Capítulo 53 - Family Affair

Pov Bella

"Quando o assunto é família, no fundo ainda somos crianças. Não importa o quão velho ficamos, sempre precisamos de um lar para chamar de lar. Sem as pessoas que você mais ama, você não pode evitar em se sentir sozinho do mundo."

E os meses passam...

- Bella, quer fazer o favor de sossegar, pelo amor de Deus? - Jane sussurrou ao meu lado, enquanto lutava com Anthony pelo tubo de pomada anti-assaduras. Eu, que estava trocando sua fralda, apesar de estar começando a me irritar com Jane, não podia reclamar porque a loirinha estava certa. Eu não parava de me sacudir no mesmo lugar, tamanha ansiedade pelo dia que me esperava. Era sexta feira, Edward tinha pedido um dia de folga no estágio e tinha ido ao aeroporto buscar Emmett e Rosalie. Seria hoje. O dia em que tudo seria revelado e que Rosalie finalmente saberia do segredo que ultimamente me assombrava.

- Não tem como, Jane. Simplesmente não tem. - fechei a fralda de Anthony e coloquei seu macaquinho verde claro com bastante cuidado. Por mais que eu tomasse todas as precauções eu ainda morria de medo de machucá-lo ou de deixá-lo cair. Esme já tinha me dito que esse é o principal medo de toda mãe de primeira viagem, mas aos poucos eu ia me acostumar e fazer as coisas com mais segurança. Eu não via a hora de essa dita segurança chegar, principalmente em dias como hoje, em que minha futura sogra não estava comigo.

Jane estava me fazendo companhia somente pela manhã por conta de um trabalho de Biologia em dupla que tínhamos que preparar para a semana seguinte. Mesmo ficando em casa para tomar conta de Anthony, eu não havia parado de estudar. A maioria dos professores me passava trabalhos e exercícios para fazer em casa, e o combinado com o diretor, - pai de Jasper, - era que apenas eu fosse ao colégio no dia das provas.

Isso para mim era uma grande oportunidade, porque até então, eu achava que ia ter que parar com meus estudos, mas para minha grande sorte, todo mundo procurou me ajudar no que fosse preciso.

Meus novos amigos estavam sendo muito prestativos. Eles sempre me ajudavam e quando um não podia, o outro sempre pegava a vez. Intercalava entre Riley, Jane ou até mesmo Seth e Irina. Danika, a crânio do nosso clube de matemática, me visitou duas vezes para me ajudar com os preparativos dos exames finais do colégio. Com isso, pelo menos três vezes por semana eu tirava um tempo para estudar, e Esme ficava com Anthony. As provas estavam se aproximando, e eu precisava estar preparada.

Só que naquele dia estava difícil de fazer trabalho ou me focar em Reinos Monera e Protista. Apesar de ter passado a noite inteira em frente ao espelho ensaiando formas de contar a Rosalie tudo o que eu sabia, eu só conseguia pensar em cenários de como seria nossa conversa. Minha mente passeava por todas as reações possíveis e imagináveis que ela poderia ter, e de alguma forma muito perversa, só me vinha coisa negativa. Jane, que a essa altura já sabia de toda a história da minha vida, estava sendo tudo o que eu precisava naquela manhã e por sorte, não estava brigando comigo por não termos sequer começado o trabalho. Eu precisava desabafar toda aquela angústia que estava dentro de mim de alguma forma e ouvir uma opinião diferente da de Edward, porque apesar de ele me garantir que Rosalie não ia ficar chateada comigo, o medo ainda existia. E me aterrorizava.

- Eu sei, amiga. Eu sei que é difícil. - ela respirou fundo, e riu de Anthony que ainda puxava o tubo com toda a força do mundo, - pelo menos para ele, - e fazia aqueles barulhinhos que eu simplesmente amava ouvir. - Cara, é impressionante. Você só tem dezessete anos e já passou por problemas de uma vida inteira... chega dá angústia. - ela sacudiu a cabeça.

Apenas continuei olhando para Anthony em cima do trocador e assenti, afinal não tinha como discordar. Ela tinha razão.

- Mas sabe o que eu acho? - ela me olhou rapidamente. - Eu acho que isso tudo é como se fosse uma liberação de karma. - seu semblante era de pura naturalidade com aquele assunto estranho, que eu não fazia a mínima idéia do que se tratava.

- Como assim, Jane? - franzi o cenho.

- Assim... - ela continuou brincando com Anthony, fazendo pequenos caminhos com seus dedos por sua barriguinha. - Você tinha sua vidinha pacata e sem graça lá naquela cidade... Seu karma estava neutro e você se encontrava dentro de uma bolha. Não acontecia nada de negativo na sua vida. Então Edward chegou, você começou a bater de frente com as coisas que te incomodava, e isso mexeu sua vida. Quando você mexeu com ela, mexeu com sua bolha, meio que desestabilizou e veio uma onda de coisas negativas. - ela olhou para mim, esperando alguma reação, mas a única coisa que teve em resposta foi meu rosto completamente confuso com essa explicação sem pé nem cabeça. Então ela riu. - O que importa é, assim que você resolver tudo isso, passar por toda essa negatividade, sua vida volta ao normal. Ou ela fica neutra novamente, ou cheia de karma positivo. Pura perfeição, amiga. Acredite em mim.

- Onde você aprendeu isso tudo? - reprimi uma semi-gargalhada. Ela estava falando tão sério que eu não sabia se ela ia ficar chateada se eu começasse a rir.

- Minha mãe. - eu sabia que a mãe de Jane era psicóloga mas não sabia que isso se encaixava em Psicologia, então dei de ombros, até que a baixinha tentou explicar ainda mais. - Ela tá meio que estudando esse negócio de karma, e terapia das cores... eu não acreditava muito não, mas tem algumas coisas que realmente dão certo se a gente parar para pensar.

- Será? - peguei o pézinho de Anthony e suspirei.

- Claro... você vai ver. E vai me falar que eu tinha razão quando formos bem velhinhas e estivermos tricotando cachecóis pros nossos netos.

Eu tive que rir.

- Mas é tanta coisa para resolver, Jane... - falei junto com um suspiro.

- Nem é tanta coisa assim, bonitinha. - ela falou animada, sacudindo um brinquedo que fazia barulho e isso acabou chamando toda a atenção de Anthony, que largou o tubo de pomada e resolveu focar-se no brinquedo. Jane era dona de um ânimo que me fazia bem demais e isso se entendia ao meu filho. Toda vez que eu me sentia pra baixo, ela fazia tudo mudar. - Veja bem. Hoje você vai resolver as coisas com Rosalie. Charlie, bem, foi algo que passou e infelizmente não há mais nada o que fazer... falando nisso... aquele negócio da casa em Monrovia que ele deixou para vocês, você vai fazer aquilo mesmo?

- Acho que vou. - dei um meio sorriso.

