N/a: Amores! Desculpem pela demora, mas vocês sabem né... crises existenciais. Elas me acometem às vezes.
Agradecimento especial à Nina e à Deia. O crédito é em parte de vocês também.
Fraan Marques, deu tempo? Que bom! Não me dê um susto desses! Hahaha. Mikaelly, obrigada! Bethy, a Brennan é a Brennan... acho que ela nunca deixaria de ter uma pontadinha de medo. baahbisaggio, no dia que eu souber onde compra, te aviso. *suspirando* Viviane, o Booth também ficou com medo... hahaha Mas ele sabe dobrar ela. Angie, eu ainda não sei quanto aos pais da Brennan. Mas estou pensando seriamente em tomar uma abordagem diferente da série. ;)
Brennan's Song
54. Pegos pela correnteza
Os meses que se seguiram não tiveram muitas novidades na rotina. Eu comecei aulas de karate, Jared fez Hank ser chamado na escola uma dezena de vezes, Booth me ensinou alguns princípios de direção. Foi um período tranquilo e feliz, que me fez finalmente entender e me habituar ao fato de que eu fazia parte de uma família.
O assunto exército não foi completamente ignorado, eu tinha consciência que quanto mais o tempo passava, mais nos aproximávamos do dia que Booth iria se alistar. Às vezes ele voltava para casa com algum folheto ou livro, e ficávamos discutindo sobre armas e estratégia. Não era algo de meu total agrado, mas ao menos ele estava discutindo o assunto comigo, me incluindo.
O outono havia começado com força, deixando para trás os dias quentes do verão. À medida que avançávamos no semestre, meus dias iam ficando mais e mais ocupados, até o ponto em que eu não parava para nada além de comer e dormir.
-Ei, Bones, aluguei um filme para nós. – diria Booth em uma noite qualquer, quando eu estava sentada à minha escrivaninha trabalhando no projeto para o Instituto.
-Booth, tenho muita coisa para fazer hoje ainda, não posso parar para assistir um filme.
Ele então colocaria as mãos em meus ombros, ou beijaria minha cabeça, tentando me distrair, me fazer relaxar. E por alguns segundos eu pensaria em como seria bom parar um pouquinho e relaxar com ele. Mas logo me lembrava de tudo que ainda tinha de ser feito, e voltava a focar nos estudos.
Hodgins e Zack passaram a frequentar muito minha casa, quando ficávamos até tarde fazendo o trabalho. A casa de Hodgins era muito longe do Instituto, e a de Zack, muito barulhenta, então sempre acabávamos por ir para a minha.
Booth sempre queria ajudar mas, como ficava confuso com o conteúdo, acabava por ajudar com pequenas coisas, tirar xerox, devolver um livro na biblioteca, digitar o que havíamos escrito à mão. Ele sempre estava por perto, disposto a ajudar.
Nosso professor conseguiu a permissão para que estudássemos um corpo do século XIX, o que nos proporcionou uma ótima experimentação prática. Passamos a semana excitados com a oportunidade, e o enriquecimento que isso traria ao nosso trabalho. Booth repetia, de uma maneira brincalhona, que nós éramos estranhos demais para nos empolgarmos com "um cara que está morto há mais de 100 anos".
E nesse ritmo, nós finalmente alcançávamos a conclusão de nosso trabalho.
-Você parece exausta, Bones.
-É por que eu estou.
Era começo de noite, e Booth havia acabado de voltar do trabalho. Deixou um beijo em minha testa, e se agachou ao meu lado. Estávamos na última semana antes da apresentação, e corríamos contra o tempo para preparar todos os slides e transparências.
Eu larguei a caneta, olhando para meu namorado. Ele estava sendo tão compreensivo ultimamente, mesmo com meu comportamento irritado por todo o stress com o trabalho. Eu o abracei pelo pescoço, deitando minha cabeça contra ele.
-Está quase acabando agora. – disse, com a voz sonolenta.
-E tudo isso vai valer a pena, baby. – disse a voz baixinha dele perto do meu ouvido – Vocês vão tirar uma nota incrível, tenho certeza. E então sua única dificuldade será escolher entre Harvard e MIT.
-Eu ainda tenho mais um ano e meio de ensino médio, Booth.
-Que, diga-se de passagem, é fichinha para você.
Por causa do trabalho no Instituto, eu não tinha tanto tempo para estudar para as provas da escola, normalmente em dias de avaliação acordava mais cedo e ia para a escola repassar a matéria até que o sinal soasse. Mas isso não havia feito muita diferença em minhas notas, de qualquer forma. Muitas daquelas matérias eu já havia estudado antes, por curiosidade ou ajudando Booth. Então eu sorri.
-Sim, vai ser fácil terminar o Ensino Médio com boas notas.
-Essa é minha garota. - ele se ergueu, e me soltei dele com um pouco de resistência - Com o que posso ajudar?
-Impressões. - disse, entregando um maço de folhas brancas para ele. - Você ainda consegue pegar a biblioteca aberta, não é?
