44 De volta à escola
O abençoado silêncio das férias de inverno no castelo foi preenchido por centenas de vozes excitadas de estudantes, mais uma vez o calor e a vitalidade juvenil soprava nas antigas muralhas. Harry estava feliz por mais uma vez ter a oportunidade de ver Ron e Hermione, mas por outro lado, sentiu grande tristeza por que ele não podia mais ver e se encontrar mais vezes com Severus. Ele não podia ficar com ele de noite. Logo agora que tinha obtido uma permissão completa. Quando finalmente conseguiu uma proximidade maior entre eles.
Tinha derrubado os únicos obstáculos restantes. Agora só tinha três horas, duas vezes por semana. Não era o suficiente. Era muito pouco, ele imaginava isso com o coração pesado. E, claro, podia ter os encontros ocasionais durante os quais – teria que inventar uma desculpa para os amigos - "sentei-me na Sala Precisa, para pensar um pouco e ficar sozinho comigo mesmo." Mas essa justificativa não seria aceita, já que ele passou quase duas semanas longe deles, para poder "pensar solitariamente". Não, ele tinha que criar outra resposta.
Seus amigos, especialmente Ron - tinha muito a contar-lhe e Harry suspeitava que não veria seu travesseiro tão breve neste dia. Ele só conseguiu dizer algo em meio a conversa de Ron, quando Hermione perguntou-lhe como ele passou as férias.
- Ótimo! - Ele respondeu alegremente, e era uma verdade sincera. - Quero dizer, é claro que com vocês, seria mil vezes melhor - melhorou rapidamente, vendo o amigo surpreso - mas foi muito bom. Passei bastante tempo com Hagrid, ou na Biblioteca e eu aprendi muito. - Após esta confissão Hermione sorriu orgulhosa e Ron franziu a testa e balançou a cabeça em descrença, como se empregar as férias em estudos fosse algo totalmente anormal para ele.- Oh, eu também passei um tempo com Luna, porque ela também estava em Hogwarts.
- Luna? - Hermione olhou para ele com surpresa.
- Sim. Eu não perguntei por que ela ficou, mas foi agradável ter pelo menos um rosto familiar por perto. Então, como você vê, eu não me senti tão só. - Harry sorriu. - Estou tão feliz por vocês terem passado um grande tempo com suas famílias. Eu provavelmente perdi um monte de coisas, não?
Ron agarrou a ponta, vendo a oportunidade para ele continuar a história.
- Harry, você só pode lamentar por não ter estado com a gente! Minha mãe assou uma tonelada de cookies! Eu acho que você recebeu um pacote deles. - Harry balançou a cabeça, lembrando vagamente de uma caixa de guloseimas da Sra. Weasley que caiu em algum lugar debaixo da sua cama. Esqueceu completamente disso. - Fred e Jorge explodiram alguns enfeites na árvore de Natal decorada. Mamãe ficou tão furiosa que derramou sopa sobre a mesa. Gui e Fleur também estiveram lá. E mesmo Charlie. Ele nos trouxe um monte de luvas de pele de dragão. Eu trouxe um par para você, porque minha mãe insistiu. Não acredito que você precise de outra ... - Ron balbuciou, curvando-se para Harry com olhos brilhantes e bochechas vermelhas de antecipação. Ele enfiou a mão no bolso e tirou um pequeno tubo com o comprimento de um terço de uma pena, feito de pedra preta e decorada com dentes pequenos, branco leitosos.
- O que é isso? - Harry perguntou quanto Rony colocou o objeto em suas mãos. Era muito pesado.
- O que a mais recente tecnologia bruxa tem desenvolvido. Olhe. - Ele pegou o objeto com dois dedos e com sua outra mão agarrou os apêndices de madeira que saiam de um lado do tubo. Ele puxou e, para o espanto de Harry, um pequeno objeto saiu dele, longo, cerca de trinta e cinco polegadas, em perfeito estado. - Impressionante, né? - Ron perguntou, ao ver o olhar de admiração do amigo. – Ainda não há deles no mercado. Só estarão a venda no próximo mês. Ele funciona da mesma forma que a tenda, onde ficamos durante a Copa Mundial de Quadribol. Pode-se ir a toda parte com ele no bolso, é muito mais conveniente andar com isso do que com as longas varinhas, machucando sua pele- Ron acabou deslizando a varinha para trás e guardando-a no bolso.
- Mas eu duvido que seria tão conveniente se você fosse subitamente atacado e tivesse que rapidamente sacar essa varinha para se defender – chiou Hermione, que estava sentada ao lado deles, lendo um manual no braço do sofá diante da lareira na Sala Comunal da Grifinória, que era preenchida com o zumbido dos alunos relatando tudo que andaram fazendo durante as férias.
- Você gosta de exagerar.- Ron resmungou, jogando um olhar um pouco irritado para ela, mas sem a raiva habitual.
- Não, eu só sou prática - respondeu a menina, sorrindo levemente. - Em contraste com você.
- Mas isso aqui também é prático. Afinal, ele pode realmente facilitar a vida de todos os bruxos e bruxas. Já não vai ser um inferno encontrar uma roupa para o baile com um bolso adequado para por a varinha. Isto aqui pode caber em qualquer bolso. Mesmo o menor.
Hermione corou e olhou como se fosse explodir, mas em vez disso ... desatou a rir.
- Oh, Ron, você devia trabalhar no departamento de publicidade - riu, enquanto Ron ficou coberto por um rubor pesado.
Harry os observava com espanto crescente, sentindo ao mesmo tempo um calor agradável no coração devido ao fato de que mais uma vez ele podia ouvir o seu riso. Mais uma vez eles estavam juntos. É verdade que ele tinha que enganá-los e não se sentia confortável com isso, mas eram seus melhores amigos e não imaginava ficar sem eles.
- Eu não acho, Hermione. Eu preferiria poder inventar essas coisas. - Bateu no seu bolso. - Fazer algo que tornasse mais fácil a vida das pessoas. Algo que pode ser útil para alguém.
