Antes de mais nada tenho que pedir UM MILHÃAAOOO de desculpas pelo meu imenso atraso! Mas mais adiante tenho uma surpresa que com certeza vai justifica-lo, ou pelo menos assim eu espero. Sem falar que esse capítulo que era originalmente para ser apenas uma parte do 46 se tornou maior do que ele, e talvez o maior que eu já escrevi! Cada vez que eu começava a mexer nele tinha mais e mais ideias, chegou ao ponto em que eu tive de me policiar que já estava extrapolando! Mas vamos ao que interessa! Não posso dizer no momento quando postarei o próximo cap porque por causa de minha pequena surpresa me atrasei para começa-lo, e até esse momento só tenho uma página. Então não será essa semana obviamente, mas acredito que no máximo, no próximo sábado, deve estar pronto (assim espero).

Aí vai o link, deem uma olhada depois de ler! ( albums/x442/Jeamalo/?action=view¤t= 4)

Obrigada a Oyuky, Mari, Guest( isso é seu nome?), Charlotte Schmit, Carla e Mainara PWM pelas reviews! Foi mal galera!

LEIAM, COMENTEM E RECOMENDEM!

47 O que vi

Depois de quase duas semanas em que estávamos sem sinal dele ou dos outros e a maioria já tinha perdido as esperanças. E eu estava bem perto de perder era minha lucidez.

Naquele dia fora até seu leito e lhe contara como fora meu, se tronara rotina fazer aquilo. Não tinha certeza se ele podia de fato me ouvir, mas gostava de acreditar que sim. Já cansada pelo dia me aconcheguei mais perto dele e toquei seu rosto com a palma da mão esquerda. A principio deixei que meu poder simplesmente fluísse para ele como de costume, já podia inclusive sentir a inconsciência me puxando, mas então... Não tenho certeza de como realmente aconteceu, apenas deixei que as forças me puxassem. Em uma estranha semiconsciência onde a realidade se misturava com meu fluxo de lembranças e o preludio do sonho que começava a ter um rosto familiar e que eu tanto amava surgiu com seu sorriso brilhante como o sol.

_ Tony! Chamei satisfeita, ele estava aparecendo muito constantemente em meus sonhos os últimos tempos, mas era sempre vago e logo desaparecia, não perderia essa oportunidade de lhe arrancar algumas respostas.

_ Tony precisa me dizer como ajuda-lo! Tem que me dizer como posso resgatar meu Jake! Implorei.

Seu sorriso se desfez e ele me encarou com seriedade.

_ Você sabe que isso pode lhe custar caro não? Que para fazer o necessário para salva-lo você será quem sairá mais ferida certo? Perguntou ele como se quisesse ter certeza de que eu conhecia todas as consequências.

Ele já deixara claro no passado o perigo de estar no limbo, especialmente no de outra pessoa, mas eu pagaria o preço que fosse para ter meu Jake de volta.

_ Só me diga o que fazer... Pedi.

Ele me encarou longamente com aquele olhar serio e então respirou profundamente e assentiu.

_ Você já está interligada a ele, metade do trabalho está feito, só tem de inverter o processo.

_ Como assim?

_ Sua mente está conectada a dele através de seus poderes...

_ Espera aí! _ falei o interrompendo_ O que você quer dizer com "inverter"?

Ele sorriu e então sumiu como sempre sem me dar qualquer explicação. Bom, quase isso, porque mal ou bem agora eu tinha o "inverter", se é que pode dizer, é alguma coisa.

Pensei sobre isso. Lembrei-me do que Leah havia nos contado que a maior dificuldade deles era encontrar o limbo de Jake, ou seja, se conectar a sua mente, que estava fora de seu corpo, quando não faziam a passagem juntos. É como marcar de pegar o mesmo ônibus que outra pessoa pegou na sua frente, é uma questão de muita sorte e cronometragem. Então minha cabeça deu um estalo.

Era isso! Ele queria que invertesse meu poder e ao invés de mandar apenas meus pensamentos ele queria que eu mandasse minha própria mente! Como Leah, Quil e Embry fizeram! Ele só podia estar louco! Quer dizer eu podia por coisas nas mentes das pessoas, mas o que ele estava sugerindo era que eu literalmente "entrasse" na cabeça de Jake! Eu não sou Edward Cullen, não sou telepata!

Mas encontra partida tudo que Tony me dizia era sempre verdade, então não havia motivos para duvidar de sua palavra, por mais estapafúrdia e improvável que parecesse. E afinal eu tinha alguma opção? Não tinha nenhuma outra ideia e já tinha chegado a conclusão de que a única forma de trazer Jake de volta era ir atrás dele, então que assim fosse.

Analisei minhas cartas, eu ainda podia sentir minha mente unida a de Jake, era uma linha tênue e que estava sendo mantida unicamente por minha mão que ainda devia estar tocando sua bochecha. Mas aparentemente isso não era o suficiente, eu teria que usar essa ligação para conseguir chegar até seu limbo. Eu sabia que não estava no meu próprio, porque a sensação de semiconsciência e do sonho, ainda estavam presentes, apesar de não estar completamente no mundo real. Era como se estivesse flutuando entre os dois espaços, como quando estamos pegando no sono, mas ainda conseguimos ver e ouvir o que acontece no quarto. As lembranças do sonho se embaralhavam com meus pensamentos e me deixavam confusa, eu tinha de resolver logo isso, antes que acabasse dormindo, ou pior, meu pai notasse minha ausência e tentasse algo. Teria de ser rápida e precisa.

Busquei pela linha que ainda me prendia a ele e concentrei-me apenas na onda de pensamentos que estava enviando para Jake e em fazer o inverso do que normalmente faço, ao invés de mandar meus pensamentos, e sim mandar minha própria mente para dentro da de Jake, e assim acabar dentro de seu limbo. Ou esperava pensava eu. Mas o que de fato aconteceu foi um pouco diferente disso...