- Então pronto. É uma coisa resolvida. Ou parcialmente resolvida, porque né...

- … Eu ainda preciso falar com Edward sobre isso... - complementei.

- Exatamente. - Jane falou logo. - Mas sinceramente? Acho que ele vai gostar da ideia..

- Também acho.

- Então... só resta, er... sua mãe... - Jane falou cuidadosa.

- É. Só me resta ela. - peguei Anthony em meu colo. - E eu não faço idéia do que fazer. Mesmo.

- É porque não é hora de fazer nada. - ela passou seu dedo indicador pelo cabelo de Anthony que parecia ficar cada vez mais igual ao de Edward na cor. - Sério. Deixa isso para lá por enquanto. Não adianta fazer nada com raiva no coração e cabeça quente. Não coloque os pés pelas mãos. Sempre dá errado. - ela levantou uma sobrancelha.

- É. Você tem razão.

- Infelizmente tenho que ir, Bella. - ela fez um biquinho. - Não queria te deixar sozinha agora, ainda mais sabendo que você não vai deixar de ficar essa pilha toda de nervos, mas eles só me liberaram até as onze. Tenho que voltar para o colégio.

- Tudo bem. Não tem problema. Edward já já deve chegar com os dois.

Jane sorriu e inclinou-se, me dando um beijo na bochecha.

- Vai dar tudo certo, ok? Depois te ligo para saber como foi. - ela olhou para Anthony e deu um beijo bem de levinho em sua bochecha. - Tchau bebê.

- Obrigada por tudo, Jane. Mesmo.

- Fala sério, Isabella. Nada disso. - ela revirou os olhos.

- Vou te levar até a porta. - falei junto com um sorriso. Jane era simplesmente incrível.

Assim que ela saiu e eu fechei a porta de cada percebi que eu e meu bebê estávamos sozinhos e se não me engano pela primeira vez desde que ele saiu do hospital. Esme estava ajudando bastante nos últimos dias, - principalmente nas ocasiões onde eu tinha que estudar, - mas hoje ela teria que fazer um check up no médico então estávamos realmente sozinhos.

Ao mesmo tempo que era uma sensação nova a ser sentida, - aquela velha e conhecida noção absoluta de responsabilidade, - junto com ela me batia uma imensa insegurança. Apesar de eu saber fazer tudo, trocar fralda, alimentá-lo, banhá-lo e até mesmo reconhecer seus pequenos choramingos, eu ainda tinha dentro de mim aquele medo de fazer alguma besteira. Era mais um obstáculo que eu deveria encarar, então respirei fundo e tentei chutar para bem longe aquele receio que queria me consumir.

Olhei rapidamente a sala e resolvi me sentar no sofá com Anthony em meus braços. Fiquei observando-o atentamente e meu coração inflava cada vez que ele piscava aqueles olhos azuis enormes ou que meramente mexia seus lábios bem carnudinhos e rosados. Passei meu dedo indicador por sua já conhecida bochechinha vermelha e ele exprimiu um sorriso, acompanhado de um suspiro ingênuo. Aquele sorriso me causou arrepios porque puxei por minha memória que Edward já tinha sorrido daquela forma para mim, há muito tempo atrás. Mais precisamente na primeira vez que passamos a noite juntos escondidos no meu quarto em Monrovia. Foi a primeira coisa que ele fez aquela manhã quando acordamos e aquilo me fez ter lembranças ainda mais intensas do começo do nosso relacionamento, quando tudo ainda era muito novo e desconhecido. O engraçado é que esse dito "passado" nem fazia tanto tempo assim que tinha acontecido.

Era impressionante o quanto já tínhamos vivido juntos, quando na realidade tudo não tinha se passado nem um ano. Em junho faria um ano. E ainda faltava bastante tempo para junho chegar.

Anthony me olhava atentamente, como se tentasse me desvendar, ou desvendar de alguma forma o que eu estava pensando naquele momento.

- O que foi, meu bebê? - sussurrei em sua direção, pegando em sua mãozinha e massageando sua minúscula palma, rindo silenciosamente de seus dedos bem gordinhos. - Você sabe de tudo, não sabe? Você sempre esteve dentro de mim, desde o começo. Você ouviu tudo, presenciou tudo, sentiu tudo... mesmo quando eu não sabia que você já estava em minha barriga. - suspirei. - Acho que você é a pessoa que talvez mais entenda a mamãe... calma, não fique brabo. Eu sei que seu papai me entende, e ele é o homem mais perfeito do mundo, mas você... você é meu grande e enorme amor. Nunca se esqueça disso. - me inclinei e dei um beijinho de leve em sua bochechinha.

Anthony ainda continuava com seus olhinhos azuis vidrados em mim. Era intenso demais o que eu sentia por ele, e quanto mais eu tentava medir, mais confusa e perdida eu ficava. Não havia como determinar o sentimento que eu tinha por meu filho. Só sei que faria todas as loucuras possíveis para seu bem estar e isso sempre me fazia pensar no que Reneé sentia quando me via. O que passava por sua cabeça quando eu estava em seus braços ainda bebê, o que passou por sua mente quando ela foi embora e me deixou, e principalmente, como ela conseguia viver e respirar sabendo que tinha abandonado sua própria filha? Só de pensar em abandonar Anthony eu já ficava com falta de ar. De verdade.

- Me desculpe por ter tido medo de ter você no começo... - resolvi então dizer. Eu devia isso a ele, e queria me redimir de alguma forma. - Me desculpa por pensar em fugir da casa de seus avós... mas... principalmente.. me desculpa por não ter vontade agora de perdoar a sua avó materna, meu anjinho.. é que simplesmente... ai, não sei.. - meus olhos foram se enchendo de lágrimas. - Um dia quando você for papai, você talvez entenda... eu.. eu sei que eu não sei dizer não para ninguém, mas estou pensando seriamente em dizer não para sua avó... me perdoe se eu realmente fizer isso... você me perdoa?

Nenhuma resposta. Apenas aquela imensidão azul ainda me olhando.

- Eu só quero que você saiba que sua mamãe e seu papai te amam mais do que tudo nesse universo e nós nunca, nunca, nunca vamos te abandonar. Mesmo que você tenha vindo sem avisar e cedo demais, você é nosso sonho realizado e nós nunca vamos deixar que nada de mal aconteça a você. É a minha promessa.

A única coisa que Anthony fez foi bocejar. Acabei deixando escapar um sorriso de alívio, me sentindo um pouco idiota por estar despejando tudo aquilo em cima de meu bebê quando ele ainda não tinha nem como me entender direito. Então resolvi parar antes que ele começasse a me ver chorar. Não seria nada legal.

Tomei um susto ao ouvir o barulho de meu celular em cima da mesinha de centro e assim que o peguei vi que era cartinha piscante com o nome de Edward.

"Estamos chegando. Trânsito na ponte. Amo vcs."

