Capítulo 52
O Torneio Tribruxo
November 1994
Naquela noite, os estudantes de Durmstrang e Beauxbatons chegariam ao castelo. Snape estava terminando de se vestir, os pensamentos em casa; pensando na última vez em que ele vira Elizabeth, em quão linda a filha estava ficando a cada dia que passava. Ele suspirou. Os pais nunca percebem o quanto seus filhos crescem; os gêmeos já estavam com dezesseis anos. Dezesseis! O pequeno Christopher estava com sete e Elizabeth doze. Ele sabia que teria problemas quando ela decidisse começar a namorar. Ele colocou a capa e foi para o Grande Salão, sentando no lugar de sempre à mesa dos professores.
– Eu convido as alunas de Beauxbatons a entrarem no Grande Salão. – disse Dumbledore, em pé no púlpito.
E as grandes portas de carvalho abriram e em torno de vinte lindas meninas entraram no Salão.
Snape sentiu o coração dar um pulo ao reconhecer a filha em meio àquelas meninas. "Mas o que ela está fazendo aqui?"
Logo que as meninas se acomodaram, os alunos de Durmstrang entraram no Grande Salão. E Florence estava com eles, um grande casaco e um feitiço de ilusão escondendo a barriga arredondada de seis meses de gravidez dela.
– Mas aquela ali não é... Florence Dealacour? – perguntou Harry.
– Sim. – disse Hermione.
– Quem é a menina que ela está conversando? – perguntou Rony. – Ela é bem bonita e elas duas se parecem um pouco...
Hermione olhou para Florence e a menina. Elas realmente eram parecidas, mas... os olhos dela foram à mesa dos professores, parando no professor de Poções que estava lá sentado; foi quando ela soube. "Florence é casada com ele! Ela provavelmente é mãe dos gêmeos que conhecemos na Copa de Quadribol! Um deles tinha olhos verdes como os dela!" Hermione não conseguia parar de olhar para elas; ela estava quase hiperventilando. "Faz muito sentido! É por isso que ela está sempre por perto! É por isso que eles estão sempre juntos quando ela está aqui no castelo!"
– Hermione, você está bem? – perguntou Harry. – Você parece estar em choque.
– Não, não é nada... eu só... – ela não podia dizer nada aos amigos sobre suas suspeitas, os meninos diriam que ela enlouquecera. – Eu só estou cansada, é isso.
Draco sentia-se estupeficado. "Ela é linda." ele pensou, encarando a menina de longos cachos negros que conversava com Florence Delacour. Ele seguia todos os movimentos dela com os olhos e quando ela o olhou e seus olhos se encontraram, ele se sentiu perdido. E ficou extremamente irritado além de qualquer explicação quando Victor Krum sentou ao lado dela durante o banquete.
Florence sentou ao lado do marido na mesa dos professores e ouviu ele rosnar.
– O que há de errado? – ela perguntou a ele.
– Malfoy não para de encarar Liz. – murmurou Snape.
Florence olhou para o menino loiro e então para a filha. Draco parecia realmente hipnotizado por Elizabeth.
– Bem... isso é interessante. – murmurou Florence.
– Nem brinque sobre isso. – rosnou Snape. – Ela só tem doze anos. Por que você a deixou vir afinal?
– Ela insistiu e como nós a proibimos de ir para a Copa, eu pensei que vir ao castelo não faria mal nenhum. Ela ficará apenas por pouco tempo; ela irá embora logo depois do banquete.
Após o banquete
Elizabeth deveria se encontrar com a mãe no gabinete do diretor. Mas não lembrava aonde era. Ela caminhou perdida pelos corredores do castelo, até que o menino loiro que lhe chamara a atenção durante o banquete, apareceu.
– Pode me ajudar, por favor? – pediu ela.
– O que precisa? – perguntou Draco.
– Ir ao gabinete do diretor Dumbledore.
– Eu te levo.
Ela sorriu e eles começaram a caminhar pelos corredores
– Qual seu nome? – pediu Draco.
– Elizabeth Delacour.
– Você é irmã de Florence Delacour?
– Sim... – mentiu Elizabeth. – E o seu nome é?
– Draco, Draco Malfoy.
