Edward's POV

As notícias de Bella só vieram horas depois que eu pude ver minha filha.

Minha pequena, tão frágil. Não havia qualquer outro instinto que não fosse a vontade de pega-la no colo e protege-la com minha própria vida. Mas eu não podia pega-la no colo, não podia tentar aninha-la desajeitadamente nos meus braços e esperar que Bella risse de mim e me ensinasse o melhor jeito de cuidar dela, porque as coisas não são como nós queremos.

Charlie foi o primeiro a visitar Bella. Eu não poderia impedi-lo de fazer isso. Entendia agora como era querer proteger um filho, e por mais que parecesse impossível de suportar, adiei alguns minutos da minha visita para que ele fosse vê-la primeiro.

Bella estava em um quarto monitorado, e pelo que os médicos haviam dito, ela ficaria melhor em um ou dois dias.

Eu não pude evitar a pressa em vê-la quando o médico disse que eu poderia ir até lá.

O alívio de vê-la finalmente se misturou ao pânico que surgiu quando percebi o quão fraca ela parecia. Seus olhos estavam fechados, seu rosto pálido e seus lábios brancos, secos. Os braços ao lado do corpo estavam imóveis e a única coisa que me fez minimamente mais calmo, foi o barulho das batidas do seu coração no aparelho.

Me sentei desajeitadamente num pequeno espaço ao seu lado, tomando sua mão esquerda nas minhas, sentindo a fragilidade do seu corpo quente.

- Bella... – Chamei, baixinho. Minha voz estava tão quebrada que logo meus olhos começaram a perder foco de tão embaçados. Esfreguei os dedos ali rudemente, me aproximando do seu rosto. – Bella, eu estou aqui. Nossa filha está bem, e ela precisa de você... – Funguei repetidamente, alisando seus cabelos. – Eu preciso de você.

Era difícil vê-la daquele jeito e pensar que horas atrás tudo parecia diferente.

O silêncio do quarto me inundou numa sensação muito agonizante e eu tive que travar o queixo numa tentativa quase falha de suportar a bagunça que havia dentro de mim.

Era injusto. Injusto que Bella estivesse assim depois de lutar tanto por nossa filha. Injusto que eu não pudesse fazer nada além de esperar. Injusto que esperar era por um tempo indefinido.

Eu tinha tanta coisa em mente que parecia que todos os rabiscos tinham se juntando num plano preto e sem espaços, e era terrível.

Encarei Bella, contendo a mão trêmula pra alisar suas bochechas com cuidado. Nesse instante, suas pálpebras tremeram e seus olhos se abriram tão pouco que eu quase não pude ver que isso tinha acontecido. Achei que fosse coisa da minha imaginação, e por isso demorei pra perceber o quanto ela se esforçava pra deixar os olhos abertos.

A sensação seguinte foi de um líquido escorrendo pelas veias depois de uma injeção dolorida. Suspirei alto, tentando sorrir com aquela cara molhada e patética.

- Eu... – Sua voz saiu tão baixa que eu quase não ouvi. Ou talvez não tenha ouvido, mas na ânsia de entender o que ela dizia, acabei lendo seus lábios. – Estou cansada.

De fato, sua voz não estava saindo tão audível assim.

- Eu sei que está. Mas olhe, você vai ficar bem. Os médicos disseram isso. Você perdeu muito sangue, meu amor, mas você conseguiu. Lutou pela nossa filha.

Uma gota escorreu pelo seu olho direito, e seu rosto se contorceu em uma cara de choro exausta. Recebi um soco invisível no estômago.

- Foi tudo... – Uma respirada fraca, uma pausa. – Por minha causa... Eu não consegui... Não fui capaz de...

- Não diga isso, Bella. – Eu comecei, impedindo que ela continuasse. – Não, nem mesmo pense nisso. Nada foi sua culpa. Nossa filha está bem, e você vai ficar bem também, me ouviu? Ela precisa de nós dois.

