Olá gente, quero agradecer a paciência que tiveram por esperar esse capítulo, eu estava muito ocupada no trabalho, mas aqui estou com mais um cap, espero que gostem, ele está na visão da Lys, pois estamos na reta final, acho que mais um ou dois capítulos no máximo...

Ka... Muito obrigada pelo carinho do seu review, fiquei muito feliz pelos elogios a minha fic, muito mesmo... espero que fique cada vez mais com vontade de ler minhas fics e me mande mais reviews... bjussss

Guest... Coloca o nome para eu dedicar o agradecimento diretamente a você da próxima vez, ok... ainda assim quero muito agradecer seu review e estou ainda pensando nessa possibilidade do irmão ou irmã para a Lys... só pensando...

Renata: Ahhh, então você é a Guest desse cap é? Depois de tanto tempo juntos e estarem mais velhos ambos amadureceram bastante neh, eles estão mais íntimos, mais casados do que nunca... ainda nem pensei como será essa batalha... estou pensando ainda... espero que goste dos capitulos nas visões da Lys.

Daniela Snape... bju bjus bjus

Capítulo 49 - Momentos de Lys

POV Lys

Já faz meses que me mudei para Hogwarts. Não posso dizer que foi uma ideia que me agradou no inicio, não queria sair de onde estava. Eu tinha amigos, mesmo que alguns fossem chatos com toda aquela história de me reverenciar, mas eu gostava deles. Sair de lá para Hogwarts foi um choque gigante, mas que eu não poderia negar, afinal eu estava finalmente junto dos meus pais e mais ainda do meu papai Severus. A saudade dos momentos correndo pelos campos com os meninos, enquanto as meninas fingiam ler os livros da escola embaixo de uma árvore, me doía muito, mas a felicidade de poder abraçar meus pais toda noite e manhã suprimia essa dor.

Conheci muita gente estranha nesse lugar, desde um zelador bufante até a diretora com cara de brava, isso sem contar os fantasmas e criaturas estranhas que rodeavam a propriedade. Tive medo dos fantasmas no começo, mas no fim acabei gostando deles, até mesmo do Barão Sangrento que adorava lamentar-se para mim enquanto carregava suas correntes pelo ar. Eu não gostava tanto assim da sua companhia quando os lamentos começavam, mas sabia que Pirraça não chegaria perto de mim estando na companhia do único a qual ele temia.

Hagrid foi um dos que mais gostei, para desgosto do papai Severus, digamos que o jeito estabanado e feliz de Hagrid não era muito bem visto pelos olhos negros dele, mas eu gostava, principalmente porque o guarda caça me levava para a Orla da Floresta Negra e me deixava conhecer algumas criaturas que aos olhos dos outros eram assustadoras e perigosas, mas que para mim não eram nada demais, apenas incompreendidas, talvez. Tudo bem, não irei mentir e dizer que sai ilesa todas essas vezes, mas nas vezes que me machuquei não passei mais do que três dias na ala hospitalar sendo velada, desnecessariamente, diga-se de passagem, por meus pais até que eu tivesse o aval da enfermeira de que poderia ir para casa.

Minha casa era nas masmorras onde sempre fora os aposentos do temível professor Snape. Era bonito e grande, tinha uma lareira onde normalmente me deitava em frente e dormia tendo que ser carregada por meus pais até meu quarto que ficava ao lado do deles. Uma vez ouvi papai Harry dizer que estava com saudades das brincadeiras que faziam no meu quarto. Quase vomitei. Eu sei o que eles fizeram, sou criança, mas não sou tão inocente assim, sei de onde vim e o que foi necessário para meu nascimento. Mas isso não me agradava, eles são meus pais, até aturo os beijos que papai Severus rouba de papai Harry as vezes, mas só isso.

O casamento dos dois não era segredo e nem mesmo minha existência, nós vivíamos como uma família comum, mesmo não sendo comum. Eu ainda treinava com a guardiã mestra que vinha duas vezes por semana para que eu não perdesse meus conhecimentos. Eu gostava muito dela, mesmo ela sendo tão severa quando a professora Minerva. Nós ficávamos na Sala Precisa, só nós duas, não deixava meus pais assistirem, papai Severus fica me analisando pensando onde eu poderia melhorar e papai Harry ficava com uma cara de que eu poderia morrer a qualquer movimento. Mas a verdade é que eu era realmente muito boa no que fazia, sabia manejar uma espada com destreza usando ambas as mãos e minhas flechas sempre acertavam o alvo.

