Capítulo Cinquenta e Um
And The World Goes Round
A porta abriu sob a mão de Percy. Hmmm. Isso não devia ter acontecido... Pensou. Cautelosamente, espiou a sala de estar semi-iluminada. Eu não deixei nenhum fogo acesso. Seus olhos vagaram pelo cômodo, e uma sobrancelha se ergueu lentamente.
- Como foi que você entrou? – perguntou.
- Você realmente acha que Grifinórios e Sonserinos são os únicos que têm uma carta na manga? – uma voz gentil e zombeteira respondeu.
Percy fechou a porta atrás de si e se escorou nela, examinando a mulher loira e esguia que ocupava sua poltrona favorita.
- Não, suponho que não.
- Esses feitiços que você colocou na porta podem ser o bastante para intimidar bruxas e bruxos normais...
- E você dificilmente é uma bruxa normal. – Percy riu. Tirou a capa dos ombros e a pendurou cuidadosamente em um gancho próximo à porta. – Eu preciso ensinar charadas mais complexas à maçaneta.
- Pfft. – a mulher dispensou. – Você roubou essa ideia do nosso dormitório.
- Uma ideia excelente, também. – Percy bufou. Foi até a poltrona, colocando uma mão em cada braço e se inclinou para frente, gentilmente beijando a mulher lá acomodada. – A que eu devo a honra de sua presença, Pen?
Penélope Clearwater puxou os braços de Percy até ele ceder e se acomodar com ela na poltrona.
- A ideia de diversão da minha colega de quarto é organizar a gaveta de meias. – reclamou.
- Sua colega de quarto não é Marion Trimbill, do seu ano? E ela também não estava na Corvinal?
- Sim e, na verdade, acabei descobrindo que ela é completamente tediosa.
Percy segurou um dos cachos de Penny entre seus dedos e o puxou até ficar quase completamente liso, soltando-o para que voltasse ao lugar.
- Ela era sua melhor amiga na escola.
- Eu sei. – Penny se remexeu um pouco. – Mas até você faz algo maluco de vez em quando.
Percy jogou a cabeça para trás e riu.
- Aquele restaurante de caril¹ em Piccadilly Circus foi uma aventura em tanto, não foi?
- Mais que isso. – Penny retorquiu secamente. – Achei que ia sair fumaça de suas orelhas.
Percy ergueu a mão e começou a massagear a nuca dela.
- Pronta para mais aventuras?
- Absolutamente.
Percy inclinou a cabeça para olhar para Penny.
- Quer almoçar comigo no domingo?
Penny mordeu o lábio duvidosamente.
- Você não almoça com sua família aos domingos?
- Sim.
Ela se recostou mais um pouco.
- Você sequer mencionou que tem me visto?
Percy brincou com o cabelo de Penny.
- Não. – admitiu envergonhadamente.
Penny olhou reprovadoramente para Percy.
- Nos últimos cinco meses, não houve sequer uma oportunidade de simplesmente afirmar, "mãe, pai, estou vendo alguém"? Nem uma pequena brecha na conversa?
Percy se ergueu da poltrona. Andou ao redor da sala, que não era muito ampla. Prendeu o nó da gravata entre os dedos, afrouxando-o um pouco, um sinal claro de inquietude.
- Nunca pareceu ter um momento certo. – explicou. – Primeiro, as investigações das minhas ações... Ou a falta delas pelos últimos três anos. Depois, Harry se feriu e George desapareceu. E os julgamentos dos Comensais da Morte começaram... – ergueu os óculos, esfregando os olhos cansados. Percy se ajoelhou em frente à poltrona e descansou as mãos nos joelhos de Penny. – Não escondi informações da minha família por vontade própria. – pausou para deixar Penny absorver o que tinha dito. – Venha almoçar comigo no domingo. Conheça o resto da minha família maluca. – Percy suplicou levemente. – E, com sorte, você não vai sair correndo na direção oposta, gritando.
Penny estudou o rosto de Percy intensamente, mas este estava livre de culpa.
- Tudo bem.
-x-
Harry se sentou abruptamente, seu cabelo mais bagunçado que o normal. Pegou o relógio do criado mudo e apertou os olhos para ele. Soltou o ar com alívio ao ver a hora. Passava um pouco da sete da manhã. A luz da manhã se esgueirava pelas cortinas fechadas do quarto de Ron.
O dia da mudança.
Qualquer coisa que Harry estivesse levando para o novo apartamento e que ainda não estava lá, estava empilhado no antigo quarto de Bill. Caixas de pratos, copos, toalha de mesa, toalha de prato, panelas, potes... O bastante para que a cozinha de Harry fosse considerada completamente funcional. Molly estava determinada a ver que pelo menos um de seus filhos fosse capaz de se alimentar propriamente. Fora ela que estudara os catálogos, marcando páginas para ele. No fim, Harry apenas lhe disse para comprar o que ela achasse necessário. Ele tinha que guardar suas roupas e livros, antes que Dean, Seamus, Neville, Luna e Hermione chegassem. Apenas na noite anterior Harry se dera conta de quanta roupa passara a possuir durante o último ano. Ele dava os créditos a Molly por isso também. O armário em que guardava suas roupas estava cheio de calças jeans, camisetas, camisas de vários estilos, suéteres, meias. Alguns pares extras de sapatos, incluindo tênis. Até mesmo algumas jaquetas. E nenhum par de vestes bruxas a vista. Gradualmente, ela tinha não apenas substituído todo seu guarda roupa, como o de Ron e George também. Molly tinha um olho excelente para caimento e tamanho e, pela primeira vez em sua vida, todas as roupas de Harry eram do tamanho certo, não apenas seu uniforme da escola. Molly podia ser a primeira a admitir que tinha se deixado levar com as roupas, mas Harry não podia culpá-la. Era a primeira vez que eles tinham como comprar algo novo, apenas deles, sem ter de esperar que não servisse mais em um irmão mais velho.
