N.A: Eu disse que não teria N.A. no epílogo, mas me sinto na obrigação de deixar essa nota: após a publicação do último capítulo, muitos dos antigos leitores que eu não tinha notícia há muito, muito tempo (anos, eu diria!), e considerei 'desaparecidos' no decorrer da série, se manifestaram. Até então eu estava sádica e fria, mas ver que vocês ainda estavam por aí, na espreita, me deixou deveras emocionada. É, sou mesmo mole que nem pudim (De leite condensado, por favor). Mais uma vez, o meu pra lá de sincero "muito obrigada", a todos os velhos e novos leitores. Até 2009, galera, com o Episódio Réquiem. Massafera.


EdD Brasil - Epílogo

Sirius dormia profundamente no avião, enquanto Harry e Hermione pareciam ansiosos com alguma coisa. Ela esticou o olhar para a janela, e se deparou com uma vista fantástica: sobrevoavam o litoral, já deixando a costa para trás, na direção do oceano atlântico. Mas uma coisa lhe chamou a atenção; uma nuvem rosa, brilhante como neon tomava conta do céu do país, como um lençol, acima das nuvens, mas abaixo da aeronave. Aquela nuvem engolia todo o território, margeando a costa, deixando apenas a água livre.

- Ei, Harry, olhe isso. – disse Hermione, cutucando o amigo.

- ...Que será? - estranhou.

Eles escutavam apenas o barulho do avião. A gigantesca película brilhante passava pela lateral do avião, recortando o litoral, mais veloz que a aeronave. Os dois se entreolharam, e Harry pegou do bolso a jóia que Kojiro lhe dera: ela não estava mais negra, e sim, de um vermelho muito intenso.

- ...Estava preto quando Leah estava "inativa". – comentou Harry – Sirius disse que provavelmente é uma pedra que rastreia poder mágico, muito usado para fazer jóias. Acreditam que ela indica como a pessoa está pela cor.

- Se estava negra, era porque a pedra não conseguia ler os poderes de Leah, porque ela estava trancafiada na cadeia, provavelmente com algum tipo de selo contra poderes mágicos. Se estiver vermelha, é porque Leah está novamente... na ativa. – Hermione sentiu a espinha gelar - ...Essa nuvem é um Caos.


Pelos trilhos do minhotrô em meio à floresta, um outro transporte corria, vindo da estrada subterrânea do presídio mágico. Parecia um caranguejo: era chato, cheio de chifres pontudos, com olhos vermelhos em forma de linha horizontal, com a carapaça cinza chumbo e as patinhas e articulações brancas. Pintado de vermelho nas suas laterais estava a sigla GN – Guarda Nacional.

Dentro do veículo, dez soldados mortos, com o sangue tingindo o chão. Dois comensais dirigiam, enquanto Voldemort, Leah e Bellatrix permaneciam de pé, e de braços cruzados.

- Cinco minutos até sairmos do território nacional. – disse um dos comensais, olhando um mapa no painel frontal do pequeno transporte, que de vez em quando grunhia e tremia, provavelmente "reclamando" do excesso de velocidade.

- Não vai dar tempo. – reclamou Leah – Mais rápido.

- Não posso, já estamos na velocidade máxima.

- É claro que pode mais, eu sei que esse bichinho pode correr muito mais do que isso! – exclamou Leah.

- É o máximo, se aumentar a velocidade, talvez ele não resista e se desfaça nos trilhos. – gemeu o comensal.

- Ei... – gemeu Bellatrix, olhando pela janela traseira do veículo – Já dá para ver a névoa do Caos do império. Isso irá nos traças, vá mais rápido!

De fato, dava para ver da copa das árvores a nuvem tomando conta do céu, fazendo o horizonte ficar escuro, cinza e rosa-alaranjado.

- É perigoso correr mais! – gritou o comensal.

- Não importa, FAÇA! – ordenou Voldemort, sem paciência.

Leah avançou e tirou o comensal do controle, e meteu a mão na alavanca de controle, empurrando-a até em cima, na velocidade máxima possível.

- Não! Não faça isso!

- ...Isso vai...! – gritou outro comensal, saltando sobre Leah.

- MAIS RÁPIDO! – gritou Voldemort, realmente demonstrando nervosismo.

