Disclaimer: A maioria dos personagens e situações dessa história são de propriedade de J.K.Rowlings e WB. Esta fic não tem fins lucrativos de qualquer tipo.

Cap. 45 – Achados e Perdidos

Draco se recusou a deixar que seu pai colocasse os pés na casa de Harry. Harry nunca o perdoaria se isso acontecesse. Por isso, sem levar em consideração os conselhos de Severus para não se expor, Draco mandou uma mensagem a seu pai lhe dizendo que ele iria até a Mansão. Logo depois foi até a estação, comprou uma passagem para Wiltshire, no sudoeste da Inglaterra, e entrou no trem. Estava determinado a deixar que seu pai soubesse de uma vez por todas que não o deixaria arruinar sua vida mais do que ele já havia feito.

Quando ele chegou à Mansão, sua raiva já havia esfriado um pouco. Seu corpo inteiro endureceu ao entrar na casa, mas ao menos ele não estava mais tremendo.

Encontrou Lucius esperando-o no escritório, sentado atrás de sua escrivaninha com um cigarro elegantemente acesso entre os dedos. Seus olhos se encontraram num desafio mudo. Lucius deu um sorrisinho e fez questão de demonstrar que não pegaria leve com Draco, não enquanto ele ainda estivesse respirando.

- Ficou com medo que eu sujasse a preciosa casa do seu queridinho com minha presença? – Lucius perguntou com escárnio.

Draco sorriu-lhe de volta com o mesmo desprezo.

- O que aconteceu com o: 'Olá, querido filho. A que devo o prazer da sua visita?' Ir direto ao ponto só vai me fazer pensar que você não está feliz em me ver, pai.

- É claro que estou, - Lucius continuou com o sorriso detestável. – É sempre um prazer ter meu filho aqui. Eu não estava muito a fim mesmo de ir até a casa de Potter. Você me poupou o trabalho.

Lucius colocou o cigarro no cinzeiro depois de mandar círculos azuis de fumaça na direção de Draco. Draco tentou bravamente não tossir.

- E como você está nessa manhã?

- Maravilhoso. – Draco respondeu.

- Gostou do jornal de hoje? Foi uma leitura muito engraçada, não foi? Suponho que tenha ficado aliviado ao saber que eu acabei com dois de seus inimigos para você. Smear não foi assim tão difícil de lidar. Sua tia, no entanto, deu mais trabalho. Era um espírito selvagem aquela lá... Foi uma pena ter que me livrar dela. Vou sentir sua falta. Sua mãe está inconsolável, mas ela entendeu que isso foi para o bem de todos. Ela o ama tanto que é até capaz de assassinar a própria irmã. Não está agradecido, Draco? Você tem pais mais do que amorosos. Quantas crianças podem dizer o mesmo?

Draco sentiu seu estômago se revirar, e disse a si mesmo para não vomitar ali mesmo. Não pôde evitar pensar que, se vomitasse ali, seu pai ficaria zangado com ele por arruinar seu tapete caríssimo.

- Então está confessando. Eu deveria prendê-lo. – Draco disso friamente.

Lucius apenas sorriu de lado.

- Você é mesmo um ingrato. Por que sempre tem que morder a mão que o alimenta, Draco? Ah, nem se preocupe em responder. Suponho que esteja em seu sangue. Você é um Malfoy afinal de contas.

Draco tirou a varinha da cintura e a apontou para seu pai na esperança de que continuasse a segura-la firmemente.

- Você está preso, assim como minha mãe.

Os afiados olhos azuis de Lucius lhe penetraram o espírito. Draco segurou sua varinha com mais força.

- Pare de ser idiota. Sei que você é bom. – Lucius disse. – Sei que pode lidar comigo facilmente agora. Não sou mais forte como antes. A idade e a prisão diminuíram meus poderes mágicos.

Draco não se deixou enganar pelo discurso. Havia notado a mão de Lucius acariciando a bengala. Era ali que ele mantinha sua varinha.

- A questão é... – Lucius continuou. – Será que você é corajoso o suficiente para me enfrentar? É corajoso o bastante para me matar?

Os olhos de Draco hesitaram, mas sua mão e sua voz não tremeram quando respondeu:

- Sim. 

Lucius pareceu divertido.