A menina parou de rir e encarou-o suavemente com olhos brilhantes, em tom de avelã.
- Oh, Ron ... - Sussurrou e se inclinou para frente, pressionando os lábios macios no menino surpreso. O ruivo se encheu mais ainda de rubor ardente.
Harry olhou para eles com os olhos arregalados.
Bem, foi um pouco ... surpreendente. Na verdade, ele viu como timidamente eles se beijaram durante a festa de Natal em Hogsmeade, mas estava todo mundo meio embriagado, tinha uma enorme diferença de um beijo dado na frente de toda a casa, e Harry teve a impressão desconfortável de que tinha perdido alguma coisa.
- Um ... - Ele disse finalmente, sem saber o que dizer. - Eu ... Quero dizer ... a menos que eu tenha perdido alguma coisa - alongou, olhando de um para o outro, piscando.
Hermione olhou para Rony e sorriu. Ela parecia um pouco envergonhada.
- Harry, nós ... - Ron começou com incerteza.
- ... Nós estamos juntos – concluiu a grifinória.
- Eu notei - Harry disse com ênfase. Não quis buscar explicações tão bruscamente quando viu o olhar assustado dos amigos. - Mas ... como? Sempre discutiam o tempo todo.
- Não é tão simples assim - Hermione disse baixinho, mordendo o lábio. - Eu só ... às vezes você percebe que a pessoa que mais causa ebulição emocional em você, é justamente a que você não pode se imaginar longe, sem ela na sua vida. Acho que é isso, o que mais irrita você nessa pessoa, é de fato o que você mais gosta. As brigas e disputas é realmente um sinal de envolvimento emocional tremendo.
Harry olhou para ela com a boca aberta. Ele olhou para Rony, buscando uma confirmação.
- É isso aí, cara. Naquele dia, bêbado, foi como se de repente... como se ... como se algo dentro de mim se abrisse e... você sabe. - Ele olhou hesitante para Hermione. Era como se tivesse se desculpando por seus sentimentos, e Harry, de repente se sentiu muito bobo.
Afinal de contas, eles têm o direito de estar juntos. Eles têm o direito de ser feliz. Por que, então, sentiu um abraço estranho no coração? Ele incentivou Ron a se aproximar da amiga durante a festa. Mas ele nunca pensou que poderia se transformar em algo mais profundo. Que seus melhores amigos, de repente lhe dissessem que eles estão ... juntos. Agora eles vão viver em um mundo a parte, só deles, ao qual ele não terá acesso. Compartilharão algo que ele não será capaz de compartilhar junto. E, no entanto, até agora sempre faziam tudo juntos. E agora eles vão fazer algumas coisas separados.
Ele sabia que esse sentimento de exclusão era irracional, que ele tem segredos para eles, mas ele não conseguia livrar-se desse abraço. Ele sentiu que tinha acabado de terminar um estágio de sua vida. E isso lhe dava uma sensação muito, muito ruim.
- É ... super – alongou no final, gravando um sorriso artificial no rosto.
- Desculpe, por estarmos falando com você sobre isso só agora, mas é que não estávamos plenamente decididos, só nos definimos nas férias - disse Hermione, olhando para ele ansiosamente.
- Passaram o Natal juntos?
- Nem todos os dias. Cheguei logo depois do Natal - ela explicou rapidamente, como que querendo apagar qualquer interpretação errada.
- Nesse caso é bom que você não tenha se incomodado comigo aqui.- disse Harry, e ele amaldiçoou em sua mente o tom amargo.
- Oh, Harry, você sabe que realmente queria que você ...
- Perdoe-me, Hermione. Eu sei que vocês aproveitaram a minha ausência. Assim poderiam ficar apenas vocês dois.
A garota revirou os olhos.
- Pare de acreditar nesses pensamentos malucos. Somos bons amigos. Você não vai, de repente, ser excluído, se é isso que você quer dizer - respondeu bruscamente, olhando-o diretamente nos olhos. Ron não falou, estava claramente surpreendido e dominado por toda a situação.
- Desculpe, eu ... não queria dizer isso. É ... Estou feliz que você estejam juntos. É isso aí - arrastou, olhando para o padrão de desenhos do carpete.
- Bem, só vamos ficar meio estranhos como você - disse Hermione baixinho, embora sua voz ainda ecoasse com algo um pouco nervoso.
- Mas você ao menos saberá por que - disse Rony de repente. - Nós, pelo menos não mentimos para você.
- Ron! - Hermione repreendeu.
- O quê? Você mesmo disse que provavelmente é por isso que ele fica vagando em algum lugar, com a cabeça nas nuvens. Anastácia disse que ele estava com uma garota da Sonserina e...
- Eu não vou explicar isso para você! - Rosnou Harry e pulou do sofá.
- Harry! - A menina ainda tentou salvar o dia, mas as palavras de Ron apenas encheram o copo.
- Eu vou para o dormitório – disse e , sem esperar por uma resposta, ele correu para as escadas. Ele se jogou na cama e olhou para o teto.
Não que ele imaginou que o retorno deles lhe traria paz. Ele sabia que não deveria se comportar assim, mas ele não podia fazer nada, ele se sentiu tão ... traído. Excluído. Rejeitado.
Talvez fosse apenas uma reação defensiva. Ele tinha um segredo que ele escondia deles. Ele estava com raiva por ele ter que fazer isso, ele não podia dizer a verdade. Ele tentava encontrar alguma luz para esse problema que o incomodava, algo que pudesse resolver pelo menos em parte. Nada. Tudo lhe convencia de que ele tem que continuar escondendo a verdade.
Mas o próprio Harry não estava ciente disso. Ele só sentia uma raiva inexplicável.
Um ligeiro movimento na cama ao lado dele, o fez perceber que não estava só ali.
- Neville? O que você está fazendo aqui? Por que não está lá fora?
Por trás das cortinas, viu a face pálida e gorducha do grifinória.