Harry olhou para as sombras no teto, o pensamento de que à essa hora na manhã seguinte, estaria acordando em sua cama nova, em seu próprio quarto, brincando em sua cabeça. Desistindo da ideia de voltar a dormir, Harry afastou o cobertor e rolou para fora da cama. Distraidamente, desceu as escadas até o banheiro, tomando um banho rápido, se amaldiçoando quando percebeu que não trouxera um par limpo de roupas. Suspirando, enrolou a toalha na cintura e colocou a cabeça para fora do banheiro. O patamar estava deserto, então desceu as escadas correndo, dando um encontrão em Ginny, que estava subindo para o banheiro.
Eles cambalearam na escada, segurando nos braços do outro para que não caíssem. A toalha, não tendo sido presa com muito cuidado, foi ao chão, se amontoando aos seus pés. O rosto de Ginny corou e ela manteve os olhos fixos em uma gota d'água correndo pelo ombro nu de Harry. A gota d'água foi mais para baixo e por mais que Ginny tentasse não seguir o mesmo caminho, seus olhos foram para baixo, antes de voltar rapidamente a fixar o pulso agitado de Harry, visível na dobra de seu pescoço.
- Eu vou... – Harry engasgou, se abaixando e cegamente pegando a toalha. Pegando-a com uma mão, ele a prendeu novamente na cintura, dessa vez a mantendo ali com a mão. – Te vejo no café. – murmurou, dando a volta ao seu redor, e praticamente correndo o resto do caminho até o antigo quarto de Bill.
Ginny se virou para observá-lo, uma pequena ruga aparecendo brevemente entre suas sobrancelhas, antes de sumir. Parte de si queria segui-lo, e arrancar a toalha de suas mãos. A outra parte queria ir para o banheiro e fechar a porta, e tentar esquecer isso tudo. Então, decidiu ficar onde estava, desejando que pudesse trocar de lugar com aquela gota d'água.
-x-
Harry ouviu Ginny voltar quietamente para o quarto. Sua mão tremeu ao redor da aba de uma caixa quase cheia. De todas as vezes que tinha imaginado Ginny o vendo nu, nenhuma delas tinha tomado forma nas escadas d'A Toca. Os Weasleys não ligavam de tomar o café da manhã usando pijamas e mais frequentemente do que o esperado, o cinto do roupão de Ginny se recusava a ficar preso, mesmo que ela desse um nó, deixando a camisola exposta. Andar de pijama pel'A Toca era normal. Entretanto, andar pela casa usando apenas uma toalha não era.
Harry esfregou as mãos no rosto. Pelo menos na manhã seguinte, não teria que se preocupar se sua toalha estava no lugar ou não.
Continuou a guardar os livros nas caixas que tinha enfeitiçado. Todos os livros que usara na escola. Todos os livros, cadernos profissionais e revistas que comprara desde que começara a trabalhar no Departamento de Aurores. Ergueu a caixa para testar. Sua habilidade de enfeitiçar objetos como caixas e malas não era tão boa quanto à de Hermione, mas tinha melhorado nos últimos meses. Notando que o fundo da caixa ia aguentar, e que não era muito difícil de carregá-la, Harry acenou a varinha para as abas das caixas, que se fecharam. Começou o processo de guardar suas roupas em uma mala grande, sem se importar se elas se amassassem.
- A mãe disse que o café está pronto. – Ron disse atrás de si, a voz ainda um pouco rouca por causa do sono. Olhou ao redor do quarto maravilhado. – Há quanto tempo está acordado?
- Que horas são?
- Oito e meia.
- Mais de uma hora... – Harry colocou os sapatos dentro da mochila que usara na escola. – Neville, Seamus e Dean falaram que iam chegar por volta das dez. Ginny disse que Luna provavelmente chega as nove e vai tomar o café com a gente.
- Depois de ver o que o pai dela chama de cozinhar, eu não estou surpreso. – Ron respondeu. – Hermione acabou de chegar, se quiser ajuda para guardar tudo isso.
- Estou quase acabando. – Harry respondeu. Por algum motivo que não sabia explicar, queria fazer isso sozinho. Fechou a mochila e a colocou no chão, ao lado da caixa de livros. – George...?
Ron balançou a cabeça.
- Domingo passado eu perguntei a ele o que iria fazer com a loja hoje, desde que eu ia te ajudar a se mudar, mas ele apenas balançou a cabeça e disse que não planejava abrir hoje mesmo. – encolheu os ombros como se sua camiseta estivesse muito apertada nos ombros. – Eu disse que achava mesmo que ele não ia querer.
- Bom dia, Harry. – Hermione interrompeu, subindo as escadas. Deu-lhe um leve beijo na bochecha. – Tudo pronto, eu vejo.
