CAPÍTULO XLIX
CORRIDA CONTRA O TEMPO
Quarta-feira, 13 de agosto.
Os Brasil Blade não apareceram para o café da manhã. Se tivessem aparecido, porém, teriam se deparado com a notícia do assassinato da equipe boliviana, manchete em vários jornais da região. A televisão do restaurante exibia a cobertura da investigação, afirmando que durante a madrugada os corpos dos três adolescentes foram encontrados em um beco próximo a uma favela com um único tiro certeiro na nuca em cada um. A arma do crime achava-se ao lado deles e não havia uma única impressão digital nela. Não havia nenhuma pista sobre o assassino e tão pouco conseguia o delegado explicar como os três menores conseguiram sair da delegacia em que se encontravam após o tumulto da luta do dia anterior. Esse foi o assunto do dia entre os Taichi, e até mesmo Yuy tinha algo a dizer:
- Vai ver eles estavam envolvidos com traficantes de drogas e foram silenciados pelos chefes depois de deixarem a informação vazar para a polícia. – Era a opinião de Satsuki no debate do café da manhã. Os seis Taichi estavam sentados juntos com as cabeças bem próximas.
- Pode ser que eles tenham tentado fugir, foram perseguidos e mortos sem querer pelos policiais, que ficaram com vergonha de admitir que atiraram contra os caras e agora estão tentando atrapalhar as investigações.
- Não, Toshihiro, acho que não é isso. – A loira contestou, com seu olhar de detetive alucinado. – Se fosse assim, os tiros não teriam sido todos no mesmo lugar, a arma não seria deixada no local e nem os assassinos teriam o cuidado de remover as digitais. Foi um crime premeditado com certeza, não um acidente.
- Eu acho que depois de fugirem da delegacia, eles foram atacados por um bando de caubóis sanguinários que fugiram do Velho Oeste em busca de uma melhor oportunidade de vida nos morros portoalegrenses. Eles devem ter achado divertido acabar com os carinhas, mas não queriam que ninguém descobrisse.
A opinião de Ken foi completamente ignorada.
- Deixa de ser besta, Ken! Até parece que um caubói do bang-bang americano ia se mudar pra cá em busca de vida melhor! O que aconteceu foi que os bolivianos tinham um trato com o diabo, eles venderam a alma deles em troca de poder e força no beyblade, mas como fracassaram, Belzebu achou melhor castigar os caras e armou pra que parecesse um crime sem solução!
Foi a vez de Takashi ser ignorado.
- Falando sério agora, eu concordo com a Satsuki, alguém armou tudo. – Comentou Rumiko. Estava conseguindo se manter séria até o momento, mas seu limite não demorou a chegar. – E ISSO ME DEIXA COM MUITO MEEEDO!
- Calma, Rumiko, calma... Já passou, já passou. – Toshihiro, que estava sentado próximo à garota, tentou desajeitadamente consolá-la colocando a mão em seu ombro. Funcionou. Sua cara escarlate exibia uma expressão tão cômica que todos a sua volta não puderam resistir e as gargalhadas momentaneamente tomaram conta do ambiente.Apenas Yuy permanecia sério.
- Seja lá quem fez isso, provavelmente foi a mesma pessoa que levou os bolivianos até o tal beco. Ele já tinha tudo bem planejado nos mínimos detalhes. Não sei com quem estamos lidando, mas com certeza é alguém muito esperto. Espero que esse tenha sido um fato isolado, sem nenhuma reação com o campeonato de beyblade, embora alguma coisa dentro de mim insista em dizer o contrário.
Yuy não fazia idéia do quão certos estavam seus instintos naquele momento.
14 de agosto, quinta-feira. A última luta dos Taichi na primeira fase.
A folga dos Brasil Blade acabou. Zanxam-sensei, que permitira a seus alunos brasileiros faltar aula no dia anterior, não deu um segundo de folga sequer para eles. A primeira hora de aula resumiu-se em um exercício avaliativo de língua portuguesa, e depois os cinco foram obrigados a encenar um conto de Machado de Assis para seus colegas japoneses, tendo apenas vinte minutos para ler o conto e combinar como seria a apresentação. Ele se chamava "Uns Braços" e a discussão sobre quem faria que papel no texto se arrastou por bem mais do que vinte minutos.
