No capítulo anterior: Ray, Wyatt, Nina e Aki chegaram à mansão de Anne, mas o táxi partiu, deixando-os para trás. Arnold apareceu e disparou sobre eles, mas falhou. Arnold e Anne obrigaram Kai e Lucy a entrarem no carro de Arnold e partiram.
Ray pôs-se no meio da estrada, fazendo um carro parar. Tala estava a conduzir o carro. Os quatro amigos entraram no carro, explicaram a situação a Tala e Tala perseguiu o carro de Arnold. Arnold disparou a sua pistola da janela do carro, tentando acertar em alguém, mas acabou por só acertar no carro que Tala conduzia.
Tala perseguiu o carro de Arnold pela cidade e quando sairam da cidade, Arnold virou bruscamente por um caminho. Tala e companhia perderam algum tempo, mas acabaram por chegar a uma casa, onde Arnold, Anne, Lucy e Kai entraram. Tala partiu com o carro, para ir chamar a polícia e os outros quatro prepararam-se para entrarem na casa.
Capítulo 54: Perigo de Morte
"Pronto. Estes ficam aqui." disse Arnold, atirando Kai e Lucy para dentro de um quarto.
Anne e Arnold saíram do quarto e fecharam a porta à chave.
"O que fazemos em relação aos outros?" perguntou Anne.
"Não te preocupes. Eles vão entrar na casa, tenho a certeza. Nessa altura, apanhamo-los." disse Arnold.
"Mas o que fazemos depois?" perguntou a Anne.
"Vamos acabar com eles, obviamente."
"Mas…"
"Não te preocupes. Vai correr tudo bem para o nosso lado." disse Arnold. "Não vou deixar que um bando de jovens estrague a minha vida. Era só o que faltava."
"Pois, eu também não quero ir presa." disse Anne. "Não esperava que as coisas chegassem a este ponto."
"Não te preocupes e confia em mim. Eles vão desta para melhor. Ou pior."
Fora da casa, Ray, Wyatt, Nina e Aki preparavam-se para entrarem na casa. Ray empurrou a porta da frente da casa e ela abriu-se com facilidade.
"A porta está aberta." disse Ray.
"Claro que está. Seria de esperar. É uma armadilha." disse Wyatt.
"Vamos correr perigo." avisou Nina.
"Se quiserem, ficam cá fora, como eu já tinha dito. Eu vou salvar o Kai." disse Ray.
"Nós já decidimos que vamos entrar e eu disse que íamos correr perigo, mas eu sou corajosa." disse Nina.
"Então vamos lá."
Os quatro amigos entraram cautelosamente na casa. Olharam à sua volta, para o corredor e as várias portas. O corredor estava bastante escuro.
"A casa é bastante grande." disse Aki.
"Talvez seja melhor separarmo-nos para procurarmos melhor." sugeriu Nina.
"Mas assim vamos ficar ainda mais vulneráveis." disse Wyatt.
"Pessoal, a Anne e o outro homem podem estar, neste preciso momento, a fazer mal ao Kai." disse Ray. "Temos de o encontrar o mais rápido possível, por isso é melhor separarmo-nos em dois grupos."
Wyatt encolheu os ombros e acenou afirmativamente.
"Óptimo. Nina, tu vens comigo." disse Ray. "Aki e Wyatt, vocês vão os dois juntos. Tenham cuidado."
"Está bem." disse Aki. "Vocês tenham cuidado também."
Ray e Nina abriram as portas do lado esquerdo e não encontraram nada. Acabaram por seguir por um corredor à esquerda. Aki e Wyatt fizeram o mesmo, mas pelo lado direito da casa.
"A casa está muito silenciosa." murmurou Nina. "Isso é mau. Podem estar a preparar-nos uma emboscada."
"Temos de estar atentos."
"Acho que algo de mau vai acontecer."
"Não penses nisso agora, Nina. Vamos abrir as portas deste corredor." disse Ray, caminhando para uma das portas.
No corredor do lado direito, Aki abriu uma porta, mas apenas viu um quarto vazio.
"Achas que os vamos encontrar?" perguntou Aki.
"Espero que sim. Eles têm de estar algures aqui na casa." disse Wyatt. "Espera aqui fora. Eu vou ver se há alguma coisa aqui."