- Puramente para que eu não precisasse escutar seu sermão sobre fazer as coisas em cima da hora. – Harry retorquiu. Olhou para o teto. – Eu sei que George disse que não tinha problema, mas não consigo evitar me sentir culpado por fazer isso hoje. – murmurou, gesticulando para a pilha de caixas. – Eu não me lembrei de que era o aniversário deles até depois de ter assinado tudo.
- George não... – Ron começou. Correu uma mão pelo cabelo. – O natal vai parecer brincadeira de criança comparado a hoje. E George não quer que façam alguma coisa. Qualquer coisa que possamos fazer, apenas o lembra... – olhou pela janela, o maxilar tenso.
Os três ficaram em silêncio. Harry supôs que fosse como perder um braço ou uma perna, ou alguma parte vital de seu corpo, que possuíra a vida toda e que fora abruptamente retirado, sem qualquer tipo de aviso. Uma vez entreouvira Olho Tonto comentar durante uma reunião da Ordem da Fênix que o pé que perdera ainda coçava ao ponto de doer e quase o enlouquecia o desejo de coçar e conhecimento de que não podia.
Ron pigarreou.
- Café da manhã?
- Sim. – Harry desceu as escadas, incapaz de suprir a pequena bolha de animação crescente. Uma jornada acaba e outra começa, disse a si mesmo. A vida é assim, eu suponho...
-x-
Ginny ergueu os olhos de seu prato à mesa. Estava no meio do processo de passar manteiga em sua torrada quando Harry passou pela porta. O braço de Ginny deu um solavanco e seu cotovelo bateu no pote da manteiga, mas Harry tirou a varinha do bolso e o enfeitiçou. O pote deslizou pela mesa para uma localização menos perigosa. Ginny murmurou algo indistinto e enterrou o nariz em sua xícara de chá. Ron se inclinou, sua boca perto da orelha de Hermione.
- O que foi isso? Gin não derruba a manteiga da mesa desde...
- Não. Pergunte. – Hermione avisou.
- Aqui está, queridos. – Molly disse um pouco alegre demais. Começou a servir ovos e salsichas aos pratos deles, surda para os murmúrios de protesto perante a quantidade de comida empilhada. Círculos escuros estavam ao redor de seus olhos e ela parecia distraída por algo no jardim. Empurrou a comida pelo próprio prato e conseguiu comer uma ou duas mordidas de torrada. A maior parte do tempo, Molly ficou olhando para fora de uma das janelas da cozinha, segurando uma xícara entre suas mãos, o chá esfriando.
Harry, Ron, Ginny e Hermione tomaram o café da manhã rapidamente, trocando olhares de culpa. Sabiam que deviam diminuir um pouco o ritmo, para esperar a chegada de Luna, mas a expressão no rosto de Molly os deixou inquietos. Durante os dias antes ou depois do funeral de Fred, Molly exibira o nível de desânimo que demonstrava agora. A cabeça de Ron indicou a porta e os quatro recolheram seus pratos e talheres, colocando-os na pia, antes de irem para a sala de estar. Entretanto, Ginny parou ao lado de Molly e passou um braço ao redor dos ombros levemente caídos de sua mãe. Inclinou a cabeça contra a de Molly, as mechas ruivas das duas brilhando sob o sol. A cabeça de Molly se virou levemente, encontrando a expressão preocupada de sua filha. Ela sorriu um pouco e colocou uma mão sobre a bochecha de Ginny.
- Vai passar. – Molly disse quietamente, beijando a testa de Ginny. – Vá em frente.
Ginny a olhou duvidosamente.
- Posso ficar... – começou hesitantemente, mas Molly dispensou.
- Eu vou ficar bem. Vá ajudar Harry a arrumar as coisas.
Ginny mordeu o lábio, mas assentiu, seu braço se apertando ao redor de Molly em um breve abraço, antes de se juntar a Harry, Ron e Hermione.
- Você vai levar as coisas da casa dos seus pais? – Hermione perguntou a Harry.
Harry empalideceu levemente.
- Erm... Eu não pensei realmente sobre isso. – respondeu fracamente. De fato, tinha considerado levar os livros, cartas e fotografias que encontraram, mas quando fora ao portão para recolher tudo e levar ao quarto de Bill, não conseguira se forçar a pegar sequer uma caixa. Não conseguia afastar a sensação de que estava violando o túmulo deles, então deixou todas as caixas para empoeirar no portão d'A Toca junto com as coisas dos Weasleys.
- Por que não trazemos as coisas de Harry aqui para baixo, para não perdermos tempo quando os outros chegarem? – Ginny sugeriu, mudando de assunto. – E como vamos levar tudo isso para Londres, hmm? Luna e eu ainda não passamos nossos testes para aparatar. Não tenho certeza sobre Seamus, por que não aprendemos como ano passado, e ele não tinha prestado o teste antes das aulas começarem. Neville tem sua licença, eu acho, e Dean também. – falou praticamente. – Vocês não vão querer aparatar Luna, Seamus e eu o dia todo, querem?
- A lareira está funcionando. – Harry disse rapidamente. – Vamos usá-la.
- Brilhante. – Ron murmurou, subindo as escadas. – O que estamos esperando?
-x-
Dean colocou a última caixa no chão com um leve grunhido.
- Não sabia que você tinha tanta coisa. – falou para Harry.
