CAPÍTULO XLVIII
BRINCADEIRA E REALIDADE
Terça-feira, 12 de Agosto, a última luta dos Brasil Blade na primeira fase.
Felipe foi o primeiro a acordar de manhã. Sentia-se inquieto, como se estivesse deitado sobre uma cama de pregos. Levantou-se de um salto e se vestiu sem fazer barulho. Podia parecer que ele planejava sair sem acordar os companheiros, como qualquer pessoa com o mínimo de educação sabe que deve fazer, mas se tratando de Felipe da Silva, líder dos Brasil Blade e capitão do time juvenil do São Paulo F.C., nem em seus pesadelos mais obscuros isso aconteceria. Pesadelo, aliás, era o que os seus companheiros de equipe estavam prestes a enfrentar.
- ACOOOOOORDEM! ALERTA DE INCÊNDIO! TODO MUNDO PRA FORA! – Gritou ele a plenos pulmões, com a mão já na maçaneta. Luiz, Ayatá e Cristiano acordaram na hora, assustados com o grito, mas ainda sem entender a real situação. Felipe repetiu o grito para que sua mensagem ficasse decididamente clara. – ACORDEM, SEUS PANACAS, TEM UM INCÊNDIO AQUI NO PRÉDIO?
- Incêndio? – Luiz e Cristiano não hesitaram em correr porta a fora, Felipe abriu-a bem em tempo. O olhar de pânico deles era impagável, ao menos para ele. Já se preparava para segui-los quando um pigarro de Ayatá chamou sua atenção. Até então tinha esquecido completamente do índio.
- Belo truque. Embora eu ache que esse logo, logo vai se tornar realidade. – Disse o garoto simplesmente.
- E posso saber o porquê? – Perguntou Felipe, um tanto debochado. Duvidava que o anão do time pudesse realmente fazer alguma coisa.
- Por isso!
Se antes tinha alguma dúvida quanto aos poderes mágicos de Ayatá, agora não tinha mais. Com apenas um estalar de dedos, Felipe começou a sentir um calor forte emanando de dentro de seu corpo, começando pelo peito e se alastrando rapidamente. Sua respiração tornou-se ofegante à medida que sentia seu próprio corpo em combustão. Com medo do que poderia enxergar se olhasse para baixo, fechou os olhos e saiu em disparada atrás de Luiz e Cristiano na esperança que eles pudessem ajudá-lo a apagar o que quer que estivesse queimando dentro dele.
- Baka... É assim que os japoneses se referem aos idiotas, não é? Vamos, Carlos, hora do café da manhã. – Com outro estalar de dedos, Ayatá derrubou o baiano da cama e saiu do quarto calmamente em direção ao restaurante, como se tudo que acabara de presenciar não fosse nada mais que rotina. Carlos o seguiu logo depois, ainda sem entender como passou de uma rede confortável nas praias ensolaradas de Salvador para o chão duro e sujo do hotel na cinzenta Porto Alegre invernal.
Quando os Taichi se juntaram aos brasileiros alguns minutos mais tarde, encontram um Felipe emburrado e um tanto corado, um Luiz rangendo os dentes em fúrias, um Cristiano quase chorando de desespero, um Carlos quase dormindo em cima do pão com manteiga e um Ayatá que parecia extremamente satisfeito consigo mesmo.
- O que foi que houve aqui? – Perguntou Satsuki, sempre a primeira a começar as perguntas e a última a terminar.
- Nada, só um conflito-pré-luta. – respondeu Ayatá, calmamente. – Felipe tentou outra de suas brincadeirinhas idiotas, só que dessa vez ele é que acabou prejudicado.
- Usar mágica não vale, Formiga Anã da Amazônia!
- Mágica? – Perguntaram Ken e Takashi, quase pulando em cima do índio em excitação.
- Nada a ver. O que eu fiz foi usar uma ilusão para o Felipe acreditar que seu corpo estava sendo queimado por dentro. Ele nos acordou hoje meia hora mais cedo que o normal dizendo que havia um incêndio no prédio, então eu achei melhor esses minutos perdidos não serem em vão.
- Golpe baixo, isso sim...