- Oh, oi, Harry. - Ele sorriu um pouco. - Eu ... tem muitas pessoas lá. Eu não quero que prestem atenção em mim. E aqui, pelo menos, está calmo.
Harry sentiu uma tristeza repentina bater e ser mal disfarçada pelo rosto redondo e uma solidão emanar dos olhos do colega. Em meio de todo mundo, Hermione, Rony, Gina e Luna, o garoto não tinha amigos ali. Não que Harry tivesse muitos, mas Neville nunca tinha estado muito perto deles. Estava sempre nos bastidores, sempre retirado, sempre excluso - Harry pensou com vergonha. Ele costumava ter Seamus e Dean, e se divertia realmente muito com eles, mas desde que Harry deixou de falar com eles, e eles se mudaram para outro dormitório, o número de pessoas próximas de Neville encolheu ainda mais. Porque ele decidiu ser fiel a Harry. E ele quase não notou isso. De repente, se sentiu como o pior dos patifes ingratos.
Ele pulou da cama e sentou na cama ao lado do grifinória assustado.
- Como foram suas férias? - Ele perguntou, sorrindo encorajador.
- Uh ... b-bem – o menino respondeu. - Eu passei com a minha avó. Como de costume.
Bem, Neville também não tinha pais. A sua avó exigente era sua única família. Nesse aspecto, eles eram iguais. Não só nisso.
- Oh ... – o Grifinória disse de repente, seus olhos se arregalaram, como se lembrasse de alguma coisa naquele momento. Algo muito, muito importante. - Harry, sabe, eu tenho que lhe dizer algo. Eu ... Eu passei o Natal em St. Mungus, visitando alguém... da família. Você não imagina quem eu vi lá! - Neville olhou para ele com olhos bem abertos, brilhando com a descoberta. Harry encolheu os ombros e balançou a cabeça, sem ter ideia de quem Neville poderia ter encontrado lá. - Malfoy!
O garoto de repente sentiu algo muito pesado cair em seu estômago, e o seu coração quase começar a sapatear.
- Você está falando sério? – Abafou a voz no final.
Neville balançou a cabeça vigorosamente.
- Ele estava em um confinamento solitário. Vi-o apenas por um momento, porque minha avó estava me chamando com pressa. Parei para amarrar o sapato, e, em seguida, quando virei a cabeça para um dos corredores ao lado, vi uma cabeça loira, então descobri que era Malfoy! Cheguei mais perto e olhei através do vidro. Digo a você com certeza, que era ele. Ele estava lá e parecia morto.
Ele franziu a testa.
- Como?
- Não desse jeito... ou seja, tinha os olhos abertos, e eu acho que ele estava respirando, mas apenas olhava para o teto e não se mexia. Quando a curandeira se aproximou para lhe dar uma poção, ela teve que abrir a boca dele e derramar o líquido dentro, porque ele estava estático e parecia uma boneca de pano. Não reagia a nada. Se não fosse o cabelo, eu não teria reconhecido. Ele estava tão magro que eu podia ver as veias sob a pele e até mesmo ossos salientes. Ele tinha o cabelo longo e desgrenhado. Foi assustador. O que você acha que lhe aconteceu, Harry?
O garoto balançou a cabeça, ouvindo o amigo com descrença cada vez maior. Ele simplesmente não podia e não queria acreditar.
Malfoy internado numa ala do St Mungus? Afinal, era...
- Terrível – exclamou estrangulado e depois de um tempo percebeu que ele disse em voz alta. Ele deu de ombros, ainda balançando a cabeça. - Eu não tenho nenhuma ideia do que aconteceu com ele.
- Quero dizer ... todo mundo diz que ele ficou assim quando desapareceu após ter feito aquilo com você e...
Harry olhou para cima acentuadamente.
- Você não acha que eu fiz, não é?
- Não, não, não. Claro que não - disse Neville rapidamente, acenando com as mãos.
- Mas tudo isso é um tanto ... estranho.
- Uhm - resmungou o menino, mergulhado em seus próprios pensamentos.
- Oh, e mais uma coisa - disse Neville lentamente, lembrando mais detalhes. - De vez em quando, Malfoy abria a boca como se gritando ou algo assim, mas acho que lançaram algum feitiço silenciador nele, porque não se podia ouvir nada.
Ele franziu a testa. Essa coisa toda era muito assustadora. Necessariamente tinha que contar a Ron e Hermione!
Mas espere... ele, depois de toda a discussão, estava ofendido. Seria difícil, mas teria que engolir o "insulto". E rapidamente, porque estas revelações acertaram diretamente suas entranhas e sabia que não conseguiria mantê-las para si por muito tempo.
Depois que os ventos gelados das manhãs frias começaram a bater nas janelas da escola, alguns alunos começaram a ter sérios problemas para despertar e ir para o café da manhã. Depois de quase duas semanas sem precisar acordar cedo, a maioria apareceu com atraso.
Ron se inclinou sobre a mesa do Grade Salão, tentando parar de bocejar.
- Por que tivemos que levantar tão cedo? - Murmurou e abaixou a cabeça piscando sonolento. - Mas ainda é meio da noite.
- Pare de lamentar - Hermione repreendeu, impondo-se sobre um prato de salada de tomate e despejando leite na xícara de chá quente.
- Do lado de fora ainda está escuro! - Disse Rony, como se fosse prova concreta para apoiar sua tese.
- À noite, quando você se senta para jogar Snap explosivo, você não se importa.
Ron abriu a boca para responder, mas depois fechou de novo e olhou para Harry.
- Harry, diga algo.
O menino engoliu um pedaço de torrada e piscou.
- É a sua garota. Não posso interferir em seu relacionamento.
Hermione revirou os olhos. Harry deu de ombros e sorriu para si mesmo.
Bem, na verdadeira fez as pazes com eles ontem, ou seja, desceu e admitiu que ele se comportou como um imaturo, mas a raiva e a decepção ainda fervilhava em suas veias, e não evaporou ainda. Pelo menos pode, de tempos em tempos provocá-los.
