Capítulo Cinquenta e Quatro

Awakening

(Despertar)

Hermione esfregou os olhos, as minúsculas letras do enorme livro à sua frente começando a borrar.

- Algumas coisas nunca mudam, não é?

Hermione afastou a mão do rosto e piscou rapidamente, clareando sua visão. A figura escorada na batente da porta era a de uma mulher alta e magra, com uma grande quantidade de cabelo loiro desordenado. Seus olhos, levemente protuberantes, ainda eram um pouco sonhadores, apesar das sombras sob eles.

- Luna! – Hermione sentiu seu rosto se abrir em um sorriso. – Como você está?

Luna sorriu e se sentou em uma cadeira.

- Exausta. Por anos, eu os ouvi falar sobre isso, e eu deveria ter prestado atenção. Mas eles são adoráveis, os meninos. – abriu a bolsa e pegou uma fotografia. – Eles são parecidos com Rolf. – ela disse, a oferecendo a Hermione. Um pouco do ar sonhador sumiu e o olhar de Luna tornou-se astuto, enquanto ela examinava Hermione. – Você também já esteve melhor. – disse com sua honestidade típica.

- Estou bem. – Hermione murmurou.

- Não foi o que eu ouvi. – Luna prendeu o cabelo em um coque desleixado e o manteve no lugar com a varinha. – Você parou completamente de mencionar sua mãe em suas cartas, e a última carta de Ginny dizia que sua mãe está doente.

- Ela está.

- É muito grave? Ginny não disse.

- Morrendo e esquecendo todos e tudo. – Hermione manteve a resposta curta. Impedia que as outras pessoas demonstrassem pena.

- Hmmm. – Luna se ajeitou na cadeira. Ela parecia ver além de Hermione. – E você não está terrivelmente chateada com a ideia de sua mãe morrer. – afirmou.

Os ombros de Hermione caíram um pouco.

- Eu poderia pedir que eles atrasassem o inevitável, mas não vou. É quase como se alguém tivesse colocado um feitiço de corpo preso na mente dela. Ela não se lembra de mim e quase não consegue se lembrar de Ron, Rose e Hugo. Ela se esqueceu que o papai morreu há anos. Acho que ela não se lembra como se lê. E eles têm que dar banho nela, por que se a deixarem por si só, ela vai abrir o registro, mas não vai se lembrar se tomou banho. – deu um sorriso seco para Luna. – Sou uma pessoa horrível, não sou?

Luna balançou a cabeça.

- Não, não é. Não é só por que uma pessoa consegue respirar e se mover, que isso quer dizer que estão vivas.

- Minha mãe não é como um Inferi. – Hermione opôs.

- É claro que ela não é. – Luna disse calmamente. – Mas do jeito que você descreveu, não é como se ela tivesse algum tipo de vida. – pausou por um momento. – Acho que você está mais incomodada com o fato de não estar tão chateada quanto acha que deveria estar.

Hermione deixou sua cabeça descansar em seus braços cruzados. Não tinha certeza se queria rir ou chorar, mas sentiu uma quantidade enorme de alívio por finalmente poder admitir isso em voz alta para alguém.

- Sim... – respirou fundo várias vezes, antes de erguer a cabeça. – Como você faz isso? – perguntou.

Luna inclinou levemente a cabeça para um lado, enquanto estudava Hermione.

- É um dom. – Luna disse com um sorriso. – Mas você se despediu de sua mãe há muito tempo, eu acho. Você só está esperando agora. – inclinou-se um pouco para frente. – Se estivesse verdadeiramente chateada, você teria uma fortaleza de livros em sua mesa, não apenas um.

Hermione colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha.

- Sou tão transparente?

- Oh, para as pessoas que você conhece. Você sempre passava mais tempo na biblioteca da escola se estivesse se desentendendo com Harry ou Ron. – Luna indicou a bolsa de Hermione. – E não são nem quatro da tarde, e já está pronta para ir para casa. – deu de ombros. – Só observei.

Hermione assentiu e mudou o assunto da conversa.

- Achei que não fossem voltar para a Inglaterra até o próximo verão.

- Não íamos, mas Rolf terminou sua pesquisa mais cedo, e pensamos em voltar para as festas. Tentar encontrar um lugar para morar. Estamos ficando com o papai, por enquanto. Rolf e eu decidimos morar na Inglaterra o tempo todo, até os meninos começarem Hogwarts. Foi difícil trazê-los para cá e não consigo imaginar viajar o mundo com eles para fazer pesquisas. Quando eles forem mais velhos, nós vamos levá-los em viagens breves conosco.

