Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.
O dinheiro não traz felicidade. Me de o seu e seja feliz. :D
Ela é o cara.
.
Recolhendo os Destroços
.
Quando eu nasci, meus pais viram que eu tinha uma marca de nascença no peito que lembrava muito um hexágrama, por isso me chamaram "Kagome", porque este é o nome dado a popular forma de hexagrama trançado que as pessoas usavam desde a antiguidade em cestos de bambu para espantar o mal... Portando "Kagome" é algo que é capaz de espantar o mal, então supostamente alguém com esse nome também deveria ser, pelo menos, capaz de se manter longe de problemas.
Mas então por que é que parece que eu só os atraio?
Ainda enquanto eu observava Naraku tentou se levantar avançando contra Kohaku.
―Seu...!
Mas foi chutado/pisado de volta para seu lugar.
―Fique aí mesmo onde está, aranha. ― ele advertiu ainda com aquela expressão tenebrosa, mas então se virou para mim, com a expressão imediatamente transformada numa que era gentil e preocupada ao perguntar-me estendendo a mão: ― Está tudo bem?
Ele quase parecia a encarnação viva de "o médico e o monstro".
―Eu... ― devagar aceitei sua mão para levantar-me.
Se "está tudo bem"? Como é que se responde uma coisa dessas?!
―Mas o que é que está acontecendo aqui afinal?! ― Sota perguntou pasmo.
―Isso é o que eu quero saber! ― o treinador interpôs-se avançando com uma cara de muito furioso em nossa direção afastando o resto dos membros extremamente chocados do time de futebol. ― Você! ― apontou-me ― É uma mulher?
Fechei a mão sobre o peito e olhei para o chão.
―Sou. ― admiti. A essa altura pra que negar, não é?
―E seu nome não é Higurashi Sota? ― inquiriu.
―Eu me chamo Higurashi Kagome. ― murmurei.
Ele voltou-se para Sota.
―E você! ― apontou ― Você se chama Higurashi Sota?
Sota perdeu a fala por dois segundos.
―Ah, sim, meu nome é Sota!
―E você é homem?
―O que? Sim! Sim! Com certeza que sou!
Só faltava agora o treinador pedir para verificar.
―Eu não tenho tempo para isso agora! Temos um jogo importante! ― O treinador olhou para baixo. ― Onigumo saia de debaixo do pé do nosso goleiro e vamos! ― ele apontou para Naraku, eu tinha esquecido que ele estava ali ― E todos vocês! ― ele apontou para o resto do time, ainda parado em silêncio ― Já para o campo cambada! Vamos! Vamos! Vamos!
Continuou gritando enquanto expulsava cada um dos membros do time do vestiário, o último a passar foi Inuyasha... Ele parou em frente à porta olhando para Sota e eu... Como se ainda não pudesse acreditar no que estava vendo, e havia algo mais em seus olhos... Mágoa talvez? Eu recuei para trás encolhendo-me um pouco.
Buda, por quê?
Até que o treinador empurrou-o para fora também, gritando:
―ANDA TAISHO! ANDA! ― ele virou-se para Naraku, o tirando de debaixo do pé de Kohaku com um puxão e o empurrando para os fundos ― E você Onigumo?! Por que ainda não se trocou?! VAI! VAI! VAI! Goleiro! Já para fora!
―Mas eu...! ― Kohaku foi empurrado para fora antes que pudesse dizer qualquer coisa.
E então só sobramos eu, Sota e o treinador no vestiário.
―E quanto a você garota ― disse com voz perigosamente baixa ― Quero-a de malas prontas na reitoria do campus depois do jogo, você tem muitas explicações a me dar.
―Sim senhor. ― Engoli em seco.
Como se nem tivesse me escutado o treinador virou a cabeça e gritou para os fundos do vestiário:
―ONIGUMO! Por que ainda está demorando tanto?! Isso é um uniforme não um vestido de baile! Ande logo pedaço de lixo! ― Naraku saiu do vestiário, passando correndo por nós ainda vestindo a camisa ― Ótimo. ― resmungou e lançou um olhar a Sota ― E você.
Sota ficou imediatamente tenso.
―Senhor. Sim Senhor! ― só faltou a continência.
―Se vista!
Ele jogou uma camisa a Sota — minha camisa — que a pegou por instinto.
―Como é que é? ― piscou.
―Não me ouviu?! Temos um jogo agora e me falta um titular então VISTA. ESSA. CAMISA. HIGURASHI!
Encerrou saindo e batendo a porta com tanta força que o prédio até pareceu sacudir.
―Uau. ― Sota disse após um minuto de silêncio.
―É, eu sei. ― Mas quando o olhei, ele estava realmente vestindo a camisa. ― Mas o que você está fazendo?!
―Ah! Desculpe! Força do hábito! ― ele tirou a camisa rapidamente ― Não! Espera um pouco, eu é que deveria está fazendo as perguntas aqui! ― ele agarrou o meu braço ― O que é que está acontecendo coelhinha? Por que está usando as minhas roupas? E por que estava se passando por mim? O que foi isso que aconteceu aqui?! Essas calças são do Kohaku?
Eu suspirei.
―Sabe Sota... É melhor você sentar.
Eu levei quase meia hora pra contar tudo a Sota, e do começo ao fim ele ficou ouvindo tudo calado, sentado no banco com os cotovelos sobre os joelhos e o queixo apoiado nos dedos entrelaçados, com uma expressão carregada no rosto.
Quando terminei, ele levantou-se vagarosamente e disse em tom sério:
―Vá arrumar suas coisas. ― ele passou por mim indo em direção á porta, mas antes de sair ainda se virou mais uma vez para perguntar em tom baixo e controlado: ― E. Onde. Está. Sango?
Eu não queria ter que fazer aquilo sozinha, mas acabei voltando para o quarto para empacotar minhas coisas, e ainda estava guardando minhas roupas ― Roupas do Sota? Já nem sei mais ― quando Inuyasha chegou da partida, e ele nem havia passado pelo vestiário antes, porque ainda estava usando o uniforme.
―Então. ― ele fechou a porta atrás de si ― Era tudo mentira? Desde o começo? O tempo todo?
―Eu...! ― tentei explicar-me.
―E eu realmente achei que fôssemos amigos, mas na verdade eu nuca conheci nenhum Higurashi Sota, não é?
Conheceu sim. Pensei comigo mesma. Hoje mais cedo, no vestiário.
Mas como eu já estava encrencada até o pescoço, preferi ficar quieta e apenas desviei o olhar mordendo o lábio inferior.
―Eu achei que eu e você... ― ele virou o rosto, contrariado ― Você obviamente não fez isso sozinha, aqueles dois estavam sempre com você.
―Sango, Kohaku e eu... Somos amigos de infância, estamos juntos desde sempre. ― contei dobrando as roupas e as pondo no baú de cabeça baixa. ― Sango mesma cortou meus cabelos, e algumas das roupas que eu uso são de Kohaku.