O conto falava de um jovem interiorano que se mudava para a casa de uma família da cidade para estudar. Na casa, vivia um homem com sua esposa, uma mulher já nos seus trinta anos muito submissa. Ao longo do conto, o rapaz confessa que se apaixonou pelos braços da tal mulher, e certa noite, enquanto esperava por uns amigos que o buscariam para uma espécie de festival, a senhora lhe chamou para uma conversa um tanto insinuante. Nada demais aconteceu, depois dessa única noite se comportando estranhamente, ela voltou a se comportar como sempre fazia, como se nada tivesse acontecido.
O grande problema para os Brasil Blade foi decidir quem faria o papel da mulher na história. Carlos, que dormiu durante a leitura do conto, foi descartado logo de cara sob o risco de dormir durante a apresentação. Cristiano, ingênuo do jeito que era, não conseguiu ler as entrelinhas da história, e no fim da leitura ainda não sabia exatamente do que ele se tratava. Nenhum de seus colegas estava disposto a explicar, ele ainda era muito novo para essas coisas. Os três papeis relevantes ficaram então para serem decididos entre Felipe, Luiz e Ayatá.
- Eu acho que o Luiz via fazer a Dona Conceição. Ele é o que tem mais jeito pra coisa! – Exclamou Felipe, em seu inconfundível tom de gozação.
- Tá me chamando de viado?
- Não, tô dizendo que você é o melhor ator que eu conheço. – Sua afirmação não convenceu.
- Pois bem, se eu sou a Conceição, isso significa que você vai ser o guri do interior!
- O que você quer dizer com isso?
- Ora, leia as entrelinhas, meu caro... Você insiste tanto pra que eu faça a mulher ao mesmo tempo que quer sempre fazer o mocinho, eu vejo uma outra coisa aí...
Felipe corou, uma reação que para Luiz poderia significar tanto vergonha quanto fúria, embora ele achasse que estava mais para a primeira.
- O gaúcho aqui é você, lembre-se disso.
- Não só gaúchos que são viados, e você sabe muito bem disso...
A partir desse ponto, a discussão tomou um novo rumo, com ambos garotos falando cada vez mais alto e rápido. Eles só pararam quando Ayatá, em outro estalar de dedos, calou os dois como se fosse mágica, colando seus lábios um no outro.
- Chega. Eu serei a tal da Conceição, se isso está causando tanta discussão. Felipe será o marido e Luiz, o rapaz. Agora vamos começar logo porque já estouramos e muito o tempo que Zanxam-sensei nos deu, e eu não pretendo ter minha cabeça arrancada antes de vencer esse torneio.
Como não podiam falar, a dupla não teve outra opção se não concordar com o índio, e assim a apresentação começou. Por segurança, Ayatá achou melhor não soltar a boca dos dois durante a apresentação, e coube a Cristiano o trabalho de ler as falas enquanto os atores as interpretavam. Sua habilidade oratória era notável, ele até mesmo afinava e engrossava sua voz de acordo com o personagem que falava, além de ler com uma fluência invejável. Os Brasil Blade se saíram melhor do que o esperado e Felipe e Luiz só puderam voltar a abrir a boca na hora do almoço.
Agonia na hora de chegar ao Gigantinho para a última luta dos Taichi na primeira fase. Um acidente de trânsito paralisou a Avenida Borges de Medeiros, principal acesso ao ginásio, deixando os beybladers presos entre um mar de carros e ônibus estagnados. Faltavam apenas dez minutos para o começo da luta e eles ainda não haviam percorrido nem a metade do caminho.
- E agora, o que vamos fazer? – Rumiko era de longe a mais nervosa. Dentro da van do tio de Luiz, ela mal conseguia permanecer sentada, para desespero de Satsuki e Toshihiro, que se encontravam sentados ao seu lado.
- Não acredito que chegamos tão longe para perder por W.O. antes mesmo das finais! – Exclamou Ken, nervoso. Ele, Takashi, Yuy e Cristiano dividiam o banco em frente à Rumiko.
