Capítulo Cinquenta e Cinco
Expectations
(Expectativas)
Vinte e dois de dezembro de 2019
Querida Maya,
Meus pais falaram que eu posso te levar para ver um filme semana que vem, mas temos que ir com Teddy. Eles acham que nós precisamos de um acompanhante, mas não faço ideia do porquê. E é melhor esperarmos que Teddy esteja livre, senão vamos acabar indo a um encontro duplo com meus pais. Por favor, não use isso contra mim...
Além disso, meus pais querem conhecer os seus na sexta-feira. Tente não usar isso contra mim, também... Eles justificaram isso ao dizer que querem aproveitar que vamos ao jogo do Falmouth x Appleby. Nós realmente vamos. E minha mãe disse que você pode ir conosco se seus pais deixarem. Vamos nos sentar no camarote da imprensa. Então, vamos estar bem supervisados.
Me mande uma coruja com a resposta se estiver tudo bem.
James.
-x-
Harry entrou na cozinha massageando o ombro esquerdo. Não o incomodava a maior parte do tempo, mas tinha esfriado durante a noite e ele descobriu que um clima frio e úmido fazia seu ombro doer. Parou ao ver James sentado à mesa, os joelhos contra o peito. Harry terminou de entrar na cozinha, comentando:
- Você acordou cedo. Normalmente, temos que te arrastar para fora da cama para o café.
- Não consegui dormir. – James murmurou, suas mãos ao redor de uma xícara de chocolate quente. Tinha passado as mãos pelo cabelo várias vezes. – Pai, posso te perguntar uma coisa?
Harry começou a mexer nos armários, pegando o que iria precisar para começar a preparar o café da manhã.
- Claro.
James pegou uma banana da tigela no centro da mesa e a descascou lentamente, sem perceber a ironia de ter escolhido essa fruta em particular.
– Por que você me disse todas aquelas coisas noite passada?
Harry mediu a quantidade de leite e aveia, antes de colocá-los em uma caneca e suspirou.
- Eu te disse. Sua mãe e eu não queremos ser avós tão cedo.
- Sim, mas se nada funciona o tempo todo, por que passar por tudo aquilo?
Harry parou e James pensou tê-lo ouvido resmungar os piores palavrões que conhecia. Harry abriu a gaveta e procurou por algo. Colocou um sicle na jarra quase cheia e se virou, escorando-se no balcão.
- Porque é melhor do que não usar nada. – respondeu.
- Como sabe? – James murmurou, mordendo a banana.
- Porque foi como você chegou aqui. – Harry bufou. A boca de James abriu, revelando a banana meio mastigada. – Feche a boca, filho. – Harry riu. Envergonhado, James fechou a boca. – E eu sei que camisinhas não funcionam, porque foi como Albus e Lily chegaram aqui... – se virou para o fogão, balançando a varinha para a colher, que começou a mexer o mingau.
- Acho que vou vomitar... – James murmurou.
Harry se sentou na cadeira ao lado da de James.
- Se você acha que isso é ruim, você devia ter ouvido a conversa que seu avô teve com seu tio Ron e comigo. – a boca de James se crispou e ele empalideceu um pouco. – Depois de ter nos mostrado um feitiço contraceptivo, ele falou algo como 'pensem com a cabeça, garotos, não com seus amiguinhos'. Nós conseguimos esperar até ele sair antes de começamos a querer vomitar.
- Acho que eu prefiro isso. – James resmungou.
- Bom, tudo bem, então. – Harry falou animadamente. – Pense com sua cabeça, filho, não seu amiguinho.
- Valeu, pai.
Harry de um tapinha nas costas de James.
- Sempre que precisar.
-x-
No almoço, James estava sentado entre Fred e Jacob, seu cabelo escuro escondido entre os dois vermelhos.
- Você não parece muito bem. – Fred observou.
Jacob olhou para James.
- Parece que vai vomitar. – adicionou. – Você está doente? – perguntou, preocupado. – Por que se está, eu não quero pegar. Sem ofensas, cara.
James balançou a cabeça.
- Não. Estou bem. É só que o único jeito de eu sair com Maya é se nós formos com Teddy ou com os meus pais.
- Merlin, eu espero que Teddy não tenha que trabalhar nos turnos noturnos na semana que vem, cara. – Jacob respondeu.
