Capítulo 52 - Our Angel

PoV Bella

Um mês depois

Quando eu era pequena, eu costumava imaginar meu futuro enquanto olhava a chuva por minha janela. Eu sentava no parapeito, prestando atenção nos pingos fortes de água batendo nas folhas das árvores e ficava inventando histórias nas quais eu era a protagonista, torcendo para que alguma dessas vidas formadas em minha mente um dia, quem sabe, se tornasse realidade. É incrível até onde vai a mente de uma criança onde sua vida é limitada. Em algumas eu era rica, bem sucedida e dona de um carrão.. em outras eu era uma estrela de cinema famosa, que dava entrevistas na tevê... em outras eu era uma mulher normal, que tinha sua família, seu marido sem rosto e filhos sem rostos; Eram vidas que quando eu realmente pensava, sentia que para mim seriam inalcansáveis.. até o dia em que Edward entrou em minha vida.

Porque nada, nada se comparava ao que eu estava vivendo agora.

Durante todo o tempo em que Anthony esteve em minha barriga, eu me senti diferente. Me senti como parte de uma coisa muito importante, como necessária na vida de alguém e mais do que tudo responsável por ter uma pessoinha dentro de mim que dependeria de todo o meu carinho e amor.

Foi amadurecimento.

Eu tinha que me preparar para encarar o mundo de forma mais forte, em vários aspectos, e sabia que muito iria mudar a partir do momento que meu bebê chegasse em minha vida. Só que no momento em que o tive em meus braços de verdade, na real, eu vi que tudo aquilo que eu havia sentido também não se comparava a um décimo do que eu tinha dentro de mim agora. É incrível como você pode ter certeza de um sentimento, e algum tempo depois ver que ele é fraco demais perto do que você realmente está sentindo.

Após aquele vinte e sete de janeiro, nada no mundo me importava mais, a não ser Anthony e Edward. O amor transbordava em mim de forma bizarra e inexplicável. Era como se não coubesse em meu corpo, em minha alma.. eu precisava me esticar, me estender para suportar toda aquela onda de euforia que havia tomado conta da minha vida junto com o nascimento do meu girassolzinho. As vezes achava que poderia não conseguir suportar a intensidade daquelas sensações, mas era só olhar para Anthony, ou olhar para Edward com nosso filho em seu colo, que tudo se acalmava confortavelmente dentro de mim, me relaxando e me fazendo sentir a mulher mais realizada do mundo.

Estive bastante anestesiada no último mês que passou. Assim que tive alta do hospital, depois de passar uma semana tratando uma anemia e um pouco de pressão alta, foi terrível pisar em nosso lar sem Anthony. Era horrível entrar em seu quartinho azul aconchegante e saber que ele estava dormindo em uma incubadora na UTI Neonatal. Era pavoroso não saber que dia ele voltaria e eu não conseguia pensar em nada a não ser na saúde de meu girassolzinho e em voltar logo para casa com ele. Mas esse grande dia havia finalmente chegado.

Hoje era sua primeira noite em nossa casa, e quem não conseguia dormir era eu. Não só pelo fato de querer olhá-lo o tempo inteiro e me garantir de que tudo estaria bem com ele, pois agora que ele estava bem e que finalmente dormia calmamente em seu bercinho é que a realidade estava me martelando. Charlie ainda estava morto. Reneé ainda tinha sido parcialmente culpada pela vida que tivemos. E Rosalie ainda não sabia que era minha irmã, o que me incomodava bastante e me fazia sentir um pouco negligente. Era impressionante que eu tinha praticamente uma vida inteira de problemas para procurar resolver, e não conseguia pensar em outra coisa a não ser cuidar do meu bebê e dar a ele tudo que ele precisava.

No dia seguinte ao nascimento de Anthony eu liguei para Rosalie e para Emmett. Eu ainda estava muito frágil e emocionada, e adicionando o fato de que eu tinha certeza que ela era minha irmã, acabei não conseguindo falar muito, porque não parava de chorar. Rosalie percebeu as falhas em minha voz e o quanto eu hesitava em conversar demais, mas como ótima amiga - e irmã, - que era, não perguntou muito. Provavelmente também deve ter achado que eu estava com as emoções afloradas por conta do estado de saúde de Anthony. Acabou que um mês já tinha se passado e ela ainda não sabia de nada.