Por algum tempo Inuyasha ficou parado sem dizer nada, e por fim deu meia volta e afastou-se.
Mas de repente ele começou a falar:
―Antes você e a Sango...
Fechei os olhos com força.
―Ela é minha melhor amiga, antes nós estávamos fingindo um relacionamento para o Miroku ficar longe dela. ― expliquei.
O que obviamente não deu certo, porque sejamos francos, se Sango realmente quisesse se livrar de Miroku ela teria jogado Kohaku para cima dele de uma vez ― embora, pelo tempo que Miroku vem sobrevivendo a Kohaku isso talvez fosse ser inútil.
―Mas mesmo depois, ele nunca reclamou da proximidade da namorada com outro "garoto", vocês estavam sempre juntas, nunca se desgrudavam e mesmo assim ele não...
―Não é bem verdade. ― comecei a dizer ― No começo ele...
―Ele sabia? ― interrompeu-me, mas quando eu mantive-me calada Inuyasha pressionou: ― Ele sabia?!
―Sango contou a ele! ― soltei. ― Eu não tive como detê-la...
―E Kikyou? ― ele indagou ― Foi por isso que me disse com tanta certeza que ela não tinha nenhuma segunda intenção com você?
Comprimi os lábios, por que justo hoje ele tinha que está tão sagaz...?
―Eu não tive escolha. ― confessei ― Ela encurralou-me e eu...
―E quem mais sabia?
Engoli em seco.
―Kouga...
―Entendi então basicamente você sentiu-se livre para confiar em todo mundo, mas não em mim.
―Não foi assim! ― eu me virei rapidamente ― No caso de Kouga foi um acidente! Ele descobriu por si mesmo quando me flagrou em roupas íntimas e viu que eu tinha peitos!
Infelizmente só percebi que havia falado demais quando vi a expressão de Inuyasha, eu nunca o tinha visto tão furioso assim antes e, sem dizer nada ele entrou no banheiro e bateu a porta com tanta força que a janela tremeu.
Depois disso houve a inquisição, eu não lembro exatamente do que aconteceu e talvez as coisas tivessem sido melhores ― ou, pelo menos, não tão ruins ― se nosso time tivesse ganhado, mas ele não ganhou e o treinador estava muito furioso.
Então a reunião na reitoria foi uma série de gritos, acusações e pessoas furiosas, quando dei por mim Sota estava botando minhas coisas num táxi e me trazendo para o hotel onde ele estava hospedado.
Bem, na verdade eu preciso admitir que todas as confusões em que me meto são por minha própria culpa mesmo, mas se elas são minha culpa por que é que Sota está lá fora ralhando com Sango e Kohaku há quase uma hora e não comigo?
Ao que parece Sota não conseguiu encontrar Sango no campus, mas ela acabou poupando o seu trabalho quando veio junto com Kohaku até o hotel.
―Vocês deviam cuidar dela e não ajudar nos seus esquemas malucos! ― Sota brigava com os dois. — Kohaku eu pensei que você estivesse me mantendo atualizado sobre minha irmãzinha, como é então que você "por acaso" se "esqueceu" de mencionar justamente...!
Sota havia me trazido para o hotel junto com ele, e aqui pedido para trocar o seu quarto com uma cama para um quarto com duas camas de solteiro.
―Sota, para! ― exclamei saindo ― Não coloque a culpa neles dois, de qualquer jeito eles não tinham como me parar!
Ele voltou-se para mim:
―E então decidiram que a coisa mais sensata a se fazer era pegar uma tesoura e cortar os seus cabelos?! Mas o que é que vocês tinham na cabeça?!
Ótimo, agora ele está brigando com nós três.
Sota podia ter nos mandado entrar para nos dar bronca, mas ao invés disso ficamos os três de pé no corredor ouvindo quietos como um grupo de crianças travessas que quebrou uma vidraça... Da Catedral de Notre Dame.
E depois que Sota finalmente terminou de falar ― depois de um looooongo tempo ― a próxima coisa que tivemos que decidir foi se contaríamos para a minha mãe, e se fossemos contar, quem contaria? E como?
―Hã... Temos mesmo que contar para a Sra. Higurashi? ― Sango perguntou amuada, mas o caso é que Sango quase nunca fica amuada, e ver isso só me deixou ainda mais inquieta. — Quer dizer... Não é como se ela fosse descobrir mesmo se não contarmos.
Mordi o lábio inferior, pensando nessa possibilidade...
—Eu não acredito em vocês! — Sota exclamou irritado, de repente se inclinando para frente e batendo com as palmas nas coxas, produzindo um estalo tão alto que nós três nos sobressaltamos — Não dá para simplesmente guardarem segredo de tudo isso e esperar que nunca venha à tona! Será que não aprenderam nada com tudo isso?!
—Mas... A faculdade não vai ligar para a Sra. Higurashi. Ou vai? — Kohaku perguntou ainda hesitante — Quer dizer... Não é como se ainda estivéssemos no primário, ou coisa assim...
Sota respirou fundo, certamente tentando manter a calma... Ele pode até não estar mais gritando, mas mesmo assim acho que nunca o vi tão zangado assim antes.
—Pode até ser. — disse por fim — Mas preciso lembrar vocês de que a Coelhinha ainda é uma menor de idade?
Um silêncio desconfortável pairou sobre nós, sabíamos que precisávamos ligar... Mas nenhum de nós queria ser aquele que ligaria.
—Eu ligo. — falei finalmente, torcendo as mãos — E, pensando bem, nem há porque fazer drama. — tentei soar confiante e racional — Quer dizer, é uma equação simples de se fazer: Eu os meti nisso, então eu é que tenho que ligar.
—Kagome...!
—Senhorita...!
Sango e Kohaku tentaram protestar, mas eu ergui a mão.
—Eu sei. — disse — Sango você vai me dizer que essa ideia foi tão minha quanto sua e que nós duas arrastamos o Kohaku para isso juntas. E Kohaku — prossegui quando ele começou a protestar — Você vai me dizer que nós não o arrastamos a nada... Mas de qualquer jeito foi tudo por minha causa. — suspirei — Só... Só me deixem ligar para minha mãe antes que a faculdade faça isso por mim. Se é que ainda não fez.
Sota acabou concordando comigo, deu-me um beijo de boa sorte na testa e então foi embora levando Sango e Kohaku junto consigo, para me dar mais "privacidade"... Mas, na verdade, eu acho que ele apenas os levou para que eu não pudesse me apoiar neles — como, aliais, tenho feito desde sempre.
Eu levei menos de um minuto para encontrar o número de telefone de minha mãe na agenda do celular... E outros vinte até ter coragem para apertar o botão "ligar".
—Alô? Kagome? — mamãe atendeu já no terceiro toque.
Engoli em seco, sentindo as mãos começarem a suar.