- Eu não tinha até duas semanas. – Harry suspirou. Olhou ao redor para a confusão de mochilas, caixas e a bagunça geral que aparecia quando alguém se mudava para uma casa nova. – Godric, por onde começamos? – perguntou perplexamente.
- Eu fico com a cozinha. – Ron voluntariou.
- Por quê? Você aprendeu a cozinha um pouco e, de repente, é um especialista em montar e organizar cozinhas? – Ginny zombou.
- Mais do que você. – Ron retorquiu. A orelha dele manteve a cor de sempre. Mera provocação entre irmãos. Ele acenou a varinha para algumas caixas e elas se ergueram no ar. Ele as direcionou para a cozinha, caminhando atrás das caixas.
- Eu tenho um presente de boas vindas para você. – Neville disse a Harry, erguendo uma mochila encardida.
Harry olhou duvidosamente para a mochila, esperando que não fosse alguma espécie bizarra de planta.
- Obrigado...
Neville percebeu a leve careta no rosto de Harry e riu.
- É uma estufa em miniatura, de ervas e algumas ervas medicinais mais comuns. Achei que seria mais fácil se você as tivesse por perto, para que pudesse fazer suas próprias poções. – ele começou a fuçar no interior da mochila. – Ditamno, é claro... Parece com uma planta Trouxa... Algumas plantas trouxas... Lavanda, hidraste, confrei... – murmurou distraidamente. – Só precisa usar adubo de dragão para aumentar o potencial delas, mas você sabe disso... – gesticulou na direção da cozinha. – Aquela janela é o único acesso a varanda?
Harry se virou e assentiu. A janela larga lembrava um par de portas francesas. Uma pessoa alta teria que se abaixar para passar por elas.
- Sim...
- Veja desse modo. – Neville disse por sobre o ombro, caminhando até a cozinha. – A maioria dos Aurores não suporta o hospital. Pelo menos, foi o que me falaram no trabalho. Não gostam de ir para qualquer coisa que não seja a perda da vida ou de um membro. Preferem cuidar dos pequenos ferimentos eles mesmos.
- Você quer deixar o sofá ali mesmo? – Seamus perguntou. – Ou quer colocá-lo sob a janela?
Antes que Harry pudesse responder, ouviu uma explosão de risadas vinda do banheiro, onde Hermione, Ginny e Luna tinham ido, nas palavras de Hermione, se garantir de que fosse propriamente limpo pelo menos uma vez antes de arrumar suas coisas. Eu não quero saber, Harry suspirou para si mesmo e começou a ajudar Seamus e Dean a organizar a sala.
No banheiro, Ginny colocou uma mão sobre a boca, e acenou a varinha na direção da porta, que se fechou com um suave click.
- Foi... Eu não sei... – suas bochechas coraram com a memória do corpo nu de Harry, com músculos finos, pêlos escuros sobre o peito e circulando seu umbigo, antes de descer por seu abdômen. – Ele me viu dando uma espiada. – admitiu, pressionando as palmas no rosto corado.
- Gostou do que viu? – Hermione provocou. O rosto de Ginny ficou ainda mais vermelho. – Vou entender isso como um sim... – observou Luna organizar e reorganizar os produtos de barbear de Harry na pequena prateleira sobre a pia. – Que diabos você está fazendo?
- Me garantindo de que está tudo organizado. – Luna disse vagamente. Hermione ergueu a sobrancelha, por que Luna tinha colocado a navalha ao lado de um tubo de pasta de dentes e a escova para o creme de barbear equilibrado na ponta da prateleira, que estava vazia do outro lado, antes ocupado por uma canequinha contendo uma bisnaga de creme de barbear de cheiro amadeirado. Deixou isso de lado, supondo ser uma das ideias malucas de Luna e se voltou para Ginny.
- Você nunca quis ver...? – Hermione perguntou.
Cuidadosamente, Ginny colocou uma pilha de toalhas dobradas em uma prateleira.
- Sim. – pegou a pilha de toalhas de rosto. - Vocês ficaram em aposentos próximos ano passado... – começou.
Hermione mordeu o lábio.
- Nunca vi Harry. – garantiu Ginny. – Vi Ron algumas vezes. – admitiu travessamente.
O nariz de Ginny se torceu.
- Ew. É do idiota do meu irmão de quem você está falando.
- Você perguntou. – Hermione a lembrou recatadamente, antes de rir.
Luna bufou, um som estranhamente ríspido vindo de alguém que gostava de afirmações nebulosas.
- É apenas um corpo. – ela disse. – Todos têm um. Metade da população tem o que Harry tem e a outra metade tem o que você tem. Não é um mistério.
Ginny olhou para Luna com a boca aberta.
- Se você falar uma palavra sobre Harry e sua "varinha"... – balbuciou.
- Não será pior do que aquelas coisas obscenas que você insiste em ler no seu tempo livre. – Hermione riu. – Honestamente, Ginny...
- Fique sabendo que esses livros são bastante educativos. – Ginny arguiu com orgulho. – E é muito melhor do que se envolver em algo do tipo completamente ignorante.
Luna se escorou no balcão, um frasco de xampu em sua mão.
- Você vai...? – seus olhos se arregalaram. – Antes de voltarmos para a escola...?
Ginny encolheu os ombros e brincou com a ponta da cortina de banho, se sentando na borda da banheira.
- Eu não sei. – finalmente disse, torcendo os dedos. – Talvez.