- Mesmo? Que interessante! Isso faz com que meu desejo de possuir sua alma fique ainda mais forte. Continue lutando, Draco! Eu gosto disso! Não há nada que me dê mais prazer no mundo do que pensar em você se submetendo a minha vontade.

Lucius levantou-se da cadeira e caminhou até Draco lentamente, parando apenas a alguns centímetros dele. Draco não abaixou a varinha, e a sua ponta pressionou o tecido luxuoso das roupas de Lucius. Seu pai não vacilou ante a sua audácia. Continuou com o mesmo sorriso perverso nos lábios. Draco sentiu um frio na espinha. Lucius estendeu uma das mãos e tocou no pulso de Draco. Aquele movimento súbito o pegou de surpresa. Seu pai acariciou seu pulso suavemente e murmurou três palavras em Latim. Draco arregalou os olhos e tentou escapar, mas era tarde demais.

A varinha de Draco foi então facilmente tirada dele. Sentiu seu corpo ficar fraco, e seus olhos tremularam como se ele fosse desmaiar. Havia se esquecido de que Lucius tinha aquele poder sobre ele. Lucius havia lhe lançado um feitiço de submissão há muito tempo atrás, quando Draco ousara ir contra ele quando tinha apenas oito anos. Aquele era o triunfo de Lucius sobre ele. Não havia nada que Draco pudesse fazer agora. Estava paralisado e incapaz de se defender.

Lucius segurou-o bem perto dele e acariciou ternamente o rosto de Draco com a palma da mão. Sorriu vitorioso, mas também divertido em ver a submissão forçada do filho. Draco queria gritar, mas seus lábios pareciam colados.

- Você é meu brinquedo, Draco. – Lucius sussurrou contra os lábios do filho. – Você é tão perfeito... Se tivesse ficado do meu lado, teria tolerado o seu gosto por homens. Não sou assim tão sem coração. Sua mãe pode não entender as necessidades da carne, mas eu entendo. Também sou homem. Somos guiados pelo desejo. Seu como é difícil resistir à sedução e beleza de um homem. É difícil resistir a qualquer tipo de beleza. É ainda mais difícil resistir a brincar com tal beleza.

Lucius pressionou o polegar no lábio inferior de Draco e o acariciou. Silenciosamente, Draco se amaldiçoou por deixar que seu pai chegasse tão perto dele a ponto de lhe lançar um feitiço. Era preciso lutar. Mas como?

- Teria sido nosso segredinho. – continuou Lucius com um sussurro, os olhos atentos ao desespero mudo de Draco. Ele sorriu, satisfeito. – Eu teria até mesmo tolerado sua brincadeirinha com Harry Potter. A brincadeira Draco, não o amor. Não posso deixar que ame Potter. Sinto muito, mas isso já é abusar demais da minha bondade. Você deve amar apenas aos seus pais. Eu até mesmo tolerei que você dormisse com um Weasley, sabendo que não iria durar. Como poderia? Eles não chegam aos nossos pés. Mas não posso tolerar Potter. Não deixarei que pertença a ele, porque você pertence a mim apenas. Tenho certeza de que leu o artigo de Charles Hagen. Ele não é adoravelmente maldoso? Só tive que lhe pagar um pouco e ele se mostrou mais do que disposto a destruir seu nome e reputação. Ele até me surpreendeu com a qualidade de seu trabalho. Não esperava nenhuma daquelas fotos divertidas de você e Potter juntos. Certamente não esperava aquela foto sua no hospital. Ele é bom! E ele continuará escrevendo o que eu quiser até que você perceba qual é o seu lugar, Draco. Nem me importo em sujar o nome dos Malfoys contanto que você volte pra mim.

- Desista de Harry Potter! Desista dele ou eu não só destruirei você como também o destruirei. Veja bem, Draco, Harry Potter é só um pivete irritante, um patético ser humano que não serve pra nada. Ouvi falar da depressão dele e de seu desgosto com a vida em geral. Enquanto ele ficar assim, eu não me importo. Mas me incomoda o fato de você estar com ele, amando-o, deixando que ele se aproveite de você. – Lucius apertou as bochechas de Draco e trouxe seus lábios para perto dos dele. – Essa é minha oferta. Você deixa Potter e volta pra mim. Em troca, eu deixo Potter em paz. Como bônus, eu até mesmo faço Charles Haggen desaparecer. Deixarei que você pense no assunto.