Na noite anterior, quando a maioria dos alunos foi dormir, e quando restaram apenas os mais resistentes ao sono, na sala comunal, Harry disse a eles sobre o que ficou sabendo através de Neville. Hermione ficou chocada, e Ron ficou muito feliz.
- Ha! Ok, então este rato está lá. Isto é o que ele merecia.
- Ron! – A grifinória olhou para ele com uma condenação firme nos olhos cor de avelã.
- Bem, é verdade. Ele queria matar Harry. O canalha tem sorte que pelo menos está vivo.
- Eu não chamaria isso de vida - Harry murmurou.
- Certo. Isso é terrível, e você não deveria estar rindo dele, Ron.
- Não estou me divertindo. Eu só acho que é uma punição justa pelo que ele fez a Harry.
- Ninguém merece algo assim, Ron - Hermione disse séria. - As pessoas cometem erros diferentes, mas deve ser dada a oportunidade de corrigi-los, e não condená-los ao destino que não pode ser mudado. Isso ... é uma ... barbárie.
Ron franziu a testa.
- Eu discordo - ele rosnou. - Olhe para Snape. - Harry sentiu uma pedra cair em seu estômago com a menção. - Ele matou várias pessoas, quando trabalhava para Você-Sabe-Quem. Ele teve uma segunda chance, e o que ele faz agora? Oprime e persegue-nos. Uma vez que já não pode torturar, desconta tudo em nós.
- Ron, pare com isso já - Hermione fez beicinho.
- As pessoas não mudam. Não vale a pena dar-lhes uma segunda chance.
Harry engoliu em seco. Ele realmente não estava gostando da direção desta conversa.
- Seu exemplo é ridículo - disse Hermione. - E, além disso, o professor Snape está agora do nosso lado, provou isso muitas vezes. E não importa o quanto você não gosta dele. Você não pode misturar o caráter de um homem com seus atos.
Ron resmungou algo baixinho, mas não fez nenhuma tentativa de discutir mais. Se Hermione acreditava que algo é direito, ele não era capaz de convencê-la de que estava errada.
- E, além disso, o assunto que estamos abordando não diz respeito a Snape, apenas a cerca de Malfoy - Harry exclamou, tentando mudar de assunto.
- Como você tem certeza? Quem poderia fazer algo tão cruel? – o grifinória ponderou. Ele olhou para seus amigos, que apenas deram de ombros.
Harry já havia pensado nisso. Ele teve que admitir que ele tinha alguma suspeita ...
- Dumbledore não deixaria. Em geral, eu duvido que um professor faça isso - disse Hermione seriamente. - Eu não posso imaginar que qualquer um dos professores possa levar um aluno a tal estado.
- E Você-Sabe-Quem? - Ron perguntou abruptamente. Hermione e Harry olharam para ele com surpresa. - O quê? Talvez Malfoy fez algo que não deveria? Eu não sei. Talvez ele queria matar Harry e Você-Sabe-Quem ficou furioso, porque ele queria ter esse gostinho, e não deixaria isso a cargo de Malfoy.
O grifinória olhou para eles como se realmente considerasse essa opção.
- E então o que aconteceu com Crabbe e Goyle? - Harry perguntou de repente. - E o que Lucius Malfoy, estava fazendo nessa escola, no dia que Malfoy sumiu?
Ron pensou por um momento.
- Talvez ... Eu não sei. Ele podia estar com raiva de Dumbledore, por ter expulso Malfoy da escola e ter deixado Você-Sabe-Quem pega-lo?
- Ron, nada do que você diz faz sentido - disse Hermione lentamente. – Nada se sabe de Crabbe e Goyle , sabemos apenas que eles foram expulsos da escola. Como você acha que eles tiveram o mesmo destino de Draco?
- Eu acho que foi muito bom eles terem desaparecido, e digo ainda que foi bem feito o que aconteceu a eles. O que você acha? – disse Ron, depois de uns instantes, olhando para Harry, como se em busca de sua confirmação.
- Claro - resmungou o menino. A menina jogou-lhe um olhar de nojo.
- Vocês se merecem - disse ela. - Eu vou dormir. - Após estas palavras, levantou-se e a passos orgulhosos, marchou até as escadas, indo para o dormitório das meninas.
- Às vezes me pergunto, por que eu gosto dela- Ron murmurou, olhando para Harry, que apenas deu de ombros como resposta.
Depois que terminou a conversa da noite anterior, tudo o que tinha eram conjecturas e especulações.
- Correio! - Hermione sorriu quando uma cópia do "Profeta Diário" caiu perto do seu braço. Harry agarrou o seu e rapidamente colocou de lado, nem mesmo queria olhar para a capa. Na verdade, nem mesmo sabia por que continuava assinando-o. É verdade que ele prefere saber o que está acontecendo, mas recentemente esse conhecimento só lhe chateava e o fazia se sentir totalmente...errado.
- Oh - suspirou Hermione, abrindo o jornal e olhando para a capa.
- O que aconteceu dessa vez? - Ron perguntou, mergulhando os dentes em um sanduíche com ovo e presunto defumado.
- Outro ataque - sussurrou Hermione, lendo o artigo.
- Outra vez? Ouvi dizer que dois dias atrás, houve um ataque desagradável em Hampstone. Teriam matado vários trouxas.
- Doze - sussurrou Harry, olhando para seu prato.
- O quê?
- Doze trouxas. Muitos morreram - disse ele, não olhando para cima. - Eu li sobre isso.
- Sério? - Ron fez um grande olho. - Que matança ...!
- Rony, você pode calar a boca? Estou tentando ler.
O grifinória baixou a voz para um sussurro, e inclinou-se para Harry.
- Realmente é verdade que doze pessoas foram mortas? É simplesmente inacreditável! E ninguém foi preso? Não foram pegos?
