- Capitulo Cinqüenta –

Chá com Biscoitos

A manha já estava no fim. Todos se sentiam famintos, prontos para o almoço. Severus observava Cassandra, que conversava baixo com Angélica. Não havia conseguido pegar nenhuma frase solta, mais alta, o que provava que elas estavam pensando em se meter em confusão. De novo.

O sonserino suspirou, cansado. Iria fazer que Cassandra parasse de se envolver com os vampiros... mas não tinha idéia como. A loira lançou um olhar rápido para ele, o suficiente para que percebesse que o sonserino estava com os olhos quase grudados nela. Quase xingou-o, antes de trocar mais uma frase com Angie.

Ele ficou de olho na loira, até as brincadeiras de Eddie eram ignoradas. Depois do almoço, ele percebeu Cassandra se esgueirando da mesa da Grifinória. Ele levantou-se irritado, seguindo a garota. Quando ele pusesse as mãos naquele pescocinho delicado, o torceria até quebrar, sem remédio.

Ela parou em uma das portas laterais, sentando-se nos degraus, ao lado de Diego, que aparentemente dormia. Severus ficou tentado a chamar a atenção dos dois, mas preferiu escutar a conversa.

- Então, alguma idéia? – ela foi direta ao ponto, não obtendo resposta. – Diego... Diegunho.... Sabia que a Fage disse que ia fazer você rastejar aos pés dela?

- Prefiro beijar o Peter! – ele falou, levantando-se de um salto e pegando a varinha. – Cadê a mocreia? – falou olhando de um lado para outro.

- Incomodando algum idiota. – Cassandra falou, antes de cair na risada.

- Isso não vale! – ele sentou-se novamente, reclamou passando a mão no rosto, como se tentasse acordar. – eu passei o resto da noite acordado, enquanto você dormia como uma princesa!

- Que culpa tenho eu, se tenho o soninho pesado?

- Eu ainda te rogo uma praga, sua loira xaropenta!

- Então deixa de andar comigo!

- E começar a pegar gripe direto? De jeito né... – Diego espirrou. Cassandra riu novamente.

- Falando sério agora. Teve alguma idéia?

- Idéias eu tive muitas. Mas não sei se é a respeito daquilo. – com o olhar assassino que recebeu de Cassandra, suspirou. – Ta, mas eu ainda não entendi o porque de você querer descobrir aquela coisa.

- Aquela coisa é maldade pura. Acha que ela não vai querer botar as patas em cima?

- Vampiro pode se transformar em lobo? Não era morcego?

- Cassandra ficou em silencio. Encarou Diego, como se dissesse: Você disse isso mesmo?

- Ta, bom, esquece. Agora eu não entendi o porquê de você querer ir atrás dessa coisa. Você mesma disse que sentiu uma energia muito negativa vindo daquilo!

- Sim. – ela se virou, encarando a paisagem do lado de fora. A voz, possuía um quinhão de preocupação, de seriedade, que Severus jamais percebera antes, que achara possível existir nela. – eu quero saber pelo que vou lutar. Se a tia Jojô e o tio Jimmy trouxeram aquilo até Hogwarts, você pode ter uma idéia do quão perigoso isso é.

- Perigoso? Se fosse perigoso o diretor não permitiria que ficasse aqui, Cass.

- Sou obrigado a concordar com o jovem Diego. – uma voz masculina fez Severus se sobressaltar. Obviamente ele estava falando com o casal. – o diretor jamais permitiria que os alunos fossem ameaçados.

- Hogwarts é o lugar mais protegido de toda a Grã-Bretanha. – Cassandra retrucou, olhando para o lado onde a voz se projetara. – E até mesmo o Gringotes não tem tanta segurança.

- Cass, você ta brincando, não é? – Diego, apesar de reconhecer o tom serio, não acreditou muito nele.

- Estou? No momento, em Hogwarts existem dois herdeiros, dois guardiões, um oráculo. Quando isso foi visto antes, barão? Quando dois guardiões estiveram juntos, quando...

