Olhos castanhos e olhos perolados

Passara a noite fazendo de
tudo para dormir, desde contar carneirinhos a estudar logaritmo, mas
simplesmente não conseguiu pegar no sono. O
corpo cansado e a mente a mil. Seus pensamentos se mantinham em Tenten,
mesmo sabendo que ela estava bem. Não entendia como é que a amiga caíra da
escada daquela maneira, afinal, ela não era descuidada, ainda mais agora com a
gravidez. Também pensara no primo. Neji era uma boa pessoa que passara por
momentos difíceis na vida e acabou tomando decisões erradas em muitos destes.
Porém, ele estava conseguindo alcançar o seu objetivo de ser melhor e agir de
maneira correta. Ficara orgulhosa dele e tinha certeza de que ele também estava
orgulhoso de si mesmo.

Levantou da enorme cama onde
estava deitada e abriu as grandes janelas do quarto. Respirou o ar pura da
manhã e fechou os olhos apreciando o sol suave da manhã tocar sua pele clara.
Era domingo e iria até o hospital assim que conseguisse falar com Sakura. Voltou
ao centro do quarto e pegou o telefone que estava sobre a escrivaninha. Ligou
para a amiga marcando o horário de encontro. Elas se encontrariam no hospital,
no início da tarde.

Suspirou, sabendo que não
poderia ficar na janela por muito mais tempo. Dirigiu-se ao closet e escolheu uma
calça jeans e uma blusa branca de botão. Não era nada grandioso, mas uma roupa
que ficava bem em qualquer situação, além de não se sentir animada o suficiente
para se produzir. Calçou sandálias baixas e saiu, querendo falar com o primo.

Desceu as escadas, indo para
o único cômodo onde o moreno poderia estar àquela hora. Geralmente, Neji tinha
um cronograma diário. Ele tomava café em determinado horário da manhã e depois
ia fazer suas atividades. Todos os dias. Entrou na sala de jantar esperando
vê-lo, mas seu pai tomava café sozinho, enquanto lia o jornal atentamente.

– Bom dia – falou baixo ao
se aproximar.

– Bom dia, Hinata.

Sentou-se e pegou um pão de
queijo, mordiscando-o.

– O senhor sabe onde está o
Neji? – Perguntou cuidadosamente, pois sabia que o senhor Hyuuga ainda estava
irritado pela desavenças passadas.

– Ele disse que iria ao
hospital e só voltaria à noite. – Os olhos claros do mais velho se fixaram nela.
– Gostaria de saber o porquê dele estar indo ao hospital. O garoto insolente não
me explicou nada, apenas deu o aviso.

Engoliu em seco e baixou o
olhar. Não sabia o que dizer, não queria prejudicar o Neji. Além disso, mais
dia ou menos dia, Hiashi ficaria sabendo.

– Tenten sofreu um acidente
e o nascimento da Aimi aconteceu antes do previsto. – Falou calmamente, fixando-se
no pão de queijo que estava em sua mão.

– Está me dizendo que a
criança já nasceu? – Hiashi falou irritado.

– Sim, papai. – Suspirou. –
Ela está na encubadora por ser muito pequenina, mas é forte assim como Tenten, que ainda está
internada. O parto não foi fácil, as... circunstâncias não ajudaram.

– Então o que Neji disse é
verdade.

Olhou para o pai e confirmou
com a cabeça.

– O senhor sabe que Neji quer
se casar com ela. Aimi precisa dos pais da mesma forma que Tenten e Neji
necessitam um do outro. – era um pensamento romântico, sim, mas não passava da
verdade. Os últimos meses provaram isso para todo o mundo.

– Eles não ficarão muito
tempo juntos. Não aguentarão. – Hiashi falou irritado. – Casamento é algo sério,
não birra de crianças mimadas.

– Desculpe papai, mas eles
não são mais crianças e já têm uma filha para cuidar – Viu o pai fixar os olhos
claros nos seus e pela primeira vez não os desviou. – Eles serão muito felizes,
sei disso.