Harry balançou a cabeça. Não leu esse artigo, mas ele suspeitava que se algum Auror tivesse conseguido pegar algum Comensal da Morte, esse "sucesso" seria anunciado aos quatro ventos, e apareceria na primeira página, mostrando como uma informação ainda mais importante do que a do ataque.
- Por que? Se Snape é um espião, porque os aurores não sabiam nada sobre os planos de Você-Sabe-Quem? Afinal de contas, logicamente falando, o morcego velho deveria fornecer tais informações para Dumbledore, e não deixar que pessoas inocentes morressem. Algo suspeito para mim. E muito.
- Ron - Hermione interrompeu, olhando para ele de cima do jornal. - Se Aurores aparecessem de repente no lugar do ataque planejado, o Professor Snape seria imediatamente exposto. Além disso, olhe para isso. - Ela se virou para eles e lhes mostrou uma página de jornal.
SEDE INTERNACIONAL DA CONFEDERAÇÃO DE QUADRIBOL É ATACADA: TRÊS COMENSAIS DA MORTE MORTOS NO LOCAL!
- Bem, uma notícia boa no final! - Ron sorriu. - Finalmente eles tiveram algum castigo! Três desgraçados já eram? Isso é bom! Ouviu Harry?
O garoto balançou a cabeça, sentindo uma pontada súbita e estranha ao lembrar de Severus.
- Provavelmente a pessoa que os pegou vai receber uma medalha - brincou Ron. – Escreveram quem os matou?
- Sim. - Hermione virou-se para o profeta. - Um Auror pouco conhecido, que, afinal, literalmente desapareceu no ar. Eles não conseguem encontrá-lo em nenhum lugar e é inacreditável.
- Talvez a publicidade o tenha assustado e ele fugiu?
- Duvido. Havia restrições. Eles tinham que capturá-los vivos. Quer dizer, aqueles dois. O terceiro foi encontrado numa rua lateral a poucos metros do prédio.
Ele franziu a testa.
- É estranho.
- Eles suspeitam que alguém tinha alguma rixa com esse. Já descobriam a identidade dele. Era um parente distante de Bellatrix Lestrange, o proprietário de vários clubes noturnos para bruxos, localizado na rua letal do Beco Noturno, um certo Deamus Blackwood - leu Hermione.
- Blackwood? Nunca ouvi falar - disse Ron, olhando para Harry.
- Eu também.
Hermione suspirou e voltou para continuar a ler o jornal.
- Há três a menos. Não importa como eles morreram. Não é verdade, Harry?
- O quê? Sim, isso mesmo - disse o menino.
- Apesar de que seja uma grande pena não terem conseguido capturá-los vivos. Poderiam dizer alguma coisa interessante. - Ron voltou a comer seu café da manhã.
Mas Harry não estava com fome. Ele olhava furtivamente para Severus sentado na mesa dos professores. Ele se perguntava se o homem também participou nesta ação. E se a resposta fosse afirmativa, então agradecia a todos os espíritos bons por ele não ter sido capturado, ou pior, morto por um Auror.
Isso era tudo com o que ele se importava. Só ele.
- Harry! - o grifinória parecia um pouco atordoado, olhando para a pessoa que se dirigia a ele.
- Ei! – de repente surgiu um rosto alegre próximo a sua mesa. - Como foram as suas férias?
- Uh ... - Harry não tinha ideia do que dizer. - Boas.
- Ouvi dizer que você passou os feriados em Hogwarts. Eu queria ficar e te fazer companhia, mas minha mãe não me deixou. – a menina gaguejava um pouco, mas não parava de olhar para ele com admiração estampada em seus olhos grandes e redondos. - Por favor, isso é para você. - Colocou um pacote na frente dele, era decorado com vários corações. Harry olhou para o presente como se o pacote tivesse prestes a lhe dar uma mordida. - Eu queria dar a você antes de você sair, mas eu não o encontrei, e eu queria dar para você pessoalmente. - Ela sorriu ainda mais, e apertou a mão uma na outra e se afastou do presente, esperando impacientemente, até que ele abrisse.
Harry engoliu em seco e olhou em volta, olhando para as caras dos grifinórias sentados mais próximos. Lavender e Parvati começaram a rir.
- Mas ... Eu ainda tenho alguma coisa para fazer e... Eu tenho que ir. Sim, eu tenho que ir. Imediatamente. - Lançou o pacote debaixo do braço, levantou-se e rapidamente deixou o Grande Salão, escoltado pelo olhar surpreso e um pouco desapontado de Anastácia e um olhar ardente muito mais perigoso, lançado pelo Mestre de Poções.
Nada poderia forçá-lo a abrir aquele presente na frente de toda a escola e dos olhos negros. O pacote poderia ter qualquer coisa. Desde uma bola de vidro com animais girando e cantando até uma declaração de amor.
Com descrença, olhava para um bichinho de pelúcia cheio de corações.
Bem... escapou de abrir isso na frente dos outros. Anexado no presente havia um pequeno bilhete contento um poema banal sobre o amor.
Por que, demonstrações ostensivas de sentimento tinham que vir de alguém que você não está afim?
Ele suspirou fundo e estava prestes a enfiar o presente dentro da bolsa para depois descartá-lo na primeira oportunidade, quando uma sombra caiu sobre ele.
Ele levantou a cabeça e olhou direto para os reluzentes olhos negros.
- Não, não, não .. Que presente maravilhoso. Seus admiradores não lhe dão muito sossego, não é, Potter? - Snape disse calmamente, olhando com desgosto para o bicho rosa. - Oh, o que temos aqui? - Snape de repente, inclinou-se e agarrou da mão de Harry a mensagem escrita em papel perfumado cor de rosa.- Olhe só. Tem uma frase patética: "... não quero nenhum tesouro do mundo, só quero seu coração, pois você já tem o meu."- Murmurou com sua voz mais sarcástica, esmagando a carta na mão e olhando para Harry com chamas nos olhos.
