Bella ainda limpava os resquícios de lágrimas causadas pela despedida de Renesmee, mantive uma mão no volante e peguei a outra mão de Bella, transmitindo-lhe força e tranquilidade. – Ela vai ficar bem. – garanti embora a saudade de minha menina também estivesse latejando dentro de mim.

- Eu sei que sim, apenas... – sussurrou ela apertando minha mão. – Nós nunca nos separamos antes e eu não... – ela não terminou a frase e apoiou seu rosto em meu ombro, automaticamente minha mão passou a acariciar seus cabelos.

- Está tudo bem. – sussurrei beijando-lhe a cabeça. – Renesmee ficará bem, eu prometo, e assim que você quiser nós voltaremos. - Bella assentiu a cabeça ainda apoiada em meu ombro, passei meu braço por trás e a abracei, minha atenção parcialmente nela, parcialmente na estrada.

A música clássica ao fundo voltou a ser o único barulho entre nós, a respiração de Bella se tornou regular e tranquila, pelo canto do olho percebi que ela havia pegado no sono. Carlisle havia me explicado que a gravidez, principalmente no último estágio, consumia muita energia da mãe ocasionando assim maiores períodos de sono. Achei bom Bella ter dormido, quanto mais descansasse melhor.

Rapidamente estávamos no aeroporto de Seattle, retirei todas as malas do porta-malas para só então acordar Bella que, ainda meio adormecida, me acompanhou pelo saguão, envolvi sua cintura com um abraço e sustentei a maior parte de seu peso ajudei-a a se sentar em um banco qualquer enquanto eu cuidava da bagagem e as passagens.

- Vamos de avião? – perguntou ela quando retornei. Acomodei-a com cuidado em meu peito, abraçando-a por trás.

- Shh... Descanse. – pedi num sussurro enquanto minhas mãos afagaram com cuidado seus cabelos macios. Bella parecia cada vez mais debilitada, toda aquela comemoração exigiu demais dela, eu não deveria ter permitido que Alice exagerasse como fez, embora tivesse ocorrido o casamento dos meus sonhos eu não tinha certeza se fora o melhor para Bella e os bebês.

Alguns segundos em silêncio me fez acreditar que Bella havia seguido meu conselho, contudo, obviamente ela não o havia feito, quando foi que essa mulher teimosa me ouviu?

Seus olhos se abriram vagarosamente e piscaram algumas vezes, provavelmente buscando foco. – Edward? – ela me chamou, sua voz beirando a confusão somada a uma pontada de apreensão que fez meu instinto protetor ativar-se e a ânsia por eliminar qualquer sentimento incomodo de Bella floresceu rapidamente.

- O que houve, minha Bella? – perguntei mansamente para não assustá-la, ciente que seus pensamentos ainda estavam lentos devido à sonolência. Minhas mãos afagaram sua barriga com ternura.

Ela se virou, ficando de frente para mim, seu olhar encontrou o meu e eu pude ver ali todo um temor desconhecido por mim. Bella segurou minha mão com força mostrando-me sua apreensão. – Nós vamos viajar de avião?

Franzi a sobrancelha, sem conseguir compreender qual era a apreensão de Bella. – Vamos, por quê? Algum problema? – Minha mão acariciou a de Bella, tentando acalmá-la.

- Edward... Estou grávida de sete meses! – uma breve pausa fez seus lábios se selarem em uma fina linha. - Isso não pode prejudicar os bebês?

Suspirei aliviado, minha mente havia vagado por devaneios tão absurdos que agora eu me sentia um tolo. Sorri e acariciei-lhe a face com delicadeza. – Shh... – meus dedos desceram gentilmente para seus lábios. – Carlisle e eu discutimos isso inúmeras vezes, por estar esperando bebês de... – fiz uma pausa sugestiva. – E nos baseando em sua primeira gravidez e na visita de avião à sua mãe. Acreditamos que eles sejam mais "fortes" que o normal e suportarão tranquilamente uma viagem agora ou a qualquer momento.

Garanti com convicção, tentando transmitir o máximo de confiança e tranquilidade para Bella, meu objetivo nessa viagem seria garantir que ela relaxasse o máximo possível e compreendesse de uma vez por todas que eu faria de tudo para garantir sua felicidade e a de nossos filhos. – Além do mais... – continuei com serenidade. – Caso não se sinta bem ou deseje retornar, podemos fazê-lo a qualquer momento. – rocei levemente meus lábios nos dela. – Eu vou cuidar de vocês. – jurei beijando-lhe calidamente.

Seus braços envolveram meu pescoço e Bella se aproximou o máximo que a barriga permitiu, aprofundando o beijo, fazendo-me seu escravo, permitindo que minha mente esquecesse de tudo a nossa volta, fazendo-me dela e apenas dela. Seus lábios doces, seu gosto, tudo em Bella me atraía, e agora teríamos nosso tempo, apenas nós, desfrutando desse amor tão poderoso que nos dominava.

A viagem foi longa, mas Bella pareceu suportar bem, passou a maior parte do tempo deitada em meu peito, dormindo, enjoos e desconfortos previstos por Carlisle anteriormente não chegaram a atingi-la. Assim que aterrissamos no Brasil, seguimos de taxi até o porto onde a ajudei a embarcar em uma pequena lancha, assim que Bella estava acomodada e as malas foram embarcadas eu liguei a lancha e comecei a movê-la mar a dentro.

- Edward. – Bella me chamou apoiando as mãos pra trás e jogando a cabeça ligeiramente na mesma direção. – Aonde estamos indo, afinal? – a brisa noturna batia em seu rosto suavemente, o calor daquele país tropical parecia agradá-la.

- Você logo verá. – prometi satisfeito ao constatar que Bella realmente havia apreciado aquele clima quente. – Sente-se enjoada ou indisposta? – perguntei analisando-a, apenas para me assegurar que ela estava realmente bem.

- Não. – ela garantiu abrindo os olhos e me fitando. – Estamos muito bem. – Bella sorriu com graça e tombou levemente a cabeça para o lado, sua mão acariciou a própria barriga com carinho, e eu senti aquecer-me por dentro ao perceber que minha Bella, a jovem doce e enigmática pela qual me apaixonei no primeiro olhar estava retornando, Bella parecia estar finalmente se dando uma chance novamente, estava disposta a abraçar a felicidade e isso fez com que eu me sentisse finalmente em paz.