- Isso mesmo. – Fred adicionou. – Mas, James, isso não explica completamente porque você não olhou para a tia Ginny ou para o tio Harry desde que vocês chegaram. – cortou um pedaço de cenoura e olhou para o final da longa mesa. – Tia Ginny estava falando com você e você nem olhou para o rosto dela.
- Oh, por que já não se juntam aos aurores? – James resmungou. – Maldição... – brincou com suas batatas e carne de porco. – Papai teve 'a conversa' comigo noite passada...
- Ugh! – Fred e Jacob resmungaram ao mesmo tempo.
- Sinto muito, cara. – Jacob murmurou, como se James estivesse doente e, ao invés de estarem na cozinha calorosa e barulhenta d'A Toca, estivessem em um quarto de St. Mungos, dando-lhe tapinhas compreensíveis nas costas.
- Mamãe fez isso conosco antes das aulas começarem. – Fred compartilhou. Estremeceu visivelmente. – Me fez parar de pensar em fazer qualquer coisa com Ellie Richmond.
- Ellie não está na Lufa-Lufa? – Jacob perguntou por cima da cabeça de James.
- Sim.
- Hmmm. – Jacob examinou seu gêmeo.
- O que isso deveria significar? – Fred resmungou.
Jacob deu de ombros.
- Nunca imaginei que você fosse de apostar em segurança. Achei que você iria pelo caminho perigoso, como nosso bom primo aqui, e procuraria por uma garota da Sonserina ou, talvez, da Corvinal.
James ergueu a cabeça.
- Maya não é perigosa. – rosnou.
- Ela está na sonserina. – Fred ressaltou. – Isso quer dizer que ela tem um lado obscuro e maluco.
- Então, em quantos detalhes o tio Harry entrou noite passada? – Jacob insistiu.
- O bastante. – James sibilou, o rosto corando.
Jacob e Fred trocaram um sorriso idêntico pelas costas de James.
- É. – Jacob pronunciou. – Foi para seu próprio bem, então. Todos sabem que as garotas de Sonserina...
- Todos sabem o quê? – James explodiu, sua voz baixa e perigosa. As conversas na ponta da mesa das crianças morreram.
Jacob se remexeu, desconfortável.
- É só que as garotas da Sonserina não têm a melhor das reputações... – James encarou Jacob por vários momentos tensos, antes de se afastar da mesa tão violentamente que até os adultos perceberam. James saiu da cozinha e correu escada à cima. Harry começou a se erguer de sua cadeira, mas Ginny colocou a mão em seu braço.
- Eu vou... – Ginny subiu as escadas até o porão. Tinha sido o refúgio de James quando Harry se ferira no verão passado. Seus instintos se provaram corretos quando encontrou James jogado na antiga cama de Ron. – Quer me contar o que aconteceu?
- Não de verdade. – James tentou se fundir à parede.
- Certo. – Ginny se sentou na cama, perto de James e olhou pela pequena janela. – Eu sempre achei que Ron era o sortudo da família por ter esse quarto. – falou. – Meu quarto... Todos tinham que passar por ele para descer ou subir as escadas. – um leve som soou do espaço sobre eles. – Bem, o vampiro não é uma boa qualidade, mas a privacidade que Ron tinha a maior parte do tempo era bacana.
- Você vai chegar a alguma lugar, mãe?
- Às vezes, nessa família, é meio sufocante. – Ginny lhe disse. – Todos têm uma opinião sobre o que você faz ou diz. E eles falam. Quer você queria ouviu ou não.
- Me diga algo que eu não sei. – James resmungou.
- Às vezes você precisa ouvir as opiniões. Se nada mais, isso irá lhe mostrar o que esperar de pessoas que não te conhecem bem.
As mãos de James se fecharam.
- Eles falaram... Que Maya...
- Jemmy, você não pode controlar por quem se apaixona. E eu confio no seu julgamento.
- Confia? – James repetiu, surpreso.
- Bem, no que diz respeito à Maya, sim. Seu pai e eu a conhecemos... – Ginny afastou o cabelo de James dos olhos. – As garotas de Sonserina sempre tiveram uma péssima reputação. Bem, pelo menos quando eu estudava. Principalmente por causa de uma pessoa em particular. Ela era uma...