Harry olhou em volta do corredor. Ele estava vazio. Por enquanto. Estavam apenas a três esquinas do Grande Salão.
- Eu ... Eu não queria isso - disse Harry, baixando a voz para um sussurro. - Não é minha culpa que ela ainda me persiga.
Severus levantou uma sobrancelha.
- Sério? Eu não percebi que você estava muito desconfortável perto dela. Você tem que se livrar dela, Potter!
Harry abriu a boca para protestar, mas rapidamente fechou. Este homem era impossível! Ele balançou a cabeça em descrença, enquanto um sorriso divertido deslizava em sua boca.
- Severus, você está com ciúmes de uma garota de quatorze anos?
Os olhos de Snape brilharam perigosamente.
- Eu tento apenas manter um olho vivo em minha propriedade - ele sussurrou suavemente.
Harry inclinou-se despreocupadamente contra a parede.
Snape estava realmente com ciúmes. Estava marcando território! Bem, esse pensamento era... agradável. E era muito agradável, a julgar pela sensação quente que se derramou em seu abdômen.
- A sua "propriedade"? - Ele perguntou em voz baixa, apertando os olhos.
Foi um instante. Um movimento brusco, e Harry foi pressionado contra a parede, sentindo os dedos longos e frios apertando o seu pescoço e o hálito quente do homem, queimando seu ouvido com um sussurro apaixonado:
- Não mexa comigo, Potter. Você pertence a mim. Cada pedaço de sua pele, todos os pelos em seu corpo, cada gota de seu suor - tudo pertence a mim e você tem que lembrar! - ecoou em seu ouvido, fazendo os pelos de Harry se levantarem e o sangue correr acelerado em suas veias com uma força incrível. - Certamente não esqueceu meu aviso.
Harry estava ofegante, incapaz de reagir. A maneira com que Severus sussurrou em seu ouvido todas essas coisas, foi tão estimulante que, sem pensar no que ele estava fazendo, agarrou a mão do outro homem e apertou-a contra sua virilha.
- Toque-me. Por favor - ela gemeu baixinho, cerrando os olhos e empurrar os quadris na direção da mão forte.
Oh, ele estava tão excitado, e a respiração de Severus estava tão quente que parecia que sua pele facial estava derretendo sob sua influência.
- Gostaria de fazer isso- sussurrou Snape. - Mas eu devo lembrar você que estamos no corredor.
- Eu não me importo - Harry murmurou, roçando o homem. Ele podia ouvir sua respiração rápida. Ele podia sentir o tremor sob o manto negro. Ele sabia que o homem estava pelo menos tão animado quanto ele. Ele sabia que ele queria. Poderia transar com ele agora, neste momento. Rapidamente, deslizaria sua calça, tanto quanto fosse preciso, em seguida, lhe penetraria com seu pênis rígido, duro como uma rocha, quente com lava. Ele poderia lhe tomar à parede, empurrando-o várias vezes, apenas alguns enfiadas, seria suficiente para ...
- Não podemos - Snape suspirou no final, empurrando-se e soltando a mão do aperto no pescoço do garoto. Harry deu um gemido doloroso de perda quando o toque das mãos do homem,desapareceram. Ele levantou os olhos nebulosos e fitou um pouco confuso os olhos de ébano. - Mais tarde, teremos o tempo necessário - Severus disse em voz rouca, ajeitando suas roupas para esconder a ereção óbvia, que formava uma grande protuberância em suas calças pretas. - Harry sorriu para si mesmo, à vista, embora ele percebesse que não estivesse diferente - Este não é o lugar adequado para isso. Menos cinco pontos para Grifinória.
Harry logo voltou à realidade.
- O quê? Por quê?
- Por seduzir seu professor, em um lugar inadequado.
Harry apertou os lábios.
- Não foi eu quem começou! – Ressentiu-se, e em resposta viu surgir aos lábios de Severus um sorriso maravilhoso e torto. O homem lançou um olhar penetrante na visão de Harry todo despenteado, passando pelos grandes e brilhantes olhos verdes por trás dos óculos, os lábios entreabertos e as bochechas que ainda queimavam de rubor. Ele só parou os olhos num volume claramente visível da ereção presa no material das calças.
- E mais cinco pontos ... - Ele acrescentou, olhando para seu rosto - ... por ser uma visão tão impossivelmente sedutora.
Depois da primeira surpresa, os lábios de Harry esticaram-se em um sorriso.
- O quê? Só cinco?
- E fique feliz por não lhe tirar pontos por isso, por me provocar desse jeito...-Severus respondeu baixinho, olhando direto nos olhos de Harry, cujo sorriso depois desta confissão tornou-se ainda maior. - E se não apagar esse sorriso pateta, mudo de ideia - acrescentou.
- Você gosta do meu sorriso.
Severus mordeu o lábio.
- Eu gosto muito – disse em seguida em voz baixa, inclinando-se para Harry tocando seus lábios no lóbulo de sua orelha. - Tenha um bom dia, Sr. Potter. - Depois dessas palavras, sem esperar por uma resposta, ele desapareceu na curva.
Harry estava tão atordoado, faíscas rastejavam em sua pele, sentia-se em brasas.
Severus realmente ... acabou de admitir que gosta do sorriso de Harry?
Ah, o dia prometia ser muito bom ...
Mas as previsões de Harry já foram contrariadas durante a primeira lição. McGonagall insistiu para que demonstrassem se lembravam de como se transforma um sapo em um bule de chá e, não era surpresa, que só Hermione lembrava. O bule de Ron era verde e tentava saltar, o que resultou no fato de que ele ficasse reduzido a cacos. O bule de Harry tinha um hábito irritante de inchar. O que deu exatamente no mesmo do sapo de Ron.
Quando a professora removeu as conchas quebradas, sacudindo a cabeça, subtraiu cinco pontos deles, ambos desataram a rir – olhando Hermione, que tentou ajudar Neville, porque a única coisa que ele conseguiu conjurar foi um bule no formato de uma rã.