– É o que veremos, isto é,
se o casamento durar alguns meses.

Suspirou e largou o pão de
queijo sobre o prato em cima da mesa.

– Por falar em casamento...
Kiba ligou e está vindo para cá. Parece que vocês combinaram algo.

Olhou irritada para o pai,
mas não o contradisse. Não havia marcado nada e muito menos queria Kiba ali
naquele momento. Na verdade, queria estar sozinha, mas, como sempre, nada fez a
respeito.

– Perdi a fome.

Saiu da mesa rapidamente, indo para o jardim dos fundos da casa. Assim que
passou pela porta dos fundos da mansão, correu até o banco que ficava em frente
a uma linda fonte. Lá ficaria um pouco escondida devido a árvores e plantas ao
redor. Escorou-se no encosto do banco e fechou os olhos. O que faria? Não amava
Kiba e cada vez estava mais difícil permanecer naquela situação. Não sabia como
reagir ou o que dizer a ele para lhe fazer aceitar que aquele destino não era
bom pra ninguém. Queria poder ser livre e ficar com Naruto.

Sorriu ao pensar no loiro.
Ele estava cumprindo com a palavra de que a esperaria. Não o vira mais com
nenhuma garota e isso a deixava extremamente feliz. Sabia que o loiro falava a
sério. Estavam apaixonados e não podiam ficar juntos graças a todo esse lado
machista do pai. Ela estava presa num romance shakespeariano e não sabia o que
fazer pra se livrar do trágico fim.

Suspirou alto e deixou o
sorriso morrer nos lábios.

– Suspirando sozinha?

Assustou-se e abriu os
olhos, imediatamente se sentando ereta no banco.

– Kiba. – Falou baixo ao ver
o garoto para a sua frente. – Está há quanto tempo aí?

– Tempo suficiente para ver
sua face linda sorrir feliz e depois se desmanchar em um suspiro triste.

Baixou a cabeça olhando para
as próprias mãos.

– O que está acontecendo,
Hina? – Kiba se sentou ao seu lado, aparentando uma preocupação genuína.

– Tenten sofreu um acidente
e está no hospital. – viu o garoto arregalar os olhos com essa informação – A
Aimi nasceu antes do previsto e está na encubadora.

– Eu não sabia. – Kiba
murmurou bem baixinho – Pobre Tenten.

– Elas estão bem, estão
estáveis, só que isso ainda me deixa angustiada – falou olhando para a fonte,
especificamente para as vitórias-régias boiando calmamente na água.

– Eu sei - Sentiu a mão do
garoto tocá-la lenta e suavemente na face e afastou-se rapidamente em reflexo –
Você não me deixa mais tocá-la já faz um tempo. Por quê?

Olhou-o e comprimiu os lábios
nervosa.

– Desculpe. – Disse sincera.
– Não estou com cabeça pra conversar.

– Não, Hinata. – Kiba
parecia meio irritado. – Não minta para mim.

– O quer que eu diga Kiba? –
Perguntou sincera, voltando a olhar para a vitória-régia.

– Quero que você me fale que
este namoro é uma droga. Que você não gosta de mim, que nunca vai gostar e que
está nisso por causa de seu pai e as malditas empresas. – O garoto estava alterado
e falava alto, o que a assustou.

Eles se encararam. Ele, com
raiva. Ela, assustada. Kiba a pegou de surpresa, com certeza. O que fazer
agora? O que falar? Ela odiava mentir. Mas não era exatamente isso o que ela
sempre quis que acontecesse? Kiba perceber com clareza sua situação. Olhou-o séria
e acenou afirmativamente com a cabeça. Viu-o sorrir tristemente.

– Desculpe-me, Kiba. –
Murmurou olhando-o. – Não é que eu não goste de você, eu gosto, de verdade. Só
que não desta maneira. Você é um ótimo rapaz e gosto de sua companhia, gosto da
nossa amizade, mas não consigo...