- Lembre-se do que os trouxas dizem. – Luna disse. – Sem luva, sem amor. – suas sobrancelhas se juntaram em um franzir. – O que eles querem dizer com isso? Eles usam luvas...? Isso é horrivelmente estranho para uma atividade que depende da sensação palpável... – Hermione rapidamente adotou uma expressão neutra e explicou o significado da frase. O rosto de Luna se abriu. – Oh, bem, isso faz sentido...
Hermione se juntou a Luna ao se apoiar no balcão, estudando o rosto tenso de Ginny.
- Você não precisa fazer nada que não queira. – disse brevemente. – Mesmo que ele queira e você não. Mas eu sei que Harry não tentaria te forçar a fazer algo que você não esteja disposta.
- Sei disso. – Ginny disse secamente. – E, nesse momento, é a única coisa da qual tenho certeza...
-x-
- Harry, por que quer morar com trouxas? – Seamus perguntou, metodicamente arrumando os antigos livros de escola de Harry na prateleira, primeiro por assunto, depois ano.
- É mais calmo. Sem repórteres acampando na minha porta. – a guerra acabara há quase um ano e repórteres aleatórios ainda encontravam o caminho até Devon e A Toca, esperando que Harry revelasse tudo sobre suas experiências no ano anterior. Desde que Rita Skeeter tinha publicado aquele horrível livro sobre ele, eles tinham voltado a acampar em frente à propriedade. – E não é totalmente com Trouxas. – adicionou defensivamente. – O Caldeirão Furado fica há poucos quarteirões.
- Certo. – Seamus disse. – Eu ainda acho que você está maluco...
Harry deixou Seamus lidando com os livros e foi para seu quarto, começando a arrumar suas roupas. Verdade fosse dita, ele sentia que viver com trouxas o transformava em um alvo menor. Trouxas não sabiam nem ligavam para quem Harry Potter era. Pelo que eles sabiam, ele era tão real quanto Martin Miggs, o Trouxa Maluco. Mas toda vez que ia ao mundo mágico, não conseguia se livrar dessa sensação de estar sendo observado, mesmo que ninguém estivesse lá.
Metodicamente colocando suas camisetas no armário, Harry repetiu para si mesmo; Eles se foram, Harry. Riddle, os Lestranges, Dolohov, até mesmo Greyback. Eles se foram.
- Harry? – Ron estava parado na porta, Hermione atrás de si. – Você disse alguma coisa?
Assustado, Harry ergueu a cabeça.
- Não disse nada. – viu Hermione e Ron trocarem um olhar, antes de voltarem para o outro cômodo. Harry ficou olhando para o lugar onde eles estiveram por um momento. Ele pensara em voz alta? E se sim, exatamente o que eles tinham escutado?
Ele não teve muito tempo para pensar nisso, antes de alguém bater na porta do apartamento. Ron franziu o cenho e rapidamente contou todo mundo, antes de apertar os olhos para a porta.
- Quem...? – murmurou.
Harry ajeitou os ombros e caminhou até a porta, pronto para enfeitiçar o repórter que estivesse do outro lado quando a abrisse. Foi recebido por um prato de biscoitos de gengibre sob seu nariz, segurados por um par de mãos masculinas com unhas habilidosamente cobertas de esmalte. Harry ergueu os olhos para o dono das mãos e se viu olhando para o homem que segurava o prato, antes de se lembrar do dia que viera alugar o apartamento e o vira passar pela rua.
- Erm, olá. – Harry gaguejou.
O rosto do homem se abriu em um sorriso largo.
- Olá. Eu sou Bob. Moro no primeiro andar. – ofereceu os biscoitos para Harry. – Esses são para você. Meu parceiro, Ted, os fez e deixou bastante claro que eu deveria entregá-los hoje.
- Ob-obrigado. – Harry gaguejou. – Erm... Eu sou Harry. – Harry falou embaraçadamente, e deu um passo para trás. – Esses são meus amigos... Seamus, Dean, Luna, Neville, Hermione, Ron e minha namorada Ginny...
- Prazer em conhecê-los. – Bob disse alegremente, seus olhos se cerrando levemente quando seu olhar passou por Seamus, que tinha pressionado as costas fortemente contra a parede. Bob olhou para Harry. – Posso falar com você em particular por um momento? – perguntou.
- Claro... – Harry passou o prato de biscoitos para Neville, que guinchou, esfregando as mãos na lateral de seu jeans, tentando remover os restos de terra delas, e seguiu Bob para o patamar. – Desculpe... Estávamos fazendo muito barulho?
- É sobre seu amigo... O de cabelo loiro?
- Seamus?
- Ele precisa de ajuda profissional, garoto. – Bob disse simplesmente.
- O que o faz dizer isso? – Harry perguntou, esperando ter usado um tom casual.
- Garoto, por favor. – Bob disse. – Eu não nasci ontem. Eu vi a mesma reação quando estranhos aparecerem em mais de uma pessoa; homens e mulheres. Eu posso lhe dar o nome de alguém...
- Eu não sei. – Harry interrompeu. – Quero dizer, ele pode querer ver alguém mais perto de casa... Ele não mora em Londres, entende. – adicionou apressadamente, para que não parecesse grosseiro.
Bob assentiu.
- Muito bem. Mas se mudar de ideia... Ted e eu moramos no apartamento B2. Se não estivermos em casa, apenas deixe um bilhete e eu te passo a informação. – se virou para descer as escadas, mas parou, olhando duramente para Harry. – É melhor se ele receber ajuda o quanto antes, também.