Ela tentou segurar minha mão com alguma força, mas só conseguiu apoia-la na minha. Fez algo como tentar balançar a cabeça positivamente por alguns segundos.

- Cuide de mim. – Ela murmurou, e quando eu concordei, seu rosto tombou levemente para o lado e sua respiração se tornou um suspiro de inconsciência.

Suspirei, esfregando uma mão no rosto e me recusando a largar a outra que segurava a de Bella.

- Ela vai ficar bem. – Murmurou um médico da porta da sala, o que tinha me prometido que ajudaria Bella e minha filha. – Amanhã quando o senhor voltar, verá que ela já estará melhor.

- Eu sei. – Murmurei, tentando estabelecer alguma firmeza na minha voz. – Vai ficar tudo bem.

Quando eu saí da sala, Jasper e Alice me esperavam. Allie facilitou as coisas não fazendo pergunta alguma, e me abraçou de um jeito que fez as coisas parecerem melhores.

- Ela vai ficar bem. – Sussurrei, abrindo um sorriso um tanto forçado, mas otimista.

- Claro que vai, brother. – Ela sorriu mais animada que eu, mas ainda tinha algo relutante no modo como ela concordava com a cabeça. – Agora vamos, Esme e Carlisle já foram ver o pequeno David ou Kevin ou Noah ou Caleb. Até convenci Charlie a subir. Agora venha, Edward, venha!

Enlaçou o braço no meu antes de puxar Jasper pra irmos ver o menininho de Emmett.

Allie me contou uma história bem dramática sobre como Emmett tinha desmaiado quando o bebê nasceu, e tudo que meu irmão fez foi negar com a cabeça e revirar os olhos: "Foi falta de oxigenação no cérebro por causa da emoção, só isso"

Allie, Emm, Jasper e uma Rosalie reclamona pós-parto conseguiram arrancar algum tipo de risada minha, por que a encenação de Jasper do desmaio de Emmett foi simplesmente cômica.

Eles perguntaram sobre Bella e minha filha, e eu contei como a bebê era pequena, mas cheia de energia. Suas palavras foram as melhores que eu poderia ouvir, e eu só sorri, vendo minha deixa pra sair do quarto quando as enfermeiras entraram reclamando da quantidade de pessoas ali dentro quando Rose mal tinha se recuperado.

Carlisle e Esme ainda estavam olhando o bebezinho na maternidade, e não foi difícil acha-los. Era só ouvir os cochichos baixinhos do casal mais babão do universo.

- Olhe, Carlisle! – Mamãe fez algum gemido de admiração, se aproximando mais ainda dos braços do papai e eu ri.

Nessa hora, os dois me olharam apreensivos.

- Meu filho. – Esme colocou as mãos no meu rosto como se pudesse limpa-lo de algo invisível. – Charlie nos contou sobre Bella. O médico disse que vai ficar tudo bem, não disse?

Concordei com a cabeça.

- Charlie disse que te esperaria no restaurante. – Carlisle começou, colocando a mão no meu ombro. Distorci o rosto numa negativa. – Não venha com essa cara, Edward. Eu te conheço, vai dizer que não está com fome. Não me convence, nunca me convenceu. Trate de se juntar ao Charlie e coma alguma coisa.

- Seu pai está certo. – Esme apoiou, tentando parecer brava. – Deve fazer muito tempo que você não come.

Eu já nem fazia mais questão de saber quanto tempo tinha ficado no hospital desde que tudo começou. Parecia uma eternidade de qualquer forma.

Quando finalmente encontrei Charlie no meio da confusão de mesas e pessoas, ele já me esperava com alguma refeição.

- Como você demorou, tomei a liberdade de escolher algo pra você. – Charlie apontou pra caneca enorme que estava à frente da sua. – Bella me mataria se eu pedisse algo mais gorduroso, então pedi uma sopa. É bom porque algo pesado demais poderia dar alguma coisa.

Me sentei na cadeira vazia a sua frente, levemente incomodado com o fato de que ia tomar sopa com o meu sogro que há pouco tempo me odiava.