Hermione sentiu suas sobrancelhas se erguerem em surpresa.

- O que vai fazer no meio tempo?

- Revisar Criaturas Fantásticas. – Luna respondeu prontamente. – Isso deve demorar bastante. Rolf tem um carinho especial por ele. Mas precisa ser feito. Não é atualizado há anos... Vou me encontrar com Dean para ver se ele pode fazer as ilustrações da versão infantil. Não sei por que isso não foi feito antes.

- Provavelmente porquê algumas das criaturas mais perigosas assustariam as crianças. – Hermione disse secamente.

- Deixaremos as Acromântulas de fora. – Luna riu. – E, talvez, os lobisomens, mas os dragões vão ficar.

Hermione riu.

- Hagrid ficaria muito chateado se só colocarem as criaturas classificadas como X e XX.

Luna assentiu.

- Talvez ninguém mostre o livro a ele. – ela disse. – Afinal, eu nunca contei ao papai que Stubby Boardman não era Sirius Black...

-x-

Draco pegou uma bolinha mole da mesa, quando se soltou na poltrona.

- Eu contei para ela... Minha esposa. Eu contei a ela sobre você.

- Como foi? – Andrew acenou a varinha e um copo de água apareceu ao lado do cotovelo de Draco.

- Ela achou que eu estava tendo um caso. – Draco murmurou, os dedos presos ao redor da bola.

- Isso é algo e tanto para se assumir. – Andrew observou.

- Não é. – Draco corrigiu. – Ela sabe das minhas... – sua boca de torceu em desgosto. – Indiscrições passadas.

Andrew franziu o cenho.

- Você tem uma amante no momento?

- Não. Eu cortei essa conexão em particular antes de me casar com Daphne. – Draco girou a bola entre os dedos. – Mas Pansy fez uma visita inesperada à casa de minha mãe no verão passado. – murmurou. – Primeira vez que fiquei sozinho com ela em quinze anos, desde alguns dias antes do meu casamento.

- Como é Pansy?

- Ela me faz lembrar da minha tia Bellatrix. – Draco admitiu, o lábio torcido. – Agora, de todo modo. Não percebi isso até a ver em agosto, na verdade. – pegou o copo de água e tomou um longo gole. – Ela é bonita, suponho, se você gostar de mulheres pretensiosas. Frágil. Tenta demais. Ela estava com as mãos dentro da minha calça quando uma mera pergunta seria o bastante.

- Você gostou?

- Vamos apenas dizer que ela não me alegrou muito. – Draco suspirou.

- Queria que ela o animasse?

- Um pouco. – Draco começou a apertar a bola metodicamente. – Eu não gosto de deixar as pessoas me tocarem... – gaguejou. – Não desde que eu consegui... – gesticulou para seu braço esquerdo. – E Pansy não associa gentileza com sexo. Ela era apenas uma mulher para transar e ir embora. Mas naquela noite, se ela estava me tocando, então eu não era invisível. – Draco tomou outro gole de água. – Não, não invisível; essa não é a palavra correta. – se corrigiu. – Irrelevante.

- Por que acha que é irrelevante? – Andrew parou a caneta.

Draco fechou os olhos.

- Não sou necessário. Minha esposa cuida muito bem de nosso filho sem mim. Minha mãe não precisa de mim para nada. Quando meu pai morreu, quando eu acordei na manhã seguinte, Daphne e minha mãe já tinham organizado tudo entre elas. E Daphne... Ela cuida de todo o resto. Eu só estou lá.

Andrew cerrou os olhos, enquanto estudava Draco.

- Já tentou fazer mais do que apenas estar lá?

Draco balançou a cabeça.

- Para quê? Eu vou bagunçar tudo, como sempre.

- Isso não pode ser verdade. – Andrew disse. – Deve existir algo em sua vida que você se dê bem.

Draco para o tapete sob seus pés.

- Nada.

- Nem mesmo agora?

- Não.

Andrew deixou suas anotações de lado e descansou os cotovelos nos joelhos.

- Quanto mais você achar que é um completo fracasso na vida, mais provável de que isso aconteça.

- Isso sempre acontece comigo. – Draco murmurou.

Andrew olhou para o pequeno relógio e abafou um suspiro.

- Certo. O tempo acabou... Mas eu gostaria que você fizesse algo, antes de voltar para a próxima consulta.

