Nota importante:

Se você não está gostando do rumo que a história entre Regina e Ruby tem se desenvolvido, recomendo pular esse capítulo. O próximo volta completamente focado em OQ. Mas se você tem gostado do rumo da coisa, enjoy it!

Respeito todos os gostos. Vocês são livres.


Ruby estava sentada sobre a cama, vestindo um short jeans e uma regata branca. O cabelo estava preso em coque e ela olhava atentamente para a televisão enquanto enchia a colher de sorvete, enfiando-a fundo no copo.

"Canal do tempo? Sério?"

Ela deu um pulo da cama e deparou-se com Regina Mills na porta do quarto.

"Regina?"

"O Graham me deixou entrar, espero que não seja um problema."

"Não é." Ruby a olhou, acanhada. "Sente-se."

"Que graça você vê na previsão do tempo?"

Ruby olhou para ela com cautela, mas Regina parecia estar prestes a gargalhar até ficar roxa.

"Eu gosto de estar prevenida."

"Eles tem uma porcentagem de apenas 50% de acertos. É o mesmo que jogar uma moeda."

"Você joga a sua moeda, eu assisto ao canal do tempo. Quem acertar vence."

"Você é pobre. Não vou apostar com você."

"Pobre não usa jaqueta Balmain."

"Parcelou em quantas vezes?"

"Paguei a vista, prefeita."

"No seu cartão ou no do Graham?"

Ruby gargalhou, deitando-se na cama.

"Isso foi golpe baixo, Regina."

Regina sorriu e deitou-se na cama, também. Elas ficaram deitadas sobre a cama, com os olhos fixos no teto branco. Ruby mordeu o lábio inferior antes de começar a falar, receosa.

"Regina... sobre hoje..."

"Ruby, me desculpa ter ido embora daquele jeito." Despejou Regina, cortando a amiga.

"Tudo bem."

"Só isso, tudo bem? Eu fui uma idiota."

"Você é idiota." Regina deu um tapa no braço dela. "Você é a idiota com o coração mais gigantesco que eu conheço. Você não tem um bom histórico com mudanças. Eu sabia que ia ser difícil para você aceitar."

"E mesmo assim, teve fé em mim."

"Eu sempre tenho fé em você, Mills."

Ruby deitou-se de lado, apoiando o cotovelo no colchão e usando a palma da mão como apoio e seus olhos encontraram os de Regina, que sorriu e sentou-se na cama.

"Você sabe que é um pouco estranho te ver casando com o Graham, não sabe?"

"Porque ele já foi seu namorado ou porque ele desvirginou você?"

Regina encarou com a boca semiaberta.

"Você achou que ele não fosse me contar?"

Ruby começou a rir, e Regina deitou-se novamente na cama, cobrindo o rosto.

"Não vou nesse casamento não! Que vergonha!"

"Ah Regina, para!" Ruby puxou as mãos dela, tirando-as do rosto. "Ao menos ele entende o quanto você é uma tentação."

"Você contou para ele? Você é louca?"

"Claro que contei para ele! Ele é praticamente meu marido." Ruby encarou-a. "Você não contou para o Robin, não é?"

"Não." Confessou ela, quase num sussurro.

"Isso me deixa curiosa: medo do ele ficar doido de ciúmes?"

"Você é impossível."

"Sou. Vamos sair?"

"Sair? Para onde, sua doida?"

"Beber."

"O Graham dirige?"

Ruby levantou rindo e abriu um dos guarda roupas.

"Boba! O Graham não vai. Vai ser uma noite de garotas. Ligue para o Robin. Avise que vai chegar tarde."

Regina discou o número automaticamente, e colocou o aparelho na orelha. Ela não estava convencida, mas a maneira com que Ruby piscou para ela antes de entrar no banheiro deixou claro que ela definitivamente não estava no controle de nada.


Regina estava usando um vestido vermelho curto e decotado. Maldita hora que aceitara vestir algo que Ruby escolhera. A fila da boate estava completamente lotada, mas assim que Ruby apareceu na frente do staff – usando um vestido de couro preto e botas que começavam em suas coxas, todos se voltaram para ela.

"Olha só quem apareceu! A loba da noite!"

"Loba da noite?" Sussurrou Regina, sorrindo.

"Cala a boca e me segue."

Ruby aproximou-se da fila, e eles abriram a cancela, colocando-a para dentro. "A morena está comigo."

"Amiga da Ruby é amiga nossa." Comentou o segurança brutamontes, abrindo passagem para Regina.

Segundos depois, elas já estavam lá dentro. Não era nada do que Regina esperava. Caixas de som ensurdecedor, gente abarrotando o local e bebida barata. Era esse o conceito de boate que ela tinha, e na verdade, ela não conhecia muitas. Nunca tivera amigas íntimas o suficiente para ir a um lugar como esse. A atmosfera do lugar era sensual. Havia mesas estofadas e sofás onde as pessoas conversavam e se paqueravam.

