.

Mas depois de tudo seriam as pessoas que desejavam ser, mesmo a dor é necessária para se chegar à felicidade. No fim cada experiência teria valido a pena, pois tinham encontrado o seu lugar no mundo, o lugar certo no qual cada um se encaixa.

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A few years later...

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O sol brilhava intenso naquela manhã, alto e solitário destacando o azul sem graça daquele dia quente de verão. Um dia tão raro para o clima de Amegakure, mas tão digno de um belo final feliz para qualquer história onde lindas princesas encontram a eterna felicidade ao lado de seus príncipes, mas esta não é uma história de princesas e as garotas desta história não vivem em um conto de fadas.

Princesas não tem o corpo rígido e bem formados, suas mãos não são calejadas por lutas sem fim, sempre prontas a superar as dores para o próximo ataque. (salva a Cinderela que deve morrer de dores com aquele sapatinho de cristal, mas não tira ele kkkkk) Princesas não matam e definitivamente não vivem de uniforme, sempre prontas para um possível ataque ao lado de seus príncipes, que nessa história, de encantados não tem nada... a não ser é claro pelos traços perfeitos de suas boas aparências e pelos corpos absolutamente fabulosos.

E se suas guerreiras eram fortes, eles eram ainda mais. Não para protegê-las como frágeis princesas afinal, já chegamos à conclusão de que elas não são nada disso, mas porque tão diferentes dos príncipes cheios de honra e glória em suas mãos não pesava apenas o metal da espada afiada, mas por elas também escorria o sangue de seus inimigos e o suor árduo de cada vitória necessária onde quem perde sempre morre. E é claro que também diferente dos príncipes eles nunca foram sapos, pelo menos não fisicamente embora como o frágil e grosseiro anfíbio eles viviam na fossa e na escuridão.

A maldição desses homens não veio pelas mãos da bruxa invejosa, mas pelos caminhos que o próprio destino desenhou ao avesso sob seus pés. A ira dos homens que lhes mostrou a face da guerra tão cedo e o medo de passar por todo horror mais uma vez, sempre mais uma vez no ciclo infindo da ira de uma raça que odeia aos seus iguais fez com que cada um deles buscasse por seu próprio caminho amaldiçoado a eterna busca pela paz. Do único jeito que conheciam, pelo único caminho que o destino lhes mostrou; pela própria guerra, pela própria ira. Mas como os príncipes transformados em sapos dos contos de fadas, todos eles tiveram suas almas lavadas e suas maldições quebradas quando as encontraram, elas tão imperfeitas quando a história escrita sobre elas e que no fim se tornaram princesas deste mundo irreal e imperfeito onde vivem.

Havia meses que o sol não se mostrava daquela forma através do cinza nebuloso da região. Os prédios de torres altas característicos da fantasmagórica cidade expunham a vida que havia dentro deles, através das várias janelas abertas, onde cada morador daquela vila fazia de tudo para aproveitar o máximo do calor do sol. E no prédio mais alto de Amegakure, isto não era uma exceção.

Era na cobertura do líder de Amegakure que toda a Akatsuki estava reunida, aproveitando os momentos de paz. Muitos deles haviam acabado de voltar do estrangeiro, finalizando com sucesso uma operação que resultou em um acordo de subordinação com a vila da Estrela. As batalhas não tinham acabado, como previam já nos tempos em que quase entraram em uma guerra contra Konoha, mas o grupo podia desfrutar de alguns momentos de paz e tranquilidade.

Visto de cima, destacava-se um cara de cabelos claros sem camisa lustrando sua foice sob os raios de sol, próximo a ele, o homem tubarão e o velho Kakuso jogavam poker sob alguma sombra improvisada. Pein e Konan observavam de longe os passos cambaleantes de sua pequena filha. Ino e Deidara eram quase invisíveis, afastados do grande grupo em sua eterna lua de mel duplamente melosa após o retorno do loiro de seu coma. E Sakura e Itachi estavam sentados um de frente para o outro no banco que ornava a cobertura junto com a longa mesa de refeições, conversando sobre muitas coisas entre um carinho e outro, mas discretos.

E no meio de toda essa gente circulava a curiosa e recém "ser capaz de caminhar sob as duas pernas sem auxílio de chichi ou haha". Uma criaturinha minúscula que cambaleava e ria das caretas que o Kakuso oji-san fazia quando o Kisame oji-san puxava todas as pecinhas coloridas da mesa para si. Kakuso não era o seu "titio" mais amargurado que tinha, mas perder dinheiro para uma criatura com metade do seu cariótipo descendente de peixes era o fim, mas a menina de apenas três anos nada sabia sobre o poder do dinheiro sobre o mais velho.