- Você teve o que mereceu. – Foi Luiz quem respondeu, com a cara ainda mais fechada. – Ayatá fez muito bem em parar com as suas brincadeirinhas sem graça.
- Você fala isso só porque caiu nela. Se fosse o seu corpo que estivesse sendo queimado, aposto que estaria do meu lado.
- Por favor... Por favor... Parem de brigar... Eu não agüento isso...
Cristiano saiu correndo do restaurante com o rosto coberto pelo braço. Sua equipe ainda ficou algum tempo mirando a porta que balançava até Felipe resolver tomar uma atitude.
- Eu vou atrás dele. Como líder do time e autor da brincadeira, eu me sinto responsável por ele. Avisem Zanxam-sensei que eu vou me atrasar pra aula, mas que quando entrar lá, vou trazer o Cris também. – Dizendo isso, deixou também o restaurante a procura de seu fã numero um.
- Não é uma boa idéia brigar assim antes de uma luta, vocês sabem, né? – Perguntou Toshihiro, um pouco hesitante se devia o não se meter na confusão dos brasileiros.
- Não liga, não. É o jeito do Felipe, na verdade. – quem respondeu foi Luiz. Ele não estava mais emburrado ou carrancudo, tinha até mesmo um sorriso em seus lábios. – Acho que ele pretendia descontrair o time antes da luta, pra gente lutar melhor, só que acabou passando um pouco dos limites. Ele gosta de fazer esse tipo de coisa, só que o contra-ataque do Ayatá deve ter sido demais pra ele.
- Então por que o Cristiano saiu daqui daquele jeito?
- Foi o que eu disse, ele passou um pouco dos limites, mas pelo visto percebeu bem a tempo de evitar a catástrofe maior.
- Cristiano parece ser uma pessoa muito sensível. – A afirmação de Rumiko saiu de repente, como se solta no ar. Ninguém esperava por ela, mas todos ficaram impressionados com o que ouviram. – Ele admira profundamente o Felipe, mesmo sendo sempre o alvo de suas brincadeiras, e tem a incrível capacidade de sentir quando os ânimos estão começando a baixar, e isso o afeta mais do que todos nós. Acho que ele saiu porque não conseguiu mais agüentar a tensão, estava preocupado demais com os rumos que um time assim poderia tomar nas lutas de hoje. Entendo ele perfeitamente.
- Cristiano! Cristiano!
Felipe estava na porta do hotel. Ainda não havia encontrado seu companheiro e isso estava começando a preocupá-lo. Cristiano não era do tipo que fugiria de uma hora para outra, ainda mais em uma cidade desconhecida. Precisava encontrá-lo antes que ele cometesse alguma loucura. Felizmente, o garoto não estava muito longe, observava sentado no meio fio os carros que passavam. A rua estava relativamente tranqüila e o movimento dos carros não era muito.
- Que bom que te encontrei! – O líder brasileiro se aproximou de seu colega e sentou-se ao seu lado de modo que pudesse encará-lo nos olhos. – Ficamos todos preocupados quando você saiu correndo daquele jeito.
- Eu odeio quando todo mundo começa a brigar. Não é certo, ainda mais a poucas horas de uma luta importante.
- Eu sei, eu sei... Mancada minha! Eu não achei que o Luiz fosse tão orgulhoso a ponto de querer me trucidar por causa de uma brincadeira boba. E também não contava com a retaliação do Ayatá.
Cristiano riu-se ao lembrar do estado de pânico em que seu líder se encontrava ao cruzar com ele e Luiz após deixar o quarto. Sem dúvida essa era uma daquelas coisas que não se vê todo dia. Felipe insistia para que eles lhe jogassem água para apagar o fogo mesmo com eles repetindo que não havia fogo nenhum nele. A dupla teve que tirar os casacos do líder e deixá-lo com o peito nu para que ele pudesse finalmente entender e desistir de sua idéia.
- Nossa luta de hoje é importante, e vocês ficam aí discutindo e perdendo tempo. Não podemos perder... O país está contando com a gente, não é? Nós fomos escolhidos para representar o país na competição, não podemos decepcionar o povo e...