- Vagabunda? – James ofereceu.
- Pode-se dizer que sim. – Ginny suspirou. – E eu nem quero saber onde você aprendeu essa palavra. – puxou James para um abraço de lado, lembrando-se do quanto ele se sentia incomodado quando ela ou Harry tentavam abraçá-lo. – E eu vou conversar com Fred e Jacob sobre espalharem rumores.
- Não! – James implorou. – Eu não quero que ninguém fale sobre isso...
Ginny mordeu o lábio, mas assentiu.
- Mas não posso prometer que sua tia Katie ou tio George não vão falar com os gêmeos. – saiu da cama e olhou para James. – Quer o resto de seu almoço? – James balançou a cabeça. – Vou deixar um prato feito na cozinha, então, se quiser mais tarde. – Ginny começou a sair do porão, mas parou com a mão na maçaneta. – Oh, fiquei sabendo que você e Maya deram um show em Hogsmeade.
James arregalou os olhos.
- Como você ficou sabendo disso...?
Ginny riu e tocou a bochecha de seu filho.
- As Harpies estavam dando uma festa de natal em um dos cômodos de cima do Três Vassouras. Elas te viram pela janela. Gwenog passou pelo Profeta alguns dias depois e queria saber se eu sabia o que meu filho mais velho andava aprontando.
- Nunca mais vou conseguir beijar uma garota na vida...
- Bem, pelo menos não em público. – Ginny sorriu para James e saiu do quarto.
James voltou a se deitar no colchão, escondendo os olhos com um braço. Ele adormeceu, seu sono cheio de sonhos meio formados e imagens que não se lembraria mais tarde, mesmo se quisesse. A fome o acordou algumas horas mais tarde, e James saiu do porão, grogue. Entrou na cozinha vazia, procurando o prato que Ginny prometera e foi recebido por um silêncio abafado. Viu movimento pelo canto dos olhos, e pela pequena janela da porta da lavanderia, viu George parado na frente de Fred e Jacob, gesticulando abertamente. O feitiço de silêncio que seu tio tinha conjurado sobre a lavanderia não era capaz de esconder o sermão que George estava passando em seus filhos.
George estava lívido. Assim que Ginny retornara e tirara o prato de James da mesa, o cobrindo com um guardanapo limpo, ele encarou Fred e Jacob, fazendo ambos se encolherem um pouco. Ambos conseguiram evitá-lo ao irem para o jardim participar de uma guerra de bola de neve, seguida por um jogo de Quadribol, até que não conseguiram mais evitar a raiva de George.
- Ele deveria poder contar com vocês! – George gritou, o rosto ficando cada vez mais vermelho. – Algum dos dois idiotas já conheceu a garota de quem estavam tão ocupados falando mal? – foi respondido por uma parede de silêncio. – Bem? Conheceram?
- Sim. – Jacob admitiu de má vontade.
- E alguma vez ela deu a impressão para algum de vocês; aliás, para qualquer pessoa desta família; de que ela não passa de alguma... Alguma... Vadia?
- Não... – Fred murmurou, seu queixo quase encontrando com seu peito de tanto que sua cabeça estava abaixada.
- Olhe para mim quando eu estiver falando com você! – George exigiu, fazendo a cabeça de Fred se erguer rapidamente. – Sonserinos não são mais tão ruins quanto eram quando eu tinha sua idade. – George bufou, ouvindo o sangue correr por seus ouvidos, mesmo o que tinha perdido. – Fazer piadas de James por estar com uma garota... Tudo bem! Fazer piadas dele por casa da casa em que ela está é inaceitável.
- Mas, pai, - Jacob começou, hesitante. – você sempre diz ao tio Percy que ele deveria ter sido colocado na Sonserina... E sempre fez piadas dele por Parker ter ido para a Lufa-lufa... – terminou com desânimo.
- Mas eu também não estou espalhando fofocas cruéis sobre Percy ou Parker. Vocês acertaram James com um golpe baixo e se ele não quiser mais falar com vocês depois de se desculparem, vocês apenas terão de viver com isso, não é? – os gêmeos assentiram, os rostos com a mesma inexpressão. – Desculpe, eu não ouvi.