Eu fora sugada para dentro como se tivessem aberto um ralo, e passei pelo que parecia um longo interminável cano cheio d'água, e como havia água! Era como se tivessem me dado descarga, ou se estivessem em um tobogã fechado. No começo eu me assustei e achei que morreria afogada, mas isso não aconteceu, eu apenas era puxada cada vez mais rápido, não consegui ver absolutamente nada, até que um pequeno feixe de luz se fez visível na minha frente. Literalmente uma luz no fim do túnel. Senti um forte frio na espinha, era o meu fim!

O pequeno feixe então começou a aumentar de acordo com que eu me aproximava dele, e eu não podia desviar meus olhos, nem fechando e apertando os com força. Aquilo estava em meu cérebro não diante de meus olhos. A luz ficou mais e mais forte até que então tudo estava branco, as paredes, eu, tudo! Mas então não havia mais água nem o cano. Eu estava em uma grande sala branca sem portas ou janelas, mas estranhamente não senti medo, na verdade aquele lugar me trazia paz.

Fiquei ali aproveitando aquela boa sensação até que um leve e baixo chiado começou. Achei a principio que pudesse ser o som do silencio, ou algo assim, mas então o som foi ficando mais alto, e de um chiado passou para sussurros. E os sussurros, começaram a aumentar de volume, até que se tornaram gritos. Pus minhas mãos em meus ouvidos enquanto tentava inutilmente abafar som estrondoso. Parecia que eu estava no meio de uma partida da final da superliga entre os Yankees e o Red Sox. Eram varias vozes gritando ao mesmo tempo coisas diversas e eu não conseguia compreender nada do que diziam.

Abri meus olhos procurando de onde podia vir tanto barulho, e notei que a sala estava tomada por pequeninas luzes coloridas que piscavam e flutuavam por ela presas ali como estrelas no firmamento. Pisquei varias vezes tentando vê-las com mais nitidez, mas elas mantinham-se inalteradas, brilhando. Não tinha certeza de muita coisa, mas o pouco que podia perceber, ou pelo menos especular, era que todo aquele barulho vinha não de um lugar, mas de vários pequeninos. Vinham das estrelas. Aproximei-me de uma aleatoriamente, ela tinha uma coloração verde alface e brilhava mais forte de acordo com a proximidade, o som que vinha dela também ficava mais nítido e mais alto. Tentei me concentrar nela especificamente e me surpreendi ao reconhecer a voz que vinha dela, era Billy!

Ele parecia estar contando uma estória de ninar ou algo do tipo, mas não se conta uma estória para que uma criança durma gritando, ou talvez ele não estivesse realmente falando alto, só meus ouvidos que estivessem desregulados. Não prestei muita atenção em suas palavras e logo me afastei e concentrei em encontrar a única voz que importava no momento. Jake! Não era a toa que as pessoas que ouviam vozes na cabeça eram consideradas loucas, era impossível manter a lucidez com tanto barulho. Meu cérebro parecia ter sido jogado em um liquidificador.

Demorou um tempo até eu conseguir separar todas as vozes que estavam lá e enfim achar a que estava procurando. Todas aquelas luzinhas coloridas e todas aquelas vozes altas me atordoavam muito e eu me sentia como uma criança pequena na frente de uma cristaleira, querendo tocar em todas aquelas luzinhas coloridas. Aproximei-me e toquei uma que tinha a cor de um azul esverdeado, como a água do mar. Jake estava falando com alguém, entrei mais na pequena luz que aumentou de intensidade, assim como o som que estava mais nítido, e pude reparar que aquilo se tratava de lembrança! Jake estava no que pelo som do mar e das gaivotas parecia ser a praia de La Push e estava contando algum tipo de estória de terror para... Para minha mãe! Prestei cada vez mais atenção, até que as vozes foram ganhando cor e eu pude vislumbrar tudo inteira com perfeição. Jake olhava para o rosto humano de minha mãe, e puxa vida como ela era bonita! Eu já tinha visto varias fotos dela dessa época, mas era completamente diferente poder ver desse jeito, quase como se eu estivesse mesmo lá ao seu lado.

Seu rosto em forma de coração estava meio pálido e suas bochechas e a ponta do nariz levemente vermelhos por causa do frio. Prestei mais atenção no que falavam, Jake parecia estar contando a ela algo que ele acreditava ser apenas uma lenda boba, mas ela parecia estar bastante interessada, e isso o deixava lisonjeado, o que foi estranho. Eu também podia sentir o que ele sentia, e ele estava ansioso e empolgado pela atenção que estava recebendo, muita satisfeito na verdade. Ele queria impressiona-la, embora achasse que o que estava dizendo não passasse de balela. Não gostei disso. Então notei que o que ele estava contando para ela, não era nada mais nada menos do que uma lenda Quileute, mais especificamente a sobre nós. Ele nunca me contara aquilo, nunca ninguém havia me dito que Carlisle havia feito um tratado de paz com um antepassado de Jake. Senti-me mal ao constatar que eu realmente sabia muito pouco sobre as coisas que antecederam meu nascimento e comecei a ver as possibilidades de estar onde estava.

Pelo que pudera notar eu não tinha parado exatamente no espaço do limbo, mas eu estava de fato na cabeça de Jake, o que queria dizer que eu tinha acesso ilimitado a toda e qualquer lembrança contida ali. Senti uma leve culpa por estar deliberadamente tendo a intenção de sair bisbilhotando os pensamentos e memorias de Jake. Eu estava sempre incomodada e fugia de meu pai por isso e agora aqui estava eu prestes a fazer o mesmo. Considerei então o fato de que não fazia ideia de como entrara naquele lugar especifico e muito menos como sair. Eu ainda tinha de encontrar Jake, mas não fazia ideia nem de por onde começar. No entanto eu estava na parte de sua mente responsável pelas suas lembranças, com um pouco de sorte ao chegar ao fim da estrada de tijolos amarelos eu chegasse à cidade das esmeraldas!