- Ah, Cristiano... – Felipe interrompeu as exclamações exasperadas do companheiro tocando-lhe o ombro gentilmente. – É justamente por isso que eu faço essas brincadeiras. Ficar pensando assim só vai atrapalhar. Esquece tudo, relaxa e se diverte: essa é a minha filosofia. Aliás, eu fiquei sabendo que o Pelé e o Ronaldinho Gaúcho são adeptos dela também. Sabe o futebol arte? É assim, feito por gente que se diverte jogando, não encara o jogo como uma obrigação e um gerador de pressão. Beyblade é a mesma coisa, é se divertir, aproveitar cada momento de interação com sua beyblade na arena, o contato beyblader/fera-bit e até mesmo a interação com o adversário. É por isso que eu gosto tanto do esporte.
- Capitão!
Se Felipe fosse como Rumiko, a expressão de Cristiano bastaria para deixá-lo banhado em lágrimas. Não via um sorriso tão sincero no garoto desde que o cumprimentara e elogiara após a derrota para Luiz nas semifinais do torneio de classificação brasileiro. Os olhos do brasiliense brilhavam, era até possível enxergar o gliter caindo para todos os lados.
- Agora que eu já te dei uma aulinha de beyblade... – "Sim! Sim! Sim!" dizia o outro, ansioso para saber o que estava por vir – VAMOS CORRER QUE SENÃO A SENSEI VAI COMER A GENTE VIVO! – O paulista puxou o companheiro pela gola da camisa e saiu arrastando-o hotel adentro em direção a sala de aula. Tinha certeza que Zanxam-sensei os deixaria entrar atrasados, Ayatá explicaria exatamente o que estava fazendo e ela poderia até elogiá-lo por sua atitude como líder exemplar no final, mas precisava manter sua reputação de sacana e isso implicava em fazer algum tipo de sacanagem depois que o problema principal já estava resolvido.
Como esperado, Zanxam-sensei deixou que os dois entrassem em sala mesmo estando quase meia hora atrasados. Não aprecia zangada com eles, mas também estava longe de querer soltar algum elogio. O tema da aula do dia foram as diversas crenças religiosas existentes no mundo, com especial foque para o budismo e xintoísmo japonês e o cristianismo, espiritismo, umbanda, candomblé e lendas indígenas brasileiras. Depois de Ayatá prender a atenção de todos ao contar histórias dos deuses da natureza, Satsuki também se animou a falar dos "kami" presentes em todas as coisas, parte da crença xintoísta. A troca de experiências continuou por horas, e até mesmo mitologia nórdica e grega entraram na discussão, com Ken tentando provar para Takashi que Apollo e sua carruagem que carrega o sol eram muito mais poderosos que Odin e sua espada. Os dois até mesmo encenaram uma batalha para provar suas teorias. Ken venceu unicamente porque Takashi não foi capaz de atingir o rosto do adversário mesmo usando uma espada de brinquedo.
- Falando em mitologia nórdica... – Satsuki comentou de repente. – Acabei de notar, mas... Não era Fenhir o tal demônio lobo destinado a causar o apocalipse ou coisa assim?
- Fenrir é um lobo gigante, filho de Loki na mitologia nórdica. Os deuses temiam sua força, e por isso tentaram prendê-lo em vários tipos de correntes, mas nenhuma foi realmente eficaz. Até que eles criaram uma corrente especial feita com matérias primas absurdas como raíses da montanha e barulho de um rato em movimento. A lenda também diz que em Ragnarok, o nome dado ao fim do mundo, Fenrir vai engolir tudo que existe, incluindo o deus Odin, e depois será morto por seu filho Vidar. – Foi Yuy quem respondeu, para descontentamento de alguns beybladers, mas extrema felicidade de Satsuki. – E não, não vejo nenhuma relação entre o lobo nórdico Ferir e a minha fera-bit pégasus Fenhir.