Aquela mera mensagem já foi o suficiente para deixar minhas mãos suando a ponto de escorregarem e meu coração batia tão acelerado que me dava a impressão de que meus pulmões queriam pegar ar e não conseguiam. Faltava pouco. Muito pouco. Rosalie saberia a verdade... de uma vez por todas.


Existem formas completamente diferentes de abraços. Eles podem expressar quase todas as emoções: Amor, carinho, amizade, afeição, saudade... até mesmo aquele abraço de desculpas sinceras. E era difícil separar apenas um sentimento naquele momento. O envolver de braços que eu estava dando em Rosalie ali, na porta da minha casa, era uma mistura de tudo isso, somando a um silencioso pedido de desculpas por ainda estar escondendo algo tão imenso e precioso dela por tanto tempo. Ela, coitada, não estava entendendo nada. Tinha acabado de chegar, não havíamos nem sequer saído da porta e ela já estava estranhando minha reação, até porque meus olhos já estavam entupidos de lágrimas.

Edward, que estava com Anthony no colo para que eu cumprimentasse Emmett e Rosalie, logo percebeu.

- Meu anjo, deixe que eles entrem. - ele riu e todos riram. Até eu ri, apesar das lágrimas em meus olhos. - Emm, você já sabe onde fica o quarto de vocês. Pode levar as malas até lá enquanto fico com Anthony no colo?

- É pra já. - Emmett respondeu, pegando as duas malas e subindo as escadas. Eles só iam ficar até domingo, mas aquela estadia significava tudo para mim. Só o fato de saber que eu provavelmente tiraria mais um peso das minhas costas era uma grande esperança. A única coisa que eu torcia era para que não desse nada errado. Eu não queria ver Rosalie chateada comigo.

Me soltei de nosso abraço para fechar rapidamente a porta de casa e assim que soltei a maçaneta a abracei novamente.

- Meu Deus solzinho, sentiu tanto a minha falta assim? - ela riu, apertando nosso abraço.

- Você nem faz idéia. - falei na ponta dos pés enquanto apoiava meu queixo em seu ombro. Rosalie era bem mais alta do que eu. Será que ela tinha puxado nosso pai? Será que ele era bem alto? Sacudi a cabeça tentando tirar aqueles pensamentos antes que desmoronasse em hora errada.

Emmett desceu rapidamente, fazendo estardalhaço nas escadas e me pegou no colo, me assustando e me deixando escapar um grito involuntário.

- Que saudade de poder te esmagar, te pegar no colo e te apertaaar... - ele me apertou enquanto grunhia, e eu caí na gargalhada ao sentir meus pés balançando no ar. - Agora não tem mais barriga para atrapalhar e meu moleque está aqui com a gente. Falando nisso, peraí. - ele me colocou no chão. - Me dá esse molecão aqui, Edward.

- Emmett, cuidado pelo amor de Deus! - Rosalie falou colocando as mãos uma em cada lado de seu rosto. - Anthony só tem dois meses , e precisa que você seja delicado, coisa que você não é, seu brutamontes!

Edward riu e entregou Anthony calmamente para Emmett, que de alguma forma muito curiosa foi extremamente cuidadoso com meu bebê. Ele sorriu de uma forma que eu só tinha visto quando ele tinha revelado para mim que estava apaixonado por Rosalie e seus olhos brilharam quando ele se tocou que Anthony nem tinha reclamado por estar em um colo diferente pela primeira vez.

- Ele está quietinho... - ele disse ainda rindo.

- Ele é muito bonzinho. Quase não chora, não estranha colo... - respondi. - Sem contar que esse é o titio Emmett, ele não tem nem o que reclamar, olha o tamanho desse colo.

- Ele é lindo, Bells.. - Emmett falou olhando rapidamente para mim e para Edward. - Óbvio que puxou somente você, não Edward. - ele brincou.

- Ah pára! Ele é a cara de Edward, Emmett.. - revirei os olhos.

- O cabelo é ridiculamente igual. - Rosalie falou enquanto ria. - Vem cá, quero pegar meu sobrinho também, Emmett.

Sobrinho. Aquela palavra me fez gelar, porque ela nem fazia idéia de que o que ela falava era a mais pura verdade. Anthony era seu sobrinho, e não de consideração mas de sangue. A mão de Edward logo acariciou a parte baixa de minhas costas, percebendo minha reação.

- Hey... fique calma meu anjo. - ele sussurrou enquanto dava um beijinho no pé do meu ouvido e me envolvia em seus braços. - Vou sair com Emmett para buscar o almoço... E vou tentar ficar um bom tempo na rua para que vocês possam conversar direito, está bem - ele disse baixo, procurando que ninguém o ouvisse. Seus dedos acariciaram minha bochecha e eu dei um suspiro aliviado, me sentindo em casa. Sempre que ele estava perto de mim era assim que eu me sentia. Segura. Completamente segura.

- Obrigada. - dei um meio sorriso, ainda que bem fraco, e ele segurou meu rosto, aproxiimando-se e dando um beijo rápido em meus lábios.

- Eu não vou a faculdade hoje. Vou ficar aqui com vocês. Vai dar tudo certo, está bem? Qualquer coisa me ligue. - ele deu outro beijo, dessa vez um pouco mais demorado, e acompanhado de uma respiração mais intensa. Eu não queria largar, mas sabia que tínhamos coisas a fazer. Então nos afastamos, com muita relutância. Edward apenas suspirou. - Emmett, vamos buscar o almoço?

- Ai, graças! Estou faminto! - ele falou animado, soltando seus olhos de Anthony e pegando o casaco em cima do sofá. Ele deu um beijo em mim, em Rosalie e logo saiu com Edward pela porta. Assim que ouvi o barulho do carro saindo da garagem, fui tomada pela realidade de que eu tinha que finalmente contar tudo a ela.

Eu não sei nem detalhar como meus nervos estavam naquele momento. Anthony bocejou novamente e começou a ficar bem manhoso, então coloquei-o em meu colo e pedi para que Rosalie me acompanhasse enquanto eu o deitava no berço. Foi automático. Assim que ele encostou sua cabecinha no travesseiro, bocejou mais uma última vez antes de fechar os olhos e mergulhar em um soninho bem tranquilo. O cobri, liguei a luz do abajur e peguei a babá eletrônica. Assim que me virei, percebi que Rosalie estava me olhando, com os braços cruzados e um sorriso nos lábios.

- Seu bebê é lindo demais, solzinho.. você está de parabéns. Mesmo. E.. você está tão mãe. Mais mãe do que da última vez que eu te vi. - ela suspirou. - Queria ter estado aqui quando você entrou em trabalho de parto. E desculpa por termos demorado para vir... é que Emmett está sozinho na oficina, e eu tenho ainda meu trabalho na creche... - ela então parou e logo percebi que ela queria mudar de assunto. - Kelly te mandou um beijo.

Sorri.