Lucius finalmente soltou Draco, e no momento em que a conexão entre eles se quebrou, o feitiço também se desfez. Tonto, Draco deslizou para o chão. Será que havia cometido um erro terrível ao pensar que poderia confrontar seu pai? Ele não estava mais forte agora? Mordeu o lábio inferior até sentir o gosto do sangue. Não ousou olhar para Lucius. Sabia que acharia um sorriso detestável em seus lábios.

- Trinity! – Lucius gritou. Um elfo-doméstico pequenino apareceu no aposento todo trêmulo.

- Sim, senhor?

- Chame sua patroa. – ele ordenou. – Diga-lhe para que venha até meu escritório. Agora!

O elfo-doméstico correu para atendê-lo. Enquanto isso, Draco considerou suas opções. Precisava juntar forças para impedir que seu pai lhe fizesse mais mal. Precisava lutar contra ele. Não era um fraco. Era um Auror, um dos melhores. Havia enfrentado situações piores.

Distraiu-se por um momento pela chegada de sua mãe. Notou o quanto ela parecia mais pálida que o usual. Draco podia ver que o episódio com a irmã lhe havia afetado. Narcissa e Bellatrix haviam sido muito próximas. Será que Narcissa realmente tivera coragem de matá-la? Será que ela era assim tão desumana?

A coisa toda era repugnante para Draco. Não conseguia conceber a idéia de que Narcissa havia matado alguém. Ela tinha um orgulho terrível, era vaidosa e arrogante, e gostava de mostrar-se superior àqueles que lhe eram inferiores. Mas uma assassina? Não, Draco não acreditava naquilo. Lucius provavelmente havia mentido para chocá-lo.

- Narcissa, querida, eu tenho ótimas notícias. Draco decidiu ficar conosco por um tempo. – ele informou a ela com prazer. Ela relanceou Draco sem demonstrar nenhuma emoção. – Por favor, certifique-se de que o quarto dele esteja arrumado. Afinal de contas, queremos apenas o melhor para nosso querido filho.

- Não vou ficar. – disse Draco firme.

- Besteira Draco. Você nem mesmo pode andar. Ou pode?

Draco tentou levantar-se do chão, mas percebeu que não conseguia mover as pernas. Suspirou em desespero. Perguntou-se se Severus viria a sua procura.

- Além do mais, ainda não recuperou seu bom-senso? Não se importa com Potter?

Draco sorriu sem humor algum.

- Você não faz idéia do que me importa. Nunca fez. Você só se importa com você mesmo e seus interesses. E porque eu me atrevi a te desafiar, a me apaixonar por alguém, agora quer me punir.

- Bobagem. Não quero punir você. Mas irei se você me desobedecer. Posso tolerar a sua homossexualidade. No entanto, não posso tolerar que você ame Potter. Não percebe o absurdo da situação? A idéia é...

- Nojenta! – completou Narcissa, finalmente falando algo. – Seu pai é mais tolerante do que eu jamais posso ser. Fique feliz por ele ser seu pai Draco, porque eu jamais aceitarei sua doença.

- Eu parei de me importar com o que você pensa há muito tempo, mãe. – disse Draco amargo. – Portanto, o que quer que você faça ou diga, não deixarei que me incomode. Quanto ao meu 'tolerante' pai... – ele deu um sorrisinho. – realmente, ele é tão gentil que me deixou paralisado, ameaçou meu amante e minha vida. Tenho mesmo que ser muito grato a ele. Obrigado, papai, por transformar minha vida num inferno!

- É para isso que os pais servem, Draco. – sorriu Lucius.

- Você são dois lunáticos! – Draco gritou finalmente cansado de tudo aquilo. – Pode usar o Harry contra mim, pai. Use Harry o quanto você quiser. Ele é Harry Potter, não se esqueça! Ele derrotou Voldemort! Acha mesmo que ele tem medo de você? Se deseja morrer, então, por favor, vá em frente. Perturbe-o o quanto quiser. Mas tenha em mente que ele é dez vezes mais forte do que você. – Draco sorriu ao ver a expressão confiante do pai se desvanecer. – Não vou desistir dele. Destrua-me se quiser. Não me importo. O que realmente me mataria seria ter que desistir de meu amor por ele.