Esfreguei o rosto algumas vezes e acabei bocejando, subitamente cansado.

- Toma logo essa sopa, filho. Vai acabar esfriando. – Charlie reclamou rabugento, mas eu sorri quando percebi que ele tinha me chamado de filho.

Coloquei uma colher de sopa na boca. Nada ruim, por sinal. Parecia queijo, com aquelas bolinhas mastigáveis que pareciam pão, mas não eram pão. Não sei o nome, mas caiu bem no meu estômago.

- Tem razão. Sopas leves caem bem melhor pra momentos como esse.

- Claro que tenho razão, eu sou o velho com experiência. – Charlie riu brevemente e eu o acompanhei.

Ficamos em silencio por alguns minutos, ouvindo o barulho das pessoas e dos talheres se misturando numa bagunça.

- Viu minha filha? – Comentei, sorrindo. – Tem os olhos da Bella.

Charlie sorriu, pensativo.

- Eu adoro os olhos da minha filha. É o que mais gosto nela. – Charlie comentou, olhando pra sua caneca vazia. – Mesmo quando nós brigávamos, nada nos olhos dela mostravam algo que me fizesse pensar que essa não era a parte mais linda dela.

- Sabe que nós brigamos muito, não sabe? – Charlie continuou, me olhando. Concordei. – Agora mudou. Gostaria de ter vivido esses tempos melhores por mais tempo.

- Sua chance está aí, Charlie. – Comentei firmemente. – Sua filha vai precisar de você como nunca nessa arte de se ter um filho. E acho que posso pegar algumas dicas também.

Charlie sorriu por alguns segundos, depois bufou e murmurou algo que eu não ouvi.

- Você vai cuidar bem delas. – Charlie bufou de novo, alisando o bigode. – Não faça eu me arrepender de ter aceitado você na família, menino.

Carlisle e Esme me convenceram a passar em casa, tomar um banho e cochilar por algumas horas, mas não foi tão bom quanto parecia, então fiz tudo o mais rápido que eu pude e cochilei de mau jeito por cinco horas quebradas no sofá da sala.

Quando cheguei ao hospital no dia seguinte, visitei meu sobrinho rapidamente, dei um olá para Rose e Emmett e corri pra ver minha filha.

Ela estava do mesmo jeitinho, como se eu tivesse saído por trinta segundos. Os olhos grandes e castanhos me olhavam como se eu fosse a única coisa que ela pudesse ver, e eu gostei de pensar que pudesse ser isso mesmo. Toquei sua mãozinha e seu rostinho pequeno e segurei o impulso de tirar tudo que havia nela pra segura-la no colo.

- Ela está melhor que ontem. – Começou uma enfermeira ao meu lado. – Já escolheram o nome?

- Emily. – Respondi sem desviar os olhos das bolinhas castanhas que me encaravam enquanto suas perninhas se mexiam sem parar. – Quando vou poder pegá-la no colo?

- Logo. – A enfermeira respondeu. – É muito importante que o bebê tenha contato com os pais. Estamos esperando que ela se acomode melhor, ganhe mais algumas gramas e resistência, e logo você e sua mulher poderão pegá-la.

Ela se aproximou mais um pouco da incubadora, sorrindo.

- Que olhos lindos! – Ela disse, e minha filha acabou desviando os olhos de mim para olhar pra enfermeira. Segurei a vontade de bufar, e me contentei com o fato de que ela estava segurando meu dedo direito suavemente.

- São como os da minha mulher. – Eu falei sorrindo, e minha filha voltou a me olhar, agitada.

Me senti mais aliviado.

- Acho que ela gosta da sua voz! – Ela riu baixinho.

Charlie já estava lá quando eu cheguei pra ver Bella, mas eu pude entrar no quarto mesmo assim, o que significava que ela estava melhor.

Bella estava acordada, mas com o mesmo aspecto de cansada que antes. Pelo menos ela sorriu quando me viu, tentando parecer o mais natural possível.

Beijei sua testa, me sentando ao seu lado.