- Vou mandar uma Barbie para ela. Me ajuda a escolher uma amanhã quando formos levar Anthony na Dra. Julie?

Ela assentiu, olhando mais uma vez para Anthony, que a essa altura já devia ter entrado em um sono mais pesado, porque estava com a respiração mais intensa.

- Rose... vamos até meu quarto? - resolvi perguntar, vendo que aquela era a hora certa para começarmos a conversar. - Ele vai dormir por umas boas duas horas agora...

- Uhum... - ela deu uma última olhada em Anthony e saiu do quartinho comigo, me seguindo até a porta ao lado.

O tempo estava bem feio lá fora, anunciando chuva e acabei tendo que acender a luz para que não ficasse tão escuro dentro do quarto. Rosalie se sentou em minha cama e sentei a seu lado, não sabendo nem como começar o assunto. Mas essa era acima de tudo a minha melhor amiga, e ela me conhecia, praticamente desde o dia em que nasci. Assim que me olhou ela percebeu que algo estava errado.

- Desembucha, solzinho. - ela disse junto com um sorriso, enquanto cruzava suas pernas e me olhava com curiosidade.

- Desembucha o que? - tentei desvencilhar, por pura idiotice. Porque eu não tinha a coragem de falar logo de uma vez? Não adiantava fugir do assunto.

- Não me venha com essa. O que você tem que me falar? Eu te conheço, viu? Desde o dia que você me ligou eu já estava sentindo que algo estava errado, até fiquei com medo que fosse algo com Anthony, mas perguntei a Emmett e ele me garantiu que tudo com o bebê estava bem... então vejo que é algo comigo. O que foi?

Tinha que ser assim, certo? Como um band-aid.

- Rose.. eu tenho algo para te contar.. só que nem sei como começar.

- Bom, acho que temos todo o tempo do mundo. - ela deu um sorriso torto. - Ou pelo menos duas horas. - ela olhou para a babá eletrônica que estava em cima da cama, entre nós duas.

- Er... - tirei minhas sandálias e sentei em posição de chinês na cama, esfregando minhas mãos uma na outra e ainda sentindo aquele maldito suor que elas teimavam em emanar. Eu devia ter mandado uma carta. Seria muito mais fácil do que falar assim, cara a cara. - Como está sua mãe?

Ela franziu o cenho.

- Presa. Esperando julgamento. Sem novidades. - ela falou de forma fria, mas entendi o porque. Ela não gostava de falar desse assunto e estava muito magoada por tudo de ilegal que Judith tinha feito por suas costas. - Não tente mudar de assunto, Bella.

- Não estou... - respirei fundo. - Rose.. Você lembra um pouco depois do Natal, quando fui encontrar.. a Reneé?

Ela apenas assentiu, me olhando ainda curiosa.

- Então... ela.. nós conversamos sobre tudo. E ela meio que me contou coisas que... coisas que eu num sei explicar ao certo, mas..

- Bella, você quer falar logo pelo amor de Deus? - sua voz aumentou e me deixou ainda mais nervosa. - Eu já sabia que algo nesse almoço com ela não tinha dado certo porque você voltou apavorada naquele dia. Não perguntei por educação e porque sabia que Emmett ia ficar me enchendo o saco se você me contasse. Mas enfim.. o que ela te contou? Fala logo, sem rodeios. - seu jeito meio rude e direto acabou me dando ainda mais medo, mas eu sabia que tinha que falar logo.

- Ela me falou do passado. Tudo o que aconteceu quando ela e sua mãe eram jovens. E.. meio que houve uma grande... confusão. Digo, confusão da parte de minha mãe, eu acho, sua mãe acho que não teve culpa, e..

- Chega de achismos, você tá me deixando nervosa, Isabella quer me fazer o...

- Rose, somos irmãs. - soltei. - É isso, nós somos irmãs, de verdade, de sangue, e temos o mesmo pai.

- Ahn? - ela franziu o cenho. - Bella.. o que...?

Fiquei olhando para o seu rosto, mostrando que eu não estava brincando, muito menos falando algo do qual eu não tinha certeza. Rosalie ficou me olhando, provavelmente esperando que eu começasse a rir, ou que eu desmentisse tudo isso, mas assim que notou meu silêncio, resolveu perguntar.

- Isso é verdade?

Apenas assenti.

- Mas... como? - ela então parou. - MEU DEUS, CHARLIE ERA MEU PAI? - ela gritou atemorizada.

- NÃO! - falei ainda mais alto, e segurei a babá eletrônica com força em minha mão, torcendo para que Anthony não acordasse com aquela gritaria, mesmo que uma parede grossa estivesse nos separando. - Charlie não é seu pai. E também não é meu pai. - abaixei minha voz. - Nossas mães tiveram um caso com um homem, e as duas engravidaram com apenas alguns meses de diferença... temos o mesmo pai, Rose.

Silêncio. A única coisa que eu conseguia ouvir era o chiado da babá eletrônica e alguns trovões que começavam a anunciar a grande chuva que ia cair lá fora. Por alguns segundos achei que ela estava tendo um derrame, porque ela nem sequer mexia, só olhava para mim. Será que ela realmente ainda estava esperando que eu começasse a rir e falasse que aquilo não passava de uma brincadeira? Era melhor que eu falasse logo.

- Eu não estou brincando, Rose. - então continuei. - Eu estou falando sério. No começo eu também não quis acreditar, mas Charlie me confirmou antes de morrer. - lembrei da carta. Me levantei rapidamente e fui até o criado mudo do meu lado da cama. Peguei aquela fatídica carta, e entreguei a Rosalie. Suas mãos trêmulas seguraram o papel e naquele silêncio temeroso, ela leu as palavras que eu já sabia de cor. No que mais pareceu uma eternidade ela terminou, e me entregou o papel novamente dobrado. Eu queria dar tempo para que ela processasse o que tinha acabado de saber, mas não precisou de muito.

- Por que eu não fiquei sabendo disso antes? - foi só o que ela falou. E era justamente a única coisa pela qual eu tinha mais receio.

- Rose.. - respirei fundo tentando me compor e não deixar que o pavor tomasse conta de mim. - Quando Reneé me contou eu realmente não sabia se era verdade. Eu não acreditei, ou não queria acreditar... Podia ser loucura da cabeça dela, sei lá.. - respirei novamente. - Mas então Charlie foi e me confirmou, e tudo aconteceu... eu.. eu fiquei com medo. - essa última palavra saiu como um sussurro.

- Medo? De que? - seus olhos brilhavam, escondendo as lágrimas que queriam cair e ela provavelmente estava procurando forças para impedi-las.

- De você ficar com raiva de mim por não ter contado logo de primeira. Eu não quis esconder, Rose, mas ao mesmo tempo tive muito medo... - respondi rápido.