Tratei de ignorar minha consciência que ficava me cutucando e dizendo que eu não devia fazer isso, que era errado e que eu ia me arrepender depois por fazê-lo, mas tentei ignora-la, trancando-a em alguma sala de minha própria mente junto com meus escrúpulos e todo o senso de respeito à privacidade alheia. Sai daquela lembrança e voltei para a sala, tentei entender como a disposição de memorias funcionava. Olhando mais atentamente pude ver que todas eram ligadas por um finíssimo fio dourado. Eu sabia que a lembrança que acabara de ver era consideravelmente recente, não podiam fazer mais de sei lá, 5 anos? Talvez menos. Fui andando de um lado para o outro me sentindo mais perdida do que rato em um labirinto. Andei pelo que pareceram horas e aquilo já estava me deixando inquieta e nervosa, estava prestes a tocar em qualquer luz mais próxima, quando um leve brilho dourado entrou em meu campo de visão.

Diferente dos outros, deste não eram vozes altas o que se ouvia, mas sim o forte bater de um tambor. Era um som rítmico e muito agradável, estranhamente familiar. Dei alguns passos em sua direção receosa de do que poderia ser talvez não fosse uma lembrança a qual eu gostaria de ter acesso, mas ao me aproximar pude sentir um confortável calor emanando dela. Era aconchegante e eu sentia uma estranha emoção vindo dela. Terminei o espaço que nos separava e toquei com a ponta dos dedos, um brilho forte e vivaz tomou conta de tudo e me senti como se estivesse sendo abraçada pelo sol. A luz forte que me englobava brilhou até o ponto de segar e então tudo ficou escuro, e as únicas coisas que se mantiveram foi o som do martelar forte e a deliciosa sensação de aconchego e conforto. Reparei que havia uma ondulação ao meu redor, ou melhor de Jake, e ele parecia estar... Boiando? Foi aí que meu cérebro deu um clique e tudo fez sentido. O som das batidas, o calor, a sensação de bem estar. Aquela era a primeira lembrança que Jake tinha, talvez nem ele mesmo tivesse consciência dela, mas ela existia. Era sua lembrança de estar no útero de sua mãe!

Eu tinha certeza de que era isso, porque mesmo hoje ainda me lembrava perfeitamente da minha realmente muito breve estadia na barriga de minha mãe. Na verdade eram algumas de minhas lembranças favoritas. Havia tanto calor... Eu podia sentir todo o amor de minha mãe por mim quando estava lá, e aquilo era maravilhoso. Nós estávamos realmente unidas uma a outra. Se fosse possível, acho que eu teria chorado naquele momento. Foi realmente sublime, e me senti mal por estar invadindo algo tão intimo e que nem Jake tinha mais conhecimento. Mas eu tomara minha decisão e era a única saída que conseguia pensar no momento. Sai daquela bela lembrança. Olhei para o caminho que luzes a minha frente, era um longo percurso, só podia esperar que estivesse fazendo a escolha certa ao segui-lo. Dei um longo suspiro, mas ao invés de ir até a próxima luz segurei na fina linha dourada, ela não devia ser mais grossa que um fio de cabelo, e assim que meus dedos se fecharam a seu redor eu fui puxada para dentro, assim como acontecerá com o cano, mas agora eu não estava rodeada de escuridão e água, lá dentro fui acometida por uma rajada de memorias e pensamentos tão forte que foi impossível se quer ver, quanto mais assimilar tudo, mas eu vira bastante.

Na verdade, eu vira coisas demais. Coisas que com certeza eu não deveria ter visto, coisas que ninguém deveria ter acesso. Seus segredos, desejos, medos, incertezas, seus sonhos, coisas de que ele se envergonhava, outras que ele guardava com carinho, e ainda algumas que nem ele conseguia ter acesso livre, que eram as memorias de sua infância primordial, como a do útero materno, e aquelas que ele tinha reprimido, e até mesmo aquelas que não percebemos que temos, como coisas que vimos mais não prestamos atenção, sonhos.

Eu tentava não me sentir culpada pelo que estava fazendo. Mas eu não podia controlar a horda de memorias que transcorriam diante de meus olhos. Teve u momento que as informações foram tantas que achei que teria um AVC pelo excesso de informação que estava entrando em minha cabeça.

Quando minha mãe começou a aparecer em suas lembranças achei que estava chegando ao fim, mas a nova onda de informações que veio me atingiu de forma tão forte que achei que pudesse desmaiar pela primeira vez desde que tudo aquilo começara.

Eu não entendia as coisas no começo, até porque eu não conhecia em detalhes a história dos meus pais. Eu sempre soubera que eles editavam algumas informações, mas achava que era apenas porque achavam que eu podia me impressionar com alguma coisa, mas não fazia ideia de quanta coisa que eles omitiram.

Eu via pelos olhos de Jake, através de suas memorias o quanto ele fora apaixonado por minha mãe. Aquilo fez meu estomago se revoltar e um forte aperto em meu peito me fez arfar. Eu sempre soube que minha mãe e Jake eram grandes amigos, mas não fazia ideia de que ele sentira algo tão forte quanto aquilo por ela. Doía muito e eu nem fazia ideia do por que. Quer dizer, eu sabia sim. Jake era meu, ele não devia pensar nela daquela forma!

Eu vira o beijo! Ou melhor, os beijos! Pude sentir através de suas memorias o quanto ele gostara, era um sentimento tão forte e empolgante, algo completamente desconhecido para mim, que eu lera nos livros e vira em filmes. Era paixão!

Eu só queria que aquilo acabasse logo e que eu pudesse ir embora o quanto antes dali com Jake, Leah, Quil e Embry. Porque apesar de estar muito magoada eu não abandonaria minha missão. Mas não havia acabado ainda, e o que veio depois foi ainda pior.

Lembranças da dor pelos ferimentos feitos por um recém-criado, que não foram nada se comparado à dor de ser rejeitado por minha mãe. A raiva e esgar ao ler o convite de casamento, s anestesia de estar na forma de lobo, a força de vontade para suportar vê-la em seu belo vestido de noiva e saber que mais uma vez iria colocar sua vida em risco. E então a surpresa com minha mãe gravida, vendo-a definhar sob o meu julgo inconsciente. O ódio e o completo repudio que Jake sentia por mim... Eu queria morrer! Eu tinha memorias do útero, inclusive de notar que estava machucando minha mãe e de fazer o possível para evitar me mexer, mas não fazia ideia... Não podia imaginar que a fizera tão mal... Eu realmente merecia morrer... Eu era um monstro! Eu matara minha mãe! Era a primeira vez desde que nascera que me dera conta realmente desse fato. Eu a matara! Eu não podia... Eu não tinha o direito de ficar com raiva ou magoada por Jake me odiar...