- É... – Harry colocou as mãos nos bolsos. – Eu vou ver o que posso fazer... – assentiu timidamente. – Foi bom conhecê-lo... – Bob continuou a descer as escadas e Harry esfregou uma mão sobre os olhos.
- Harry? – a voz de Dean interrompeu os pensamentos de Harry. – Ron está prestes a comer o próprio braço. Disse que está fraco de fome e Hermione não o deixa comer outro biscoito. – contou a Harry, diversão passando por seus olhos. – Não conheço Soho muito bem, mas eu conheço alguns lugares que tem comidas boas para a viagem...
Harry inalou fortemente. Era a oportunidade perfeita para falar com Dean sobre o que queria que fosse feito no quarto de Teddy. E para mencionar sua conversa com Bob.
- Vamos avisar os outros, eh? – correu uma mão pelo cabelo e entrou no apartamento atrás de Dean.
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Dean indiciou sua esquerda e eles caminharam pela calçada.
- Tem um restaurante chinês realmente bom por aqui. – disse. – Nada caro, mas também, você está alimentando Ron...
Harry riu e seguiu Dean.
- Verdade. – andou silenciosamente, desviando das pessoas por um momento, antes de falar quietamente. – O que Seamus te contou sobre o ano passado? – perguntou.
- O bastante. – Dean disse sucintamente. – Por quê? O que você sabe?
Harry manteve os olhos fixos à frente.
- Eu o vi em janeiro, antes de me ferir. – esfregou o maxilar, onde Seamus tinha lhe socado. – Eu o abordei por trás e ele me socou. Ele foi ao Ministério em março, e Ron, Neville, Shay e eu fomos beber depois que eu saí do trabalho. Ele agiu do mesmo jeito que fez quando Bob apareceu no apartamento mais cedo.
Os olhos de Dean se fecharam brevemente e seus lábios se pressionaram firmemente.
- Ele não está melhorando...
- Bob disse que conhece alguém que pode ajudar Shay... – Harry se aventurou. – E, talvez, você possa falar com ele...?
- Não posso prometer nada, cara. – Dean falou. – Mas vou tentar. – olhou para Harry. – Então, o que é que você quer que eu faça no quarto do bebê?
Harry sorriu.
- Você consegue fazer os desenhos se moverem?
- Sim.
- Brilhante. Faça as paredes amarelas... Não amarelo chamativo, como as cores de Lufa-Lufa, mas como manteiga... E eu vou precisar que você desenhe um lobo, um cachorro negro enorme e um cervo.
- Por que esses animais? – Dean perguntou curiosamente.
O sorriso de Harry ficou ainda mais largo.
- Eu te conto mais tarde. É uma história e tanto.
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Dean abriu sua mala e tirou vários lápis de desenho e de cor.
- Então... Qual a história por trás disso? – insistiu.
Harry colocou um garfo dentro da caixa branca e espetou um camarão, apreciando o cheiro de alho que subiu com a fumaça que saia de dentro da caixa. Mastigou o camarão e o engoliu, espiando dentro da caixa.
- Bem, você sabe, meu pai, Sirius e Pet... Um outro amigo deles, - corrigiu. – estavam determinados a ajudar Remus com seu pequeno problema peludo. Então, os três passaram três anos estudando e, finalmente, em seu quinto ano, conseguiram se transformar em animais; viraram animagos, como a McGonagall. – colocou a caixa de camarão de lado e pegou a de pato. – Sirius era um cachorro negro, o amigo era um rato; o que acabou sendo bastante preciso; e meu pai era um cervo.
- Como seu patronus. – Luna disse, fascinada.
- Sim. – Harry colocou o garfo em uma caixa de arroz frito. – De todo modo, todos os meses, durante a lua cheia, meu pai, Sirius e o amigo deles saiam do castelo e se juntavam a Remus na Casa dos Gritos. – começou o arroz equilibrado na ponta de seu garfo. – E meu pai, Remus e Sirius eram melhores amigos, então eu achei que seria legal se eles estivessem aqui...
Dean usou um lápis para rapidamente fazer o contorno de um lobo. Podia usar os lápis de cor para preencher os desenhos mais tarde. Olhou para Harry, animadamente divertindo seus amigos contando as aventuras de seu pai, antes de voltar sua atenção para o mural. Parecia ser o mínimo que podia fazer por Harry e Teddy — para lhes dar uma pequena quantidade de seus pais.
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Harry se escorou na batente da porta da cozinha e analisou a sala de estar. Enquanto ele e Dean tinham ido comprar comida, Luna tinha visto como seu dever reorganizar os móveis. O sofá estava em um ângulo estranho, longe da janela, e a poltrona agora estava perto da lareira. A prateleira de livros estava perto da entrada da cozinha.
- Explique por que... – murmurou em confusão.
- Se você afastar a prateleira de livros das paredes exteriores, evita que o conhecimento suma. O sofá nesse ângulo balanceia suas energias fora e dentro de casa, e a poltrona ancora a alma de "lar". – Luna explicou.
Harry se viu esfregando a mão no rosto. Tinha virado um ato frequente conforme o dia passava.
- Certo. – murmurou, ciente de quão ingrato soara. – Obrigado, Luna...