- Como você está? – Perguntei. – Cansada, não é? Não, não precisa falar. Charlie, como ela está?

- Edward! Eu posso falar. – Bella reclamou, mas sua voz estava bem arrastada e baixa.

Sorri feito um bobo e beijei seu rosto de novo.

- Como você está? – Perguntei.

- Melhor que ontem. – Ela mordeu o lábio seco, subindo a mão lentamente pro meu rosto. Sua testa franziu. Ela piscava com calma e tudo parecia sair em câmera lenta da sua boca. – Quantos dias fiquei aqui?

- Um, dois... – Charlie respondeu depois que eu fiquei em silêncio, sentindo seu toque. – Não sei, filha, mas pareceu uma eternidade.

Concordei com a cabeça, puxando sua mão pra depositar um beijo ali.

- Edward, você precisa descansar. – Bella disse lentamente. – Dá pra ver como você está cansado, meu amor.

Sorri de novo. Era bom ouvir sua voz me chamar de amor.

- Nossa filha é linda. – Comecei. Bella sorriu, exibindo os dentes. Fechou os olhos e encostou a cabeça no colchão, como se estivesse se deliciando com algo. Talvez só estivesse cansada de manter a cabeça para frente.

- Me conte sobre ela. – Ela pediu devagar. – Me conte tudo.

- É uma menina linda. – Charlie começou. – Pequena, mas enorme.

Bella riu fracamente.

Contei a ela cada detalhe que podia me lembrar, evidenciando o quão linda ela era. Bella sorria, os olhos cheios de lágrimas.

- Ela vai ficar bem, não vai? – Bella perguntou com a voz embargada.

- Claro que vai. – Charlie concordou.

Ela concordou com a cabeça lentamente, segurando o choro com uma carinha de criança.

Bella só conseguiu visitar nossa filha no dia seguinte, no final da tarde. A colocaram numa cadeira de rodas com o soro de um lado e minha mão do outro.

Não conseguiu parar de chorar por nenhum momento, e só parou depois de duas horas, já de volta ao quarto em que estava hospedada. Por causa da hemorragia Bella estava muito fraca, e era difícil pra ela fazer muito esforço por muito tempo.

Carlisle e Esme apareceram por lá, e enquanto papai me confortava, mamãe limpava as lágrimas de Bella com as dela. Nada fazia Bella chorar menos. Nem mesmo Alice, quando ela apareceu por lá com Jasper, tentando parecer toda confiante e animada.

Rosalie, Emmett e Noah – o menino gordinho de cabelo escuro e olhos quase pretos finalmente tinha um nome – foram nos visitar no dia seguinte. A nós, porque Charlie e eu já éramos quase parte integrante do quarto, como os móveis.

Bella ficou encantada com Noah, e nunca pareceu mais emocionada quando Rose o colocou no seu colo. Ela deslizava os dedos pelo rostinho do menino, os olhos brilhando tão intensamente que hora ou outra uma lágrima grossa escorria solitária pelo rosto.

Noah era pesado. Segurá-lo foi um pouco mais estranho do que eu achei que seria, mas foi interessantemente bom. Era um pouco engraçado, e parecia meio perigoso, mas foi bom.

Naquela noite, Charlie foi pra casa e eu fiquei com Bella. Acho que as enfermeiras estavam dando alguma cobertura nas minhas noites por lá.

Revezei alguns horários com Charlie, e depois de sete dias, Bella recebeu alta.

Foi difícil leva-la para casa, e a convencer – e me convencer – de que deixar nossa pequena lá era a coisa certa a se fazer.


Boa noite (madruga)

Eu prometi na outra fic que ia postar até esse domingo (24), mas não consegui me aproximar do computador hehehe

Estou aproveitando essa madruga de terça-feira pra postar a continuação dos meus amadinhos, o que é melhor que não aparecer.

Espero que gostem do capítulo, e muito obrigada pelas reviews. Amo o suporte que vocês dão 3

Eu volto, meninas, eu volto ;D