"Malfoy?!" – e Elizabeth sentiu um frio na espinha, lembrava-se daquele nome. – "Da lista de famílias partidárias das trevas que papai nos dera! Se ele me vir aqui..."
– Srta. Delacour. – chamou uma voz familiar no corredor.
Elizabeth se encolheu instintivamente, se virando para encarar os olhos negros como os próprios.
"Acho que estou encrencada."
– Boa noite, Prof. Snape. – cumprimentou Draco.
– Boa noite, Sr. Malfoy. Dirija-se ao seu salão comunal, eu levo a Srta. Delacour até o gabinete do diretor.
– Sim, professor. – ele se virou para ela. – Srta. Delacour. – e levou a mão dela, delicadamente, aos lábios, inclinando–se. – Foi um prazer conhece-la.
– Obrigada pela ajuda. – murmurou Elizabeth.
Snape olhou para a filha e ela corou e encarou o chão enquanto caminhavam lado a lado em silêncio. Uma vez que entraram em um corredor vazio, Snape a fez parar e olhá-lo.
– Voce sabe quem ele é? – perguntou Snape.
– Sim! Agora eu sei... mas eu precisava de ajuda e encontrei ele... só quando ele se apresentou que eu soube quem ele era. – disse Elizabeth, nervosa.
– Está tudo bem. – suspirou Snape, beijando a testa da filha. – Vamos para a sala do Diretor. Sua avó já deve estar lá te esperando.
Eles continuaram a caminhar.
– Mamãe vai ficar aqui? – perguntou Elizabeth.
– Sim. Você vai para casa e de lá direto para a França.
– Eu sei. – a menina demonstrou que não gostava daquele plano.
– Você sabe que é...
– Para minha segurança. – interrompeu Elizabeth. – Eu sei. Eu não gosto, mas entendo.
Eles entraram na sala do Diretor e ela foi para casa com a avó via Floo.
Florence foi para as masmorras com o marido. Quando eles entraram nos quartos privativos dele, ela sentou na poltrona e tratou de tirar os sapatos.
– Estou tão cansada... – disse Florence, bocejando. – E desejando algo doce, desesperadamente...
– Como sempre. – riu Snape. – Você quer ir para cama agora?
– Eu quero tomar um banho antes. Você pode me ajudar?
– Obviamente. – disse ele a beijando os lábios, lentamente.
– Você sabe o que eu quero dizer! Nada de brincadeiras no chuveiro enquanto estou grávida! Eu só preciso que você me ajude, caso eu escorregue...
– Eu sei, Flor. – e ele a beijou, carinhosamente.
E eles seguiram para o banheiro.
Eles não foram para o café da manhã juntos na manhã seguinte. Snape foi primeiro e Florence esperou vinte minutos para sair das masmorras. Antes de ir ao Grande Salão, ela caminhou pelo castelo, observando as belezas do lugar, lembrando de tudo o que ela havia vivido ali.
Ela estava quase chegando no Grande Salão quando alguém esbarrou nela.
– Me desculpe, Srta. Delacour! – exclamou a menina de rebeldes cabelos cacheados.
– Não se preocupe, Srta. Granger. – sorriu Florence. – Ninguém se machucou. – e ela percebeu que a menina tinha os braços cheios. – Mas onde você vai com todos esses livros?
– Para a biblioteca. Eu tenho que devolvê-los.
– Você se importa se eu lhe acompanhar?
– Mas você ainda não tomou café... – Hermione parecia assustada. "Imagina se o Prof. Snape descobrir que eu fiz a esposa dele perder o café da manhã por causa de uns livros? Ele iria me matar!"
Florence leu os pensamentos da menina e riu.
– Não seja boba, Hermione. Se eu me lembro bem, a biblioteca não é tão longe daqui. Eu vou lá com você e volto aqui para tomar café da manhã.
– Ok...
Elas caminharam escada acima em silêncio por um tempo. Então, Hermione perguntou:
– Você estudou aqui, Srta. Delacour?
– Me chame de Florence, querida. E, sim, eu estudei aqui.
– Hm... onde está sua irmã? Eu não a vejo desde ontem. – Hermione disse, nervosa.
– Minha irmã? – Florence pareceu confusa por um momento e então ela se lembrou. – Ah, você está falando da Elizabeth... eu pensei que você fosse a menina mais inteligente da sua idade, Hermione. – Florence piscou para a menina.