Bellatrix agarrou os dois comensais pelas costas, e os puxou com violência para trás, gritando um feitiço. Uma tremenda ventania tomou conta do transporte. As paredes vibraram, e ela jogou os dois homens de costas na parede do fundo, que simplesmente cedeu com a pancada. O pequeno caranguejo tremia nos trilhos sem parar. Suas cascas começavam a ruir.

- ...Satisfeita?! – xingou Leah, agarrada no banco do motorista do transporte, olhando para o fundo do pequeno minhotrô – Agora estamos ferrados!

Leah olhou para os trilhos da traseira e para a floresta, apenas um borrão, tamanha a velocidade. O veículo inteiro vibrava, e os pequenos pedaços da casca dele caiam e quicavam, ficando pelo caminho. Olhou o céu: o Caos já os envolvia; o céu azul já estava lá na parte da frente.

- ...ACELERE ISSO! – urrou Voldemort, olhando a bruxa, com os dentes cerrados.


Na sala de comando da Guarda Nacional, no prédio do império, estavam todos os generais a postos, com o Imperador.

Olhavam um gigantesco e mágico painel, onde havia o mapa do Brasil em 3D, verde brilhante, flutuando, cheio de legendas e outras informações que apareciam e desapareciam. Todos estavam muito apreensivos.

A imagem da névoa rosa do Caos tomava conta do mapa. Alguns bruxos estavam de óculos escuros e microfone, sentados a frente do painel de controle, com a imagem do mapa sendo refletida em suas lentes.

- 70 por cento do território nacional rastreado e coberto. – disse um dos bruxos.

- São Paulo; 100 por cento. Rio de Janeiro; 100 por cento. Espírito Santo; 100 por cento. Minas Gerais; 100 por cento. Sudeste rastreado e coberto. – informou outro bruxo – Sem resultado.

- Paraná; 100 por cento. Santa Catarina; 100 por cento. Rio Grande do Sul; 85 por cento. Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito federal, 100 por cento fechado e rastreado.

- Tocantins e Bahia; 100 por cento. Estados do eixo norte e nordeste ainda em 60 por cento, vamos acelerar a barreira.

A névoa avançava, engolindo o mapa. Os valores piscavam e mudavam no painel.

- Rio Grande do Sul; 100 por cento rastreado e coberto. Eixo sul, sudeste, centro-oeste fechado. ...Sem resultado.

Os generais pareceram incomodados. Os bruxos do painel imediatamente mudaram de alvo:

- Acre e Amazonas entrando na zona do Caos.

- Nordeste em 100 por cento. Território centro, sul e leste do país fechado e dominado.

- Fechando o Caos. 90 por cento do território nacional coberto.

- Amapá e Rondônia; 100 por cento rastreado e coberto.

O Caos se fechava no mapa, envolvendo o extremo noroeste do país. Os generais olhavam fixamente o mapa, enquanto o imperador colocava as mãos sobre uma mesa, olhando sem piscar para o cantinho extremo do mapa.


- Sei lá como se acelera mais essa porra! – xingou Leah, avançando sobre os controles e empurrando todas as alavancas que via para cima.

O transporte sacudiu, guinchou. Pelo mapa do painel, o fim do território estava próximo, era só seguir em frente. Mas... ele simplesmente se apagou. O pobre animal já não suportava mais a pressão e a velocidade. O Caos, no céu, iniciava a descida à frente deles, indicando que, de fato, deveriam estar a poucos quilômetros da fronteira. Voldemort e Bellatrix se agarraram aos bancos do transporte.

- Trinta segundos do prazo que tínhamos! – gemeu Voldemort.

- ...Não vai dar! – exclamou Bellatrix.

- Ah, vai! – gemeu Leah, olhando para frente, mordendo os lábios.

Deu para ver o fim do território: a linha fazia uma acentuada curva para a esquerda, protegida por uma barreira de madeira pintada de amarela e preto, avisando que ali era a borda de um penhasco, que dava para um rio.

Mais um pedaço do transporte cedeu, e seus pedaços despregaram e caíram para o chão.

- Vaaaaaaaaaaaaaai...! – gritou Leah, a plenos pulmões, como se quisesse incentivar o pobre animal.


