Bom, gente, esse é o último capítulo. Agradeço a todos que acompanharam e gostaria de pedir que fizessem um comentário final, se puderem.

Espero que gostem! Bjs!


Rachel subiu as escadas, nervosa. Não sabia, ainda, se tinha sido uma boa ideia resolver fazer uma surpresa ou se teria sido melhor ligar e avisar que estava em Los Angeles e queria vê-lo. Essa pergunta estava na cabeça dela desde que pegara o endereço de Finn com Kurt e o ex cunhado confirmara que o celular de Hudson ainda era o mesmo, e ela já tinha mudado de resposta um monte de vezes, até que acabou não telefonando e chegando ao prédio dele sem qualquer anúncio prévio.

A morena parou em frente à porta do apartamento, secando na saia o suor de suas mãos, engolindo seco, ajeitando o cabelo, repetidas vezes, como em um tique nervoso. Ficou ainda mais tensa e quase paralisou ao escutar risadas que, inequivocamente, vinham de dentro do apartamento e que ela poderia reconhecer há quilômetros de distância. Um lado dela ficou feliz de ouvir aquela risada gostosa, mas outro, mais egoísta, talvez esperasse algum tipo de luto e não um riso que parecia tão natural, tão fácil.

Ainda assim, ela se preparou para bater na porta, mas de novo congelou quando escutou se juntar à risada gostosa de seu grandão um outro riso que era, obviamente, feminino e também completamente espontâneo, como o dele fora. Respirou fundo porque, já que tinha vindo até ali, precisava saber o que estava acontecendo, ver com seus próprios olhos se Finn tinha seguido em frente. Se isso tivesse acontecido, mais cedo ou mais tarde ela saberia, então para que se esconder atrás do medo e adiar o inevitável?

Duas batidas na porta e alguns segundos que pareceram horas depois, Finn abriu a porta, com um sorriso no rosto, que foi trocado por uma expressão de surpresa que Rachel não conseguiu decifrar se era boa ou ruim.

"Rachel?" Ele perguntou, depois de alguns segundos sem encontrar a voz. "Rachel, o que você tá fazendo aqui? Você não devia tá em Chicago? Aconteceu alguma coisa?" As perguntas saiam rápido demais e ela ouvia e registrava, mas ao mesmo tempo tentava lidar com a cena a sua frente sem gritar, desmaiar ou explodir em lágrimas na frente dele.

Uma menina loira e muito bonita, que provavelmente era a mesma que estava rindo minutos antes, estava sentada no chão cheio de almofadas e à frente dela havia uma mesa de centro com alguns restos de comida e dois copos usados. Uma música romântica tocava e a luz no ambiente não era muito forte, deixando um clima sensual. Era uma cena de encontro, com toda a certeza e aquilo embrulhou o estômago de Rachel, fez seu corpo tremer por dentro, de um jeito ruim, muito ruim.

"Rachel, entra." Finn disse, abrindo mais a porta e puxando a baixinha pelo braço. "É... é tão bom te ver." Disse, parecendo verdadeiro, o que a deixou tonta, pois não combinava com a presença de outra menina ali.

"É bom ver você também, Finn." Ela afirmou, mas sem muita convicção.

"É uma ótima surpresa, mas... eu to confuso. Suas aulas não tão pra começar, lá em Chicago?"

"É... sim, é... é daqui há uns dias." Respondeu, sem conseguir tirar seus olhos da garota que, ainda sentada no chão, se distraía com seu Iphone.

"Er... Rach, essa a Eve." Falou, um pouco mais alto, para que a outra escutasse. "Eve, essa é a Rachel."

"Rachel?" A menina se mostrou chocada com a menção ao nome, levantando-se imediatamente e caminhando até eles. "Nossa! Eu ouvi muito falar de você." Afirmou e Rachel não sabia dizer que tipo de sinal isso dava. "É um prazer te conhecer."

"É... é um prazer." Repetiu. Não era, na verdade, nem um pouco prazeroso aquele momento, mas seus pais tinham lhe dado educação suficiente.

"Eu ainda to esperando pra saber que visita repentina é essa, Rach. Eu não sei se devo ficar preocupado ou..." Finn disse, enquanto a menina voltava para o lugar que ocupava antes, mas foi interrompido por Rachel, que tinha ido até ali contar uma novidade, mas já não queria mais fazê-lo. Não havia porque ter a conversa planejada, se Finn tinha seguido em frente e arrumado uma nova namorada que já frequentava sua casa.

"Eu... vim pra encontrar uma amiga... que eu... conheci na... Alemanha... Alemanha e... é aqui de Los Angeles e eu vou passar esses últimos dias com ela." Finn levantou a sobrancelha, não comprando a história. Nem um pouco.

De repente, de dentro do apartamento, sem aviso prévio algum, Rachel viu surgir o amigo Josh, a quem não via desde as Nacionais e com quem não falava desde quando terminara com Finn, afinal ele era mais amigo de seu ex do que dela, e ela achara ser melhor manter uma certa distância. Josh, como sempre, já entrou no cômodo onde eles estavam falando sem parar, e Rach não pode registrar muito bem as palavras dele, mas era alguma coisa sobre sua mãe e sobre ficar preso no telefone por mais de meia hora.