Lucius parecia prestes a explodir, mas ele se controlou.

- Não seria tão estúpido a ponto de desafiar Harry Potter para um duelo. Estamos no século 21 afinal de contas. As coisas são feitas de maneira diferente. Não preciso matá-lo. Só o que preciso fazer é destruir sua reputação de herói. A imprensa é mais cruel do que qualquer feitiço. E as pessoas acreditam em qualquer bobagem dos jornais. Isso foi uma idéia que aprendemos com os Trouxas. Acho que eles não são tão inúteis no final das contas. – Lucius sorriu maleficamente ao ver o sorriso do filho desaparecer.

- Por que, pai? Por que me odeia tanto? Por que não pode me deixar viver minha vida?

- Por quê? – Lucius ergueu uma sobrancelha. – Ousa me perguntar por quê? Você sabe por que, Draco. É meu único filho! Tinha grandes planos para você. Mas você jogou tudo fora! Você me deixou apodrecer na cadeia! Fez com que sua mãe agüentasse toda a vergonha sozinha! Foi ainda mais longe e se tornou um Auror, teve um caso com um Weasley e então, como golpe final, se apaixonou por Harry Potter! Acho que todas essas coisas são suficientes para enfurecer qualquer um. – Lucius tirou a varinha da bengala. Draco prendeu a respiração. – Vamos acabar com isso. Já estou cansado. Narcissa, o quarto!

A esposa se retirou com um aceno de cabeça. Lucius apontou a varinha para Draco e sorriu malevolamente.

- Agora, Draco, não se assuste. Não vou machucá-lo. Sabe disso, não? – Lucius se ajoelhou na sua frente e lhe acariciou o rosto com a ponta da varinha. – Se o seu amado Potter vir atrás de você, talvez eu reconsidere minha decisão. Se a troca for justa, deixarei que ele o tenha. Vê como sou bonzinho? Quanto acha que ele estaria disposto a pagar por você?

Ao ouvir as palavras do pai, Draco percebeu finalmente o que Lucius queria e arregalou os olhos.

- Seu filho da mãe! – Draco exclamou. – Então essa é sua verdadeira intenção? Atrair Harry até aqui? Você é um bastardo doente! Ele não virá! Ele não irá negociar nada com um bastardo como você!

- Está me dizendo que o amor dele por você não é assim tão grande? Que interessante! Se é esse o caso, você pode ficar com aqueles que realmente te amam sem ter com o que se preocupar. Certo? – Lucius deu um sorrisinho. – Ah, Draco... Pensei que houvesse lhe educado melhor. Não deveria ter vindo aqui sozinho. Você sabe que eu não sou flor que se cheire. Pensei que soubesse como minha mente funciona.

- O que você quer dele? Você me disse que não se importa com ele! Me disse que ele é patético! Ele não está no seu caminho! Então o que você quer com ele? – Draco perguntou, rapidamente deixando que o desespero tomasse conta de si por não saber exatamente quais eram as reais intenções de Lucius.

- Achei que tivesse dito que ele pode tomar conta de si mesmo. Por que se preocupa com ele?

- Pai! Por favor! Não faça isso! Deixe-o em paz! Sou eu que o senhor quer!

- Realmente. – Lucius parecia cada vez mais satisfeito com o estado de Draco.

- Farei o que você quiser! Mas por favor, deixe Harry em paz!

Draco estava perdido. Sabia disso. Seu pai havia finalmente conseguido deixá-lo sem saída. Mas não podia suportar a idéia do pai chantageando Harry por seus motivos imundos. Se estava em suas mãos poupar Harry de ser o objeto da loucura de Lucius, faria qualquer coisa para proteger o amado.

Lucius beijou Draco nos lábios gentilmente antes de se levantar. Draco sentiu-se nauseado.

- Finalmente, Draco! Estava ficando cansado de achar razões para convencê-lo. Mas como você é meu filho, e eu te conheço bem... Por favor, não leve para o lado pessoal o que eu vou fazer. Lembre-se que eu te amo.

- ...

- Estupefaça! – gritou Lucius.