- Sim, senhor. – Fred e Jacob responderam sombriamente.
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- Você não acha que exageramos? – Neville perguntou a Hannah.
Hannah ajeitou o laço que tinha passado ao redor do pacote colorido. Olhou para a pilha de presentes sob a árvore e a decoração alegre da sala de estar.
- Oh, não mais do que todos os outros no primeiro natal de seus bebês.
Neville balançou Eric levemente em seu joelho, fazendo o menino rir alegremente.
- Erm, Hannah, eu odeio te contar isso, mas esse não é o primeiro natal de Eric...
Hannah deu de ombros.
- Eu sei, mas é o primeiro natal dele conosco. E o primeiro aniversário dele conosco será no próximo inverno...
Eric resmungou, se soltando do aperto de Neville. Ele saiu das penas de Neville e se equilibrou no chão. Eric cambaleou na direção de Hannah, os olhos fixos na árvore, uma mão esticada para a decoração colorida e iluminada.
- Não, Eric... – Hannah passou um braço ao redor da cintura de Eric, prendendo-o no lugar. Pegando sua varinha, a balançou, fazendo todos os itens delicados voarem para fora do alcance de Eric. Encolheu-se perante o som da batida impetuosa que passara a temer. Os lábios de Hannah se crisparam, prendendo o palavrão que queria escapar. Com a sua sorte, Eric não hesitaria em repetir alegremente o palavrão para a bruxa do Ministério.
Neville reprimiu um suspiro e abriu a porta.
- Senhora Rodding. – ele murmurou.
- Olá! – Cary cumprimentou. Ela entrou no cômodo, seguida por uma Curandeira de vestes verdes, Madame Pomfrey e Professora McGonagall. – Eu trouxe a Curandeira Patterson para examinar o Eric.
- E eu vou fazer meus próprios exames! – Madame Pomfrey disse com indignação. – Eu mando relatórios semanais para seu escritório desde que Eric chegou aqui, e de repente eles não são bons o bastante!
- Agora, Poppy... – McGonagall começou. – Vamos permitir que essa... Bruxa... Faça seu trabalho, e nós faremos o nosso.
A Curandeira ofereceu a Neville e Hannah um encolher de ombros envergonhado e esticou os braços para Eric. Hannah o passou para ela com relutância, e a Curandeira Patterson começou a murmurar suavemente, enquanto acenava a varinha por cima da cabeça do menino. Vários símbolos e palavras flutuaram sobre a cabeça de Eric, brilhando em uma leve luz verde, antes de a bruxa balançar a varinha para eles, que voaram para o arquivo que Cary segurava.
- Ele parece estar com a saúde perfeita, senhora Longbottom. – falou calmamente para Hannah. Eric balbuciou e segurou o rosto da curandeira entre suas mãos. – E feliz também. – ela fez menção de passar Eric para Madame Pomfrey. – Se estiver tudo bem para você? – perguntou a Hannah, que assentiu, e Madame Pomfrey repetiu o processo, antes de colocar Eric no chão, para que ele pudesse cambalear até Neville, que se agachou com os braços abertos.
Cary crispou os lábios e analisou a sala de estar. Fez um som indeterminado e anotou algo no arquivo.
- Vocês se garantiram de que os pequenos objetos estejam fora do alcance de Eric?
McGonagall bufou.
- A não ser que o menino cresça um metro da noite para o dia, senhora Rodding, eu não acho que ele vá alcançar alguma coisa. – balançou a varinha na direção da porta, que se abriu. – Depois de você. – falou para Cary, cujas sobrancelhas se juntaram por um momento, mas ela saiu do cômodo.
A Curandeira Patterson esperou até o som dos passos de Cary sumirem.
- Não foi minha ideia vir até aqui. Eu fico falando para ela que os feitiços que Madame Pomfrey usa não podem ser manipulados, mas eu acho que ela vai me trazer aqui às vezes para ter uma segunda opinião.
Hannah começou a rir.
- Ótimo! Malditamente ótimo! Não temos nada a esconder. Deixe-a jogar o que puder contra nós. Eu não vou deixar que ela estrague meu feriado com Eric.