Ela assentiu e ficou mais um tempo calada olhando para o chão. Aquilo tudo estava me deixando tão ansiosa que me peguei rangendo os dentes ao ponto de deixá-los doloridos. Eu poderia começar a contar tudo que Reneé tinha me dito, explicar toda a nossa história, mas aquele silêncio me impedia. Eu não sabia se ela queria ouvir. Mas então olhou para mim novamente.

- Por que minha mãe nunca contou isso para mim? - ela me olhou.

- Não sei, Rose. - suspirei. - Sinceramente não sei. Minha mãe também não me contou. Charlie também não me contou. Nem mesmo minha avó, antes de morrer. - respirei fundo. - Por algum motivo esconderam isso da gente nossa vida inteira. Provavelmente por causa do nosso pai. - dei de ombros. Para mim aquele assunto já estava meio que batido, mas eu sabia que para ela não era um simples "dar de ombros". Era muito mais intenso. E eu tinha que entender, portanto fiz um acordo comigo mesma de responder todas as perguntas que ela me fizesse e também tentar fornecer tudo o que eu sabia. Ela tinha esse direito.

- E quem é esse cara? Digo.. nosso... pai? - ela então parou. - Céus, não sei nem como falar. Isso é estranho demais. - ela sacudiu a cabeça com um semblante contrariado.

- Bom... o nome dele é Phillipe Tobias Dwyer, - mas todo mundo chama ele de Phill, - tem trinta e seis anos e mora aqui pertinho, em New Jersey. Eu não sei ao certo qual é a profissão dele, mas sei que ele é importante... da sociedade.. e tem muito dinheiro.

- Como você sabe disso tudo? - ela me cortou.

- Ele... ele casou com Reneé. - respirei fundo. - Quando ela fugiu, foi para casar com ele.

- Por isso que minha mãe tinha tanta raiva da sua mãe... e de você.. - ela falou baixo, com os olhos demonstrando que ela estava perdida em pensamentos.

- Com certeza. - respondi simplesmente. - E bem, eles agora têm dois filhos. São gêmeos, e eles têm cinco anos.

- Nós temos dois irmãos? - ela falou com a voz alterada e eu assenti. - Tá falando sério? - ela arregalou os olhos em choque. Eu apenas assenti novamente, com um pouco de receio de onde nossa conversa ia nos levar. - Meu Deus, isso é confuso, louco e novo demais pra mim. Não sei nem o que pensar. - ela se levantou, colocando as mãos rapidamente no rosto e passou a andar de um lado para o outro em meu quarto, sem tirar os olhos do chão. Apenas fiquei acompanhando. - Porque ele não foi atrás da gente?

- Também não sei. - sacudi a cabeça negativamente. - Eu sei muito pouco dele. Só sei basicamente o que Reneé me falou e algumas coisas que Carlisle viu para mim.

- Bella... ele sabia de tudo desde o começo... - ela falou contrariada. - Ele sabia que nós duas ficamos em Monrovia, uma cidade atrasada, sem muita coisa... Como um pai pode fazer isso com suas filhas? Negar tanto?

Olhei para a babá eletrônica que estava ao meu lado e senti vontade de chorar de verdade. Aquele choro magoado. Porque a única coisa que vinha em minha cabeça era Anthony.

- Eu também não sei. Dói só de pensar. Eu nunca faria isso com meu bebê.

Ela finalmente sorriu para mim.

- Eu sei que não. Eu também não faria. Ainda bem que não puxamos isso dele. - seu tom foi meio que de brincadeira, mas eu sabia que tinha sido apenas com o intuito de amenizar um pouco aquele ambiente tão pesado por tristezas. De certa forma me deixou um pouco leve e foi bom.

- Rose, me desculpa. - suspirei. - Não fique braba comigo.

- Brava com você? - ela me olhou em dúvida, deixando uma tremenda linha de expressão em sua testa. - Por que eu ficaria? Só estou chocada com isso, Bella. E não sei a quem culpar. Acho que estou com ainda mais raiva da minha mãe agora. E da sua mãe também. Jesus, não sei nem o que sentir. Pior é sentir raiva de alguém que eu nem conheço.

Peguei em sua mão com um certo receio, mas fiquei aliviada ao sentir seus dedos entrelaçando nos meus com firmeza. Puxei-a novamente para o meu lado e ela voltou a se sentar na cama.

- Mas eu sei que errei em ter demorado para te contar... eu, eu... - meus olhos começaram a se encher de lágrimas.

- Heeey...não! Não! - ela puxou minha mão, nos levando para um abraço ainda mais apertado do que quando nos abraçamos na porta de casa. - Eu não estou braba com você, acredite em mim. Você não tem culpa de nada, solzinho... só estou cheia de questionamentos na cabeça. É muita coisa para se pensar. Eu não esperava nada disso. - ela soltou nosso abraço e deu um beijo em minha testa. - Minha Nossa Senhora, não posso acreditar que você é minha irmãzinha de verdade. - sua voz começou a falhar e senti que as lágrimas finalmente iam vir.

- Eu também demorei para acreditar... - falei sorrindo e segurando o choro ao mesmo tempo, sentindo até dor em minha garganta. - Digo, é meio surreal. Nós sempre estivemos juntas, e...

- Bem.. - ela me cortou, com a voz carregada de emoção. - Eu sempre te considerei minha irmãzinha de qualquer forma... isso é só mais uma prova... Não vai fazer tanta diferença na verdade... - ela sorriu e então vi as lágrimas saindo de seus olhos. Passei meus dedos pelas maçãs de seu rosto, que estavam molhadas.

- Não chore.

- Pára com isso solzinho, você também tá com vontade de chorar que eu sei.. - ela brincou e riu enquanto chorava, passando seus próprios dedos embaixo dos olhos. - No fundo eu estou feliz. Se vermos pelo lado positivo, nós temos uma a outra. Dentro de tanta confusão, eu sei que eu tenho você.

- Com certeza você me tem. Para sempre, Rose.

- Ai, ainda não tô acreditando nisso... irmãs... - ela me olhou. - Vem cá.. - e me abraçou novamente, rindo e chorando ao mesmo tempo. Eu estava do mesmo jeito.

- Amo você, Rose. - falei enquanto apertava nosso abraço.

- Eu também amo você, minha irmãzinha. - ela falou simplesmente, com um sotaque Monroviano carregado do qual eu sentia tanta saudade. E naquele momento percebi que mesmo com a confusão gigante em nossas cabeças, tudo ia ficar bem, só faltava contar a Emmett. Eu sabia que ele ia pirar e fazer milhões de perguntas., mas não tinha porque ter receio de nada; Eu tinha minha irmã ao meu lado para me ajudar.


- Ah, vocês tão de sacanagem comigo! - ele falou alto, segurando os talheres e olhando para Edward, procurando algum riso que confirmasse que aquilo era uma brincadeira, mas nada vinha. Já era a décima vez que Emmett perguntava isso e eu não aguentava mais. Porque ele não queria acreditar? - Vai, pára, sério. Podem me falar que vocês tão querendo ferrar com a minha cabeça.

