Rachel provavelmente nunca tinha dirigido tão rápido em toda a sua vida e, em menos da metade do tempo normal, estava tocando a campainha da casa de Finn. Tendo visto que era ela pelo olho mágico que havia na porta, o rapaz a abriu, animado, mas logo seu sorriso murchou, ao ver que os olhos dela estavam extremamente inchados e que seu semblante era de uma tristeza que ele jamais vira em sua garota.
"Rach, meu amor, o que houve? Aconteceu alguma coisa com seus pais? Com a Lyd?" Perguntou, aflito, abraçando a namorada e puxando o corpo dela junto do seu para dentro de casa.
"Não, Finn. Tá tudo bem. Eu só..." Engasgou, sentindo a garganta apertar pela vontade de chorar de novo, então decidiu que era melhor que ele visse por ele mesmo, e lhe entregou o envelope timbrado que chegara da Califórnia.
"O que é isso?" Ele disse baixo e lentamente, na verdade já prevendo que ela não havia sido aceita na faculdade de LA.
Ela se jogou no sofá, cansada, e ele sentou ao lado dela, tirando a carta do envelope e confirmando o que tanto temia. Mesmo com todos os esforços empreendidos, Rachel não tinha ido bem no teste feito com Isabelle Wright e a faculdade de teatro de Los Angeles não tinha separado uma vaga para ela, naquele ano.
Finn abraçou Rachel com força e a deixou encharcar sua camisa com lágrimas, por minutos a fio. Não se importava nem um pouco com a camisa ou com a própria vontade de chorar.
É claro que Hudson queria que a namorada e ele fossem juntos para Los Angeles, e lutassem por suas carreiras naquela cidade tão promissora, mas também tão assustadora, juntos, apoiando um ao outro sempre, cuidando um do outro e oferecendo um ao outro o amor que só eles sabiam compartilhar. Entretanto, naquele momento, muito mais importante do que seu desejo de não ficar longe de sua pequena, era o futuro dela, seus sonhos, a profissão que ela tinha escolhido e da qual ele não queria que ela abrisse mão para estudar Direito e seguir os passos da mãe.
"E as outras cartas, Rach? Você recebeu mais alguma?" Ele perguntou, quando sentiu que ela estava menos tensa no seu colo.
"Uhum." Ela balançou a cabeça, positivamente. "Eu vou poder fazer teatro, Finn. Eu fui aceita em Chicago." Tentou sorrir, mas, apesar de sua boca se movimentar, seus olhos não apresentaram brilho algum.
"Isso é ótimo, Rach." Ele disse, soltando um suspiro de alívio. "Peraí... você falou Chicago? Não foi New York, foi... Chicago?" Ele quase gritou as palavras, e sorriu, largamente, ao vê-la balançar a cabeça, afirmativamente, mais uma vez. "Rachel, babe, eu também fui aceito em Chicago! Isso é fantástico! A gente pode alugar um apartamento e..."
"Não, Finn." Ela o interrompeu, muito séria. "Não."
"Não? Como assim não?"
"Não. Você não vai pra Chicago comigo. Eu vou pra Chicago... só eu. E você vai pra Los Angeles, como você sempre quis... como tem que ser."
"Mas... por que?" Ele perguntou, confuso. "Eu quero ficar com você. Eu não quero ir sozinho pra Los Angeles. A escola de Chicago é ótima também e..."
"Não, Finn." Ela repetiu, interrompendo de novo. "Em Los Angeles fica a melhor escola. E não tem só a escola... tem a sua banda, que passou todinha pra lá e... vocês já tem até um lugar pra morar, que a Katie me contou." Ela suspirou, frustrada, por ver o rosto dele ficando triste. Tudo que ela queria era que ele fosse feliz! "É lá que estão as melhores oportunidades também, e eu não posso deixar você desistir de tudo isso por mim. Eu... não posso."
"Rachel, por favor."
"Eu sinto muito, Finn. Eu realmente queria que tudo fosse diferente... que eu tivesse sido aceita em Los Angeles e a gente pudesse continuar juntos..."
"Você vai... terminar comigo?" Foi a vez dele de interromper, ainda que hesitante, com um medo extremo de ouvir a resposta dela.
"Finn... eu só... vou te deixar livre. Livre pra seguir o seu caminho, pra ser quem você merece ser."
"Eu não quero essa liberdade, Rachel. Eu amo você! Por favor... me diz que isso não tá acontecendo." Lágrimas escorriam pelo rosto dele e ela se aproximou, secando-as com as mãos.
"Eu também te amo, Finn. Eu te amo tanto! É porque eu quero sempre poder te amar, que eu to tomando essa decisão." Ele a olhava, confuso, e continuava chorando feito criança. "Se a gente tivesse um relacionamento à distância, a gente ia acabar se magoando com ciúmes... pouca atenção, porque nós dois vamos estar ocupados com os estudos... um monte de problemas que surgem nesse tipo de relação."
"E aí você prefere simplesmente terminar comigo?"
"Eu to me rendendo, Finn. Eu to simplesmente me rendendo às circunstâncias!" Secou as próprias lágrimas. "Não pensa que tá sendo fácil pra mim, abrir mão de você, porque não tá. Nem um pouco. Mas eu teria você pela metade em Chicago e eu... Não! O Finn que eu amo vai ser um astro do rock, junto com a banda dele, em Los Angeles, e ponto final."
"Eu vou te convencer de que isso que você tá fazendo é uma loucura..." Ele disse, ainda inconformado com o término e confiante de que ela mudaria de ideia.
"Não, você não vai, Finn." Ela fez uma pausa e respirou fundo, pedindo a Deus que um dia ele entendesse tudo que ela estava fazendo. "Eu to indo amanhã encontrar o meu pai Hiram na Bélgica, e vou acompanhar a turnê que ele tá fazendo com a orquestra dele. Eu volto uns dias antes das aulas começarem em Chicago, e vou direto pra lá."