Não demorou muito para chegarmos a Ilha Esme, Esme havia muito gentilmente me cedido a ilha que Carlisle lhe dera anos atrás, para que Bella pudesse desfrutar do sol e do calor sem que eu tivesse que deixá-la.

Assim que a lancha estava devidamente atracada, eu me aproximei de Bella embalando-a em um abraço por trás; meus lábios roçaram em seu pescoço, mas me mantive quieto, permitindo que Bella apreciasse a ilha. – Onde... Onde estamos? – o deslumbre de Bella chegava a ser até divertido, seus olhos estavam fixos na paisagem a nossa frente.

- Estamos na Ilha Esme. – esclareci apertando levemente o abraço, Bella segurou minhas mãos ainda fixa na beleza frente a nós. Deixei o silêncio reinar por alguns instantes, permitindo que Bella se acostumasse com as novas condições do ambiente. Meu corpo clamava por tê-la finalmente, minha alma estava em júbilo por ter Bella em meus braços, como mulher, perante tudo e todos, ela era minha e nada poderia me fazer mais feliz no momento.

Contudo, eu precisava e iria respeitar o tempo dela, sua atual condição, todo o desgaste da viagem, eu ser o que sou, todos esses fatores não nos induziria a uma lua de mel convencional, eu estava ciente disso e respeitaria os limites físicos e emocionais de Bella, não importasse quanto isso me custasse.

A brisa agradável batia contra nós, nos convidando a aproximar-nos, e com delicadeza, convidei Bella a nos aventurarmos naquele pequeno paraíso. – O que acha de entrarmos? – Sussurrei contra sua cálida pele. Bella assentiu com um sorriso, seu olhar repleto de luxúria e amor, assim como eu tinha certeza que o meu também estava.

Rapidamente peguei todas as bagagens com uma mão e sem a menor dificuldade peguei Bella nos braços arrancando-lhe um pequeno grito de surpresa, suas mãos envolveram meu pescoço e sua cabeça automaticamente se aconchegou na curva de meu pescoço.

Meu olhar sempre fixo no dela, sem nem mesmo me preocupar com nada mais a nossa volta, guiei-nos para dentro da única casa na ilha, deixei as malas no chão para conseguir abrir a porta sem soltar Bella, quando entramos o olhar de Bella vagou por toda a casa, admirada, eu entendia sua curiosidade, aquela casa, como todas as que Esme tocava tinha sempre uma harmonia perfeita quanto a decoração e o ambiente.

Abandonei as malas na sala mesmo e rumei para um dos quartos, com cuidado e leveza, deitei Bella na cama de casal dali, contudo minhas mãos não soltaram seu corpo, queimando de desejo por ela, meu íntimo ansioso pelo próximo passo, embora eu soubesse que este só aconteceria se Bella assim o quisesse. Meu olhar se perdeu no dela e eu me vi incapaz de me conter, meus lábios recaíram sobre os dela, inicialmente em um leve roçar, causando no mesmo instante o arfar de Bella e então nossas bocas se fundiram em um beijo tão intenso e coberto de desejo como a muito não experimentávamos.

Nossas línguas dançavam e se completavam enquanto todo nosso amor se concretizava em cada segundo daquele instante que deveria ter se feito eterno, pois já se fazia perfeito. Contudo, os pulmões de Bella logo clamaram por ar e eu me vi necessitado por criar uma pequena distancia entre nós, permitindo se recuperar.

Meu íntimo desejando a culpa por ter me precipitado, por não ter esperado a escolha de Bella, porém, me surpreendi ao constatar que não havia um único resquício de remorso dentro de mim, por mais incorreto que aquele simples beijo houvesse sido, eu não estava arrependido de roubá-lo. E foi essa falta de culpa que me impediu de sair de cima dela, eu não era forte o bastante para isso.

- Sinto muito... – me obriguei a dizer enquanto vi-a ainda ofegante. – Creio ter me excedido, - meus lábios se fecharam em uma breve linha - se estiver cansada nós podemos...

Bella negou com a cabeça e jogou seus braços em torno de meu pescoço novamente. – Nada disso! Já esperei até depois do casamento, não vou esperar mais! – seu tom birrento, como uma criança de cinco anos arrancou-me um riso fraco, ela era única. – Contudo, eu gostaria de tomar um banho antes...

Assenti no mesmo instante saindo de cima de Bella e permitindo que ela se sentasse. Mesmo sendo desnecessário respirei fundo, tentando conter-me, eu me sentia um adolescente, frente a sua primeira vez, isso era ridículo.

- Eu vou buscar as malas. – declarei e rapidamente rumei para a sala, onde havia deixado nossos pertences. Sem muita dificuldade levei as malas de volta para o quarto. Bella já havia retirado os sapatos e o agasalho e deixado em uma cadeira no canto.

- Aqui. – apoiei sua mala em um banco e dei-lhe espaço.

- Obrigada. – agradeceu ela pegando uma roupa na mala e seguindo para o banheiro. – Eu não demoro. – e então fechou a porta atrás de si.

Bom eu não tinha muito tempo para criar o ambiente perfeito, e vendo que há muito eu havia desistido de usar minha velocidade vampiresca quando estivesse perto de Bella ou das crianças, o tempo diminuiria consideravelmente.

Abri as cortinas permitindo que a luz do luar invadisse o quarto através da janela; como havia pedido dias atrás, os empregados responsáveis pela limpeza da ilha haviam deixado velas e flores no closet, as flores haviam sido colhidas poucas horas atrás portanto seu perfume e sua beleza ainda eram exuberantes.

Retirei as pétalas de duas das dúzias de rosas que ali estavam, e as espalhei pelo chão e pela cama, acendi e espalhei velas por todo o quarto, incluindo no chão, permitindo que a iluminação fosse apenas aquela somada ao luar, criei arranjos de flores pelo quarto com o restante das flores e coloquei ao fundo, bem sutilmente, uma música tocando suavemente.