- Meu prazer, Harry! – Luna exclamou. Ela o abraçou a foi para a lareira, sumindo entre as flamas verdes.
Harry deu um abraço particularmente masculino em Neville, que envolvia muitos tapas nas costas.
- Obrigado pela estufa, Nev. – disse sinceramente.
- Eu sei como se sente sobre hospitais. – Neville riu, antes de ele também entrar na lareira.
Seamus ofereceu uma mão e Harry apertou calorosamente.
- Obrigado, Seamus.
Seamus assentiu uma vez, um sorriso tenso aparecendo em seu rosto, antes de ele sumir pela lareira.
Dean deu um tapinha nas costas de Harry.
- O mural ficou... – Harry balançou a cabeça. – Está maravilhoso. De verdade.
- Não se preocupe, cara. – Dean caminhou na direção da porta da frente.
- Você não vai usar a lareira? – Ron deixou escapar.
- Minha mãe e pai moram em West Ham. – Dean lembrou Ron. – Posso usar o metrô. – olhou para Harry por cima do ombro. – Me mande uma coruja com o nome daquele cara, certo?
- Primeira coisa na semana que vem. – Harry prometeu. Dean saiu pela porta e o som de seus passos rapidamente sumiu nas escadas. Apenas Ron, Hermione e Ginny ficaram e Harry soltou o ar com força, suspirando em alivio. Virou-se para eles, acomodados no sofá torto. – Quem deixou Luna sozinha aqui? – exigiu cansadamente.
Ron olhou para Hermione, que o olhou feio.
- Não fui eu! – Hermione exclamou. – Eu estava com Ginny, arrumando as coisas de Teddy. – suas sobrancelhas se juntaram. – Você que estava perdendo tempo na cozinha.
Harry ergueu uma mão e se sentou na poltrona.
- Sabe de uma coisa? Deixa pra lá. Posso colocar tudo no lugar. – olhou ao redor da sala. – Mais tarde.
- Certo, então. – Ron se ergueu e ofereceu as mãos para Hermione. Ela as aceitou e ele a puxou para fora do sofá. – Acho que também vamos para casa... – gesticulou para a porta. – Dá para aparatar do patamar?
- Sim.
Ron olhou para Ginny por sobre o ombro, ainda encolhida na ponta do sofá.
- Você não vem?
- Ainda tem algumas coisas para fazer. – Ginny respondeu calmamente, saindo do sofá e pegando um amontoado que estava ao seu lado.
- Como o quê? – Ron resmungou.
- Ron. Vá para casa. – Ginny mandou.
- O que é isso? – Ron perguntou.
- Lençóis para a cama de Harry. – Ginny bufou. – Ninguém arrumou isso. Eu me atrevo a dizer que ele prefere dormir na cama dele ao invés do sofá.
Os olhos de Ron se arregalaram e ele bateu o pé no chão.
- Vamos esperar.
- O quê? – Hermione falou confusamente. – Por quê?
Os olhos de Ron se arregalaram ainda mais.
- Eu não vou deixar Ginny sozinha aqui com Harry! – sibilou.
- Oh, honestamente, Ronald. – Hermione resmungou, visivelmente irritada. – É o Harry.
- Você viu o tamanho daquela coisa? – falou por entre dentes cerrados, apontando na direção do quarto de Harry.
- Vi. É muito boa. – Hermione arrastou Ron até a porta. – Deixe-os em paz, Ron. São ambos maiores de idade e você não tem absolutamente nenhum direito de falar alguma coisa, sabe...
- Mas... – Ron protestou, arrastando os pés.
- Te vemos depois, Harry. – Hermione disse por sobre o ombro, enquanto praticamente arrastava Ron porta a fora, usando sua varinha para fechar a porta ao passar. Harry e Ginny ouviram o suave pop de quando ela aparatou, provavelmente levando um relutante Ron consigo.
Ginny balançou a cabeça, dando um olhar sofredor a Harry.
- Você pensaria que eu sou alguma dama em perigo. – zombou. Caminhou para o quarto de Harry. – Vamos arrumar essa cama, eh? Depois podemos relaxar um pouco. – Harry a seguiu. Pararam em lados opostos a cama, Ginny segurando uma ponta do lençol. Ela o desdobrou graciosamente sobre a cama e, juntos, eles puxaram, prenderam e alisaram o lençol até que ele estivesse no lugar.
Harry correu uma mão sobre o lençol.
- Mais liso. – murmurou automaticamente.
- O quê?
- Huh? – Harry olhou para Ginny.
- O que quer dizer, 'mais liso'?
Harry se balançou. Habitualmente, arrumava sua cama com a exata precisão que aprendera de sua tia. Mas ele percebeu que não precisava mais aderir a modos tão estritos.
- Está tudo bem. – disse a Ginny. – Só... Costumava... – ergueu os olhos. – Cobertor? – Ginny abriu o cobertor sobre a cama, e eles o esticaram cuidadosamente, mais uma vez, trabalhando em conjunto. Harry sentiu um pouco da tensão do dia sumir de seus ombros.
A cama feita, Harry tirou os tênis e se jogou sobre a cama com um gemido suave. Estava levemente ciente de Ginny fazer o mesmo. Abriu os olhos e afastou algumas mechas ruivas dos olhos dela.
- Obrigado. – disse intensamente, se aproximando e a beijando. Tinha intencionado que fosse breve, mas rapidamente se transformou em algo mais apaixonado.