Uma música ambiente tocava, e os aparelhos de som de última geração forneciam o toque perfeito às batidas graves, de modo que a música era intensa e presente, mas não atrapalhava. Em alguns poles, mulheres subiam e desciam em lingeries caros.

"Aquela é a Tinker."

Regina sentou-se em uma dos bancos fixos no balcão do bar e assim como a amiga, fixou os olhos na loira. Ela tinha um corpo fino e delicado delineado por um lingerie brilhoso na cor verde. Os cabelos eram cacheados e caiam sobre os seus ombros quando ela rebolava para cima e para baixo. Incrivelmente bonita e sensual, pensou Regina.

"E o que tem ela?"

"Se tiver algum problema, qualquer problema – ela é a melhor."

"E porque você não veio atrás dela quando teve um problema?"

"Porque ela não trabalha com dinheiro, e eu não teria nada a oferecer."

"Ela trabalha com o quê?"

Ruby bebericou alguma coisa e Regina franziu o cenho. Ela nem começara a beber ainda.

"Ela trabalha com equivalências. Algo que você quer, por algo que ela quer."

Regina assentiu, olhando-a novamente e a loira retribuiu, com intensidade. Regina engoliu em seco e voltou-se para o bar.

"Como você sabe disso tudo, Ruby? Como conhece essas pessoas?"

"Eu tive uma vida antes de conhecer você, Regina."

Ruby abaixou a cabeça quase que imperceptivelmente e fixou os olhos no copo. Provavelmente, não eram memórias reluzentes.

"Eu entendo."

"Mas por muito tempo, essa foi minha casa e as pessoas daqui foram minha família."

Regina pediu um conhaque e engoliu-o ferozmente antes de puxar Ruby pelo braço.

"Vamos dançar."

Ruby sorriu e elas caminharam até a pista de dança onde meia dúzia de pessoas requebravam animadas.


Belle estacionou na frente da casa de Regina. Ruby desceu do carro, e ajudou a amiga a descer também. Elas caminharam descalças até a entrada da casa.

"As meninas adoraram você, Gina."

"Elas são incríveis."

"Vamos fazer isso mais vezes."

"Como?" Regina tropeçou na grama e riu. "Você vai estar longe daqui em breve."

"Não fique me lembrando disso."

"Você precisa mesmo ir?"

"Eu quero ficar do lado do meu marido, como você."

"O Robin não é meu marido."

Ruby riu ruidosamente. "Como você é ingênua! Quanto tempo acha que vai demorar até ele ser?"

"Eu acabei de me divorciar."

"Assim como o Robin, Regina. O homem deixou tudo por você. Acha que ele se importa se está divorciada há horas ou décadas?"

Regina tropeçou na escada e quase caiu na varanda.

"Tem certeza que está bem?"

"Eu tenho." Riu Regina, os cabelos amarrados num coque horroroso feito às pressas pelo calor.

"Será que o Robin está dormindo?"

"Provavelmente."

Regina apoiou-se em uma coluna e começou a procurar a chave. Ruby encarou-a.

"O que foi?"

"Desculpe por tudo o que aconteceu. Eu só estava com medo de perder sua amizade."

"Regina, você nunca vai perder a minha amizade." Ruby sorriu para ela, exausta. "Nossos filhos vão ser melhores amigos e nós vamos tricotar croppeds para as meninas."

Regina aproximou-se da porta. Ruby ficou atrás dela, e estava prestes a se afastar assim que ela girou a maçaneta e abriu uma pequena fresta da porta. Mas Regina não se movia.

"Está tudo bem? Está passando mal?"

Regina virou-se para ela lentamente, e Ruby captou o olhar dela imediatamente.

"Regina, você não está bem. Entre na sua casa. Amanhã nós conversamos."

"Eu quero meu beijo e quero agora."

"Regina, não."

"Amanhã eu quero acordar de ressaca e deixar tudo o que aconteceu hoje para trás, Ruby."

"Você não está bem."

"Lucas!" A voz dela tomou profundidade. "Por favor."

"Regina, eu não devia ter começado isso."

"Está arrependida?"

"Não!" Ruby encarou-a. "Não quero que você acorde arrependida amanhã."

"Eu vou me arrepender se não fizer isso." Sibilou ela, e virou-se com tudo, as unhas enroscando no cabelo ruivo, puxando-a para si. Seus lábios se chocaram, a sensação de maciez e calor se misturando, Ruby imediatamente forçou-se contra Regina segurando-a pela nuca e aprofundando o beijo, a língua invadindo a boca dela com volúpia e Regina gemeu, tomada pela libido descontrolada ativada por aquele beijo caliente. Regina mordeu o lábio inferior dela e Ruby sugou a língua dela, num movimento preciso e provocante.

A voz rouca fez com que elas se separassem imediatamente, deixando uma Regina ofegante encarando o homem semi nu à sua frente.

"O que está acontecendo aqui, Regina?"