– Me amar – Kiba completou.
Sua expressão era indecifrável.

– Não posso fazer isso. Não
mando em meu coração. Ninguém manda.

– Hinata, quão ingênua você
é! – Kiba sorriu triste, olhando pro céu – Você realmente acha que não percebi
seus olhares para o Naruto? Seus suspiros para ele? Você nem tentou me amar!

Engoliu o choro ao escutar a
indignação do garoto. Ela sabia que essa conversa nunca seria fácil, mas estava
aparentando ser pior do que ela imaginara.

– Como eu disse antes, Kiba,
não mando em meus sentimentos. Até tentei fazer isso, mas não tive nenhum
sucesso.

– Então por que continua
comigo? – ele perguntou cada vez mais angustiado – Por quê, Hinata, por quê?

– Não tenho escolha. – falou
entre soluços, sua voz, um fio. Negou com a cabeça e passou as mãos pela face,
limpando as pequenas lágrimas que escorriam de seus olhos.

– Não tem? Como não? Era só
ter me dito que não aguentava mais!

– Desculpe, mas não posso,
Kiba. – Respirou fundo, mas sua respiração continuava entrecortada pelo choro.
– Não posso contrariar meu pai. Ele ficaria furioso e algo ruim poderia
acontecer.

– Não vem com essa, Hinata! Seu
pai não pode ser tão mau caráter assim.

– Ah, Kiba, você não conhece
minha familia. – murmurou terminando de limpar o rosto.

– Com tudo isso, o que você
vai fazer? – Kiba falava sério.

Olhou-o e passou as mãos
trêmulas delicadamente pelo rosto bonito do garoto.

– Você é um bom amigo –
sorriu amigavelmente – Eu não posso terminar, Kiba, mas você pode.

– Então, eu tenho que fazer
alguma coisa.

–Sim – murmurou. – Eu sei
que não posso pedir isso a você, mas é a única solução para nós.

– Tudo bem, eu estou
terminando.

– Sério? – ela o olhava
espantada.

– Sim – Kiba engoliu em
seco. – Não por não gostar de você, Hina, mas por saber que você nunca será
feliz comigo. De que adianta ter você, se eu não a tenho de verdade?

Sorriu e passou os braços
pelo pescoço do amigo, agora, animada.

– Obrigada, Kiba. Muito obrigada.
Muito muito muito obrigada!

Sentiu as mãos do garoto lhe
acariciarem nas costas.

– Seja feliz, Hinata.

Você merece ser muito feliz. – Afastou-se do amigo e sorriu
sincera.

Viu-o se levantar do banco e
se afastar. Deixou seu sorriso crescer e teve vontade de gritar e pular de
alegria. Finalmente poderia estar com Naruto. Agora sim, poderia ajeitar sua
vida e, enfim, ser feliz.

Chegou ao hospital bem cedo,
antes mesmo do horário de visitas, não poderia permanecer em casa. Estava nervoso
e quase não dormira aquela noite. Sentou no sofá da sala de espera e aguardou a
enfermeira autorizá-lo a entrar no quarto. Já estava ali há algum tempo quando
observou uma mulher de branco se aproximando.

– Senhor Hyuuga?

– Sim, sou eu. – Falou a olhando.

– O médico lhe autorizou a
olhar sua filha. Venha comigo, sim?

Levantou prontamente e
seguiu a enfermeira pelos corredores intermináveis do hospital.

– No momento, não poderá
entrar no berçário, para preser var seu bebê e os demais, mas poderá vê-la
através desse vidro.

Olhou o vidro que a mulher
apontara e ficou surpreso com o número de pequenos bebês dentro de incubadoras.
Sentiu os olhos marejarem e manteve-se firme, imaginando qual deles era sua
pequena Aimi.

– Qual delas...? – Murmurou
apontando para o vidro enquanto olhava a enfermeira.