- Tem que haver um jeito de chegar lá! Não é possível... Tem que haver...
- Mas tem! – A voz de Luiz vinda do banco da frente quase perfurou os ouvidos dos beybladers, mas contanto que isso significasse uma saída para esse grande impasse, era bem-vinda. – Eu sei como chegar até o Gigantinho a pé a partir daqui. Podemos ir correndo até lá!
- Mas eu não consigo correr e ainda estamos bem longe! – Exclamou Takashi, revoltado e desesperado só de pensar em ter que mover suas pernas rapidamente.
- Eu também não! – Exclamaram Satsuki e Rumiko ao mesmo tempo.
- Qual é a distância? – Perguntou Yuy, o primeiro a dar a impressão de que a ideia de Luiz não era tão absurda assim.
- Calculo que uns dois quilômetros mais ou menos.
- Temos dez minutos mais os cinco de tolerância. Eu vou. – A decisão de Yuy atingiu seus colegas de surpresa, eles não esperavam que alguém fosse concordar com tal absurdo. – Vou tentar ganhar tempo demorando o máximo que puder na primeira luta, dando tempo pra todos vocês chegarem.
- Sozinho você não vai conseguir, Yuy. – Afirmou Toshihiro, extremamente sério. – Mesmo que consiga chegar lá em tempo de fazer a primeira luta e enrole bastante, ainda assim não creio que vá dá tempo para os outros chegarem. – Os Taichi baixaram os olhos, resignados, mas logo voltaram a erguê-los. – É por isso que eu vou com você. Nós dois juntos talvez consigamos enrolar tempo suficiente para os outros chegarem.
- Olha, eu posso até não ser um bom corredor, mas eu acho que se caminhar até lá, posso conseguir chegar para a terceira luta. – Vendo que Toshihiro se animava a tentar o desafio também, Ken sentiu-se encorajado para se pôr a prova.
- E eu posso ajudar o Ken a se guiar. – Sugeriu Ayatá, envolvido pela energia positiva que emanava dos Taichi e seu elevado espírito de luta.
- Então não vamos perder mais tempo! Toshihiro, Yuy, vamos até o Gigantinho!
Dizendo isso, Luiz abriu a porta da van e os três beybladers partiram, correndo a toda velocidade pela calçada lotada de gente. Atravessaram a Borges de Medeiros, passaram o shopping Praia de Belas, o parque Marinha. O Gigantinho estava lotado, por um momento pareceu que eles não fossem conseguir, na altura que alcançaram o parque já estavam quase sem energia, mas a determinação em não perder antes de lutar manteve o trio correndo num estado de semi-consciência. Apenas ao pisar no chão da arena o transe foi quebrado e Yuy se dirigiu para a o primeiro confronto contra os Paramaribo's Stars, de Suriname.
- Aproveite esse tempo para descansar, eu vou tentar fazer essa luta demorar. – Sussurrou Yuy para Toshihiro antes de partir e encarar o oponente, um garoto moreno de olhos aguados chamado Andréas Segall. Ele devia ter cerca de doze anos e, ao ver o já intimidante líder dos Taichi andando em sua direção com o rosto vermelho e coberto de suor, suas mãos começaram a tremer e ele quase soltou o lançador.
A luta começou. Os fãs esperavam uma luta rápida, no melhor estilo Koichi Yuy de detonar, mas não foi bem isso que eles viram. Yuy deixou seu oponente atacá-lo primeiro, sem nenhum revide. A beyblade de Andréas fazia o que bem entendia, aparentemente. Somente sua beyblade atacou durante os primeiros minutos de luta, Fenhir permanecendo quieto. O público se agitou, não conseguiam entender o que estava acontecendo. O pequeno adversário de Yuy aos poucos começou a gostar da luta, sentindo-se cada vez mais a vontade. Cinco minutos haviam se passado desde o início dela, e ainda nenhum sinal de Ken.
- Vou acabar com a luta agora, líder dos Taichi!
De fato, esse foi o fim da luta, mas não como Andréas esperava. Yuy não pôde mais se conter, precisou contra-atacar, e acabou vencendo a luta de uma maneira arrasadora, com se os últimos cinco minutos não tivessem acontecido.