Assustada com a careta do "titio", resolveu se aproximar da mesa onde Itachi e Sakura estavam. Itachi oji-san era o que ela mais gostava, chichi tentava lhe ensinar a chamá-lo de outro nome, mas era grande e difícil de mais para a pequena que se enrolava até mesmo para chamar do seu jeito, Itachi-nadusan. O moreno não era o mais ativo com a criança, mas há sentimentos que não precisam ser falados ou serem exaustivos para serem percebidos; principalmente pelas mentes de alta percepção das crianças.

Sakura botou a menina sobre o banco entre os dois, sorrindo para a mesma que falava coisas enroladas e incompreensíveis enquanto tentava alcançar uma faca de fio sobre a mesa, quase se desequilibrando e caindo com a mesma em mãos. E teria se Itachi não tivesse afastado a faca enquanto Sakura firmava o corpo da menina no lugar.

– Primeiro aprenda a se sustentar direito Arashi-chan, depois comece a escolher suas armas – Disse o Uchiha passando o dedo pelo beiço acentuado de birra que a menina fez.

– Nadu-san... – Disse ainda emburrada esticando o bracinho para mostrar a kunai presa a roupa do moreno.

– Ela quer ser parecida com o padrinho dela. – brincou Sakura de forma suave.

– Igual Nadu-san... – repetiu a menina.

– Um dia quem sabe, depois que você aprender a andar direito. – Disse o moreno afagando os cabelos da menina.

– Nee Arashi-chan, Itachi-san será seu sensei. – Disse a rosada fazendo o bico da menina desaparecer e Arashi voltar de forma desengonçada para o local onde seus pais estavam.

– Chichi.. Itachi sensei Arashi-chan... – A menina gritou e foi acolhida pela atenção dos pais.

– Ela gosta de você. – A rosada disse sorridente.

– É o meu charme. – O moreno respondeu baixo, fazendo Sakura reforçar o olhar sobre o mesmo e rir antes de prosseguir.

– Você adora crianças! – Não era uma pergunta, era uma afirmação. Uma compreensão súbita que tinha a atingido.

– Ela não é má. – Disse o moreno.

– Não minta para mim Itachi, você simplesmente adora crianças. – Disse, fazendo o moreno sorrir. – Você seria um ótimo pai.

– Eu pretendo um dia ser. – corrigiu o moreno, conquistando toda a atenção da rosada. Nunca tinham conversado sobre aquele assunto.

Sakura engoliu em seco, tentando processar toda a informação do moreno. Aquele era um assunto delicado e a forma como o moreno tinha corrigido sua fala lhe dava a estranha impressão de que ele queria ser pai... em breve. Estranho era que ela nunca tinha pensado sobre isso.

– Você está me pedindo um filho? – quis saber a rosada de forma direta, que fez o Uchiha sorrir antes de lhe selar os lábios de forma rápida.

– Não estou te pedindo nada. – Disse passando os dedos pelos cabelos da rosada. – Além do mais eu sei que como medinin você só irá ter um filho quando quiser que isso aconteça.

– É apenas um ninjutsu sabe, que impede os folículos maduros de serem liberados do ovário, mesmo que ele fosse desfeito, engravidar não é a coisa mais fácil do mundo.

– Não entendi. – Disse franzindo o cenho.

A rosada sorriu. Havia feito o selo há tanto tempo que nem se lembrava mais dele, ela e o moreno nunca haviam falado sobre aquele assunto antes, mas estava certo, com Itachi ao seu lado e com seu lugar certo naquele grupo, não havia motivos para aquele selo existir. As mãos dela se uniram em um selo que mais parecia um movimento para meditação, e seus olhos se fecharam por algum momento antes de voltar ao normal.

– Medinis fazem um selamento, não é nenhum jutsu nem nada. O selo está desfeito, ainda assim, engravidar não é assim tão simples. – sorriu.

– Ahh mas eu sei de algo que é imprescindível. – Disse o moreno.

– Ee?

– Por que a gente não da este almoço por encerrado e volta pro nosso prédio? – Disse em tom humorado, logo rindo da cara da rosada quando a mesma compreendeu a indireta.

Logo o casal de loiros se aproximou com Deidara olhando a cena de Uchiha Itachi rindo com olhos arregalados. Logo o loiro se apoiou no ombro de Ino em um ar forçado de fraqueza.

– O mundo não é mais o mesmo que eu me lembrava. – Disse fazendo as duas meninas rirem do comentário.

– É que você não foi o único que teve o cérebro operado pela Sakura, amor. – Disse Ino passando os dedos no fios loiros do amado, que ainda estavam curtos e arrepiados.

