Notas da Autora

Kuririn revela o seu desejo e Lian se surpreende.

Porém, Shenron...

Capítulo 54 - Amargo como o fel

No outro lado da porta da sala do tempo e espaço, havia um guerreiro com a aparência de uma criança alva com apenas um fio de cabelo, sendo possuidor de técnicas de telecinese e que estava preocupado com o que acontecia atrás da porta.

- Não se preocupe jovem Chaoz. Ele está bem. Piccolo não é um adversário a altura dele. – Karin surge, falando tranquilamente, embora estivesse triste.

- Mesmo assim... Estou preocupado com o Ten-san.

Chaoz sabia que devia confiar em Karin, pois, ambos foram resgatados dos saiyajins por Mister Popo, quando estavam em uma espécie de jaula, sendo que foram salvos, pois Kami-sama sentiu o grande poder de Tenshinhan e consequentemente, o jovem tornou-se a sua esperança.

O mestre anterior deles, Tsuru-sennin e seu irmão, Tao Pai Pai não foram salvos. Portanto, partiram como escravos nas naves rumo a Bejiita.

O desejo de vinga-los cresceu em Tenshinhan, porém, enquanto Kami-sama o treinava pessoalmente e a sua mente, consequentemente, evoluía com o advento dos tempos, conforme se tornava um guerreiro e não assassino, passou a sentir pelo antigo mestre respeito, mas, não desejava vinga-lo e inclusive, o que ele soube do Deus da Terra, o confortou.

Ele não podia derrotar os saiyajins, mas eles estavam caminhando para o fim deles, porque tanta crueldade e maldade não podiam perdurar por tanto tempo, pois, chegava um momento, que a própria maldade caminhava para o seu fim, segundo as palavras de Kami-sama. Em suma, se eles persistissem em tal caminho perverso e cruel, acabariam encontrando o seu fim, mesmo que demorasse séculos.

Tenshinhan foi treinado para derrotar Piccolo por completo e assim, Kami-sama deixaria de existir, tal como as Dragon Balls.

Esse era o desejo dele e o guerreiro aceitou tal missão amarga como o fel, pois, foi explicado que as Dragon Balls não podiam ficar disponíveis por causa dos saiyajins, por ser perigoso demais.

Então, o jovem guerreiro cai no chão e senta, dobrando os joelhos e os abraçando, enquanto falava em um murmúrio:

- Eu sei que Ten-san vai vencer... Mesmo assim...

Karin afaga a cabeça dele e sorri, fazendo o jovem sorrir e se acalmar.

- Eu sei, jovem Chaoz.

Na planície, onde Kuririn e Lian observavam o imenso dragão, o chikyuujin enfim, confessa o seu desejo:

- Eu estava pensando nos outros planetas que sofrem e os que sofrerão com os saiyajins e seus aliados que são tão cruéis e perversos quanto eles... Com exceção de alguns, os demais não mereciam existir. Acho que você concorda comigo, não é, Li-chan? – ele pergunta com a face séria.

Lian fica surpresa, mas, pensa e de fato, concordava com ele.

Afinal, os saiyajins continuariam o seu reinado de terror e perversidade pelo universo e outras raças sofreriam o destino perverso, como foi com os terráqueos e tantos outros planetas. Ademais, mais raças alienígenas iriam sofrer, tal como a sua mãe Liluni sofreu e mesmo que o imperador protegesse os terráqueos e os elevasse a parceiros, ele não poderia fazer o mesmo com as outras raças e não iria parar os conterrâneos que desejavam sangue e sofrimento. Os monstros não podiam ser parados.

Também sabia que seu irmão e pai, também concordariam com o seu amado, assim como seu tio, Tarble e sua tia Kireiko.

-Li-chan? – Kuririn encosta sua mão no braço dela com a face preocupada – Não quero desejar algo, sem saber que também compartilha dos meus sentimentos.

- Kuri-chan... Eu compartilho de sua opinião, mas, precisamos tomar cuidado com o que desejamos.

- Eu vou tomar. Tenho amigos queridos entre os saiyajins e a amo. Nunca faria algo que provocasse tristeza ou sofrimento.

- Eu confio em você. Vá em frente.

- Shenron, eu tenho um desejo.

- Diga o seu desejo.

- Quero que Bejiita e os saiyajins sofram um extermínio em massa, com exceção de alguns, como Kakarotto, Bardock, Tarble e o comandante Vegeta... Os aliados que desejam a destruição de outros seres, também devem ser extintos.

- Desejo impossível. O meu criador é Kami-sama e, portanto, não posso ter poderes acima dele. Tal desejo é não pode ser realizado.

- Que pena... – Kuririn comenta e Lian apoia a mão no ombro dele e sorri, tentando conforta-lo, que sorri fracamente.

