- Parte 53 -

Snape aparatou na Rua da Fiação com Christine inerte em seus braços. Entrou rapidamente em sua casa modesta, e pousou Christine em uma cama. Correu para o seu estoque de ingredientes de poções, lágrimas desabando de seus olhos negros.

- Você vai ficar bem, Chris, eu prometo - ele murmurava, enquanto misturava os ingredientes em um grande caldeirão.

Graças a alguns feitiços, em poucos minutos as poções estavam prontas. Ele sorveu delicadamente as poções na boca de Christine, e apertou a mão da garota, completamente desesperado.

- Vamos, minha raposinha! Não serei nada sem você!

E debruçou-se na cama, chorando. Em algum tempo, o sono foi mais forte, e ele acabou adormecendo enquanto as poções faziam efeito em Christine.

Enquanto Christine ainda permanecia sem nenhuma melhora aparente, Amy recebera alta na Ala Hospitalar.

- Pelas cenouras do Pernalonga, o que te levou a acabar com o estoque de bebidas do Três Vassouras e do Cabeça de Javali de uma vez? - perguntou Anne, enquanto buscava a amiga na Ala Hospitalar. Queria se certificar de que ela não pusesse uma gota de álcool na boca. Não assim, tão cedo.

- Anne, eu sei que você entende pelo o que eu estou passando. Você já passou por isso.

- Não, Amy, eu nunca fiquei em coma alcoólico.

- Não, não me refiro a isso. Me refiro a ficar longe de quem você ama. Eu vi como você estava quando você e Jake brigaram, e agora eu sinto o mesmo - Amy enxugou rapidamente uma lágrima que havia se formado - Sinto falta da minha fuinha. Eu o amo muito, ele era... A razão da minha vida.

- Eu sei como isso é difícil. Eu sofri muito durante todo o tempo que fiquei longe de Jake, e eu entendo perfeitamente a sua dor. Mas isso não é motivo para você ficar se embebedando... Bom, mais do que você se embebeda.

- Não sou igual a você, Anne. Você conseguiu conviver com a sua dor, mas eu não! Preciso de algo que me faça esquecer tudo! E só uma boa dose de uísque de fogo faz isso!

- Você está errada, Amy. Eu sei que não é reconfortante, mas por enquanto, nada vai fazer você esquecer isso. Digo isso por experiência própria. Eu até namorei Sam para ver se esquecia Jake de uma vez por todas, mas eu não consegui. Acho que só o tempo consegue curar essas feridas.

- Tempo! Sempre o tempo! Não tenho paciência em esperar o tempo passar! Eu simplesmente não vou suportar!

- Eu estarei com você, Amy. Não gosto de te ver assim, e vou fazer tudo o que puder para ver um sorriso seu de novo. E, sabe, Jasper não merece as suas lágrimas. Se ele sentisse algo realmente verdadeiro por você, ele teria mandado a anã pastar. Vai demorar, mas você vai ver, logo logo você vai superar e vai encontrar um cara que te ame de verdade.

Amy apenas deu um sorriso triste, e abraçou a amiga.

- Eu queria acreditar nisso, queria mesmo. Mas obrigada por ficar ao meu lado. Não sei o que eu faria sem você e sem Chris.

À menção do nome de Christine, o coração de Anne se apertou. Ela contara a Amy sobre o que havia acontecido com Christine, mas Amy estava realmente certa de que a amiga voltaria sã e salva. Anne torcia por isso, mas ela tinha medo que Snape aparecesse com notícias ruins.

- Amigos são pra essas coisas - disse Anne com a voz fraca, enquanto Amy ainda a abraçava.

Depois disso, as duas foram para o dormitório. Anne fez uma expressão de surpresa quando entrou.

- Mas que porra é essa? - indagou, enquanto dirigia-se à sua cama.

Aos pés da cama de Anne, havia um grande malão, que a garota abriu, extremamente confusa.

- Mas... O que todas as minhas coisas fazem aqui?

- Anne, a bêbada aqui sou eu, não você. Esse é o seu malão de Hogwarts, não é? - perguntou Amy, enquanto agachava-se ao lado de Anne para ver o conteúdo do malão.