Aquela noite estava tão chuvosa quanto os dias de minha infância, mas nada naquele tempo triste e cinza iria mudar meu humor. Saber que aquela noite estávamos com nossa família completa me deixava extremamente feliz e também me fazia chegar a conclusão que eu poderia deixar de lado aqueles problemas e resolvê-los depois. Porém, a única coisa que eu não podia deixar passar era que eu tinha que contar de uma vez por todas a Rosalie que tínhamos o mesmo sangue. Ela merecia saber. E eu merecia ter pelo menos um membro de minha família no qual eu confiava de verdade e amava. Não minha família de agora, claro. Porque a de agora eu colocaria até minha mão no fogo por todos eles. Carlisle, Esme e Alice, assim como Jasper, seriam pessoas pelas quais eu passaria minha vida inteira agradecendo.

Era meio assustador junto com a felicidade de ter meu filho em casa ter ainda minha tensa vida para resolver. Era como um tiro para a realidade, como pisar em solo desconhecido, ao mesmo tempo que estava passando pela maravilhosa experiência de ser mãe pela primeira vez.

- O que minha menina tanto está pensando, hein? - as mãos quentinhas de Edward me acordaram daquele transe, acompanhando sua voz enquanto ele me abraçava, encostando seu peito em minhas costas e apoiando o queixo em meu ombro. Era muito estranho não ter mais a barriga e o peso que a acompanhava, só que ao mesmo tempo era bom demais ser pequena o suficiente para me afogar nos braços dele, me sentir protegida e saber que aquele abraço era meu porto seguro. Era quem me tiraria dos pesadelos terríveis e quem seguraria minha mão em uma hora difícil. Edward era o meu companheiro, e com ele eu tinha certeza absoluta de que a história de almas gêmeas realmente era verdade. Elas não tem data nem hora para aparecer e a minha apareceu muito mais cedo do que eu imaginava, porém eu me considerava muito sortuda por isso.

- Sei lá. Estou pensando em tudo. - continuei a olhar para a chuva do lado de fora de nossa casa, mas aninhei minha cabeça na sua. - Mas principalmente em Rosalie. - meus dedos seguravam a cortina branquinha e me vi brincando com o tecido, puramente de nervoso.

- Você já avisou a eles que Anthony voltou hoje para casa? - ele deu um beijo no ponto certinho onde meu ombro encontrava meu pescoço. Foi automático o arrepio e a sensação de gelado que subiram dos meus dedinhos do pé ao último fio de cabelo.

- Não, ainda não. - me virei de frente, encontrando seu olhar extremamente sorridente. O quarto de Anthony estava escuro, salvo por uma pequena luz azul de um abajur, mas o sorriso de Edward parecia iluminar ainda mais o ambiente. Ele olhou rapidamente para o berço, onde nosso bebê ainda dormia como um anjinho. Assim como eu, estava aliviado por finalmente ter Anthony em casa. - Acho que eles vão usar a passagem que seus pais deram e vão nos visitar assim que souberem. Tem algum problema?

- De forma nenhuma. - seu sorriso aumentou, e ele inclinou-se para roçar seus lábios bem levemente nos meus. Não sei se era possível, mas hoje, um mês depois de virarmos pais, estávamos ainda mais ligados, mais conectados. Nosso relacionamento se encontrava muito mais intenso e forte do que eu poderia esperar, mas não de uma forma ruim. Era simplesmente e puramente perfeito. - Você pretende contar a Rosalie quando ela chegar aqui?

Apenas assenti, sentindo que meus dentes maltratariam meus lábios a qualquer segundo. Edward segurou meu lábio inferior com os dedos e tirou do meio de meus dentes.

- Não faça isso. Vai se machucar. Você não deveria ficar nervosa com isso... - ele passou o polegar calmamente por minha boca, enquanto me olhava de uma forma carinhosa que ao mesmo tempo que me deixava envergonhada, me fazia sentir extremamente amada. - Ela vai adorar saber que vocês são irmãs.

- Eu sei... - respirei fundo, dando um beijo suave na ponta de seu dedo. - Só tenho medo de que ela fique braba por eu ter demorado tanto tempo para contar a ela...

- Ela não vai. - ele segurou meu rosto e me deu outro selinho. - Você teve seus motivos, meu anjo.. Ela vai entender.

- Eu espero que sim.