Wyatt abriu uma porta e entrou no quarto. Vasculhou-o apressadamente, mas Kai não estava ali.
"Não!"
Wyatt virou-se rapidamente. Aki tinha gritado. Wyatt correu para o corredor, mas quando lá chegou já não viu Aki.
"Aki? Onde estás?" perguntou Wyatt.
Nesse momento, Arnold saiu de um dos quartos e com uma das mãos tapou a boca de Wyatt com um lenço. O lenço continha clorofórmio, o que fez com que Wyatt perdesse os começou a puxar o corpo de Wyatt pelo corredor.
"Pronto. Já só faltam dois." disse Arnold, satisfeito consigo mesmo.
De volta a Ray e Nina, eles continuavam no corredor da esquerda, abrindo as portas e olhando para as divisões para lá dessas mesmas portas.
"Já vimos tudo. Não está aqui ninguém." disse Nina.
"Espera. Falta ver estas duas portas." disse Ray. "Vai ver a porta da direita que eu vejo a da esquerda."
"Está bem." disse Nina.
Ray entrou no quarto da esquerda, mas não encontrou Kai, por isso voltou ao corredor.
"Já viste o quarto, Nina?" perguntou ele.
Ray não obteve resposta.
"Nina?" perguntou Ray, entrando no quarto em que Nina tinha entrado. Viu Nina caída no chão. "Nina!"
Ray ajoelhou-se perto dela.
"Nina? Fala comigo."
Detrás da porta do quarto surgiu Anne. Ray virou-se rapidamente para a encarar.
"Anne? O que é que tu fizeste à Nina?" perguntou Ray, furioso.
"Ela está só a dormir." dise Anne. "E é isso que te vai acontecer a ti também!"
Anne atirou-se para cima de Ray, com um lenço embebido em clorofórmio, para tentar fazer com que Ray ficasse inconsciente.
"Larga-me!" gritou Ray, empurrando Anne.
Anne caiu no chão. Ray aproximou-se e de seguida Anne pregou-lhe uma rasteira. Ray caiu no chão. Anne saltou novamente em cima dele e tapou-lhe a boca com o pano. Segundos depois, Ray tinha ficado inconsciente.
"Bem feito." disse Anne. "Estes dois já estão."
Beyblade: História de um Amor Conturbado
No quarto em que Kai e Lucy tinham ficado presos, Lucy estava a olhar atentamente para Kai, que estava a tentar livrar-se das cordas que o prendiam. Apesar de Kai tentar tudo, não conseguia livrar-se das cordas. Lucy aproximou-se dele e conseguiu pôr a sua mão sobre as cordas que prendiam Kai.
"Espera. Vou tentar libertar-te." disse Lucy.
Depois de alguns minutos de esforços, Lucy conseguiu desatar um pouco o nó. Kai moveu-se e conseguiu libertar as mãos da corda. Depois levantou-se e tirou as cordas que prendiam Lucy.
"Obrigado pela ajuda." disse Kai.
"Digo o mesmo." disse Lucy. "Bem, estamos na mesma situação. Temos de sair daqui. A Anne está louca e o outro homem não há-de estar melhor."
"Sim, é verdade. Vamos lá sair daqui."
Kai caminhou até à porta e tentou abri-la, mas estava trancada.
"Trancaram-nos por dentro." disse ele.
"E agora?" perguntou Lucy. "O que é que fazemos? Temos de fazer alguma coisa antes que eles voltem e nos matem. Ai, não quero morrer."
"Tens algum gancho?"
"Um gancho? Sim, tenho. Espera."
Lucy tirou um gancho do cabelo e passou-o a Kai. Depois de uns minutos, Kai conseguiu abrir a fechadura e a porta. Passou a mão pela testa, que ficara suada devido ao esforço.
"Muito bem, Kai." disse Lucy, aliviada.
"Foi uma sorte teres um gancho." disse Kai. "Talvez tivéssemos conseguido arrombar a porta, mas isso iria fazer muito barulho. Vamos."
Kai e Lucy saíram para o corredor, mas nesse momento ouviram passos a virem na sua direcção e apressaram-se a encostar a porta.
"E agora, o que fazemos?" perguntou Anne, passando ali perto.
"Vamos levá-los para a cave." disse Arnold, que vinha a arrastar Ray, ainda inconsciente. "Depois acabamos com eles."