- Urameshi, tente atrasar o máximo possível, pelo menos até termos alguma notícia de Urashima. – Foram as únicas palavras que o chinês trançado ouviu antes de subir à arena para sua luta. Mesmo a vitória agora não era uma garantia de classificação, pois era preciso fazer a terceira luta mesmo ganhando as duas primeiras, e a derrota por W.O. era suficiente para desclassificar um time.
Alessandra Viñas era a adversária de Toshihiro, uma garota pequena, delicada como uma boneca de porcelana, mas de expressão tão vil quanto a de um demônio. Usava um vestido negro longo cheio de bordados e um véu cobria seus cabelos também negros. Como já era de se esperar, sua beyblade também era negra. O olhar que lançou a Toshihiro demonstrava seus mais sinceros desejos de trucidar o adversário, mas o mestre de Fenku não se sentiu intimidado. Na verdade, se a situação não fosse tão fosse tão tensa, ele teria achado a adversária um tanto cômica.
O inicio dessa luta foi bem parecido com o da luta anterior: Alessandra parecia dominar o jogo, atacando ininterruptamente o adversário. Sua beyblade negra dançava um ballet letal na arena, e diferentemente de Yuy, Toshihiro estava tendo dificuldades para manter o controle do jogo.
- Achou que ia ser fácil me controlar como seu amigo fez na luta de antes? – Perguntou ela, com um sorriso enigmático que misturava ao mesmo tempo felicidade e raiva. – Sinto, mas acabas de cometer um erro fatal! Eu, Alessandra Viñas, criada entre os mestres de beyblade de meu país, não serie manipulada e muito menos derrotada por alguém como você, que acha que pode brincar conosco só porque ganhou três torneios continentais!
Toshihiro achou melhor não responder, deixou que ela falasse para tentar ganhar mais tempo. O que Alessandra dizia era verdade, sem dúvida ela não era uma adversária fraca. Seu padrão de ataque era complexo, bem pensado, sem nenhuma brecha visível. Ela estava dominando a luta de verdade, se a situação continuasse, muito provavelmente ela seria capaz de empatar o jogo.
"Preciso fazer alguma coisa, preciso quebrar esses ataque de algum jeito sem acabar com a luta! Ken, onde está você?"
Em algum lugar entre uma avenida movimentada e um grande parque arborizado, junto a um shopping center, um japonês de franja inimaginavelmente bagunçada e um pequeno índio lutavam para conseguir transpor seus próprios limites. Ainda tinham uma longa caminhada pela frente antes de atingirem seu objetivo final, mas no meio de seu caminho havia um buraco, onde Ken torcera o pé e se esforçava para andar apesar da dor, ajudado por Ayatá.
Ambos estavam tão apressados em sua caminhada acelerada que não perceberam, logo após ultrapassar o shopping, a rua esburacada e irregular que tinham pela frente. Entre a calçada e um vasto terreno abandonado havia um fino muro de concreto, e entre este e a calçada, vários buracos relativamente grandes. Ayatá seguia sempre na frente, guiando Ken em sua travessia da selva de concreto, não tinha consciência que o amigo não percebera o perigo eminente. Quando Ken soltou um urro de dor, já era tarde demais.
- Ken! – Gritou ele, voltando até o amigo caído em um salto.
- Ah, meu pé... Isso dói! Dói!
Ken parecia realmente tomado pela dor. Todos os músculos de sua face encontravam-se contraídos, seus dentes rangiam e seus olhos estavam fechados. Suas mãos seguravam algum ponto logo a cima do tornozelo. Abaixo delas, o pé de Ken afundava no buraco e era impossível saber da real extensão dos ferimentos.
- Fique calmo, temos que tirar sua perna daí. – Disse o indiozinho, assumindo o controle da situação rapidamente. – Vai doer um pouco, mas eu peço que agüente, se não, não vamos chegar até o Gigantinho.