—Alô... Mamãe. — troquei o celular da mão direita para a esquerda e esfreguei-a na calça para secá-la. — Hum... Como está o vovô?
—Muito bem! — respondeu jovial — Está lá fora agora podando os bonsais dele. Quer que eu o chame...?
—Não! — respondi rápido demais, praticamente em pânico — Hã... Quer dizer... — pigarreei e voltei a trocar o celular de mão para secá-la na calça — Mamãe, a senhora sabia que Sota está no Japão?
—O que? Não! — Respondeu-me alegremente — Oras! E eu ainda falei com ele na semana passada! Perguntei quando seria o recesso de suas aulas na faculdade e se ele pretendia voltar ao Japão para nos visitar... E ele apenas me respondeu de forma evasiva, dizendo "não sei"... Aquele danado!
—Ah... Pois é. — passei a mão livre pelos cabelos — N-na verdade ele apareceu hoje de manhã sem avisar na faculdade para fazer-me uma surpresa... Eu fiquei bem... Surpresa.
Finalizei com a voz em um fiapo quase beirando ao choro.
—Há! Mas é claro que a primeira coisa que ele faria ao pisar novamente no Japão seria ir correndo para vê-la! — mamãe riu ainda sem notar meu tom de voz, e desatou a tagarelar: — Mas e quanto a você Kagome? Quando será o recesso de sua faculdade? Você virá para casa? Ora, é claro que virá, mas que bobagem a minha, mas e quanto ao Sota? Ele virá na frente ou ficará para esperar por você...?
—Mamãe. — chamei finalmente — Tem... Algo que eu preciso lhe falar. — umedeci os lábios — É... Sobre a faculdade.
E mamãe finalmente pareceu se dar conta de que algo estava errado.
—Kagome. — chamou-me tensa — O que aconteceu?
Respirei fundo... E comecei a falar.
—Eu sinto muito. — chorei ao fim de tudo, esfregando os olhos sem parar.
É claro que mamãe começou a chorar também.
—A culpa é minha. — ela soluçou em meio ao pranto — Eu fui uma péssima mãe!
—Não mamãe, a culpa não é sua, e você não é uma péssima mãe! — tentei tranquilizá-la.
Mas fica difícil tentar acalmar alguém quando você mesmo não consegue parar de chorar, e mamãe também não parecia muito disposta a colaborar.
—Não! — ela negou veementemente. — eu sei que a culpa é minha, eu fui uma péssima mãe se não por qual outra razão você iria tão longe só para fugir de mim, a ponto de inventar todo esse plano maluco e jogar fora a sua promissora carreira de modelo!
Na verdade, se havia algo do que eu pudesse possivelmente querer fugir, provavelmente seria dessa minha "promissora carreira de modelo"... Tudo bem, talvez lá no fundo — ou não tão no fundo assim — um pouquinho da minha mãe também, já que foi ela quem me pressionou a essa carreira desde o inicio.
—Sinto muito. — funguei.
...
Sango e Kohaku já haviam ido embora quando desci.
Sota não disse nada sobre meus olhos inchados e chamou-me para sentar e comer com ele, já estava tarde para almoçar e era cedo demais para jantar, mas mesmo assim eu percebi que estava faminta, afinal não comia nada desde a noite passada, porque na pressa de chegar ao vestiário hoje de manhã eu não tive tempo de tomar o café da manhã, e depois, com toda a confusão que teve, acabei não me lembrando de almoçar.
—Eu estou vendo nossas passagens para voltarmos para casa, vamos de trem que é melhor. — Sota me avisou logo depois de fazermos os pedidos, enquanto mexia no celular — Há passagens já para amanhã de manhã, mas eu posso reservar para amanhã a tarde ou a noite se você quiser... Caso queira se despedir dos gêmeos maravilha.
Ele ainda está irritado com Sango e Kohaku.
—Não... Não podemos ficar só mais um pouco? — perguntei mordendo o lábio inferior.
Sota me olhou.
—Ficar? — franziu o cenho — Por quê?
O garçom estava nos servindo agora, eu agradeci e esperei até que ele se afastasse para voltar a falar:
—Não seria por muito tempo. — argumentei fracamente — Só por uma semana talvez... Até que as aulas terminem.
—Por quê? — ele voltou a me perguntar ainda de cenho franzido — Você não pretende continuar a assisti-las, ou pretende?
—De jeito nenhum. — ergui as mãos — É só que... — O que? — Eu quero esperar... — Quem? — Por Sango e Kohaku. Assim todos nós poderemos voltar juntos.
Sota continuou me olhando por mais algum tempo, eu engoli em seco e esperei, mas por fim ele limitou-se a simplesmente suspirar e voltar a mexer de lado no celular sem dizer nada.
Suspirando resignei-me a comer calada, e já tinha quase acabado de comer — enquanto Sota sequer tinha encostado em seu prato — quando ele voltou a falar:
—Você já está aqui há algum tempo, Coelhinha, por acaso já visitou a Torre de Tóquio? — desviou a atenção do celular por um momento para olhar-me pelo canto dos olhos.
—A torre? — pisquei confusa — Não... Eu nunca... Desde que estou aqui eu mal sai do campus. — confessei — Praticamente não fui a lugar algum.
—Hum... Que pena, como você está aqui há mais tempo eu esperava que pudesse me mostrar um ou dois pontos daqui. — ele suspirou, guardando o celular de volta no bolso e finalmente começando a comer — Mas acho que não tem problema, já que vamos ficar aqui por mais uma semana, nós temos tempo para bancarmos os turistas juntos.
Eu fiquei parada com a comida a meio caminho da boca sem entender o que ele queria dizer com isso, na verdade meu cérebro levou ao todo uns dez segundos para finalmente compreender o significado daquilo.
E então meu rosto iluminou-se com um sorriso.
—Sota!
Ele sorriu-me de volta.
—E então? Por acaso há algum lugar especial que você queira visitar primeiro?
—O templo Senso-ji! O templo Senso-ji! — respondi animada sem pensar duas vezes, mas então hesitei, Sota já tinha motivos o suficiente para estar irado comigo, fazer nossas malas e nos colocar no primeiro trem para casa, então é melhor maneirar um pouco — A menos... Que você queira ir a algum outro lugar primeiro.
—Por mim não tem problema, vamos ter bastante tempo para vermos tudo o que quisermos. — ele encolheu os ombros enquanto comia — Mas já que você tocou no assunto podíamos ir à Torre de Tóquio primeiro.
—Ah! Você sabia que, embora modelada à imagem da Torre Eiffel, em Paris, a Torre de Tóquio é 13m mais alta, com 333m de altura?! O que a tornou a estrutura mais alta de Tóquio por mais de cinquenta anos! — Animei-me.
—Calma aí Coelhinha! — risonho ele ergueu uma mão — Espere até estarmos, pelo menos, na fila.