Novamente Yuy deu a impressão de ter lido a mente da companheira. Novamente Felipe sentiu vontade de trucidar o rival, revirar suas entranhas na frente da sala e esquartejá-lo com um alfinete para causar mais agonia. Felizmente a presença de Zanxam-sensei garantia que nenhuma briga realmente começaria. A aula acabou e os Brasil Blade lentamente se prepararam para a luta do dia. Se vencessem, garantiriam lugar na segunda fase e deixariam os milhões de brasileiros que os assistiam felizes. Foi um tanto difícil escolher os lutadores do dia, pois até mesmo Carlos estava ansioso para um combate. No fim, como já era de se esperar, o vencedor foi decidido na sorte, os quatro resolveram usar o método do palitinho para escolher. Para a surpresa geral, foi Felipe o sorteado para esquentar o banco junto com Ayatá.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO! – Gritou o paulista quando puxou o palitinho com a ponta vermelha. Por ser o líder, seus companheiros haviam cedido-lhe o direito de começar. Mas como era sortudo! Ficaria de fora de uma das batalhas mais tensas! Bom, pelo menos não era contra os argentinos ou os Taichi...
- Ah, vejam só! O Felipe vai ficar de fora! – Exclamou Luiz, quase caindo no chão com a força das risadas que estavam por vir. – Nunca pensei que viveria para ver esse dia, meu Deus!
- Ca... capitão...
- Hein? Será qui alguém podi mi ispricá o qui é qui 'tá acontexendo aqui? Por que o Luiz tá rindo tanto, hein? E por que todos os palitinhu qui u Ayatá tá sigurandu estão cás ponta pintada?
- Cuma? – Os olhos de Felipe saltaram. Quer dizer que ele não era o único trapaceiro no time? Havia alguém mais esperto do que ele entre os beybladers? Seus olhos se encheram de fúria, mas não por ter sido enganado, e sim porque alguém havia ousado ser mais esperto do que ele. – QUEM FOI? – Os olhos do líder caíram sobre Ayatá, afinal era ele quem estava segurando os palitos em primeiro lugar. Não seria possível ele não ver que estavam todos alterados.
- Não fui eu... não fui eu... Eu peguei todos sem olhar... O Luiz colocou eles na minha mão sem me deixar ver...
Luiz parou de rolar pelo chão com a menção de seu nome. Ele parou e encarou o Felipe furioso soltando fumaça pelo nariz que se dirigia a ele e só não correu porque tinha sangue de macho.
- FOI VOCÊ!
- Tu não acha que se fosse eu, ao invés de estar rolando pelo chão gargalhando, eu estaria curitindo com a tua cara e me vangloriando de ter enganado o capitão?
- Pior é que considerando a sua personalidade desviada 'cê é bem capaz de fazer isso mesmo... – Felipe parou um pouco, depois afinou a voz e começou a rebolar e desmunhocar imitando o protótipo padrão do viado – Por que ficar se gabando é coisa de bifa! Aí, pula aí, pra pertinho de mim! – Quando tentou a aproximação, o sangue de macho de Luiz ferveu e mandou um alerta para que ele escapasse daí o mais rápido possível. Ele se escondeu atrás de Carlos.
- EU NÃO SOU VIADO!
- É, pois é, né? E eu também não sou são Paulino, na verdade eu torço pro Palmeiras desde criancinha e só jogo no São Paulo pra poder fazer o time perder quando enfrentar o Verdão!
- Muito engraçado...
- Engraçada foi a sua brincadeirinha, isso sim.
- Já disse que não fui eu!
- Então foi quem? O Cristiano, único de nós que não tem a personalidade desviada? Ou o Carlos, que estava dormindo até a hora do sorteio?
- E não sei, mas não fui eu! Eu juro!
- O Ayatá recebeu de você os palitinhos. Foi você sim.
- Foi você que me deu os palitinhos, Felipe, e também não deixou que eu visse o que tinha neles. Por que você acha que eu insisti tanto para que você fosse primeiro?
- COMO É QUE É? – Dessa vez não foi só Felipe quem gritou, mas todo o resto dos Brasil Blade também se juntou ao coro.
- Pois é, Felipe... Você caiu na sua própria armadilha e nem se lembra...
- Isso não é possível...
- Agora que você mencionou, eu também achei estranho o Luiz insistir tanto para o Felipe ir primeiro... Os dois estão sempre discutindo nessas situações...
- Mas isso ainda não explica como eu posso ter sido enganado pelo meu próprio truque!
- Ah, vai ver que você estava ansioso demais com o sorteio que acabou esquecendo depois que o time todo pediu esse favor...