"Está bem. Mas temos de os levar para a cave?" perguntou Anne, que vinha a arrastar Nina. "Já estou farta de arrastar esta rapariga. Ela parece magrinha, mas é pesada."
"Pois, mas faz mais um esforço. Os outros dois já estão na cave."
"Vais matá-los, dando-lhes tiros com a tua pistola?" perguntou Anne.
"Não. Tenho outras maneiras mais limpas para isso." respondeu Arnold. "O Ray e os outros vão desta para melhor e não precisam de levar nem uma bala."
Os dois continuaram a andar pelo corredor, até que as suas vozes deixaram de se ouvir.
"Eles vão matá-los!" exclamou Lucy, assustada. "E aposto que a seguir seríamos nós."
"Mas agora que sei que eles estão cá, não me posso ir embora." disse Kai.
"Mas Kai…"
"Eu tenho de os salvar." disse Kai, decidido.
"Vai ser muito perigoso."
"Eu sei, mas tenho de ir. Quanto a ti, podes fugir agora."
"Desculpa, mas é o que eu vou fazer." disse Lucy. "Tenho demasiado medo para os ir enfrentar."
Lucy saiu para o corredor, começando a procurar a saída da casa. Kai seguiu pelo mesmo caminho por onde tinham ido Anne e Arnold.
Por essa altura, Arnold e Anne já tinham chegado à cave. A cave era totalmente feita de pedra escura e a primeira impressão de Anne foi que, com os objectos correctos, seria uma boa câmara de tortura.
"Pronto." disse Arnold, lançando Ray para dentro de um compartimento e fechando a porta.
"O que é isto Arnold?" perguntou Anne, sem perceber.
"Oh, isto? É uma câmara de gás." respondeu Arnold.
"Uma… câmara de gás?" perguntou Anne, assustada.
"Sim. É limpa e fácil de utilizar. E é com isto que vamos matar estes intrometidos. E depois matamos a tua amiga e o Kai." disse Arnold, rindo maleficamente.
"Eu não sei se… bem, matá-los é um pouco radical de mais, não achas?" perguntou Anne, que agora, mais do que nunca, estava a pensar se deveriam mesmo matá-los.
"Não temos outra alternativa. Ou nós os matamos ou eles vão contar tudo à polícia e somos presos." disse Arnold. "Portanto, a escolha é muito simples. Acabamos com eles e fica tudo resolvido para o nosso lado."
"Tu falas com uma frieza. Arnold… tu já mataste alguém?" perguntou Anne.
Arnold riu-se.
"Claro que sim. Já perdi a conta de quantas pessoas matei nesta câmara de gás. E em quantos atirei mortalmente. Afoguei algumas pessoas também, uma vez electrocutei uma mulher até à morte e peguei fogo a um homem também."
Anne ficou paralisada. Ela própria tinha matado Stuart, com medo de ser denunciada, mas Arnold era bem pior do que ela e muito mais perigoso e experiente. Mas agora, Anne achava que não havia volta a dar.
"Eles vão acordar em breve."
"Então é melhor matá-los já." disse Anne, com uma voz trémula.
"Não." disse Arnold.
"Mas porquê?" perguntou Anne. "Não disseste que temos de os matar?"
"Claro que sim. E vamos matá-los. Mas quero vê-los despertos. Quero vê-los assustados e vendo que vão morrer. Adoro ver isso nas minhas vítimas."
Anne ficou novamente paralisada. Ela não era boa pessoa. Sim, ela sabia disso, mas também não era cruel. Queria Kai para si e tinha feito tudo para isso, mas não tinha prazer nenhum em ver os outros sofrer só por sofrerem.
Contudo, Anne não disse nada. Se ficasse contra Arnold, podia acabar por ser lançada para a câmara de gás também. Anne pensava em Kai. Arnold queria matá-lo a seguir, juntamente com Lucy. Anne não queria que Kai morresse.
"Fiz tudo para ficar com ele… e agora o Arnold quer matá-lo." pensou Anne. "Não quero perder o Kai… mas agora não tenho outra escolha…"
Aki começou a mexer-se lentamente. Depois Wyatt também se começou a mexer. Lentamente todos começaram a despertar.
"Onde estamos?" perguntou Aki aos outros. Ele e todos os outros tinham uma grande dor de cabeça.
"Não sei." respondeu Nina.