Mas então veio algo ainda mais impressionante e inesperado, algo que me levou ainda mais as lagrimas, mas dessa vez não de raiva, magoa, ou tristeza.

Era como a gravidade...

Era tudo... Era sublime...

Todo o ódio, o rancor, tudo sumiu e deu espaço apenas para uma coisa, ou melhor, uma pessoa...

Eu.

Eu era tudo para ele agora. Ele me amava mais do que tudo. Eu era seu imprinting, sua prometida, eu era sua vida...

E ele era a minha.

Assisti por meio de seu ponto de vista toda a minha vida, nossa quase luta contra os Volturi, e depois disso as memorias não pararam e seguiram seu ritmo cronológico e não me importei muito mais com o que veio. Exceto pelo fato da atrevida daquela amiguinha havaiana do Jake tê-lo beijado. Humph, eu sabia que alguma coisa tinha acontecido ali! E pela tal da Beth da faculdade que ficava se insinuando. Mas ainda assim ele não sentiu nada por elas. Só havia eu em sua mente e isso me deixou muito satisfeita, até certo ponto vaidosa. Até Tony aparecera algumas vezes confirmando que ele de fato também aparecia para Jake. As últimas memorias me serviram para me lembrar de porque eu estava ali. Jake sendo torturado por uma versão ilusória de mim foi cruel de mais. Eu não sabia o que fazer. Como poderia salva-lo se era a minha própria imagem o que ele mais temia no momento? Sai dali, pois não podia mais vê-lo sofrendo tanto!

Eu não podia ficar fazendo uma longa avaliação da psique de Jake naquele momento, ele estava muito perto de enlouquecer, ou perder completamente a noção de realidade, e até mesmo as duas coisas. Ou pior, morrer! Seu espirito tinha passado muito tempo fora de seu corpo e logo seria difícil para ele achar o caminho de volta, isso se não acabasse por se desprender completamente. O pânico tomou conta de mim e eu tinha que ser rápida. Eu tinha que falar com ele, mas como fazer isso? Mas como o fazer acreditar que era mesmo eu e não mais uma ilusão?

Eu estava de volta à sala das luzes, mas agora eu tinha uma direção. A rede de memorias continuava ativa fazendo surgir a cada minuto uma nova. Elas eram cinzentas e pareciam meio opacas. Ele não estava bem, nem um pouco bem. Eu precisava ser rápida.

Em meu retorno pude notar que estava do outro lado estremo da sala, e não podia ver mais o começo de onde saíra. Eu com certeza estava perdida, mas antes que pudesse entrar em pânico por isso, ouvi uma voz atrás de mim que fez meu coração quase parar.

_ Esta perdida mocinha? Perguntou a voz familiar que eu tanto estava procurando.

Virei-me em um átimo apenas para dar de cara com Jake parado bem na minha frente.

Senti meus olhos arderem de emoção pelo reencontro, sem poder me conter me lancei sobre ele e o abracei com toda a força que aquela condição permitia. Pude ouvir o ressoar de sua risada rouca em seu peito, e aquilo só serviu para me emocionar ainda mais. Afastei-me apenas para poder olhar seu rosto. Lá estava ele com aquele sorriso tão brilhante quanto o sol.

_ Não acredito que te achei..._ disse com a voz embargada_ Já estava perdendo as esperanças de que conseguiria.

Seu sorriso sumiu.

_ Se existe alguém sobre a face da terra apta para me salvar de qualquer coisa, esse alguém é você Nessie... _ disse com uma voz um tanto solene, que soou estranha vindo de Jake_ Mas acho, _ e deu uma olhada na linha de lembranças_ que você já sabe disso.

Senti-me corar, eu fora pega olhando pelo buraco da fechadura, e o pior, é que não conseguia me arrepender por tê-lo feito. Muitas das coisas que vira, com certeza preferiria não ter visto, tinham sido realmente horríveis, mas outras... Deixavam-me satisfeitas por ter podido ver em toda a sua completude.

_ Sinto muito por isso... Disse só por educação, eu não sentia nada por aquilo, talvez apenas um pouco de vergonha por ter sido pega.

_ Mentirosa, não sente nada. Acusou em tom brincalhão.

Nós rimos.

Não podia acreditar que ele estava mesmo ali parado bem na minha frente, no final das contas nem tinha sido tão difícil assim. Na verdade, era um tanto estranho. Mas afinal de contas como ele viera parar aqui? Perguntei-me intrigada.

_ Jake?_ chamei temerosa, talvez eu só estivesse ficando paranoica, mas aquilo estava fácil demais._ Como você chegou até aqui? Porque Leah tinha me dito que você estava em seu limbo, mas tenho certeza de que isso aqui não é o limbo...

Seu olhar solene e austero estava me incomodando. Meu Jake não agia assim. A não ser...

_ Você não é ele! Você não é meu Jake! Acusei dando um passo apara trás temendo o estranho a minha frente.

Ele deixou que o canto do lábio superior subir um pouco formando um discreto sorriso torto.

_ Quem você acha que eu sou? Falou em um tom ameno.

_ Não sei... Quer dizer, você é o Jake, ou melhor, se parece com ele, mas... Mas não age nem fala como ele. Eu estava confusa e angustiada, eu sabia que quem estava na minha frente era meu Jake, mas ao mesmo tempo era como se não fosse, ou não fosse exatamente ele.

_ O que é o que é? Está sempre nos dizendo o que fazer, mas sempre a ignoramos e quando tudo dá errado a culpa é dela por nos fazer sentir culpado? Perguntou fazendo piada.

Tá agora estava parecendo mais com o meu Jake. Repassei a piada em minha cabeça algumas vezes analisando as palavras. "... Está sempre nos dizendo o que fazer...", e "... a culpa é dela por nos fazer sentir culpados..."

Ri com quão estupida eu estava parecendo. Como não notara antes? Depois de tudo que vira Jake passar... Aquela pose de sabedoria e superioridade só podia vir de uma pessoa, ou melhor, uma parte da psique humana. E já que eu estava dentro da cabeça de Jake...