Apesar de adorar meus treinamentos e me sentir uma verdadeira guerreira pronta para a guerra, jamais quis que meu destino chegasse a tal ponto. Não gosto de pensar que um dia terei que ferir alguém, mesmo que essa pessoa tenha nascido para me matar. Talvez se isso acontecesse quando eu estivesse bem mais velha eu pensasse diferente, mas nesse momento provavelmente eu morreria ou no mínimo sairia correndo e me esconderia. Não que eu tenha medo, mas a ideia de que eu causaria a morte de alguém com minhas mãos era nauseante.

Ainda assim todos ali, aqueles que sabiam do motivo de meu nascimento, esperavam o melhor de mim, por isso obtive aval do Ministério da Magia para começar a estudar magia antes de entrar de fato na escola, o que aconteceria somente no outro ano.

É engraçado como o tempo passa rápido em Hogwarts, rapidamente vi os dias passarem, as datas festivas virem e irem com suas maravilhosas festas e os alunos chegarem e partirem para a casa de seus parentes. Como minha casa era em Hogwarts eu não pegava o Expresso de Hogwarts de volta a Londres, apenas acenava para todos os alunos que eu conhecia e até mesmo para os que não me conheciam e então voltava para os aposentos.

Minhas férias dessa vez foram diferentes, visitei os Weasley e dessa vez fiquei uma semana com eles. Papai Severus brigou com a vovó Molly por ela me deixar fazer o que eu quisesse quando ele tinha regras claras e que deveriam ser seguidas. Eu sei que a senhora Weasley não é minha vó, meus avós morreram há muitos anos e nunca poderia conhece-los, mas era assim que eu a via. Depois eu passava alguns dias com meus padrinhos e primos. Eu gostava muito de ficar com a tia Mione, ela era uma pessoa muito inteligente e me contava muitas histórias interessantes, já tio Rony vivia trazendo doces das Gemialidades Weasley e contando as mesmas histórias de Tia Mione, mas com muito mais graça. Eu também passava um tempo com tio Duda, ele gostava muito de mim, mas acho que a mulher dele não gosta, ela sempre me olha atravessado, eu não ligo, mas minha visita sempre resulta em briga entre eles então não fico mais do que um dia na casa deles.

Em resumo, minha vida até o momento tem sido muito boa. Eu tinha tudo que eu queria, meus pais, um lar, novos amigos e comecei a usar magia para me preparar para o futuro, mas nada me preparou para o que eu acabaria enfrentando cedo demais.

Eu já tinha meus onze anos completos quando vi papai Severus entrar em casa com um envelope nas mãos. Eu estava deitada de barriga para baixo no tapete lendo um livro antigo que peguei na prateleira. Assim que ele sentou na poltrona fechei o livro marcando cuidadosamente a página que estava lendo e o coloquei na mesa próxima. Limpei a calça que usava e olhei para papai, ele tinha olhos tão negros que pareciam crueis, as vezes eram, mas naquele momento eu podia ver nitidamente que ele trazia uma felicidade por trás daquela máscara dura que usava enquanto me olhava.

Muitos alunos de Hogwarts temiam meu pai, diziam que ele era cruel e injusto, muitas vezes nem chegavam perto de mim por causa disso, mas somente eu sabia a verdade por trás daqueles cabelos negros e escorridos como os meus. Sei que papai guarda muitos segredos que não quer que eu conheça, ele tem um passado sombrio, erros que cometeu anos antes de meu nascimento e algum enquanto eu já era viva. Porém eu via naquele homem o pai que me amava, aquele que se preocupava comigo, que me ensinava os valores da boa educação, aquele que me abraçava quando os pesadelos com aquela mulher horrível me chamando me fazia acordar gritando a noite. Era nele que eu encontrava a segurança, eu sabia que independente do que fosse, se eu estivesse com ele estaria segura. E somente eu e papai Harry conhecíamos o sorriso dele, o belo sorriso que ele tanto teima em esconder.

- Está tudo bem papa? - Eu não conseguia perder a mania de chamá-lo daquela forma. Ele parecia não ligar, então eu continuaria o chamando assim.

- Recebi isso aqui da diretora. É para você.

De longe o envelope não parecia ser grande coisa, nem algo importante, mas quando cheguei perto o suficiente para pegá-lo com minhas próprias mãos percebi que era o envelope com a carta de Hogwarts. Eu sabia que estudaria em Hogwarts, meu nome estava na lista de alunos desde que nasci, mas ainda assim tocar com meus dedos, olhar para o emblema de Hogwarts assim tão de perto e ler as palavras da diretora era sem igual. Imediatamente abri um sorriso grande e olhei para meu pai com os olhos arregalados, ele me olhava com um leve sorriso nos lábios e orgulho nos olhos.

