Yuki estava cuidando da sua base secreta, precisava daquilo para tentar se acalmar um pouco. Mexer com as plantas era algo que sempre lhe fazia muito bem. Tinha ido até o supermercado com o Haru, mas durante todo o caminho os dois garotos não chegaram a conversar nada. Cada um ficou preso aos seus medos e pensamentos.

-Foi o Haa-kun que veio me procurar pedindo para que viesse morar comigo. Ele sempre se preocupou muito com você. Sempre fez de tudo para aliviar seu sofrimento.

#Nunca imaginei que a idéia de eu morar com o Shigure tinha sido do Haru. Eu sempre o tratei com certa distancia. Quantas vezes quando ele me dizia que me amava eu o desprezei. Foi por isso que ele começou a gostar do Kyo. Mesmo sendo grosso, aquele gato estúpido sempre o tratou melhor do que eu. Ele até mesmo teve coragem para beijar o Haru antes de mim..... Na verdade, eu só beijei o Haru porque não queria perder para aquele idiota. Senti-me desafiado. Mas agora..... agora quero o Haru só para mim. Porém, para isso, tenho que fazer com que ele me ame de corpo e alma.#

Haru chegava até a base e se encosta-se a uma das árvores. Coloca as mãos nos bolsos da calça e fica admirando o primo. Ele queria muito se desculpar com o Yuki, mas não sabia como iria fazer aquilo. Sabia que tinha magoado o possuído quando o deixou sozinho sob o telhado e desceu atrás do Kyo.

#Tudo seria mais fácil agora. Já tenho o Yuki para mim, por que quero também o Kyo?#

Ao se lembrar do Kyo, ele se recorda da briga dos dois durante a madrugada e fecha um pouco o semblante. Não conseguia digerir o beijo do Kyo em Hanajima.

#Tá certo que ela é bem gostosinha, mas não acho que ela saiba beijar melhor do que eu. Definitivamente não irei perder o Kyo para aquelazinha.#

Yuki percebe que tinha alguém por perto e levanta a cabeça olhando para os lados, encontrando o Haru encostado na árvore. Era impossível o coração não bater um pouco mais rápido, mas ele continua a cuidar de suas plantas sem falar nada. O possuído caminha até onde o garoto estava abaixado e se senta ao seu lado.

-Sua plantação está bem maneira...

-Sim.

-Não fique ao bravo comigo.

-Não estou bravo com você, mas sim comigo mesmo.

-Uhmm, por que? Só porque cabulou a aula de hoje?

-É CLARO QUE NÃO É POR ISSO! #Como ele consegue ser tão tapado? #

-Não consigo entender então. O que fez de errado?

-Ah, deixa para lá...

-Então tá...Vou indo nessa...

Haru se levanta e começa a tirar o pó de terra de suas calças.

-Não vai almoçar aqui?

-Não! Tenho que ir para a sede. Está na hora de eu ter uma conversinha com o patriarca.

-OQUE?

Yuki imediatamente se levanta e fica parado na frente do Haru.

-Vou contar ao patriarca que aquela garota descobriu a nossa maldição.

-VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! VOCÊ MESMO QUE NÃO PRECISAVAMOS FALAR NADA AO PATRIARCA.

-Isso foi antes...

-...ANTES DE ELA BEIJAR O KYO. É ISSO, NÃO É? QUER FAZER ISSO POR QUE ESTÁ COM CIÚMES.

-É exatamente isso. Estou cheio de ciúmes e vou acabar com a brincadeira dela.

-Por que Haru? Não está vendo que isso irá magoar a Tohru, a Hanajima, e até mesmo o idiota do gato.

-Eu não ligo para as garotas, e com relação ao Kyo, estou fazendo isso para o bem dele.

- Não Haru. Está fazendo isso por puro egoísmo.

-Sim! Estou mesmo, mas amar é ser egoísta.

Yuki ao escutar aquilo o abraça bem forte.

-Eu também sou egoísta! Eu quero você inteiro só para mim. Não quero ter que te dividir com mais ninguém, nem com o Kyo, nem com a Rin, como mais ninguém.

-Lamento Yuki... Eu não posso abrir mão do Kyo....

O coração do rato parecia que estava sangrando.

-Quer dizer que você pode ser egoísta, mas eu não posso? Você não quer dividir o gato idiota com a Hanajima, mas eu tenho que aceitar te dividir com o Kyo.