Todos olharam à volta e viram que estavam dentro de um compartimento. As paredes desse compartimento tinham alguns buracos, pequenos, que não estavam ligados ao exterior e na frente do compartimento estava um vidro, não muito grande, onde se podia olhar para o exterior.
Nina caminhou para esse vidro e espreitou para ver o que havia do outro lado. Viu Anne e Arnold. Ele ria-se descontroladamente. Ela tinha uma cara séria.
"Pessoal." disse Nina, numa voz trémula. "Tenho uma má notícia para vos dar."
"O que foi?" perguntou Wyatt.
"Parece-me que estamos… estamos numa câmara de gás!" gritou ela.
"Uma câmara de gás? Aquelas que se usam para matar pessoas?"
Wyatt percebeu subitamente o que lhe ia acontecer.
"Oh não… vamos morrer." disse Aki.
Do lado de fora da câmara, Arnold parecia estar feliz consigo mesmo.
"Bem, deixa ver… vou regular os gases para daqui a cinco minutos." disse Arnold, mexendo num mecanismo. "Pronto. Daqui cinco minutos, os gases vão começar a encher a câmara de gás e os nossos amiguinhos vão morrer."
"Não se eu o puder evitar." disse Kai, que acabara de entrar na cave e ouviu o que Arnold estava a dizer.
"Kai?" perguntou Anne, surpresa por o ver ali. "Estás aqui…"
"Conseguiste soltar-te." disse Arnold, nada satisfeito. Puxou duma pistola. "Mas a tua vida acaba aqui."
Kai saltou para a frente e atirou-se contra Arnold. A pistola caiu da mão de Arnold e rolou pelo chão da cave.
"Raios." gritou Arnold, dando um murro a Kai.
Dentro da câmara de gás, Ray, Wyatt, Nina e Aki estavam junto ao vidro, tentando ver o que se estava a passar.
"O Kai está a lutar com aquele homem." disse Wyatt.
"Força Kai!" exclamou Aki.
"Tu consegues! Vais tirar-nos daqui." disse Nina, esperançosa.
Ray não disse nada, limitando-se a ver o que se passava e a desejar com toda a sua fé que Kai vencesse aquele homem e que os tirasse dali. Anne assistia à luta, sem saber o que fazer.
"Toma lá." disse Arnold, tentando dar um outro murro a Kai, mas falhando.
Kai saltou e deu um pontapé a Arnold. Ele caiu para trás.
"Rapaz impertinente!" gritou Arnold. Depois, pôs a mão no bolso e tirou outra pistola. "Eu não tenho só uma pistola. Agora vais morrer."
Arnold apontou a pistola a Kai. Pensara deixar Kai para o fim, mas agora não importava. Iria matá-lo ali mesmo e naquele preciso momento.
"Não! Não o mates." gritou Anne. Kai saiu da mira do revólver.
"Tem de ser, Anne. Eu não vou parar à cadeia por causa dele. Não o vou deixar viver para nos denunciar." disse Arnold.
Kai continuou a mexer-se e Arnold não conseguia fixar a mira. Então Arnold aproximou-se da câmara de gás e pôs mão em cima de um botão vermelho.
"Se não parares quieto, aperto este botão e o gás entra logo na câmara." ameaçou Arnold. "E assim os teus amiguinhos morrem logo. Como é, ficas quietinho ou não?"
Kai parou de se mexer de imediato. Não queria que Ray e os outros morressem. Arnold fixou a mira.
"Assim é que é. Vês como é sempre bom seres comportado." disse Arnold, sorrindo maliciosamente. "Agora vais morrer, Kai! Adeusinho!"
Kai fechou os olhos. Era o fim.
"Ray, queria beijar-te mais uma vez." pensou Kai.
E de seguida, ouviu-se um disparo. Mas nenhuma bala acertou em Kai. Quando Kai abriu os olhos, vi que Arnold tinha caído no chão e à sua volta formava-se uma poça de sangue. Os olhos de Arnold estavam muito abertos e a pistola que segurava tinha caído aos seus pés. A bala tinha-lhe acertado directamente no coração.
Kai virou-se bruscamente e encarou Anne, que estava do outro lado da cave. Na mão de Anne estava a pistola que Arnold tinha deixado cair no chão, quando Kai tinha ido contra ele.
Continua…