– Aquela é a sua menininha –
ela apontou com o dedo para uma incubadora ao canto, onde um bebê vestido de
rosa estava quietinho, como se dormisse, mexendo os bracinhos calmamente.

Seus olhos seguiram a
direção apontada pela enfermeira, ansioso para olhar aquela criaturinha que ele
pôs no mundo, que era metade sua. Quando percebeu, estava com um sorriso enorme
no rosto, as mãos e a testa grudadas no vidro, admirando sua nova razão de ser.

– Ela é tão pequenina –
Falou sorrindo bobamente.

– Sim, mas é forte, além de
ser quietinha. Não nos dá nenhum trabalho.

– Ela é linda – ele disse
admirado.

Podia ver os cabelinhos
ralos e castanhos como os de Tenten. Não conseguia ver os olhos, pois a menina pegou
no sono enquanto a admirava, mas queria que fossem profundos como os da mãe. Sabia,
no entanto, que era mais provável serem iguais aos seus, já que o gene Hyuuga
era muito forte. Pelo menos, era o que seus familiares sempre diziam. Ela era
pequenininha e parecia tão fragil que tinha vontade de levá-la dali para bem
longe, onde a manteria segura em seus braços. Já queria defendê-la do mundo
inteiro e sentia que o faria todas as vezes em que a pequena pudesse se sentir
ameaçada. Agora ela era o centro de sua vida.

– Quando poderei pegá-la? –
Murmurou ainda sorrindo para a pequena Aimi.

– Logo, senhor Hyuuga. Ela
precisa ganhar peso, mas assim que atingir as espectativas médicas, poderá ir
para a casa.

– A Tenten já a viu?

– Não. Sua mulher não esta
em condições de andar, mas creio que amanhã ou depois poderá vir até a incubadora
de cadeira de rodas.

– Ela ficará feliz com isso.
– Sorriu olhando para a enfermeira.

– Estamos usando o leite da
mãe para amamentá-la. – A enfermeira completou. – Tenten tem muito leite e logo
ela mesma poderá fazer isso. Gostaria de vê-la agora?

–Sim, por favor.

Voltou a seguir a mulher
mais velha que lhe levou até uma porta branca.

– Aqui.

– Obrigado – Agradeceu a enfermeira
que sorriu e se afastou.

Entrou no quarto iluminado e
totalmente branco com uma cama no centro. Lá estava Tenten de olhos fechados,
como se dormisse. Aproximou-se lentamente para não acordá-la e acariciou as
madeixas castanhas que se espalhavam pelo travesseiro. Sentia tanto a falta
dela que chegava a doer. Aproximou-se e beijou sua testa e depois os lábios em
um selinho casto. Ela foi abrindo um sorriso lentamente, um pouco travessa.

– Está acordada, Bela
Adormecida – Falou à garota que abriu os olhos castanhos e brilhantes para ele.

– Sim. – ela falou como se
aquilo fosse óbvio.

– Então, por que fingiu que
dormia? – Falou sorrindo.

– Estava apenas descansando
e queria apreciar o carinho, ué – A voz da garota estava meio fraca, mas os
olhos continuavam iguais. Com o mesmo brilho alegre e forte.

– Não precisava fingir
dormir para que eu fizesse carinho em você.

Tenten sorriu ainda mais
fazendo esforço para sentar. Aproximou-se e a ajudou nessa tarefa, cuidando
para que a agulha presa ao braço não escapasse.

– Como você está se sentindo?
– Olhou-a atentamente, acariciando seu ombro.

– Bem, mas não tenho boas
coisas a falar. – Tenten sorriu triste.

– Está me preocupando agora,
Ten. – ele disse, tentando se preparar para qualquer que fosse a bomba.

– Como está Aimi?

Sorriu amplamente como há
muito não fazia.

– Ela é linda, Ten.

– Você a pegou?

– Não. Ainda não podemos.

Viu a morena encher os olhos
de lágrimas e virar a face para o lado querendo escondê-las.