Não demorou mais que alguns segundos para ouvir o chuveiro desligando, alertando-me que em mais alguns instantes Bella estaria ali. Retirei meus sapatos e minhas meias, guardando-os dentro do armário, e livrei-me também da blusa, ficando apenas de calça jeans e me deitei na cama, esperando Bella.

Escutei a toalha secando-lhe o corpo e a camisola deslizando pelo seu corpo; a escova a penteando-lhe os cabelos assim como o creme a perfumando-lhe o corpo. Cada simples ação fazia meu corpo reagir com expectativa.

Alguns instantes mais tarde, Bella saiu do banheiro, trajava uma camisola transparente rendada branca, seus cabelos estavam levemente ondulados nas pontas, seu perfume embriagava-me, senti algo dentro de mim se aquecer diante da visão deslumbrante de minha mulher. Minha.

Observei-a avaliar-me dos pés a cabeça, ofegando, em seguida avaliou o local a nossa volta. Levantei-me sorrindo e fui ao seu encontro, meus braços envolveram-na e nossos olhares se prenderam.

Bella tocou meu rosto com delicadeza, vagarosamente, tentando talvez memorizar cada traço rígido de meu arrepio percorreu meu corpo, fechei meus olhos apreciando daquele toque macio. – Tão belo... Tão perfeito... – sussurrou ela encantada.

Tomei suas mãos e as beijei, abri meus olhos e me perdi naquelas esferas achocolatadas. – Não sabe o quanto eu esperei por você... – minha voz não passou de um sussurro comedido. Minhas mãos subiram por seus braços e deslizaram por seu corpo, parando em sua barriga. Ajoelhei-me, minha cabeça encostou em sua barriga.

Meus olhos se fecharam e eu permiti que as emoções fosse tomando meu corpo, meu amor por ela percorreu minhas veias, sangrando em meu coração, despertando meus instintos mais primários. – E por todos os milagres que você me proporciona. – sussurrei contra o tecido de sua camisola. – Obrigado por me fazer o homem mais feliz desse mundo. – beijei seu ventre, desejando sentir os frutos do nosso amor em meus lábios. – Obrigado por me permitir estar em sua vida.

Senti suas mãos afagando meus cabelos, senti o calor de sua pele queimando-me, senti seu amor envolver-me de tal maneira que acreditei não existir mais nada entre nós. – Aqui começa a nossa história. – jurou ela com uma voz cálida. Levantei meu olhar e a fitei, seu sorriso iluminando meu ser, Bella segurou-me e me ajudou a levantar, ficamos frente a frente, face a face, sorrindo cúmplices, olhando perdidos um no do outro, almas tão ligadas quando o sol e a lua, distintos, mas completos entre si. – Aqui começa nosso "felizes para sempre". – E sorrindo aproximou seus lábios dos meus e me beijou, fazendo-nos nos perder em uma onda de amor e desejo.

(...)

Bella ressonava tranquilamente em meu peito, enquanto eu afagava seus cabelos, satisfeito, Bella se encaixava com perfeição em mim, amava-me tanto quanto eu a ela. Permiti que minha mente vagasse pelos últimos acontecimentos, por minha sorte e até mesmo tentasse imaginar o futuro perfeito que nos aguardava.

Observei o sol nascer e se fazer alto, ouvi o cantar dos pássaros ao nascer do sol, senti a leve brisa invadir o quarto pela janela, e escutei o borbulhar das tímidas ondas a se quebrarem ao pé da areia. Cada simples gesto, cada pequeno encanto da natureza parecia tão majestoso, tão glorioso... A vida nunca pareceu tão bela quanto naquele instante.

Meus devaneios foram arrancados de mim quando senti Bella se mexer em meus braços, fitei-a em tempo suficiente para vê-la apertar-se mais contra mim, sorrindo para só então abrir lentamente os olhos. Foi impossível não sorrir diante de uma criatura tão serena, tão perfeita...

- Bom dia, meu amor. – sussurrei contra seus cabelos para então beijar-lhe a face. Ela me fitou com graça e apoiou seu queixo em meu peito.

- Bom dia. – sussurrou ela sorrindo abertamente. Por um breve instante nos fizemos cúmplices em um silêncio caloroso. – Como foi sua noite? Muito tediosa? – O tom bem humorado em sua voz me fez rir levemente.

- Observá-la dormir nunca é tedioso, sabe disso. – garanti tocando-lhe levemente a ponta do nariz. – E você, dormiu bem?

Manhosa, ela ronronou em meu peito por alguns instantes. – Muito bem. – um olhar malicioso surgiu em sua face fazendo-me rir mais ainda, envolvi meus braços em sua cintura, aproximando-a mais.

- E nossos filhotes? – perguntei tocando-lhe a barriga. – Estão bem? – Bella franziu o cenho, assumindo uma postura ligeiramente severa.

- Não chame nossos filhos de "filhotes"! – como uma gatinha raivosa, ela reclamou – Eles não são cachorros!

Com essa eu tive que gargalhar alto. Bella sempre seria absurda a sua maneira. – Tem razão, são vampirinhos. – ri novamente, meu humor hoje estava mais acentuado que o normal.

Bella bufou, irritada. – Muito engraçado. – levantou-se se enrolando no lençol. – Vou tomar um banho. – declarou ela, me levantei, sem conseguir conter a malicia dentro de mim e retirei-lhe o lençol com um rápido puxão.

- Não há nada aqui que eu já não tenha visto. – meu rosto a centímetros do dela, eu estava ciente que estava deslumbrando-a, e fiquei satisfeito com isso. – Acho que vou lhe ajudar a tomar... Banho. – completei com uma voz sedutora, baixa, meu desejo implícito. Prensei mais nossos corpos deixando claro meu desejo.

Bella demorou alguns segundos para conseguir se orientar, sua respiração ficou ligeiramente entrecortada, aproveitei-me disso e a peguei no colo, guiando-nos para o banheiro.

(...)

Bella e eu estávamos sentados à mesa da cozinha, Bella tomava seu café da manhã com vontade, quase devorando os ovos que eu havia feito intercalando com o suco de laranja que ela mesma preparou.

- Acho que não estou alimentando-os devidamente. – comentei levemente frustrado, eu estava claramente deixando meus instintos se sobressaírem as necessidades de Bella e dos bebês.