Assim que terminei de falar, ouvimos um choramingo bem baixo vindo do berço. Ele já era conhecido, afinal tínhamos passado quase todas as nossas horas do último mês no hospital, ao lado do dono daquele barulhinho.

- Acho que alguém acordou para mamar.. - Edward sorriu.

Sorri, feliz por ter que passar mais uma vez pela maravilhosa experiência de alimentar meu bebê. Na noite em que ele nasceu ele não conseguiu mamar por conta da respiração fraquinha e acabou tendo que tomar meu leite de outra forma, mas hoje, graças a Deus e aos médicos que cuidaram dele, ele já conseguia. E apesar de sentir meus bicos dos seios completamente doloridos com a intensidade que ele puxava o leite, eu fazia sorrindo.

Quando chegamos no berço ele já estava com os dois olhinhos enormes nos encarando. Me inclinei para pegá-lo em meus braços e sentei na poltrona que tinha logo ao lado. Edward sentou-se no braço da poltrona e ficou acariciando meus cabelos enquanto eu cantava bem baixinho para Anthony.

- "You are my sunshine... my only sunshine... you make me happy... when skies are gray... you'll never know boy... how much I love you... please don't take my sunshine away..."

Acariciei sua bochechinha vermelhinha, feliz por agora ele ser um menininho saudável e certa de que momentos como aquele é que faziam tudo valer a pena. Encostei minha cabeça na poltrona e sorri para Edward, que continuava com o carinho em meu cabelo e me olhava. Mas o sorriso dele não estava mais lá. Eu sabia que algo estava chateando-o bastante, e meio que já tinha quase certeza do que era.

- Como está indo o estágio? - perguntei.

- Tá bom. - ele respondeu rápido.

- Só isso? - levantei uma sobrancelha. - "Tá bom?"

- É.. - ele deu de ombros, fugindo seu olhar do meu e olhando para Anthony que já estava quase embalando-se em um soninho com sua boquinha ainda movimentando-se a procura de leite. - Só isso.

- Edward.. - sussurrei.

- Eu sinto falta de vocês, meu sorriso. Eu sinto falta de estar com vocês, de aproveitar minha futura mulher e meu filho, de acompanhar os dias dele, as coisas novas que ele faz...

- Ele ainda é pequenininho demais, amor, ele não vai ficar fazendo coisas novas...

- Aí é que você se engana.. cada dia ele vai fazer. Você vai ver. - ele suspirou e continuou olhando para Anthony. - E eu vou estar no estágio, longe de vocês e mesmo que você me ligue para falar, eu não vou conseguir chegar a tempo...

Minha vontade era de abraçá-lo, porque eu sabia me colocar no lugar dele e sei que eu também não gostaria nunca de ficar longe do meu grande amor e do meu filho, mas Anthony ainda estava mamando e eu não podia me mexer muito.

- Edward, o estágio é muito bom para você, é a realização de um sonho, sem contar que você já está terminando a faculdade... vai ser por pouco tempo... - falei baixo, notando que sempre que eu aumentava meu tom de voz, Anthony espertamente abria um de seus olhinhos para me olhar. Eu não queria atrapalhar seu momento, até porque já estava tarde demais e ele precisava descansar.

- A realização do meu sonho está aqui. - ele pegou minha mão esquerda, que felizmente já cabia a aliança novamente, e deu um beijo em meu dedo. - Em você, em Anthony e em nossa família. - ele respirou fundo. - Mas eu sou responsável, e eu sei que tenho que fazer isso tudo para o nosso bem. Apesar de me chatear muito não poder passar o dia com vocês, eu vou aguentar. - ele continuou com seus lábios em minha mão e respirou fundo, aninhando seu rosto por minha palma.

- Eu te amo. - um sorriso torto escapou de meus lábios. Eu não queria que ele ficasse triste, mas ao mesmo tempo entendia porque ele estava assim.

A boquinha de Anthony foi soltando bem devagar e eu percebi que ele já estava dormindo novamente. Ajeitei minha blusa e me levantei para colocá-lo no bercinho e ao sentir aquele aperto no peito, olhei para Edward.

- Se importa dele dormir com a gente hoje? - mordi meu lábio novamente, com medo da reação de Edward, mas a quem eu queria enganar? Aquele era Edward, aquele era o meu Edward, e eu tinha certeza que ele nunca iria se opor de passarmos a noite com nosso bebê.