_ Olá senhor Consciência, é um prazer conhece-lo. Disse fazendo uma leve mesura que o fez sorrir.

_ Eu poderia dizer o mesmo, só que eu já te conheço. Disse ele com humor.

Ah sim claro que me conhece, afinal ele é uma parte fundamental da psique de Jake.

_ Sem querer parecer grosseira, mas... O que está fazendo aqui? Você por um acaso não veio me enxotar por estar fuçando onde não devia não é? Porque eu não vou a lugar algum até tirar Jake... Ou melhor acorda-lo... acordar vocês ou sei lá... Falei me enrolando toda. Não era muito fácil achar um sentido pratico, ainda mais o uso certo da gramatica para uma situação como aquela.

_ Não estou aqui para puxar a orelha de ninguém. Mas de fato estou aqui sim por sua causa.

_ Se não veio me chamar à atenção então porque está aqui?

_ Estou cansado._ disse como se admitisse um grande fracasso_ Eu sei parece estranho que uma consciência possa se cansar, mas se seu trabalho fosse ser conselheiro de Jacob Black entenderia o que quero dizer. Ele tem um patológico problema de negação e aceitação.

_ Acho que entendo em parte o que quer dizer, mas, desculpe, é que parece estranho que você fazendo parte da mente dele, fale dele mesmo, ou melhor, de você na terceira pessoa.

_ A mente humana é separada em zonas distintas mais que interagem entre si para o melhor andamento do corpo, todos fazem parte do mesmo organismo, mas agimos em diferentes instancias, as questões fisiológicas são praticas, e funcionam basicamente como o id, por ação e necessidade, mas eu trabalho direto com o superego, e como tal tenho o dever de adverti-lo, conte-lo e puni-lo. E não faz ideia do quanto tenho trabalhado nos últimos anos, principalmente dias.

_ O que quer dizer com isso? Perguntei sem compreender. Como que a consciência de Jake podia estar funcionando tanto sim se ele estava no limbo, e fazendo sabe-se lá o que? Tinha alguma coisa estranha nisso.

Ele ficou rígido, o que só reafirmou minha suposição.

_ O bom remédio é aquele que arde. Disse de forma firme.

_ O que você fez com meu Jake? Rosnei. Ele era responsável pelo coma de Jake? Mas como?

Dãhh Renesmee ele é só o superego, é responsável por toda a mente dele!

_ Fiz o que tive de fazer, e não olhe para mim como se eu fosse o carrasco, eu sou uma parte dele. Eu sou ele. Ninguém está sofrendo mais do que eu. Falou com a voz soturna, em um tom que denotava que ele falava a verdade sobre estar sofrendo.

_ Eu não entendo...

_Talvez você não, mas acredite, sua consciência sim.

Era para eu rir dessa? Ergui a sobrancelha em sinal questionamento e ele apenas deu de ombros.

_ F-foi você que fez aquilo com meu Jake? Perguntei sentindo um nó se formar em minha garganta ao lembrar de tudo o que vira passar nos últimos dias.

Esse assentiu, mas eu já sabia que sim.

Respirei profundamente algumas vezes.

_ P-por que? Perguntei com dificuldade.

_ Às vezes o consciente resiste a ver o que o inconsciente já sabe. Às vezes o cérebro nega o que o coração quer negar.

Então Jake estava se negando a ver alguma coisa que era importante, mas por algum motivo ele não conseguia chegar lá. Mas o que seria? Jake não era uma pessoa ignorante, muito longe disso, então só podia supor que ele não estava enxergando, não porque não fosse capaz de faze-lo, mas porque não o queria. Partindo desse pressuposto a linha de raciocínio então deveria ser: o que Jake odiaria, ou temeria tanto assim que o faria negar firmemente, mesmo depois de passar dias sobre tortura? De que ele jamais poderia abrir mão ao ponto de suportar tamanha dor e humilhação?

Sabe qual é a pior parte da inteligência?

É a obrigação moral de usa-la.

Eu sabia qual era a resposta para todos aqueles questionamentos. Sabia e também não queria aceitar. Mas eu vira a verdade sobre a ótica do próprio Jake. E se eu queria tira-lo daquele lugar, tinha que aceitar as condições impostas. Tinha de ver a verdade que Jake se recusava a ver.

Eu tinha de deixa-lo...

Eu não queria... Eu não podia... Mas era disso que ele precisava, nós precisávamos... Ou pelo menos o que seu inconsciente acreditava que ele precisava.

Eu podia compreender que tudo o que havíamos passado nos últimos anos fora muito intenso e traumático e meu sistema nervoso agradeceriam por umas férias, mas o preço que isso custaria... Eu não iria abrir mão dele completamente, isso nunca! Mas se era disso que ele precisava nesse momento, eu aguentaria calada.

Suspirei resignada.

_ Do que precisa? Perguntei para o superego de Jake que ainda me encarava de forma grave.

Seu rosto relaxou e ele disse apenas.

_ Que faça o que veio fazer. Salve-o. Salve-me. Salve-nos.

_ E como posso fazer isso?

_ Você encontrará uma forma, sempre encontra.

_ E os outros? Leah, Quil e Embry? Como posso ajuda-los? Onde eles estão? Perguntei preocupada me dando conta que minha missão ainda se estendia aos irmãos de Jake. Os quais eu nem fazia ideia de onde achar.

_ Estão perto, interiorizados em suas próprias consciências.

Engoli em seco.

_ Então eles também estão sendo punidos?

Ele deu de ombros.

_ Isso cabe a suas próprias consciências se julgarem que assim deve ser.

Aquilo era resposta o suficiente para mim. Eles também precisariam de minha ajuda, mas a questão era como?

_ Como posso ajuda-los? Perguntei esperando que ele me dessa uma luz.

_ Hey, eu posso ser sábio, mas não conheço todas as respostas. Posso te iniciar o caminho, mas é você que terá de cruza-lo.

_ Então como faço para chegar até eles e Jake?

_ Bom, talvez o melhor fosse começar do principio não? Onde toda essa estória começou...