Harry dormiu durante quase toda a aula de História da Magia, na aula de Adivinhação, eles fizeram um "Exercício de relaxamento", o professor considerou que durante às férias, eles estiveram com a cabeça muito distraída. Portanto, Harry mais uma vez foi capaz de tirar um cochilo.
Depois do almoço, havia a aula de Poções e Harry agora sentia uma confortável aderência no estômago só de pensar sobre isso. Especialmente quando ele se sentiu olhado por Severus, que o observou durante todo o almoço no Grande Salão.
Adorou as férias, mas ele realmente gostou do retorno das aulas. A vibração corrente pelas paredes de Hogwarts era uma das poucas coisas capazes de afastar os pensamentos sombrios sobre a guerra e os sacrifícios realizados em seu curso. Pelo menos por agora.
Durante a primeira aula depois da pausa das férias de Natal, o ar era meio preguiçoso e desanimado. Mas Severus Snape tinha uma maneira de forçar seus cérebros pequenos a trabalhar duro já a partir da primeira aula.
Teste.
Harry sorriu para si mesmo, quando ele pousou os olhos na frente do papel com suas perguntas.
Ele sabia! Ele sabia que esse desgraçado ia fazer isso! Ha! Que bom que ele estudou durante as férias. Estudou o assunto e, não necessariamente só o que estava no currículo (teve algumas aulas de educação sexual, particular em Hogwarts), mas era sempre algo extra. Tentou ficar tão surpreso quanto o resto da classe, e com tanto medo, quanto Ron.
Enquanto o amigo sentado atrás dele amaldiçoava o professor chamando-o de "bastardo, seboso e desagradável", Harry inclinou-se sobre o papel e começou a escrever.
Bem, descobriu que seu conhecimento era mais modesto do que ele pensava. Poderia responder as perguntas apenas em metade. "Deixe-o!"
Furtivamente olhou ao redor da sala de aula. Hermione arranhava no pergaminho com uma expressão lunática em seu rosto, e Ron olhava fixamente para o papel, como se estivesse prestes a chorar.
Harry suspirou e olhou para a mesa, onde Snape estava sentado, debruçado sobre um livro. Ele tentou se controlar, mas cada vez que ele olhava para ele, sentia se acumular em suas veias um enorme calor. Não podia fazer nada contra isso, depois de todo o tempo que passaram juntos, ele não conseguia afastar a imagem desse homem semi-nu, que viu no dia anterior, se barbeando no banheiro, lembrar daquela imagem orgulhosa de seu professor, o fez olhá-lo com um olhar de desejo sonhador.
"Não posso fazer isso"! – repreendeu-se em sua mente, olhando para o meio de seu teste incompleto. Lembrou de Snape deitado ao lado dele. Lembrou-se dele o tocando. E desde que a linha entre aluno e professor já foi seriamente comprometida, podia agora tentar atravessá-la completamente.
Pelo menos vai ser divertido - ele pensou, colocando a mão no bolso e apertando a mão sobre a pedra.
"Severus ... O ingrediente principal para o caldo antidepressivo são caninos ou olhos de demônios aquáticos?"
Sem levantar a cabeça, olhou para Snape, que se moveu um pouco, ele aproximou algo sob a mesa e olhou para baixo como se ele lesse alguma coisa. E depois de um tempo estampou um olhar tão incrédulo que Harry mal dominou o tremor nos cantos dos lábios reprimindo um sorriso.
No momento em que sentiu que a pedra ficava quente, seu coração pulou de repente. Ele olhou para baixo, tentando ler as letras em chamas.
"Você deve estar brincando, não é, Potter?"
Ele franziu a testa.
"Bem que você poderia me dizer. Não seja assim."
Oh, ele deveria receber uma medalha por isso, por ter controlado o riso quando viu o rosto de Severus depois que leu a mensagem. A descrença extrema que mostrava o rosto áspero, era em último estágio. Snape estava provavelmente muito chocado para responder, por isso Harry decidiu aprofundar ainda mais.
"Se você me disser, eu deixou você foder minha boca."
Oh, foi um sucesso, a julgar pelo súbito clarão de fogo nos olhos negros, que por um momento descansou sobre ele. Mas a resposta que ele teve embargou um pouco sua sensação de vitória.
"Potter, tanto eu como você, sabemos muito bem que eu não preciso do seu consentimento para isso."
Fato.
"Certo, não foi uma proposta boa. Bom ... posso me ajoelhar diante de você, completamente nu, vestindo apenas uma gravata para você puxar enquanto eu o chamo de 'senhor'. Vou me masturbar na sua frente ... Este é um preço adequado por uma pequena dica?"
O coração de Harry parecia que há muito havia fugido do peito a espera da resposta de Snape aparentemente totalmente surpreso com a oferta.
"Você quer se vender em troca de uma maior pontuação?" - Leu alguns momentos mais tarde, e ele sentiu algo saltar de seu estômago para sua garganta, e espalhar uma onda de calor em seu abdômen.
"Oh merda!"
O que eles estavam fazendo era tão ... tão ...
"Não chamaria assim, senhor ... Eu chamo de ... troca."
Sorriu para si mesmo e se curvou sobre o papel enquanto esperava por uma resposta. Ele preferiu não olhar para silhueta escura do Mestre de Poções em sua mesa. o rubor quente em suas buchechas era demasiado perceptível. Então recebeu a resposta na pedra que sufocava na sua mão.
"Você é um pervertido, nojento e sem vergonha, Potter. Você sabe por que?"
Merlin, é possível que estivesse sentindo algo queimar dentro dele mais quente do que fogo?
"Eu sei. Porque sou seu."
"Me aguarde. Vai me pagar por isso. Eu prometo que, assim que você entrar em meus aposentos, você não conseguirá dizer sequer uma palavra, porque vou penetrar fundo em sua boca e vou rasgar tanto sua garganta que você vai se perguntar, se eu irei deixá-lo respirar.
