Capítulo XLVIII

~A poça de ácido~

Com Sakura pendurada nas ferragens do duto, prestes a cair com um mínimo movimento ou esforço, Kero não poderia fazer outra coisa: deixar tudo nas mãos de Sakura.

Aquele túnel não deu nenhum sinal de desgaste aparente. Estava tudo na mais absolta ordem, sem sinal de desgaste, quando Sakura e apenas ela, escutou "Tuxing" vindo ao longe… o que seria aquilo? Ninguém sabia, só sabia que, depois de ouvir isso, estava suspensa por uma mão, nas ferragens gastas daquele duto. As foices em suas costas começavam a pesar…

O cheiro de ácido daquela sala entrava nas narinas de Sakura e da turma, dificultando tudo. Era insuportável aquilo. Não sabia mais como se livrar daquilo.

Sakura tentou se mover, mas o ferro rangeu mais ainda e ela sabia que poderia cair naquela poça a qualquer instante. Hikaru deu um grito de espanto. Kero e Subaru tentavam cogitar algo; o uso da carta alada, talvez? Usar as foices como ganchos? Ela poderia ser sugada pela atmosfera daquela fábrica para aqueles tanques ou outra sorte de amuleto misterioso? Quem sabe… precisavam tentar para saber.

Subaru teve a ideia de usar as cartas Sakura e Kero o impediu de agir antes de falar:

– Espere, Subaru! Você pode piorar as coisas mais ainda…

– O que foi, Kero?

– O melhor mesmo é deixar a Sakura em paz, deixar que ela se vire por conta própria…

– Kero-chan, o que você está dizendo? A Sakura está suspensa por um fio, quase caindo naquela poça de ácido! Ela tem que usar a carta alada! – Hikaru estava desesperada.

– Não dá pra usar a carta alada… eu espero que você entenda… Sakura… – Kero olhou melancolicamente para a mestra. Sua cara se contorcia de preocupação e angústia. Sem poder usar as cartas, Sakura olhou para baixo e quis chorar, ouvindo mais um rangido do metal do duto. O próximo, com certeza, seria o da sua queda. Dentro de si, Sakura apenas queria chorar.

– Como eu queria que uma lagoa imensa estivesse aqui pra me salvar… – Uma gota de lágrima caiu dos olhos de Sakura, pingando no lago. Quando as lágrimas de Sakura caíram ao chão, Kero disse para a mestra:

– Solte-se agora, Sakura!

Imediatamente, Sakura despencou do duto e caiu na poça de ácido. Seu corpo desapareceu de vista. Hikaru deu um grito de espanto e o coração de Subaru congelou. Logo menos, a cabeça de Sakura se levantava da poça de ácido e ela agitava a cabeça para tirar o excesso de umidade dos cabelos. Estava salva.

– Agora pulem, Hikaru! Subaru!

Meio que inseguros, os dois agentes pularam na fenda aberta do duto e caíram na poça de ácido. A água imediatamente mudou da cor verde para a azul com o baque dos corpos na água.

– Vocês estão bem? – Sakura perguntava.

– Sakura, o que você fez? E aquele lago de ácido que tinha aqui?

– Não sei direito o que aconteceu, Hikaru…

– … mas eu sei! Vamos sair dessa poça d'água pra eu explicar direito. – Kero voava até eles, enquanto a turma nadava até uma das margens daquela imensa sala. Estavam ensopados de novo.

– Pelo visto não adiantou a gente se secar com aquele vapor quente não… estamos ensopados novamente! – Hikaru agitava as mãos freneticamente, rebolando o corpo para tirar ao excesso de água.

– Por que o ácido se transformou em água, Kero?

– Porque quando a Sakura chorou, as lágrimas dela estavam recheadas de angústia, mas tinha uma ponta de esperança dentro delas. Sem isso, não seria possível transformar a poça de ácido em água…

– Dá pra fazer o inverso, Kero-chan?

– Sim, o processo foi o mesmo da criação da carta sem nome… você só mudou um pouquinho o seu desejo… tá vendo? Quem não chora não mama, Sakura! Lágrimas são poderosas em magia…

– Tou vendo que chorar um pouquinho serviu para alguma coisa… – Sakura coçava a cabeça molhada e mostrava a ponta da língua para fora. A turma sorria e observava aquele imenso salão a procura de uma porta de saída, mas não havia nenhuma.

– Puxa gente, como vamos sair daqui? – Sakura se perguntava, tateando as paredes em busca de resposta, elas não respondiam nada.

– Caramba, Sakura, nem as paredes te dizem nada… – Perguntava Hikaru.

– Nadinha amiga… espera aí… tou sentindo uma presença estranha… – Sakura colocou as mãos na cabeça e ou viu a mesma voz de antes:

– Muxing!

Uma espécie de fenda se abriu na parede. Dentro dela, surgiu um homem com a cabeça raspada da testa até a orelha, jaqueta de couro preta e calça jeans, com sua habitual trança. Era mais um membro daquela organização.

– Ora, ora, você é a Sakura Kinomoto que tem atrasado nosso lado e interceptado meus poderes? Eu sou Shui Jiao; o avanço de vocês acaba aqui! Shui Xing!

Antes que Sakura pudesse se defender com as foices que estavam em suas costas, Shui Jiao, com uma velocidade incrível, nocauteou Sakura, golpeando a cardcaptor com toda a velocidade. Seu corpo voou a uma altura de três metros do chão e caiu desfalecido.

– Sakura! – Gritou Kero.