--

Ele estava progredindo, ou ao menos pensava que sim. Quantos dias haviam se passado já? Um? Seve? Um mês? Harry não sabia. Sentia-se deprimido por algum tempo, preso em um lugar escuro e revivendo seus piores pesadelos um a um, lutando como um leão conforme eles apareciam. Já havia perdido as contas de quantas vezes havia lutado contra Voldemort. Até então havia ganhado todas as batalhas, o que era bom. Mas mesmo assim ainda não conseguia sair daquele lugar horrível. Será que ainda tinha mais? Estava cansado. Não queria mais ficar ali. Queria voltar pra casa. Havia um par de olhos azuis constantemente chamando-o. Ele só não conseguia achar o caminho pra casa.

O que mais ele poderia fazer? Já estava se sentindo inquieto. Talvez fosse isso. Talvez sua última prova fosse aprender a domar sua ansiedade, aprender a controlar seu temperamento difícil.

Sirius, no entanto, não havia aprendido nada daquilo. Seu padrinho continuava cabeça-dura. Ainda não conseguia se dar bem com Snape mesmo sendo casado com ele. Se Sirius havia retornado com sua natureza indomável, então por que Harry não podia? Não era justo. Harry queria correr para os braços de Draco. Seu lugar era ali, sabia disso agora.

Então por que ele não podia voltar? O que estava prendendo-o? Sentou-se no chão árido, escondeu o rosto entre as mãos e chorou como um bebê. Não soube como começou, nem como parar. Apenas continuou chorando, chamando-se de idiota em voz alta. Estava exausto. A única coisa que lhe dava forças para enxugar as lágrimas e recuperar o autocontrole era a imagem de Draco. Respirou fundo. Havia uma saída em algum lugar, e ele a encontraria não importava como.

Uma luz desceu sobre ele, cegando-o por um instante. Ele piscou, engoliu em seco, e assim que recuperou a visão, sentiu vontade de chorar de novo. A alguns passos dele estava Remus. Ao seu lado estavam seus pais. Ao redor havia várias pessoas que haviam morrido na guerra. Harry mal conhecia a maioria, mas sentia-se responsável por suas mortes mesmo assim. Eles haviam morrido porque ele havia falhado em protegê-los. Ou assim pensava.

- Harry! – exclamou uma linda ruiva, abrindo os braços para recebê-lo.

Os olhos de Harry brilharam ao ver a mãe, e ele não pensou duas vezes antes de abraçá-la.

- Mãe!  - ele sorriu largamente.  

- Estamos tão orgulhosos de você, querido. – ela falou em seu ouvido suavemente, correndo sua mão pela cabeça de Harry. – Você conseguiu tanto!

Achando-se sem palavras, Harry apenas assentiu.

- Filho, - disse seu pai abraçando-o também. – Sempre olhamos por você. Sempre. Você é tão corajoso! Estamos muito orgulhosos.

Harry olhou para os dois com lágrimas nos olhos.

- Isso é um sonho, certo?

- Mesmo se for, não é melhor sonhar conosco do que com Voldemort? – brincou James.

- É lógico! – Harry exclamou. – Eu... Eu nem sei o que dizer. Até Remus está aqui! Remus!

Remus se aproximou e o abraçou brevemente.

- Harry! Estou feliz por vê-lo! Estava muito preocupado com você.

- Remus... Remus... Sinto tanto sua falta! Tenho tanto pra dizer! – Harry começou, emocionado. – A maneira como nos despedimos... Eu me sinto tão culpado! Nem te disse adeus. Fui tão idiota! Eu…

- Está tudo bem, Harry. Você não deve se sentir assim. Não foi sua culpa. Você estava magoado. Não sabia o que iria acontecer.

- Mas se eu tivesse pedido que você ficasse...

- Eu não o teria escutado. – disse Remus. – Por que se sente culpado? Já te disse muitas vezes que o que aconteceu com Sirius não foi sua culpa. O que aconteceu comigo também não. Se alguém é culpado por tudo, esse alguém é Voldemort. Agora que estamos finalmente livres dele, podemos descansar em paz. Todos nós merecemos um descanso, e isso inclui você.

- Pare de se martirizar, filho. – disse James. – Não precisa mais se preocupar com Voldemort. Ele não é nada mais do que uma lembrança. Está na hora de seguir em frente.

- Verdade! – disse Lily, enlaçando a mão de Harry e apertando-a. – Devia aproveitar a vida e se apaixonar devidamente. Há alguém que precisa muito de você agora.