Não se surpreenderam com a revelação de Kami-sama ser o criador do dragão, pois, um ser tão místico, só poderia ser criado por um ser divino. Portanto, era lógico que um Deus o havia criado, na concepção deles.

Na espécie de plataforma do Tenkai, Kami-sama olhava os acontecimentos, enquanto orava para que Tenshinhan acabasse logo com Piccolo, para que as esferas deixassem de existir.

Afinal, os que faziam o desejo, possuíam boas intenções em seus corações, porém, tal segredo poderia cair em mãos erradas e isso, era um risco que não podia correr.

Por isso, treinou um guerreiro poderoso e aquele era o momento de seu discípulo acabar com a lenda das Dragon balls, de uma vez por todas.

-Mister Popo está confuso... Pela ideia de Kami-sama morrer.

- Eu já tenho um herdeiro. Tenshinhan. Se ele aceitar, ele será o novo Kami-sama.

- E se ele não aceitar?

- Bem, de que adianta um Kami-sama, se não posso fazer contra os saiyajins? E quanto a você, Mister Popo, você terá a companhia de Karin. Dei autorização a ele, para que se mude de vez para o Tenkai, para que não se sinta só.

- Obrigado, Kami-sama... Mesmo assim, a tristeza que toma Mister Popo não se dissipa.

- Entendo – Kami-sama fala tristemente – Mas, não temos escolha. As Dragon balls não podem continuar existindo.

Na planície afastada da civilização, o casal percebe que o dragão ia falar algo, quando os olhos rubros ficam opacos e em seguida desaparecem, enquanto o mesmo desaparecia, sendo dissolvido em uma estranha névoa esverdeada, que depois se dissipa com um último rugido, enquanto que as Dragon balls se tornavam pedras.

- Shenron! – Lian exclama, mas, tudo fica silencioso.

O casal se entreolha e depois observam, com a face confusa e igualmente aturdida, as esferas se tornando pedras.

Distante dali, na Sala do tempo e espaço, Piccolo jazia morto, no chão e consequentemente, na plataforma do Tenkai, Kami-sama desaparecia, mas, sem deixar de sorrir para Mister Popo que tinha lágrimas nos olhos, assim como para Karin, que havia acabado de retornar de dentro do palácio.

- Adeus, Mister Popo e Karin...

Então desaparece, enquanto Mister Popo caía no chão, desolado e Karin triste, o confortava.

O corpo de Piccolo é dissolvido por uma rajada concentrada de ki de Tenshinhan e o mesmo sai da sala, entristecido, pois, sabia das consequências.

Porém, não se arrependia, porque estaria evitando que os monstros com caudas se apropriassem das esferas, causando ainda mais sofrimento às milhares de civilizações pelo universo.

Ademais, para que eles fossem destruídos, nenhum deles podia ser imortal ou algo assim.

- Ten-san! – Chaoz grita, enquanto pula no colo dele, abraçando o guerreiro que saia da sala.

- Eu consegui Chaoz. Piccolo, já não existe mais.

- Isso quer dizer que... – o sorriso do pequeno some e ele fica triste, ao se lembrar das consequências do ato de Tenshinhan.

- Eu também me sinto assim... Mas, lembre-se que foi o desejo dele. Ademais, estamos evitando que os monstros usem as Dragon Balls. Se conseguissem usa-las, a sua maldade poderia perpetuar pela eternidade. Estamos salvando o universo deles e dos aliados do mesmo, que desejam o mal a outras raças pelo universo afora.

- Verdade...

Nisso, ambos ficam entregues a tristeza, pois, Tenshinhan nutria um sentimento de carinho por Kami-sama, o vendo quase como um avô querido, sendo algo que nunca sentiu por Tsuru e por mais que tenha sido uma missão visando um fim nobre, não diminuía em nada a sua dor.

Bem distante dali, na planície, Lian pegava uma esfera, assim como Kuririn, enquanto tentavam compreender o que acontecera.

Após alguns minutos, julgaram que talvez o dragão desaparecesse após realizar o desejo ou algo assim, pois, se já houvera outros que fizeram desejo e o dragão continuou, não havia motivos para ele desaparecer após um único desejo, que não pode ser realizado.

Frente a este pensamento, que ambos compartilham após conversarem, Kuririn fala:

- Deve ser isso.

- Também acho... Bem, vamos pegar uma das esferas e iremos leva-la conosco. Assim, ninguém conseguirá reuni-las, para realizar um desejo. – ela fala, pegando uma esfera e a guardando na espécie de mala.

- Entendo... Afinal, esse segredo será mantido entre nós, os únicos que irão saber a localização da última esfera.

- Isso. Caso algum outro terráqueo saiba sobre a lenda e por algum motivo, um saiyajin consiga essa informação, será impossível reuni-las, pois, vamos esconder uma em Bejiita.

