Epílogo
─ Nicole, querida, se apresse! Os convidados vão chegar em um minuto. – disse Ella Hughes ao pé da escada, apressando sua filha.
Nicole Hughes estava completando dezessete anos de idade, uma data muito importante quando se é uma bruxa. Também seria o seu último ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e estava reclamando com os amigos por cartas o verão inteiro por ter que deixar aquelas paredes. No entanto, também estava orgulhosa por não ter passado em branco. Ser Monitora Chefe e ter sido uma das favoritas do professor Dumbledore com certeza alegraram seus anos ali... e fora para a Grifinória, como havia decidido desde o dia em que conversara com aquela mulher... Amélia... na sorveteria do Beco Diagonal.
─ Nicole, acho melhor você descer, sua mãe vai ter um ataque se não conseguir uma foto sua agora.
─ Só preciso terminar de dar um jeito nessa mecha de cabelo, papai. – respondeu a menina, tentando prender a mecha atrás da orelha. – Pronta!
─ Ah, está muito bonita, minha querida! Está feliz? Não é todo dia que uma bruxa comemora dezessete anos. – comentou seu Charles Hughes, sorrindo para sua filha.
─ É claro que estou feliz! – disse correndo para abraça-lo. – Obrigada a você e a mamãe por terem me deixado convidar meu amigos da escola.
─ Sua mãe está pirando com a ideia. – disse seu pai risonho. – Mas, antes de descermos, eu gostaria de lhe dar um presente especial.
─ Outro? Eu gostei muito dos brincos de brilhante, não precisava me dar mais nada... – ralhou Nicole, risonha também.
─ Não, esse... é da sua mãe. Da sua outra mãe. – explicou Charles. Quando fizera seis anos, Nicole descobrira que fora adotada. O pai achou certo explicar, pois foi na mesma época em que ela descobrira suas capacidades mágicas. Contudo, a menina nunca dera muita importância a isso. Aqueles eram seus pais, independente de terem feito-a ou não.
Ainda assim, ela nunca deixou de se perguntar como seriam seus verdadeiros pais e que tipo de bruxos teriam sido.
─ Ah... o que é? – indagou curiosa.
Charles retirou o envelope que Amélia Preminger lhe entregara anos atrás e entregou para a menina.
─ Vou deixa-la sozinha para ler, quando quiser, pode descer. – disse fechando a porta do quarto ao sair.
Nicole respirou fundo e encarou o envelope, estava escrito "para Nicole". Ficou encarando a letra delicada e arredondada por alguns minutos antes de abri-lo para ler seu conteúdo.
"Minha querida Nicole,
Eu não sei se seus pais irão permitir que esse envelope jamais chegue as suas mãos ou não. Contudo, acho que é meu dever lhe proporcionar algumas palavras de conforto numa data tão importante quanto seu aniversário de dezessete anos. Primeiramente, gostaria de dizer que sinto muito por não ter estado com você a maior parte da sua juventude. Acredite em mim, vontade para tanto não me faltou. Mas, existem certas leis de nosso mundo que precisam ser respeitadas... mesmo pela mais rebelde das criaturas.
Em nossa cultura, é comum celebrar essa data com uma grande festa. O salão estaria todo enfeitado e você usaria um belo vestido, a fim de ser apresentada aos membros mais importantes da sociedade bruxa. Acho que os trouxas fazem isso quando a jovem completa quinze anos. Enfim, quero que saiba, minha querida, que mesmo não estando aí hoje ao seu lado, estarei sempre pensando em você e lhe desejando feliz aniversário em sussurros antes de dormir.
Jamais me esquecerei da sensação que tive ao segurá-la em meus braços pela primeira vez... e o quanto fiquei feliz por saber que você seria igualzinha ao seu pai. Provavelmente, se você tiver o espírito da família de sua mãe e for aceita por um bom casal, jamais procurará saber o nome dele. Contudo, eu posso lhe garantir que foi um grande homem e o grande amor da minha vida. Não fossem mesmo as regras da nossa sociedade, teríamos tido, também, o maior orgulho em tê-la sempre conosco. Porém, como disse... sempre estaremos... em espírito.
E justamente hoje, em espírito. Gostaria de lhe dizer, por experiência própria, que não há nada que defina mais um bruxo e uma pessoa, do que as escolhas que faz. Seu pai e eu concordamos nisso. Não chegarei a saber para qual casa você foi, mas saiba que, independente de Grifinória, Lufa-lufa, Corvinal ou Sonserina, a única pessoa que pode determinar que tipo de bruxa será é você mesma. Eu realmente espero que se cerque de pessoas que a ajudarão a fazer as escolhas certas e que jamais limitarão suas chances de decisão.
Desejo-lhe toda a felicidade do mundo, minha querida.
De sua mãe... Amélia P."
─ Amélia? – Nicole repetiu com lágrimas nos olhos. Não tinha certeza, mas poderia apostar todos os galeões do mundo que aquela mulher da sorveteria... A menina observara em como por momento, ao vê-la, ela ficara sem fala... provavelmente reconhecendo-a...
Meses mais tarde, viu-a novamente na sala do professor Dumbledore. Com todo o jogo de cintura do mundo, tentou agir com naturalidade, como se não soubesse de nada, pois as mesmas regras que as separaram, poderiam fazer algo de mal para Amélia caso descobrisse que ela sabia a verdade... Nicole pensou no dia. No entanto, não conseguiu ser tão forte quando teve a chance de abraça-la para se despedir. Depositou anos de perguntas ali e aproveitou para sentir o calor dos braços dela.
Quando se separaram e ela deixou a sala, correu para o banheiro a fim de chorar um pouco. Os anos passaram e ela acompanhava o trabalho de sua mãe no ministério, descobrindo que ela era mesmo uma grande mulher... Guardou a entrevista que ela dera ao profeta sobre o véu negro e suas propriedades como um portal ao mundo dos mortos, o que ela só descobrira depois da perda de uma grande amiga, dentro de uma caixa cheia de fotografias que também conseguira em recortes de jornal. E uma cópia da foto que tirara do quadro no departamento de mistérios. Sempre que as observava, pensava em como fizera a escolha certa ao pedir ao chapéu seletor que a colocasse na Grifinória.