- 95 por cento. – avisou um dos bruxos da Guarda Nacional – 97 por cento... 98 por cento... 99 por cento... 99,5 por cento... barreira iniciando o processo de lacre de fechamento do Caos Imperial.

O imperador inclinou-se sobre a mesa, e mordeu o nó do dedo da moa, murmurando em voz baixa para si mesmo:

- Vai, vai, vai, vai...


- NÃO DEU! – gritou Bellatrix.

O transporte, sacudindo, perdendo seus pedaços, guinchando de forma ensurdecedora, não fez a curva do trilho: bateu contra a barreira de madeira, no instante em que o Caos o atingia, fechando o território nacional. Uma descarga elétrica mágica causou uma enorme explosão.

Os pedaços do veículo, dos trilhos, do muro de contenção e até mesmo a terra do barranco voaram em várias direções – por vários metros, despencando para a água, voando de volta para a floresta, caindo metros adiante nas águas.

E, junto dos estilhaços que voaram para dentro d'água, foram também Bellatrix, Voldemort e Leah, deixando para trás a translúcida e luminosa parede rosa do Caos.


- 100 pro cento do território Nacional rastreado.

Imediatamente o mapa do Brasil brilhou, rosa, com uma linha vermelha lhe contornando.

- Barreira erguida. O Caos Imperial está de pé, em apenas 12 minutos e 47 segundos. – sorriu um dos bruxos da Guarda Nacional.

Vibrações contidas de comemoração foram ouvidas, enquanto os generais e o Imperador respiravam fundo. Conseguiram tomar o território nacional em tempo recorde. Mas precisavam esperar. Silêncio absoluto. Os bruxos se olharam, piscando. O mapa, as estatísticas, tudo permaneceu parado. Os generais da Guarda Nacional pareceram estar extremamente constrangidos e começaram a olhar os próprios pés.

O Imperador baixou a cabeça, suspirando de forma audível. Mordeu os lábios, batendo os pés, ansioso e enfurecido. Um dos bruxos da equipe de controle retirou o fone e os óculos, pigarreou, e baixou a cabeça:

- ...Nada encontrado durante o rastreamento. ...Perdemos nossos alvos: eles já estão fora do território nacional.

O Imperador deu as costas, visivelmente decepcionado, declarando, em voz alta:

- ...Hoje era o dia da caça. Paciência.

E saiu da sala de controle.


Harry e Hermione olhavam a janela. A grande cúpula rósea já não era mais do que uma linha no horizonte da noite, o avião se afastava demais do continente.

- Não vai adiantar se preocupar. – gemeu Hermione, afundando na poltrona.

- Por que ergueriam um Caos tão grande? – perguntou Harry.

Sirius roncou em sua poltrona, já esticada como uma confortável cama.

- Ele parece feliz e calmo demais para alguém que é tão próximo da Leah. – comentou Hermione.

- Talvez ele saiba que ela esteja bem. Ou tenha se acostumado com isso. – disse Harry.

Os dois se olharam. Harry olhou mais uma vez o anel: a pedra estava vermelha. De repente... mudou de cor. Em poucos segundos, tornou-se muito azul.

- ...Ficou azul. – espantou-se Hermione.

Harry sorriu, e deu o anel para Hermione:

- Ok, fomos idiotas nos preocupando com ela.

Hermione ergueu a jóia na altura dos olhos, e, mais uma vez, olhou a janela, tentando enxergar o Caos no horizonte:

- Puxa vida... o Império não deve estar feliz. Um Caos do tamanho do país... e não pegaram uma única mulher.

Ela suspirou, guardando o delicado anel mágico, e pousou a cabeça no ombro de Harry, que entrelaçou os dedos nos de Hermione:

- Não é uma mulher qualquer, é a Leah. E ela é totalmente café com leite em se tratando de certas coisas. – riu Harry.

– Principalmente no quesito comportamento. – suspirou Hermione, virando os olhos.

- É... acho que iremos nos encontrar mais cedo do que estávamos pensando.

Os dois riram, desejaram "boa noite" um para o outro, e inclinaram as poltronas para poderem dormir o resto da noite na silenciosa área da primeira classe do vôo internacional que saía do Brasil com destino à Inglaterra.

ESPADA DOS DEUSES - EPISÓDIO IV – BRASIL - FIM