- Esse é o espírito. – McGonagall murmurou. – Irei vê-los no Salão Principal para o almoço de quarta-feira? – ela coçou Eric sob o queixo, seu rosto se contorcendo em um sorriso largo, não notando as expressões de choque de Neville e Hannah. – Acho que ficaram alunos o bastante para as festas; acredito que eles não se importariam de ficar babando pelo jovem senhor Zhao enquanto vocês almoçam em paz.
- Obrigado, prof— er, Minerva... – Neville respondeu suavemente.
- É adorável ter um bebê por perto. – Madame Pomfrey disse. – Especialmente durante as festas.
Um alto pigarreio veio do final do corredor, fazendo a Curandeira Patterson, Madame Pomfrey e McGonagall encolherem os ombros em irritação. Caminharam pelo corredor, conversando entre elas de uma maneira que fez Neville se lembrar das galinhas que Molly Weasley tinha n'A Toca. Balançou a cabeça e fechou a porta de seus aposentos.
- No primeiro dia de natal... – cantou para si mesmo.
-x-
As festas deixavam o pub bagunçado e, como resultado, Francesca Hytner estava um pouco agitada. Então, quando uma coruja desconhecida entrou no pub com uma carta para Maya, mal notou. Até que pegou a carta da coruja com um murmúrio distraído de agradecimento. Enquanto oferecia água à coruja, Francesca leu o nome de quem a enviara e seus olhos se arregalaram.
- Maya! – gritou. – Você recebeu uma carta!
Maya desceu a escada, mudando a pilha de toalhas de mão. Pegou a carta do balcão e sorriu.
Francesca estava parada no meio da cozinha, manuseando várias panelas e frigideira em uma complexa dança de cozinheira, enquanto guiava vários pratos e tábuas de cortar carne pela cozinha com a facilidade de um maestro.
- A carta é realmente do menino Potter?
Maya assentiu.
- Sim.
Francesca piscou uma vez.
- O filho mais velho de Harry Potter...?
- Sim. E daí? – Maya correu o dedo por sob o selo e tirou uma folha de pergaminho. Leu rapidamente, sua sobrancelha marrom se erguendo. – Ah, maldição. – suspirou. – Os pais dele querem conhecer você. E o papai.
Francesca parou no meio da cozinha quente, afastando o cabelo do rosto.
- Para quê?
Maya guardou a carta no envelope e o colocou no bolso.
- Ele quer me levar para ver um filme... Acho que é esse o nome... E os pais dele querem conhecer vocês antes. – pegou a pilha de toalhas e caminhou na direção das escadas. – E não vamos sozinhos, também. – adicionou.
- Ele disse quando vão vir?
- Sexta.
- Mas é o jogo do Appleby! – Francesca ofegou. – Vai estar uma loucura! – se voltou para o jantar que estava no fogão, murmurando de mau humor: - Deve ser fácil para algumas pessoas... Não tem consideração por mais ninguém.
Maya jogou as toalhas no chão com raiva.
- Eles não são assim! – protestou. – Eles nunca pediram que alguém os tratasse diferente das outras pessoas.
- De acordo com eles. – Francesca resmungou.
- Você esperaria que eles ficassem sentados em uma cadeira do lado da cama do filho deles, como todo mundo? – Maya bufou. – Eu os vi fazer isso. Eles são normais.
- Pegue as toalhas. – Francesca suspirou.
Maya ficou parada no degrau, olhando feio para sua mãe, antes de se virar e subir as escadas sem falar nada.
- Maya! Volte aqui e pegue essas toalhas!
A única resposta de Maya foi bater a porta do pequeno apartamento deles.
Francesca se abaixou para pegar as toalhas, seu maxilar tenso. Foi até a lavanderia e as jogou na pilha que já estava lá. Mais trabalho. Nunca acabava. E agora ela ia ter de bancar a anfitriã graciosa para Harry Potter e sua família privilegiada. Isso fez sua cabeça doer. A princípio, se divertira com os comentários de Maya sobre a amizade que estava desenvolvendo com o Artilheiro do time de uma casa rival, mas ficara preocupada quando descobrira que Maya estava sempre na companhia do filho de Harry Potter. Maya era uma garota simples; como ela se encaixaria na vida privilegiada de filhos de celebridades? Ela ia acabar se machucando. Além disso, Maya era uma sonserina, enquanto todos sabiam que os Potter eram grifinórios. Francesca sabia o que as pessoas falavam sobre as mulheres sonserinas e, infelizmente, todas ficavam com a fama pelas ações de uma só; o que era exemplificado pelo comportamento de Pansy Parkison constantemente estampado nas colunas sociais do jornal. Francesca não sabia como isso poderia acabar bem para Maya.
