50 dias com ele – Dohko e Shion Version – 45

*Histórias de Jamiel – 6 – Inefável, mas tão doce*

Mas Hakurei se lembrou imediatamente de suas crianças correndo por ali sabe-se lá onde naquele momento, poderiam estar em qualquer parte e a última coisa que queria era fraquejar diante de Asmita e dos seus pequenos. Apenas acariciou o rosto delicado e levou a mão para afastar as mechas loiras.

- Eu acho que tem doce no seu cabelo também…

- Como foi parar aí? – Asmita torceu o nariz, pensando que provavelmente gostaria do doce, mas não em seu rosto e cabelo. A mão de Hakurei prosseguiu apenas a separar as mechas suaves, em nenhum momento ousou afastar-se do loiro, ainda que tivesse conseguido manter uma distância minimamente decente.

Ao longe, Shion ainda corria em círculos para pegar o fugitivo, já que Atla era tudo, menos imbecil. Se algum dia aquele também fosse cavaleiro, o oponente ia suar muito pra conseguir lhe acertar algum golpe. Mas Dohko tinha parado fazia algum tempo, deixando que os irmãos corressem ao seu redor, enquanto observava a cena ao longe.

- Eu sabia! Eu tinha certeza! – Seus olhos brilhavam de expectativa, embora sua razão lhe dissesse que nada mais seguiria além daquilo, mas já lhe era mais do que o suficiente. – Está escrito na testa do meu sogro! Deuses, tem alguém que consegue NÃO VER isso? Bom, fora o Asmita, que não vê nada mesmo, mas… Ei, Shion!

- Estou ocupado! Atla, para de correr!

- Olha ali, Shion!

- Ali onde?! Atla, vem aqui! – Com muito custo, conseguiu segurar a roupa do pequeno e tentou lhe trazer junto de si.

- Ali, onde eu deixei o doce…

- Certo, estou olhando, o que tem?

- Sério, Shion? Não está vendo nada ali?!

Enquanto isso, ali onde Dohko olhava incessantemente, Hakurei julgou que já mantinha aquele contato por tempo demasiado longo e enfim afastou a mão do cabelo loiro.

- Não, não tem doce no seu cabelo.

- Ah, bem, então… Eu adoraria o doce, mas não no meu cabelo. Ou no meu rosto outra vez. Do que é feito?

- São pequenos bolinhos de farinha cobertos com o caramelo.

- Oh… - Asmita segurou o palito com as duas mãos, para garantir que nenhuma bagunça ao seu redor lhe fizesse perder todo o caramelo em qualquer parte que não fosse sua boca. Mas ainda estava inseguro. – E de que forma comer isso sem fazer toda aquela bagunça de novo?

- Bom… - Hakurei pensou por um instante. Considerou a ideia, reconsiderou. Era melhor não. Mas fora assim que ensinara Atla a não brigar tanto com a comida, talvez funcionasse com Asmita. Mas era melhor, definitivamente, não tentar… Só que o rosto agoniado do loiro o venceu e depois de tudo, que mal havia afinal? Era só um doce. Com uma das mãos, segurou o palito junto as mãos do loiro e a outra retirou uma das pequenas bolinhas carameladas entre o polegar e o indicador. – Abra a boca.

- Isto é sério? – Ergueu as sobrancelhas, um pouco surpreso.

- Você quer experimentar o doce sem fazer bagunça, não quer?

- Quero… - Se conformou e cedeu a vontade de provar o doce que já lhe causara tantos problemas, era quase uma questão de honra. Sentiu o sabor do caramelo com a ponta da língua enquanto tragava a pequena bolinha para mordê-la, seus lábios roçando nos dedos do mestre suavemente, que também estavam doces. Lambeu os lábios e sorriu levemente, ignorando o fato de que Hakurei estava engolindo a própria respiração para não se entregar. Nunca na vida tinha pensado que acabaria tocando os lábios de Asmita, mesmo que em circunstancias tão inocentes. Tentou controlar a palpitação e só falou quando acreditou que sua voz poderia sair o mais normal o possível.

- Então, é bom?

- Sim, é bom. Eu posso ter mais disto?

- Pode, ainda tem mais cinco bolinhas no palito… - O mestre aguardou, mas como Asmita não fez qualquer movimento, compreendeu de imediato que era o loiro quem estava aguardando. Prontamente percebeu o que havia feito. O coração solitário e cheio de dor do virginiano sempre acabava se apegando com muita força a pequenos instantes de carinho e cuidado. E o que Hakurei havia acabado de lhe fazer era um mimo, é claro que Asmita iria se ater a todo o contexto, mesmo que não notasse; o que lhe fascinava não era o sabor do doce, era o sabor de sentir-se querido. O mestre sorriu com tristeza, quantas vezes mais iria duvidar de sua decisão de guardar seus sentimentos para si? Enfim, puxou outra bolinha para fora do palito e a levou aos lábios do loiro. – Aqui. – Asmita novamente lambeu o doce, deixando sua língua roçar nos dedos de Hakurei, embora não visse qualquer problema com isso pelo único e simples motivo de que era seu mais admirado entre todas as pessoas, seu gentil mestre e amigo. O amava, certamente não tinha qualquer dúvida de que o amava, assim como não tinha dúvidas de que amava a Shion e ao pequenino Atla e que provavelmente acabaria por amar ao jovem tigre do Senkyou. Não se dava ao luxo de nutrir amor por muita coisa, embora sentisse sincera compaixão por tudo. O sabor do doce lhe parecia simplesmente o melhor que já provara. Não percebera que era o sabor do carinho o que tanto estava gostando, porque sempre negava a si mesmo que tivesse méritos para receber afetos.

Dohko olhou mais uma vez o namorado e tornou a olhar o "casal".

- Okay, me diga o que você está vendo, Shionzinho… - Sim, ia ficar pra sempre inconformado se agora, como TUDO aquilo, Shion continuasse ignorando alguns fatos.

- Meu pai, Asmita e o doce. – Shion disse, simplesmente. Sim, continuava ignorando porque lhe parecia sempre natural que Hakurei fosse especialmente cuidadoso com o loiro, sempre fora especialmente cuidadoso com aquele rapaz.

- Mita! Doce! – Dito isso empolgadamente, Atla se livrou de Shion e correu na direção do par, grudando nas pernas de Asmita e quase derrubando-o porque não esperava um pequeno a se jogar contra ele do nada.

- Atla! Que energia toda é essa hoje? – Hakurei sorriu, enquanto erguia o pequeno filho nos braços, mas as mãozinhas se estenderam na direção do loiro, o alcançado. O mestre foi obrigado a trocar o filho pelo doce no palito, já que o pequeno parecia mais interessado no colo de Asmita. Mas não tardou também a puxar o palito para si.

- Mita! Doce! – Repetiu, enquanto repetia também o gesto de tirar uma bolinha do palito e levar a boca do loiro, que riu abertamente pelo gesto do pequeno. As outras bolinhas que restaram foram devoradas por Atla antes que Shion e Dohko pudessem chegar para dividir o doce.

Notas da autora:

Ç.Ç Amo tanto esses lemuriano e esses cavaleiros de Virgem loiros, todos eles, em todas as épocas, hehehe. Podia ter mais festival, sim, ainda penso que eles todos aprontaram muito mais, mas eu me conformo em só focar na situação do doce, que sempre foi o que me impulsionou para isso. No mais, finalmente tratei dos sentimentos do Hakurei de forma mais literal e isso me alivia um pouco. Depois da 50 dias e da Yesterday e Today, ainda penso que precisarei de mais fanfics pra isso. Hehehe.
Beijos!