_ O limbo de Jake... Disse temerosa.

Aqui, nas memorias de Jake eu estava segura, nada poderia me atingir, porque todas as coisas que haviam já tinham acontecido, mas lá fora... Eu vira o que acontecera com Jake, o que sua consciência fizera a ele. Mesmo que ele tivesse me garantido de que o fizera porque ele se negava a ver a verdade. Eu não tinha como saber o que aconteceria comigo, e o que minha própria consciência faria comigo...

Engoli em seco novamente.

_ Quer dizer, eles estão no limbo de Jake, mas não na mente dele estão?

_ Sim, de fato, eles estão presos na dimensão dos mortos, mas assim como Jake, estão presos dentro de suas próprias mentes. O espaço físico, isso abusando das denominações para encontrar palavras que lhe façam sentido, é o mesmo. Todos estão suspensos na mesma dimensão, interligados, mas também separados.

_ Tudo bem, mas como faço para chegar aos outros, quer dizer, como vou para o limpo?

_ Você já está na mente de Jake, e ela está no limbo, basta apenas você completar o caminho. Você tem acesso livre a qualquer parte da cabeça dele, tem é que decidir pra onde ir.

_ Mas como posso fazê-los acreditarem em mim, se a ultima ilusão que deu a eles os fez odiarem e temerem minha imagem?

_ O que eles temem, é a ilusão e não você.

_ Mas o que devo...

Antes que pudesse terminar minha pergunta ele havia sumido, tão rápido e sem deixar vestígios assim como tinha aparecido.

Ok, agora eu tinha uma direção e fazia uma ligeira ideia do que precisava fazer, mas como fazê-los acreditarem em mim se era a minha imagem o que mais temiam? Bem, talvez então eu devesse deixar de ser eu, mas ainda ser. É só em lugares loucos como esse isso poderia fazer sentido. Uma nova forma, já que esta era temida, mas ainda ser reconhecida.

Olhei para minhas mãos, elas eram pequenas e finas, de um branco cremoso e emanava um leve brilho perolado. Visualizei minha imagem diante de mim, lembrando-me de cada detalhe. Era como ver a mim mesma no espelho. Comecei pelo rosto, seria a parte mais difícil por isso tinha que dar mais atenção. Ergui minha mão e com um leve movimento de pulso fiz um traçado. Gostei bastante do resultado, podia dizer que estava até empolgada com aquilo. Passei a fazer novos traços cada vez mais rebuscados dando vida ao que com certeza eu poderia considerar a minha obra prima! As linhas suaves e as formas delicadas davam a figura uma aparência etérea e uma aura mágica. Não tinha como temer algo tão belo quanto aquilo. E não pude deixar de me sentir orgulhosa de mim mesma e bastante soberba em reconhecer minhas feições nela. Eu poderia ser perfeitamente aquela bela figura algum dia. Eu realmente gostaria muito de ao menos parecer com ela no futuro.

Respirei fundo algumas vezes.

"É, era agora ou nunca." Pensei ansiosa.

Dei um passo para frente. Sentindo as formas de a imagem aderir a minha pele. Era estranho estar dentro daquele corpo, mas ao mesmo tempo nada era diferente. Onde estava tudo funcional a partir de um pensamento, literalmente. Eu tinha apenas que pensar e aconteceria, eu só tinha que pensar e aconteceria...

Senti meu corpo psíquico ser puxado com tamanha força que minhas costas e pernas foram lançadas para trás me fazendo envergar. Depois fui arremessada com força, e com uma pancada surda meu corpo aterrissou em terra firme. Não houve dor no impacto e agradeci por isso. Levantei-me sentindo minha cabeça girar devido ao forte deslocamento. Olhei ao redor e o que vi fez paralisar. Sensações como garganta seca, estômago embrulhado, frio na espinha e olhos lacrimosos passaram por mim todos ao mesmo tempo.

A imagem que se expandia diante para mim em todas as direções era a do inferno. Terra árida, seca e arenosa, troncos enegrecidos e tortos do que um dia devia ter sido uma floresta boreal. O limbo de Jake era um reflexo fiel de sua mente nesse momento, um buraco insólito de dor e sofrimento. Comecei a andar naquele cenário de filme pós-apocalíptico com uma estranha inquietação em meu peito. Meu tempo estava se esgotando, Jake estava morrendo, eu podia sentir isso, e os outros também. Eu conseguia sentir um eco estranho, como o bater distante de quatro corações, e supus que isso fosse meus quatro desaparecidos. Leah havia comentado como tudo era apenas uma questão de sentir a mente uns dos outros. E era isso que eu sentia agora. As mentes de meus amigos.

Concentrei-me em no som que vinha de mais perto e segui em sua direção, andei por um tempo impossível de se determinar já que não havia nem sol, ou lua sobre minha cabeça, só um céu nublado e escuro, coberto por uma fumaça preta e cinza que cheirava a morte e enxofre. Quando cheguei ao ponto onde duas árvores tortas se encontravam formando um estranho arco parei. Era ali que estava a primeira pessoa, não fazia ideia de quem era, mas isso também não importava. Respirei fundo algumas vezes e sem tentar pensar no que poderia encontrar do outro lado apenas entrei.

O que vi, é apenas umas das muitas coisas das quais gostaria de poder esquecer de minha estadia naquele lugar. Mas apesar de tudo, ao final uma luz amarelo pálido brilhava em meio a escuridão. Aproximei-me com o máximo que minhas pernas permitiam.

Era Leah. Encolhida em posição fetal, ela tremia e choramingava uma incompreensível musica de ninar. A princípio ela ignorou minha presença, mas quando enfim deu por ela seus olhos se esbulharam e ela começou a gritar desesperada e a se debater enquanto tentava se afastar de mim.

Aquilo me pegou desprevenida e fiquei em choque por alguns segundos. Ela estava completamente transloucada, também não era pra menos depois de tudo que passara. Pensei me convalescendo, mas tinha de fazer alguma coisa para ajuda-la. Optei por uma das poucas coisas que me ajudaram quando Jake partira.

"Lalalalala... Lararara... Lararararara... Larararara..."