– Xiiiii... – Acariciou a
face bonita da amada. – Está tudo bem. Agora está tudo bem.

– Não, não está, Neji. –
Tenten olhou-o chorosa. – Era para a Aimi nascer no nono mês de gestação.
Quando ela estaria forte para ficar nos meus braços. Era para eu estar forte e
firme para poder amamentar minha filha. Mas não é isso o que está acontecendo.

Limpou as lágrimas das
bochechas dela e a beijou suavemente nos lábios.

– Seu leite está nutrindo
nossa filha e a deixando mais forte. Em poucos dias você mesma poderá
amamentá-la.

– Poderei mesmo? – A garota
fazia beicinho como uma menininha.

– Sim, Tenten. – Sorriu e
acaricou os cabelos castanhos.

– Neji – ela falou baixinho,
olhando para as mãos cruzadas no colo.

– Hum – ele murmurou,
prestando atenção na mesinha ao lado da cama, onde tinha um copo d'água que ele
pretendia dar para Tenten. Esticou seu braço para pegar, mas a menina falou:

– Eu fui empurrada. – Olhou-a
espantado e ela o olhava nos olhos também. Fixou-se na face bonita da morena e
no curativo sobre o corte na testa. Lembrou-se de seu desespero ao vê-la no chão
e no quanto Sakura a ajudou com insistência, além do seu próprio desespero.

– Quem lhe empurrou, Tenten?
– perguntou sério, vendo a morena engolir seco e suspirar. Ele não pensava em
mais nada que não fosse saber o nome do desgraçado que...

– Preciso falar com a polícia
antes. Aí, você ficará sabendo.

– Não. – Disse sério. – Fale
agora, Tenten.

– Não posso, Neji. – a
garota suspirava. – Você pode fazer algo que se arrependerá depois. Aliás, eu
tenho certeza de que você vai fazer alguma besteira. Então, não. Não vou falar.

– Tenten, isso é muito
sério. Não é brincadeira! Você poderia ter morrido! A Aimi poderia ter morrido!
– Começou a andar pelo quarto. – Você tem noção do estado em que eu fiquei
quando a vi caída naquela escada? Você sangrava tanto que Sakura já estava
ensopada e tenho certeza de que ela não demorou um minuto pra nos chamar.

– Sakura?

Parou de andar e olhou para
a mulher na cama. Respirava profundamente pra tentar se acalmar, mas a teimosia
dela não estava cooperando.

– Sim. Sakura é quem lhe achou
primeiro, graças a ela você foi atendida rapidamente e não perdeu tanto sangue.
Os médicos falaram que, se tivesse demorado mais, argh, prefiro nem pensar
nisso. Devo muito à ela agora. Nós dois devemos.

– Como? O que aconteceu
exatamente? – um sorisso se formava no rosto da garota.

– Ela deu uma de mandona –
ele falou caminhando rumo à cama – e deu ordens a todos os garotos até que a ambulancia
chegasse. Todos trabalharam de alguma forma pra ajudar vocês duas, mas ela foi
quem estancou o sangue e deu os primeiros socorros, literalmente.

– Essa sim é minha amiga! –
o sorriso, agora, enorme.

– Sim. – Suspirou. A Sakura
era mesmo uma caixinha de surpresas. – Eu estava tendo um troço enquanto todos
ajudavam. Não conseguia desviar os olhos de você. Fiquei com tanto medo... –Tenten
olhava-o séria, mas com os olhos brilhantes, escutando atentamente cada palavra
– Enquanto dormia, eu via você e Aimi. Nossa família perfeita. – sorriu e a beijou
ternamente nos lábios, aconchegando-se mais ao seu corpo. Ficaram abraçados por
uns instantes, curtindo o calor um do outro – Ah, outra novidade. Falei com
seus pais aqui no hospital.

– Sério? – ela o olhou
alarmada, desfazendo o enlace.

– Sim. Foi meio sem querer,
mas acabou acontecendo.

– Minha mãe deve ter tentado
matá-lo.