– Sem querer ofender seu trabalho, Sakura-san, mas acho que quando apertou os parafusos que fizeram ele voltar a enxergar, afrouxou os parafusos que mantinham a cara dele amarrada.

– Você não devia estar tão folgado assim Deidara, ou posso soltar todos os parafusos que coloquei e todas as partes que colei da sua cabeça. – Respondeu a rosada com humor.

– Tá vendo, por isso que eu não gosto de Uchihas. Se acham un.

– Então é melhor se acostumar, por que agora eu não sou mais o único Uchiha do grupo.

– Dela eu gosto um, apesar do ego dela ser ainda maior que no seu... se é que isso é possível. – Implicou Deidara indicando Sakura.

O loiro não lembrava em nada o homem em semi vida que acordou de um longo coma, mas ainda estava mais magro do que deveria estar e um pouco fraco para encarar missões pesadas, mas estava bem e se fortalecendo cada dia mais. Treinava com Ino sobre a supervisão de Sakura, sem exigir mais do que seu corpo poderia aguentar. Com muito esforço, os músculos tomariam suas formas novamente e Deidara voltaria a ser o shinobi anterior. Com exceção talvez dos cabelos, curtos eram tão mais fáceis de cuidar.

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Os olhos azuis reluziam na escuridão, não havia uma luz sequer no local, todo aquele brilho provinha somente de sua ira interna. Fazia alguns anos desde que vira seus amigos Sakura e Sasuke pela última vez. E não era capaz de entender.

Sasuke estava morto, julgado como culpado por crimes que ninguém fora capaz de provar com precisão. Tsunade tinha simplesmente acreditado em palavras que inventaram para ela. Sakura, foi ela quem disse.

Sakura, porque você fez isso? – Perguntou para si mesmo, sem perceber que havia mais alguém ali.

Não foi culpa dela. – Ouviu-se sendo respondido em sua indagação.

Não precisava nem olhar para o lado para saber que a voz vinha daquela mulher de voz doce que estava ao seu lado quando acordou no hospital na última vez que Sakura esteve em Konoha. Achou que fosse uma enfermeira, mas ela fugia do quarto toda vez que uma aparecia. Depois ela lhe contou que não queria ser vista, mas não lhe explicou o porquê.

Era uma linda moça de cabelos alaranjados e olhos em cor de terra, quase vermelhos demais. Linda. Queria apresentá-la à Maito, o menino carente que Tsunade tinha adotado para si e que tinha se tornado seu mais novo melhor amigo. Mas Kurama fugiu, desaparecendo de sua visão quando disse a Maito que tinha alguém a quem gostaria de o apresentar, de alguma maneira a ruiva só aparecia para si.

Parecia com medo, ou insegura de algo. Naruto queria protegê-la e neste ímpeto, nunca foi capaz de perceber que apenas ele era capaz de enxergar aquela bela moça.

Como não Kurama, ela disse para mim que Sasuke tinha feito coisas horríveis. Ela deve ter dito as mesmas coisas para vovó e ela deve ter acreditado.

Sim ela disse! – A ruiva falou com a voz melodiosa se colocando de frente para Naruto. – Mas não foi culpa dela, Sakura está doente.

Doente? – O loiro perguntou repetindo a palavra, proferindo uma sílaba por vez.

Sim. Você não viu? A sua Sakura ao lado daqueles assassinos odiosos, você acha que ela está lá porque quer? A sua Sakura, a mulher que você ama.. você acredita mesmo que ela está lá por vontade própria?

Vovó Tsunade disse que sim...

Ela foi enganada. Sakura está sofrendo naquele lugar, pois não está lá por vontade própria.

Como pode ser verdade? Ela veio até aqui e foi embora novamente.

Você sabe, você conhece as habilidades de Uchiha Itachi. E ele quem mantém Sakura presa lá e também foi ele quem impediu Tsunade de ver a verdade, é o poder daqueles olhos. Os olhos do homem a quem Sasuke odiava.

Todos acreditavam na vila que ele era uma boa pessoa, até que matou todos do seu clã.

Deixou Sasuke vivo apenas para fazê-lo sofrer.

É o poder dele, mentir. Mentir e iludir as pessoas ao seu redor. Ele está mantendo Sakura prisioneira! – Disse Naruto se levantando em seu quarto vazio, sem ver que a ruiva que conversava consigo sorria.

Isso! Salve Sakura Naruto, mate aquele que a mantém presa naquele lugar infeliz. Mate o poder dos Uchihas. Todos eles, cada um dos sharingans. Um por um. Só assim irá libertar sua querida Sakura. – terminou sua frase com um fino sorriso raposino.

Fim!