- Porque está me perguntando isso? - ele franziu o cenho comprovando o que eu tinha acabado de constatar. - Óbvio que não me importo, meu anjo. Eu também não vou conseguir dormir sabendo que ele está sozinho aqui.

Dei um pequeno sorriso.

- Nós somos muito corujas... - brinquei.

- É que nossa cria é perfeita demais... - ele passou o dedo indicador suavemente pela testa de Anthony que estava um pouco franzida. Será que ele estava sonhando com alguma coisa?

- Ele realmente é perfeito.. - sorri. Edward passou seus dedos por meu couro cabeludo e inclinou-se para me dar um selinho. Me mexi o mínimo que pude para não acordar Anthony.

Pegamos o travesseirinho do berço, alguns lençóis, uma fralda de pano e um brinquedinho e rumamos para nosso quarto, que também estava escuro e bem quentinho graças ao aquecedor. Enquanto Edward arrumava a cama ajeitando-a de uma forma que pudesse nos facilitar, eu coloquei Anthony em posição vertical para ver se ele arrotava, apesar de saber que ele já estava mais do que sonolento. Ao nos deitar, colocamos nosso girassolzinho entre nós dois e deitamos ficando um de frente para o outro. Parecíamos dois babacas, olhando para Anthony sem dar nenhuma palavra, apenas observando sua respiração enquanto ele dormia calmamente.

Edward suspirou e eu notei que ele ainda estava incomodado. Eu queria que ele parasse logo com isso apesar de não saber o que fazer para que ele melhorasse, então com muito cuidado levei minha mão até seu rosto e fiquei acariciando. Ele não me olhou e continuou observando Anthony.

- Porque está tão chateado com esse estágio? - perguntei com cuidado. Não queria deixá-lo ainda pior.

- Não estou mais pensando no estágio. - ele sacudiu a cabeça devagar. - É outra coisa.

- O que é então? - falei baixo.

- Bella, eu não quero que você fique chateada comigo. - ele falou baixo e meu coração apertou. O que estava acontecendo para ele pensar que eu ficaria braba com ele? - Eu sei que de certa forma eu errei, mas pra mim é a coisa certa a se fazer... se você não concorda comigo, me desculpe.

- Edward... o que foi?

- É sua... sua.. é Reneé.

- O que que tem Reneé? - perguntei franzindo o cenho e sentindo que tudo aquilo que eu estava pensando enquanto olhava a chuva estava de uma forma ou de outra vindo a tona, por mais que eu tentasse esconder ou colocar por debaixo do tapete.

- Ela... ela foi algumas vezes no hospital. Atrás de você e de Anthony.

Minha mão que estava em seu cabelo congelou. Eu não conseguia me mexer.

- Quando?

- Diversas vezes... a primeira vez foi na noite que Anthony nasceu. Eu não deixei ela vê-lo... nem ver você... mas ela não desistiu e apareceu na semana seguinte, e na seguinte... e ontem também.

- E porque eu não fiquei sabendo disso? - meus olhos queriam se encher de lágrimas mas ao mesmo tempo eu não sabia porque eu me sentia assim. Não conseguia distinguir se era felicidade por saber que ela tinha vindo atrás de mim ou se era raiva. Raiva de que? Era exatamente essa falta de motivos que me irritava completamente. Eu tinha trilhões de motivos para odiar Reneé, mas na hora que eu ia pensar neles, eles simplesmente desapareciam. Pelos mesmos motivos eu acabei perdoando Charlie. Mas isso era uma coisa que eu não deveria pensar naquele momento se eu estava tentando impedir as lágrimas de sairem dos meus olhos.

- Porque eu sou um idiota covarde. - ele respondeu simplesmente, ainda olhando para Anthony.

- Pára. Você não é isso.

- Não fique com raiva de mim. Eu estava com muita raiva Bella, eu não queria ela ali naquele momento.. ela só te chateou, só te fez chorar.

- Você fez bem. - falei sem saber se eu tinha certeza naquelas palavras ou não. Mas ao mesmo tempo eu não queria que Edward se sentisse mal em hipótese nenhuma. Agindo certo ou errado, ele tinha feito aquilo para me proteger. E pensando bem, eu não sei qual seria minha reação se eu visse Reneé enquanto estava no hospital. Até mesmo para minha saúde acho que aquela foi a melhor decisão a se tomar. - Não fique se culpando, amor. Eu não estou com raiva.