- É verdade, Emmett. - Rosalie falou irritada. - Eu já te disse diversas vezes que é verdade, Bella já disse também, você leu a carta de Charlie... o que mais você quer? É tão difícil assim aceitar que nós somos irmãs? Isso tudo é ciúme porque você é menos irmão que eu? - ela soltou um sorriso sarcástico e brincalhão.

- Hey, eu não sou menos irmão que você, mocinha. - ele falou emburrado, como se estivesse com ciúme. - É só que.. sei lá, isso é demais. Essa história é muito confusa. Na boa, as mães de vocês são loucas. E esse Phill... se eu o encontrar.. - ele segurou os talheres com mais força e franziu os lábios, como se estivesse trincando os dentes.

- Ele provavelmente vai ao casamento de Alice. Phill e Reneé são um grandes amigos dos pais de Jasper. As crianças estudam no mesmo colégio de Bella. - Edward falou ao meu lado, com sua mão esquerda em minha perna, mostrando que estava do meu lado, e que eu podia contar com ele.

- Isso que eu chamo de coincidência. - Emmett brincou.

- Põe coincidência nisso. - respondi.

O almoço, apesar de ser interrompido constantemente por questionamentos vindos de Emmett, estava bem tranquilo. Eu e Rose estávamos bem, ela já sabia de todos os segredos que eu havia guardado comigo, e aquilo era um grande alívio para mim. Anthony, que estava deitado no carrinho ao meu lado, ainda dormia que nem um anjinho, e eu intercalava entre comer e olhar para ele. Também, não tinha tanta vontade assim de comer. Estava com uma dieta forte devido a minha anemia e não podia comer muitas besteiras porque estava amamentando, então não ficava muito feliz com o cardápio que eu era liberada para comer. Tinha dias que o que eu mais queria era um pacotão de M&M's mas sabia que para o bem de Anthony eu não podia ficar comendo.

Por fim, no meio de tantas garfadas, Emmett acabou aceitando de uma vez por todas que éramos oficialmente família, e ele agora além de irmão de consideração, era meu cunhado legalmente. Não preciso nem falar que isso o deixou feliz. E foi mais uma certeza que tive de que o que Jane tinha me dito mais cedo de repente poderia ser verdade. Meu karma estava melhorando.


- Meu nitro acabou! - Emmett gritou. - Edward, o que eu faço?

- Edward, cale a sua boca e não fala nada! - Jasper, que estava disputando uma corrida de Need for Speed com Emmett, gritou. Por sorte Anthony estava muito bem acordado e prestando atenção nas caretas que Alice fazia para ele, porque se estivesse dormindo, não duvido que acordaria chorando e assustado com a gritaria que seu pai e seus tios estavam fazendo na sala.

- Hey, isso não vale, eu sou novato! Alice, quer fazer o favor de dar um jeito nesse seu noivo? - Emmett esbravejou. - Ele sabe que eu não sei mexer direito nesse treco e está se aproveitando disso!

- Emmett, é só apertar o L2. - Alice disse rindo, sem tirar os olhos de Anthony, que ficava rindo de suas caretas.

- E onde fica essa porra de L2? - todos na sala começaram a rir. Edward, que estava muito bem e confortável ao meu lado no sofá, levantou e mostrou a Emmett onde ficava o tal do L2. Eu não entendia nada, então apenas ficava rindo.

A noite tinha tudo para ser divertida. Edward tinha acabado de comprar o Playstation 3 e por conta da faculdade e do estágio ainda não tinha tido nenhum tempo para jogar. Logo tive a ideia de fazermos uma noite de jogos e pizza, e ele estava adorando. A questão era que Edward andava meio chateado, e apesar de não querer me contar, eu percebia. Todas as suas ações mostravam que ele ainda continuava chateado por não poder passar o dia comigo e com Anthony. De alguma forma eu me sentia culpada, porque ele ainda era muito novo, e só estava tendo que encarar essa vida cheia de responsabilidades basicamente por minha causa e por causa de Anthony.

- Edward, fica aqui e me ajuda. - Emmett disse ainda sentado no chão, sem tirar os olhos da nossa televisão, que ficava em cima da lareira. Rosalie apenas sacudiu a cabeça e riu do marido, olhando logo depois para Alice.

- Como estão os preparativos do casamento?

- Maravilhosos! - ela falou animada. - Já está tudo praticamente pronto, e eu ainda não consigo acreditar que vou casar! - sua voz, como sempre, foi uma oitava mais alta, fazendo Jasper rir e olhar para ela com carinho. Por fim, os meninos começaram a dar mais atenção ao videogame e nós ficamos com Anthony, babando nas coisinhas que ele fazia e conversando sobre o grande evento que aconteceria daqui há um mês em Manhattan: o casamento de Alice e Jasper.

Contos de fadas seria pouco para tudo que estava sendo planejado. Alice ia ter um casamento de princesa, o casamento de seus sonhos, e apesar de eu achar tudo exagerado demais e completamente diferente do que eu imaginava para o meu, estava feliz por ela. Ela merecia. A irmã de Edward era um ser único no mundo, era boa com todo mundo e uma namorada perfeita para Jasper. Nada mais justo do que ter o casamento que ela sonhava em ter desde criança - na Catedral de St. Patrick, e a festa, no sétimo andar do Rockefeller Center, um espaço que eles agora reservavam apenas para festas de grande porte e tinha uma vista completamente perfeita.

- Falando nisso, a sua prova de vestido está marcada para semana que vem. - ela virou-se para mim. - Deixei a sua um pouco para mais perto do dia, por causa da perda de peso, mas, Bella.. você tem que ver o seu vestido! Ele combina com a roupa de Edward e de Anthony! - ela disse animada.

Rosalie me olhou querendo rir. Eu não sei se ficava empolgada ou assustada com essas ideias de Alice. Em Monrovia nós não estávamos muito acostumadas com esse tipo de evento chique, então era inevitável se sentir um pouco intimidada com tanta coisa.

- O que me lembra... quando você e Edward vão finalmente se juntar, hein? - Alice colocou as mãos na cintura, me fazendo a mesma pergunta que ela já vinha fazendo nos últimos meses. Ela já sabia a resposta mas fazia questão de sempre perguntar. A verdade é que eu ainda não sabia ao certo quando seria, mas eu e Edward já tínhamos chegado a conclusão que era cedo demais. Até porque eu ainda tinha dezessete anos e precisava de autorização. Não que Carlisle fosse proibir, mas enfim...

- É! E o seu solzinho, quando vai ser? - Rosalie complementou.

- Depois que eu fizer dezoito, assim que Anthony estiver andando... Quero que ele leve as alianças. Ainda vai demorar um tempinho... - olhei para meu bebê em meu colo, que agora se divertia com o pingente de menininho que Charlotte tinha me dado de aniversário e estava pendurado em um cordão no meu pescoço. Ele então perdeu seu foco no cordão e me olhou, com uma carranca tremenda. - Opa.. acho que ele está fazendo coisinhas... ri.