Seus olhos que estavam opacos e perdidos, aos poucos começaram a brilhar em sinal de sanidade e com sorte reconhecimento.

"Lararararara... Lararara..."

_ E-eu conheço-ço es-ssa m-música... Disse temerosa com a voz falha.

Sorri satisfeita e continuei cantarolado a canção me concentrando apenas em sua melodia, e de repente as notas ao som do piano de cauda encheram o lugar. Até que a soturna escuridão daquele buraco foi clareando. O chão de terra foi substituído pelos tacos escuros de cerejeira da sala de musica de Eugene. A claridade fluía por entre as cortinas de musselina branca uma atmosfera de sonho. O cheiro dos lírios frescos que Esme trocara de manhã pairava ao redor. Meus dedos pequenos percorriam o teclado veloz e fluidamente, tirando daquele belo Kawai (marca de piano) notas cada vez mais solenes.

Os olhos de Leah se fecharam ela ficou parada, apenas ouvindo a musica. Conseguira acalma-la, mas a convencera? Toquei a musica duas vezes inteira, ela já estava calma no final da primeira, mas eu precisava daquela segunda vez. Precisava me lembrar daquela época e o que senti. Jake sofria tanto quanto eu agora, talvez mais...

Quando enfim a musica acabou Leah abriu os olhos calmamente. Eles estavam sóbrios agora e sua postura voltava à altivez normal, ela estava de volta.

Uma lagrima solitária escorreu por sua bochecha.

_ A musica que fez para o Jake. _ Disse suavemente me olhando com um sorriso cálido no rosto._ Assenti. _ Ouvi milhares de vezes através dos pensamentos dele, é linda.

A felicidade que senti naquele momento foi tamanha que não pude conter as lagrimas.

Leah se levantou e veio em minha direção, e antes que pudesse recuar ela me pegou em um abraço apertado. Surpresa por seu gesto totalmente inesperado não me movi.

_ Obrigada por vir nos buscar... Disse em meu ouvido com a voz emocionada.

Separamo-nos, olhamos uma pra outra e sorrimos. Mas seu sorriso de repente então se desfez e ela me encarou aflita.

_ Meu Deus você está tão crescida... Por quanto tempo estivemos fora? Perguntou assustada.

Tive de rir dessa.

_ Não, não. Isso, _ disse mostrando meu corpo falso_ é só um disfarce. Achei... Que depois do que vocês passaram o meu rosto seria a ultima coisa que gostariam de ver.

Ela assentiu, mas então seus olhos se arregalaram novamente.

_ O que... Ou melhor, o quanto você viu? Sua pergunta parecia receosa, com certeza temia a resposta.

_ O bastante. Disse apenas e a compreensão dessas palavras a fizeram morder o lábio e apertar os olhos.

_ Sinto muito que tenhamos falhado e que você tenha tido que passar por isso. Havia muita culpa em suas palavras, embora ele fosse a menos culpada por tudo que estava acontecendo com todos nós.

_ O tempo de sentir culpa já passou. E eu jamais poderia culpa-la por algo que não fez.

Ela assentiu e então perguntou ainda receosa.

_ E agora?

_ Vamos pra casa. Disse ansiosa, ainda tínhamos um longo caminho.

Estendi minha mão para Leah e demos o fora daquele lugar horrível. Assim que voltamos para o limbo de Jake expliquei-lhe o que faria e partimos para o próximo ponto de força. Quando chegamos onde um profundo abismo se abria em direção ao mar nos despedimos momentaneamente. Ela parecia disposta a ir, mas em minha experiência naquele lugar, e as condições em que ela se encontrava, era melhor eu ir sozinha. Ela me desejou boa sorte e fui. Lá encontrei Quil em estado de choque e precisei de muito alto controle e uma boa dose de psicologia para não meter a mão na cara dele, quando começou um ataque histérico. Por último achamos Embry, e este apenas chorava baixinho encolhido em um canto perto do rio que divisava o que deveria ser as terras Quileutes com as dos Cullens.

Quando os três estavam em segurança do lado de fora voltei a explicar meu plano para salvarmos Jake e enfim podermos ir para casa. Todos pareciam muito satisfeitos e ansiosos para partir o quanto antes. Despedir-me deles naquele momento em que estavam tão frágeis, foi um dos momentos mais difíceis de minha curta vida. Mas ainda havia uma pessoa a salvar.

Seguimos por uma floresta densa até chegarmos às baldeações de uma clareira. Leah voltou a insistir para que fosse, mas recusei veemente. Aquela era a minha missão, aquele era meu dever.

Respirei fundo, fechei os olhos e entrei.

Tudo estava muito escuro a meu redor, havia apenas uma pequena luminescência avermelhada ao longe, era ele, meu Jake...

Ele estava sofrendo tanto...

Senti meu peito apertar e quase não pude respirar ao vê-lo em estado tão debilitado. Fiquei receosa de me aproximar e ser repelida ou rejeitada. Unindo-me de toda a coragem que pude reunir me lancei de vez em sua direção. A principio ele pareceu não notar minha presença, mas o quanto mais me aproximava pude notar que um estranho brilho dourado emanava de minha pele, não fazia ideia de porque aquilo acontecia, mas foi isso que chamou sua atenção primeiro.

Ele fechou os olhos incomodado pelo excesso de claridade que eu trazia, mas então forçou-os a ficarem abertos e procurou foco, aos poucos seu olhar que parecia receoso e desconfiado foi ganhando toques de curiosidade até seus escuros olhos brilharem com um fulgor maravilhado. Toda a dor e o temor abandonaram suas feições e ele parecia enfim em paz.

"Quem é você?" Ele perguntou, mas não parecia realmente interessado em saber quem estava vindo em seu socorro, apenas contente por enfim não estar mais em agonia.

Foi impossível não sentir pena, uma força magnética me impeliu até ele, e me aproximei com cuidado, passos curtos e leves, não queria assusta-lo, mas estranhamente ele não parecia ser capaz de se mexer. Abaixei-me a seu lado e muito levemente levei as pontas de meus dedos até sua bochecha, não sabia como ele reagiria a tal contato, talvez se afastasse, mas mesmo assim precisava toca-lo. Sentir que de fato estava ali na minha frente, bem e vivo.