Horas mais tarde, o único ruído no quarto seria o meu virar de páginas e o raspar do lápis dele contra o papel.
-Não quer deixar isso para amanhã? Amanhã é sexta! - disse Booth, erguendo os olhos da folha branca onde ele estivera rabiscando na última hora. Seus olhos estavam pesados de sono.
-Eu quero revisar tudo que foi impresso, assim posso entregar para os meninos revisarem, e temos o final de semana todo para arrumar possíveis erros.
Eu olhei para ele, percebendo quão cansado parecia. Afastei as xícaras de café que Hank havia trazido para nós mais cedo, e toquei a mão de Booth com a minha.
-Ei, você não quer dormir? Você tem que trabalhar amanhã.
-Não vou dormir enquanto você não for dormir. - insistiu ele, teimoso.
Booth ergueu minha mão, deixando um beijo suave em sua palma, e vi a folha em que ele estivera desenhando. Tive que rir.
-Monstros espaciais?
Ele olhou para a folha, e riu também.
-Monstros espaciais que vão comeeer seu cérebro! - disse, mexendo as mãos como se fossem garras, e falando como se ainda tivesse dez anos de idade.
Eu ri mais, aproveitando para fechar os olhos cansados e colocar minhas mãos sobre eles, um alívio passageiro. Então, ainda de olhos fechados, o senti me abraçar apertado, e beijar um ponto logo acima do meu lábio superior. Eu tirei as mãos dos olhos, mas não os abri, me inclinando e sentindo o nariz dele encostar no meu, e facilmente encontrando o caminho para os lábios dele.
Minhas mãos subiram para a nuca dele, e me inclinei mais para me aproximar. Mas a cadeira balançou com o movimento, e abrimos os olhos assustados. A cadeira não virou, mas a posição estava incômoda, e Booth, com as mãos na minha cintura, me puxou para a cadeira dele, para o colo dele.
-Você sabe... - disse, sentindo ele beijar a pele sensível logo abaixo de minha orelha - ... que eu devia estar terminando a revisão... para podermos ir dormir...
-É só uma pausa. - disse ele, afastando o rosto o suficiente para que eu pudesse ver seus olhos escuros - Você merece uma pausa, Bones.
Então voltou a beijar meu pescoço, a mão subindo por dentro da minha camiseta até encontrar o fecho do sutiã.
-Booth... - eu disse, intencionando que soasse como um aviso e falhando consideravelmente.
-Só... uma pausa... - ele repetiu, antes que qualquer um de nós dois fosse capaz de continuar conversando.
~X~
-Temperance... Temperance...
Eu abri os olhos, mesmo sentindo que estava acomodada demais para sequer pensar em levantar. Me deparei com Booth, me contemplando com um sorriso sonolento, então percebi que estávamos no meu quarto.
-Ei, bela adormecida. Apesar de ser um crime te acordar, o Pops levanta em exatamente meia hora, e não acho que ia ser uma experiência agradável ele passar aqui pra te trazer café e nos encontrar assim.
Booth estava com uma expressão tranquila mas, assim que ele terminou de falar, eu me dei conta da situação e entrei em pânico.
-Ei, ei, calma! Eu disse meia hora, não dois minutos!
Mas eu já estava em pé, vestindo minhas roupas e irritada que ele ainda estava deitado, usando apenas uma camiseta apesar de coberto com o lençol, e parecendo muito despreocupado.
-Booth, eu deveria ter terminado de revisar aquele texto, você não devia ter me distraído!
-Ok, a culpa é toda minha agora...
-Quem foi que disse que era contra fazer isso aqui, em casa?
-Você acabou de amenizar a expressão intercurso sexual? Pode repetir? Foi realmente fofo.
-Booth! - ele devia estar realmente cansado. É o que normalmente acontece quando ele acorda depois de não ter dormido o suficiente, ele parece quase que... bêbado. - Vamos, se vista!
-Já vou. Estou cansado, não dormi. - ele escondeu a cabeça sob o travesseiro, e eu grunhi, memórias do hotel retornando à minha mente, quando Booth se enrolaria tanto para levantar que me irritaria.
Eu já estava completamente vestida, e ajeitava meu cabelo.
-Por que você não dormiu?
-Você precisava dormir, Temperance. E nós não podíamos de forma alguma perder a hora. - disse ele, deitando de lado, a cabeça ainda sob o travesseiro.
Aquilo realmente me tocou. Eu me aproximei dele, dando um beijo leve em seus lábios.
-Durma um pouco enquanto eu termino a revisão.
Ele não parecia com cara de que iria se levantar tão cedo, realmente, e vi quando ele se ajeitou melhor, erguendo o lençol até o pescoço.
Não fazia cinco minutos que eu havia voltado a olhar o texto do trabalho, bem mais atenta que na madrugada, quando a porta do meu quarto se abriu depois de uma batida.
-Hank?
-Ei, pequena. Acordei mais cedo pra fazer um café da manhã reforçado para você. - ele então ergueu os olhos para Booth, deitado na cama.
