No capítulo anterior: Ray, Wyatt, Nina e Aki entraram na casa onde Arnold, Anne, Lucy e Kai entraram. Arnold e Anne trancaram Lucy e Kai num quarto. Ray e Nina separaram-se de Wyatt e Aki para procurarem melhor na casa. Arnold surpreendeu Wyatt e Aki com um pano embebido em clorofórmio e os dois perderam os sentidos.
Pouco depois, Anne fez o mesmo com Ray e Nina. Com a ajuda de Lucy, Kai conseguiu libertar-se das suas cordas e libertar Lucy de seguida. Usando um gancho de Lucy, Kai conseguiu destrancar a porta do quarto. Eles ouviram Anne e Arnold a passar. Arnold disse que iriam matar Ray e os outros na cave. Lucy foi procurar a saída da casa e Kai seguiu para a cave.
Já na cave, Arnold pôs Ray, Wyatt, Aki e Nina numa câmara de gás e regulou a câmara para daí a cinco minutos se encher de gases e matar Ray e os outros. Nesse momento, apareceu Kai e lutou com Arnold, que deixou cair a sua pistola no chão. Arnold tirou outra pistola do bolso e preparou-se para matar Kai, mas nesse momento Anne pegou na pistola caída e atirou em Arnold, matando-o.
Capítulo 55: Nos Braços do Amor
Kai virou-se bruscamente e encarou Anne, que estava do outro lado da cave. Na mão de Anne estava a pistola que Arnold tinha deixado cair no chão, quando Kai tinha ido contra ele.
"Anne." disse Kai olhando, incrédulo para a rapariga.
Anne deixou a pistola cair no chão. Lágrimas inundavam-lhe os olhos.
"Eu… matei-o." disse ela, não acreditando no que tinha feito. "Matei-o mesmo…"
Anne estava chocada. Já tinha matado Stuart, mas tinha sido com veneno. Vendo Arnold caído no chão, com tanto sangue à sua volta, fez Anne tremer. Ela não queria que Kai morresse e para isso tinha matado o seu cúmplice.
"Kai… eu só te quis proteger." disse Anne, numa voz trémula "Depressa, pára a câmara de gás ou os teus amigos morrem. Adeus."
Anne começou a subir as escadas a correr, saindo da cave. Tinha matado Arnold e não iria ficar ali à espera que Kai e os outros se lembrassem de a impedir de ir embora. Tinha de fugir para bem longe.
Kai ficou indeciso por um segundo. Anne ia fugir, mas se fosse atrás dela, os seus amigos e Ray iriam morrer. Kai não hesitou mais. Correu para a câmara e ficou a olhar para os botões.
Viu um botão verde, onde estava escrito que era para parar a câmara de gás e carregou no botão. Logo de seguida, a porta da câmara de gás abriu-se e o processo de lançar gases para a câmara foi cancelado.
"Kai, salvaste-nos!" gritou Nina, correndo para fora da câmara e agarrando-se a ele, mesmo nunca o tendo conhecido pessoalmente.
"Quem és tu?" perguntou Kai, confuso.
"Sou uma fã." disse Nina, sorrindo e afastando-se. "Aliás, agora que me salvaste, sou uma grande fã. Uma enorme fã. A tua maior fã, de certeza! Mas não de modo obsessivo nem nada assim, como a tal Anne maluca."
Aki e Wyatt saíram da câmara de gás e Ray saiu atrás dele.
"Estamos salvos." disse Wyatt, aliviado. "Obrigado, Kai."
"Kai." disse Aki, abraçando o irmão. "Ainda bem que tu estás vivo."
Aki afastou-se. Ray olhou para Kai e Kai olhou para Ray. Nina saltou um gritinho de excitação, suspirando.
"Isto é como um filme. Dois apaixonados que se reencontram." disse ela, sorrindo. "Depois de um longo período longe um do outro, os apaixonados voltam finalmente a estar juntos. É tão romântico…"
Enquanto isso acontecia, Anne ia a correr por um dos corredores da casa. Lucy, que tinha decidido voltar atrás, viu Anne a correr e aproximou-se dela. Anne parou e as duas raparigas encararam-se.
"Anne."
"Lucy…"
"Anne, o que é que tu foste fazer?" perguntou Lucy, abanando a cabeça. "Como é que pudeste raptar o Kai? Tu ainda estás pior do que eu pensava."
Anne não respondeu, tentando correr para chegar à saída. Mas logo de seguida, Lucy barrou-lhe o caminho.
"Não vais fugir, Anne." disse Lucy.
"Deixa-me ir…" pediu Anne.
"Não!" gritou Lucy. "Não mandas em mim! Chega! Não me dás ordens e não vais fugir, porque eu não deixo. Tens de ser punida pelo que fizeste."