Sua pele me pareceu fria ao toque, não tanto quanto um vampiro, mas mais que um humano normal, o que era mais um indicio de que ele não estava bem. Fiquei muito satisfeita ao fato dele não se afastar de mim, pelo contrario, quanto meus dedos tocaram sua pele ele fechou os olhos e soltou um pequeno gemido de prazer. Como quem acaba de sair de um temporal e entra de baixa de um maravilhoso chuveiro de água quente. Meu calor era transmitido para ele através das pontas de meus dedos, e logo a cor estava retornando a seu rosto antes pálido e apático. Não pude conter o riso de felicidade por poder vê-lo voltando a ser o meu velho e querido Jake.

"Você sabe quem eu sou só não quer admitir..." Disse o incentivando a chegar à verdade por conta própria. Eu contava que ainda restasse nele alguma crença de mim como sendo alguém que lhe queria bem, e que estava ali apara ajuda-lo. Precisava que ele me reconhecesse, mas não ligasse essa informação às lembranças das torturas e me virasse às costas. Estava tão perto agora...

"Por favor..._ Ele implorou_ Eu já não posso mais... Acabe logo com isso..." _ Me senti travar. Não! Ele entendera tudo errado, estava achando que eu estava lá para lhe fazer mal! Não, eu não podia deixa-lo se enganar agora ele precisava me reconhecer e vir comigo! De alguma maneira tinha de fazê-lo ver que eu não era uma ameaça.

"Não lhe farei mal." Falei tentando lhe passar toda a confiança e a verdade contida naquelas palavras, mas elas pareceram ter o efeito contrario.

"Você é só mais uma ilusão criada para me enlouquecer vá embora! Pelo amor de Deus... ME DEIXE EM PAZ!" Ele gritou em um rompante e eu me afastei assustada.

O quão mal ele fora capaz de fazer a si próprio... O quão ele perdido ele estava...

Eu chegara tarde de mais? Perguntei-me por um segundo, mas não deixei que a duvida durasse mais do que isso.

Não! Não importa o quão difícil fosse ou quanto tempo levasse eu traria Jake de volta!

Voltei a me aproximar dele, e isso pareceu assusta-lo, ele não esperava que eu agisse daquela forma, e tal atitude o pegou desprevenido me dando chance para mais uma jogada arriscada. Peguei seu rosto entre minhas mãos e ele fechou os olhos com força e começou a sussurrar palavras indistintas, mas mesmo sem poder compreende-las eu sabia que era algum tipo de prece. Ele rezava para se ver livre de mim provavelmente, mas não deixei que aquilo me abalasse e freasse meu ato. Aproximei meu rosto do dele e depositei um leve beijo em sua bochecha. Ele com certeza não esperava por essa porque abriu os olhos de repente e me encarou chocado. Ele me encarou estarrecido por um segundo como se meu rosto de alguma forma muito interessante e então comecei a recitar alguns versos.

Não sei por que fiz aquilo, assim como não sei ao certo como todas aquelas ideias loucas se passaram por minha cabeça, só sabia que aquilo era o necessário para alcançar de alguma forma a compreensão dele. Talvez isso se devesse ao fato de ter estado tão profundo em sua mente que agora eu o conhecia tão bem quanto ele mesmo, ou até melhor, e sabia que aquelas coisas eram o necessário para convencê-lo.

Recitei versos do poema "Em memoria" de Tennyson, um dos meus autores favoritos. A cada nova palavra proferida eu podia ver a compreensão chegando até ele, quase podia ouvir as engrenagens de seu cérebro ligando as informações.

"Estarei sempre com você Jake, porque eu te amo, hoje e sempre." Completei rezando para que agora tivesse sido o suficiente.

"Nessie..." Ele sussurrou e sua voz estava emocionada.

Ele me reconhecerá! Enfim ele me reconhecera!

"Já está na hora de voltar pra casa Jake." Falei em uma felicidade que quase não podia conter.

" Mas... E meus irmãos?" Perguntou preocupado.

"Estão nos esperando." Disse com um sorriso gentil tentando acalma-lo.

Concentrei-me então nas três luzes que haviam do outro lado da escuridão chamando-as. Leah, Quil e Embry se juntaram a nós com seus halos coloridos. Jake sorriu para eles e retribuíram seu sorriso com igual entusiasmo. Eles pareciam verdadeiramente felizes em rever o irmão perdido, e Leah se precipitou para ele abraçando-o.

"Pare de fugir de nós garoto estupido!" Ralhou ela, mas estava aliviada e não zangada, podia arriscar que raiva era algo que ela não sentiria por muito tempo.

Os rapazes se juntaram aos dois formando um forte abraço grupal. O sentimento de alívio emanava deles, assim como suas luzes que expandiram e brilharam tão forte que era quase cegante, formando um belíssimo arco-íris. Separaram-se e encaram-se e então caíram na gargalhada.

"Então... O que a gente faz agora mano?" Perguntou Quil quebrando nosso clima de reencontro.

Era muito bom vê-los felizes e juntos depois de tudo pelo que passaram.

Pararam de rir e se encarara em uma duvida coletiva, e então todos olharam ao mesmo tempo para mim.

"Se estiverem prontos podemos ir." Disse respondendo a pergunta não proferida.

"Mais do que pronto." Disse Jake causando mais uma onda de riso coletivo, que dessa vez me contagiou também.

Quando por fim paramos de rir e eles se entreolharam mais uma vez de forma convicta. Era hora de ir para casa, de abandonar toda a dor e o sofrimento e deixar a culpa que os assolara por dias para trás. Era a hora do perdão. Hora deles se perdoarem.

Jake olhou para mim e assenti indo até ele e pegando suas mãos na minha. Aquele contato era tão bom... Mesmo que ele fosse apenas mental.

"Vamos pra casa..." Disse a ele e olhei diretamente para o interior de seus olhos, para além daquela falsa imagem corpórea.

Olhava diretamente para sua alma e para a saída que se abria a nossa frente.

Casa, lar, vida real, onde toda a dor era real e não mais apenas uma bela ilusão.