- Parabéns, senhorita Snape, você é a partir de hoje uma aluna de Hogwarts e suas aulas iniciam no dia um de setembro.

Não me aguentei, pulei no colo dele e o abracei forte, senti as mãos de papai me abraçando e acariciando minhas costas antes de um beijo ser plantado em minha cabeça. Li toda a lista de materiais que eu teria que ter comigo quando as aulas iniciassem.

- Onde o senhor acha que o chapéu me colocará? - Perguntei olhando-o séria.

Papai Severus era sonserino e tinha a Sonserina como um ente querido que ele precisava cuidar e preservar estando sempre perto. Eu sabia que ele diria que eu iria para qualquer casa que fosse a melhor para mim e ele disse, mas no fundo eu queria entrar para a Sonserina, queria dar orgulho ao meu pai, mostrar que não sou parecida com ele somente na aparência, mas também no jeito de ser, mesmo não sendo. Ele nunca me cobrou nada, nem papai Harry, mas eu queria muito ir para a Sonserina por ele. O real motivo de querer me sentar entre os sonserinos era porque eu conheci a história do meu pai e ela não é nada feliz. Não sei de tudo, mas sei de seu passado sofrido, sei o que ele passou na escola, o que o fez entrar para o ciclo de comensais da morte do dito Voldemort e sei mais ainda que papai sempre se menosprezou. Eles jamais esconderam as verdades de mim e quero retribuir essa sinceridade e quero que papai Severus saiba que ele não deve se menosprezar porque eu quero ser igual a ele.

Foi com esse pensamento que no dia primeiro de setembro eu fui para a estação de King's Cross, não era necessário ir, mas a viagem de trem era uma tradição dos alunos e eu não queria perder isso, por isso fui por uma chave de portal até a estação onde me despedi de meus pais e fui em busca de uma cabine no trem. A viagem foi até que divertida, eu não fiquei na minha cabine é claro, fiz questão de andar por ai para conhecer as outras crianças do primeiro ano com quem provavelmente conviveria. Quando chegamos a Hogwarts tomei os barquinhos que levavam os primeiranistas pelo lago até o castelo junto com Hagrid e seu guarda-chuva rosa.

O salão estava cheio quando a professora McGonagall abriu as portas e entrou conosco atrás dela. Todas as outras crianças ficavam admiradas com o teto encantado e com as velas que flutuavam. O salão sempre fica mais bonito na chegada dos alunos, mas eu já vi muito aquele salão enquanto comia junto a meus pais, então fiquei apenas olhando para a mesa dos professores. Papai Harry estava na mesa, apesar de não ser um funcionário do castelo e sim do Ministério, mas como morávamos todos ali não havia lógica papai não sentar-se a mesa conosco, ao seu lado estava papai Severus e seus olhos estavam tão intensos e preocupados, ansiosos para falar a verdade. Eu podia imaginá-lo quicando na cadeira enquanto as outras crianças experimentavam o chapéu seletor até que chegasse a minha vez e chegou.

Respirei fundo muitas vezes enquanto o velho banquinho ficava mais perto. Papai Harry segurou a mão de papai Severus e só pude entender que seus lábios diziam "Tudo menos Grifinória". Dei uma risadinha, papai nem imaginava que eu não queria ir para a Grifinória. Após a grande guerra houve uma febre de crianças querendo fazer parte da Grifinória, alguns eram realmente merecedores, mas outros eram muito prepotentes como se fossem os reis do pedaço. Eu aceitaria ir para qualquer outra casa, mas queria Sonserina.

- Que interessante! - Disse o chapéu em minha cabeça quando a professora o soltou e ele cobriu meus olhos. - Eu fiquei anos esperando o momento em que você me colocasse em sua cabeça.

- Você me conhece? - Perguntei em mente, pois sabia que somente eu poderia ouvi-lo e que ele escutaria todos os meus pensamentos podendo assim termos uma conversa privada.

- Claro que sim, menina, posso ser um chapéu, mas escuto muito bem e sei dos maiores segredos que se passam no mundo mágico.

- Aposto que escuta muita coisa no escritório da diretora.

- Sim, de fato escuto, e foi ali que soube da sua futura existência, quando Dumbledore ainda fazia parte de nosso mundo. Por isso aguardei o momento em que eu deveria tomar essa decisão por você. Ler sua mente e coração. Conhecer-te e te selecionar.