- Bella, por favor, faça Emmett trocar a fralda. Ou pelo menos ajudar. - Rosalie sussurrou, fazendo Alice cair na gargalhada por antecipação da confusão que isso ia ser.

Assenti e me levantei.

- Papai... Anthony precisa trocar a fralda. Está na sua vez.

Edward, prestativo como sempre levantou rápido e sem reclamar. Agora ele já estava acostumado, mas toda vez que eu lembrava da primeira vez que ele trocou as fraldas, sentia vontade de rir. Até luvas ele usou, que acabou não adiantando de nada, porque Anthony fez xixi em cima dele, me rendendo boas horas de risadas.

Ele veio pegar Anthony em meu colo, e assim que ele se aproximou aproveitei para falar.

- Chame Emmett para te ajudar.. - sussurrei, dando um beijo em sua bochecha. - Isso vai ser engraçado.

Edward riu e assentiu, dando um beijo em minha cabeça e pegando Anthony de meus braços.

- Emmett, vou precisar de ajuda. - ele falou tentando esconder a vontade de rir. - Vem comigo.

Emmett largou o controle e olhou para Edward. Depois olhou para Rosalie.

- Isso foi idéia sua, não foi, mulher? - ele apontou para ela.

- Eu não falei nada. - ela colocou as duas mãos no ar, tentando se livrar da culpa.

Emmett levantou e olhou de rabo de olho para ela. Assim que os dois subiram e ouvimos a porta do quarto de Anthony se fechar, caímos na gargalhada.

- Isso vai ser hilário. - Alice falou ainda rindo. - Rose, você deveria filmar isso e se vingar da vez que ele filmou você patinando no gelo no Natal.

- É verdade! - ela falou levantando rapidamente do sofá. - Vou pegar a máquina.

Jasper deu pause no jogo e largou o controle no chão, se aproximando de mim e de Alice.

- Vocês não vão subir? - ele apontou para cima. - Sério, Emmett trocando fralda... taí uma cena que eu não perco por nada.

Continuamos rindo mas nos demos por vencidas e resolvemos assistir tudo aquilo de perto. Tadinho do meu filho. Tinha sido o escolhido da noite para ajudar Tio Emmett a virar motivo de piada.


- Boa noite meu bebê... - falei dando um beijo bem levinho na testa macia de Anthony. - Durma bem meu girassolzinho.

Terminei de cobri-lo e olhei para Edward, que estava sentado na cama e conversando com Esme no telefone. Ele sorriu para mim e me chamou com o dedo indicador. Assim que me aproximei senti sua mão segurando meu pulso e quando menos esperei, me vi sentada em seu colo.

- O dia foi ótimo, mãe. - ele disse olhando para mim e ainda sorrindo. - Emmett trocou a fralda de Anthony e adivinha? Ele não fez xixi em mim? Ele sujou Emmett de outra coisa.. - ele riu. - Mãe, foi hilário. - pausa. - Rosalie filmou, amanhã te mostramos.. - outra pausa. - É, é amanhã que ele vai tomar a segunda dose das vacinas. Eu vou levar Bella lá, e vamos almoçar por Manhattan mesmo. Aham. Aham. Certo. - ele olhou para mim. - Mamãe está te mandando um beijo.

- Manda outro para ela. - sorri, passando meu braço pelos ombros largos de Edward e acariciando seu cabelo com minha outra mão. Ele fechou os olhos e continuou com aquele sorriso gostoso, que eu amava.

- Ela mandou outro. - ele falou suspirando, provavelmente por conta de meus dedos em seus cabelos. - Boa noite mãe, até amanhã.

Edward desligou o telefone e colocou na base, na mesinha ao lado da cama.

- Agora sim, minhas mãos estão livres. - ele colocou as duas mãos em minha cintura e segurou de forma forte, me fazendo ficar ainda sentada em seu colo, mas de frente para ele e com meus joelhos um de cada lado de seu corpo. Inclinou sua cabeça no vão de meu pescoço e respirou fundo. - Estava morrendo de saudade de você, meu sorriso.

- Nós passamos o dia inteiro juntos hoje, Edward. - ri e revirei os olhos.

- Você me entendeu. Não ficamos juntos. Estávamos no mesmo lugar, mas não juntos.. - sua voz arrastava-se junto com seus lábios em minha pele. - Anthony dormiu?

- Dormiu.. - olhei rapidamente para o bercinho que estava dentro do nosso quarto. - Obrigada por comprar outro bercinho e colocar aqui no quarto. Fico mais aliviada com ele dormindo conosco.

- Eu também fico. - ele deu um beijo em meu pescoço e a pegada em minha cintura aumentou. - Apesar de que a presença dele nos impede de... algumas coisas.. - ele brincou.

- Desculpa.. é só por enquanto.. depois ele passa a dormir no quartinho dele..

- Eu sei meu anjo. - Edward riu. - Eu estou brincando... - ele levantou a cabeça de meu pescoço e passou seus dedos por meus cabelos.

- Gostou da noite de hoje? - perguntei.

- Adorei. - ele sorriu. - Você teve uma ótima idéia. Achei que nunca ia ter tempo de jogar.

- Está menos chateado?

- Quando eu estive mais chateado? - ele deu um sorriso fraco e levantou uma sobrancelha, provavelmente não me entendendo.

- Sei lá... - meus dedos começaram a brincar com os cabelos no final de sua nuca. - Você não tem estado em seu melhor humor... e eu sei que é por causa da faculdade e do estágio.. e me sinto culpada por isso.. porque se eu e Anthony não existíssemos você não teria todas essas responsabilidades...

- Bella, eu não sei o que seria de mim se você e Anthony não existissem, meu anjo... - ele me cortou. Suas mãos subiam e desciam por minhas coxas, me causando arrepios. Mas ele parecia não se importar com isso, - muito pelo contrário, - e ele inclinou-se novamente, dessa vez dando um beijo em meu colo, bem pouquinho acima de meus seios.

- Mas...

- Nada de mas... - ele colocou uma de suas mãos em minha face e a guiou para bem perto de seu rosto. Nossos olhares se encontraram, nossas testas colaram e eram nessas ocasiões que eu me perguntava se um dia seria capaz de amar ainda mais do que eu já amava. Provavelmente eu ainda explodiria um dia desses.

- Edward... - falei baixo.

- Hmm? - ele falou sem tirar os olhos dos meus.

- Me beija. - sussurrei.

Ele sorriu.

- Não precisa pedir.. - ele uniu seus lábios com os meus bem devagar. - Você sabe que eu amo beijar você.. - falou em meio aos pequenos e curtos beijos. - E como amo sua boca deliciosa.. - foi a última coisa que ele disse antes de me beijar com mais intensidade.