- Eu conversei com Carlisle hoje de manhã e ele disse que eu estava sendo errado em te esconder isso por tanto tempo... já tem um mês que nosso filho nasceu e eu não tive a coragem de te contar. Me desculpe.

- Não precisa pedir desculpas. Não fique assim. - Edward já estava muito chateado e sobrecarregado com as coisas do estágio, eu não queria encher ainda mais sua cabecinha de problemas quando ele sempre agia de forma perfeita comigo. Forcei minha mão a se descongelar e voltei a fazer carinho em seu rosto. Ficamos em silêncio por algum tempo e após um longo suspiro resolvi falar. - Reneé, Rosalie, Charlie... são coisas que eu tenho que resolver. Eu tenho que encarar de uma vez por todas.. e pretendo fazer isso, agora que nossa família está completa e Anthony está em casa. Começando por Rosalie...

- Na verdade... - Edward quase me cortou. - Carlisle hoje de manhã justamente estava falando comigo sobre isso. Parece que ele vem aqui amanhã de manhã porque queria conversar com você sobre Charlie.

- O que tem a conversar sobre Charlie? - olhei para ele em dúvida.

- Não faço idéia. Ele disse que queria falar diretamente com você primeiro. Não quis me meter, meu sorriso. Você sabe como meu pai é. - ele tirou os olhos de nosso girassolzinho e me olhou.

- Sei... - mordi minha bochecha por dentro. Já tinha um mês que Charlie tinha morrido, o que mais eu tinha que saber dele? O que mais tinha de pendente nessa situação?

- Mas não deve ser nada ruim. Meu pai não estava com um semblante preocupado. Então não se preocupe.

- Certo...

Anthony se mexeu bem devagarinho, chamando nossa atenção. Ele apenas meio que se espreguiçou e fez um barulhinho bem baixinho, junto com um suspiro. Edward e eu nos olhamos automaticamente e começamos a rir juntos. Vê-lo fazendo essas pequenas coisas era a coisa mais linda e perfeita de todo o universo. E saber que aquele pedacinho de gente que estava entre nós era um símbolo vivo do amor que sentíamos um pelo outro deixava tudo ainda mais especial.

- Eu amo o cabelo dele... - falei acariciando-o de levinho. - E as bochechinhas...

- O pezinho.. - Edward complementou, apontando para o pequeno pezinho de Anthony, que estava com os dedinhos se mexendo devagar. Eu tinha quase certeza que ele estava sonhando. - Dá vontade de morder, não dá?

- Dá... - sorri, dando um suspiro. - Ele é tudo, Edward.. tudo, tudo, tudo... - meus olhos encheram-se de lágrimas. - Quanto eu falo que eu o amo, sinto que é muito pouco.

- Eu sei como você se sente. - ele olhou para o rostinho de Anthony. - Sei exatamente.

- Isso é tão diferente..

- Diferente demais.. mas é bom. - ele me olhou.

- Muito bom.

- Eu te amo, Bella. - ele levou sua mão em meu rosto e passou as costas de deus dedos pela maçã do meu rosto.

- Eu também te amo. - continuei sorrindo. - Boa Noite.

- Boa Noite meu anjinho. Aliás.. boa noite meus anjinhos.


Quando meus olhos sentiram a claridade no quarto eu os abri rapidamente, em um susto. A cama estava vazia, nem sinal de Edward e de Anthony e eu havia dormido a noite inteira. Como pude dormir a noite inteira e não ficar de olho em meu bebê? Eu sei que eu estava exausta pelo dia anterior que tinha sido cheio indo no hospital buscar Anthony e resolvendo toda a papelada, mas ao mesmo tempo agora eu era mãe e tinha a responsabilidade de estar alerta para quando meu bebê precisasse de mim.

Me levantei, sentindo o carpete quentinho na sola de meus pés e nem me dei ao trabalho de procurar meus chinelos. Saí pela casa atrás dos dois, mas por sorte os encontrei no primeiro lugar que fui. O quartinho de Anthony. Quando percebi que Edward estava tendo um momento com nosso bebê não resolvi avisar que estava ali, então apenas fiquei observando pela fresta da porta a cena linda que estava acontecendo.