- E o que acha?

- Não sei ainda. Você é muito igual a seus pais. Tem um coração gentil e puro de negror. Tem coragem também, ainda que pouca e um atrevimento distinto. Mas tem algo tão forte em ti que me confunde, algo único e que nenhum aluno antes teve.

- E o que é?

- Amor. Você tem uma carga de amor em sua alma que me confunde muito. Não há ódio em seu coração, não há rancor, nem mesmo uma única parcela de pensamentos ruins. Você se encaixaria muito bem na Lufa-Lufa, a casa dos leais e justos, daqueles que não tem medo da dor e que tratam a todos como iguais.

- Sem querer ser mal-educada, gosto da Lufa Lufa, todos são legais lá, mas quero ir para a Sonserina.

- Sonserina? Interessante seu pedido. Não vejo como você se encaixaria naquela casa.

- Por favor, o senhor colocou Harry Potter na Grifinória porque ele pediu, eu lhe peço, me coloque na Sonserina.

- Acredito que Harry Potter não ficará nada feliz com essa escolha garotinha, mas sua alma será algo valioso no meio dos ambiciosos. Sonserina!

A última palavra foi gritada para todo o salão, o chapéu foi retirado de minha cabeça e imediatamente me adiantei até a mesa da Sonserina onde abriram espaço para mim enquanto me cumprimentavam. Me sentei e olhei para meus pais. Papai Harry estava de braços cruzados e olhava com cara zangada para papai Severus que ainda batia palmas e tinha uma expressão muito orgulhosa e satisfeita.

Minha vida na Sonserina não foi nada fácil. A escola até que não era difícil, eu me esforçava para estudar muito e me sair bem nos trabalhos e exames, sempre prestava muita atenção nas matérias e era muito elogiada pelos professores que perguntavam constantemente por que eu fui selecionada pelo Chapéu Seletor para ir para a Sonserina. No fim apenas aceitavam que entre tantos sonserinos havia uma ovelha negra que fugia a regra. A Sonserina não aliviou as coisas para mim. No começo eu era deixada em paz, minhas colegas de quarto pareciam legais e até eram gentis comigo, mas quando comecei a dizer que as coisas que elas pensavam eram ruins recebi caras viradas e resmungos. Eu não liguei, continuei sendo eu mesma. Com o tempo alguns alunos não falavam mais comigo e os que nunca falaram continuaram não falando.

O importante é que eu sempre deixava papai Severus contente quando levantava a mão em sua aula e respondia corretamente as perguntas feitas. Só para deixar claro, jamais obtive ajuda dele para qualquer coisa em relação as minhas matérias, papai sempre disse que eu era inteligente e que conseguiria obter a resposta sozinha estudando. Por isso que ele tinha que me carregar para a cama quando eu dormia sobre os trabalhos e livros.

Em resumo, passei meus três primeiros anos em Hogwarts no meio de alunos que me detestavam, professores que me amavam e com meus amados pais me apoiando em quase tudo que eu fazia, mas dando broncas quando aprontava alguma coisa junto a Hagrid ou outro aluno da escola, normalmente os grifinórios que não tinham preconceito com o fato de eu ser sonserina ou filha do professor Snape.

Foi então que cheguei ao meu quarto ano. Eu já tinha quatorze anos completos, estava mais alta, meus cabelos negros estavam maiores passando dos ombros e chegando até o meio das costas, mas curto na frente para que eu pudesse fazer a cortina de cabelos como meu pai. Os sonserinos ainda não gostavam muito de mim, mas eu já estava tão acostumada que não ligava para isso. Eu fazia parte da equipe de quadribol da Sonserina e era apanhadora como meu pai, uma das melhores do ano para ser sincera. Acho que essa parte está no sangue já que vovô Potter era apanhador da Grifinória também.

Estávamos no finalzinho de Outubro, os primeiros testes já estavam marcados para o começo de Dezembro e eu me matava de estudar para tirar boas notas em tudo.

- Você me lembra um pouco a Mione. - Disse papai Harry sentando-se na poltrona e me olhando estudar no chão com os pés virados para a lareira querendo aproveitar o calor que vinha do fogo. - Ela vivia com um livro na mão e todas as respostas que ela tinha era decorada de algum lugar.

- Ela era uma sabe-tudo-irritante. - Disse papai Severus saindo do quarto arrumando suas vestes negras que ele nunca abandona.