- Eu entendi. – o barão sangrento apareceu, aparentemente o ego dele estava irritado. – não se atreva a me tratar, mocinha,como se eu não soubesse dessa historia! Eu estou nela desde o começo, lembra-se? Eu ajudei na caça do antigo oráculo!

- Traduzindo. A situação porcaria que estamos vivendo hoje, é resultado da mer... – ela levantou-se e apesar de manter a voz baixa, sentia-se a raiva que emanava dela.

- Cassinha! – Diego tapou a boca da Grifinória. – SE acalmem os dois!

Cassandra desviou o olhar. O barão falou de modo ríspido.

- Se você vivesse naquela época, teria sido colocada na fogueira mais rapidamente que pudesse dizer ai. – O barão bufou.

- Muito bem. Por um lado a Cass tem razão e por outro, o barão é quem tem. Estamos nessa enrascada por conta deles, e se não soubéssemos por eles o que esta acontecendo, já estaríamos fritos. Agora a questão, simplesmente pura é. Barão, por acaso você sabe o que a Tia Jojô trouxe?

- Sim. – a afirmação era até esperada.

- Ótimo. O que é?

- Isso não é da conta de vocês. Como guardiões, devem assegurar-se que...

- Certo, Diego. Vamos voltar ao plano inicial. Explodimos o colégio, daí reviramos os destroços e...

- Como vocês podem pensar em fazer uma coisa dessas? – o barão pareceu horrorizado.

- Hum... anos de treino? – Diego brincou, fazendo o Barão Sangrento fixar o olhar nele.

- Convivência com os marotos. – Cassandra suspirou, sentando-se. – você não vai nos contar, nem se eu implorar, não é?

- A ignorância é a sua melhor proteção. – o barão observou a expressão meio derrotada de Cassandra. – Espero que não tentem investigar mais, a respeito disso.

Cassandra virou o rosto, numa atitude de birra. O barão suspirou.

- Eu não treinei vocês para que se tornassem presas fáceis. E é isso que vai acontecer se deixarem-se levar pela curiosidade.

- Só queremos saber o que é Barão! Só isso! – Diego protestou.

- Uma coisa terrível. Prometam-me que não vão erguer cada estatua do colégio para averiguar se não tem uma entrada para alguma gruta secreta.

- Nós prometemos. – Cassandra surpreendeu aos dois, com aquela afirmação. -Temos que proteger o herdeiro e Rachel... E é isso que iremos fazer.

- Iremos? – Diego olhou surpreso para ela.

- Iremos. – Cassandra sorriu para o barão, que estreitou os olhos. – Não vamos erguer nenhuma estatua procurando uma gruta secreta. Palavra de Cavendish.

- Mostre os dedos. – ele pediu, o cenho mais franzido. Cassandra tinha os olhos muito azuis, e sorriu candidamente, mostrando as duas mãos normalmente. – Certo. Então... eu vou...

- Atrás de Maximus. Eu pedi para ele, alguns brinquedinhos novos... E com essa segurança extra que o castelo vai ter, por conta dessa coisa que você não quer dizer o que é, vai ser mais difícil passar eles para dentro.

Cassandra parecia outra pessoa. Calma, controlada... Nenhuma pessoa que a conhecesse, diria que ela não estava daquela forma anteriormente.

O barão a encarou seriamente por longos minutos.

- Você não está mentindo, mas também não esta sendo totalmente honesta.

- Estou agindo como certo barão sangrento me ensinou a ser. – bateu os cílios. – Agora, pode deixar que nós vamos para a aula, como dois aluninhos bem comportados... não vamos faltar a nenhuma aula... a noite não vamos entrar na Floresta Proibida...

- Não vamos? – Diego virou-se para ela, os olhos arregalados.

- Se você for burro de ir, vai sozinho, que eu vou estar muito ocupada sonhando com o meu príncipe sonserino...