Bella não pareceu se importar e deu os ombros. – Claro que nossas... Atividades, de ontem – suas bochechas coraram levemente e Bella desviou o olhar, constrangida, eu teria rido se a situação não tivesse verdadeiramente me preocupando – abriram meu apetite, contudo, eu não estou reclamando. – seu olhar era cético, deixando claro que não estava disposta a mudar nada.

Suspirei com pesar, ciente que tentar fazer Bella mudar de ideia era tão inútil quanto tentar convencer Alice a usar duas vezes a mesma roupa. – Vamos tentar encontrar um equilíbrio, está bem? Não quero que meus filhos nem a mãe deles, passe fome.

Bella abriu um sorriso radiante, satisfeita e assentiu com a cabeça. – Certo. – mais uma vez me vi enfeitiçado pela doçura da mulher a minha frente, ela me contornava a todo o momento, conseguindo me moldar sem que eu nem mesmo percebesse. – Então, o que faremos hoje? – perguntou ela arrancando-me dos meus devaneios.

Dei os ombros. – O que quiser. – garanti sorrindo. – Contudo eu gostaria de sugerir que fossemos a praia, um pouco de sol agora pela manhã vai lhe fazer bem e as águas daqui são quentes, há também alguns corais muito bonitos não muito longe daqui.

O sorriso de Bella ampliou-se e ela assentiu. – Parece perfeito! – sorri de volta.

- Termine de comer, está bem? – pedi mostrando o restante da comida, Bella assentiu e continuou a refeição. Mais alguns minutos em silêncio enquanto eu me via perdido em pensamentos.

- Por que se chama "Ilha Esme"? – Bella novamente me arrancou dos meus devaneios, fitei-a levemente aturdido antes de compreender sua pergunta para enfim responder.

Dei de ombros, desinteressado. – Carlisle deu essa ilha à Esme em um de seus aniversários de casamento, então a nomeou "Ilha Esme". – Bella parou de comer e me olhou descrente, ignorei aquilo.

Bella respirou fundo tentando se recompor novamente, pois não mais tocou no assunto. Não demorou muito mais ela havia terminado sua refeição, enquanto Bella foi para o quarto se trocar eu fui lavar a louça, pois já estava de sunga por baixo da bermuda.

Pouco tempo depois estávamos na praia, estendi uma saída de praia na areia, Bella e eu nos sentamos sobre ela, desfrutando do sol. Bella trajando um biquíni tomara que caia listrado e eu uma sunga preta.

Bella parecia estar gostando daquele sol quente tocando-lhe sutilmente a pele, e isso me satisfazia, minha prioridade era ela, se ela estivesse bem eu também estaria. – Este lugar é incrível... – ela comentou arrancando-me dos meus devaneios, desviei meus olhos do mar a nossa frente e a fitei, ela sorria largamente. – Eu adoro o efeito que o sol tem sobre a sua pele... – suas mãos roçaram meu rosto, fazendo-me fechar os olhos.

Aquele toque tão macio, tão quente... Eu jamais me cansaria da singularidade de Bella sobre mim. – Devo deduzir que esteja gostando daqui, então. – Abri meus olhos novamente e encontrei aquele olhar apaixonado de Bella.

- Muito. – concordou ela. – E as crianças também... – seu sorriso se alargou e suas mãos foram para sua barriga. Ri levemente, percebendo o quão agraciado eu era, toquei sua barriga também. – Falta apenas Nessie para que estivesse tudo perfeito. – Voltei a encarar Bella vendo a saudade de nossa filha abater-lhe gradativamente.

Meu peito se apertou ao ver Bella ameaçando sufocar em seus medos e nos fantasmas de seu passado. Eu sabia o quanto estava sendo difícil para ela se separar de Renesmee, mesmo que por um tempo relativamente curto; desde que eu parti a vida de Bella girava em torno de nossa filha, sempre fora seu apoio, sua salvação, e eu estava contente por Bella ter confiado em mim para viajarmos sozinhos, e mais, confiado em minha família à segurança e o bem-estar de nossa filha.

- O que acha de ligarmos para ela? – sugeri querendo animá-la, o sorriso gracioso voltou ao seu rosto com força total, fazendo um alivio dentro de mim surgir.

- Ótima ideia! – concordou ela tão eufórica que me fez rir, remexi na bolsa que havíamos trazido para a praia e peguei meu celular, discando o número de casa, assim que começou a chamar eu coloquei no viva-voz para que Bella e eu pudéssemos falar com nossa menina.

- Alô? – A voz tranquila de Jasper soou em nossos ouvidos, ao fundo era possível se escutar um coro de risadas divertidas.

- Jasper? É o Edward. – me identifiquei estranhando, Alice não nos vira ligando? – A Bella está aqui também, estamos no viva-voz.

- E aí, Edward! Oi Bella! – sua voz soou mais animada, percebemos ele afastar o telefone a orelha. – É o Edward e a Bella. – Um alvoroço ao fundo nos fez sorrir um para o outro. Mais alguns sons do aparelho se movimentando e um botão apertado no final. – Vocês estão no viva-voz. – Declarou Jasper.

- Nessie, querida? – Bella chamou ansiosa. – Está aí? – Pude ver os olhos de Bella se encherem de lágrimas, só pela expectativa de falar com nossa menina.

- Mamãe! Papai! – Renesmee parecia contente em ouvir nossa voz, Bella começou a derramar lágrimas no mesmo instante, sorri agraciado por poder presenciar um amor tão puro e intenso como o de Bella para nossa filha. Acariciei seu rosto delicadamente, tentando acalmá-la. – Estou com tanta saudade! – a voz de Renesmee ficou levemente melancólica.

- Nós também, meu amor! – jurou Bella. – Muita saudade! Você está se comportando direitinho? Não está aprontando nada, espero eu... – o final levemente ameaçador de Bella me fez lançar-lhe um olhar de reprovação, ela não precisava fazer isso.

- Eu estou me comportando diretinho, eu juro! Pode perguntar pra vovó! – O desespero de Renesmee em provar que estava se comportando devidamente nos fez rir, assim como alguns do outro lado da linha.