—Ah... Certo. Desculpe. — eu sorri sem jeito, ajeitando-me em meu lugar e só depois de algum tempo é que voltei a falar — Sota?
—Hum?
—Quando fomos à Torre amanhã... Podemos subir até o observatório especial? — pedi juntando as mãos.
Quando Sota me olhou com uma sobrancelha arqueada, eu fiz a minha melhor "cara de cachorrinho", até que por fim ele suspirou, girou os olhos e respondeu:
—Tá certo.
—Yes! — joguei os braços para o alto — Obrigada! Mas então depois de amanhã vamos ao templo Senso-ji, certo?
—De acordo. — ele suspirou.
E então, no dia seguinte, Sota e eu passamos o dia visitando a Torre de Tóquio e suas várias atrações, comprando lembrancinhas e tirando fotos, o dia estava limpo e bem ensolarado então nós até mesmo conseguimos ver o Monte Fuji ao sul, e, em algum momento da tarde recebi uma mensagem de Sango que dizia:
"ONDE você está?!"
16h24min
E a palavra "onde" estava realmente escrita toda em letras maiúsculas, eu respondi a mensagem com uma foto minha e de Sota no observatório da Torre com o Monte Fuji ao fundo.
Pela noite ela enviou-me outra mensagem, mas eu havia chegado tão cansada que só a vi no dia seguinte:
"Como você está?"
19h33min
"Bem."
04h59min
Respondi enquanto fazia meu desjejum com ovos crus.
—Tem certeza que devia comer tantos ovos crus assim logo pela manhã? — Sota me olhava enjoado do outro lado da mesa. — Lembre-se que hoje estamos indo ao Tóquio Disney Sea e você vomitando nos brinquedos meio que vai estragar o dia.
Sota e eu havíamos acordado cedo para pegarmos o primeiro trem do dia para Urayasu, Chiba, onde o parque fica, embora o acordo inicial fosse de que iríamos a Asakura visitar o complexo de templos Senso-ji e fazer compras em Nakamise-dori, mas parece que, em algum momento da noite, no curto espaço de tempo entre o momento que eu entrei no quarto e o momento que eu caí na cama, eu havia concordado em mudar nossa programação — embora eu não me lembre de nada disso.
—Eu vou ficar bem, não estou comendo tantos assim, são apenas dois, e não estou comendo apenas eles, só os estou usando para completar meu desjejum. — eu indiquei o resto da refeição com um gesto amplo e então quebrei e comi um terceiro ovo cru, só pra dá sorte.
Do outro lado da mesa Sota estremeceu, e então, me lançando um olhar preocupado questionou:
—Mas você está realmente bem, Coelhinha?
—Estou. — respondi desviando o olhar.
E então quebrei e comi um quarto ovo... E um quinto. Só porque eu podia.
O dia no Tóquio Disney Sea foi longo, cansativo, quente, barulhento e repleto de filas intermináveis, então, em resumo... Foi o melhor dia da minha vida!
E eu não vomitei em nenhum brinquedo! Há!
E se quando passei o dia na Torre de Tóquio eu fiquei exausta, então o Tóquio Disney Sea me deixou completamente esgotada!
Nem sequer consegui ficar acordada até voltarmos ao hotel, e Sota precisou me carregar desde o táxi até o nosso quarto.
Mas então hoje, no terceiro dia, nós finalmente iremos a Asakura!
—Eu estou te dizendo Kah! Ontem à noite, enquanto eu tentava te tirar do táxi, você não falava de outra coisa além de ir a Shibuya ver a estátua de Hashiko! — Sota insistia.
—Ahã. Claro. — respondi nem um pouco convencida, terminando de calçar meus tênis. — Mas hoje vamos a Asakura, visitar o templo Senso-ji.
Já eram quase 10h da manhã e ainda nem sequer havíamos saído do quarto.
—Bem... Pode ser que você não estivesse falando exatamente que queria ir até Shibuya para ver o Hashiko. — ele admitiu relutante — Mas eu juro Kah, você estava mesmo balbuciando sem parar algo sobre um "inu" enquanto dormia. De que outro inu você poderia estar falando?
Eu corei.
Sota podia mesmo estar falando a verdade e eu realmente estava chamando por um "inu" ontem à noite, mas quer eu tenha ou não dito alguma coisa, certamente era por um Akita Inu muito diferente daquele encontrado em Shibuya que eu chamava...
—Você só está inventando histórias para não irmos ao templo. — desconversei.
Sota suspirou longamente.
—Só você mesma, Coelhinha, para achar divertido passar o dia todo visitando um templo.
—Se isso fosse verdade não haveria milhões de visitantes lá todos os dias. — retruquei mostrando a língua e me levantando. — E vamos logo que eu ainda quero comer meus ovos crus antes de sairmos...!
Saltei para trás com uma exclamação surpresa quando quase fui acertada por um punho ao abrir a porta.
Abri a boca com os olhos arregalados, mas antes que eu dissesse qualquer coisa fui envolvida por um par de braços que me agarraram pelo pescoço e me puxaram para um abraço.
—Finalmente te peguei! — Sango exclamou.
—O-o que? — gaguejei surpresa.
Sango afastou-me segurando-me pelos ombros com uma expressão carrancuda.
—Há dois dias que eu venho te procurar aqui no hotel e nada!
Isso explica aquelas mensagens vespertinas dela.
—Finalmente conseguimos vir cedo o bastante para ainda conseguir encontrá-los. — Kohaku comentou suavemente, logo atrás da irmã.
—Na verdade é que hoje nós estamos meio atrasados... — comecei a dizer.
—Dois dias! — Sango me interrompeu irritada — Há dois dias nós temos vindo aqui para consolá-la e onde você estava?! Passeando nas armadilhas para turistas de Tóquio!
—Sango, também não é pra tanto... — tentei dialogar.
—Kagome! — chamou-me irritada, e tão bruscamente que enrijeci por completo — Era para você estar aqui no quarto! Se lamentando e enchendo essa sua cabecinha de problemas! Nada vai melhorar se você continuar simplesmente se forçando a parecer bem sabia?!
Eu abri a boca, mas sem saber o que dizer a fechei novamente, por trás de Sango Kohaku a cutucou no ombro.
—Ei mana, acho que você precisa ser mais g...
De repente, como se não pudesse mais sustentar aquela expressão, a face de Sango suavizou-se — tornando-se quase dolorosa de se ver — e ela puxou-me para outro abraço.
—Não me olhe agora, não quero que me veja assim. — pediu ao meu ouvido, ainda sem largar-me — Ah querida... — ela lamentou — Como você está?
Dessa vez eu consegui reagir o bastante para abraçá-la de volta, agarrando-me firmemente a ela e trincando os dentes quando senti que as lágrimas estavam prestes a vir, e então, respirando fundo, consegui dizer lamentosamente:
—Preciso de ovos crus.