"Por que isso agora? Por que essa pressa toda pra se livrar de mim?" A tristeza se misturou com irritação.
"Eu sabia que você tinha feito teste pra Chicago. Eu... tinha certeza que você tinha passado. É claro que você ia achar a coisa mais simples do mundo nós irmos os dois pra lá, então, eu sabia que eu tinha que ficar longe... ir o mais rápido possível pra algum lugar aonde você não possa me seguir e tentar me convencer."
"Mas e o nosso verão? Os nossos planos? A viagem pra praia, com a Quinn e o Puck..."
"Você não entende! Se eu passar esse tempo com você... se eu te amar mais uma vez... eu nunca vou ter coragem de te deixar ir, Finn."
"Então, não me deixa." Implorou, acariciando o rosto dela.
"Eu preciso e você sabe disso. Eu não te amaria do mesmo jeito, se você desistisse de ser tão grande quanto você pode ser, só por minha causa... e você não me amaria igual, se eu te fizesse desistir. É essa a verdade." Ela se levantou e ele imitou o gesto. "Se o nosso amor for tão grande quanto eu acredito que ele é, isso não é um adeus, é só... um até breve. Se for pra gente ficar junto, a gente VAI ficar junto. É só uma questão de tempo." Ela deu um jeito de sorrir, apesar de ela mesma estar completamente destruída por dentro. Decisões maduras podem doer demais!
Os dois se abraçaram, mas Rachel não deixou que ele a beijasse, pois sabia que um contato mais apaixonado colocaria em risco toda a sua resolução. Ela foi embora, deixando pra trás um coração partido e levando outro em pedaços. Sua viagem para a Bélgica, para encontrar o pai, foi longa, cansativa e triste, e nada parecida com a última viagem de avião que tinha feito poucos dias antes, com o agora ex-namorado e uma porção de amigos muito especiais, de quem ela tinha se despedido correndo, sem dar muitas explicações.
Todos os esclarecimentos sobre o que tinha acontecido ficaram a cargo de Finn e ele se sentia ainda mais miserável cada vez que tinha que encarar a expressão de pena no rosto de algum dos amigos. Havia sempre alguma das meninas repetindo as palavras de Rachel e dizendo que eles se reencontrariam no futuro e ficariam juntos, com certeza, ou algum dos meninos incentivando que ele aproveitasse bastante a nova condição de solteiro e fizesse algumas calouras e veteranas cantarem conforme a música dele. No entanto, qualquer tentativa de consolo ou apoio era vã, ao menos naquele momento.
Como não havia mais uma namorada com quem passar o verão na praia, Finn se mudou quase imediatamente para Los Angeles, prometendo voltar a Lima apenas para ajudar Kurt com a própria mudança, que ainda demoraria alguns meses.
Um tio de Justin, que tinha um apartamento de três quartos fechado em LA, ofereceu o imóvel para o sobrinho morar com Josh, Seth e Finn, pagando um aluguel tão simbólico, que os gastos que eles teriam praticamente equivaleriam aos gastos que teriam para viver em quartos no campus. A única coisa que eles teriam que fazer era colocar o imóvel em condições de ser habitado, eles mesmos, e, por isso, os três meninos já tinham ido para a Califórnia e colocado a mão na massa, literalmente.
O verão passou entre a reforma, passeios de ambientação pela cidade, tardes inteiras jogando videogame e noites miseráveis pensando em Rachel e chorando de saudades, antes de conseguir pegar no sono. Os três companheiros de banda e apartamento às vezes tentavam levar Finn a algum programa, mas falhavam miseravelmente na maioria das vezes, principalmente porque os bares não vendiam bebidas para ninguém da idade deles, então a única distração que ele teria em lugares como aqueles estava vetada.
Felizmente, o verão estava chegando ao fim e Hudson tinha esperanças de que as aulas o distrairiam o suficiente para não pensar tanto em sua pequena que estava do outro lado do oceano. Quando começou a contagem regressiva de quinze dias para o ano letivo, ele se sentia tão mais bem disposto que até deixou os garotos darem uma pequena festa e socializou com os amigos deles que foram convidados, pela primeira vez dando uma gargalhada genuína em LA, ao ouvir uma história contada por Eve, o que não passou despercebido pelos amigos.
Rachel também não via a hora de ir para Chicago e começar a fazer novos amigos, que não conhecessem Finn e não ficassem criticando a atitude dela, ou dizendo que ela tinha agido corretamente, mas fazendo uma careta de piedade que ela não aguentava mais ver. Tinha voltado há uma semana a Ohio e já tinha aguentado mais do que o suficiente, mas, infelizmente, ainda teria uma semana pela frente, porque os dormitórios não estavam liberados para os novos estudantes.
Deitada na cama, Rachel pensava em Finn, e quase podia vê-los ali em sua cama se amando, os apenas deitados um nos braços do outro, preguiçosamente, trocando carinhos, elogios, juras de amor e dividindo o amor pelas artes, que era uma das coisas mais legais que eles tinham em comum. Vinha fazendo isso todos os dias, não porque fosse masoquista, mas porque não tinha muito mais o que fazer e, mesmo quando fazia qualquer coisa, tudo lembrava o ex-namorado e aumentava a saudade que sentia dele.
Era mais um dia. Só mais um dia, como qualquer outro daquelas férias. Ou seria, se Rachel não tivesse recebido de repente um importante telefonema.
Acho que ficou um pouco corrido e a cena da despedida poderia ter ficado melhor se eu tivesse estômago pra ver Goodbye e me basear na cena da série,mas eu não tive. Espero que não tenha ficado muito ruim.
Bjs!