- Renesmee tem se comportado como um anjo, como sempre. – A voz de Esme declarou solenemente, Bella pareceu verdadeiramente mais aliviada. – Vocês estão gostando da Ilha?

Bella e eu nos olhamos, cúmplices, um sorriso se moldou no rosto de Bella, assim como eu tenho certeza que se criou em minha face também. – Oh, Esme, a Ilha é maravilhosa, muito obrigada por permitir-nos vir aqui. – Esme riu.

- Não foi nada demais, e estou muito feliz que estejam aproveitando, podem ficar descansados que Renesmee estará bem, assim como todos nós! Curtam bastante!

- Obrigado, Esme. Por tudo. – eu sabia que ela entenderia que o "tudo" era por muito mais que nos emprestar sua ilha. – Filha, eu amo muito você e estou morrendo de saudades como a sua mãe falou! Comporte-se, está bem?

- Pode deixar, papai! – Sorri diante sua resposta. – Amo muito você também!

- Amo você querida. – Bella falou chorosa enquanto apoiava a cabeça em meu ombro. – Logo estaremos de volta! – prometeu ela, e logo em seguida, nós nos despedimos e desligamos.

Por alguns instantes o silêncio entre nós se fez tranquilo e soberano, Bela continuou recostada sobre meu peito e minhas mãos estavam afagando-lhe os cabelos; eu sabia que Bella sentia falta de Renesmee, eu também sentia, ela já se fizera essencial em minha vida tanto quanto fazia na vida de Bella, tanto quanto Bella se fazia na minha vida.

Eu conseguia perceber a tristeza que tomava conta de minha mulher, estar tantos quilômetros longe de nossa menina por tanto tempo... Eu deveria ter previsto que isso poderia afetá-la demais, ainda mais agora que seus hormônios estavam causando-lhe enormes explosões de sentimento, talvez eu devesse ter escolhido um local mais perto para desfrutarmos nossa lua de mel.

- Você quer voltar? – perguntei num sussurro, muito embora eu soubesse que ela podia me ouvir. Bella levantou a cabeça e encontrou meu olhar, surpresa com minha pergunta. Mas ela já deveria saber que sua tristeza sempre seria motivo para surgir em mim tal sentimento.

O olhar de Bella gritava tantas palavras, transbordava tantos sentimentos, porém, nada que eu conseguisse entender, novamente aquela Bella tão estranha para mim se fazia presente. Uma mulher ferida, muito embora não deixasse transparecer, um muro erguido dentro de si, impedindo todo e qualquer sinal de fraqueza de se manifestar. Aquela Bella nova, impossível de ler, de compreender.

- Não! – declarou ela, até mesmo me surpreendendo, eu não havia trazido-a até ali para vê-la se entristecer e se fosse retornar para nossa casa traria aquele sorriso despreocupado de volta a seus lábios, eu faria de bom grado.

Mas antes que eu pudesse verbalizar todas as minhas ideias, Bella se antecipou. – Eu amo você Edward! Esperei tempo demais para tê-lo, para estar aqui onde estamos. – sua mão tocou minha face. – Este é o nosso momento, nossa vida e devemos aproveitar ao máximo isso porque o dia de amanhã é incerto demais e eu não quero ter arrependimentos, não mais... – suas palavras foram firmes e sinceras, finalizando-as com um roçar de lábios que logo se transformou em um beijo intenso.

Às vezes eu me esquecia do quanto Bella mudara, do quanto ela era atualmente, uma incógnita para mim; eu me esquecia que, diferente de Bella, eu não havia mudado, eu ainda era o mesmo vampiro, com os mesmos olhares e expressões... Eu não podia ler Bella, eu podia não conseguir compreende-la, mas ela sabia me ler, sabia compreender-me, conseguia enxergar no fundo de minha alma.

Ela ainda estava presa a muitos fantasmas de seu passado, ainda estava acorrentada e com medo que talvez nem mesmo ela conhecesse, e isso talvez nunca passasse, talvez sempre existisse um fio de dor dentro de si, acompanhando-a, talvez isso a mantivesse viva, talvez isso a mantivesse sã, fosse como fosse ela jamais seria a mesma, mas eu me empenharia, por toda a eternidade, para fazer com que esse fio, nunca seja percebido por ela mesma.

E foi com essa força de pensamento que acentuei o beijo, minhas mãos percorrendo, lentamente, o corpo de Bella, com cuidado e delicadeza eu a deitei sobre a canga, encontrei seu olhar, procurando qualquer sinal de receio, e ao não encontrar resistência, voltei a beijá-la, permitindo que o mundo se resumisse a Bella e eu, ciente de que seriamos felizes, ou morreríamos tentando.

(...)

Bella ressonava tranquilamente em meu peito, estávamos deitados em uma rede na varanda da casa, Bella estava exausta. Sorri largamente ao me lembrar de como consegui cansá-la tanto, havíamos feito amor na praia e no mar, assim como no chuveiro pouco antes de almoçarmos, ou melhor, Bella almoçar e agora estávamos ali, tranquilos, sentindo a brisa quente daquele país tropical, bater com gentileza em nossa face.

Observei o rosto angelical deitado sobre mim e sorri, Bella era linda. Cada traço, cada feição, tudo nela sempre me fascinaria, e eu me sentia o homem mais sortudo desse mundo por poder dizer "Bella é minha mulher!"

Sorri diante de tal pensamento e antes que eu fizesse um gesto impensado e arrancasse Bella de seu sono, voltei minha atenção ao livro que estava lendo. Desde que Renesmee apareceu em minha vida, eu me vi inseguro, sem saber ao certo como ser um bom pai, como ser firme sem ser violento, ser amoroso sem ser liberal demais e com a ajuda de minha família e de Bella, eu fui aprendendo a lidar com minha menina, fui aprendendo a ser pai.

Contudo, Renesmee era uma menina crescida e possuía um desenvolvimento acelerado e agora, dois novos milagres estavam para chegar e a insegurança veio com força total, seriam recém-nascidos, pequenos e frágeis que um simples sopro seria capaz de machucá-los. Eu sabia que Bella me ajudaria, assim como Esme, Carlisle, Rosalie e todos os demais, mas ainda sim, eu vi a necessidade de me preparar melhor. Conhecer mais.