- Você teve uma excelente ideia, Li-chan!

- Obrigada Kuri-chan. E quanto a essas esferas, vamos distribuí-las em locais diferentes e preferencialmente no fundo do oceano.

Então, eles recolhem as esferas e colocam na mala, para depois começarem a distribuí-las pelo mundo, enquanto voavam sobre o extenso oceano, assim como locais congelantes.

Há milhares de anos luz dali, mais precisamente no palácio real, Kakarotto estava pensativo, sobre o fato da sua esposa, parecer ansiosa, embora ela nada falasse ou então, a mesma dizia que era impressão dele.

Mas, ele sentia pelo vínculo que tinha algo que a preocupava, mas, não conseguia descobrir, por mais que tentasse.

Naquele momento, estava andando pelos corredores junto de seu genitor e comenta:

- Chichi está estranha... Parece que está ansiosa ou algo assim, mas, não sei o que é e ela não me diz nada.

- Suno também está assim. Porém, não consegui arrancar nada dela. Claro, ela fala que é impressão minha e que está tudo bem, mas...

- E o mesmo que Chichi fala para mim.

- Chikyuujins são tão complicados... São muitos emotivos e sentimentais. – Bardock fala, enquanto massageava a sua nuca.

- Concordo.

- Mesmo assim, amo a minha Suno e acredito que essa peculiaridade dos terráqueos, assim como sua fraqueza os torna interessantes, pois, são totalmente diferentes das saiyajins.

- É o mesmo para mim, embora que Chichi consegue bater em um saiyajin de Terceira classe, desde que tenha um poder bem baixo. – ele ri e seu genitor o acompanha.

- Acredito nisso.

- Você recebeu a mensagem de Lian? Que ela estará voltando para Bejiita daqui a uma semana? E disse que tinha novidades?

- Sim e estou preocupado. Claro, ela é uma super saiyajin 4, assim como nós, mas, não consigo parar de me preocupar com ela... Ademais, está viajando com um macho. – comenta, preocupado.

- Kuririn é de confiança. É o meu melhor amigo. Ele não fará nada de desrespeitoso. Estou mais é preocupado pelo fato dela ir sozinha por aí. Apesar de dominar a forma super saiyajin 4, uma fêmea não possui o mesmo potencial de um macho.

- Concordo... – nisso, olha seriamente para o seu filho, que arqueia o cenho – tem certeza que ele é um macho respeitoso?

- Claro que sim, tou-san. Fique tranquilo. – dá uns tapinhas nas costas do pai – Ele não fará nada. Eles devem estar passeando. Ademais, Kuririn sempre quis rever os seus mestres. Além disso, eles estão namorando. Acredito que em breve irão se unir, portanto...

- Eu sei... É que é tão difícil aceitar que a minha filhota já cresceu e que em breve, irá se unir a um macho. – Bardock comenta, torcendo a cauda em irritação – Graças à convivência com você e com os outros, eu mudei. Nenhum saiyajin puro se preocupa com os seus filhos ou filhas.

- Se arrepende? – ele arqueia o cenho.

- Não. Somente me arrependo sobre Liluni.

Nisso, ele fica cabisbaixo e Kakarotto o conforta, apertando o ombro do seu genitor.

- Sei como é e acredite, não fará nenhum bem. Agora, você tem Suno. Já eu, sou casado e pai. Quando você se unir a ela e ambos tiverem filhos, com certeza, a dor que sente irá diminuir.

- Assim eu espero. – ele sorri fracamente, sendo retribuído pelo filho e ambos passam conversar outros assuntos.

Após uma semana, a nave de Lian começara os preparativos para descer na discreta pista de pouco criada por Bulma, enquanto que ela e os demais se encontravam ansiosos pela chegada iminente da nave.

Aquelas que conheciam o real motivo do casal ter ido, encontravam-se demasiadamente ansiosas, assim como apreensivas, além de angustiadas, algo que não passou despercebido para Bardock e Kakarotto, que se entreolhavam, sabendo que não conseguiriam arrancar nada delas, sendo que perceberam o fato de suas fêmeas olharem para eles, com visível preocupação em suas faces.

Tarble e Kireiko estavam alheios à preocupação delas, sendo que estavam aguardando para darem uma boa notícia aos seus amigos.

Yamcha e Pual estavam dentre eles e ambos haviam percebido o comportamento ansioso e igualmente preocupado de suas amigas, Chichi e Suno, mas, também não sabiam o motivo.

Então, a nave pousa e a porta abre, sobre o olhar de angústia e de preocupação das chikyuujins, sendo que Bulma também se encontrava preocupada com elas, arrependendo-se de sua ideia de usar as Dragon balls