– Oh sim. – Sorriu ainda
mais. – Só que sou charmoso até mesmo com as mulheres mais velhas.

Sorriram juntos e se
beijaram novamente. O mundo, finalmente, estava correto de novo. Afastaram-se
ao escutar a porta ser aberta.

– Olá, casal.

Sorriu ao ver os senhores
Mitsashi entrando no quarto e se aproximando da filha. Afastou-se um pouco, mas
não o bastante para deixar de ver Tenten nem de segurar sua mão.

Recebera a ligação logo no
início da manhã e não pode resistir em ligar para Naruto. Naruto, vem pra minha
casa agora, sim, é urgente. Queria
contar ao amigo pessoalmente. Já previa até a reação dele, aquele dobe escandaloso.

Sorriu e andou pelo quarto
enquanto vestia uma calça jeans. Parou ao notar que estava há algum tempo
olhando pela janela. Soltou o ar rapidamente quando Sakura andou pelo quarto da
casa a frente. Ela estava distraída demais para notá-lo, cantarolando uma
música que ele não conseguiu identificar. Os cabelos rosa estavam bagunçados e
vestia um pijama de corações. Sorriu e revirou os olhos assim que viu a garota
sair do seu campo de visão. Isso estava ficando ridículo. Ele era ridículo. Não
conseguia tirar os olhos da garota e, sempre que podia, observava-a pela
janela.

– Ei, cara.

Virou-se na direçao da porta
e viu Naruto sorrindo ao lado do seu irmão Itachi.

– Apreciando a vista, irmãozinho?
– Itachi sorria debochado.

– Hump.

Voltou sua atenção para a
cama desfeita e pegou a camiseta preta jogada ali. Vestiu-se calmamente
enquanto ouvia Naruto.

– Está tudo bem, teme? Você
me ligou e pediu para eu vir urgentemente. Saí correndo de casa.

Sorriu e olhou para o amigo.

– Nós ganhamos. – Falou como
se não fosse nada.

Observou Naruto abrir a boca
e depois rir alto, abraçando Itachi, ou melhor, esmagando Itachi.

– Ganhamos! – O loiro pulava
abraçado a Itachi pelo quarto, gritando e fazendo um escarcéu bem típico. Largou
Itachi que estava com uma cara estranha e pulou em cima de si.

– Naruto! – xingou o amigo,
mas não pode deixar de rir e acompanhar a felicidade.

– Isso é otimo, teme!
Imagina só! Nós realmente somos bons! – Naruto ria.

– Sim. – Concordou. Sempre
teve fé na banda. Sabia que isso era uma das coisas que melhor fazia. Era o sonho
deles se tornando realidade.

Viu o loiro se sentar na
cama ficando com a expressão séria. Olhou para o irmão, que suspirou e saiu do
quarto fechando a porta.

– O que foi, baka?

– Estava pensando na Tenten
e no Neji. – Suspirou o loiro. – Na Temari e no Shikamaru, que continuam brigados.
– Naruto olhou para a janela e então para o moreno perto dela – Em você e na
Sakura...

Sentou ao lado do amigo e baixou
a cabeça, observando os pés descalços.

– Não existe Sakura e eu.

– Como, se é tão visível que
vocês se gostam? Que vocês se amam?

– É complicado, Naruto. –
Olhou para o amigo ao seu lado. Sabia que o loiro era o cara mais bondoso que
existia e por ele ser assim é que eram tão amigos. Afinal, Naruto era o coração
da banda, da amizade entre eles. – E a Hinata?

O loiro se aprumou e
suspirou.

– Eu sei que nós vamos ficar
juntos. Tenho fé nisso.

Sorriu e bateu calmamente
nas costas do amigo.

– Eu também creio nisso.

Sorriram amigavelmente um
para o outro.

– Valeu – Naruto falou,
fechando os olhos e sorrindo.