Haru tinha plena consciência de que estava magoando o Yuki ao lhe falar aquilo, mas aquele desejo era mais forte que ele. O possuído pelo boi, que até então mantinha os braços ao lado do corpo, abraça o rato e encosta o rosto em seu ombro podendo assim sentir o seu suave perfume.

-Me desculpe Yuki. Mas eu não consigo evitar. Isso é muito mais forte do que eu.... Passei a noite toda acordado pensando numa maneira de me livrar desse sentimento pelo Kyo, mas não consegui nada. Eu preciso de vocês dois.

Yuki podia sentir a tristeza de Haru. Diferentemente do que ele tinha imaginado o possuído pelo boi também estava sofrendo com aquela situação.

-Haru...

-Esse meu desejo de ter vocês dois até parece que é uma doença.

Haru fala com um tom bem baixo em sua voz, mas que foi escutado pelo Yuki. O boi se afasta um pouco do primo e lhe olha nos olhos.

-Me desculpe Yuki.... Preciso voltar para a sede.

-Por favor, Haru. Por favor, não conte nada ao patriarca. Não só pelas garotas, mas porque todos do clã ficaram ainda mais agitados do que quando a Honda-san descobriu. E também de que adiantaria apagar a memória da Hanajima-san? Ela irá descobrir tudo novamente quando ler os nossos pensamentos...

Os dois garotos escutam passos de alguém que estava se aproximando de onde estavam e olham na direção de onde vinham os sons e vêem que o Shigure se aproximava deles.

-Hei garotos. O almoço está pronto.

-Eu estou voltando para a sede Sensei.

Haru coloca as mãos nos bolso e pega a trilha que levava até a rua. Yuki fica ainda mais ansioso do que antes, tinha medo do Haru contar ao patriarca sobre a Hanajima.

-Shigure... Será que o patriarca aceitaria que mais uma pessoa soubesse da nossa maldição?

-Está perguntando com relação à Hanajima-san?

-Exatamente.

-O Haru está com tanto ciúmes assim da garota?

Yuki apenas confirma que sim com a cabeça.

Shigure começa a caminhar em direção da casa sendo seguido pelo Yuki. O escritor estava um pouco pensativo e o possuído percebe que algo o incomodava muito.

-Yuki.... acho que teremos sérios problemas pela frente....

-Mas não vai adiantar apagar a memória da Hanajima-san. Ela descobrirá tudo novamente depois... E também, não acho que ela irá aceitar tranquilamente essa decisão. Todos da escola tem medo dela. Há boatos de que ela até matou um garoto na sua escola anterior.

-Aquela menina tão bonitinha fez isso?

-A Honda-san nunca falou que isso era verdade, provavelmente é apenas uma história inventada. Mas, é fato que ela tem um dom muito forte.

-Que tipo de dom?

-Eu não sei ao certo. Parece ser algo relacionado com ondas...

-Ondas? Hum.. Preciso perguntar isso para a Tohru-kun.

-Acha que o patriarca pode mandar apagar a memória da Honda-san também?

-Akito-san é muito imprevisível sempre. Devemos nos preparar para tudo.

-O Hatori não pode fazer isso... Não podemos punir a Honda-san dessa maneira.

-Você será capaz de ir contra uma decisão do patriarca?

Yuki apenas abaixa a cabeça. Era obvio que ele nunca conseguiria contrariar ao Kamisama.

-Tampouco eu seria capaz de contrariar Akito-san.

-Tudo isso é culpa daquele gato idiota. Por que ele tinha que começar a namorar a Hanajima-san?

#Pobre do Kyo... Agora que encontrou alguém que o aceitou, corre o risco de ficar sem essa pessoa. Akito-san não tomará a mesma atitude que teve com relação à Tohru-kun.#

Shigure e Yuki chegam em casa e encontram o Ayame desligando o telefone.

-Quem que era Ayaa? Não vai me dizer que era a maluca da minha editora?

-Nan nani na não. Era apenas o Kyon Kitty. Ele está lá no Dojo. Ligou para saber se o Haru-kun tinha saído de casa. Como o gato não pode entrar na sede e nem o encontrou lá no Dojo, queria saber se a nossa vaquinha malhada tinha se perdido pelo caminho até a escola. Aí, eu, que sou todo generoso e prestativo, lhe fiz o enorme favor de lhe dizer que o Haa-kun estava aqui em casa, nos braços do meu lindo e adorado irmãozinho, aquele que era de fato o seu único príncipe encantado.