E foi por isso que eu comecei a ler todos os tipos de livros falando dos cuidados necessários para bebês recém-nascidos, de como ser um bom pai, do que esperar, como agir. Minhas noites eram longas, e quando Bella e Renesmee estavam mergulhadas em seus sonhos, eu me permitia ler, devagar, lendo e relendo, assimilando todas as informações, e era o que eu fazia agora.

Mais algumas horas se passaram até que Bella acordasse e de um novo banho nos aproveitamos, juntos, compartilhando dos mais íntimos momentos, e por consequência, nos entregando ao mais puro prazer, permitindo que a luxuria nos ensinasse cada vez mais maneiras de concretizar e saciar aquele amor fogoso.

Pela noite, assistimos a um filme qualquer e passeamos pela praia, apreciando o luar, mas bastou sentarmos na areia por alguns instantes para que Bella acabasse por adormecer, fazendo-me rir levemente, sem esforço algum a peguei no colo e caminhei sem pressa alguma para a casa.

Por todo o percurso me permiti apreciar como Bella, estava maravilhosa, a barriga de quase oito meses lhe dando um brilho tão intenso, tão sagrado, que fazia com que eu me sentisse indigno de tocar em uma criatura tão angelical... Renesmee definitivamente tinha a quem puxar.

E foi nesse clima repleto de simplicidade e luxuria que os dias se seguiram, fazendo com que cada um fosse mais especial e único que o outro. Por todos os dias, nós ligávamos para casa, para falar com Nessie, algumas vezes, levei Bella para conhecer algumas cachoeiras e grutas que existiam na ilha, mas sempre tomando o devido cuidado de não permitir que Bella se cansasse demais. O clima entre nós não poderia ser mais agradável.

Numa tarde tranquila Bella me pediu para tocar um pouco de piano para ela, obviamente que atendi ao seu pedido, sentei-me no piano e toquei diversas músicas, enquanto Bella apenas acompanhava com a cabeça, caminhando pela sala, quieta, pensando.

Pensei por diversas vezes em questionar aquele comportamento, mas sabia que se Bella quisesse compartilhar aqueles pensamentos que estavam deixando-a inquieta, ela já o teria feito, e eu respeitaria seu silêncio, mas também tentaria dar-lhe apoio, mostrar que eu estava ali.

Minhas mãos vagaram pelas teclas do piano, soltas, livres para criar o que bem entendessem, e ao som daquela doce melodia, eu vi meu olhar preso na mulher da minha vida, algumas palavras escaparam de minha alma, gerando aquela singela canção.

Its undeniable...that we should be together... / É inegável… Que deveríamos ficar juntos.

Its unbelievable how I used to say that I´d fall never... / É inacreditável… Como eu costumava dizer que encontrei nele

The basis you need to know, if you don't know just how I feel, / Os lugares que você tem de conhecer, se você não sabe exatamente como estou me sentindo

Then let me show you now that I'm for real... / Então deixe-me te mostrar agora que eu sou real.

If all things in time, time will reveal... yeah... / Se todas as coisas chegarem a tempo, o tempo mostrará… Sim...

Assim que comecei a cantar Bella se virou, encarando-me surpresa com minha atitude, mas não levou mais que alguns segundos para que sua surpresa se transformasse em um lindo sorriso, ela se aproximou e se sentou sobre o piano, próxima a mim e eu senti o orgulho e a satisfação em cantar para aquele anjo diante de mim. Permiti que minha alma falasse o que meu coração falecido clamava por dizer.

One...you're like a dream come true... / Um. Você é como um sonho realizado.

Two... just wanna be with you... / Dois. Apenas quero estar com você,

Three... girl its plain to see... / Três. Garota, é simples de ver

that your the only one for me...and../ Que você é a única para mim e

Four...repeat steps one through three... / Quatro. Repito os passos de um a três.

Five... make you fall in love with me... / Cinco. Faço você se apaixonar por mim.

If ever I believe our work is done... / Se alguma hora eu acreditar que meu trabalho está acabado,

then I start back at one.(yeah) / Então eu começarei de volta em um... Sim.

Bella sorriu com graça e sua mão tocou minha face, convidando-me a fechar os olhos, assim o fiz, permitindo apenas que minhas mãos dessem procedência a melodia, então, surpreendendo-me, Bella começou a cantar, completando a música que eu começara, em português, por ironia do destino a língua falada no país em que estávamos. Eu nem mesmo sabia que Bella sabia falar português, mas minha alma se aqueceu com o significado de suas palavras.

É impossível, fingir que posso controlar

O que estou sentindo, é muito forte pra negar

Pra que resistir, se eu sei que você também quer

E sabe que eu não vou seguir sozinha

Você tem a chave do meu coração

One...você é meu sonho bom

Two...eu quero ter você pra mim

Three...por muito tempo esperei..

preciso ouvir você dizer sim

Four...se quer eu posso repetir

Five...o que eu te disse até aqui

A qualquer preço eu quero o seu amor..

Só serei feliz assim

Meu sorriso não poderia ser mais grandioso, mais glorioso do que ouvir Bella dizer que me amava era ouvi-la dizer que só seria feliz ao meu lado. Uma emoção tão grande crescia dentro de mim, uma realização, e eu comecei finalmente a sentir a culpa por tudo que eu havia feito e causado, diminuir.

E em uma sincronia perfeita, fomos intercalando, olhos nos olhos, sorrisos eternos, era nosso amor, nossa felicidade nos envolvendo, se Deus quisesse, para todo o sempre.

Say farewell to the dark night... I see the coming of the sun... / Diga adeus a escuridão da noite, eu vejo a chegada do sol

Eu quero estar ao seu lado baby, pra recomeçar

You came and bring new life... Into this lonely heart of mine... / Você veio e levar a vida a este meu coração solitário

Vou seguir feliz

just in the nick of time... / Exatamente "na hora H".

One...meu sonho bom

Two... just wanna be with you / Dois… Só quero ficar com você

Three... por muito tempo esperei..

preciso ouvir você dizer sim

Four...repeat steps one to three / Quatro… Repita os passos de um a três

Five... make you fall in love with me / Cinco… Fazer você se apaixonar por mim

If ever I believe my work is done..., then I start back at one... / Se alguma hora eu acreditar que meu trabalho está acabado, então eu começarei de volta em um...