Ayatá deu um rápido puxão na perna machucada para tirá-la de uma vez, provocando novos gritos desesperados de Ken. A calça do japonês estava rasgada e sua meia cinza adquirira uma tonalidade um pouco mais avermelhada. Com cuidado, e impedindo que o japonês visse o que estava fazendo, tirou o sapato e a meia do garoto e teve que desviar o olhar por alguns instantes para não perder o controle.
- Como está isso aí? – Perguntou Ken, inseguro. Torcia para que a dor que sentia não fosse proporcional ao dano causado.
- Ken, você quer realmente ir até o Gigantinho e lutar? Essa é a coisa mais importante para você nesse momento?
- Sim, por quê? – Respondeu ele, preocupado.
- Você estaria disposto a fazer qualquer sacrifício para lutar, sem se importar com as conseqüências?
- Não me diz que vai ter que amputar!
- Também não é assim... – Ayatá se surpreendeu com a imaginação do japonês, mas isso acabou animando-o. É, ele podia estar pior. – Mas tem um corte bem feio ali e eu acho que alguma coisa se deslocou. Falta menos de um quilômetro pra gente chegar, mas eu vou ter que te carregar até lá e vai ser bem demorado.
- Vamos o mais rápido que podermos. Os Taichi estão contando comigo e eu não quero decepcioná-los!
- Sabe, eu gosto de caras obstinados. Acho que minha opinião sobre você vai mudar um pouco a partir de hoje...
- O que você quer dizer?
- Ah, nada, não... – O Filhote de Paracelsius brasileiro teve que desconversar, não era esse o melhor momento para revelar sua verdadeira opinião sobre alguns dos orientais. – É melhor irmos andando, como você disse, seus amigos dependem de você.
E assim seguiu a dupla em marcha lenta pelas ruas cheias e paradas de Porto Alegre. O engarrafamento e os buzinaços continuavam, os carros não se moviam e poucas pessoas andavam na rua agora, a maioria fugindo da sinfonia automobilística.
O cerco estava se fechando para os Taichi. Como fugir era impossível, só restou a Toshihiro atacar para não cair. O chinês revidava todos os golpes adversários medindo sua força para que a luta não acabasse, ambos estavam em equilíbrio de forças, até Alessandra novamente abrir a boca:
- A hora de brincadeira acabou, eu não posso deixar você tirar uma com a nossa cara! Vamos, acabe com ele, minha beyblade!
O Gigantinho calou-se de súbito. No banco dos Paramaribo's Stars, os membros remanescentes foram os primeiros a comemorar o que parecia ser o empate. Depois do derradeiro ataque de Alessandra, Fenku sumiu das vistas de todos e alguns tomaram isso como a vitória, apesar da indecisão do juiz, que se recusava a declarar a garota vencedora enquanto Fenku não aparecesse. O público logo passou a vaiá-lo por sua falta de atitude, mas nem isso foi o suficiente para fazê-lo decidir-se. Ao menos o desaparecimento de Fenku deu algum tempo aos Taichi, embora Toshihiro soubesse que não podia continuar com esse plano para sempre.
- Vai logo,Urameshi, acaba com isso. Depois veremos o que fazer quanto a Urashima.
Agora sim nada mais podia ser feito. Obedecendo ao líder, Toshihiro evocou sua beyblade sabe-se-lá-de-onde e seu superataque varreu a beyblade negra da arena. Dois a zero Taichi, mas sem garantias de vitória.
Assim que foi declarado vencedor, Toshihiro se dirigiu ao juiz para explicar a situação em que se encontravam, acompanhado de Yuy. Contou como estavam presos no trânsito e vieram correndo e como seu amigo e terceiro lutador estava vindo para a luta. Em seguida, os dois pediram que ele desse mais algum tempo para Ken chegar. O prazo máximo que conseguiram foi dez minutos.
À medida que o tempo passava, o coração de Toshihiro acelerava mais e mais. Onde estariam Ken e Ayatá? O que raios eles estavam fazendo para demorar tanto? Depois de estourada metade do prazo, Yuy decidiu sair em busca do garoto. Tinha quase certeza que alguma coisa muito ruim havia acontecido. Sozinho no banco dos Taichi, Toshihiro roeu todas as unhas das mãos e teve que se controlar para não arrancar os tênis fora e roer as dos pés também. O placar eletrônico marcava a contagem regressiva para o fim do prazo, para sua derrota. Depois de tanto esforço, de quase morrer para chegar até ali, não podia acreditar que sua jornada havia chegado ao fim tão precocemente. Ken jamais chegaria a tempo, com o sem Yuy, a derrota era uma questão de apenas dois minutos.