Chegou ao hospital e não viu
a amiga por ali. Entrou calmamente e se dirigiu ao andar onde Tenten estava
internada. Viu ao longe, sentada em uma das cadeiras na sala de espera, a
amiga. Sorriu e a abraçou assim que parou a sua frente.

– Como está?

– Bem. – Sorria amplamente a
tímida Hinata.

– Você parece muito mais do
que bem. – Sorriu e piscou para a amiga.

– É que... Bem... – Hinata
estava vermelha nas bochechas o que a fez rir.

– Acho melhor entrarmos para
ver Tenten.

– Sim. – Hinata soltou o ar
rapidamente. – O Neji acabou de sair do quarto para ver a pequena Aimi.

– Oh, ela deve ser tão
linda!

– Depois podemos vê-la.

– Sim. – Sorriu abertamente.
– Amo bebês.

Caminharam até o quarto e
Hinata bateu ligeiramente antes de abrir a porta.

– Podemos entrar? –
Perguntou a azulada a alguém dentro do ambiente.

– Claro.

A voz não era de Tenten, mas
mesmo assim entraram. Quando passou pela porta, notou que a amiga dormia
calmamente e que a senhora Mitsashi estava sentada em uma cadeira ao lado da
cama.

– Olá, senhora Mitsashi. –
falou sorrindo a senhora que levantou e a abraçou.

– Você é a Sakura, correto?

– Sim. – Sorriu tímida.

Sentiu os braços da mulher a
apertarem ainda mais.

– Obrigada. – ela disse
baixinho, mas com enorme intensidade.

Afastou-se lentamente,
franzindo o cenho.

– Pelo quê? – Falou sem
entender.

– Você prestou os primeiros
socorros à minha menina. Se nao fosse você, agindo tão rapidamente, não sei o
que poderia ter acontecido.

Abriu a boca em choque e
então sorriu à mulher a sua frente.

– A senhora não precisa me
agradecer por isso. Fiz o que era certo e Tenten é minha amiga.

– Mesmo assim, obrigada de
coração.

A mulher tinha as mãos
postas no peito e os olhos brilhantes.

– Faria quantas vezes fosse
preciso. – Sorriu timida.

– O sonho da Sakura é ser médica.
– Hinata comentou, o que chamou a atenção da senhora.

– Pois será uma das
melhores.

– Vocês estão me deixando
encabulada. – sorriu e agradeceu. – Mas
vou me esforçar muito para ser a melhor.

Sentaram nas cadeiras disponíveis
no quarto e continuaram a conversa, enquanto observavam a amiga cochilar
tranquilamente. Bem, era o que parecia.

Acordou sentindo algo pesado
em sua cintura e peitos. Abriu os olhos lentamente e observou a cabeleira ruiva
acomodada sobre seus seios e um braço apertando sua cintura. Sorriu achando
engraçada a expressão ingênua do ruivo enquanto dormia. Acariciou lentamente os
cabelos bagunçados de Gaara, fazendo um leve cafuné. Não sabia o que o mesmo
diria assim que acordasse, mas provavelmente seria algo bem bobo, porque era
assim que ela se sentia, uma boba apaixonada.

Seu corpo doía todo como se
tivesse feito uma maratona. Fazia muito tempo que não passava tantas horas
dedicadas ao sexo. Não, se recriminou. O que ela e Gaara fizeram era amor.
Passaram a noite se amando de todas as maneiras possíveis. Só pararam quando
perceberam que estava amanhecendo.

Sorriu maliciosamente quando
o ruivo ronronou e inclinou a cabeça para olhá-la.

– Bom dia. – Disse maliciosa
tocando a face máscula com o dedo indicador. Passou-o pelo nariz e lábios do
ruivo.

– Bom dia. – A voz dele
estava rouca de sono. Ele se arqueou e saiu de cima dela, deitando-se logo ao
lado.

– Você devia estar esmagada
por mim.

Olhou-o atentamente e se postou
sobre o ruivo.