- O quê? – Draco perguntou com desconfiança.

- Eu quero que você me diga uma coisa que pode fazer, e fazer bem. – Andrew conseguiu esconder o sorriso brincando no canto de sua boca perante a expressão de puro horror no rosto de seu paciente. – E você pode fazer isso. Ninguém é completamente péssimo em tudo o que faz. Nem mesmo você.

-x-

James esfaqueou o bife em seu prato e o colocou inteiro em sua boca, ignorando o limpar de garganta ostentoso de seu pai, que deveriam funcionar como dicas. Engoliu com dificuldade e pegou seu copo de leite.

- Posso levar Maya para ver um filme semana que vem?

Harry olhou para Ginny por sobre o aro de seus óculos.

- E onde você vai fazer isso? – ele perguntou distraidamente, cortando suas couves em pequenos pedaços.

- Eu estava pensando em Londres. – James disse casualmente, suas bochechas corando levemente.

- Londres, huh? – Ginny murmurou. Trocou outro olhar silencioso com Harry, antes de balançar a cabeça. – Não até conhecermos os pais de Maya.

- Está brincando! – James balbuciou.

Harry olhou pensativamente para Ginny, as sobrancelhas juntas.

- Não... Já contamos piadas antes e, espere... Não, definitivamente não foi uma piada.

- Há um jogo em Falmouth sexta-feira. – Ginny refletiu. – Vão jogar contra Appleby. Nós todos podemos ir ao jogo e parar no pub dos pais dela antes, para conhecê-los. – pronunciou. – Pode levar Maya ao jogo se... Se... Os pais dela concordarem.

- E não mesmo que nós vamos te deixar andar sozinho por Londres. – Harry disse a James. – Você mal tem quinze anos.

- Não vou estar sozinho. – James retorquiu. – Maya estará comigo.

- Você vai com Teddy. – Harry mandou. – E se ele não puder ir, sua mãe ou eu iremos com você.

James ofegou, a boca aberta trabalhando silenciosamente, como um peixe.

- Isso é... Eu...

- Esse é o acordo, James. – Ginny disse. – Teddy não tem que ver o mesmo filme que vocês, mas não tente distrai-lo para que possa escapar. Eu vou me garantir de que você não veja o lado certo de uma vassoura até junho se fizer isso.

- Ela realmente pode fazer isso? – Lily murmurou para Al.

Al deu de ombros.

- Não tenho certeza, mas eu não quero descobrir. – ele respondeu.

- Certo... – James murmurou, empilhando seu purê de batata.

- Não se esqueça de mandar uma coruja para Maya até segunda-feira, para que os pais dela saibam que devem nos esperar antes do jogo. – Harry ergueu a mão e bagunçou o cabelo de James. – Não se preocupe com isso. – disse. – Vamos deixar suas fotos de traseiro pelado para mais tarde.

- Isso não me faz me sentir melhor. – James murmurou para suas batatas. Afastou o prato. – Posso me retirar...?

- Mas você quase não tocou em sua comida. – Ginny reclamou.

- Não estou com fome. – James murmurou tristemente. Afastou a cadeira da mesa e carregou o prato até a pia, praticamente o derrubando.

Harry esperou até os passos de James na escada sumirem, antes de se virar para Lily.

- Nem sequer pense em nos pedir para fazer isso até que você tenha quarenta anos. – ele a informou quando a porta do quarto de James se fechou.

Os olhos de Lily se arregalaram e seu rosto empalideceu. Ela virou a cabeça para Ginny tão rápido que a ponta de sua trança acertou o nariz de Al.

- Mesmo, mãe? – ela perguntou, temerosa.

- Não, Lily. – Ginny suspirou. – Foi uma brincadeira. Mas você não vai sair sozinha enquanto não for maior de idade. – ela estudou Al, calmamente comendo seu jantar. – Você tem algo a adicionar à conversa? – ela perguntou.

Al contemplou as couves em sua frente, e balançou a cabeça.

- Não, estou bem.

- Brilhante. – Harry murmurou. – Quando Scorpius vem para cá?

- Deve chegar depois do almoço na quinta-feira. – Al disse. Correu seu garfo pelo purê de batata por um momento. – Ele, erm... Disse algo meio estranho, antes de voltarmos... – Harry e Ginny não falaram nada, mas aguardaram, ansiosos. Al cutucou sua couve por um momento. – Ele queria saber se ele... Poderia ficar aqui... Se... Ele... – Al parou de falar, parecendo miserável. – Se ele fugisse de casa. – murmurou.