Quando o tempo restante passou a ser medido em segundos, o chinês fechou os olhos e agarrou-se a sua trança como uma forma de reza desesperada pedindo um milagre ou ao menos uma derrota menos traumatizante. Apertou tanto sua trança que ela chegou a quase se desfazer. Ao menos seus atos não foram em vão: faltando vinte segundos para o fim do prazo, Ken finalmente entrou no Gigantinho. Estava nas costas de Yuy e o ferimento em seu pé manchava de vermelho o chão do local, mas esse detalhe era pouco importante perante o fato de que os Taichi ainda não haviam sido desclassificados.
- Agora eu vou lugar pra valer, gente! – Exclamou o japonês assim que Toshihiro largou seu pescoço. O chinês estava quase chorando de tão emocionado, algo que Ken guardou na memória para fazer chantagem emocional no futuro. – Vamos honrar nossa classificação!
- Assim é que se fala, Ken! Arrasa com eles! – Exclamou Ayatá, feliz por ter finalmente cumprido sua missão. Quando Yuy os alcançou, eles estavam recém entrando no parque Marinha, nunca chegariam em tempo sozinhos. Ao menos agora podia relaxar e assistir a essa última luta do dia.
Ken estava tão feliz por finalmente ter chegado e estar lutando que não se importou com a dor no pé ou com o fato de estar sendo apoiado pelo líder mais chato que um time podia ter, ele simplesmente deu tudo que tinha na luta, chamou por Fenrochi e não deu chances para seu adversário sequer tocá-lo. Depois de uma emocionante corrida contra o tempo, os Taichi podiam finalmente se considerar salvos.
- Você devia ir pro hospital, Ken. – Foi a primeira coisa que o japonês ouviu assim que o furor pela vitória começou a se dissipar. Toshihiro, Luiz e Ayatá estavam a sua frente exibindo feições preocupadas e apreensivas.
- Ah, que nada, isso nem tá mais doendo! – Respondeu ele, fazendo pose de despreocupado. Imediatamente depois de terminar a frase, Ken sentiu seu corpo despencar e bater contra o chão duro do Gigantinho. – Hey, que história é essa, Yuy?
- Você disse que não estava mais doendo, então deve ser capaz de andar sozinho.
- Mas é claro que eu consigo! Observe! – Ken tentou se levantar, mas assim que apoiou o pé machucado no chão, sentiu o corpo ceder novamente e uma desagradável sensação de dor aguda e cortante vinda de seu pé. – Tá, eu acho que não... – Teve que admitir, provocando risos de praticamente todos a sua volta, com exceção de Yuy.
- Tem hospital aqui bem pertinho, o Mãe de Deus. Vamos pedir para o Daitenji-san te levar até lá. – Sugeriu Luiz assim que conseguiu parar de rir.
- Daitenji-san está aqui? – Perguntou Toshihiro, surpreso. Até o momento não havia percebido a presença do presidente da BBA.
- Devia estar, pelo menos. Ele é o presidente, não é? É sua obrigação assistir às lutas.
- Mas ele anda meio sumido ultimamente, não? Achei que ele fosse mais presente... – Comentou Ayatá.
- E era. Quando estávamos em Hong Kong ele nos acompanhava sempre. Agora que você falou, já faz um tempinho que ele não nos acompanha de perto nas lutas, me pergunto o que ele estará fazendo...
- Vai ver está investigando a aparição dos ÓVNIs que querem invadir a Terra!
- Será que um ferimento no pé pode também influenciar o cérebro?
- Muito engraçado, senhor Ceia de Natal!
- Sem piadas com meu sobrenome!
- Ken, Luiz, chega disso. – Ayatá novamente se intrometeu na discussão. – Vamos levar Ken para o hospital com ou sem Daitenji-san e avisar os outros sobre o que aconteceu.