Edward estava sentado na poltrona já com sua roupa de trabalho. Calça social preta, camisa cinza e uma gravata também preta, com algumas listrinhas que combinavam com a camisa. Anthony estava em seus braços com aqueles olhinhos enormes, observando atentamente enquanto seu papai cantava baixinho.

Para ouvir: Jack Johnson - Angel

- "I've got an angel...She doesn't wear any wings...She wears a heart that could melt my own, She wears a smile that could make me wanna sing... She gives me presents...with her presence alone...She gives me everything I could wish for, she gives me kisses on the lips just for coming home..."

Segurei na maçaneta da porta procurando não fazer barulho, mas não consegui frear meus olhos de marejarem. Se eu tivesse uma câmera eu teria amado captar aquela cena perfeita e guardá-la. Mas ela estava guardada em minha memória e em meu coração, e câmera nenhuma captaria como meu organismo estava captando agora. Meus pés chegavam a tremer e era como se eu fosse ter um tipo diferente de frenesi, de tanta felicidade que me consumia. Era tão intenso que me dava vontade de gritar para o mundo inteiro que eu tinha dois meninos perfeitos na minha vida. A voz de Edward era calma e tranquila, e Anthony prestava atenção como se aquilo fosse tudo em sua vida. Nem o brinquedo que estava na outra mão de Edward parecia chamar a atenção de nosso bebê. Ele só queria ouvir a voz de seu papai, e eram momentos como esse que me faziam enxergar o quanto que eu tinha que agradecer a Deus pela família que ele tinha me dado.

Edward ainda continuou cantando a música até o final e assim que terminou deu um beijo na testa de Anthony e colocou-o no berço, ligando a babá eletrônica. Foi nesse instante que ele percebeu que eu estava ali.

- O que a senhorita está fazendo que não está descansando? - ele apagou a luz do quarto e saiu, com a outra parte da babá eletrônica em mãos. Encostou a porta bem devagar e me deu um selinho leve. - Bom dia.

- Bom dia.. - sorri. - Levantei e tomei um susto porque vocês não estavam mais lá.

- Eu tive que acordar para tomar banho e trocar de roupa para o estágio, daí deixei ele aqui no berço. Você estava dormindo tão pesado meu anjo, fiquei com pena de te acordar. E não quis deixar ele sozinho na cama, sem um lado para protegê-lo...

- Não precisa se explicar. - passei meus dedos por seu maxilar todo barbeado e fiquei na ponta dos pés, aproximando nossos lábios. – E eu amei a música.

- Eu estava cantando para Anthony sobre a mãe dele.. - ele falou ainda em meus lábios, enquanto suas mãos repousavam em meus quadris. - Porque ela é linda... perfeita... - seus dedos apertaram minha pele.. - entre outras coisas...

Senti meu corpo gelar e ao mesmo tempo senti falta de estar mais... próxima de Edward. Por conta do final da gravidez e do resguardo ainda não tínhamos feito nada, e era chato não poder mais colocar a desculpa nos hormônios. Não queria que ele pensasse que eu era uma maníaca por.. aquilo.

- Faz tempo, né.. - falei baixo.

- Uhum... - ele beijou meu rosto e foi descendo, passando por minha orelha e pescoço. - Faz. Porque nós não... - A campainha tocou e Edward grunhiu no vão de meu pescoço. - Vou atender. - ele me entregou a babá eletrônica, mas não era preciso, porque eu entrei no quarto de Anthony e sentei na poltrona, procurando velar seu sono. Acho que eu nunca me cansaria disso. Mas assim que olhei para onde ele estava, notei que o pequenininho se encontrava mais do que acordado, encarando os patinhos do móbile que Alice tinha dado de presente.

- Bom dia Isabella. - a voz de Carlisle surgiu no quarto e levantei rapidamente, porque estava com uma camisola um pouco curta. Ele pareceu não se importar com aquilo e me deixou mais a vontade, porque deu um beijo em minha testa e foi logo para o berço, olhar Anthony. - Como está meu netinho?

- Está ótimo, graças a Deus. – respondi apoiando minhas mãos na barra do berço, namorando Anthony junto com Carlisle.

- Que bom. Esme pediu para avisar que vem para cá antes do almoço para te ajudar com as coisas.

- Carlisle, não preci...

- Ela faz questão. E vocês ainda são pais de primeira viagem, é o primeiro dia de Anthony em casa, não estou te chamando de irresponsável, mas sei que vai precisar de ajuda. - ele olhou rapidamente para mim e sorriu. - Acredite, eu já passei por isso com Esme.