Harry corou.

- Vocês sabem sobre...

Lily e James assentiram.

- E não se importam? Quer dizer... ele não é… uma mulher… - Harry gaguejou.

- Você o ama, não? – perguntou Lily.

- Sim, eu amo! Por mais maluco que isso soe, eu o amo. – Harry respondeu com um sorriso.

- E ele o ama. Isso é mais do que suficiente para nós. – disse Lily.

- Além do mais, ele o ajudou. – disse James. – Ele o fez aprender a apreciar a vida de novo.

- Isso mesmo. Por isso, é hora de voltar, Harry. Está na hora de ajudá-lo.

- Ajudá-lo? Como assim? – perguntou Harry preocupado.

Lily sorriu.

- Ele precisa que você volte. E quando se encontrar novamente com ele, pense em todas as coisas boas que aconteceram entre vocês antes de tomar qualquer decisão precipitada.

- Mas...

- Nós te amamos, filho. Não se preocupe com mais nada. Apenas vá atrás da sua própria felicidade. Você merece. – disse seu pai. – Adeus.

Lily, James e Remus acenaram para ele enquanto seus corpos desapareciam lentamente na névoa.

- Não! Esperem! Isso não é justo! – Harry reclamou, olhando-os desaparecer. – Eu tenho tanto a dizer! Nem disse adeus direito! Droga! Mãe! Pai! Remus! Não me deixem! Mas que droga!

Harry acordou abruptamente, e deu de cara com Tei Pei sorrindo ao abrir os olhos. Harry sentiu-se desorientado no começo, mas quando finalmente recuperou os sentidos, sentiu vontade de esganar Tei Pei.

- Você! Eu estava com eles e você me trouxe de volta! Por quê? – perguntou ao homenzinho. – Você é um diabo! Não fazia parte de minha recuperação ficar em paz comigo mesmo e meus parentes?

- Você já conseguiu o suficiente, penso eu. – respondeu Tei Pei com sua usual voz calma e suave. – Se quiser, pode ir além. Pode fazer contato com seus parentes de novo. Mas não recomendo. Não acho que precise.

- Pensei que você tivesse me tido que eu tinha sérios problemas quando cheguei aqui!

A calma de Tei Pei continuou inalterada quando ele disse:

- O que eu disse foi que você estava deixando seus medos atrapalharem sua vida. A guerra lhe causou muita dor, mas você decidiu lidar com tudo sozinho. E olhe só o que aconteceu. Você ficou frio e amargo. Mas como se sente agora?

- Tirando o fato de que estou muito zangado?

- Sim, tirando isso.

Harry arqueou as sobrancelhas ao ponderar sobre seu atual estado mental, e ficou surpreso ao perceber que estava sentindo-o cheio de energia. De repente podia sentir cada célula de seu corpo, cada batida do coração.

- Eu me sinto... Ótimo! – respondeu sorrindo largamente. – Oh, meu Deus! Eu me sinto maravilhoso!

Fazia tanto tempo que Harry não se sentia como se pudesse conquistar o mundo que estava maravilhado com a energia que agora percorria seu corpo.

- Pensei que fosse acordar me sentindo péssimo! Quanto tempo fiquei desacordado?

- Ah, apenas um dia.

- UM DIA? Impossível! – Harry exclamou surpreso. – Me pareceu tanto tempo!

- Geralmente é mesmo. O caso de Sirius foi muito mais difícil. Acho... que sua alma não estava assim tão machucada como eu pensava. E você é um bruxo muito poderoso. Além do mais, devia agradecer seu namorado. Parece-me que ele ajudou você a curar seu coração.

Harry sorriu.

- Ele fez mesmo isso... Isso é incrível. Teria sido bom ficar mais tempo com meus pais e com Remus, mas... Acho que é hora de ir pra casa, certo? Ir pra casa... encontrá-lo. – E então Harry se lembrou do que seus pais lhe falaram sobre Draco. Ficou preocupado. – Tei Pei, meus pais me disseram que Draco precisa de minha ajuda. Ele está em apuros?

Tei Pei deu de ombros.

- Como eu posso saber? Não sou Vidente.

Harry fez uma careta.

- Sei... Fala sério! Há algo de errado com ele?