Bella e eu sorrimos cúmplices enquanto eu tocava as ultimas notas, éramos um, e aquela música que sugira de algumas poucas notas sempre estaria marcada dentro de nós, pois era a prova viva do quão entregues um ao outro estávamos, lutaríamos por nossa felicidade, viveríamos intensamente nosso amor, pois este nos era mais importante que o próprio ar e o sangue.

Levantei lentamente e capturei os lábios de Bella, sem pressa, com delicadeza, tínhamos a eternidade ao nosso lado, tínhamos tudo ao nosso alcance. Bella foi se deitando sobre o piano ao passo que eu fui subindo nele. Minhas mãos roçando em cada centímetro do corpo de Bella, memorizando através do tato, aquilo que era meu... E apenas meu.

(...)

Depois de dez dias na ilha, estávamos próximos a regressar para nossa casa e nossa família. – Precisamos fazer compras! – Bella declarou em meio ao seu café da manhã. Encarei-a com a sobrancelha franzida. Bella querendo fazer compras? Não era possível.

- Perdão, o que disse? – Bella me olhou cética e comeu mais um pedaço do mamão.

- Ora Edward, precisamos levar presentes para todo mundo. – declarou ela como se fosse a coisa mais obvia do mundo. – Ou você acha mesmo que Renesmee vai nos receber com beijos e abraços se souber que não levamos nada para ela?

Ri alto perante a declaração de Bella. – Quer dizer que nossa filha gosta de presentes? – perguntei divertido, eu sabia que Renesmee adorava ganhar presentes, mas não achei que fosse em tal magnitude.

Bella suspirou e tomou um gole de seu suco. – Acredite, ela definitivamente puxou o lado consumista dos Cullens. – um sorriso travesso surgiu nos lábios dela, divertindo-me mais ainda.

- Certo. – assenti. – Podemos ir ao continente fazer compras, mas precisa ser ao anoitecer... – completei levemente deprimido, não gostava que o que eu era criasse limitações a Bella.

Ela não merecia nada disso, merecia poder fazer compras a onde e quando quisesse, sem se preocupar se o sol, ou qualquer outro empecilho de minha espécie a atrapalhasse...

- Hum... Edward? - A voz receosa de Bella arrancou-me de meu martírio particular. Voltei a encontrar seu olhar. Ela apontou para a janela e eu segui sua indicação, me deparando com um céu nublado, repleto de nuvens leves, muito embora a temperatura não tivesse caído.

Voltei a encarar Bella sorrindo divertido, com toda a certeza ela já sugerira aquele passeio ao continente sabendo que o dia estava nublado. Abri um sorriso torto. – Termine seu café para irmos para o continente. – Bella abriu um sorriso radiante que fez meu peito se aquecer só por saber que aquele sorriso era para mim, eu era o responsável por ele.

Foi um dia muito agradável, procurei não me exaltar muito, usando apenas sutileza e persuasão para incentivar Bella a comprar mais e mais, eu não queria e nem iria estressá-la como provavelmente Alice teria feito.

Acabamos por retornar a ilha tarde da noite, com muitas sacolas e diversos presentes para todos, Bella adormeceu antes mesmo de atracarmos na ilha e eu me vi novamente carregando-a e aconchegando-a em nosso leito antes de cuidar de todas as sacolas.

Três dias mais tarde, Bella tinha batido o pé – literalmente – que queria fazer a própria comida, alegando que era nosso último dia na ilha e ela queria aproveitar, e fraco como sempre, eu não consegui ser firme e permiti que ela cozinhasse, embora tenha ficado o tempo todo observando, atento a qualquer acidente que ela pudesse causar a si e a nossos filhos.

Bella passou a maior parte do tempo calada, pensativa, comecei a me perguntar se isso se devia a tristeza de deixar a ilha ou havia algo a mais, por diversas vezes eu ameacei perguntar o que se passava em sua cabecinha obscura, mas achei melhor me calar, se Bella quisesse dividir seus pensamentos comigo, já o teria feito.

Assim que a comida ficou pronta, Bella comeu ainda em silêncio, fazendo com que minha preocupação e angustia aumentassem significativamente, mas ainda me mantive quieto, assim que ela deu a última garfada, seu olhar finalmente encontrou o meu, novamente aquele olhar intenso e cheio de pensamentos a gritarem palavras incompreensíveis para mim.

Sua mão veio ao meu encontro e tocou minha face, com delicadeza, fechei meus olhos e me permiti degustar daquele maravilhoso carinho, senti seu corpo se aproximar, sua respiração a tocar minha face e logo seus lábios a roçarem nos meus. O beijo foi delicado, cálido, leve... Não havia luxuria, apenas amor.

- Eu quero lhe mostrar algo. – sussurrou Bella em minha boca, sua voz era baixa e comedida, talvez até mesmo receosa. Abri meus olhos e encontrei duas esferas chocolates a sorrirem para mim, receosos, mas decididos. Sérios. Fosse o que fosse, era importante para Bella, tornando-se instantaneamente importante para mim.

Assenti levemente com a cabeça. Bella tomou minha mão e me guiou para a sala, e sentou-se no banco do piano, estranhei aquela atitude, Bella estava toda receosa para me pedir para tocar para ela?

Mesmo não conseguindo compreender muito bem, me sentei ao seu lado e fiz menção de começar a tocar, mas ela me deteve, negando com a cabeça. – Não. – sussurrou ela, docemente. Minhas mãos recaíram sobre meu colo, minha mente cada vez mais confusa com suas atitudes.

Bella esticou as mãos para as teclas do piano e, para minha surpresa, começou a dedilhar uma leve música, delicada, doce, linda... Desde quando Bella sabia tocar piano? Eu verdadeiramente não sabia, a surpresa e a incompreensão me impediram de quebrar aquele silêncio, ele parecia necessário, a música parecia querer reinar sozinha.

As mãos de Bella eram suaves no piano, dedilhando sem dificuldade alguma aquela doce canção, uma canção que parecia se alojar dentro de mim, de uma maneira serena, mas presente, sem a intenção de um dia partir.