- Eca! – Diego fez um estremecimento de nojo. – Certo. Tudo isso que a Cassinha disse, mas eu vou estar ocupado com a Carmenzinha!

O barão grunhiu, antes de desaparecer.

- Certo, qual o plano?

- Você vai me passar cola para a única prova do dia... E depois, eu te ajudo com feitiços.

- Não vamos mais procurar o esconderijo daquilo?

- Não.

- Porque não?

- Por que vamos estar muito ocupados tomando o chá do Hagrid. – Cassandra sorriu, beijando Diego no rosto. – Então, vá se preparando para passar a noite na enfermaria.

Ela pegou a mochila, deixando o corvinal boquiaberto. Quando estava quase entrando, Diego gritou atrás dela.

- Eu não tenho culpa se você consegue cozinhar pior que o Hagrid e comer o que cozinha!

Ela apenas riu, acenando.

- Me chamem de burro e me botem como amigo de Goyle e companhia. Eu não entendi nada! – Diego ergueu as mãos para o céu, antes de sentar-se emburrado. Puxou uma barra de chocolate e começou a comer, o olhar acompanhando uma nuvem no céu.

Quando o sinal tocou os dois saíram para o corredor ensolarado e entraram no Salão rindo, Cassandra foi direto a mesa da Sonserina e sentou-se ao lado de Angie e a frente de Rach e Severus.

- Novamente na Sonserina? Não quer sentar na mesa da Corvinal pra variar um pouco?

- Nem pensar!- retrucou ela com um sorriso.

- Vamos Cassandra...?

- Calado - e murmurou em espanhol - Lembre se da conversa com o barão!- depois riu- E depois vamos ter muito a falar hoje a tarde com nosso guarda caças!

Diego encarou Cassandra com um olhar perplexo. Ela estava sorrindo animada e seus olhos brilhavam de malicia.

- іUsted no hay! – murmurou ele.

Rachel ergueu uma sobrancelha, seus lábios se curvaram levemente diante da perspectiva. Eddie levantou os olhos para a namorada com a intenção de lhe falar e reparou no olhar dela para Cassandra, e em seus lábios em um meio sorriso. Inclinou-se e murmurou em seu ouvido.

- Nem pense nisso!

Rachel sentiu um arrepio percorrer a espinha e se virou abrindo um largo sorriso.

- Nisso o que?- perguntou gentilmente.

- Seja lá o que você estiver planejando!- ele respondeu animado.

Ela deu um risinho e mordeu o lábio inferior.

- Ok cancelar o jantar romântico...

Ele riu.

-... e as algemas!

Eddie gargalhou, Snape olhou pra ele curioso, o Sonserino o ignorou.

- Me diga o que você pretendia fazer com as algemas?- ele perguntou baixinho.

- Ah agora você quer saber? Sinto muito, mas você proibiu!

Eddie ia retrucar, mas ela se levantou.

- Bom eu preciso ir ate a biblioteca... vejo vocês mais tarde!

- Biblioteca?!

Mas ela já tinha saído, Eddie se virou para Severus.

- O que ela vai fazer na biblioteca?

- Eu não sou namorado dela! – ele retrucou mordaz.

- Não, mas é o...- Eddie parou de falar quando notou que Cassandra e Diego o encaravam curiosos, e Severus com uma fúria mal contida.- melhor amigo!- emendou ele se levantando- Vou ver se eu encontro aquela peste antes que ela faça alguma besteira.

Eddie não encontrou Rachel no hall muito menos na biblioteca. Isso porque ela havia ido ate o jardim e se sentado em baixo da faia, escondida por um arbusto de modo que quem vinha do castelo não a via, mas ela podia ver a cabana de Hangrid. Não precisou esperar muito. Alguns minutos depois Diego e Cassandra andavam em direção a cabana.

Ela os seguiu e ficou espreitando, sentou-se atrás de um monte de lenha e ficou escutando a conversa do três pela fresta da parede.