Al viu seus pais trocarem outro olhar silencioso, e se perguntou como eles conseguiam ter uma conversa inteira sem trocar uma palavra.

- Al... – Ginny começou. – Scorpius está planejando fugir?

Al olhou para sua mãe e para seu pai, e deu de ombros.

- Não agora. Até onde eu sei...

- Ele te diria? – Harry perguntou.

Al se remexeu desconfortavelmente em sua cadeira e colocou uma garfada de batatas na boca.

- Acho que sim. – admitiu, engolindo. – Espero que sim.

Harry suspirou, lembrando-se de sua promessa para Ginny há um ano.

- Ele pode ficar conosco. – disse quietamente. – Mas você terá de entender se, pelo menos, mandarmos uma coruja para a mãe dele para deixá-la saber que ele está bem.

- Você não parece muito feliz com isso. – Al disse para seu prato.

Harry deixou seu garfo de lado, e ergueu gentilmente o rosto de Al com o indicador.

- Todo mundo precisa de um lugar para onde fugir. Especialmente se as coisas ficarem insuportáveis. Vai ficar tudo bem.

Ginny esperou alguns minutos, permitindo que a tensão se dissipasse.

- Vocês têm lição de casa para as festas?

Lily assentiu.

- Binns quer que a gente escreva vinte centímetros sobre a rebelião dos duendes de 1612. – ela comentou, aliviada que a conversa tivesse se voltado para algo normal.

- Ele ainda passa essa tarefa? – Ginny bufou incredulamente.

- Eu a fiz. – Al ofereceu. – No meu primeiro ano.

- Eu também. – Harry resmungou.

- É um rito de passagem. – Ginny disse, com um sorriso.

- Assim como colocar o sono em dia durante a aula de Binns. – Harry adicionou melancolicamente. – E você, Al?

- Uma dissertação sobre hinkypunks, e ler um capítulo sobre lobisomens. – ele comeu algumas couves. – Posso ficar no camarote dos olheiros sexta-feira? Eu preciso colocar mais um time na minha pesquisa da aula de Quadribol.

- Você não quer se sentar conosco no camarote de imprensa? – Ginny perguntou.

- Sem ofensa, mãe, mas vocês falam demais. – Al resmungou. – Não consigo ouvir o que o comentarista tem a dizer, por que alguém quer reclamar de como Aiden Lynch tentou passar a mão em alguém no mês passado. E posso apenas dizer "ewww"? Há coisas nojentas o bastante no universo sem precisar pensar na mão de Aiden Lynch sob a saia de alguém. Ele é ancião!

- Ele tem razão, Gin. – Harry disse, convocando uma torta de maçã e a servindo em pratos que distribuiu pela mesa. – Eu sempre quis saber como você consegue escrever qualquer coisa sobre o jogo.

Ginny serviu chá em uma xícara e olhou para Harry sobre a borda, enquanto tomava um gole.

- Acontece de estarmos falando sobre o jogo. – ela retorquiu.

- Não sabia que Aiden Lynch ainda jogava. – Lily comentou em confusão.

- Ele não joga. – Harry disse. – Ele não joga desde antes James nascer. Tinha uma mão boba naquela época, também. – dessa vez, o olhar que ele mandou na direção de Ginny fez Al e Lily trocarem um olhar confuso.

Al tossiu um pouco, tentando chamar a atenção de seus pais.

- Então, eu preciso que alguém se sente comigo no camarote dos olheiros? – ele perguntou, sua voz alta para seus próprios ouvidos.

Harry piscou, desviando os olhos de Ginny, as orelhas rosadas.

- Sim. Eu vou com você. É uma chance de realmente assistir ao jogo, para variar. – disse para provocar.

Lily, que estivera determinadamente comendo sua refeição, falou subitamente.

- Por que alguém tem que nos acompanhar o tempo todo? Nunca tivemos isso antes... Costumávamos correr pelo estádio todo das Harpies antes, quando a mamãe nos levava aos jogos... Não podíamos fazer nada sem alguém ir correndo contar para a mamãe.

O olhar que Harry e Ginny trocaram tinha uma pitada de preocupação.

- É só que agora vocês podem se meter em tantos outros problemas. – Ginny disse levemente. – Agora que têm varinhas.

Lily cerrou os olhos com desconfiança, mas não discutiu. Tinha a impressão de que não acabaria bem para ela.