-Essa não! Ele tinha que ter ido para o Dojo justo agora?

-Uée, Guretti, o que tem de novidade nisso? O Kyon Kitty não treina há vários anos lá no Dojo com a triste ilusão de que algum dia conseguiria desmanchar o penteado do meu lindo irmãozinho numa luta? Sim, desmanchar o seu maravilhoso penteado, porque vencer o meu amado Yuki está muito longe das possibilidades daquele Kyon Kitty.

-É que o Haa-kun está pensando em contar ao patriarca sobre a Hanajima-chan e o Kyo. Ele foi lá para a sede.

-Não brinca!

Ayame se senta no sofá e Yuki percebe que o irmão também havia ficado muito preocupado, assim como o Shigure.

-Dá para a gente fazer alguma coisa Guretti?

-Eu acho que agora muito pouco. A não ser torcer para o Haa-kun mudar de idéia.

-Não imaginava que vocês se importassem tanto assim com aquele gato idiota.

-É que o meu amado irmãozinho não conhece a história. Akito-san odeia o Kyon Kitty.

-Mas isso eu já sei.

-Não Yuki. O Ódio de Akito-san pelo Kyo vai além do fato dele ser o possuído pelo gato. Na verdade a mãe do Kyo era muito querida pelo patriarca quando ele era mais novo. A Eiko-san trabalhava lá na sede, até o dia em que ela se casou com o pai do Kyo.

-Akito-san culpa o Kyo pela morte da Eiko-san. Ela acha que ele é o assassino de sua própria mãe.

-Eu já sabia que a mãe dele tinha se matado. Mas nunca imaginei que ela tivesse cuidado do patriarca.

-Yuki, imagina o que o patriarca poderá fazer se souber que o Kyo tem a sua frente à possibilidade de ser feliz? De que ele encontrou uma pessoa "normal" que é capaz de aceitá-lo mesmo com a maldição que tem.

-Se no caso do Tori-san, Akito-san perdeu o controle e acabou o ferindo, imagina o que poderá fazer com o Kyon Kitty.

-Pouco me importa o que o patriarca irá fazer com o gato...

Yuki havia feito aquele desabafo enquanto ia se sentando no outro sofá, ao lado de onde estava sentados o Ayame e o Shigure, e os dois possuídos ficam lhe olhando. Aquele não era o Yuki que eles sempre tinham visto.

-É impressão minha, ou o seu ódio pelo Kyo aumentou?

-É provável que tenha aumentado.

-Mas amado irmãozinho, não irá se importar mesmo se algo terrível acontecer ao Kyon Kitty? Mesmo que o patriarca lhe tire até a sua vida? Mesmo assim não irá se importar?

Ao escutar aquilo é que Yuki percebe o quanto que era grave aquela situação. Ele já conhecia as crueldades de Akito, mas nunca tinha imaginado que ele poderia chegar até a esse ponto, de tirar a vida de um dos possuídos.

-Yuki-kun, o kamisama é o dono das nossas vidas. Ele tem todo o direito de acabar não só com a vida do Kyo como a de qualquer um de nós.

-Mas Akito-san chegaria a esse ponto?

-Chegaria sim. Estamos falando do possuído pelo espírito do gato.

O rato percebe que o seu ódio pelo gato não era tão grande a ponto de desejar a sua morte.

#Eu não o odeio tanto assim. Não quero que aquele gato idiota morra. Se o Kyo morresse, a Honda-san ficaria muito triste, e o Haru se sentiria muito culpado.#

-Shigure, não podemos fazer nada mesmo? Deveríamos tentar falar com o Haru antes de ele chegar à sede. Tenho certeza que se ele souber disso, não irá contar nada ao patriarca.

-Nós poderíamos tentar, né Guretti? Yuki, o Haa-kun foi como para a sede?

-Ele foi a pé.

-Ele ainda não teve tempo de chegar até a sede. O meu motorista está aí fora. Vamos de carro e o esperamos no portão principal da sede. Assim, lhe contamos tudo e ele desistirá dessa idéia.

-Vamos tentar.

Shigure e os dois irmãos se levantam do sofá e vão para a sede para tentar evitar que algo terrível pudesse acontecer.

by DonaKyon