- ... Fico muito feliz que vocês tenham vindo! Mas não estão perdendo aula para estar aqui não é?

- Como se o Dieguinho iria deixar de ir a uma aula...- caçoou Cassandra- Temos a tarde de folga, e decidimos que uma visitinha cairia bem sabe... para espairecer!

- Hum!- fez hangrid se sentando - Estudando para os N.I.E.M.s certo?

- Eu sim!- retrucou Diego sorrindo - Cassandra fazendo de conta!

- Anda distraída criança?- perguntou o meio gigante rindo.

- Sabe como é!- falou Diego, fingindo não ouvir os bufos da Grifinória - Está tentando entrar para a Sonserina!

- O que você quer dizer com isso?- perguntou Cassandra irritada.

- Bem você sabe... Sonserinos são sempre meio burrinhos...

Rachel bufou do lado de fora, quase entrou para dar uma bifa em Diego, mas ouviu um gemido abafado dele e concluiu que a loira fizera o serviço.

- Ora Diego não diga uma coisa dessas... Nos sabemos que uma certa Grifinória esta caidinha por um monitor Sonserino!

Diego caiu na risada, Cassandra encarou Hangrid que a olhou com um sorriso e picou um olho.

- E veja pelo lado bom!- falou Diego secando os olhos - Ela tem uma chance já que o Sevinho não esta agarrado a Rachel! Eles não são namorados!

Cassandra se inchou e Diego se encolheu prevendo um tapa, mas ao contrario disso ela resmungou.

- A Rachel pode ser burra e cega...- a morena se remexeu-se perto da pilha de lenha- Mas ela finalmente percebeu a verdade que rege os Sonserinos!

Diego esperou, mas Cassandra cruzara os braços sobre o peito. Ele sorriu.

- Que seria?

- Grifinórias mandam em Hogwarts!

Diego e Hangrid caíram na risada. Rachel mordeu o punho para não entrar na cabana e arrebentar a cara da loira.

A tarde transcorreu calmamente. Hangrid serviu chá com biscoito no meio da tarde, eles conversaram sobre as aulas, falaram mal dos sonserinos, riram das bobagens de Tiago Potter e falaram sobre as criaturas mágicas da floresta. Quando Rachel sentiu suas costas arderem e seus joelhos enrijecerem da posição incomoda que se encontrava. Cass e Diego saíram da cabana. Hangrid logo atrás.

- Muito obrigado pela visita!- ele trovejou.

- Nos que agradecemos pelos biscoitos!- falou Diego dando tapinhas nos bolsos cheios. Cassandra o cutucou, não queria magoar o guarda caças contando que os biscoitos servidos a tarde não foram comidos e que provavelmente seriam jogados a lula gigante no dia seguinte.

Cassandra viu um movimento perto da pilha de lenha e sorriu, aumentou a voz para ter certeza que seria ouvida.

- Voltaremos amanha Hangrid!

Diego encourou a amiga com curiosidade.

- Voltaremos?

Ela olhou para ele e sorriu.

- Sim!- falou entre dentes, o olhar dele se iluminou.

- Ah sim!- ele confirmou.

Os dois se viraram para sair, deram dois passos quando Cassandra se voltou. Hangrid já estava quase fechando a porta.

- Ah hangrid!

- Sim?

- Onde fica mesmo aquela sala com a tapeçaria dos Centauros?

- No sexto andar perto da torre de astronomia por quê?

Cassandra deu uma risadinha.

- Nada não!

E saiu sem dizer nada.

Rachel esperou Hangrid entrar na cabana para sair de sues esconderijo, se espreguiçou esticando os músculos. "Sala da Tapeçaria de Centauros han?! Então isso que ela queria?" deu um sorrisinho malicioso, depois bufou:

- Ela não podia ter perguntado logo?- murmurou ela.

E segui para o castelo com o sol se pondo no horizonte.