- Isso é algo que vai ter que descobrir por si mesmo. Meu trabalho termina aqui. Já superou seus medos e está finalmente livre das preocupações que lhe atormentavam o coração. Suponho que, se tivéssemos mais tempo, poderíamos ter feito algo para acalmar seu temperamento difícil. Mas acho que você é parecido com seu padrinho nesse ponto, e ele foi um caso perdido quanto a isso desde o começo. Não seja muito teimoso. Tenho certeza de que pode aprender a controlar seu temperamento com o passar dos anos. A vida será seu professor se provar que pode ser um estudante dedicado. E você é, Harry Potter. Você é. Sua recuperação foi incrivelmente rápida. Estou impressionado! Meu conselho para você é apenas um: abra-se para o novo e para o perdão. Se aprender a fazer isso, viverá feliz para sempre. – terminou Tei Pei com um sorriso largo e gentil.

- Então posso ir embora? – perguntou Harry ansiosamente.

- Sim, Senhor Potter. Você ir, a não ser que queira aproveitar minha companhia e essa paisagem maravilhosa por mais algum tempo. Mas eu acho que sua mente já está em outro lugar. – Tei Pei sorriu. – Vá acalmar seu coração com a pessoa que ama.

- Irei. Obrigado! – Harry disse, emocionado.

Agora que estava livre de seu passado, Harry sentia que podia aceitar Draco em sua vida sem reservas. Mal podia esperar para vê-lo. Será que ele notaria algo de diferente em Harry? Mais tarde, quando ele e Sirius já estavam sentados num trem para Londres, Harry perguntou-lhe isso.

- É, eu acho que você está diferente sim. – disse Sirius com um sorriso. – Você me parece mais em paz. Mas Harry... Como direi...

- Dizer o que?

- Bem... – Sirius encarou o afilhado. – Sei por experiência própria o que está sentindo agora. Mas... Só porque resolveu esse problema, não significa que os outros irão embora também.

Harry franziu a testa.

- E…?

- E... – Sirius olhou para outro lado como se escondesse algo de Harry. – Você só vai saber se realmente aprendeu a lição quando lidar com o próximo problema.

- Não queira me deixar pra baixo! – Harry exclamou. – Está com ciúmes porque você demorou um ano para se recuperar e eu demorei apenas dois meses!

Sirius sorriu fracamente para Harry.

- Espero que esteja mesmo totalmente recuperado, Harry, do fundo do meu coração.

Harry sentiu como se Sirius estivesse lhe escondendo algo por trás daquele sorriso, e ele soube que estava certo quando Sirius continuou evitando olhar para ele.

- O que foi? Qual é o problema? – perguntou.

- Nada.

- Corta essa, Sirius! Está mentindo! O que aconteceu? – Harry apertou o braço do padrinho com força. – Tem algo a ver com Draco?

Sirius olhou para ele com surpresa e Harry sentiu o coração pular uma batida.

- Meu Deus, Sirius! O que foi? Você falou com Snape?

Sirius assentiu lentamente com a cabeça.

- Falei com ele essa manhã. Queria que ele soubesse que estávamos voltando. Ele está na sua casa.

- E? – Harry pressionou ansiosamente.

Sirius mordeu o lábio.

- Planejava esperar até que a gente chegasse para te contar...

- CONTAR O QUE?

- Seu pesadelo, Harry... Foi real. – Sirius deixou escapar. – Draco foi atacado e seu apartamento foi destruído. Nada aconteceu com ele, como você mesmo sabe. Afinal de contas, você falou com ele naquele mesmo dia. Mas... Parece que as coisas se complicaram. Lucius saiu da prisão.

Harry fechou os olhos. De repente, o mundo parecia fora de foco.

- Por favor, me diga que Draco está bem.

- Esse é o problema. Eu não sei. Severus não sabe também. Lucius tem atormentado Draco desde foi colocado em prisão domiciliar. E ontem Draco foi falar com ele... mas até agora ele não retornou pra casa.

Continua...

Nota da autora: Não, você não está sonhando! Um capítulo novo! Wheee! Mas será que alguém ainda se importa? Bem, de qualquer forma, resolvi voltar aos meus projetos antigos para que as histórias tenham um fim apropriado. Vou tentar com todas as forças traduzir os últimos capítulos, ok? Espero que me perdoem!