Eu sei que Sango tem razão, fingir que está tudo bem não vai me ajudar em nada... Mas eu simplesmente não posso... É que tudo aconteceu tão de repente.
Primeiro eu estava lá, parabenizando Kikyou por sua apresentação, e aí... Tudo virou de cabeça pra baixo, Inuyasha viu-me, nós nos desentendemos, ele me colocou para fora, eu tive que dormir com Sango e Kikyou... E quando dei por mim Naraku, Sota e eu — a pior combinação possível — estávamos no vestiário junto com o resto do time de futebol e meu segredo havia sido exposto para todos, num piscar de olhos tudo desabou como um castelo de cartas.
Francamente, como é que tudo isso pôde acontecer?
Eu sei também que normalmente estaria exatamente como Sango disse: "Me lamentando e enchendo minha cabecinha de problemas" e eu sei que é por isso que Sota concordou em ficar e quis ir a todos esses lugares, ele só está usando tudo que tem para manter minha cabeça ocupada e não me deixar desabar, essa é a maneira dele de me ajudar, eu inclusive entre ouvi uma conversa dele com nossa mãe ontem de madrugada.
—... Mais alguns dias, mãe. — ele dizia, sem perceber que eu estava começando a acordar — Não, não precisa... Só até a Coelhinha estar melhor. Ela... Está melhorando, eu acho, provavelmente... Não, ela está dormindo agora... Claro que ela não a está evitando, ela não a odeia... Certo, tudo bem, boa noite mãe.
Eu sei que sempre arrasto os outros para as minhas maluquices, e que depois todos acabam preocupados comigo, eu sei disso tudo, mas... Eles precisam mesmo ficar me encarando assim?!
—Ei Sango. — chamei dando duas batidinhas leves com meu ovo na beirada da tigela — Será que você pode parar de me encarar assim?
Joguei a cabeça para trás e quebrei o ovo diretamente na boca.
Sango e Kohaku haviam acabado por ficar conosco para tomar o café da manhã — quase almoço — e nos sentamos todos juntos, com Sango a minha frente, Sota a minha esquerda e Kohaku a minha direita.
O problema, é que desde que minha tigela de ovos crus chegou — os garçons aqui já nem me olham estranho — Sango colocou os cotovelos sobre a mesa, entrelaçou os dedos, apoiou o queixo neles e ficou me encarando.
Eu já estou no terceiro ovo e mal a vi piscar desde então.
—Sota. — ela chamou sem desviar os olhos de mim — Quantos ovos ela anda comendo por dia?
Meu irmão, por outro lado, ainda não conseguiu se acostumar a me ver comendo ovos crus e fica enjoado sempre que o faço, então ele mantinha seu olhar virado para o lado oposto na maior parte do tempo, enquanto mantinha a cabeça apoiada de lado numa mão e mexia sem muita vontade em seu café da manhã, comendo aqui e ali, vez por outra, eu tenho a leve impressão de que quanto mais tempo ele me vê comendo ovos crus, menos apetite resta a ele.
—Quem sabe? — encolheu os ombros — Uma dúzia talvez?
O olhar de Sango tornou-se mais intenso sobre mim.
—Kagome... — chamou-me seriamente.
—Eu não estou comendo tudo isso! — defendi-me de imediato — Uns quatro ou cinco por dia, talvez, quem sabe meia dúzia, mas não uma dúzia inteira! Eu juro!
—Você não devia descuidar de sua saúde, senhorita... — Kohaku comentou preocupado segurando sua xícara de chá — Quero dizer, uma dúzia inteira por dia é um pouco de exagero.
—Mas eu não estou comendo tudo isso! — defendi-me arregalando os olhos, alguém aqui por acaso está me ouvindo?! Vire-me para Sota — Sota! Diga a eles!
Sota encolheu os ombros.
—Seja qual for a quantidade de ovos que você anda comendo por dia, ainda é muito.
Fiz uma careta, eles não estão nem sequer me ouvindo!
—Pare de ficar emburrada, nós só estamos preocupados — Sango girou os olhos. — Não queremos que volte a comer ovos crus até sofrer uma intoxicação de novo, como quando nós brigamos.
—Intoxicação?! — alarmou-se Sota — De novo?!
—Eu não tive intoxicação alguma! — neguei veementemente.
—É verdade. — Kohaku concordou solicito — Só comeu ovos crus até vomitar e depois continuou comendo mais ovos crus, por dias a fio.
—Kagome! — Sota bateu as mãos na mesa.
Lancei um olhar irritado a Kohaku... Mas é impossível ficar realmente brava com ele.
Suspirando recostei-me à cadeira, dando-me por derrotada.
—E como andam as coisas na faculdade? — perguntei desanimada, mais para mudar de assunto do que por interesse genuíno.
Isso levou Sango a fazer uma careta.
—As coisas andam... Quietas. — respondeu.
—Quietas? — repeti — Quietas como?
—Ninguém está falando de nada do que aconteceu. — respondeu com uma expressão cada vez mais carregada. — Não precisa se preocupar.
—É verdade. — Kohaku concordou com um sorriso pacifico — É como se nunca tivesse acontecido.
Mas... À uma hora dessas já era de se esperar que todos na faculdade não falassem de outra coisa que não fosse o que ocorreu no vestiário, mas se ninguém está falando de nada... É quase como se eles tivessem sofrido lavagem cerebral!
De repente levei um peteleco na testa.
—Esqueça essa paranoia! — Sango me repreendeu.
—Desculpa. — esfreguei a testa — Então... Ninguém está perguntando por mim? Ninguém?
—Na verdade Kikyou está sendo muito irritante sobre isso, querendo saber o hotel em que você está e ela "sabe que você está na cidade porque eu fico saindo todo dia para te ver". — ela me respondeu impaciente girando os olhos — E Kouga também esteve perguntando.
—Quem é Kouga? — Sota perguntou zeloso.
—O lobo. — Kohaku respondeu bebendo seu chá.
—Ah.
Eu nunca tinha reparado nessa superproteção do Sota antes, então eu estava mesmo certa tempos atrás... Ele realmente manteve-me "cercada" durante toda minha vida, para impedir que garotos se aproximassem de mim.
Mas bem, ele até mesmo mandou Kohaku ficar de olho em mim e mantê-lo atualizado, afinal não foi o que ele disse três dias atrás quando meu pequeno castelo de cartas desabou?
Kohaku até mesmo enviava vídeos a ele, como aquele vídeo onde Kouga — Codinome: O lobo — estava dando aquela bolsa de presente para Ayame. Não que alguma coisa disso ainda importe.
—E mais alguém perguntou sobre mim? — perguntei suplicante.
Claro que Sango entendeu, ela já havia entendido desde o começo afinal, mas mesmo assim tinha preferido se esquivar.
—Não. — respondeu-me com lástima — Sinto muito.