- Se continuarmos.. - falei enquanto dava pequenos selinhos. - Não vamos conseguir parar... - minhas unhas curtas brincaram com sua barba rala. - E Anthony.. - respirei fundo. - Está aqui...

- Eu sei... - ele pegou meu lábio inferior e mordeu de leve. - Mas é... - suspiro. - Inevitável.

Nos afastamos, ambos arfando. Eu conseguia sentir a rápida animação de Edward bem próxima de minhas coxas, e confesso que era difícil se controlar em uma situação dessas. Ainda não tínhamos feito nada. Nada. Eu estava sentindo falta e sabia que Edward também. Mas ainda estávamos tentando nos adaptar com a nova vida que tínhamos desde que Anthony tinha nascido, e tudo ainda estava meio que um caos. Quando deitávamos na cama, tudo que queríamos era nos abraçar e dormir.

Ainda ficamos nos olhando e eu não pude deixar de sorrir. Ele passou o dedo indicador pelo contorno de meus lábios e também sorriu. Era essa intimidade que eu tanto amava, eram esses momentos em que eu queria ser capaz de congelar o tempo e ficar ali, nos braços, no colo dele, sentindo seu cheiro, o calor de seu corpo junto ao meu, e perceber que ele e Anthony eram as melhores coisas que eu tinha na vida.

- Eu te amo. - foram as três palavrinhas que saíram de seus lábios, pequenas mas com todo o significado do mundo.

- Eu sei. E eu também te amo. - suspirei.

- Como foi com Rosalie hoje? Nem tive tempo de te perguntar... - ele ajeitou minha franja que já estava grande e caía por meus olhos, e começou a desconversar. De certa forma era melhor. - A conversa foi tranquila?

- Mais ou menos. Não que tenha sido ruim, mas foi.. confuso. Ela ficou bem chocada...

- Não é pra menos. - sua mão desceu e segurou meu rosto, o polegar acariciando minha bochecha e eu podia sentir por seu toque que estava vermelha, porque diferenciava a temperatura dele da minha. - Você decidiu o negócio da casa de Monrovia?

- Decidi.

- Você tem certeza que quer isso? - ele olhou em meus olhos. - Você sabe que o que você escolher, para mim está ótimo.

- Tenho certeza sim. - sorri convicta. - Acho que é a melhor coisa a se fazer. Mas a casa também é sua Edward, você não pode aceitar tudo o que eu quero.

- Mas eu concordo com você. - ele me deu um selinho.

- Mesmo? - levantei uma sobrancelha.

- Mesmo. Acho que é a melhor coisa a se fazer.

- Certo... - inclinei meu corpo e apoiei minha cabeça no vão de seu pescoço. Melhor lugar do mundo. Ali tinha cheiro de Edward, e era delicioso. - Amanhã de manhã vou falar com eles. - segurei a gola de sua camiseta de dormir e fiquei puxando, apenas pensando em como falar aquilo para os dois. Emmett e Rosalie seriam extremamente contra, mas era o que eu achava mais certo a se fazer.

- Provavelmente teremos que ir até Monrovia.. - Edward falou baixo. - Anthony não vai poder ir com a gente...

Levantei a cabeça.

- Porque não?

- Meu anjo, eu acho melhor não.. será só um final de semana, ele pode ficar com minha mãe e com Alice. - ele respirou fundo, puxando minha cabeça novamente para o vão de seu pescoço. - O clima lá deve estar bem frio, não sabemos em que estado está a casa e não queremos que ele tenha uma crise alérgica ou nada parecido.. sem contar que teríamos que praticamente fazer uma mudança, levar carrinho, berço... é muito trabalho para poucos dias...

- Eu não vou conseguir deixá-lo, Edward.

- Você não vai deixá-lo. - ele aproximou seu rosto do meu. - Você vai voltar para ele, meu anjo. E ele sabe disso. Iremos na sexta a noite e voltamos no domingo. Vamos de avião. Vai ser rápido, eu prometo. Ele nem vai perceber...

- É que...

- Eu sei que é ruim. Se eu pudesse optar eu também não o deixaria, mas não sabemos o que nos espera lá. Até porque a última vez que estivemos lá não foi tão agradável assim...

- É, eu sei. Mas agora estamos um ao outro. Estamos protegidos. - tentei.

- Bom, vamos ver o que Dra. Julie fala amanhã, quando formos lá. Se ela liberar, ele vai com a gente. É que ele é tão pequeno... - Edward sussurrou.

- Não me lembre de amanhã. Ele vai tomar vacina. - dei um tremelique, me arrepiando toda e me lembrando da última vez em que ele tomou vacina. Chorei mais do que ele.

- Own, meu anjo.. - Edward acariciou minhas costas. - As vacinas são importantes para que ele seja ainda mais saudável. Não dói tanto assim...

- Mas ele chora... - rebati.

- Mas é rápido. Depois passa, eu prometo.

- Promete? - continuei a brincar com sua gola.

- Uhum. - ele riu baixo. - Eu prometo.

Nos preparamos para dormir e assim que escovei os dentes e voltei do banheiro flagrei Edward olhando Anthony no bercinho, cantando aquela mesma música, do Jack Johnson, que dizia ele que era sobre mim. Quando notou minha presença me puxou para um abraço, mas não nos estendemos muito mais. Estava tarde e precisávamos dormir porque íamos para Manhattan no dia seguinte bem cedo. Então apenas nos aninhamos em nossa cama e nos entregamos ao sono, felizes em nosso pequeno mundinho. Eu, Edward e nosso pequeno girassolzinho.


Girls!

A única coisa que tenho a falar é: SINTO MUITO!

Vou ser sincera... a semana que passou foi terrível e eu tive um bloqueio autoral horroroso! As vezes isso acontece, e infelizmente acabei não podendo postar. Me desculpem, de verdade. Espero que entendam. Demorei um pouco para fazer esse capítulo, - na realidade nem sei porque, - mas agora ele está aqui e espero que vocês gostem, porque foi um sufoco finalizá-lo.

Obrigada MESMO pelas reviews maravilhosas que fazem meu dia sempre mais feliz. Vocês são incríveis!

Foi aberta uma votação e um concurso para o melhor set do casamento da Bella em Monrovia Town, - o concurso foi no orkut, e para votar acessem: monroviatown(.)blogspot(.)com

Todos estão muito lindos e as meninas estão de parabéns! Boa Sorte para quem está participando!

Já sabem o que fazer para ganhar spoiler! Semana que vem NÃO HAVERÁ POST, porque estarei viajando, mas o que posso adiantar é que o capítulo vai ser MUITO legal, e vão acontecer muitas coisas! Vale a pena a espera! (Assim espero)

Mais uma vez minhas sinceras desculpas. E até o próximo capítulo!

Grande beijo e tenham um ótimo final de semana!

Dani