Anne deixou-se cair no chão, derrotada. Lucy aproximou-se mais dela.
"Foi tudo por amor. Eu amo o Kai." disse Anne. "E queria ficar com ele…"
"Anne, isso não justifica o que fizeste." disse Lucy. "Tu não amas o Kai, nem amas ninguém. É apenas uma ideia fantasiosa da tua cabeça. Tu mal o conheces. Como é que podes estar verdadeiramente apaixonada por ele? Além de que se gostasses mesmo do Kai, querias que ele estivesse bem, junto da pessoa que ele realmente ama."
De seguida, Anne começou a chorar convulsivamente.
"Fiz tudo mal." disse Anne, soluçando. "Eu matei o Arnold."
"O Arnold? Aquele homem que nos trouxe até aqui?"
"Sim. Matei-o… ele ia matar o Kai… e eu matei-o primeiro." disse Anne.
"Anne, meu Deus, tu mataste uma pessoa!" exclamou Lucy, horrorizada. "Isto vai de mal a pior. Raptaste o Kai e agora…"
"Duas pessoas, Lucy. Matei duas pessoas. O Arnold e o Stuart também." disse Anne, soluçando.
"Anne!"
"Ele disse que me denunciava… eu senti-me ameaçada e envenenei-o. Depois lancei-o da cascata abaixo…"
Lucy estava mais chocada do que alguma vez estivera na vida. Conhecia Anne há bastante tempo. Ela nunca fora a pessoa mais difícil de conviver do mundo e tinha um feitio difícil, mas Lucy pensava que a conhecia bem. No entanto, nada tinha preparado Lucy para aquilo. A sua amiga raptara Kai e matara duas pessoas. Lucy aproximou-se mais e Anne agarrou-se a ela chorar.
"Lucy, ajuda-me." pediu Anne. "Eu já não sei o que faço."
"Anne…"
"Eu só queria que o Kai gostasse de mim… e agora… estraguei a minha vida…"
Lucy não disse nada, mas abraçou a amiga. Apesar de tudo, apesar de estar ainda em choque, apesar de saber que Anne matara duas pessoas, apesar dos seus instintos lhe dizerem para se afastar, Anne ainda era sua amiga. Aquela pessoa que conhecia há muito tempo e não a queria abandonar de todo.
"Eu vou ajudar-te. Podes contar sempre comigo." disse Lucy.
E assim, Anne ficou a chorar, abraçada à sua amiga.
Beyblade: História de um Amor Conturbado
De volta à cave, Kai e Ray continuavam a olhar um para o outro, sem se mexerem.
"Então, vão ficar aí parados ou vão abraçar-se e beijar-se?" perguntou Nina, impaciente.
"Nina!" exclamou Wyatt.
"O que foi? Disse alguma coisa de mal? Então eles ficam separados, o Ray a pensar que o Kai estava morto e agora ficam especados a olhar um para o outro?" perguntou Nina. "Têm mais é que se abraçarem e beijarem e falarem."
"Ela até tem razão." disse Aki.
"Vamos embora daqui." disse Wyatt. "Vamos deixá-los a sós."
"Oh, mas eu queria vê-los a beijarem-se!"
"Nina…"
"Pronto, está bem. Já uma rapariga não pode querer um pouco de divertimento na sua vida depois de ter quase morrido."
Nina, Wyatt e Aki começaram a afastar-se.
"Credo, vamos mesmo embora depressa. Só de olhar para aquele homem, ali morto, dá-me arrepios." disse Nina, olhando de relance para o corpo de Arnold.
Aki, Wyatt e Nina subiram as escadas até ao andar superior. Para Kai e Ray, o tempo parecia ter parado. Apenas olhando um para o outro, uma onda de sentimentos invadiu os dois. De seguida, Ray avançou e abraçou Kai.
"Kai, eu pensava que tinhas morrido." disse Ray, com lágrimas nos olhos. "Chorei tanto, a pensar que te tinha perdido. Foram os piores dias da minha vida."
"Ray, desculpa se sofreste." disse Kai. "Lamento muito, mas eu também não podia fazer nada, porque eu perdi a memória."
"Perdeste a memória?"
"Sim. A Anne salvou-me do incêndio, mas eu perdi a memória e fiquei a viver com ela." explicou Kai. "Ela mentiu-me e como eu não tinha memória, acreditei nela."
"Malvada Anne…"
"Ela tem problemas." disse Kai. "Mas apesar de tudo, enquanto estive com ela, nunca me tratou mal."
"Kai, fiquei tão deprimido quando me apercebi que tinhas morrido. Quer dizer, eu pensava que tinhas morrido. Todos pensámos. Sofri muito. Desejei morrer também."
"Ray, tu querias morrer?"