-x-

Harry desenrolou as mangas e abotoou os punhos, enquanto subia as escadas depois do jantar. A porta do quarto de James estava firmemente fechada. Ele abriu a porta com um aceno da varinha.

- Podemos conversar?

James estava deitado na cama, olhando para o teto.

- Você vai falar quer eu queira ou não.

- Vou deixar essa atitude passar. – Harry disse secamente, pegando a cadeira da escrivaninha de James. Sentou com uma perna de cada lado do encosto, os braços ao redor. – Não é que sua mãe e eu não confiamos em você. – disse timidamente. – É só que você mal tem quinze anos. E eu sei que sua mãe e eu te demos muita liberdade antes, então tenho certeza que parece que estamos o sufocando. – Harry parou e respirou fundo. – Quanto você sabe sobre garotas? – disse abruptamente, em uma voz estrangulada.

- Eu sei de onde os bebês vêm, se é isso que está perguntando. – James resmungou.

- Bem, na verdade, eu estou mais interessado se você sabe como evitar que isso aconteça.

James deu de ombros.

- Eu aprendi o básico no primário, no último ano que estive lá.

- Certo... – Harry ajeitou os braços. – Antes de mais nada, você é muito novo para transar com alguém, a não ser que esteja resolvendo o problema sozinho e, nesse caso, você tem que limpar depois...

O rosto de James ficou vermelho.

- Erm... É... Aprendi isso na escola. – ele murmurou. – No dormitório...

- É claro. – Harry engasgou, sentindo um corar aparecer no próprio rosto. – Então, de todo modo... Você é muito novo para... Bem, você sabe... E se você é muito novo, sua mãe e eu definitivamente somos novos demais para sermos avôs. Mas, em algum momento, e provavelmente antes do que eu gostaria, você vai fazer e eu vou dormir melhor sabendo que você sabe como se proteger e à sua garota...

- Certo... – James murmurou cautelosamente.

Harry respirou fundo.

- Primeiro, há um feitiço. Eles não ensinam na escola, e não é muito eficiente, por que você precisa lançá-lo bem antes de... E, bem, se você não estiver realmente concentrado, não funciona muito bem...

Uma das sobrancelhas de James se ergueu lentamente.

- Foi assim que...? – ele perguntou, fazendo um gesto que indicava seu quarto bem como o de Al e o de Lily.

- Não. – Harry respondeu rapidamente. – Mas foi como seus avós tiveram o tio Percy, George, Ron e sua mãe.

O rosto de James se contorceu em nojo.

- Ew.

- Eu te ensino o encantamento mais tarde. – Harry prometeu. – Há, também, métodos trouxas que funcionam bem, mas você tem que usá-los todas as vezes.

- E sexo é algo que deveria ser divertido?

- É o que dizem. – Harry disse secamente. Acenou a varinha e uma banana flutuou entre eles, antes de tirar uma embalagem pequena e quadrada do bolso. – Isso é uma camisinha...

-x-

James reprimiu a vontade de limpar as mãos na calça jeans. Depois de várias tentativas, Harry finalmente estava satisfeito que ele conseguia colocar uma camisinha na banana. James cutucou na banana agora sem casca com um indicador hesitante.

- Erm... Você não espera que alguém coma isso, certo? – ele perguntou. – Você vai fazê-la desaparecer, né?

Harry estudou o rosto esverdeado de James e acenou a varinha para a fruta muito abusada. Ela desapareceu.

- Olhe, Jemmy... Nada é totalmente efetivo. Bem, além de não fazer. – uma breve imagem de Ron com Lavender, no sexto ano, passou pela mente de Harry. – E tente fazer isso com alguém que você realmente goste, e não com alguém que está usando para chamar a atenção de outra pessoa...

James assentiu, se sentindo um pouco nauseado.

- Terminamos...?

- Sim. Se você tiver alguma pergunta...

James assentiu.

- É.

Harry apertou o ombro de James.

- Se for mais confortável para você, pode conversar com Teddy.

- Certo. – James disse fracamente, ainda parecendo pronto para vomitar. Escorregou pela cama, as costas apoiadas na parede. - 'Noite, pai...

Harry se levantou e colocou a cadeira no lugar.

- Boa noite, Jemmy. – se inclinou sobre a cama e correu os dedos pelo cabelo de James, antes de sair, sentindo que tinha acabado de destruir os restos da infância de James. – Feliz maldito natal. – murmurou para si mesmo.

Continua...