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Al ajeitou os travesseiros atrás de sua cabeça e se acomodou contra eles.
- Como estava em casa?
Scorpius se escorou contra a parede e abraçou um travesseiro contra seu peito.
- Como sempre. – contou a Al. – Minha mãe foi ótima e minha avó me mandou ingressos para o jogo de Montrose no verão. Ela preferiu ficar em Nice esse ano. Não queria lidar com Chaves de Portal apenas para passar alguns dias aqui. Minha mãe prometeu que vamos para lá nas férias ou minha avó vai vir.
- E seu pai...?
Scorpius deu de ombros.
- Como sempre. Se trancou em seu escritório por várias horas. Não fala comigo. Você sabe. O de sempre.
- Morada dos demônios, então.
- Sim.
Al alisou o cobertor sobre seus joelhos dobrados.
- Ouça, cara, eu falei pros meus pais sobre você precisar de um lugar para ficar...
O rosto de Scorpius mostrou choque por vários momentos, antes de ele conseguir falar:
- Não estou planejando faze isso em julho.
- Eu sei, mas quando você precisar, se precisar, você pode ficar aqui, sem problemas. – Al brincou com a ponta de seu cobertor. – Então, o que está acontecendo com Lily?
- O que te faz achar que eu sei?
- Porque ela conversa com você, mas não quer conversar com James ou comigo. Ela ficou toda estranha e cheia de segredos. Aprendendo a arrombar fechaduras do jeito trouxa...
- Eu não sei. – Scorpius admitiu. – Bem, eu tenho minhas suspeitas, mas nada concreto. Não é nada perigoso. Eu acho. Eu também não acho que seja apenas uma fase... – respirou fundo, incerto se deveria ou não revelar sua teoria para Al. Parecia que estava traindo Lily. Mas ele não queria que Al se preocupasse sem motivos. – Ela só está experimentando algumas coisas. Para poder decidir o que quer estudar. – falou finalmente.
- Mas por que ela precisaria arrombar uma fechadura? – Al perguntou perplexo.
Scorpius esfregou a testa.
- Certo... Eu não quero falar. – disse com relutância. – Porque você e James podem tentar fazê-la desistir, mesmo que eu tenha certeza de que Lily não presta atenção a uma palavra do que vocês dizem. – brincou com a ponta de sua meia, cutucando o começo de um buraco. – Apenas pense... O que Lily pode querer fazer que seria melhor se ela soubesse sair de situações complicadas sem magia?
As sobrancelhas de Al se juntaram e, conforme ele entendia, seus olhos se arregalavam e sua boca se abria.
- Mamãe e papai vão pirar!
Scorpius assentiu.
- E é por isso que você precisa ficar quieto. – colocou o travesseiro na ponta da cama de armar e se deitou. – Eu odeio guardar todos esses segredos... Foi assim que minha família pirou.
Al se sentou com os braços ao redor dos joelhos.
- Eu não sei. – falou duvidosamente. – Sua família era maluca bem antes disso. – ganhou o fantasma de um sorriso de seu amigo. – Mas quanto a Lily... Melhor pedir perdão do que permissão, eh?
- Algo assim. – Scorpius se esticou na cama, puxando o cobertor até os ombros. – Então, exatamente por que estamos indo a Falmouth?
Al começou a rir.
- A história oficial é que vamos ver o jogo. Mas na verdade é para conhecer os pais de Maya.
- O selo de aprovação parental, hmm?
Al bufou.
- Não realmente. Com o tempo que fica aqui, você ainda acha que meus pais julgariam alguém pelo resto de sua família?
Scorpius se deitou de lado, para olhar para Al do outro lado do quarto.
- Não, suponho que não... Só parece algo estranho para eles fazerem.
Al encolheu um ombro.
- Eu acho que é mais para que os pais de Maya possam conhecer os meus pais, para ser honesto. Só para garantir que a mamãe e o papai são completamente normais...