Então Inuyasha não perguntou sobre mim.
Ele realmente não quer saber mais nada de mim... Acho que ele provavelmente me detesta agora.
—Tudo bem. — suspirei quebrando mais um ovo e comendo-o.
Sota olhou-nos intrigado, mas nem uma de nós voltou a falar, assim como Kohaku também, que preferiu beber seu chá.
Sango e Kohaku já haviam matado aula só para irem até ali me ver, então eu não vi mal algum em convidá-los para nos acompanhar também em nosso tour a Asakura hoje — E Sota achou que eu já tinha esquecido, até parece! — o que os deixou bem felizes, até.
Tiramos fotos, compramos lembrancinhas e Sango comeu de tudo um pouco até passar mal, só mesmo Sota é que não entende a satisfação de poder visitar um lugar como o templo Senso-ji, mas até mesmo ele tinha que admitir que, no final, acabou se divertindo também.
...
Kouga apareceu no quinto dia.
Kouga prostrou-se diante de nós, de joelhos como as pontas dos dedos das mãos encontrando-se e curvando-se até grudar a testa no chão.
—A Senhora Suzuka e eu lamentamos muito!
—K-Kouga! — eu levantei-me apressada.
Atrás de mim, ainda sentado na cama, Sota estalou a língua.
—Então esse é o lobo. — disse — Mas quem é a Senhora Suzuka?
—Esqueça isso. — eu girei os olhos e empurrei os ombros de Kouga para trás tentando fazê-lo levantar — Kouga levante!
Ainda de joelhos Kouga sentou-se sobre os calcanhares.
—Kagome, a Senhora Suzuka realmente lamenta muito por tudo o que aconteceu, afinal ela havia dado a palavra dela de que, se você participasse dos desfiles dela, seu segredo estaria seguro.
—Mas... Mas a Senhora Suzuka não teve nada haver com aquilo! — afirmei.
Atrás de mim Sota pigarreou.
—Um pouco de contextualização aqui seria bom. — comentou.
—Ah, claro. — virei para ele e indicando Kouga com a palma da mão virada pra cima expliquei — Sota. Este "lobo" é Takaiama Kouga, filho da renomada designer de joias Takaiama Suzuka, ambos conheciam minha identidade, e a Senhora Suzuka me deu sua palavra de que protegeria meu segredo se eu participasse de seus desfiles.
—Muito ético. — Sota ironizou.
—Sim, pois é. — dei de ombros — Em fim, acontece que Naraku, aquele cara que causou toda a confusão no vestiário, era filho do investigador particular da Senhora Suzuka, e por isso... Ela se sente... Responsável?
Fui me dando conta lentamente enquanto falava e olhei surpresa para Kouga, que confirmou com um meneio desanimado de cabeça.
—E ela lamenta muito. — repetiu.
Ergui as mãos nervosamente.
—Mas a Senhora Suzuka não tinha como saber! Ela nem sequer estava lá!
—Ainda assim ela ficou realmente furio... — ele tossiu — Sentida. Com tudo o que aconteceu, sim, muito sentida. E Naraku ficou em maus lençóis por causa disso, ou melhor, péssimos lençóis.
—Por quê? — perguntei surpresa — O que ela fez com ele?
Em minha mente eu já via um atirador profissional com um rifle de mira laser apontado direto para as costas de Naraku.
—Com ele? Nada diretamente... Mas ela fez questão de demonstrar todo o seu descontentamento a Onigumo, e sabe, ninguém na face da terra gostaria de ver a Senhora Suzuka "descontente", ela descartou os serviços dele permanentemente, também descartou os serviços da filha dele de suas passarelas, e exigiu que sumisse das vistas dela imediatamente, o que é basicamente a mesma coisa que bani-lo para algum exílio bem distante do Japão eu creio, do contrário os arruinaria por completo... De qualquer forma, não vejo Naraku desde então.
—A-assustador! — Sota engasgou-se.
Concordei apavorada.
—É, bem, não se deve enfurecer a Senhora Suzuka, e Naraku cometeu logo a idiotice de mexer com você que estava sob a proteção dela. — Kouga encolheu os ombros. — Embora ela também tenha ficado bem irritada comigo.
—Com você?! — surpreende-me — Por quê?
—Bem... A Senhora Suzuka podia até não estar lá e não tinha como evitar nada do que aconteceu, mas eu por outro lado... — Kouga levou a mão à parte de trás do pescoço.
—Mas...! Mesmo estando lá você também não tinha como saber! — afirmei arregalando os olhos — Você não é nenhum vidente!
Ou será que é?
—Não, não sou, mas mesmo assim... — ele suspirou pesadamente — Ela disse que agora que a bomba já havia explodido era minha responsabilidade garantir que ela causasse o mínimo de danos colaterais possíveis, e deu-me a tarefa de recolher os destroços, pelo menos dentro do campus.
—O que quer dizer com isso? — franzi o cenho.
—Hum... Nada demais, só tive que usar minha conta pessoal para prestar alguns favores bem generosos para manter os membros do time quietos, e eles também assinaram um contrato, é claro, de forma que se abrirem a boca serão processados e até os netos de seus netos ainda estarão em divida conosco. Em outras palavras, ninguém viu nem ouviu nada. Nunca aconteceu.
Claro, então por isso é que ninguém estava comentando sobre o ocorrido.
Eu estava certa, no final as pessoas na faculdade sofreram mesmo uma "lavagem cerebral".
—Favores generosos? O que isso quer dizer? — Sota questionou.
—Quer dizer que ele saiu distribuindo uma pilha de cheques bem gordos por aí. — expliquei.
—Mas... Gordos quanto?
—Isso não ao caso. — suspirei, embora eu também estivesse curiosa.
—Hum... Quanto? — Kouga ficou pensativo — Não sei dizer ao certo...
Claro que, como sempre, ele não tem a menor noção de o quanto gastou por aí, suspirei novamente.
—Ah! — Kouga pareceu lembrar-se de algo — Mas acho que o treinador, que recebeu o dobro dos outros, disse algo sobre poder se aposentar mais cedo agora...
—Kouga! — arregalei os olhos.
—Claro que ele estava exagerando. — ele tentou amenizar — Nem foi tanto dinheiro assim, imagine só, se aposentar com tão pouco! As pessoas sempre exageram sobre o dinheiro...
Ou vai ver que você é que não tem a mínima noção de quanto gasta.
—E eu nem tive que pagar ao time inteiro também. — prosseguiu
—É mesmo? — perguntei cética. — E quem você não precisou pagar para ficar quieto?
—Eu não precisei pagar o Naraku, por motivos óbvios. — afirmou.
—Só? — perguntei entediada.
—Não. — prosseguiu — Também não tive que pagar ao Kohaku, já que ele não aceitou pagamento algum.
—É mesmo? — sorri ternamente.
Claro que ele não aceitou, Kohaku é sempre muito gentil, e um verdadeiro cavalheiro afinal.