"Queria. Estava a sofrer muito. Queria morrer e ir para ao pé de ti. Mas não tinha coragem para me suicidar, sabendo que isso ia abalar muita gente." disse Ray. "Claro que pensava que estavas morto."
De seguida, Kai beijou Ray. Ficaram a beijar-se durante alguns segundos e depois quebraram o beijo.
"Mas eu estou vivo. E estamos aqui, juntos." disse Kai, sorrindo.
"Mas Kai, como é que a Anne te salvou do incêndio?" perguntou Ray, confuso.
Kai contou a Ray o que Anne lhe tinha contado a ele.
"Estou a ver… afinal ela salvou-te a vida. Duas vezes." disse Ray, pensativo. "Mas separou-nos. Não lhe posso perdoar isso."
"Esquece a Anne." disse Kai. "Finalmente estamos juntos outra vez."
"Por pouco. Kai, temos imenso azar." disse Ray. "O teu avô meteu-se entre nós, a Anne também. Foste raptado, perdeste a memória… no passado quase foste violado, foste esfaqueado, caíste de um precipício. Parece que atraímos o azar para nós."
"A partir de agora, vai ficar tudo bem. Prometo."
Ray sorriu.
"Era bom, Kai. Mas não podemos controlar o destino." disse Ray. "Esperemos que não haja mais ninguém que nos queira separar."
Kai beijou Ray novamente.
"Senti muito a tua falta, Kai."
"E eu, quando fui raptado pelo meu avô, só conseguia pensar em ti e se estarias bem ou se te tinha acontecido alguma coisa." disse Kai. "Mesmo sem a minha memória, eu sonhei contigo."
"Vamos embora daqui, Kai." disse Ray, virando-se e olhando para Arnold. "Vamos embora."
"Sim, vamos."
Kai e Ray, de mãos dadas, subiram as escadas, dirigindo-se à saída da casa. No corredor encontraram alguns agentes da polícia, que vinham na direcção deles.
"Onde fica a cave?" perguntou um dos agentes.
"É só ir em frente e descer as escadas." respondeu Ray.
"Obrigado. Vão lá fora falar com o comandante." disse outro agente.
Os agentes afastaram-se, indo para a cave. Kai e Ray continuaram a andar.
"Como é que a polícia veio cá parar?" perguntou Kai.
"O Tala foi chamá-los." respondeu Ray.
Kai e Ray saíram para a rua. Cinco carros da polícia estavam parados ao lado do carro de Arnold e do carro que Tala tinha conduzido. Lucy estava perto de Anne, que estava algemada e sentada num dos carros. Wyatt, Aki e Nina falavam com três agentes e Tala estava encostado ao seu carro.
Ao ver Kai e Ray saírem da casa, o comandante da polícia aproximou-se rapidamente.
"É mesmo verdade." disse ele, sorrindo. "Kai Hiwatari está vivo. Sente-se bem?"
"Sim." respondeu Kai.
"Óptimo. Sou um grande fã seu, sabe? Eu e metade da esquadra da polícia. Ficámos muito tristes quando anunciaram que tinha morrido, mas afinal não morreu." disse o comandante. "A rapariga confessou tudo. Querem ser levados para o hospital, para ver se está tudo bem com vocês?"
"Não é necessário." disse Ray.
"Nós estamos completamente bem." respondeu Kai.
"Óptimo. Ainda bem. Um caso estranho. Enfim, suponho que há muita gente obcecada por pessoas famosas, mas esta rapariga levou as coisas ao extremo. Matou duas pessoas, raptou-o e aproveitou-se do facto de você ter perdido a memória."
"Mas no fundo, ela não é má." disse Kai. "Ela matou aquele homem para me salvar, porque ele me ia matar a mim. A Anne tem problemas psicológicos, de certeza. No fundo, não é má, apenas perturbada."
"Vamos fazer-lhe os testes. Se realmente sofrer de alguma perturbação, terá de ser internada." disse o comandante. "Caso contrário, vai presa, com certeza."
O comandante suspirou.
"Depois, para efeitos legais, terão de ser os dois interrogados." explicou ele. "Agora com licença. Tenho de ir então à cave, ver o corpo da vítima mortal."
O comandante afastou-se e Tala aproximou-se deles.
"Kai, afinal estás vivo." disse Tala, sorrindo. "Eu logo vi que não era um incêndio que acabava contigo."
"Não foi, mas quase." disse Kai.
Nesse momento, Wyatt, Aki e Nina aproximaram-se também.
"Já nos fizeram as perguntas todas." disse Wyatt. "Vocês devem ser a seguir."
"Kai, vais ter de nos explicar como é que sobreviveste e vieste parar aqui." disse Aki.
"Eu vou explicar-vos tudo, não se preocupem." disse Kai.