Quando achei que a música já havia se alojado de maneira permanente dentro de mim, uma nova surpresa surgiu, Bella começou a cantar, frases delicadas, surpreendo-me mais, fitei seu rosto, os olhos estavam fechados, ela cantava com a alma. Algo dentro de mim nasceu, um desconhecido que eu sabia que me dominaria para sempre.

Feels like I have always known you / Parece que eu sempre te conheci

And I swear I dreamt about you / E eu juro que sonhei com você

All those endless nights I was alone / Todas aquelas noites sem fim em que eu estive sozinha

It's like I've spent forever searching / É como se eu tivesse sempre procurando

Now I know that it was worth it / E agora sei que valeu

Reconheci tal melodia, presa em algum lugar de minha memória, Renesmee começara a tocar essa música para mim uma vez, em sua casa, mas Bella a cortara, porque aquilo agora? O que Bella tentava me dizer?

With you it feels like I am finally home / Com você me sinto finalmente em casa

Fallen head over heels / Estou caindo

Thought I knew how it feels / Pensei que soubesse como era

But with you it's like the first day of my life / Mas com você parece que é sempre o primeiro dia da minha vida

Cause you leave me speechless when you talk to me / Por que você me deixa sem fala, quando fala comigo.

You leave me breathless the way you look at me / Você me deixa sem ar da maneira como olha para mim

You manage to disarm me, my soul is shining through / Você consegue desarmar, minha alma está brilhando

Can't help but surrender, my everything to you / Não posso evitar me render a você

I thought I could resist you / Pensei que pudesse resistir a você

I thought that I was strong / Pensei que fosse forte.

I didn't see it coming / Não o vi chegando
You took me by surprise and /
Você me tomou de surpresa e
You stole my heart before I could say no /
Roubou meu coração antes que eu pudesse dizer não

You leave me speechless / Você me deixa sem fala
The way you smile, the way you touched my face
/ O seu cheiro, a maneira como você tocou meu rosto
You leave me breathless
/ Você me deixa sem ar
There's something that you do, I can't explain
/ Há algo que você faz, não posso explicar

I'd run a million miles just to hear you say my name / Eu correria mil milhas só para ouvi você dizer meu nome

Baby / Meu bem

Fiquei petrificado diante de tal melodia, era... Era linda. Meu peito se aqueceu como nunca pensei ser possível, o que representava tudo aquilo? De onde surgira aquela canção? Procurei o rosto de Bella, procurei a explicação para tudo aquilo.

Seu rosto estava molhado de lágrimas e um sorriso melancólico reinava em seus lábios, seus olhos permaneciam fechados e suas mãos recaíram sobre seu colo. Não ousei dizer nada, a música havia mexido com Bella tanto quanto havia mexido comigo, eu respeitei seu espaço, uma vez que eu mesmo precisava dele.

Algo dentro de mim se apertava, chorava e sorria como se eu já soubesse seu significado, mas eu não sabia, só sabia que essa música marcar com fogo minha alma e...

– Este... – a voz cortada de Bella interrompeu meus pensamentos. Fitei-a, ela agora estava de olhos abertos, mas não me encarava. – Este era meu presente de casamento para você... – suas palavras não foram compreendidas por mim de primeiro, mas quando o fiz, desejei não ter feito.

Uma onde de culpa e remorso me atingiu, eu não precisava perguntar para saber que esta música não fora criada agora, mas sim há anos atrás, antes de Renesmee nascer, quando deveríamos ter casado.

- Bella... – tentei dizer alguma coisa, tentei amenizar tudo aquilo, mas como poderia? Nada que eu fizesse repararia tudo que se passou, o passado era intocável, impossível de se mudar... Nada nunca seria diferente. E a culpa sempre me acompanharia.

Degustei lentamente do sabor verdadeiro da loucura, eu jamais me perdoaria... Eu jamais conseguiria olhar nos olhos de Bella sem me recordar do que havia feito, sem... Mais uma vez Bella cortou meus pensamentos.

- Esta musica, por muito tempo, foi motivo de aperto em meu peito... – fechei os olhos me afundando cada vez mais naquele desespero tão silencioso e esmagador. Bella nunca me perdoaria... Então senti sua mão a pegar a minha, convidando-me a fitá-la, eu não queria olhar, mas acho que não tinha o direito a escolha.

Em seus olhos eu pude ver um rio de lágrimas, mas seus lábios brilhavam em um sorriso caloroso, confundindo-me. – Mas eu queria que você soubesse antes de retornarmos... – Em sua voz não havia acusação ou dor, apenas... Amor? – Que eu ainda me sinto assim, nada mudou...

Suas palavras me surpreenderam, estaria ela brincando comigo? Talvez tentando minimizar minha culpa... Não... Pela primeira vez em anos, consegui ler Bella como consigo enxergar o fundo de um lago cristalino, só havia amor dentro daqueles olhos. – Com você eu me sinto viva... E daqui até a eternidade, viveremos todos os dias como os primeiros e os últimos dias da nossa vida.

Sua mão tocou minha face. – Estaremos juntos para sempre... – sua testa encostou na minha, aquecendo-me, amando-me com um olhar, um sorriso de esperança começou a surgir em meus lábios. – E este é o nosso momento, a nossa vida... Somos dois corpos em uma só alma... – Seus lábios roçaram nos meus. – Bem-vindo ao primeiro dia, do resto de nossas vidas. – e nossos lábios se conectaram, intensificando-se, permitindo que nossa união fosse total e eterna.

N.B.: Demorou, nos desesperamos pelo capítulo, mas ele chegou e abalou nosso alicerce. Demorou mas valeu toda a espera!

OMG! Simplesmente PERFEITO! Esse capítulo foi MARAVILHOSO, LINDO, ESPETACULAR, INCRÍVEL, nossa me falta adjetivos...

Eu simplesmente AMEI esse capítulo, eu amei beta-lo, lê-lo. Ele está demais não está?

Eu quero um Edward pra mim também! Quem não quer não é meninas... *-*

Quem gostou comentem, a Maria merece!

Quero, ou melhor, QUEREMOS MAIS MARIAAA!