—É, mas a irmã dele pareceu bem contrariada com isso. — Kouga completou.
O que?!
—Sango queria dinheiro para não falar nada?! — perguntei boquiaberta.
—Hum... Não exatamente. — ele encolheu os ombros — Segundo as palavras dela, "mesmo que nenhum deles fosse contar nada, alguns milhares de dólares a mais na conta não fariam mal algum".
Atrás de mim Sota conteve uma risada.
—Claro que ela disse isso. — disse consigo mesmo.
—Espere, você os pagou em dólares?! — de repente dei-me conta.
—Para a maioria sim, menos o treinador que preferiu moeda nacional.
E Sango e Kohaku não me falaram de nada disso!
Mas... Vai ver que estavam apenas tentando me proteger, como eles sempre fazem.
—E você recebeu isenção de pagamento de mais alguém? — perguntei um tanto desinteressada.
—Só mais uma pessoa.
Kouga respondeu de repende de uma maneira tão séria, que eu simplesmente não pude evitar ter minha atenção capturada novamente.
—É mesmo? Quem?
—Inuyasha. — Ele nem sequer chamou-o de "Cara de Cachorro" ou qualquer coisa do gênero dessa vez — Ele disse... Ele disse que mesmo que você não confie nele a esse ponto, não seria preciso lhe pagar coisa alguma para mantê-lo quieto. Porque ele não queria ter mais nada haver com essa história. E... Também não quer saber mais nada de você.
Olhei-o abismada.
—Inuyasha pensa que eu pedi para você dar dinheiro a ele para mantê-lo quieto?! — perguntei incrédula.
Kouga mexeu-se desconfortável, parecendo constrangido.
—Sinto muito. — murmurou.
—Eu não acredito nisso. — balbuciei comigo mesma, quase sem ouvi-lo.
Primeiro Inuyasha sentiu-se completamente enganado por mim com minha identidade dupla Kagome/Sota e achou que eu não confiava nele por ter sido o único a quem não contei a verdade, eu inclusive disse a ele que Kouga me viu em roupas de baixo — por que eu disse uma coisa dessas a eles?! — e agora Kouga apareceu na frente dele oferecendo uma mala de dinheiro para mantê-lo calado e ele pôde ter certeza absoluta de que eu definitivamente não confio nele. Por isso não perguntou a meu respeito para Sango ou Kohaku. Porque ele já não quer saber mais nada de mim e nem ter mais nada haver comigo.
Está tudo acabado.
Kouga ainda estava falando, ele estava me dizendo alguma coisa, com algum esforço eu tentei voltar a me concentrar nele.
—Desculpe. — disse — O que dizia?
—A Senhora Suzuka me deu instruções de cuidar para que as fofocas não se espalhassem, pelo menos dentro do campus. — ele repetiu — Enquanto ela cuidou para que nada disso se espalhasse fora do campus.
—Fora? — Sota repetiu.
—Naraku já havia deixado tudo preparado, ele já planejava revelar tudo no dia do jogo, embora eu tenha a leve suspeita de que ele planejava fazer isso no meio do jogo de algum jeito, Sota ter chegado lá no exato dia foi apenas um bônus. — Kouga suspirou. — Mas ele já tinha enviado a notícia para uma meia dúzia de tabloides e revistas de fofocas, mas a senhora Suzuka cuidou disso.
—Ela cuidou... — eu olhei-o inexpressiva — Mas cuidou como?
E eu não estava imaginando dezenas de jornalistas e editores de tabloides e revistas sumindo misteriosamente sem deixar pistas, definitivamente não estava mesmo.
Kouga encolheu os ombros.
—Alguns favores generosos aqui, umas ameaças de processos ali, o de sempre. — respondeu — Minha mãe disse que a sua fama certamente teria duplicado com algo assim, mas ela considerou que esse seria o tipo errado de atenção então achou melhor intervir, de qualquer forma é por isso que ninguém ouviu falar de nada disso e sua foto não está espalhada por todo o país. Não mais que o normal.
—Entendo. — eu comecei a me levantar — Diga à Senhora Suzuka que sou grata por tudo.
—Eu só queria falar-lhe disso antes que fosse embora para que não se preocupasse. E parece que cheguei bem a tempo.
Ele também se levantou lançando um olhar às nossas malas, ainda vazias, sobre a cama de Sota.
Na verdade nós só íamos embora depois de amanhã, mas Sota insistiu para que já começássemos a arrumar nossas coisas ao invés de "deixar tudo para cima da hora e corrermos o risco de acabarmos nos atrasando e perdendo o trem".
—Claro obrigada. — eu abri a porta.
—Kah? — Sota me chamou — aonde vai?
—Comer alguns ovos crus. — suspirei saindo.
Dois dias mais tarde Sota e eu fizemos nosso checkout.
—Você pode tentar de novo no semestre que vem. — Sango tentou me animar quando a encontramos em frente à estação de trem. — Mas dessa vez como sua própria identidade... Talvez?
Balancei a cabeça.
—Para essa eu não volto mais. — respondi — Além do mais... Acho mesmo que vou dar um tempo e... Só tentar a faculdade quando tiver realmente idade, entendem?
Dei um riso sem humor.
—Se é assim que as coisas são, eu e a mana sentiremos sua falta. — Kohaku afirmou.
Ele havia vindo para se despedir de nós porque não voltaria para casa no trem conosco, ao invés disso ele percorreria a distância de moto.
Ah sim, e ele também veio para despachar a bagagem dele junto com a da irmã.
Eu sorri.
—Kohaku, você falando assim nem parece que nos veremos de novo daqui a algumas horas quando chegarmos a casa. — afirmei — Além disso, são férias de verão, você e Sango ainda me terão por perto por umas semanas antes de terem que se despedir de mim.
Kohaku sorriu-me de leve.
—Tem razão senhorita. — concordou.
À minha esquerda Miroku colocou no chão a última mala de Sango tirada do carro dele.
—E essa foi a última! — ele ofegou estalando as costas ao se levantar.
Sango passou a mão em sua cabeça.
—Bom menino. — disse — Agora só vai ter que colocá-las no carrinho e empurrá-las até o embarque.
—Querida Sango, tenha piedade! — ele reclamou.
—Vamos Miroku, lembre-se que vou estar fora durante o mês todo, achei que gostaria de aproveitar o máximo o tempo que ainda nos resta. — ela sorriu docemente.
Por que tenho a impressão de que Sango só pediu carona ao Miroku, ao invés de vir de moto com o irmão, para usá-lo como carregador de malas?
―Quem sabe talvez eu vá te visitar? ― Miroku sugeriu segurando as mãos de Sango ― Já está mesmo dando a hora de eu conhecer meus sogros...
―Para com isso, são só umas semanas ― Kohaku reclamou ― Além do mais tem certeza que quer ir visitá-la em nossa casa? Sabe, meu pai me ensinou tudo o que eu sei...