Mas nesse momento, dois agentes aproximaram-se e começaram a interrogar Ray e Kai. Depois de feitas todas as perguntas, os agentes afastaram-se. Kai contou aos outros tudo o que se tinha passado com ele.
"E mesmo assim, não estás contra a Anne?" perguntou Nina.
"Eu sei que ela fez mal. E não posso esquecer-me disso. Ela mentiu-me e aproveitou-se do facto de eu ter perdido a memória, mas também me salvou." disse Kai. "E ela tem problemas, de certeza."
"Olha lá, se tu passaste esse tempo todo na mansão dela e ela queria estar contigo, não se aproveitou de ti?" perguntou Tala.
Todos olharam para Kai, expectantes.
"Não. Nem nos beijámos nem nada." respondeu Kai.
"Ena, ela tem mesmo problemas." disse Nina, abanando a cabeça. "Então, ela rapta-te, tu não tens memória, ela diz que é tu namorada e não se aproveita da situação? Eu aproveitava-me logo!"
Todos olharam intensamente para Nina, que corou.
"Ora, o Kai é bonito e se eu fosse maluca para o raptar, também era maluca para o beijar e muito mais." disse Nina. "Mas não se preocupem que eu não sou maluca como a Anne. E já tenho namorado, é claro."
Os outros entreolharam-se e começaram a rir-se.
"És mesmo engraçada, Nina." disse Aki.
"Mas tem razão." disse Ray, sorrindo. "Se eu raptasse o Kai, também me aproveitava dele."
Kai corou imenso e tentou disfarçar o facto com um súbito ataque de tosse. Segundos depois, Lucy aproximou-se do grupo.
"Kai, queria agradecer-te por me teres ajudado." disse Lucy.
"Ora, eu é que te devia agradecer. Se não fosses tu a ajudar-me a tirar as cordas, não conseguiria ter-me libertado. E não te esqueças que depois o gancho que usei para abrir a porta também era teu." disse Kai. "Tu é que mereces o crédito todo."
"Obrigada Kai. Não te preocupes que eu prometo que me vou certificar de que a Anne é internada. Espero que ela recupere."
"Achas mesmo que ela tem problemas mentais?" perguntou Ray.
"Sim. Eu conheço a Anne desde pequena. Ela sempre foi diferente de mim. Sempre foi mais obcecada com as coisas, sabem? Mas os pais dela são muito ricos e o que ela queria, eles davam-lhe, por isso ela mantinha-se controlada." explicou Lucy. "Pensei que era normal. Ela sempre foi muito mimada. Mas agora vi que afinal não era bem assim."
"Ela ficou obcecada comigo. E não me podia ter." disse Kai.
"Exacto. Mas ela está confusa e arrependida." disse Lucy. "Acho que, quando ela fica assim obcecada, perde a noção das coisas. Mas agora está normal, penso eu."
"A Anne tem sorte em ter uma amiga como tu." disse Wyatt.
"Ela não tem mais ninguém. Quer dizer, todas as amigas que ela tem, para além de mim, só estão interessadas nela por ela ser rica, mais nada. E os pais viajam muito." disse Lucy. "Eu vou estar sempre ao lado dela."
Pouco depois, o comandante da polícia voltou e disse que eles se podiam ir embora.
"Adeus Lucy." disse Kai, afastando-se com os outros.
Passando pelo carro da polícia, Kai e Anne entreolharam-se.
"Desculpa." murmurou Anne.
Kai olhou uma última vez para Anne.
"Trata-te e fica boa." disse Kai.
De seguida, Kai seguiu os outros e entrou no carro. Wyatt, Aki, Kai e Nina tiveram de se encolher no banco de trás. Tala arrancou e começaram a afastar-se dali.
"Bem, parecemos sardinhas enlatadas." disse Wyatt.
"Tala, leva-nos para o hotel onde eu e os outros estamos hospedados." pediu Ray. "Eu explico-te para onde tens de ir."
"Nem sabia que o Tala tinha carta." disse Kai.
"É uma longa história… bem, talvez não tão longa. Mas eu conto-vos depois." disse Tala.
"Kai, posso pedir-te uma coisa?" perguntou Nina.
"Sim. Pede."
"É que há muito tempo que eu queria uma coisa de ti. E quando chegarmos ao hotel, gostava que ma desses."
"E que coisa é essa?" perguntou Kai.
"Ora, quero um autógrafo teu, Kai." respondeu Nina, sorrindo. "Um verdadeiro. Porque o Aki deu-me um, a fazer-se passar por ti, mas esse não vale nada."
Kai sorriu.
"Claro que te dou um autógrafo." disse Kai. "E já agora, podes explicar-me quem és tu, porque eu ainda não percebi."
Continua…