- Ou vai ver que dentro de você habita um ser maligno que sempre causa confusão e trapaceia, tipo uma dupla personalidade adormecida que desperta nas horas mais inoportunas e não deixa rastros para o verdadeiro Felipe, que não consegue se lembrar de nada do que fazia!
- Ayatá, eu sei que ler é bom, mas você anda lendo livros de ficção científica demais pro meu gosto...
- Quer sabe, vamos só esquecer isso e fazer um sorteio justo dessa vez...
E assim, os Brasil Blade prepararam juntos os novos palitinhos para decidir qual dos quatro lutadores ficaria de fora da luta do dia. Já eram duas da tarde. Alguns minutos depois, o resultado foi anunciado:
- NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO! EU DE NOVO NÃÃÃÃÃOOO!
O Gigantinho estava novamente lotado. Os Taichi, sentados na primeira fila, comandavam a torcida fazendo olas e gritando gritos de guerra inventados na hora que eram reproduzidos ao longo de toda a extensão do ginásio circular. Os Albatrozes Bolivianos, a equipe adversária, eram um tanto mal-encarados, dois rapazes e uma garota vestindo sobretudos longos e negros, gorros de lã marrons e botas de alpinista. A garota e um dos rapazes estavam sérios, mas o outro garoto, o menor do grupo, com pedaços de seu cabeço roxo saindo desordenadamente para fora do gorro, sorria de um jeito que deixou os Brasil Blade com um pé atrás em relação a eles.
- Seguinte: vencemos aqui, estamos na fase final, o público fica contente, nós ficamos contentes e nossa fama só aumenta. Sem mistério. Entendido? – Exclamou Felipe quando o grupo se reuniu uma última vez antes de o primeiro round começar. Carlos seria o primeiro, e a adrenalina produzida por seu corpo já atingia níveis suficientes para deixá-lo mais do que acordado. Ele fez um gesto com a cabeça indicando que entendera as instruções e partiu para encarar o adversário, o rapaz que não sorria, quase tão alto quanto ele, com a beyblade negra já em mãos e pronta para a luta.
A luta de Carlos deixou os Taichi e todos os presentes impressionados. Bropus, a baleia, não precisou aparecer para que seu mestre desse um show para os espectadores. A beyblade do baiano fazia o que bem entendia com a adversária, e por alguns instantes esqueceu-se até mesmo de que era uma baleia e brincou como se fosse foca com a adversária, jogando-a para cima e para baixo na arena. Depois de divertir toda a platéia, Carlos acabou com a luta mandando a beyblade adversária para o meio da multidão.
Luiz era o próximo. Uma luta: só isso bastava para terminar bem o dia. Uma luta e uma vitória. O gaúcho entrou na arena sentindo-se feliz por poder mostrar-se para o seu povo na sua terra. Lutaria como macho, as provocações anteriores de Felipe ainda não haviam saído de sua cabeça. Seu adversário chamava-se Lúcifer Corazón, era o garoto do cabelo roxo que sorria anteriormente. Agora, porém, ele estava sério e parecia irritado. "Também pudera!", pensava Luiz, "Depois da humilhação que o colega dele sofreu, eu também estaria assim..."
- Se pensam que podem nos humilhar assim, estão muito enganados. – Surpreendentemente, Lúcifer tinha um bom português, que pegou Luiz desprevenido. – Devem estar achando que somos adversários fracos, não capazes de competir com o líder de vocês. Pois vou provar o contrário aqui e agora!
"Ah, então é isso! Ele está com raiva da gente porque não escalamos o Felipe pra lutar. Ele acha que estamos subestimando eles... Coitado, se soubesse de nossos métodos para escolha de lutadores..."
A segunda luta começou. No banco brasileiro, Felipe era um dos que mais gritava, tentando marcar de algum jeito sua participação nessa luta. A arquibancada foi ao delírio quando ficou clara a diferença de poder entre os adversários. Luiz também estava dando um show. E um show de macho. Lúcifer e sua beyblade estavam sem saída, o fim da luta só dependia da vontade de Luiz em acabar com ela.
- Eu disse que não permitiria que vocês nos humilhassem. Pois bem, vou cumprir a minha palavra. Diga adeus a tudo que você possui!