Quando Josh se deu conta da presença de Berry, não houve nenhuma hesitação da parte dele e, em dois ou três passos largos, ele chegava perto dela e a abraçava com força, tirando os pés dela do chão e fazendo com que ela, Finn e até a tal Eve rissem. Ele a colocou no chão, dando uma gargalhada gostosa e, falando como uma metralhadora de palavras, começou a cravá-la de perguntas sobre sua presença em LA, assim como Hudson tinha acabado de fazer.

"Calma, cara. Vai com calma. Respira." Pediu Finn, rindo. "Eu já perguntei a mesma coisa e ela me contou uma história pouco convincente, mas eu já já vou descobrir o que ela tá fazendo aqui, se você deixar ela entrar, relaxar, beber alguma coisa." Respirou, tentando lidar com a própria tensão. "O que você quer, Rach? Água... refrigerante... uma cerveja?"

"Eu não..." Rachel começou a responder que não queria nada, pensando em dar uma desculpa, se despedir dois três, e ir embora, prometendo entrar em contato com Josh, afinal eles podiam ser amigos, independentemente do final definitivo do relacionamento dela com Finn. Entretanto, Josh parecia estar ligado na tomada de tão agitado e a interrompeu, como se nem tivesse se dado conta que ela estava respondendo a uma pergunta feita a ela pelo amigo dele.

"Você já conheceu a Eve?"

"Nós já fomos apresentadas, amor." A garota respondeu, com um sorriso apaixonado, e ele retribuiu, e Rachel sentiu, de repente, como se um peso enorme fosse tirado de cima dela e uma máscara de oxigênio colocada em seus rosto, facilitando sua respiração. "Ela é mais bonita ainda do que nas fotos." Completou Eve, muito simpática.

"Uma cerveja, Finn. Obrigada." Rachel respondeu, enfim, passando a mão pelo braço dele e lhe dando seu primeiro sorriso verdadeiro, desde que havia chegado àquele lugar.

Enquanto Finn ia à cozinha, ela ocupou um lugar em um sofá, ao lado de Josh, e Eve juntou-se a eles, sentando no colo do rapaz, que começou a contar para Rachel a história de como ele tinha reencontrado Eve, com quem tinha estudado entre os dez e os quinze anos de idade, em um café de Los Angeles, logo no seu primeiro dia morando naquela cidade. Não tinha demorado para que os dois começassem a sair e, em poucos dias, haviam concluído que estavam namorando e que era isso mesmo que ambos queriam.

Finn retornou da cozinha com cervejas para os quatro, mas pediu licença para ir tomar um banho, porque tinha chegado, poucos minutos antes de Rachel, da academia que estava frequentando, e lá apenas trocara de roupa, depois dos exercícios, o que não era, segundo ele mesmo, a decisão mais higiênica possível.

Rachel foi interrogada sobre sua viagem de férias, sobre os planos para o ano letivo, sobre como estavam a família dela em Lima e os amigos do coral, que o rapaz tinha conhecido no aniversário dela, no ano anterior. Respondeu a maior parte das perguntas e escondeu apenas detalhes que precisava contar primeiro para Finn ou se sentiria traindo o garoto por quem era apaixonada, e que, no final das contas, não estava em um encontro romântico em sua própria casa quando ela chegou.

Quando, finalmente, Josh resolveu dar uma trégua à baixinha e voltar toda a sua atenção para a namorada, Finn conseguiu levar Rachel para o quarto dele, para enfim conversarem, uma vez que alguma coisa lhe dizia que a visita repentina dela nada tinha a ver com encontros com amigas, mas que ela também não atravessaria o país praticamente, só para matar as saudades de alguém com quem ela tinha terminado pouco tempo antes. Será que ela tinha mudado de ideia?

"Agora, você vai me contar a verdade sobre o que está fazendo em LA, não é? Você não acha que eu me convenci de que você fez uma viagem dessas, só pra ver uma nova amiga, com quem você tava outro dia."

"Não." Ela riu. "Não, eu não vim visitar uma amiga."

"Então?"

"Então..." Ela deu um forte suspiro. "Bom, tudo começou quando eu recebi um telefonema estranho da faculdade de teatro daqui. Uma secretária do diretor me ligou e disse que Isabelle Wright queria me ver... e que a escola pagaria todas as minhas despesas de viagem, pra que eu viesse encontrá-la aqui. Aí..."

Berry contou para Hudson, com os mínimos detalhes, toda a história de seu encontro com Isabelle, naquela noite.

O fato é que, na escola de teatro de Los Angeles, os alunos eram divididos em grupos, quando ainda calouros, e alguns professores, como Wright, um tal de Twain, conhecido como o homem mais gentil de LA, e uma tal de Cassandra July, conhecida como a carrasca da escola, viravam mentores, cada um de um grupo, ajudando os alunos com todo tipo de questão artística com que se deparassem.