– Eu... você... realmente... você e o Prof. Snape...? – gaguejou a menina.
– Sim.
Elas pararam perto das portas da biblioteca. Hermione estava chocada.
– Por que você está me contando isso? – murmurou Hermione. – Provavelmente é um grande segredo!
– E é um enorme segredo. Além de Dumbledore e Pomfrey, ninguém mais sabe.
– Então, por que me contar?
– Porque talvez, algum dia, será importante você saber. Eu já ouvi mais do que o suficiente sobre você para saber que é capaz de guardar um segredo e apenas divulga-lo quando e se for necessário.
– Hm... você provavelmente conhece meu apelido também... – murmurou Hermione.
– Sabe-tudo-insuportável? – sorriu Florence.
– Sim.
– Essa não é a real opinião dele sobre você, querida. Ele tem um papel a desempenhar aqui e, infelizmente, ser um filho da puta insuportável faz parte deste papel. Ele não é realmente assim e ele não pensa tão mal sobre você.
Os olhos castanhos de Hermione brilharam de esperança por ser reconhecida.
– Eu não direi nada a ninguém, Florence. – disse Hermione.
– Nem mesmo aos seus amigos.
Hermione riu suavemente e disse:
– Eles são ótimos mas não guardariam um segredo nem se lhes valesse a vida.
Elas entraram na biblioteca e Hermione devolveu os livros.
Logo elas caminhavam de volta escada abaixo em direção ao Grande Salão.
– Elizabeth, ela não é sua irmã. – murmurou Hermione.
– Não.
– Eu percebi que ela se parece muito com você e com... ele. Ela é sua única filha? – Hermione precisava saber sobre os gêmeos.
– Não. Ela é a terceira, e eu estou esperando o número cinco. – Florence murmurou e pôs a mão de Hermione sobre a barriga que escondia. Os olhos da garota se arregalaram ao sentir a barriga distendida de Florence. – É um feitiço de ilusão. Eu não quero que ninguém saiba sobre minha gravidez.
– Uau, isso tudo é... muito. Eu nunca imaginaria isso. Ele é tão frio e cruel com os alunos que… – Hermione olhou para Florence apavorada. – Me desculpe! Não tive a intenção de insultar seu marido. Eu...
– Acalme-se, Hermione. – Florence sorria. – Eu sei que você fala a verdade. Eu conheço meu marido, querida. Eu sei que ele consegue ser extremamente desagradável quando quer. Mas eu posso te garantir que ele é também um ótimo marido e um pai incrível. Eu repito: ele tem um papel a desempenhar aqui. Não o julgue tanto.
– Bem, eu não posso começar a defende-lo...
– Não, realmente, você não pode. As pessoas pensariam que você está apaixonada por ele ou algo do tipo. – Florence riu. – E falando no diabo, lá está ele.
Elas terminaram de descer as escadas e Snape caminhou até elas.
– Eu vou indo, então. – disse Hermione. – Seu segredo está a salvo comigo, não se preocupe. – e a garota correu escada acima em direção ao salão comunal da Grifinória.
– O que você estava falando com a Granger? – perguntou Snape, parando ao lado da esposa.
– Ela sabe. – murmurou Florence.
– Bem, ela sabe muitas coisas; à que, exatamente, você se refere?
Florence olhou para ele e então para ela mesma.
– Você contou à Granger? – ele murmurou.
– Não tudo, mas sim. Sobre as crianças e sobre nós.
– Você contou tudo, então! Você não acha arriscado?
– Não. Alguém além de Pomfrey e Dumbledore tinha que saber. E você já me disse mais de mil vezes que ela é o melhor estudante que Hogwarts já viu desde que nós nos formamos. Ela entendeu quão sério é o que eu contei à ela e ela não contará à ninguém. – Florence suspirou. – De qualquer forma, agora eu quero ir comer. Me acompanha? – ela indicou o Grande Salão.
– Eu já comi. Eu podia pedir alguma coisa às cozinhas e você poderia tomar café na cama, o que você acha?
– Café na cama? Mas é óbvio que eu quero! – ela sorriu.
E eles foram para as masmorras.