- Eu vou ligar para o meu tio então.
- E nós vamos andando, Urashima.
Ken novamente foi colocado nas costas de Yuy e os dois saíram em direção ao hospital, guiados por Luiz. Toshihiro e Ayatá os seguiam, mas mantinham-se um pouco afastados enquanto discutiam sobre a estranha ausência de Daitenji-san. Quando o trânsito foi finalmente liberado e a van de Albert Schneider pôde finalmente se mover, o grupo seguiu em direção ao hospital, onde encontrou o membro mais pirado dos Taichi com o pé enfaixado e sob ordem de utilizar muletas durante uma semana.
Com as duas equipes classificadas para a segunda fase, nada mais natural do que uma festa no hotel para comemorar. Para o jantar, churrasco gaúcho legítimo mal passado. Depois da janta, para fazer a digestão dos vários quilos de carnes que cada um ingeriu, foi exibido um filme com os melhores momentos do torneio durante a primeira fase. Se Zanxam-sensei não tivesse passado tanta lição de casa para seus alunos, a festa teria evoluído para um pequeno torneio entre os beybladers, sem hora nem dia para acabar.
Coro: Aê! Dois capítulos em dois dias!
James: E amanhã tem mais!
Coro: É um recorde! Três capítulos escritos em dois dias!
James: Quero recuperar o tempo perdido!
Ken: Mas não precisava te me deixado igual a você... ¬¬'
Luiz: Isso é verdade. Até mesmo o hospital que a gente levou o Ken era o mesmo que você operou, James...
James: Nunca ouviram falar que as emoções do autor são transmitidas para suas histórias?
Luiz: Ainda bem que não foi comigo...
James: Só não foi com você por causa do próximo capítulo. (olhar malvado)
Luiz: O capítulo que eu sou a estrela!
Rumiko: Quanto tempo faz que a gente não anuncia um capítulo que já está escrito, hein?
Toshihiro: Muito tempo...
Felipe: Pois então não percam o próximo capítulo: "Uma data muito especial". Luiz vai ser a estrela, não que ele mereça uma coisa assim...
Luiz: Hey! Eu é que ia fazer a chamada do capítulo!
James: Sossega, você vai ganhar o todo o espaço dos comentários amanhã...
Voz: Todo não...
Luiz: Ah, até aqui ela se intromete? Sai daqui, protótipo de gente, ainda não é seu aniversário!
Voz: Olha o respeito comigo! Eu não sou mais a pirralha que você conheceu, não, já tenho quase treze anos agora!
Luiz: Treze anos é idade de pirralho...
Yuy: Então você admite que era um pirralho na época do Campeonato Mundial.
Luiz: Não!
Satsuki: Você tinha treze anos... Era um pirralho sim!
Luiz: Não é verdade!
Ayatá: Gente, isso aqui está virando uma arena para massacrar o Luiz! Vamos maneirar!
Felipe: Ah, é, claro. Pede pro James mandar a gente parar!
Ayatá: Mas cadê ele?
(James sentado na cama assistindo tv no último volume)
Ayatá: Deixa pra lá...¬¬'
Rumiko: Bom, amanhã tem mais um capítulo! Espero que tenham gostado desse...
Felipe: Porque nós gostamos muito!
Ken: Você diz isso porque não foi você quem quase teve o pé decepado! ò.ó
Toshihiro: E nem teve que correr dois quilômetros em velocidade match! ò.ó
Felipe: É que eu gosto de tensão! XD
Ken: Mais alguém além de mim está a fim de cair em cima do Felipe? o.Õ
Coro: Conte comigo!
Felipe: OMG! OOv Socorro mamãe!
(Felipe sai correndo adoidado com um bando de malucos perseguindo ele) (cena clássica da perseguição em um corredor cheio de portas) (cena clássica deles correndo no pôr-do-sol)
(James assistindo tv no volume máximo)
Voz: Bem, acho que sobrou pra mim encerrar o capítulo! XD (pega um taco de baseball) Nos veremos amanhã de novo, agora eu preciso correr pra não ficar muito atrás dos outros! Bye! o/