Foi muito rápido, nem mesmo os olhos treinados de Luiz ou de Yuy conseguiram ver com clareza os movimentos, apenas ouviram o barulho estridente do tiro disparado pelo boliviano em direção a Luiz. O garoto chegou a pensar que fora atingido, seu corpo congelou e empalideceu imediatamente, mas não havia nenhum sinal de sangue ou dor. Os outros Brasil Blade tentaram se levantar e reagir, mas Lúcifer moveu um pouco seu revolver e ameaçou os outros garotos.
- Um movimento, e eu atiro para acertar. – Disse ele apenas, com o mesmo sorriso que exibia antes da luta começar. A essa altura, o Gigantinho todo estava calado, respiração presa esperando o desenrolar dos fatos. Alguém já devia ter chamado a polícia, mas por alguma razão eles pareciam atrasados. – E quanto a você, loirinho... Acho que vou me divertir um pouco com você para vingar a humilhação na luta...
Outro tiro, esse passando bem perto do rosto de Luiz. O gaúcho mal respirava, seus olhos arregalados estavam fixos na arma, o medo o tomara por completo, se não acabasse sendo atingido por nenhum tiro era capaz de perder para seu próprio coração acelerado, a única coisa que ainda se movia nele. A "diversão" de Lúcifer não parou aí, ele continuou atirando, sempre errando o alvo por centímetros. Luiz fechou os olhos, qualquer um podia pensar que ele estava se entregando, reconhecendo que seria derrotado e se recusando a ver esse momento. Lúcifer sem dúvida fazia parte desse grupo, pois moveu novamente a arma, desta vez mirando no meio do peito de Luiz. Lamentava um pouco que tivesse que chegar tão longe e acabar com um torneio tão bom, mas o adversário havia pedido por isso.
- Já está acabando...
- Brance, agora!
Novamente a cena foi rápida demais para os olhos humanos acompanharem. Em um momento, Lúcifer se preparava para atirar, no outro, sua arma estava caída no chão ao lado da beyblade de Luiz, que girava vigorosamente. Aliviado, mas ainda bem pálido, Luiz deixou-se escorregar para o chão, sendo amparado por seus companheiros. Estava inteiro. A polícia invadiu o Gigantinho naquele momento, prendendo Lúcifer e seus colegas e levando-os em um camburão para alguma delegacia. A púbico foi forçado a sair e Daitenji-san e Zanxam-sensei surgiram do nada e tentaram ajudar os Brasil Blade a se recuperar do choque. Eles e os Taichi seguiram para o hotel logo em seguida, e os Taichi não conseguiram mais ver seus amigos naquele dia, pois a equipe se trancou no quarto e não saiu mais.
Na delegacia, um homem alto, de cabelos bem pretos cuidadosamente aparados, expressão severa e olhos azuis um tanto maiores do que o normal, com traços japoneses mas falando com sotaque russo libertou os três bolivianos após pagar uma "fiança" que nada mais era do que propina para os policiais, sempre dispostos a receber um dinheirinho a mais em troca de alguns favores. O homem estava acompanhado de um garotinho com os mesmos olhos azuis grandes e brilhantes. Ele sorria, e seu sorriso parecia envolver o rosto todo, embora sem nenhum sinal de alegria. Os cinco deixaram a delegacia e seguiram para um beco escuro numa região afastada da cidade. O garotinho permaneceu no carro enquanto o homem e os outros três se afastavam na direção do fundo do beco. Três disparos secos. O sorriso do garoto se ampliou ainda mais.
Uh... Finalzinho sinistro esse, não? Por causa dele eu tive que mudar a classificaçaõ da fic, mas igualeu ia ter que fazer isso mais tarde mesmo...
Agora, antes daquele bando de malucos invadir o pc (personagens se empurrando atrás do James pra ver quem chega primeiro no teclado), acho que estou devendo uma explicaçaõ pra minha demora em atualisar.