– Um pouco, mas agora eu
irei me vingar. – Sorria enquanto passava as mãos sobre o tronco forte.

– Hum, isso é bom.

– É? – Piscou um olho ao
ruivo e o beijou na bochecha.

– Sim.

– Então, é melhor
levantarmos.

Sorriu afastando-se do
garoto e saindo da cama. Pegou as peças de roupas que estavam no chão
procurando a calcinha que estava perdida.

– Procura isso?

Olhou na direção da cama e
viu a peça nas mãos do ruivo que sorria maliciosamente.

– Sim.

– Não quero lhe dar.

– Tudo bem. – Piscou um olho
ao outro. – Eu fico sem.

Colocou a roupa, sorrindo
pela face espantada do ruivo. Se ele queria tanto a sua calcinha, podia ficar.
Para ela, isso não era um problema. Não tinha tempo para voltar para a cama.
Queria ir para casa e tomar um banho para voltar ao hospital.

– Tô vendo que está com
pressa.

– Sim, quero ir ao hospital.

– Sem calcinha?

Olhou para Gaara que estava
com a testa franzida. Não resistiu e soltou uma gargalhada.

– Não, seu bobo. –
Aproximou-se do ruivo e lhe deu um selinho. – Irei para casa tomar um banho e
tirar o seu cheiro do meu corpo, antes de ir para o hospital.

– Hum. – O garoto se
aproximou e a beijou no pescoço e depois nos lábios. – Então, me espere tomar
um banho que a levarei até em casa. Depois, iremos juntos ao hospital.

Sorriu e concordou com a
cabeça deitando-se sobre a cama enquanto o via ir para o banheiro completamente
nu.

– Belas pernas. – Disse
sorrindo alto.

– Obrigado.

Revirou os olhos, ainda
sorrindo bobamente. Ele queria ir à casa dela e, depois, chegariam juntos no
hospital. Isso era um sinal de que estavam namorando mesmo? Fechou os olhos e
se jogou na cama.

Estava sozinha no quarto,
após ter ficado praticamente a tarde toda com as amigas. Nada a espantara mais
do que ver Gaara e Ino chegarem de mãos dadas. Sakura arregalara os olhos, mas
depois sorrira feliz. Talvez, agora ela e Sasuke tivessem uma chance de serem
felizes.

Suspirou ao ver um homem e
uma mulher entrarem no quarto. Ambos estavam vestidos de negro e sabia que eles
eram da polícia. Provavelmente seus pais e Neji estariam lá fora esperando
impacientes. Prometera que não falaria nada a eles e não disse. Queria primeiro
falar com a policia. Eles saberiam o que fazer.

– Olá, senhorita Mitsashi.

– Olá.

Ambos se sentaram em
cadeiras dispostas perto da cama de hospital.

– Está pronta para falar? –
A mulher lhe perguntara de maneira formal, mas realmente parecia preocupada.

– Sim. – Sorriu minimamente.
– Esta pessoa tentou me matar, mas fracassou e eu tenho pena dela. – Foi
sincera em tudo o que disse. No final estava bem e a sua filha também, apesar
de estar na incubadora. – Se fosse só eu, talvez eu nem fizesse muita coisa.
Mas eu não estava sozinha. Quero que ela pague por fazer minha filha sofrer. –
Disse olhando para os dois policiais.

– Sim. – A mulher disse
calmamente. – Diga-me exatamente tudo o que lembra.

Começou a parte mais
dificil. Lembrar-se de tudo, afinal, batera a cabeça e algumas coisas eram
borradas em sua memória, mas se lembrava muito bem dos olhos de Kin ao empurrá-la
escada abaixo. Disso ela nunca iria se esquecer.

Desculpem a demora...

Agradecimentos a gaabfernandes, Strikis, Saky-Uchiha23, Duuh-chan, Dai-chan n.n, Kaah Malfoy, susan n.n e Hanaru amei seu enorme comentário. XD

Muito obrigada meninas por sempre estarem comigo.

Bjaum ^^