- Você pode definir 'normal', senhor Potter? – Scorpius retorquiu em uma excelente imitação da professora Trentham.
Os olhos de Al se fecharam enquanto ele considerava a pergunta de Scorpius. Eles se abriram, um mar verde no quarto mal iluminado.
- Quando você é tão pirado quanto todo mundo.
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Maya torceu as mãos nervosamente, andando de um lado para o outro. O pub tinha esvaziado consideravelmente há vários minutos e ela estava esperando por James e o resto da família dele. Sua mãe estava escorada contra o longo balcão, que ia de ponta a ponta, cuidadosamente observando a porta. Maya jogou os cabelos para trás dos ombros e voltou a olhar ansiosamente para a porta. Ouvira as discussões murmuradas de seus pais nas últimas noites, mas os ignorara raivosamente, decidindo que eles estavam meramente tentando achar uma maneira para não deixá-la ir ao jogo com James e sua família ou sair com ele na semana seguinte.
A porta abriu, deixando entrar vento frio e neve. Conseguia ouvir Al vaiando suavemente atrás de James, ganhando um tapa na nuca de Harry.
- Desculpe. – Harry disse apologeticamente para Francesca, antes de se voltar para Al e olhá-lo severamente. – Normalmente ele se comporta como se já tivesse saído em público antes.
Francesca torceu uma toalha entre as mãos.
- Estávamos esperando vocês mais cedo. – começou incerta.
Ginny deu um passo para frente, estendendo a mão para Francesca.
- Olá. Sou Ginny, a mãe de James. E eu achei que você tivesse dito a Maya a hora que viríamos... – adicionou, olhando James de uma maneira parecida com a que Harry tinha acabado de olhar para Al.
- Eu... Erm... Eu disse...
- Você disse que estaríamos aqui as seis e quarenta e cinco ou que estaríamos aqui antes do jogo? – Harry suspirou.
- Erm... – as bochechas de James, já coradas por causa do frio, ficaram ainda mais vermelhas com vergonha. – Antes do jogo. – murmurou.
- Ajuda se você der os detalhes às pessoas, Jemmy. – Ginny disse. – Eu achei que essa seria uma boa hora para passar. – Ginny falou para Francesca. – Eu me lembro de quando morei em um pub em Holyhead; a maioria dos clientes que iam ao jogo saia do pub meia hora antes do primeiro apito.
Francesca aceitou a mão de Ginny, surpresa com a quantidade de calos nas pontas dos dedos.
- É um prazer conhecê-la. – balbuciou. – Maya fala muito bem de vocês.
- Maya é uma garota adorável. – Ginny respondeu.
Hugh, o pai de Maya, mancou para fora de uma sala particular, onde estivera limpando os restos do jantar de Bernard Calhoun, que ele rotineiramente oferecia antes de um jogo de Falmouth.
- Oh, olá.
- Pai, esse é James Potter e seus pais, Harry e Ginny Potter. – Maya disse em voz baixa.
- Ah, pois bem. – Hugh ofereceu uma mão para Harry sem pensar. Harry pareceu assustado momentaneamente, mas aceitou a mão do outro homem, apertando-a firmemente.
- Um prazer conhecê-lo. – Harry murmurou.
- Adoraríamos levar Maya conosco ao jogo se vocês não se importarem. – Ginny estava falando para Francesca.
- Se não for um incomodo. – Francesca disse a contra gosto.
- Nenhum. – Ginny respondeu alegremente. – Se o jogo for até tarde e vocês a quiserem em casa em certo horário, um de nós pode trazê-la de volta.
- Onze horas está ótimo. – Hugh falou para Ginny. – Vá pegar suas coisas, Maya. – mandou. Maya não precisou de mais incentivo. Correu até o apartamento deles e voltou correndo, passando o agasalho pelos braços.
- Estou pronta. – ofegou.
Hugh passou sua mão esquerda deformada ao redor do cotovelo de Maya.
- Agora, eu quero que você se comporte. Você é uma convidada. – murmurou na orelha dela.
Maya começou a girar os olhos, mas um aperto de aviso de Hugh a parou.
- Sim, senhor. – murmurou. – Tchau, pai. Mãe. – foi com alívio que Maya seguiu os Potter para fora do pub.