- Não falei assim da Mione, Severus. Apesar de você sempre a tratar mal ela gosta de você.

- Por que é uma tola.

- Ei, pare com isso. Não gosto quando fala essas coisas.

Eu fiz uma careta quando Papai Harry se adiantou e beijou papai Severus na boca, com língua. ECA! Como eu disse, eles são meus pais, é meio nojento, mesmo eu já tendo quatorze anos e ter alguns meninos povoando minha mente.

- Vamos jantar?

- Sim. - Disse levantando, minha barriga já começava a roncar. - Estou com fome.

- Você vai assim? - Perguntou papai Severus.

- O que que tem? - Olhei para minha roupa e não vi nada demais, estava com uma calça jeans, camiseta branca e tênis. Nada demais. - Eu não usarei um vestido. Sabe que não gosto de vestidos, papa.

- Severus, deixe a menina ir do jeito que ela quiser. - Ralhou papai Harry arrumando a camisa azul que vestia.

- Não precisa usar um vestido, Lys Prince Snape. - Eu odiava quando ele falava meu nome todo, eu sempre estava encrencada quando isso acontecia. - Mas tenha o mínimo de decência de colocar uma roupa que tenha usado para se esfregar no chão e tapete.

- Eu estava fazendo lição e não me esfregando.

- Não me responda, mocinha.

- Lys. - Chamou papai Harry quando eu cruzei os braços na frente do peito e abri a boca para retrucar. - Vai trocar de roupa filha, assim poderemos ir jantar.

Eu engoli minhas palavras e olhei intensamente para papai sem conseguir manter o contato visual muito tempo, logo já tinha voltado para o quarto, trocado de roupa e escovado os cabelos. Odiava quando papai fazia isso, controlava o que eu fazia ou vestia, mas não ficava com raiva dele, no fundo sei que ele faz isso para cuidar de mim, por isso a sensação ruim que tenho quando brigamos ou ele briga comigo foi embora e eu voltei para a sala novamente.

- Melhor?

- Bem melhor, agora sim poderemos ir jantar em paz.

Papai Severus colocou o braço nas minhas costas e me guiou para fora. Eu gostava de andar assim com meus pais, parecia que nada poderia nos derrubar, nada se intrometesse entre eles. Pelo menos eu pensava assim, até que vi os olhos dela pela primeira vez. Naquela noite o jantar foi espetacular como sempre, eu comi, ouvi conversas dos meus colegas de casa e li minha revista do O Pasquim de ponta cabeça achando muito engraçada a narrativa sobre os estranhos animais que podem comer seu cérebro caso entrassem por seu nariz em um dia de furacão. Doideira, eu sei, mas adoro essa revista. Foi quando estava terminando a matéria que ouvi o chamado da diretora pedindo atenção.

- Antes que cheguemos as deliciosas sobremesas quero informar que esse ano teremos uma nova integrante em nossa escola. Ela veio de longe e não conhece nossos costumes, por isso peço que a acolham como sua verdadeira aluna de Hogwarts, pois será isso que ela se tornará a partir do momento que o chapéu a selecionar. Senhor Filch, por favor, traga a menina.

Eu me virei no banco e olhei para a porta, de onde estava conseguia ver nitidamente quem entraria, mas o senhor Filch estava na frente da menina e por isso tive dificuldade de vê-la, mas quando a vi fiquei impressionada. Ela era muito linda, de dar inveja, é verdade, mas não foi isso, foi algo nela, algo dentro dela que mexeu comigo. Eu franzi a testa e me remexi no banco enquanto ela passava direto por mim sem nem mesmo olhar em minha direção. Virei-me e olhei para suas costas onde os cabelos loiros encaracolados balançavam resplandecendo pelo salão. A professora Minerva trouxe o banquinho com o chapéu e explicou todo o processo para a menina que segundo a professora tinha quatorze anos também e entraria para a quarta série.

Sinceramente não sei o que me aconteceu, mas uma curiosidade tremenda se abateu sobre mim, eu queria saber sobre ela, conhece-la, falar com ela. Essa sensação me assustava, jamais senti isso, mas aquela menina, de alguma forma, me chamava. Olhei para a mesa dos professores e o que vi me deixou mais tensa. Meus pais ora olhavam um para o outro, depois para mim e depois para ela, e o mais preocupante era que papai Severus havia fechado completamente a cara em uma expressão clara de preocupação e pior ainda, medo. Meu papa estava com medo. Mas por que? Ele era o homem que me passava segurança, ele não tinha medo de nada, os outros tinham medo dele. Por que ele estava assim?