- Tudo bem. - sorri de volta. - Quer pegar Anthony no colo?

- Eu adoraria. - ele continuou sorrindo.

Peguei Anthony no berço e entreguei a Carlisle, que o pegou com toda a prática do mundo. Eu adoraria poder ver de alguma forma como ele e Esme foram com Edward e Alice. Só por curiosidade. Mas eu não tinha dúvida de que os dois tinham sido pais muito carinhosos. E por sorte Anthony tinha esses dois avós perfeitos.

Isso me fazia lembrar da conversa que tive com Edward antes de dormir. Sobre Reneé. Eu não sei se foi o sono, ou o fato de que eu realmente não queria chateá-lo, mas eu não sabia o que pensar em relação a ela ter ido no hospital atrás de mim, e toda vez que isso vinha em minha cabeça me deixava mais enrolada e confusa. Era um ponto da minha vida que eu adoraria ter a oportunidade de apagar, de fingir que nunca aconteceu, ou ao menos ter alguma forma de fugir, mas sabia que não ia dar em nada. Não adiantava fugir.

- Bella... - Carlisle rompeu meus pensamentos, enquanto ninava Anthony em seu colo. - Edward avisou porque eu vinha aqui?

- Ahm... avisou. - respondi meio desconsertada. – Mais ou menos...

- Quer se sentar? - ele indicou a poltrona com a cabeça e aquilo me alarmou, porque se eu tinha que me sentar era porque vinha coisa que ia me deixar nervosa, ou estressada.. e aquilo só se confirmou ainda mais quando Edward entrou no quarto com minhas vitaminas e um copo de água em mãos.

Me sentei e olhei para os dois em dúvida, enquanto pegava o copo e tomava rapidamente os comprimidos. Entreguei o copo vazio a Edward e olhei novamente para Carlisle.

- O que foi que aconteceu? - acho que minha cara era de muito assombro porque Carlisle franziu o cenho e logo depois sorriu, e riu... e eu não estava entendendo mais nada.

- Eu acho que eu te traumatizei não é? - ele continuou rindo e Edward também riu, sentando-se novamente no braço da poltrona e me dando um beijo na cabeça. - Não é nada demais, Bella.. Aliás, de certa forma é... - ele olhou para nós dois e depois voltou sua atenção para Anthony. Eu não queria ser grossa e falar para que ele parasse com todo esse suspense mas minhas pernas começaram a sacudir e aquilo acabou falando por mim.

- Recebemos uma notificação de que Charlie havia deixado um testamento. - ele deu uma pausa e olhou para Anthony. - Ele não tinha muita coisa na verdade, só a oficina, e a casa. Todo o dinheiro que ele tinha foi confiscado pela polícia federal por conta das transações ilegais que ele cometeu...

- Sim...

- Então.. - Carlisle continuou. - Ele deixou a oficina para Emmett... e a casa de Monrovia... ele fez questão de deixar para você e para Edward.


Girls!

Espero que tenham gostado do capítulo! Eu sei que é pequeno mas ele é o começo do desencadear do final da história.

Me desculpem pela demora, eu tive os quinze dias mais loucos da minha vida, com coisas no trabalho para resolver, com problemas pendentes e ainda por cima fui parar no hospital como muitas de vocês já sabem! Mas agora graças a Deus tudo está 100%, e ainda por cima estou de férias, então posso garantir que tudo voltará ao normal e teremos posts toda sexta até o final da fic! (o que infelizmente não falta muito)

Sei também que prometi o post no Dia das Mães, mas a culpa não foi minha! Minha internet me trollou e ficou fora do ar até agora, que é quando estou postando! Mil desculpas e muito obrigada pela paciência de jó que sei que vocês tiveram esses dias!

Muito muito muito obrigada pelas reviews no capítulo do nascimento. É uma etapa forte da história e fico muito feliz que vocês tenham gostado de verdade! Finalmente o girassolzinho nasceu, né! hahaha

Até sexta feira e quem quiser spoiler já sabe como fazer! Só não esqueçam de deixar o email com os pontos entre parenteses para que o fanfiction não apague!

Beijinhos e Feliz Dia das Mães! (E Feliz Aniversário pra mim porque é meu aniversário hoje! hahaha)

Dani Masen