James a olhou por um momento, enquanto caminhavam para o estádio dos Falcons.
- Então, o que aconteceu com a mão de seu pai...?
- Última guerra. – Maya explicou. – Comensais da Morte o pegaram ajudando nascidos trouxas a saírem do país. Ele não tinha certeza de que feitiço eles usaram, mas não havia nada que os curandeiros pudessem fazer. Ele não pôde ir ao St. Mungos até tudo ter acabado e, então, já era tarde demais.
James sentiu seu estômago se apertar quando as memórias do que seu próprio pai enfrentara durante a guerra passaram por sua mente.
- Sinto muito. – disse sinceramente.
Maya encolheu os ombros.
- Ele aprendeu a lidar com as coisas. Ele não sente pena de si mesmo. Ou, pelo menos, não mais. – sorriu maliciosamente. – Então... Jemmy...
James corou.
- É como meus pais costumavam me chamar quando eu era pequeno. Eles não fazem isso com muita frequência. – tossiu.
- É fofo. Acho que vou começar a te chamar assim. – Maya riu quando James fez uma careta. – Então, meus pais passaram pela inspeção?
James pegou a mão de Maya.
- Eu poderia te perguntar o mesmo. Sua mãe pareceu positivamente... Desconfortável.
- Ela não estava muito alegre sobre vocês virem. – Maya admitiu. – Ela... Bem, não importa o que ela disse.
- Deixe-me adivinhar. – James começou. – Ela achou que ia ter um monte de fanfarra e que meus pais iam fazer um monte de exigências sem sentido, como devem o Chefe dos Aurores e a Editora de Quadribol do Profeta. – Maya assentiu, não querendo olhar para o rosto de James e tentando soltar sua mão da dele. James apertou os dedos ao redor dos dela, se recusando a soltar. – Várias pessoas que não conhecem mamãe e papai têm a tendência de achar isso, a princípio. Papai fica louco com isso. Ele quer que as pessoas pensem nele como todo mundo. E ele é. – James adicionou rapidamente. – Só que com uma história levemente interessante.
- É um jeito de se dizer. – Maya disse ironicamente. – Sua família toda tem uma história levemente interessante.
James encolheu os ombros.
- Ajuda se eu falar que no verão depois do meu segundo ano, papai fez Al e eu limparmos toda a barraca de ferramentas e pintar o armário de vassouras, só por que eu provoquei Lily? Ou que no verão antes do primeiro ano de Al, nós desenhamos no rosto do papai enquanto ele dormia no sofá com caneta permanente? Ele teve que ir trabalhar com uma borboleta na testa por três dias. Mamãe lê esses livros trouxas que são tão ridículos que ela os esconde atrás das toalhas no armário do banheiro. Todos os anos, no natal, ela costura uma touca, um cachecol e um par de luvas para nós. – apontou para o garoto andando entre Al e Lily. – Para Scorpius também. Tem feito isso pelos últimos três anos.
- Minha mãe não quer dizer nada com isso. – Maya disse, um pouco defensivamente. – É só que você... – hesitou, franzindo o cenho. – Você é o filho do homem que salvou o mundo mágico, o Auror mais novo de todos, e uma das melhores artilheiras que já jogaram se ela não tivesse saído no auge. E eu sou a filha de duas pessoas que gerenciam um pub...
James começou a rir.
- Desculpe. – ofegou. – Não é engraçado, mas sério... Meus pais cresceram com nada. Isso não importa. Eu realmente gosto de você, Maya. E minha mãe parece gostar de você.
- Oi! – Al chamou do lado do estádio. Ginny estava falando com um bruxo na entrada na impressa, colocando suas credenciais de volta em sua bolsa. – Vamos logo! O jogo já vai começar!
- E, aí, o mundo de alguns gira em torno de Quadribol. – James murmurou.
- O Al sabe que garotas existem? Ou ele joga no outro time? – Maya murmurou.
James olhou para a parte de trás da cabeça de seu irmão.
- Acho que não... Sobre jogar no outro time... E eu não tenho certeza se ele já sabe que garotas existem.
- E eu gostaria de manter as coisas assim por um tempo. – Ginny comentou atrás deles. Ergueu a mão e deu um tapinha no rosto de James. – Você está crescendo tão rápido...
Continua...