-Ele ficou para me ajudar, mas estava cansado demais. - não era uma completa mentira. E tudo que eu pude pensar foi, ainda bem que Hank não havia entrado cinco ou dez minutos antes.
Hank ia falar algo, mas pareceu mudar de ideia. Então olhou para mim, sorrindo.
-Vou passar o café.
Eu realmente achei que Booth estava dormindo. Mas assim que a porta de meu quarto bateu, ouvi a risada contida e grave dele, como se estivesse tentando segurá-la.
-No que foi que eu te transformei? - disse a voz dele, baixinho. - Você costumava ser péssima em mentir.
-Eu não menti. - disse, dando de ombros - Você realmente ficou me ajudando com o trabalho, e você realmente estava cansado demais.
Ele se sentou na cama, ainda rindo.
-Ok, vá me dar cobertura enquanto me visto.
-O quê? Como assim, dar cobertura?
-Vá lá distrair o Pops pra ele não entrar enquanto eu estiver me vestindo.
Eu finalmente entendi, e me levantei. Enquanto saía do quarto ele ainda ria sozinho.
Quando adentrei as portas da escola, as poucas horas de sono finalmente pesaram. Havia dormido três horas no máximo, e me sentia completamente sem energia. De repente a culpa por Booth não ter dormido nada pesou ainda mais em minha consciência.
-Ei, querida!
Angela estava tirando os livros dela do armário e fez sinal para que eu me aproximasse.
As últimas semanas estavam sendo complicadas para a minha amiga, por um motivo bastante simples, mas que eu ainda não acreditava. Ela e Hodgins haviam terminado.
Angela e Hodgins sempre haviam me parecido perfeitos juntos. Eu sei que a perfeição não existe, mas o relacionamento deles era algo tão próximo disso que às vezes eu me esquecia dessa impossibilidade. Eles haviam começado a namorar antes que eu e Booth começássemos. E eles funcionavam juntos, sem os altos e baixos que já faziam parte do que eu e Booth tínhamos.
Por isso, eu fui pega de surpresa quando Angela me ligou, com uma voz mínima, dizendo que ela e Hodgins haviam terminado. Eles estavam bem até onde eu sabia, simplesmente não fazia sentido que aquilo acontecesse.
Ela me disse que precisava de companhia, e fui até a casa dela.
-Nós terminamos pacificamente, de comum acordo. - garantiu ela para mim, mesmo com os olhos vermelhos, aparentemente, de chorar - Não houve drama, não houve um jogando a culpa no outro. Só... achamos que era o melhor.
-Angela, o que aconteceu?
Então ela me contou toda a história de um antigo namorado dela que estava passando um tempo em Washington e a contatara, e como ela contou a Hodgins que eles eram amigos e nada mais. Como o garoto, chamado Grayson, demonstrou interesse mesmo ela falando que tinha namorado.
-E depois disso, tudo ficou balançado, Bren. O Jack desconfiou de mim, e pareceu que ele não tinha confiança, sabe? E eu não tinha confiança que ele não tinha confiança, e tudo virou uma bola de neve, e ele sugeriu que déssemos um tempo, e eu... eu aceitei.
Eu a abracei, sem dizer nada. Havia aprendido com minha mãe, havia aprendido com Booth e havia aprendido mesmo com Angela. Às vezes as pessoas só precisam de contato e não palavras. Eu pouco havia entendido da última parte que ela falara, de qualquer forma.
Booth ficou tão surpreso quanto eu ao saber que os dois haviam terminado.
-Bones, para mim eles... eles iam se formar, casar e ter cinco filhos. Esse tipo de história que a gente escuta, sabe? Nunca imaginei que eles iriam se separar. Como eles estão? Talvez eu deva ligar para o Hodgins...
-A Angela disse que eles se separaram pacificamente. Que ainda são amigos.
-Bones, um rompimento é um rompimento. É sempre doloroso, não importa o que você fale ou queira demonstrar.
Eu olhei nos olhos dele, e pensei a fundo naquilo. Mas de repente interrompi minha mente, não querendo pensar... não querendo imaginar como era ter que passar pelo rompimento de um namoro.
Tudo aquilo havia acontecido há menos de um mês. E ali estava Angela na minha frente, como se as coisas ainda fossem como eram antes, e nós tivéssemos marcado de sair em um encontro duplo no final de semana.
-Você está com uma carinha abatida de novo. Não me diga que não dormiu.
-Eu dormi algumas horas. - garanti a ela.
-Vocês apresentam o trabalho semana que vem, não é? Acha que eu poderia... assistir?
Olhei para minha amiga, sabendo bem em quem ela estava pensando. Hodgins. Mesmo que não fosse mais o namorado dela, Angela queria assistir à nossa apresentação, queria dar seu apoio a ele.
-Claro que você pode assistir. Será na quarta-feira, na parte da tarde.
Ela sorriu, agradecendo, e eu a observei se afastar, perdida em meus pensamentos. Então me lembrei do texto em minha mochila, do que havíamos combinado, que o irmão de Zack passaria por ali para pegá-lo, e me pus em movimento.