Eu tinha dito antes da cirurgia que as atualisaçaões ficariam mais frenqüentes porque que eu ficaria o dia todo sem fazer nadadeitadona cama por uma semana. Só que quando eu disse isso, esqueci de levar em conta o meu estado emocional nessa situação. Quam já passou por uma coisa assim sabe o quanto é deprimente ficar o dia todo sem fazer nada, ainda mais pra mim, que só fico parado depois que me amarram. Com uma semana na cama, meu cérebro meio que parou de funcionar corretamente por falta de estímulo, eu passei (e até hoe esse pensamento me apavora) uma semana deitado na minha cama com o computador na mesa de cabeceira (ehehehehe, essa foi a melhor parte) vendo episódios de Prince of Tennis baixados da internet. É o cúmulo. Aliás, quando estava escrevendo esse último capítulo, notei algumas semelhanças entre os Brasil Blade e alguns personagens da Hyoutei Gakuen, mas isso não importa agora...
Bem, pelo menos agora eu estou de volta a uma vida quase normal, fui pra escola, meu cérebro andarecebendo estímulos regulares e euvou voltar a escrever! XD
Ah, semana quevem o médico vai me liberar pra andar sócom uma muleta, o que significa que a minha liberdade vai praticamente dobrar...
Agora, os malucos falando bobagem:
Voz: Eu começo! Eu começo!
VOz 2:Por que você?
Voz: Porque hoje é meu aniversário! Onde já se viu, uma garota taõ bonita, inteligente, esperta, talentosa, humilde e bonita como eu ficar de fora no diaem que completa quinze nos, umadata tão especial para qualquer garota?
Voz 2: Nao acredito que você vai mesmo debutar...
Felipe: E de qualquer jeito, vocês são ainda doNúcleo dos Personagens que Ainda NÃO Apareceram na HIstória! Com aniversário ou não, podem ir dando o fora!ò.ó
Voz: Como se atreve amandar em mim? Você não possui nenhuma autoridade perante a minha equipe, queé muito mais forte do que a sua! Naõ posso admitir que um reles plebeu paulista se ache no direito de me expulsardaqui, ah, não! Não hoje! Hoje eu naõ admito ser mandada!
Voz 3: Se você sair agora,ainda dá tempo da gente passar no shopping e comprar seus presentes de aniversário usando o meu cartão de crédito sem limites...
Voz: É sério? XD Vamos então! o/
Felipe: Te devo uma, cara...
Toshihiro: Nós devemos...
Ken: Não acredito que oJames deixou aquela malucainvadir, será que ele não conhece o temperamento dela?
Voz 2: Conhecer, ele conhece. Só queé a regra do aniversário, ele precisa fazer isso. Tenho a impressão de que seria pior se ele tivesse ignorado a vez dela. PElo menos paraos nossos ouvidos.
Toshihiro: É, você está certo... Não acho queseria uma boa idéiaficar ouvindo lamentações quilométricas...
Voz 4: Vocês naõ vão falar do capítulo de hoje? XD
Luiz: Ah, é...
Ayatá: Alguém não está muito animado pra falar disso...
Voz 4: Mas eu tô! XD
Felipe: Não sei como...
Voz 4: Ora, vamos, foi um capítulo importante pra história, não? XD Não é agora que vem a pergunta "Quem era o cara que atirou nos Albatrozes?" XD
Yuy: Você acabou de fazer essa pergunta, não há mais necessidade de conversa...
Voz 4: Estraga prazeres! XD
Ken: Vem cá, você não pára de rir nem por um segundo, não?
Voz 4: Não! XD
Todos: ¬¬'
Cristiano: Bom, o que importa é que a nossa equipe se classificou, não é?
Rumiko: É, e da próxima vez, seremos nós!
Toshihiro: Não percam o próximo capítulo, ainda sem título mas que provavelmente será postado no dia 23, domingo à noite!
Voz 5: QUando teremos outro aniversário!
Ken: Ah, não, vai começar tudo outra vez! XX
Rumiko: Até a próxima!
Felipe: No Mundo de Beakman!
(as luzes apagam, só as vozes no fundo)
Cristiano: - Mundo de Beakman? o.õ
Luiz: Não acredito que você também assistia isso!
Carlos: Agora que você falou, eu também me lembro...
Rumiko: Alguém pode me explicar do que eles estão falando?
Felipe: Ah, vocês não tiveram infância! Não sabem o que era o Mundo de Beakman! >P
Luiz: Badabin, badaben, badaban bim bum!
(o cenário todo explode e os beybladers saem voando pelo espaço)
Fim
(por enquanto)