Miroku começou a empalidecer, e Sango puxou a bochecha do irmão.
―Ei você! Se comporte e se seja o ursinho fofo que você é com todo mundo, hoje é o ultimo dia do semestre!
―Ai! Ai! Thudo bem mana, thudo bem! ― ele se rendeu, massageando a bochecha quando Sango o soltou. ― Toma Miroku, pode ficar... É uma oferta de paz. ― resmungou contrariada dando a ele a Coca Cola que tinha acabado de comprar, e virando-se para Sango e eu se despediu tocando o topo de nossas cabeças ― Nós nos vemos em casa, tomem cuidado.
Sota, que também havia terminado de tirar nossas malas do táxi e colocá-las no carrinho — detalhe que nós chegamos depois de Sango, Miroku e Kohaku e Miroku já estava tirando as malas de Sango do carro quando chegamos — empurrou o carrinho até o nosso lado e girou os olhos.
—Nós vamos viajar de trem, você é que tem que ter cuidado cruzando o país em cima de uma moto.
Isso me fez sorrir, Sota pode ter ficado irritado com Kohaku pelo que aconteceu, mas parece que já está tudo bem agora, Kohaku voltou a sorrir, deu-me duas tapinhas afetuosas na cabeça e então começou a se afastar.
―E não pilote muito rápido! ― Sango gritou para ele, vendo-o ir embora ao que Kohaku sorriu acenando de volta.
―Espere! O tempo todo você só precisava dizer a ele para me deixar em paz? ― Miroku perguntou desconcertado, erguendo a mão ― Por que é que você nunca fez isso antes?!
Sango estalou a língua.
―Na verdade eu nunca tinha tentado isso antes.
―Pois é... Não acredito que deu certo. ― falei impressionada.
―Bem... Que seja. ―Miroku suspirou abrindo a garrafa de coca-cola...
Que entrou em erupção como um vulcão, ah... O velho truque da bala de mentos preso num barbante debaixo da tampa.
―É, parece que não deu. ― Sango lamentou.
―Ah...! Ah...! Mas como é que ele fez isso?! ― Miroku praguejou tão surpreso que nem sabia o que fazer com a garrafa que continuava a entrar em erupção em suas mãos ― Eu o vi comprando essa coisa!
Agora fico imaginando se por acaso Kohaku, de alguma forma, fez amizade com todos os atendentes de todas as lojas de conveniência de Tóquio.
Sango e eu suspiramos.
*.*.*.*
Meu Deus do céu! Nem consigo acreditar que levei OITO MESES para conseguir escrever esse capítulo! O.O
Mas vocês não acreditariam na sucessão de eventos que me aconteceu para atrasar-me aqui, primeiro, eu empaquei (é, de novo), empaquei por DOIS MESES! Eu escrevia, mas apagava tudo de novo quase que imediatamente depois.
Finalmente em janeiro consegui começar a escrever sem apagar a maior... E aí adoeci.
Fiquei dias de cama passando mal (nem sei do que), quando finalmente melhorei... Percebi que não conseguia escrever, aquilo me assustou um pouco, porque não era como se eu estivesse simplesmente empacada (como sempre) eu estava com um estafa mental tamanha que era sem precedentes, eu não apenas não conseguia escrever, era como se minha cabeça tivesse cansado de escrever, um cansaço absoluto que me apavorou.
Eu fiquei até com medo de não conseguir escrever nunca mais O.O
Levou tempo, mas finalmente fui voltando ao normal aos poucos e escrevendo um pouquinho aqui e ali... E BUM! O Computador quebrou! (haja paciência), só voltei a ter computador quando as aulas reiniciaram, e já começaram numa correria doida, de trabalho pra cá, prova pra lá, aí lá estava eu, já com a cabeça cheia da faculdade e meu gato adoeceu, agora eu estava preocupada com ele E com a faculdade, corre pra veterinário daqui, quase perde a mão tentando enfiar ele numa caixa de transporte ali... De novo, as coisas estavam começando a se acalmar e BUM! Ela é o Cara foi plagiada! -_-
Parei tudo pra conseguir resolver esse problema.
E depois vieram as provas, acaba a primeira avaliação mal tive tempo de respirar e já me veio a segunda.
Em fim, esses últimos meses foram um verdadeiro caos. (suspiro) E depois das férias a tendência é só piorar já que será o último semestre e junto com ele o tão temido TCC (SOCORRO)
.
.
.
Em fim, deixando de lado esse mundo caótico que eu chamo de vida, vamos falar aqui sobre o capitulo!
Eu fiquei pesquisando muito em sites de turismo do Japão para escrevê-lo kkkk Ah! E uma pequena curiosidade, para quem não sabe Hashiko foi um cachorro que se acostumou a sempre ir esperar por seu dono em frente à estação Shibuya, mas certo dia seu dono não retornou, pois havia falecido, mas Hashiko continuou a esperar por ele lá por quase uma década inteira até o dia de sua morte, sua história comovente de lealdade gerou filmes (o mais recente é um remake intitulado "Sempre ao seu lado" ) e uma homenagem em forma de estátua, posta em frente a estação Shibuya exatamente onde Hashiko costumava ficar a espera de seu dono.
Hashiko era da raça Akita Inu, que também é a mesma raça de cachorro na qual Rumiko Takahashi baseou o Inuyasha.
.
.
E agora, sem mais delongas...
Respostas as Review's:
Agome chan: kkkkk O Inuyasha pode não ter descoberto antes, mas agora não teve mais jeito.
Sota e Inuyasha ficaram bem zangados com toda essa grande confusão da Kagome (por motivos diferentes, mas ficaram), infelizmente eu não sou uma pessoa violenta (?) e nenhum dos dois acabou batendo no Naraku.
Mas pelo menos o soco do Kohaku foi lindo!
Muito obrigada pelo apoio com a história do plágio, a história foi excluída sim, não só a história como o perfil inteiro também (só não sei se pelo próprio spirit ou pela usuária depois de perceber que tinha sido flagrada).
K: O Inuyasha ficou realmente bem sentido com tudo. :'(
A faculdade com certeza ia ligar para a mãe da Kagome sim, mas pelo menos ela ligou antes para dar a sua própria versão dos fatos... Que não melhora muita coisa. -_-'
E agora você já sabe qual foi a reação do Sota e do Inuyasha. ;)
kagomehig20: kkkk Que bom que achou o Inuyasha fofo! 3
Sim, sim, na hora que o inu viu a Kagome com a Kikyou ela estava sim vestida de Sota.
Realmente o Naraku pegou pesado, não é? Mas a verdade tinha que vir a tona alguma hora...
Pode sim, e fiz, Kagome saiu da faculdade!
Guest: olá, desculpe pela preocupação, a história com o plágio foi resolvida e estou de volta à ativa.