Olhei novamente para o centro do salão principal e a vi se sentar no banquinho, nem mesmo ouvi o nome dela, só vi ela se sentar e esperar. Lembro-me muito bem de me dizerem que o chapéu seletor demorou para me escolher e eu acredito, afinal, fiquei batendo papo com ele enquanto a escola esperava para saber a seleção, mas no caso dela o chapéu nem mesmo encostou em sua cabeça, apenas abriu o rasgo no meio e gritou para todos.

- Sonserina!

Os alunos bateram palmas, principalmente a minha casa, e todos acompanharam a menina com os olhos. Ela se sentou na ponta da mesa, muito longe de mim para que houvesse algum contato entre nós. Misteriosamente perdi o apetite, não houve sobremesa que me encantasse ou desse água na boca, estava muito inquieta com aquilo que eu sentia. Por que aquela menina mexia assim comigo? Para a surpresa de todos me levantei da mesa e sai do salão indo diretamente para meus aposentos, ao chegar lá foi para meu quarto e me joguei em minha cama. Não demorou muito para que eu ouvisse a porta abrir.

- Filha? - Chamou a voz de papai Harry entrando em meu quarto. - O que houve?

Me sentei na cama abraçando o travesseiro com força ainda sentindo aquela coisa estranha dentro de mim, algo que era mais profundo que minha alma, algo de minha existência que fora acordada com a chegada daquela menina. Senti a mão e papai em meu braço, ele estava sentado ao meu lado e seus olhos verdes eram preocupados, senti vontade de abraçá-lo e assim como sempre fui cedi ao meu impulso jogando-me em seus braços. Eu já não era mais uma criança, já era grande, meu corpo já começava a se formar como uma adolescente deve ser, mas me senti uma criancinha que recorre ao colo dos pais quando o medo a assola. Eu estava com medo por que aos poucos a verdade vinha em meu coração. Uma verdade que eu não queria que acontecesse, não naquele momento.

- Lys? - Ouvi a voz de papai Severus me chamando, ele estava de pé do nosso lado e seus olhos negros transbordavam de preocupação. - Filha?

Eu queria responder, queria mesmo. Mas não conseguia, eu apenas continuei abraçada ao meu pai enquanto via em meus olhos as imagens distintas de eras anteriores. Respirei fundo quando a vi. Ela parecia real para mim, eu poderia tocá-la se quisesse, mas não consegui. A mulher era linda e tinha uma aura vibrante, ela sorriu para mim e se aproximou tocando levemente em meu rosto.

- Prepare-se minha criança, o seu destino está mais perto do que pensa.

Franzi a testa para ela, pois não queria ouvir aquelas palavras. Eu sempre soube que o meu destino um dia seria cumprido. Apesar de amar meus pais e a vida que tenho, não nasci para eles, nasci para matar alguém.

- Não cometa o mesmo erro que minha princesa no passado. Só você tem o dom para acabar com essa maldição. Finalize A Lenda. Termine essa história.

Eu quase acenei para ela, mas naquele momento senti uma mão forte me trazendo para a realidade, foi então que percebi que estava com falta de ar. Vi os olhos negros de meu papa bem perto de meu rosto enquanto ele tirava minha blusa deixando-me apenas com minha camisetinha fina que usava por baixo. Ele postou a mão em meu peito e me pediu para me acalmar. Mas era muito difícil, as lagrimas queimaram em meus olhos ao saírem e caírem em meu rosto. Meu pulmão ardia pela força que eu fazia para empurrar o ar para dentro. Papai Harry estava ao meu lado falando coisas doces e segurando minha mão. Aos poucos, como sempre, meu pai conseguiu me acalmar, seus negros olhos eram duros e firmes e foi neles que me prendi para conseguir acompanhar o movimento de sua mão indicando quando eu precisava expirar e inspirar.

- Continue respirando fundo, filha. - Disse papai secando minhas lágrimas. - Vai ficar tudo bem, se acalme.

E então me acalmei o suficiente para encontrar voz em minha garganta.

- Você sabe quem ela é?

Vi sua sobrancelha subir e quase se misturar com seu cabelo antes de olhar para papai Harry que beijou minha mão chegando mais perto.

- É apenas uma nova aluna, nada demais filha. Acho que o nome dela é Morgan alguma coisa.

- Morgan Kematian.

- Não. - Sussurrei olhando no fundo dos olhos de meu pai e me achando no meio do negro. - Ela é a guerreira das sombras.