O sangue de Harry começou a ferver e gritar em suas veias. "Ooooh! Perverso! Ooooh!"
Quando percebeu que ele ainda segurava a pedra em sua mão suada e que estava enviando seus gritos para Severus, tentou controlar com todas a suas forças a fluência da emoção em suas entranhas.
Ele olhou para Severus por um segundo e viu que os cantos de seus lábios finos aumentarem ligeiramente, ao ler a ladainha, que sem querer, Harry mandou. Por um momento, ficou respirando profundamente, tentando acalmar-se, e novamente ele sentiu o calor no seu bolso.
"O ingrediente é 'olho'. E menos cinco pontos para a Grifinória por conta da linguagem, Sr. Potter."
Harry não pôde deixar de sorrir. Não desta vez.
"Como você pode tirar pontos por conta da minha língua? Estou certo de que esta noite, minha língua o deixará tão satisfeito que você me dará os pontos de volta. E, em quantidades muito maiores."
"Certamente nada parecido com isso irá acontecer. Mas não se esqueça de que perderá um ponto por cada gota que deixar escapar de sua boca.
"Canalha!"
"Isso vai lhe custar menos cinco pontos. Eu aconselho você a retornar à prova, se você não quer perder outra leva de pontos."
Harry cerrou os dentes e empurrou a pedra no bolso, amaldiçoando Snape e seus pontos em sua mente, enquanto sentia crescer em si um entusiasmo incomum. Ele olhou em volta, furtivamente, mas felizmente todos estavam demasiado ocupados com seus testes para poder ter prestado atenção a ele. Ele se inclinou sobre o papel e depois de hesitar um momento, ele começou listando as propriedades ... não, porém, não iria colocar olho, só caninos de demônios aquáticos.
Diga o que quiser, mas conhecia muito bem Snape e em algumas questões... Não confiava nele.
CDN
Alma Frenz:
Anonymous (Fran), a sua teoria sobre o verdadeiro partido de Severus é muito interessante, eu poderia tecer algo sobre esse ponto, mas se eu fizer isso, acabarei tendo que revelar detalhes que tiraria a graça da espera e da ansiedade pelo desenrolar da trama nos demais capítulos. Antes da poção, Harry tinha uma atração camuflada de ódio por Snape, e Severus por sua vez, tinha desprezo pelo garoto. Não passava por ele qualquer outro sentimento que não o desprezo. Depois que a Desiderium Intimum abriu a mente de Harry para o desejo que ele sentia por Severus, o Mestre de fato achou que conseguiria apenas executar friamente a sua tarefa, não queria e nem imaginava que sua repulsa pelo garoto iria se transformar em desejo recíproco, não imaginava que o menino tivesse capacidade de cativá-lo, ele se achava totalmente imune a isso. Ele não contava com o fato de que, lá no fundo, ver alguém adorá-lo e amá-lo incondicionalmente, iria mexer com ele. Acreditava que, por nunca ter tido isso, seu coração jamais seria penetrado pelo afeto de ninguém, até porque ninguém lhe ofereceria afeto. Ele se enganou... "Havia Harry Potter em seu caminho".
E não se preocupe, compreendi seu comentário e continue dando sua opinião, até o próximo capítulo!
Gehenna, a sensação que você teve (de despedida) lendo o capítulo anterior, não foi á toa, não, viu? Tem fundamento, só não posso falar mais a respeito, senão vou ter que entregar algumas coisas, aí perde a graça, mas eu também fiquei com muito medo, depois de ler esse capítulo pela primeira vez. Ainda teremos alguns capítulos de rotina equilibrada, mas depois, de repente, nosso tapete de conforto será puxado!
Ana Scully Rickman, você tem razão, o cap. anterior foi tão bonito e sensível que chegou a ser triste, é meio contraditório, não? Mas quando se trata de Severus e Harry, um momento lindo como aquele causa uma estranha apreensão na gente, eu compreendo perfeitamente o que você quis dizer. Eu também concordo que Harry tenha sentido esse clima frio de perda, querendo ou não, Harry é sensível e percebe, sensitivamente, as coisas que ocorrem ocultamente em torno dele, ele só não compreende o que é, mas sente, e isso lhe causa muita angústia, ele quer saber, para poder lutar contra. Eu senti um nó na garganta com Harry chorando enquanto Severus tentava acalmá-lo afagando seu cabelo, nossa, aquilo foi tão tocante! Sua percepção está correta em relação a Severus e seu desejo de sentir cada parte de Harry, a sede dele, tem um fundamento, bom... eu vou parar de falar sobre isso, senão daqui a pouco vou estar entregando muitos capítulos adiante, isso tiraria a graça da espera, e não queremos isso, certo? Às vezes acabo deixando escapar o que não devo, tipo: não era para dizer o que tinha acontecido com o Draco! Bom, hoje vocês tiveram certeza do que aconteceu de fato com ele... vou me controlar mais.
Para responder o que Severus queria com a poção Polissuco no cap. passado, terei que recapitular um pouco. Lembra de quando no cap. "O Lado Negro", Voldemort diz para Snape que iria ordenar um ataque à sede da Confederação Internacional de Quadribol? Ele ordena que Severus convença Dumbledore a deixá-lo participar da guarda de proteção a Confederação durante o ataque dos Comensais, pois Voldemort queria que Snape matasse dois Comensais (Legerpholta e Adraughta). Severus fez isso, convenceu Dumbledore a deixá-lo participar, afirmando que estaria seguro pelo disfarce do Polissuco. E assim, polissucado, se passando por Auror, ele matou Legerpholta e Adraughta. Aí você me diz:" Tudo bem, mas O Profeta Diário disse que foram encontrados três Comensais mortos! Voldemort mandou matar Legerpholta e Adraughta, o que raios Blackwood fazia morto a alguns quarteirões da Confederação?". Bom, acho que nem preciso dizer quem e porque fez isso, preciso? Quem mandou cobiçar Harry...
Anonymous (Renata), fico feliz que esteja gostando!