Harry se remexeu até que Ginny estivesse sentada sobre si, uma perna de cada lado de seu corpo; a mão dele escorregou por sob a camisa dela, acariciando a pele de suas costas. Ele dedilhou a borda de seu sutiã, morrendo para abrir a maldita peça de roupa e jogar tanto o sutiã quanto a camisa para o chão. Contentou-se em desenhar com os dedos sobre a pele dela. Ginny se afastou um pouco, um sorriso misterioso brincando em seus lábios. Ela brincou com os botões da camisa dele, abrindo os dois primeiros, sua mão escorregando sob o algodão macio, acariciando a pele aquecida de sua clavícula. A outra mão de Harry se ergueu e brincou com o botão do jeans de Ginny. Ela prendeu a respiração, mas não fez menção de pará-lo, então Harry tentou abri-lo.
Aparentemente por vontade própria, a mão livre de Ginny estapeou a mão de Harry. Ela o olhou, os olhos arregalados, confusa. Ela não queria isso? Ginny balançou a cabeça e colocou a mão de Harry na cintura de seu jeans, inclinando-se para beijá-lo. Harry brigou um pouco, mas conseguiu abrir o botão. Smack! Ginny estapeou sua mão novamente. Ela franziu o venho, se sentando. Esse era Harry. Ele não era mais apenas o sonho de uma garotinha. Ele era o objeto de vários sonhos eróticos, a razão que ela mantinha um estoque cheio de chocolates na gaveta de seu criado mudo na escola. Ele era o responsável pelo calor incomodo em sua barriga. Determinadamente, pegou a mão dele e a colocou sobre o zíper de seu jeans. Harry a olhou questionadoramente, mas Ginny assentiu. Harry respirou fundo e brincou com o zíper, lentamente abrindo-o. Instintivamente, Ginny estapeou sua mão. Ela correu uma mão trêmula pelo cabelo e encontrou o olhar confuso de Harry.
- Não estou pronta. – falou sem pensar, surpresa evidente em seu rosto.
- O quê? – Harry murmurou.
- O quê? – Ginny o olhou, sua boca aberta. Saiu de cima de Harry e se sentou ao lado dele, os joelhos puxados contra o peito, os braços ao redor deles. – Eu não estou pronta. – disse lentamente. Era tanto uma revelação para Harry quanto para ela mesma. – Acho que eu gostaria de esperar mais um pouco.
Harry se sentou e segurou uma das mãos de Ginny. Sentia-se estranhamente aliviado que ela quisesse esperar. Se eles fossem ser honestos um com o outro, ele teria que admitir o mesmo. O ditado que a abstinência fazia os corações se apaixonarem tinha alguma verdade. Faz outras partes crescerem, também, Harry pensou sofridamente, tentando ajustar o jeans discretamente. E quem garantia que a excitação dos dois não se devia a separação prolongada, com Ginny ainda na escola? Ele se perguntou se sentiria o mesmo caso se vissem mais frequentemente.
- Eu também. – disse finalmente.
Ginny o olhou de maneira descrente.
- Você quer?
Harry assentiu.
- Sim. Quero dizer, não estivemos muito juntos no último ano e eu... – parou de falar, um pouco envergonhado.
- Você quer que seja mais do que apenas transarmos como dois coelhos. – Ginny terminou secamente.
- Eu, erm... Sim. – Harry passou um braço ao redor da cintura de Ginny e ela descansou a cabeça em seu ombro. – Não temos que fazer o que todo mundo faz.
- Se por 'todo mundo' você quer dizer Ron e Hermione, não... Não, não temos. – Ginny suspirou pesadamente. – Então, vamos esperar.
Harry pressionou um beijo na têmpora de Ginny.
- Acho que vamos saber quando for a hora certa. – murmurou.
Ginny virou a cabeça e capturou os lábios de Harry em um beijo suave.
- Eu amo você, Harry.
- E eu amo você, Ginevra. – a testa de Harry descansou contra de Ginny. – É melhor eu te levar para casa. – disse tristemente. Ele queria que ela ficasse, que dormisse enroscada nele, como tinha feito na outra noite.
- Posso usar a lareira sozinha. – Ginny o informou. – Mas eu não preciso ir direto para casa, preciso?
- Não. – Harry se deitou contra os travesseiros, levando Ginny junto. – Podemos ficar aqui mais um pouco. – seu nariz roçou o de Ginny. – Talvez, nos amassarmos um pouco? – adicionou esperançosamente.
- Parece adorável. – Ginny murmurou contra sua boca.
Continua...
¹ Caril é uma mistura de especiaria muito utilizada na culinária de países como Índia e Tailândia. É feito à base de pó de açafrão, cardamomo, coriandro, gengibre, cominho, noz moscada, cravinho, pimenta e canela. Inicialmente, o caril servia para temperar exclusivamente o arroz, mas atualmente é usado para inúmeras receitas, como frango de caril, entre outros.
-x-
N/T: Capítulo postado um pouco mais cedo que o normal, por que não vou ter tempo amanhã. Obrigada pelos comentários no capítulo anterior, e espero que tenham gostado desse também. (:
Para quem estava perguntando sobre a primeira vez do Harry e da Ginny, aí está sua resposta. Meio broxante, eu sei, mas fazer o quê? Hahaha
Mais uma vez obrigada e até semana que vem.