Em seu primeiro dia de trabalho, depois de merecidas férias, a tinha passado na secretaria para pegar a listagem de seus alunos, junto com os currículos deles e as gravações dos testes, para fazer um estudo de perfil, como era de costume, e não encontrara entre seus futuros pupilos um nome que deveria estar na listagem, pois tinha sido colocado nesta por ela mesma.

Era verdade que o teste feito por aquela menina de Lima, Ohio, com um belo nome para uma artista, não a tinha convencido de que a pequena merecia uma vaga na escola em que trabalhava, porque esta lhe parecera um pouco crua, despreparada, imatura. No entanto, quando, poucos dias depois, ela recebera uma carta de alguém de Lima, com um DVD dentro, implorando para que assistisse Rachel no palco, e ela se deparara com uma das melhores interpretações de Catarina que ela já tinha visto em seus vários anos de experiência, a vaga da Srta. Berry ficara garantida e intocável.

No entanto, alguma confusão havia sido feita pelos responsáveis pelo envio de cartas, e Wright, depois de ver que tinha em suas mãos o currículo e a gravação da audição de uma menina de Indiana que ela mesma tinha reprovado, chamada Rachel Berny, entendeu, sem dificuldades, o que tinha acontecido.

Era óbvio que eles não poderiam se livrar da tal Berny, uma vez que, se a garota tinha feito a matrícula, provavelmente ela já tinha até se mudado para LA, tinha contraído despesas e deixado de garantir uma vaga em outra instituição. Contudo, como fora um erro da escola e ela, como mentora, queria a Rachel certa em seu grupo também, Isabelle conseguira abrir uma vaga extra sob sua coordenação e pedira, imediatamente, que a morena fosse chamada para uma reunião com ela, em que esclarecera tudo e convidara Berry para ser uma de suas protegidas pelos próximos anos.

"Isso quer dizer que você vai morar aqui?" Finn fez a pergunta, mesmo achando que, se a resposta fosse negativa, ela não iria até o apartamento dele só para contar a história.

"Eu jamais recebi um convite tão irrecusável quanto esse, Finn. Considerando todos os aspectos, esse foi o convite mais incrível de todos! É... claro que eu venho morar aqui em Los Angeles."

"E você já sabe onde vai ficar... essas coisas? As aulas já tão para começar..." Comentou, não querendo ir direto ao ponto que realmente o interessava mais, para que ela não se sentisse pressionada.

"Ela também reservou um dos quartos no campus pra mim. Ela é ótima, Finn. Você vai simplesmente adorar a Isabelle!"

"Isso..." Hesitou, nervoso. "Isso quer dizer que você e eu... que... você é minha namorada de novo? Que a gente..." Ela deu uma gargalhada gostosa, vendo o nervosismo dele. Uma gargalhada que só Rachel Berry podia dar, iluminando o mundo dele, fazendo tudo simples e perfeito, ao mesmo tempo.

"Se você me quiser de volta..." Ela brincou de se fazer de tímida e desentendida, e ele avançou na direção dela, colando suas bocas, com paixão.

Ele a deitou na cama e ficou por cima dela, beijando-a devagar, intensamente. Lábios roçando, puxando um ao outro, línguas se experimentando, dançando juntas, mãos acariciando os cabelos, sentindo a pele do rosto, borboletas brincando no estômago, coração acelerado, pelos eriçados, corpo se aquecendo, enfim, uma sensação familiar de paz, de amor, de voltar para casa depois de um tempo fora.

"Acho que isso responde à sua pergunta, senhorita." Ele disse, ofegante, e ela riu.

"Isso responde a minha pergunta, senhor Hudson. E que bom que a sua resposta é essa, porque eu te amo. Eu te amo demais!"

"Não demais, baixinha. Entre nós tudo é sempre muito, mas nunca é demais." Foi a vez dele de rir. "Eu te amo, Rach. Muito! Bem vinda ao resto das nossas vidas."

Ele a beijou, mais uma vez, e os dois se amaram, começando a matar as saudades, que eram enormes. Levaria tempo!

Porém, mais do que antes, não havia pressa em seus gestos, porque agora eles sabiam que teriam todo o tempo de que precisassem. Começavam ambos a trilhar um novo caminho, mas agora tinham mais certeza do que nunca de que chegariam ao lugar que cada um esperava e não eram necessários nenhuma urgência ou sobressaltos.

Eles tinham um ao outro de novo e, desse modo, eles eram simplesmente invencíveis!


Eu teria elaborado mais esses capítulos finais, mas como o sofrimento com a série está grande, eu não consegui prolongar o sofrimento aqui. Espero que não tenha ficado ruim.

Aliás, eu tinha muitos leitores e a maioria sumiu, e eu não sei se é desânimo com a série ou se a fic caiu de qualidade, então, se você leu e gostou, me dê uma força dizendo que você chegou até aqui comigo, ok?

Eu ainda não sei se essa fic terá um epílogo ou uma continuação, mas estou inclinada a fazer a continuação. Se quiserem, podem opinar sobre isso também.

Bjo bem gde a cada um de vocês!