- Não, não é. Essas são todas as minhas coisas, que estavam em casa - o olhar de Anne se demorou em uma caixinha de madeira, que estava ali dentro - Não entendo, porque elas estão aqui?

- Tem um bilhete!

Anne arrancou o pedaço de pergaminho das mãos da pobre bêbada, e o leu em voz alta.

- "Já que você não é mais da nossa família, não precisa mais voltar para a nossa casa. E que você não se atreva mais a usar o sobrenome Hale, já que não tem honra nem dignidade para tanto. Sarah e Nathaniel Hale"

Anne rasgou o pergaminho em inúmeros pedacinhos. Tirou a caixinha de madeira de dentro do malão e fechou a tampa com um estrondo.

- Ótimo! Sem família e sem um sobrenome! - exclamou, enquanto pousava a caixinha em sua cama.

Jake, atraído pelo barulho que Anne havia feito ao fechar o malão, entrou no dormitório.

- Como assim você não tem um sobrenome?

Anne acalmou-se ao ver o namorado, e explicou tudo. Ao ver que depois disso o lugar ficara estranhamente silencioso, Amy retirou-se discretamente do dormitório, deixando os dois completamente a sós.

- Não te abandonarei, Anne. Te levarei comigo para La Push. A casa é pequena, mas nós damos um jeito. Agora, quanto ao sobrenome...

- Esqueça o sobrenome, Jake. Conseguirei viver sem um.

- Tem certeza, Anne Black?

- Black, é? - disse Anne, com um largo sorriso - Mas só terei seu sobrenome quando nos casarmos, Jake. E acho que ainda é muito cedo pra isso.

- E daí? Pra mim você já é Anne Black. Pode dizer pro mundo inteiro.

- Falando em dizer... Tem mais uma coisa que eu quero que você saiba.

Anne pegou a caixinha, e a segurou firmemente nas mãos.

- Minha avó, Clarice Hale, era vidente. Não uma vidente charlatã que nem a Profª. Trelawney, minha avó era uma vidente de verdade. E tinha um bom coração. Acho que ela era a única pessoa da minha família que eu realmente amava. Em seu leito de morte, ela me entregou essa caixinha, e me disse apenas quatro palavras: "fique com o lobo". Na época eu não entendi, mas hoje isso faz todo o sentido.

Nisso, Anne abriu a caixinha, e de lá retirou dois colares: um com um pingente de lobo, e outro de coelho. Jake os olhou, fascinado.

- Foi ela que fez esses colares, Jake. Há muitos anos. Toma, fique com esse. Não que eu esteja pedindo para que você use - continuou Anne, entregando o colar com pingente de coelho a Jake, e ele prontamente colocou o colar. Anne fez o mesmo com o colar com pingente de lobo.

- Essa é a maior prova, Anne. De que o destino sempre soube que nós ficaríamos juntos.

- Eu te amo, Jake.

- E eu te amarei para sempre, minha coelhinha.

Enquanto isso, na Rua da Fiação, Christine abrira os olhos. Estranhou o lugar onde estava, mas ao levantar-se, ela sabia que não podia estar em lugar melhor. Vira Snape dormindo profundamente, e ela tinha certeza que ali não poderia ser outro lugar a não ser a casa dele. Jessy acariciou os cabelos de Snape, que acabou acordando a esse menor toque.

- Chris? Que bom que você está bem! - indagou Snape, envolvendo a amada em um forte abraço.

- Graças a você, Sev. Você salvou a minha vida.

- Isso não teria acontecido se eu não tivesse criado aquele maldito feitiço. Me perdoe.

- Não se culpe, amor. A culpa é da minha mãe doida, que usou aquele feitiço.

- Você não devia ter ficado na minha frente, Chris. Eu é que deveria estar em seu lugar agora.

- Se depender de mim, ninguém nunca atirará um feitiço contra você. Eu faria isso por você quantas vezes fosse necessário.

- Por você eu também faria o mesmo, raposinha.

Christine abriu um largo sorriso, e puxou Snape, de modo que ele ficasse sobre ela. Ela queria provar o quanto o amava, e o quão recuperada estava.